FL 04/05/2026_1 – Rudá Ricci - Tema: Momento político
Participações:
• Rudá Ricci - Sociólogo, cientista político e presidente do Instituto Cultiva
• Daniel Conceição - Economista, ex-presidente do Instituto de Finanças Funcionais para o Desenvolvimento e professor do Instituto de Planejamento e Pesquisa Urbana e Regional (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
• Leila Salim - Jornalista e pesquisadora em comunicação política
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Daniel Conceição
Rudá Ricci
- Indicação Jorge Messias ao STFArticulação para rejeição · Interesse em enterrar caso Banco Master · Envolvimento de Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre · Papel de André Mendonça · Acordão envolvendo poderes · Posição de Jacques Wagner
- Economia do Governo LulaFoco na eleição presidencial · Recuperação de credibilidade · Impacto da rejeição de Messias · Estratégia de Lula em ano eleitoral · Postura imperial de Lula · Dificuldade em entender a nova realidade social
- Lei da DosimetriaDerrubada de vetos de Lula · Manobra de Davi Alcolumbre · Ilegalidade e inconstitucionalidade da votação · Transformação em tema de campanha
- Atuação de Lucia na políticaPolarização entre Lula e Bolsonaro · Candidatura de Ciro Gomes · Candidatura de Zema · Vantagem emocional para Lula
- Relações Israel-EUASequestro de Thiago Ávila · Sequestro de Saif Abu · Interceptação da Global Sumo · Acusações de tortura e terrorismo · Reação do governo brasileiro · Guerra promovida por Donald Trump e Benjamin Netanyahu
- Programa DesenrolaObjetivo de reduzir endividamento · Negociação com banqueiros · Utilização de recursos do Fundo de Garantia
- Carreira e SucessoJuros caindo a conta gotas
Está no ar o programa Faixa Livre, jornalismo com uma outra visão dos fatos. Hoje é segunda-feira, 4 de maio do ano de 2026. Está no ar o programa Faixa Livre. Bom dia a você que nos prestigia. Agradeço demais a quem assiste a transmissão ao vivo. Aqui pelo nosso canal no YouTube, o Faixa Livre.
Bem, muito obrigado também a você que acompanha o programa gravado a qualquer hora do dia ou da noite, e a quem nos ouve pelo podcast Programa Faixa Livre, dos mais diferentes agregadores. Faixa Livre é produzido e apresentado por este que vos fala, auxiliado por Isaac de Assis e por Beatriz Barbieri. Pessoal, depois desse fim de semana prolongado com o feriado do Dia do Trabalhador, temos muitos assuntos para repercutir no programa, política nacional, internacional, também na economia, enfim.
Aquele episódio da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, negada pelo Senado, ainda dá o que falar, especialmente depois que se soube que o ministro Alexandre de Moraes teria articulado com Davi Alcolumbre a rejeição do AGU com o objetivo de enfraquecer as investigações do Banco Master.
visto que Jorge Messias tinha como principal apoiador aliado no Supremo o terrivelmente evangélico André Mendonça, que é relator justamente do processo que implica Daniel Borcaro e boa parte do legislativo e também do judiciário.
Além disso, esse acordão envolveu ou teria envolvido bolsonaristas que derrubaram os vetos do presidente Lula ao pele da dosimetria no Congresso na quinta-feira. Aquela anistia tímida aos golpistas do 8 de janeiro. A gente vai falar sobre, ou tentar entender o alcance dessa teia de interesses, como é que isso afeta a gestão do petista, conversando daqui a pouquinho com o sociólogo, cientista político e presidente do Instituto Cultiva, Rudahit, mais uma vez aqui conosco.
O chefe do executivo ainda anunciou também na quinta-feira alguns detalhes do novo programa Desenrola, que começa a vigorar nesta segunda-feira, com o objetivo de reduzir o drama do endividamento das famílias. O problema é que esse plano foi negociado com os banqueiros, sem a participação de representantes da sociedade civil e principalmente das entividades, e com a utilização de até 20% dos recursos do Fundo de Garantia dos Brasileiros para garantir.
o pagamento das dívidas nos bancos. Para analisar o que representa esse novo programa Desenrola-se, ele pode de fato ser uma solução para o endividamento das famílias. Eu converso hoje com o economista, ex-presidente do Instituto de Finanças Funcionais para o Desenvolvimento e professor do Instituto de Planejamento e Pesquisa Urbana Regional, o IPUR, da Universidade Federal aqui do Rio de Janeiro, a UFRJ, Daniel Conceição.
Ele também vai comentar essa queda de 0,25 ponto percentual da Selic, anunciada pelo Banco Central na última semana, os juros caindo a conta gotas. Já já você vai entender o porquê. Para finalizar, a gente não pode deixar de repercutir nessa situação gravíssima que acontece hoje em Israel.
com o sequestro do brasileiro Thiago Ávila e também do palestino espanhol Saif Abu pela entidade sionista. Ambos compunham a tripulação da Global Sumo de Flotilha, que foi interceptada ilegalmente em águas internacionais pelos militares israelenses na última semana quando tentavam levar ajuda humanitária à Gaza.
Quase todos foram libertados, com exceção dos dois que eu citei. Agora eles estão sendo submetidos a sessões de tortura. Tiago chegou a ficar cego de um olho temporariamente devido às agressões. E serão julgados em Israel pela acusação, entre outros, de terrorismo. Podem ser, inclusive, condenados à morte por enforcamento.
Enquanto isso, o governo brasileiro só solta aquelas notinhas por intermédio do Itamaraty. O presidente Lula não faz absolutamente nada diante do sequestro de um cidadão brasileiro pela entidade sionista. A jornalista e pesquisadora em comunicação política Leila Salim, que está no Líbano acompanhando os desdobramentos do massacre promovido por Israel e Estados Unidos no Oriente Médio, vai nos dar detalhes da situação dos sequestrados e também...
contágio, acontecendo aí essa guerra promovida por Donald Trump e por Benjamin Netanyahu. Uma entrevista absolutamente imperdível para fechar a edição histórica de hoje do nosso programa.
Bom, gente, antes de começar aqui o nosso faixa livre e chamar o nosso primeiro entrevistado, eu quero lembrar mais uma vez do livro que a gente está sorteando essa semana, viu? Toda semana um livro diferente. E essa semana, ao longo desses próximos dias, a gente vai sortear esse livro que está na tela. Fênon e a Revolução Argelina. Como a luta anticolonial africana forjou a voz dos condenados da Terra.
livro de autoria de Walter Lippo, publicado pela Autonomia Literária, e que a gente vai sortear essa semana entre todos vocês, espectadores, que enviarem suas participações via superchat ou supersticker aqui no nosso programa. Já manda aqui a sua participação, o seu comentário, a sua pergunta para os nossos comentaristas.
você concorrer na sexta-feira a esse livro que está na tela, Fenon e a Revolução Argelina, livro publicado pela Autonomia Literária de Walter Lippold, sorteado entre vocês que contribuírem aqui com o nosso programa ao longo dessa semana. Então, apoie o Faixa Livre e concorra a esse livro na sexta-feira. Ao longo do programa, eu vou indicando aqui, mais uma vez, o sorteio do livro. E para quem é membro do nosso canal, vocês concorrem no final do mês ao livro que está na tela, Deus e o Diabo na Terra dos Cedros.
Níbano Contemporâneo, organizado por Murilo Meire e Samir Osman, publicado pela Editora Tabla. A gente vai sortear entre os membros do canal. Basta que você se torne membro em qualquer uma das quatro modalidades. A partir de R$ 4,90, você pode contribuir aqui com o nosso programa e concorre no fim do mês ao livro.
que está na tela. Então, toda semana e todo mês a gente sorteia livros aqui entre os espectadores do nosso Faixa Livre. Vou saudar aqui o nosso primeiro entrevistado para conversar com a gente. Eu me refiro ao sociólogo, cientista político e presidente do Instituto Cultiva, Rudahit. Rudahit, bom dia.
Bom dia, Anderson. Bom dia a todos e todas que estão aqui. Agradeço, Rudá, a tua presença aqui, a tua participação conosco para falar um pouco sobre esse cenário que cada vez se complica mais aqui na política nacional, viu, Rudá? Porque o que a gente teve aí na última semana deixou muito claro o que está em curso do país, mas eu quero, acima de tudo, uma análise do que a gente tem nesse momento. O governo Lula tenta se capitalizar.
visando as eleições presidenciais, a gente vem falando muito disso ao longo dos últimos tempos, aliás, a gente, faltam cinco meses para as eleições presidenciais aqui no nosso país, se não estou enganado, é no dia 4 de outubro, as eleições, ou seja, hoje a gente tem exatos cinco meses para o processo eleitoral, o governo, mais uma vez, tenta recuperar a credibilidade, a confiança dos brasileiros, e na última semana a gente teve um episódio que, enfim...
prejudicou, eu diria, a situação desse governo junto ao Congresso Nacional, o Congresso que é dito inimigo do povo, e o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias lá para o Supremo Tribunal Federal, numa trama que teria sido urdida, inclusive com a participação de ministros do Supremo Tribunal Federal para paralisar.
o caso máster. Daqui a pouco a gente vai aprofundar ou dar análise a respeito desse tema em específico, mas eu queria saber de você, no momento, como é que você avalia o governo Lula nesse momento? A gente conversou há pouco tempo contigo aqui no nosso programa, você, de alguma forma, deixou um pouco de lado as pesquisas de intenção de voto, porque a gente ainda está muito longe do processo eleitoral, mas, propriamente, em relação ao governo, como é que você vê o momento da gestão Lula atualmente, Rudá?
Bom, primeiro só lembrar que para nós analistas políticos, quanto pior o cenário, melhor para nós. É igual o taxista. Quando está chovendo para caramba, aí que todo mundo pede táxi. Bom, mas deixando esse egoísmo profissional de lado, o que eu diria é o seguinte. Em primeiro lugar, as pessoas esquecem um pouco como é que o Lula...
num momento como esse, ano de eleição, e já em maio, como é que ele age. Acabou o governo para ele. Eu lembro que em 2010, já para a eleição da Dilma, 2010, teve uma reunião do ministerial que saiu na imprensa, o Lula fez questão de vazar, em que os ministros começaram a apresentar uma série de projetos de cada pasta.
Ele pegou na reunião, ele é muito irônico, ele virou para o pessoal e disse o seguinte, olha, vocês estão apresentando vários projetos, então eu vou pedir um favor. Cada pasta, eleja o melhor projeto que vocês têm, coloquem num papel timbrado, entreguem para mim, que eu vou pedir para a minha assessoria colocar tudo numa pasta e eu vou entregar e eu prometo para vocês para o próximo presidente. Aí ele deu um sorrisinho e falou, não tem mais governo.
A partir de agora é entrega de obras e eleição, gente. Coloquem isso na cabeça de vocês. Bom, nós estamos nesse mesmo período, algumas, mais de uma década depois. O Lula está todo focado na eleição. Então, eu quero dizer, Andrés, em primeiro lugar, que essa história...
da não aprovação do Messias, está sendo muito positiva para o Lula, muito positiva. Claro que os analistas institucionalistas, aqueles que só olham para o campo institucional, acham que é um horror, o governo acabou, o que eu tenho de matéria, que inclusive saiu agora no Metrópole, no jornal Metrópole,
é que os trackings são aquelas pesquisas por telefone informais, não são registradas, que são feitas pelos partidos. O PT está fazendo diariamente esses trackings, e os trackings depois da rejeição aumentaram a aprovação e a intenção de voto no Lula.
incrível que pareça, é que a ideia de que ele foi traído, isso faz com que aquele campo mais progressista, mas que tem dúvida, penda para ele porque achou que foi um exagero o que o outro lado fez, porque a palavra traição no Brasil é um palavrão, tanto que nós acabamos de fazer ter um feriado sobre traição. Então, é bom a gente entender que ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou
em que a situação melhorou temporariamente, momentaneamente, para o Lula em função dessa traição em cascata. É isso, é isso, me parece, acima de tudo, que esse cenário onde a gente teve a aprovação do Jorge Messias de alguma forma funcionou no sentido de...
melhorar a situação do Lula. A gente teve aí no 1º de maio esses atos, muitos atos pelo Dia do Trabalhador com a palavra de ordem pelo fim da escala 6x1, mas também o Congresso inimigo do povo diante dessa rejeição aí do nome do advogado-geral da União para ocupar uma vaga lá no Supremo Tribunal Federal. Eu queria muito agora analisar mais especificamente esse episódio, viu, Rudá, que talvez seja o principal nesse momento.
da política nacional, a reprovação do Jorge Messias no Supremo, porque de Brasília vem a informação de que alguns ministros do Supremo Tribunal Federal, inclusive liderados pelo Alexandre de Moraes e também o próprio Davi Alcolumbre, em unidade com a extrema-direita, mas não só articularam para barrar essa indicação, essa aprovação do Jorge Messias ao STF. Primeiro porque haveria o interesse de uma ala do Supremo
e também do Congresso Nacional, de enterrar o caso do Banco Master. Tem magistrados e parlamentares no centro do alvo. Jorge Messias tinha como principal aliado, o principal padrinho na corte para essa indicação o terrivelmente evangélico André Mendonça, relator justamente do caso Master.
Além disso, Davi Alcolumbre já se articula com a extrema-direita, que tem como principal interesse enfraquecer o governo do presidente Lula a sua reeleição para a presidência do Senado no ano que vem. A análise mais geral daquela sessão, ou daí, dos episódios que a gente teve antes, parece que houve, inclusive, um jantar.
do Davi Alcolumbre junto ao Alexandre de Moraes na véspera da votação da aprovação do Jorge Messias, enfim, da indicação do Jorge Messias. Dos desdobramentos de tudo, eu queria que você falasse um pouco o que aconteceu, o bastidor, o que você tem a respeito daquilo, quem foram os principais derrotados nesse episódio?
Bom, vamos por parte. Primeiro, o Alcolumbre não está aliado da extrema direita. Isso daí é um erro. Não há nenhum indício disso. O Alcolumbre é tão raposa quanto o Lula. Eu imagino que nesse momento os dois estão mandando emissário um para o outro. Eles vão se recompor.
porque não há interesse nenhum ficar esgarçando em ano de eleição a relação do Senado com o governo federal. Isso é um erro. É lógico que o bolsonarismo, que é muito bom de rede social, jogou um monte de informação, o governo Lula acabou, Alcolumbe está no nosso colo, agora nós vamos destruir isso, destruir aquilo, e ainda colocar a dosimetria na história, quando todo mundo sabia.
antes da rejeição do Messias, que seria, cairiam os vetos do Lula. Aliás, o Lula torcia para isso. Por quê? Porque com isso ele joga agora para o STF essa questão, ele não vai promulgar essa queda dos vetos, e ele com isso consegue fortalecer o discurso, o Congresso inimigo do povo.
As pessoas têm que entender um pouco o jogo. Aliás, Congresso inimigo do povo tem que colocar, então, parte dos petistas nessa história. Porque o que eu tenho de bastidor, eu conversei com muitos parlamentares, dirigentes políticos, grande parte do PT.
O que eu tenho de apuração é o seguinte, houve um acordo de parte dos três poderes para que aqueles envolvidos com as falcatruas do Banco Master fossem blindados. Do STF, o que eu sei é que há um envolvimento direto do Alexandre Moraes, mas também do Toffoli, e não tão proeminente, mas também do Flávio Dino.
porque ele era contra, inclusive, a indicação do Messias, ele sempre deixou claro isso, para derrubar o nome do Messias. Então, com isso, blinda o acordo era. Ninguém mais fala de falcatrua da mulher do Alexandre Moraes, do Alexandre Moraes, do Toffoli com o resort, não sei o que, acaba. Acaba esse assunto. No caso do Centrão...
que no caso do Senado tem como expoente ao Columbre, era justamente blindar para que não avance nenhum tipo de julgamento, ação, investigação contra eles no que diz respeito ao Banco Master. Uma dessas questões é, esfria essa história de relação premiada, nesse momento, esfria.
E aí, com isso, você retira todos os parlamentares envolvidos, segundo eu ouvi, inclusive Jacques Wagner e outros dirigentes do PT da Bahia. Então a história é um pouco mais grave. O Flávio Bolsonaro e os bolsonaristas entraram como coadjuvantes, eles entraram no Acordão.
mas eles entraram como coadjuvantes, eles não definiram esse acordo. O acordo já estava sendo dado. O que acelerou o acordo? Por que o governo não tinha tanta clareza que ia acontecer isso? Sabia do risco. Mas por que ele não tinha tanta clareza? Justamente porque ele não...
primeiro que ele não tem muito domínio, mas ele não avaliou que as ações da Polícia Federal, naquele dia da votação, ia ser a cola que ia juntar todos envolvidos com o Banco Master nesse acordão.
O acordo é tópico, não tem nada a ver com a eleição. E nós vamos ter outro caminho daqui por diante. O que esse pessoal que fez acordo, porque eles estão torcendo para isso sair do cenário, embora, obviamente, a candidatura do Flávio esteja querendo o inverso.
E eu fico muito assustado de ver novamente como o campo progressista não tem mais malícia, ele pisa em toda casca de banana e entra com o discurso do Flávio. Inclusive o Lula vai desistir. Por que estava falando que o Lula vai desistir? Para dar a noção de que o Lula está frágil.
Mas como está frágil? O cara está usando o limão e fazendo limonada. Então, parece que ninguém conhece o Lula. Então, eu acho que... O que eu apurei é que o acordão é grave, gravíssimo, mas o que é bom é que mostra como é o Estado brasileiro e também deixa claro que no PT tem baixo clero.
Esse acordão estaria em torno justamente de se enterrar as investigações do Banco Master, como você traz para a gente. Aí você citou o baixo clero do PT, e eu queria que você falasse mais um pouco a respeito de um personagem específico que você inclusive citou ao longo...
da tua resposta anterior, que é o Jacques Wagner, líder do governo no Senado, que teria participado dessa articulação. Inclusive, depois daquela sessão que rejeitou a indicação do Jorge Messias, o Alcolumbre rapidamente levantou da cadeira e já deu um abraço ao Jacques Wagner, que estava posicionado atrás dele lá no plenário da Câmara.
Com que objetivo o Jacques Wagner, o Rudá, trabalharia por essa reprovação do indicado do Lula? Porque parece que o próprio Jorge Messias estaria com o pé atrás com o senador. Essa participação do Jacques Wagner se daria com o objetivo também de finalizar, ou pelo menos tentar enterrar, a questão envolvendo o Banco Máster, porque...
Parece que o PT da Bahia tem envolvimento muito forte nesse escândalo de corrupção. E eu queria que você falasse um pouco sobre o envolvimento dos Vax Wagner nessa iniciativa de reprovação do Jorge Messias, nessa articulação que foi construída lá no Senado.
Bom, aqui eu só sei, que eu apurei, de que ele esteve na linha de frente para detonar o nome do Messias. Isso está bem claro. Agora, o resto é boataria que existe de que... Ele, inclusive, veio a público dizer que ele tinha mesmo contato com o segundo nome do Banco Master, um ex-sócio que tinha se afastado e que foi denunciado também.
na compra de uma rede de supermercado, que na verdade o que eles queriam era comprar aqueles que tinham cartão, que usavam para compra nessa rede. A história é bem complicada e que envolveria o governo da Bahia. Então, parece que tem muita gente envolvida nessa história.
Eu não vou entrar nisso porque eu não tenho nenhum dado muito concreto, não apurei isso. Eu realmente, como cientista político, não gosto desse tema da corrupção. Eu acho que é um tema rebaixado da política. Corrupção não é uma questão de caráter, corrupção é uma questão de oportunidade, de falta de controle político da sociedade civil e de uma sociedade muito desigual. Eu estou falando de estudos clássicos que nós temos na sociologia, na ciência política, sobre corrupção.
A corrupção é um sistema que se mantém de achaque do Estado e dos recursos públicos. Isso se dá em sociedades muito desiguais e em um Estado que não é poroso, é um Estado que é fechado e que com isso ele cria situações de negociação das elites. Isso é o que diz, por exemplo, a teoria funcionalista, o nosso tema de todas as linhagens não tem nada a ver com caráter.
Então, assim, quando o Moro e o Dallagnol vieram com aqueles 10 pontos lá, sei lá, de combate, eu falei, não é possível, esse pessoal nem estudar estuda, eles achavam que era uma questão de desvio de caráter. Bom, se fosse o Dallagnol e o Moro não seriam acusados do que...
estão sendo, né? Então, assim, não é uma questão exatamente de cara, eu não gosto desse tema, então, eu não acho que seja um tema politizado, eu acho que é pré-político, mas, da mesma maneira, como a gente está fulanizando o tempo inteiro a política no Brasil, né? Isso aí ganha relevo, mas o fato é que, e tem gente ainda que fica falando, não, está tirando dinheiro de hospital, ah, meu caro, até parece que é corrupção que tira dinheiro do hospital, né? Mas, de qualquer maneira,
O que eu quero dizer é que o que eu sei é o que o próprio Jacques Wagner veio a público dizendo que ele tinha tido envolvimento mesmo, mas que não tinha a ver com falcatrua. O fato é que, se teve ou não teve, o Jacques Wagner queria solapar essa história para acabar com isso. Se você me permite, Anderson, eu vou te contar uma historinha que confidenciar para vocês pela primeira vez. Por favor.
Anos atrás, no governo Jacques Wagner, a entidade que eu presido foi contratada para a gente fazer uma reforma administrativa da principal empresa estatal, estadual da Bahia, que era a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola, EBDA.
Pois bem, nós ficamos um tempão ouvindo cada setor, fazendo reuniões, criando um comitê de funcionários e da gestão dessa empresa para desenvolver cada passo, pela nossa concepção, nós temos uma concepção freiriana, então a gente não faz de cima para baixo, a gente fez pesquisas, contratamos.
uma empresa vinculada à Universidade Federal da Bahia, conseguimos detalhar alguns processos de gestão, gestão de projetos e processos, e apresentar uma proposta durante muito tempo.
acaba de apresentar a proposta, nós ficamos sabendo que a Secretaria de Planejamento há tempos estava na surdina direcionando o fim, a extinção dessa empresa. Ou seja, nós ficamos quase dois anos, funcionários, nós, trabalhando, feito loucos, para o Jacques Wagner ganhar tempo e extinguir a EBDA.
É um pouco isso que é o Jacques Wagner. O Jacques Wagner é muito conhecido na Bahia, muito conhecido. É uma pessoa que tem uma... Ele é um pouco mais... Ele tem um pouco mais de ginga que o Lula, se é que fica mais claro o que eu quero dizer. Então, assim, eu não sei exatamente o que aconteceu, mas eu sei que o Jacques Wagner caminha de um lado para o outro.
E não me parece muito consistente do ponto de vista da ideologia. Ele é uma raposa política muito perspicaz. Não sei até que ponto ele se envolveu, mas ele admite que se envolveu. Então é melhor, no ano de eleição, acabar com essa história.
Agora, o Rudá, chama a atenção o seguinte, o próprio Jacques Wagner diz que tem envolvimento nessa articulação pela reprovação do Jorge Messias ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal lá no Senado.
Por que o Lula não tira o Jacques Wagner da liderança do governo no Senado diante de um episódio grave como esse? É muito estranho o presidente manter ou não fazer qualquer tipo de sinalização no sentido de tirar o Jacques Wagner da liderança do governo no Senado Federal. Por que o Lula faz esse tipo de movimento? Ele simplesmente tem uma traição interna dentro do partido, do seu líder, do governo, e ele simplesmente não faz nada?
Não, eu não vejo muito... Não vejo que estranho que tem isso. Isso é Lula. O Lula precisa de voto da Bahia. A Bahia está na mão do Jacques Wagner, do Rui Costa e do Jerônimo. Ele vai fazer o quê? Vai pôr a mão nesse vespeiro? Não vai. O que o Lula normalmente faz? Se fosse assim, ele já teria demitido todo mundo do Centrão, que é quem mais liderou esse processo. Só para você ter uma ideia, no dia anterior...
a sabatina e a votação do nome do Messias, há ministérios que liberaram dinheiro para caramba. Eu tenho aqui a lista que liberaram dinheiro para o Alcolumbre, pedido do Alcolumbre, que não tem nada a ver com a emenda parlamentar.
para que vocês tenham uma ideia, e da área social. Então, assim, não é o jeito do Lula ficar puxando a orelha de quem ele precisa de favor. É o contrário. Ele tenta agora recompor. Não foi assim com o Trump?
Ele declarou guerra? Não declarou, elogiou, falou que ele entendia que o Trump defendia a nação que ele preside, que ele faria o mesmo, mas que eles tinham que chegar a um ponto em comum. Então, assim, esse é o estilo do Lula. O Lula não vai criar problema para quem governa a Bahia há tantas décadas.
Ele precisa do voto da Bahia, é um Estado gigantesco, a Bahia virou várias eleições para o Lula, então ele não vai mexer, não vai mexer de maneira alguma.
É, enfim, é o Lula, como você diz, você deixa muito claro, diante de tudo isso que você está falando, o mais estranho é que, mesmo com fogo amigo, o Lula não vai atuar no sentido de tomar uma atitude mais efetiva, no sentido de tirar o Jax Wagner da liderança do governo, enfim. Eu queria avançar aqui, o Ruda, você falou sobre os recursos foram liberados.
por ministérios, mas parece que emendas também teriam sido enviadas ou liberadas para que senadores pudessem votar a favor do Messias na véspera dessa votação. Parece que foram seis bilhões de reais que foram liberados.
pelo governo em emendas, para que o próprio Senado votasse a favor do Monsisa. Eu queria que você falasse um pouco sobre isso. É verdade, de fato, o governo liberou esses recursos em emendas para os senadores? Por que essa estratégia acabou não dando certo?
Bom, o que tem é o empenho, né? São 2,3 bilhões de emendas empenhadas entre 10 de abril e final de abril. Então, isso está no portal da transparência, se não me engano.
O fato é que é o seguinte, veja, a situação... Para que a emenda vai pagar o voto se as pessoas podem ter a sua imagem pública absolutamente destruída num ano de eleição?
se o Lula não fizesse isso, ele teria certeza que o Messias não ia passar. Bom, eu vou te falar outro dado de bastidor que eu ouvi. O dado de bastidor é que o Lula nunca foi tão imperial como presidente como agora.
Eu ouvi de muita gente, gente próxima do Lula, dizendo que, por exemplo, o Lula deixou de fazer o café com o presidente, ele está mais distante, mais imponente, ele não faz mais reunião daquele núcleo de ministros mais próximos todo final de semana. O Lula está mais imperial, foi essa palavra que eu ouvi. E aí, pegando o gancho, eu ouvi que o Lula impôs o nome do...
do Messias, de qualquer maneira. E nesse sentido, as emendas entram como mais um componente da imposição. Ora, a esquerda nunca falou, o cara lá no teu município vai te dar dinheiro para você votar, pega e vota no outro. Foi isso que aconteceu.
Os congressistas morrendo de medo no ano de eleição de terem seu nome completamente destruído na sua base eleitoral e ele não se reelegendo, eles pegaram o dinheiro e votaram no outro, contra. Acho que foi uma lição importante para o Lula, mas eu fico pensando o seguinte, Anderson, quando a gente está no governo, a gente faz estudo de risco.
A gente não vai como... Ah, eu vou comprar um carro. É diferente da situação doméstica, de decisão do que comprar. Porque você tem um staff, você tem empresas, você tem um monte de assessoria que é responsável por isso. É evidente que eles montaram o cenário de derrota.
E é evidente que eles devem ter projetado o que eles fariam com esse cenário. Então, eu quero dizer que, quando perde, eu não sei não o que estava na cabeça do Lula. Porque ele logo vem ao público para falar do 1º de maio. E não parecia que ele estava destruído emocionalmente na gravação ali. Eu acho que tinha alguma... Não é que era o desejo, não estou dizendo que era desejo.
mas eu acho que havia sim um plano da derrota do Messias e eu acho que ele não vai indicar ninguém agora o nome da Simone Tebbit ganhou um volume enorme eu acabei de conversar com pessoas de Brasília, agora cedinho eles falaram que está ganhando nome em todos os ministérios, todo mundo só fala dela
O que eu acho muito estranho, porque ela vai bem em São Paulo, parece que até é uma tentativa de solapar o nome dela. Mas eu acho muito esquisito, depois dessa derrota, o Lula indicar outro nome para o STF, podendo sofrer uma segunda derrota no ano de eleição.
Eu comecei hoje aqui essa entrevista dizendo isso. Esse é o momento que o Lula está todo focado em eleição, ele não está focado no STF. Para que comprar essa briga? Eu acho muito difícil que ele faça isso. A não ser que tenha um jogo aí contra Simone Tevich que eu não estou conseguindo enxergar.
a gente vai falar daqui a pouquinho a respeito justamente dessa possível futura indicação do Lula para a vaga lá no Supremo Tribunal Federal. Mas antes me chamou a atenção, logo no início da tua fala, nessa resposta anterior, quando você disse que figuras lá de Brasília dizem que o Lula está mais imperial...
do que nunca. O que justificaria essa postura do presidente? Porque eu ouço muitos analistas aqui dizerem, o Rudá, que o Lula não ouve mais as figuras, ninguém mais do Partido dos Trabalhadores tem coragem de se impor em relação ao Lula, de falar, de dizer, de questionar as atitudes do presidente. Na tua avaliação, o que estaria levando a essa postura do presidente?
essa postura imperial do Lula se impondo diante dos fatos, tomando as decisões sozinho, sem ouvir o seu entorno. O que justificaria isso, Rudá? São muitas variáveis. A primeira delas é o currículo. Como disse o Fernando Moraes, quando o Lula morrer, possivelmente ele terá uma biografia muito mais importante e maior do que a do Getúlio Vargas.
Hoje os dois estão emparelhados. Quem é que conseguiu, nesse século, eleger cinco presidentes da República? Cinco vezes? Foi o Lula. Gente, o PT e o Lula são hoje, vamos dizer assim, os sujeitos ou atores políticos que mais conhecem o Estado brasileiro. Não é a direita que conhece o Estado brasileiro, é o lulismo.
Eles governaram o Tesouro Nacional por mais de uma década. Eles conhecem os ministérios como ninguém, o orçamento, como é que funciona a emenda parlamentar. Eles conhecem onde é que tem CAPS, aqueles centros de atendimento de saúde mental. Eles conhecem tudo. Eu estou falando porque eu ouvi.
Eu vi no encontro da Fundação Perseu Abramo, eu fiquei estarrecido, porque é meio óbvio quando a gente fala, mas quando a gente não está pensando nisso, e vê na frente o cara falando, não, eu fui diretor do Tesouro Nacional, outro, não, eu fui secretário executivo do Ministério tal, você fala, caramba, que experiência, que conhecimento.
Quer dizer, o Estado brasileiro hoje tem um raio-x na cultura do PT e do lulismo. Então, a primeira coisa é, o Lula é absolutamente senhor de si, da sua história. A segunda questão é que me disseram, eu também não tinha essa avaliação, então eu não posso falar, porque pedido para não falar, o nome, gente muito próxima do Lula, me disse que, olha, os ministros do atual governo do Lula e eu também não tenho essa avaliação.
eles não têm a mesma história com o Lula que os ministros das primeiras versões. Ou seja, agora são ministros que não fizeram o PT com o Lula, não fizeram a CUT com o Lula.
eles são de gerações depois. E eu vou citar aqui um nome, já que eu falei da Bahia. Me falaram assim, o Rui Costa, por exemplo, que é o ministro mais durão do Lula, olha o Lula de baixo para cima, ele venera o Lula. Isso significa que esses ministros não falam não para o Lula.
eles têm uma dificuldade imensa para fazer crítica. O último fator, por isso que agora na coordenação da campanha o Lula trouxe a Vera Guarda. Tem o Edinho, tem a Luna Zaratini, o...
Boulos, mas o resto é tudo da Vera Guarda. Tudo da Vera Guarda. Ex-prefeito de Diadema, Gilberto Carvalho, é tudo da Vera Guarda. Então, por quê? Porque ninguém fala não para o Lula. Ninguém coloca o dedo. O último fator é, o Lula está tendo um pouco de dificuldade para entender a nova realidade social do país. Um, ele não entende por que ele está com alta rejeição.
Porque diz ele, eu nunca entreguei tanto como eu estou entregando nesse terceiro governo, meu. E ele diz, mas o que é que o trabalhador está querendo? As pesquisas estão dizendo, está querendo uma vida de classe média. O Lula vendeu, agora tem que dar. Ele não quer só emprego, ele quer consumir.
Eu vou falar claramente, Anderson, tudo aquilo que a gente plantou de uma concepção de valores sociais, humanistas, socialistas, acabou no Brasil. Agora a cultura e os valores são absolutamente consumistas e individualistas. A gente tem que ser franco com os dados de pesquisa. Eu sou cientista. E a outra questão é a juventude. O Lula e o ministério dele estão com dificuldade para entender como é que o jovem pensa. Sempre esteve com o PT.
Eu, jovem, penso o seguinte, esse cara governou o Brasil, por que ele não melhorou? Por que ele sempre fala do Bolsonaro e a gente, por exemplo, não tem emprego? Por que a gente começa lá embaixo, quando tem emprego de mil reais, mil e quinhentos reais? Por que a gente não tem casa? Por que não tem moto? Por que eu não consigo viajar para a Europa no final do ano?
Então, assim, os jovens não querem carteira assinada, não querem aposentadoria, eles não têm orgulho da profissão como o Lula tinha, como metalúrgico. Então, assim, tem uma dificuldade do Lula, e quando você tem uma dificuldade para entender quem foi a tua base até então, a tendência é você se fechar, né?
A não ser que você seja cientista. E aí você vai fazer pesquisa e aí demora para ser colhedado. No caso do político ano de eleição, a tendência dele é ele se fechar porque ele não entende. Então são várias camadas, Anderson.
Roda, eu queria avançar. É claro que ninguém quer ser engenheiro de obra pronta aqui, mas observando todo o desenrolar desse processo que culminou com a reprovação do Jorge Messias no Senado, dá para dizer que o Lula errou ao fazer a indicação do AGU para essa vaga no Supremo? Ele deveria ter indicado ali o Rodrigo Pacheco, que era o candidato de preferência do Davi Alcolumbre para essa vaga?
Aliás, parece que esse episódio implodiu, ou teria implodido os planos do Lula para Minas Gerais, porque parece que o Pacheco, que se absteve inclusive da votação do Jorge Messias no Senado, ele tem dito que não quer mais nem a vaga no Supremo, tampouco ser o candidato ao governo do Estado de Minas, como desejava o presidente Lula. Você entende que foi um erro do Lula essa indicação do Jorge Messias para o Senado?
Foi um erro, foi um erro, foi um erro, foi um erro, foi um erro, o Messias, não foi só isso, foi um erro, por quê? Porque vira uma questão de anturragem, que não é nem petista, né? Eu cheguei a perguntar para o Zé Dirceu, mas por que você fez o Toffoli como ministro? O Zé, que a gente se conhece há um tempão, meio que gaguejou, assim, ele não é de gaguejar, ele não soube explicar.
mas o Zanin é outro, um cara conservador de direita, de centro, vamos dizer, de centro. Então, você não tem nada a ver com a história do PT, não tem nada a ver com os movimentos sociais, com a esquerda, ele errou. Aí já vem a marca imperial da gestão Lula. No caso do Messias, a minha dúvida, por isso que eu falei que eu não sei o que ele estava lendo com a possível derrota, o erro, eu não sei se foi um erro a insistência final.
Eu não faria isso, mas pensando na lógica do Lula, parece que ele forçou a barra para escancarar quem está do outro lado e aí conseguir emplacar o Congresso Inímigo do Povo. Por quê? Porque muita gente estava incomodada com essa história de rico contra pobre, mas estava evidente para a SECOM e para os marqueteiros.
de que esse era o divisor de água. Quer dizer, o Lula fala eu defendi a empresa nacional, mas esse pessoal não pensa em trabalhador, quem pensa somos nós, ou seja, uma linha getulista que não rompe com o empresariado, mas diz que eles são forças ocultas, sempre.
Essa linha estava dando popularidade para o Lula. Como é que ele encaixaria agora isso se não tem mais tarifas? Ele provocou uma situação... Acho que ele não imaginava que fosse uma debandada desse tamanho, mas acho que ele percebeu que mesmo na derrota ele poderia tirar uma casquinha. E é isso que ele está fazendo agora. Eu acho que foi um erro de princípio. O Lula está colocando... Como ele colocou Joaquim Barbosa e deu no que deu e assim por diante,
ele está colocando gente muito personificada como amigo e fiel ao Lula. Eu acho isso muito perigoso, porque um dia o Lula vai estar fora. E quem vai comandar esse pessoal?
Se é que comanda, né? Se é que comanda. Então, assim, eu acho que o erro de princípio está lá atrás e vem com várias indicações para o STF. Até mesmo o Flávio Dino me pareceu a forma como ele foi colocado lá, que era um jogo pessoal, palaciano, entende? Me dá a impressão que era para tirar o Flávio Dino, assim como tirou a Dilma.
do campo político. O Flávio não é qualquer pessoa, e aí ele tenta dar a volta por cima, mas é evidente que ele ficou fora da jogada desse ano. Ainda falo de 2030, mas eu fico muito preocupado com esse caráter muito personalizado das escolhas do Lula, principalmente para o STF, ou do jogo político interno, que ele quer encaixar o que lhe é mais favorável, pessoalmente favorável.
O Rudá, você disse ainda há pouco que, na tua avaliação, Lula não deve indicar ninguém ainda agora, pelo menos para o nome, para essa vaga lá no Supremo Tribunal Federal. Você acredita que até o fim do mandato ele vai fazer essa indicação? Em que momento isso deve acontecer? Talvez depois das eleições? Há quem diga que...
o nome de uma mulher preta, inclusive, causaria constrangimento aos senadores para uma eventual reprovação. Então, há esse entendimento de que seria importante uma ministra do Supremo Tribunal Federal, especialmente uma mulher negra. Eu queria a tua análise a respeito disso, quando o Lula deve indicar, e se ele deve indicar um outro ministro para a vaga do Supremo.
É uma encalacrada, porque o Alcolumbe já disse que ele só vai colocar em votação depois da eleição. Então imagina, o Lula perde a eleição, coloca o nome é derrotado de novo, que talvez seja um cenário razoável. Aí ele pode pegar e colocar uma mulher negra para ser derrotada. Mas eu acho que nesse momento vira tema de campanha. E para que esse tema tem que ser tema de campanha? STF?
É verdade que o STF está muito mal junto à população. Então, o Lula ser derrotado com um nome bom para o STF não é de todo ruim, do ponto de vista da imagem do governo. Claro, quem é institucionalista, acha que a política é só campo institucional, acha que é um horror. Mas para quem pensa a cultura popular e como o eleitor se define, não vejo tão ruim. Eu acho que é uma encalacrada, de qualquer maneira.
Agora, essa ideia de que o Lula indicar uma mulher negra vai criar constrangimento, pelo amor de Deus, o que a gente precisa? Isso é viés de confirmação, gente. É você só querer acreditar naquilo que reforça a tua visão de mundo.
O Congresso está pouco se lixando, se é mulher, se é negra. Está pouco se lixando. Eles acabaram de detonar um candidato que é evangélico e que no dia da votação tinha pastores de igrejas importantíssimas que falaram, vota nele, que a nossa igreja faz campanha para vocês. Imagina se eles estão preocupados com mulher negra. Sabe por que eles não estão preocupados? Porque as mulheres não votam neles.
A maioria das mulheres brasileiras votam no campo progressista, eles não são progressistas. Eles já não têm voto desse pessoal. Então, assim, eu acho que é de uma ingenuidade achar que se o Lula indicar uma mulher negra cria constrangimento, o máximo que ele pode fazer é tentar tirar proveito da derrota, segunda derrota que ele vai ter. E vai ser constrangimento para a indicada.
além do Lula. Não vejo... Isso não é pensar politicamente, sabe? De novo, é pensar com fígado, não é pensar o jogo de xadrez. Eu fico muito preocupado com essas elucubrações, sabe? Dos militantes digitais, progressistas, que não conseguem pensar como é que o jogo está sendo jogado. Imagina que vai criar constrangimento.
Rudá, diante desse quadro que foi criado, eu queria a tua avaliação a respeito da seguinte questão. O Lula está aí diante de uma situação complicada, eu diria, porque das duas uma, ou ele reforça o discurso eleitoral de que o Congresso é o inimigo do povo e parte para cima dos deputados e senadores depois dessa rejeição do Jorge Messias, ou então ele deixa a água rolar e tenta se articular novamente.
com o Davi Alcolumbre, com o Hugo Mota, enfim, com as figuras, com os parlamentares, no sentido de tentar viabilizar a reeleição dele. Qual, na tua avaliação, seria a melhor posição do governo nesse momento, do presidente Lula em especial? Reforçar esse discurso de Congresso inimigo do povo para motivar, mobilizar a sua militância ou então tentar se entender, digamos assim, novamente com o Alcolumbre e com as forças do Congresso Nacional?
Ele vai fazer as duas coisas, Anderson. Para fora, eu concordo com o Breno Altman. O Breno Altman vem dizendo, fazendo uma análise, de que em ano de eleição o Lula faz discurso de esquerda. Então, assim, ele vai fazer um discurso de esquerda. Porque isso dá voto.
Mas, ao mesmo tempo, ele acredita que para governar ele precisa da direita. Então, assim, no bastidor ele vai fazer uma série de acenos, né? Para o centro, direita, direita. Mas, para o público, ele vai para a esquerda. Eu acho que é isso. Eu acho que, assim, o Lula indo para a esquerda, ele mata de uma vez uma candidatura natimorta, que é do Ciro Gomes. O Ciro Gomes não tem chance nenhuma.
É outro delírio que eu vejo de uma parte do campo progressista, assim como o Flávio Bolsonaro vai tentar emplacar para fazer todos os outros candidatos do campo da extrema-direita serem auxiliares dele. O caso mais clássico nesse momento está sendo o Zema. O Zema está fazendo um monte de discurso maluco.
que é justamente para ser linha auxiliar. Como? Ele fica como radical, sem beira nem beira, e aí o Flávio fica parecendo um pouco mais de centro, mais ponderado. Isso é linha auxiliar, a gente conhece em tudo quanto é eleição. Então, eu acho que a polarização vai matar qualquer outro candidato que não seja Lula e Flávio Bolsonaro. Se fosse eleição hoje...
O Lula estava eleito com uma margem minúscula de voto. Dizem que algo em torno de 2,5 milhões hoje, as contas dizem que ele ganha em torno de 2,5 milhões de vantagens sobre... Veja, nós estamos falando de 154 milhões de eleitores. 2,5 milhões é nada. Então, assim, é essa vantagem. O Lula estaria eleito hoje, não é? É isso.
Ruda, só para a gente fechar aqui esse pacote, retomando algo que você inclusive citou lá no início da tua fala, você entende que esse episódio envolvendo o Jorge Messias pode fortalecer o governo do Lula, pode melhorar a imagem do presidente da República. No entanto, há muita gente que diz que o Lula foi enfraquecido a partir dessa situação toda.
Você entende que esse caso envolvendo essa rejeição do Jorge Messias pelo Senado pode ter algum efeito prejudicial para a campanha do presidente Lula para as eleições desse ano? Ou, de fato, isso vai impulsionar, de alguma forma, essa candidatura do petista?
Então, veja, política e eleição não é matemática. O pessoal fala, se chegar a tanto de rejeição, isso é uma bobagem. Eu posso provar que teve gente com alta rejeição num campo de polarização que ganhou eleição. Se você tem polarizado, você está perto de 50% de rejeição. Sempre.
Você vai ter o quê? Dois pontos para baixo, três pontos para baixo, para cima. Isso está dentro da margem de erro. Quer dizer, olha, eu vou dar um exemplo. Eu estou estudando bastante nesse momento, porque eu quero entender um pouco o que os psicólogos falam sobre processo de decisão e risco. É engraçado que eu vi um estudo ontem falando da loteria esportiva. Ou seja, não adianta você mostrar que a chance de você ganhar é minúsculo.
É minúsculo. A tendência é você ficar... E qual ganho que eu tenho? Então, veja, por que o Flávio Bolsonaro está bem posicionado, abaixo de Lula, mas está bem posicionado, se ele não tem currículo nenhum?
Se ele é destemperado, se a família dele, quando governou, fez um caos durante a pandemia, se a família dele defendeu o tarifácio e disse que investiu para que o Trump impusesse o tarifácio no Brasil e quebrasse a economia brasileira.
perto do Lula que recompôs a economia, que acabou de novo com a fome, emprego, pleno emprego. Os currículos são muito claros, é por causa da loteria. Mesmo os dados estando na minha frente, eu prefiro imaginar que o Flávio pode fazer algo diferente para mim do que o Lula, que eu já sei o que ele vai fazer. Ele já fez três governos iguais, eu já sei o que ele vai fazer.
Então, não dá para a gente ter tanta clareza do que vai ser. O que eu estou dizendo é que as pesquisas internas que o PT vem fazendo, o tracking por telefone, revelam que a imagem que a população teve sobre o Lula foi de que foi um cara traído.
puxado o tapete do velhinho. E nesse momento, ficaram do lado de alguém que sofreu algo como ele sofre no dia a dia. Ele se espelhou na derrota do Lula. Ele não ficou do lado dos vencedores porque são traidores. Então, é gente que conspirou e que não discutiu com a população.
O Flávio, eu acho que ele saiu bem nesse negócio aí. Ele não se saiu bem. Ele só alimentou as bolhas que ele já tinha. Mas para fora, pelo menos agora, não é que o Lula teve uma grande vantagem, não. Mas ele teve uma vantagem emocional. Então, eu acho que depende de como a campanha do Lula vai trabalhar essa vantagem emocional. Agora, Anderson.
Eu tenho 63 anos, 40 na política, mais do que 40, porque eu comecei com 16 anos. O que eu posso te dizer é, vai ter outro fato político daqui a umas duas semanas, você pode ter certeza, a gente fica muito focado no imediato, no Brasil, principalmente em ano de eleição, ele acaba igual uma onda que passa a outra, você já esqueceu do castelinho de areia que você tinha feito, que há dez ondas atrás derrubaram, você já esqueceu desse castelinho?
Então, vamos ver o que a campanha do Flávio e a campanha do Lula vão criar daqui a duas semanas, ou em duas semanas. Rudá, esse novo fato que pode surgir em duas, três semanas pode ser essa situação envolvendo o PL da dosimetria, porque o Davi Alcolumbre, presidente do Senado, fez uma manobra ali na semana passada, na quinta-feira, e acabou derrubando parte dos vetos do presidente Lula.
ao PL da dosimetria. O presidente do Senado fatiou a votação argumentando que alguns dos vetos foram considerados prejudicados, que já haviam sido alvos de análise da PEC da Segurança Pública. Trechos ali que beneficiariam criminosos comuns ao reduzir o tempo.
para a progressão de pena. Foram 318 deputados favoráveis e 144 contrários à derrubada dos vetos ao PL da dosimetria, enquanto 49 senadores defenderam a queda dos votos e 24 se colocaram ao lado do presidente Lula. Eu queria a tua análise a respeito desse episódio envolvendo o PL.
da dosimetria e o efeito que isso pode produzir na política, porque a ideia do governo, inclusive, de figuras aliadas ao presidente Lula é judicializar essa questão, levar ao Supremo Tribunal Federal, analisar a constitucionalidade desse projeto de lei, enfim, como é que você avalia essa situação e essa derrubada dos vetos do presidente ao que ele dá dosimetria?
Primeiro que todo mundo sabia que ia ser derrubado. Nunca ninguém achou que não seria derrubado. Na hora que o Lula estava vetando, ele sabia que ia ser derrubado. Não havia acordo nenhum em relação a isso. Eu acho que o Alcolumbre exagerou na dose e ao fatiar ele cometeu uma ilegalidade. É inconstitucional. O que significa que dá a impressão que todos sabem o que vai acontecer. Inclusive o Alcolumbre. Vai para o STF. E o STF vai derrubar.
essa decisão do Congresso. E aí nós vamos ter um tema de campanha. Ou seja, acho que o Lula queria um tema de campanha. É isso que eu acho. E talvez o Alcolumbre também. Ou seja, o que menos importa é se passou, caiu o veto ou não. O que importa agora é que a dosimetria virou tema de campanha. Se eu sou marqueteiro da campanha do Lula, o que eu faria? Olha quem vai ser solto agora.
Bota lá um pessoal do PCC na televisão e fala, esse pessoal agora é com esse pessoal, e bota uma foto da família Bolsonaro com o miliciano, que já tem tantos, e aí fala, é por isso que eles votaram. Então, você tem um elemento, gente, não é o fato em si. O campo institucional é importante, mas ele é muito relativo.
É no dia a dia, no botecão, lá na igreja, que funciona a política. Então, olha, eleição é versão, não é fato. É isso que eu estou querendo dizer. Coloquem isso, isso é uma máxima da política. Eleição é versão. Teve alguém aqui, duas questões, Anderson, você me...
Me dá essa possibilidade? Vai lá. Uma sobre Cleitinho. O que eu soube na semana passada? Ele está negociando a desistência para o governo do Estado. Todo bastidor da política mineira fala disso, ele está negociando a desistência. Vamos ver se é verdade daqui umas duas semanas também. Segunda questão. Alguém aí perguntou, é verdade que o Rudá falou que o problema de caráter, corrupção política... É verdade. Obrigado.
pública não é a questão de cara tô dizendo que não é de cara eu tô dizendo que possivelmente você já cometeu alguma algum ilícito passou na frente de alguém ou alguma coisa que não é moralmente muito justificado entende aí tá com muita vontade do banheiro dá uma cotovelada e sai pega do irmão doce que ele não viu a mãe falou não come esse chiclete se comeu assim
Isso não é algo que conspurque contra a humanidade. O que eu estou dizendo é que a corrupção, com dinheiro público, ele só ocorre não é por causa de um problema de caráter, é por causa de uma situação de oportunidade. Se todos nós cometemos algum deslize na vida, todos nós poderíamos ser corruptos, ou fomos em níveis pequenininhos.
A questão é quando você tem oportunidade, e os estudos mundiais dizem que países mais corruptos são países com muita desigualdade social, esse pessoal não tem como acessar, e esse aqui tem. E, segundo lugar, o Estado não é transparente. E aí já explicou, né? Essa elite lá do muito rica acessa o Estado por cima. E aí ele... É o que aconteceu agora.
Aconteceu nesse momento com a história do acordão para derrubar o Messias, foi o que a gente falou. É uma elite política, jurídica, o que for, empresarial.
calando, ousaram o coitado do Messias, mas a ideia era calamos, não tem mais como julgar a corrupção. Foram nós que escolhemos isso? Esse é um problema de caráter? É pessoal? Não, porque estava gente até do PT entrando nisso.
Isso é oportunidade, gente. País muito desigual e Estado que não tem transparência, não tem controle social, dá nisso. Pode ser rico tendo desigualdade, não tendo transparência, ele é capturado pela elite.
Roda Rit, eu quero agradecer a tua presença aqui com a gente, falando um pouco sobre esses bastidores de Brasília, essa situação envolvendo a não aprovação do nome do Jorge Messias lá para o Supremo Tribunal Federal. A gente ainda vai seguir discutindo aqui, analisando, repercutindo ao longo dos próximos dias. Agradeço muito a tua presença aqui, te desejo uma boa semana de trabalho e deixo meu abraço.
Eu que agradeço, quando precisar, estou aqui. Vamos ver, olha, essa eleição vai ser bem pesada, pau a pau, e vai ter um monte de fato político. Anotem aí, essa história da dosimetria e essa história do Messias só vai continuar se uma das duas campanhas quiserem que seja tema de campanha, senão ele vai sumir na nossa mesa de bar, na mesa de almoço e jantar. Pode ter certeza.
Certo. Valeu, Rudá. Um grande abraço para você. Até a próxima. Um abraço. Conversamos aqui com Rudahit. Rudahit, que é cientista político, também sociólogo e presidente do Instituto Cultiva, conversando conosco a respeito dos temas da política, especialmente essa situação envolvendo a não aprovação, no nome de Jorge Messias, lá para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, que se deu pelo Senado na última semana. Os desdobramentos desse episódio ainda, esse possível envolvimento dos ministros do Supremo.
para tentar fazer com que o nome de Jorge Messias fosse rejeitado pelos senadores, enfim, figuras inclusive do próprio PT que teriam se articulado nesse sentido, o nome do Jacques Wagner também foi citado, enfim, muitas questões importantes que a gente trouxe aqui nesse debate, nesse diálogo com o Rudahit. Você, ouvinte do Faixa Livre, pode ajudar a mantê-lo no ar. Faça sua contribuição diretamente na conta do Banco Itaú.
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