O útero também envelhece
Quando falamos em fertilidade e idade, quase sempre pensamos nos óvulos. Mas o útero também merece atenção.
Ele envelhece de maneira diferente dos ovários e pode preservar sua capacidade de gestar por mais tempo. Ainda assim, pode apresentar menor circulação sanguínea, inflamação persistente, envelhecimento celular, fibrose e alterações na resposta à progesterona. Essas mudanças podem interferir no endométrio, o tecido que recebe o embrião.
Miomas, pólipos, adenomiose e endometrite também podem comprometer esse ambiente e precisam ser avaliados conforme a história de cada mulher.
Por isso, um embrião de boa qualidade não é o único protagonista. Mesmo com óvulos doados, o útero precisa de atenção. E a espessura do endométrio no ultrassom, isoladamente, não conta toda a história.
Isso não significa que uma mulher acima dos 40 anos seja incapaz de engravidar. Significa que a avaliação e o preparo devem ser individualizados, identificando alterações tratáveis e cuidando também da saúde geral.
Não existe, hoje, tratamento comprovado para rejuvenescer completamente o útero. Mas existem condições que podem ser diagnosticadas e tratadas.
Reconhecer o envelhecimento uterino não é perder a esperança. É ampliar o cuidado para que o embrião encontre um ambiente mais favorável ao seu desenvolvimento.
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