E-151-Sandro Mancuso-Software Craftsman / Managing Director at Codurance
Neste episódio do podcast OsProgramadores, Marcelo conversa com Sandro Mancuso sobre Software Craftsmanship, excelência em engenharia de software e o papel do desenvolvedor como profissional da tecnologia.
Sandro compartilha aprendizados acumulados ao longo de mais de 25 anos de carreira trabalhando em diferentes tipos de empresas e projetos ao redor do mundo, além de reflexões sobre qualidade de software, pragmatismo, liderança técnica e evolução profissional.
Sandro Mancuso é um reconhecido software craftsman, autor, palestrante internacional e uma das principais referências globais do movimento Software Craftsmanship.
Ao longo de sua carreira, trabalhou em:
🏦 bancos de investimento
🚀 startups
🏢 empresas de produto
🧠 consultorias internacionais de tecnologia
Essa trajetória permitiu que Sandro acumulasse experiência em diferentes indústrias, tecnologias e culturas de engenharia.
Ele é:
⚙️ cofundador da Codurance
👥 fundador da comunidade London Software Craftsmanship Community (LSCC)
🎤 palestrante internacional sobre engenharia de software e profissionalismo
Sandro também é autor do livro:
📘 The Software Craftsman: Professionalism, Pragmatism, Pride
Sua visão sobre desenvolvimento de software combina:
🧠 excelência técnica
🤝 profissionalismo
⚖️ pragmatismo
🏗️ foco em qualidade sustentável
Formação acadêmica:
🎓 Bacharel em Ciência da Computação
🎓 Mestre em Enterprise Solution Provider in Distributed Objects
🔗 LinkedIn do Sandro Mancuso
👉 https://www.linkedin.com/in/sandromancuso/
🌐 Codurance
👉 https://www.codurance.com/
🌍 Site do OsProgramadores
👉 https://osprogramadores.com
📺 Canal do YouTube do OsProgramadores
👉 https://www.youtube.com/@OsProgramadores
💬 Grupo no Telegram do OsProgramadores
👉 https://t.me/osprogramadores
- Trajetória profissional e acadêmicaEducação pública e desafios no ensino · Decisão de cursar faculdade particular em Santos · Ajuda de professora para continuar os estudos · Trabalho em software house para custear faculdade · Transição para São Paulo e início em grandes empresas
- Desenvolvimento de SoftwareCriação da London Java Community (LJC) · Insatisfação com o foco excessivo em processos ágeis · Origem do movimento Software Craftsmanship · Fundação da London Software Craftsmanship Community (LSCC) · Escrita do livro 'The Software Craftsman' · Trabalho na UBS e consultorias
- Início na Informática e Sonho de LondresPrimeiro contato com computadores (TK85) · Influência familiar e planejamento de carreira · Sonho de morar em Londres · Aprendizado de inglês
- Inteligência Artificial e o Futuro do TrabalhoAdoção e ceticismo inicial em relação à IA · IA na geração de código e aumento de produtividade · Importância da qualidade do código e do 'prompt engineering' · Riscos de 'knowledge loss' e dependência de IA · Desafios na geração e validação de testes automatizados · Necessidade de princípios de engenharia e craftsmanship
- Planejamento para a Mudança para LondresValidação do sonho de morar em Londres · Identificação de lacunas no inglês e tecnologia · Decisão de retornar ao Brasil para se preparar · Estudo intensivo de inglês e busca por passaporte italiano · Especialização em Java e certificações técnicas
- Experiências em LondresChoque cultural positivo e respeito ao próximo · Desafios com sotaques e compreensão do idioma · Trabalho em empresas menores para imersão cultural e linguística · Entrada em consultorias e desenvolvimento de carreira
- Carreira e Realização Pessoal
Olá, gente. Hoje eu estou com o prazer enorme de ter o Sandro Mancusa aqui comigo. Tudo certinho por aí, Sandro? Tudo jóia, Marcelo. Obrigado pelo convite. Prazer estar aqui. Prazer é meu, Cari. Obrigado a você por tirar um pouco da sua noite de segunda-feira na Espanha e ao invés de você estar descansando, você está aqui conversando comigo. Então, muito obrigado aqui, cara. Hoje é um feriadinho básico aqui no Canadá. Achei que seria uma boa forma da gente se conectar. Então, muito obrigado pelo teu tempo. Para mim, sempre é um prazer.
Valeu, Ken. E, Sandro, o que é o teu cargo hoje? Conta pra gente o que você faz hoje em dia. Hoje eu tenho uma empresa de software, uma consultoria, ela tem quase 200 pessoas, uma média de 200 pessoas, a gente está na Inglaterra, eu comecei a empresa na Inglaterra, em Londres.
Hoje a gente tem Londres, Espanha, Portugal. Recentemente, faz um ano e pouquinho, a Espanha e o Brasil, e agora eu caminho para os Estados Unidos. Mas é uma construção de software, a gente tem clientes em várias áreas aí, e sou eu e mais um dono, sou eu e mais o meu sócio, muito meu amigo também. Então hoje o meu dia a dia é gerenciar a empresa, a empresa já tem mais de 12 anos. E a gente também faz um... Eu fico envolvido com um produto aí.
Bacana demais, Karen. E você tendo impacto aí na vida de 200 pessoas, né? Que coisa sensacional. Bacana demais. Dá bastante cabelo branco também. Tem que pagar salário todo mês. É uma responsabilidade que me deu muito cabelo branco. Pois é, Karen. Pois é. Mas é recompensador também, né? O cabelo branco vem, mas tem todo o impacto social que você gera também, que é fantástico, né? E, Karen, antes da gente falar da tua evolução, e aí
profissional, né? Como é que tecnologia, como é que computação apareceram na sua vida? Que você não nasceu fundador de empresa, né? Não, com certeza não. Muito longe de um berço de ouro, com certeza. O meu pai, ele gostava um pouco de computador aí, e quando eu tinha 11 anos, meu pai comprou um TK85. Lembro bem.
É, então, para a gente que é um pouquinho mais velha, né? A galera nova, a gente não vai saber o que é, mas era um computadorzinho bem pequenininho, as teclinhas de borracha, parecia uma teclinha de calculador antiga.
tinha, era a linguagem na Basics, né, que era até impressa nas teclinhas, e você tinha que colocar, plugar na televisão, ele não tinha nem hard drive, não tinha nada, né, então, ele comprou esse computadorzinho, às vezes a gente passava algumas noites digitando programinha lá, pra tentar fazer um joguinho de uns quadradinhos na tela, então esse foi meu primeiro contato, assim, que eu me lembro, aos 11 anos, começar, aí depois a gente teve mais alguns computadorzinhos e tudo, mas foi...
Embora eu não sei até onde e quanto você quer explorar essa parte, porque eu tive exposição à programação, porque a única coisa que você podia fazer, se não tinha internet, tinha nada, né? Você podia só fazer algum programinha, alguma coisa ou outra. Logo, de pequeno.
Mas a minha trajetória para a área de informática não foi assim linear, né? Linear. Eu só fui depois... A informática entrou pesada na minha vida quando, aos 15 anos, eu comecei com esse sonho de morar em Londres.
tinha essa obsessão com Londres, e eu não venho de uma família com condições, então, assim, só que eu queria sair, eu cresci no interior do estado de São Paulo, e eu queria sair do país, eu queria morar fora, e Londres específico, eu tenho um fascínio com Londres.
E dentro de tudo que eu gostava, eu sempre fui muito metódico na minha vida inteira, eu planejei a minha vida inteira. Tudo que aconteceu na minha vida, da minha adolescência até hoje, é praticamente tudo, nem sempre tudo foi de acordo com o que aconteceu, de acordo com o plano. Mas o plano existia.
Então, na adolescência, quando eu vi que dentro das coisas que eu gostava, a única que poderia me dar uma carreira internacional e que poderia viabilizar a minha ida para o exterior seria a informática. Então, eu queria ser jogador de basquete, meu sonho era ser jogador do NBA. Mas eu tenho 1,72m. Então, ali eu não via muito futuro.
Mas foi assim, então a escolha da minha profissão, ela teve muito a ver, era uma coisa que eu já gostava, mas também ela estava muito alinhada com meus próprios futuros. Bacana demais, é interessante também que você falou do TK85, eu me lembro se eu tive um, eu tenho um...
Tinha outro modelo, aquela colorido, que veio um pouquinho depois, mas acho que eu cheguei a ter o TK. E o Hotbit, o MSX Hotbit. Eu tive Hotbit, tinha o Expert também. Tiveram alguns. Tem o TK 90, teve uma evoluçãozinha ali desses aí. E eu lembro de um vizinho meu ganhou um TK. Na verdade, não era um TK, era o americano. Era o ZX, era o GX. É, ZZ.
Se é Xpectrum, alguma coisa assim. Isso. E eu me lembro de aprender um pouquinho de basic nele, né? Eu lembro do dia que um colega virou e falou assim, eu li aquela listagem basic, falei assim, A igual A mais 1? Não pode ser, A não pode ser igual A mais 1. Aí o meu amigo falou assim, não, Marcelo, é A recebe o valor de A mais 1. Aí eu falei, ah, aí tudo mais que ficou na vida, entendeu? Bem interessante. E era bacana também, você falou da teleconectada na televisão.
Mas você gravava o programinha numa fita cassete, lembra disso? É, isso já... No TK eu não tinha, eu tinha no MSX, quando eu mudei para o MSX, aí sim, a gente tinha os... Ah, não, acho que era no TK mesmo. No TK tinha, sim. Era no TK mesmo, era fita cassete, tinha que até marcar o volume, tinha que ter o volume certo também. Perfeito. É incrível, né? E hoje você está aí com a tecnologia que a gente tem à nossa disposição, mas é bacana demais, né? AI, né?
É incrível, né? Absurdamente incrível. Interessante também que você falou a sua paixão por basquete. Eu, como garoto bem jovem, jogava basquete no colégio, mas eu tenho mais de 70, então a minha carreira também foi curta. Então, eu falava que o meu futuro era carregar a roupa do pessoal do time, porque para jogar não ia dar, não. Marquera, você falou do seu sonho de morar em Londres e tudo mais, mas e o inglês? Como é que apareceu o inglês na sua vida também?
O inglês foi também, assim, de novo, né, minha família não vem de uma condição muito privilegiada. A minha mãe, ela dava aula de balé numa escola do interior de São Paulo. Era uma academia, nessa academia, eles tinham línguas e danças. Eu tinha aula de inglês lá, e por minha mãe ser professora de balé, eu podia estudar inglês de graça. Sensacional.
Então eu comecei a estudar inglês, e era inglês britânico, eles davam lá. Então essa foi minha exposição, talvez por aí eu tive a exposição ao inglês britânico, principalmente Londres. Então acho que esse fascínio por Londres começou nessa fase aí, desde pequeno.
Bacana demais. E você falou que aos 15 anos, você decidiu que o seu caminho era na informática, que ia gerar aquela possibilidade de atingir o seu sonho de morar em Londres. E você, como é que foi o ensino básico, o ensino médio? Como é que foi até você entrar na faculdade? Conta um pouquinho dessa fase da vida para a gente. Eu estudei em escola estadual a vida toda.
Sim, passei por aquelas escolas, né, assim, as pessoas faziam o que elas podiam, né, você cresce no interior. As professoras, coitadas, elas faziam o que era melhor, só que a mesma professora que dava história, ela dava matemática, inglês, né, então, assim, você não tinha uma referência, né.
E aí você faz o melhor que você pode, né? Eu tinha uma certa consciência do que eu queria, então eu tentei aproveitar o máximo possível. Eu estudava bastante, eu sempre fui um aluno dedicado, assim. Não era dos mais comportados, mas era muito dedicado. Então, eu tive, eu lembro, isso foi até uma coisa legal, você está perguntando isso do... ...
Como certas pessoas fazem... Eu tenho algumas pessoas, não sei se a gente vai ter a oportunidade aqui, que fizeram uma diferença muito grande na minha vida. Perfeito. E eu lembro que no meu terceiro colegial, nós tivemos greve. Perto do final do ano, e é o ano que eu prestaria vestibular. Claro, claro. E nós tivemos greve no final do terceiro, no terceiro colegial, e já foi, acho que no final do terceiro bimestre, alguma coisa assim. Então foi bem no finalzinho do ano mesmo.
E algumas professoras, eu lembro, a professora de Química, de Matemática, e teve uma outra agora que não me lembro, de Português, para não furar a greve das professoras, elas fizeram um acordo com uma igreja, e elas davam aula para a gente na igreja. Então, alguns alunos iam para a igreja, principalmente no terceiro colegial, porque a gente precisava da preparação.
E assim elas não estariam furando a greve, mas mesmo assim teve esse commitment, teve esse compromisso em ajudar as crianças que não tinham mais... Foi sensacional isso, é muito grato, professor. Espetacular isso. E aí você... Tem pessoas que são incríveis, né? Tem pessoas que fazem a diferença total na vida de tanta gente.
E às vezes ela nem sabe que ela gerou aquele impacto na vida da vida de pessoas, né? A maior parte das pessoas, assim, não tem a menor ideia, porque uma vez que eu saí de casa, eu nunca mais voltei para o interior. Meus pais acabaram, enfim, mudando para a Inglaterra, eu levei eles para lá, uma vez que eu mudei e tudo mais. E muitas dessas pessoas que passaram na minha vida, elas não têm a menor noção. E o importante é que elas foram para a trajetória que eu tive.
Então, são as pessoas que vão tendo impacto na vida dos outros também, né? Espero que nós também tenhamos impacto na vida das pessoas. Mas aí você fez o vestibular, como é que foi? Foi para a faculdade? A gente teve uma decisão, porque, assim, meus pais...
são filhos de estrangeiro também. Minha mãe nasceu no Brasil por causa de alguns meses, também é uma família italiana. Meu pai também vem de italianos e espanhóis. Eles sempre quiseram que eu saísse do interior e voltasse para São Paulo. E o único lugar que daria para eu ir era Santos.
Porque para mim seria muito difícil passar numa federal, por causa do tipo de estudo que eu tive. Não tinha como fazer cursinho, esse negócio todo. E mesmo que eu conseguisse passar, o custo da acomodação, às vezes, era mais caro do que o custo da própria faculdade. Só que em Santos, em São Vicente, no caso, tinha uma kitnetzinha.
Talvez, é bom, é que eu estou confundo, mas não era muito maior do que o quarto que eu estou agora. E era o único lugar que eu poderia ficar sem pagar.
Então, eu acabei prestando a todas as universidades em Santos, porque era o único lugar que a gente poderia estar, que eu poderia estar estudando fora da cidade que eu morava. E aí, eu consegui passar em duas faculdades lá, particulares, e aí eu comecei a cursar. Tem uma coisa bastante importante nesse período, se você quiser, eu posso contar uma coisa muito marcante na minha vida.
Nos dois primeiros anos, os meus pais tiveram que se endividar para poder pagar a minha faculdade e a minha estadia em Santos. Em Santos, claro. E no Brasil, bom, a gente, no Brasil é diferente um pouco daqui fora, mas você podia estudar ou de manhã ou à noite. Era um negócio assim. Eu estudava de manhã, porque a escola era melhor e tudo mais.
Só que isso fez com que meus pais se endividassem para que eu pudesse estudar. Quando chegou no final do segundo ano, numa das ligações na época, tinha que ir por elhão ligar, né? Claro.
E meu pai me deu a notícia, falou assim, que ele não tinha mais condição de eu ficar. De pagar. De voltar para o interior, porque eles estavam já no limite. E eu não tinha ciência, eu sabia que eles estavam fazendo um esforço, mas eu não tinha ciência da gravidade da situação financeira. Eu também tenho uma irmã, que é dois anos mais nova que eu, que também ia precisar estudar. Claro. E nisso, no meu segundo ano, eu tive Pascal.
na faculdade. E eu adorava a programação, virava noites programando, passava todo o tempo livre que eu tinha, ou jogando basquete ou programando. E quando nós começamos, eu comecei o terceiro ano, eu já fui para sair da faculdade. Aí eu contei para a professora de Pascal, ela se chama Cecília, até peguei o nome dela aqui, o sobrenome dela, às vezes, é Capelati.
E eu cheguei para a Cecília e contei para ela, ela tinha sido uma professora no ano 2, né? E eu falei, olha, Cecília, eu estou com problema. Ela estava tateada, ela falou assim, mas o que está acontecendo? Eu fico até emocionado quando conta essa história. E eu falei, olha, eu vou ter que largar a faculdade. Eu estou emocionado, imagino você. E eu falei, eu vou ter que voltar, porque meus pais não têm como pagar a faculdade. Claro. E eu, na aula dela, como eu gostava muito de programação,
Eu assim, cara, eu comia com farinha, Pascal, eu fazia programa com assembly junto, punha mouse, sabe, esse negócio todo, né? E ela falou assim, olha, seria um absurdo uma pessoa com potencial que você tem ter que parar a faculdade por causa de dinheiro.
Ela tinha uma software house de cinco pessoas. Era ela e mais quatro pessoas ali. E ela falou assim, olha, eu não tenho necessidade agora. Ela falou assim, quanto você precisa? Eu falei, eu preciso que pague a minha faculdade. Eu acho que eu não tenho muito custo aqui, né? Eu vivo bem no limite meu, assim, né? Se eu conseguir tirar pelo menos a mensalidade da minha faculdade, eu acho que eu consigo.
Ela falou assim, então por que você não muda para a noite e trabalha para mim? Ela falou, e ela não precisava de ninguém. Eles também não tinham muita grana. A gente ainda era bem menininho, sabe? Tanto é que ela complementava com aulas na faculdade. Aí eu liguei para o meu pai e falei, olha, eu recebi uma proposta aqui de trabalhar. Eu falei, se eu conseguir o dinheiro que paga na faculdade, tem como eu ficar? Meu pai falou, dá.
Eu falei, então tá bom, eu virei para ela, então aceito. Aí eu comecei a trabalhar com ela, mas ela me ofereceu o trabalho só para que eu pudesse dar, ela não precisava de dinheiro. Incrível, né? E eu consegui passar o terceiro ano. Quando eu fui para o quarto, aí eu consegui um outro emprego, né? Para ela também dar uma sobra também. E aí no quarto ano eu já consegui dinheiro suficiente para pagar todo o custo. Mas se não fosse por ela, eu teria largado a faculdade e ter voltado para o interior, sabe lá, o que eu estaria fazendo hoje.
Cara, é incrível isso, né? E você para para pensar assim, você imagina tudo o que aconteceu na sua vida, desse momento em diante, que talvez, como você falou, você não sabe onde você estaria. E que pessoa magnífica, que novamente é alguém que o universo colocou na sua frente, que te ajudou a abrir uma oportunidade enorme. No meu livro, a primeira pessoa que eu dedico o livro foi para ela.
E alguns anos atrás, eu tinha perdido completamente o contato com ela. Alguns anos atrás, eu consegui, porque eu não conseguia lembrar o spelling do sobrenome dela. E aí eu consegui achar, e ela também não tem muita rede e tudo, ela é um pouco mais velha que a gente. E aí eu consegui achar ela, eu achei o marido dela, e aí eu achei por ele, eu achei ela, aí eu liguei para ela, ela ficou até assustada, né? E tudo, ela não tinha gostado.
E foi, cara, foi uma choradeira. A gente ficou, acho, uma hora e meia no telefone, assim, chorando. Porque a gente não tinha noção da importância que ela teve na vida. E o que eu me tornei depois.
É incrível, né, Caio? E olha, você começou o papo aqui falando que você tem uma consultoria que você emprega 200 pessoas, né? E você estava lá na consultoria dela, né? É isso aí. O esforço dela com cinco pessoas e a bondade dela abriu esse caminho para você. É incrível. É isso aí. É incrível, extremamente emocionante. Obrigado por compartilhar esse...
Esse momento aqui que eu sei que vai inspirar muita gente aqui, passa por dificuldades semelhantes nesse momento aí, a pessoa está tentando aí evoluir, né? Mas você evoluiu, a faculdade foi em frente, você terminou a faculdade, e você falou já aqui que você foi para um outro emprego, mas em algum momento você fez um mestrado, você cursou um mestrado também, não foi isso? Estou correto? Eu fiz uma especialização, eu fiz uma especialização em São Paulo. Foi onde eu conheci minha esposa, inclusive.
Aliás, tem algumas coisas que eu acho também vale a pena mencionar, porque a transição... Quando eu acabei o terceiro ano, aí veio uma empresinha de três pessoas.
na faculdade e eles estavam precisando contratar, eles eram três sócios, 33% cada, e eles precisavam contratar o primeiro funcionário deles, porque eles tinham um deal bem grande aí, bem grande, para uma empresa de três pessoas, qualquer coisa, né? É grande. Exato, e aí eles foram na faculdade e perguntaram, eles foram para algumas faculdades, umas três, quatro faculdades em Santos e pediram para os professores de quarto ano indicar price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price price
dois ou três dos melhores alunos de programação que eles tinham, e eu fui indicado, fizemos um teste, eu passei e peguei a barra. Então, essas foram outras pessoas que também tinham uma empresa pequena e me deram uma chance muito grande, e conseguiram me pagar um salário que cobria todos os meus gastos ali, não sobrava muito, mas eu aprendi muito com eles também, porque ali eu também tinha acesso.
como eles faziam para gerar a empresa, para sobregeber praticamente. Agora, o mais interessante foi a ida para São Paulo. Porque aqui eu acho que até... A razão que eu estou compartilhando tudo isso é porque eu estou tentando voltar para trás e isso é o que foi importante para mim. Porque tem certas pessoas que foram muito conscientes. Então, por exemplo, quando eu estava acabando o quarto ano...
ia acabar a faculdade. E surgiu uma oportunidade de uma empresa grande em São Paulo que abriu uma... Eles colocaram até no jornal, na época, que ia começar um processo seletivo grande. E era uma coisa internacional, aquele negócio todo. E eles tinham algumas fases. E eu lembro que a primeira fase era só um teste geral lá. Então eu fui para São Paulo. E era um sábado, eu fui lá, fiz o teste, fácil.
Na segunda fase, eles davam uma série de... Eles tinham tecnologia proprietária de Israel, eles tinham que chamar Natural e Adabaz. Natural era a linguagem, Adabaz era o básico. Então eles te davam uma série de material lá, você tinha que estudar e depois fazer uma prova, alguma coisa assim. Aí eu também fiz e fui no outro final de semana. Então, quando é final de semana, eu podia ir.
Aí o que aconteceu? Eu passei de novo. Nisso já caiu, acho que de 900 pessoas para 250, não lembro. Teve uma progressão, na quatro fases ia caindo um monte de gente. O problema foi da terceira para a quarta fase, porque ali eu tinha que ficar internamente, eu tinha que ficar duas semanas, segunda, terça e quarta, ali eu tinha que falar com o pessoal, porque eu ia ter que tirar os dias. E eles não estavam bem das pernas.
Eu estou falando assim, porque essa história eu já contei para eles também, os donos ainda são meus amigos e tudo, são pessoas que me ajudaram. E eu lembro, eu estava numa situação muito complicada. Por quê? Porque o meu salário em Santos, eu trabalho com uma empresa que tinha dificuldade financeira. Eu não tinha outra fonte. Meus pais ainda estavam endividados. Eu estava pagando juros de cartão, e minha irmã tinha começado a estudar, e eu estava tentando ajudar minha irmã agora para estudar. Só que para fazer esse outro trabalho,
eu talvez perderia o emprego que eu tenho. E aí eu poderia ficar sem nada. E eu falei com eles, eu falei, olha, está acontecendo essa situação. E eles falaram assim, olha, eles falaram assim, a gente gosta de você, só que a gente também está, você está aqui dentro, você sabe que a gente está tendo dificuldade para, né? Então eles falaram assim, então você faz o seguinte, você vai, a gente dá todo o suporte, e se você passar, a gente vai ficar super feliz por você.
Mas se você não passar, você continua com a gente, a gente continua te ajudando e te mantém. É sensacional. Então isso também foi uma outra coisa muito legal, isso me deu a confiança. E eu poder falar a verdade, eu acho que você poder falar a verdade para as pessoas abrirem a sua situação, porque é legal que tem gente que te ajudou também, mas você tem que ser honesto também, você tem que falar... Com certeza, com certeza. Tem que ser uma boa pessoa, você tem que ter alguma coisa a oferecer também.
Então, essas foram coisas assim, e isso me fez, eu acabei passando em São Paulo. Aí minha vida mudou bastante. Quando eu entrei em São Paulo, aí eu comecei a trabalhar em empresas grandes. Meu primeiro emprego em São Paulo foi essa, eu ganhava mais que meu pai e minha mãe juntos. Caramba. Ali eu comecei a pagar de volta a dívida deles, eu comecei a estudar, mas aí tudo mudou. São Paulo realmente abriu um mundo completamente novo.
me levou até fazer a pós depois, mais para frente, e me preparou financeiramente, em termos de conhecimento também, para eventualmente eu ter ido para Londres. Então, essa é uma parte, eu sempre falo, eu tive algumas vidas, e essa é uma vida, essa vida do Brasil foi muito diferente, ou a vida até São Paulo, de onde eu cresci.
Até Santos foi uma vida, São Paulo foi outra vida, Londres foi uma vida diferente. Então, são três vidas que são muito diferentes uma da outra, mas muito diferentes.
Isso é bacana demais, né? É interessante quando você fala de vidas, como se fossem pessoas diferentes. Na verdade, são coisas que... Parece uma encarnação. Eu voltei para o interior onde eu cresci, alguns anos atrás, é um negócio muito louco, porque é um lugar que eu cresci, eu tive uma infância feliz, mas com dificuldades. Mas é uma coisa onde você reconhece tudo.
mas aquilo parece que foi uma encarnação passada. Sim. É muito, muito estranho, cara. Eu sei qual é a sensação. Você está 30 anos fora, né? Então, acho que talvez se você voltar para o Rio e onde você cresceu... É diferente, né? Você tem... Você certamente reconhece a sua história, né? Você reconhece e é agradecido por pessoas que te ajudaram também, da mesma forma.
Mas é interessante você voltar, e exatamente essa sensação que você falou é meio surreal, acho que é meio assim, parece que realmente foi uma vida passada, né? Acho que essa explicação que você deu aí é bem correta, porque parece que é uma vida passada, né? Mas acho que o sentimento é sempre ser agradecido, né?
Tudo o que aconteceu, todo o aprendizado, todas as pessoas que ajudaram você a evoluir pessoalmente e profissionalmente. Também a gente hoje tem essa busca de tentar impactar as pessoas de alguma forma positiva também, que a gente sabe como foi importante isso para nós e o que levou a gente à frente. Então isso é bastante importante.
Mas como é que foi... Você foi para São Paulo, a sua vida foi evoluindo, você foi crescendo para vários cargos aqui, Team Manager e tudo mais, e eventualmente chegou a oportunidade de você ir para Londres? Como é que foi que isso aconteceu? Você já tem um sonho lá desde a época do TK, que eventualmente esse sonho se materializou. Mas foi tudo uma coisa de cada vez. Planejado.
É, sabe aquela... como é que chama? A pirâmide dos... The pyramid of needs. Como é que tem o nome do cara? Esqueci agora. Maslow. Maslow? Isso, The Maslow Pyramid of Needs. Então, a primeira coisa que eu precisava resolver era a parte financeira, porque não dá para você ser estratégico, pensar em sonhos, quando você... Não tem engana. Está com problema com o básico.
Eu sabia que a primeira coisa que eu precisava resolver era aquilo. Então eu tinha o sonho de ir para Londres, mas eu precisava resolver aquilo. Então eu precisava sair do interior. Eu precisava escolher uma profissão que me daria uma condição melhor.
Eu precisava tentar ser o melhor que eu pudesse naquilo também, porque não adianta você escolher uma faculdade e não se dedicar, não ter aptitude e tudo mais. Então, isso fez com que eu conseguisse, em algum momento, resolver a parte básica da pirâmide, que é a parte das necessidades, para conseguir pôr a cabeça para fora. A ida para São Paulo foi essa. Em Santos, eu consegui pôr a cabeça para fora.
Ali eu enxerguei a oportunidade de São Paulo. No meu segundo emprego em Santos, eu já conseguia pagar minhas contas. Aí eu precisava alcançar o maior. São Paulo, assim, abriu um leque. Abriu, assim... Colocou o corpo todo para fora. Exato. Aí você coloca o coligné. E ali, o que aconteceu? Teve algumas coisas interessantes. Então, ali eu falei, agora eu já estou no certo.
Depois de uns dois anos em São Paulo, eu consegui dinheiro suficiente para poder passar um mês na Inglaterra. Porque eu tirei todas as minhas férias e fui para a Inglaterra. Porque eu falei, cara, eu estou baseando uma vida inteira num sonho. E eu nunca nem saí, malemal, saí do estado que eu nasci. Quanto mais, eu saí do país. Então eu peguei...
Peguei o savings que eu tinha, né, e fui, mas era caro pra cacete fazer isso, né, tudo, então, eu cheguei lá, eu...
validei tudo, adorei tudo, passei um mês viajando a Inglaterra toda, fui para Escócia, Gales, eu sempre tive essa ideia de que a capital não representa o país. Então, a Inglaterra não é Londres, a França não é Paris, o Brasil não é Rio, São Paulo. Claro, claro.
Então eu quis explorar tudo e realmente eu gostei muito. Só que teve um negócio que foi muito interessante. Eu percebi que o meu inglês não era suficiente. Uma coisa é você ir no McDonald's e pedir um hambúrguer. Claro. Uma coisa é você falar com as pessoas na rua, quebrado, alguma coisa. Agora, telefone ou alguma coisa, eu percebi que o meu inglês não era suficiente.
eu também consegui conversar com algumas pessoas lá e vi que a tecnologia que eu usava não era suficiente também. Eu trabalhava com Delphi no Brasil. E a Inglaterra já era toda Java. Então, aí eu tinha uma outra opção. Essas são as opções de vida, as decisões que você tem. E a decisão é um Y, né? Por isso que é uma decisão. Se você tomar um caminho, você não vai tomar o outro. Claro. Então...
Eu não tinha passaporte europeu, embora tenha descendência europeia. Então ali eu tinha uma decisão para tomar. Eu poderia ter feito como muita gente fez, de repente eu posso ficar aqui, e aí eu vou me virando e tudo, eu estaria no lugar que eu sempre sonhei.
só que eu estaria com a vida errada, eu estaria no lugar certo com a vida errada. E isso foi uma coisa muito importante para mim, porque eu falei assim, eu vou voltar, porque eu vou voltar para o Brasil, porque eu quero voltar para Londres, eu quero estar no lugar certo com a vida certa. Preparado, né? Quatro anos. Foram quatro anos, que depois que eu fiz, eu fui no ano 2000, eu voltei para São Paulo, eu passei mais quatro anos. Aí essa preparação foi...
inglês, comecei a gastar grana com inglês particular, que eu já tinha suficiente para poder pagar. Gastei uma puta de uma grana com advogados e tudo, para o pessoal que faz passaporte italiano.
para tentar achar as documentações de família, aquele negócio traduzido, o processo demora pra caramba, então eu entrei no processo, e foi onde você me perguntou da pós, eu finalmente cheguei na pós. A pós, ela foi mais uma outra coisa planejada, porque a pós, ela me permitiu fazer uma pós em objetos distribuídos, que era em Java.
E após, me pôs em contato com várias pessoas que estavam no mundo de Java, inclusive os professores, e eu fui convidado, falei com o professor, ele me convidou para trabalhar na empresa que eles trabalhavam, que era uma outra empresa muito grande, só com Java. Então, tudo isso, todas essas coisas foram cuidadosamente planejadas.
O inglês, o passaporte, a mudança de emprego e o estudo. Eu sabia que só falar da faculdade de Santos e as certificações. Porque eu falei, o dia que eu chegar na Inglaterra, eles vão falar assim, eu posso ter estudado a melhor faculdade do Brasil. Eu vou chegar na Inglaterra, eles têm Oxford e Cambridge. Eles têm Harvard College. Não dá para competir. Sim, sim.
Então eu falei, pelo menos, se eu conseguir colocar algumas certificações internacionais, que na época tinha valor, hoje ninguém liga mais para isso, né? Mas aí eu soquei a certificação da Sun Microsystem, eu tinha um monte, aí eu fui tirando de uma coisa e de outra. Mas isso tudo foi essa preparação para que quando o meu passaporte italiano saiu, eu estava pronto para mudança. Aí com o inglês melhor, com...
A única coisa que não foi planejada na minha vida, até brinco, foi meu casamento, porque eu conheci minha esposa na posse. E aí eu já estava nesse caminho, conheci ela, falei, estou mudando, ela falou, puta que maluquice, namoramos muito pouco, acabamos, enfim, essa é uma outra história, mas então foi uma coisa que surgiu no meio do caminho, ela tem a mesma profissão que eu, né, tudo, então acabou dando certo e casamos e mudamos.
É incrível isso, não é, cara? Incrível também que é... Como as coisas vão acontecendo, você anda na pós e você conhece a sua esposa, né? Essa foi a única coisa que eu sempre falo, né? Meus filhos foram planejados, tudo planejado ali. Agora, conhecer minha esposa e levar uma outra pessoa comigo para a Zé, para a Inglaterra, ela nunca nem tinha pensado nisso, não falava inglês, né? Enfim.
E como é que foi ir para a Inglaterra? Você já foi com emprego? Assumo que você já foi com emprego e tudo mais? Não, eu não fui com emprego, mas eu fui com promessas, eu tinha promessas de entrevista. Certo. O que o pessoal da Inglaterra falou foi que assim...
eles não iriam me dar um visto ou nada, ele falou assim, mas se você estiver aqui, a gente tem interesse em falar com você. Certo. Então eu tinha já, acho que umas três entrevistas marcadas na hora que eu cheguei, e eu cheguei, eu fiz as entrevistas na primeira semana, na segunda semana eu estava trabalhando. Sensacional.
E como é que foi se adaptar a um país novo? Eu sei a resposta para essa pergunta, mas eu preciso te perguntar de qualquer forma. Eu acho que tem perspectivas à adaptação. A adaptação não é uma coisa única. Eu acho que tem diferentes aspectos onde a adaptação acontece, alguns são muito mais fáceis do que outros. Então, culturalmente foi um choque.
e um choque positivo, mas assim, quando você vê a educação, a maneira com que as pessoas se tratam, a parte de segurança, é impressionante. É impressionante a diferença, sim, é muito grande. E o mais maluco que a gente vem com costumes no nosso país...
Mas quando a gente vai para um outro país, a gente acaba se adaptando. Por exemplo, na escada do metrô, todo mundo fica na escada do right. Você fica na direitinha, para as pessoas passarem. Ninguém faz isso no seu país, mas quando chega na escada, eles fazem, porque você simula. Então, eu lembro uma vez, eu fiz uma cagada no trânsito, depois de um ano e pouco eu estava lá.
E eu, num roundabout, numa rotatória, eu entrei, mas eu não esperei muito o carro que vinha. Então eu entrei nela, meio que fechei o cara sem querer. Certo. E continuei dirigindo, só que era um carro da polícia, eu não tinha visto. Aí eles pegaram, deram sinal de luzinha, me seguiram, tudo, parei, tudo.
E aí que eu vi a cagada, eu estava com minha esposa no carro, aí eles pegaram o descido do carro e falaram assim, você viu o que você fez lá? Desculpa, não sei o que, ele me falou assim, cara, eu nunca esqueci isso, foi o meu primeiro ano na Inglaterra. Eu falei assim, eu não tenho problema nenhum de você fazer um mistake, ou cometer um erro no trânsito. Só que eu espero que você peça desculpa. Se você fizer isso, levanta a sua mão, dá um piscaleca, só pede desculpa.
tava errado. Cara, aquilo, assim, foi uma lição que eu levei pro resto da minha vida. Então, esse respeito ao próximo, sabe? Então, essa parte acho que foi muito legal, assim. A parte, a ética de trabalho. Cara.
é muito diferente. Work ethics, sabe? Então, teve muita coisa que foi legal de ter visto. A adaptação ao inglês, por mais que você estude, eu repeti nas minhas primeiras... Eu peguei um emprego pequeno numa software house de cinco pessoas também. Os donos eram do Zimbábue, só que eram brancos. Os dois brancos de olho é claro, mas do Zimbábue...
E aí tinha um cara de Liverpool, tinha um cara de Brighton e um cara de Londres. Eu não entendia metade do que eles falavam. Cara, assim, e aí eu queria voltar para a consultoria, eu sempre gostei muito de consultoria. Eu repeti a paixão de todas as entrevistas. E aí eu tinha um recruiter, ficou muito meu amigo, e ele falou assim para mim.
Ele falou assim, olha, o feedback que eu tenho é o seguinte, quando você entende a pergunta, você até vai entender. Mas ele falou assim, a consultoria, você vai ter que falar com o cliente, você vai ter que falar no telefone, você vai estar aqui em video call, não sei das quantas. Ele falou assim,
O meu recomendação, vai para uma empresa pequena. Fica numa empresa pequena. Hoje fica numa empresa pequena. Porque numa empresa pequena vai te permitir ter amigos locais. Independente se são clientes ou não, mas locais. E para te dar... E esses foram os melhores conselhos que eu tive também. Porque isso é uma outra coisa. A razão que eu estou contando essa história...
É porque existe um plano, eu sempre tive um plano de vida, mas existem os passos para chegar lá. E não adianta você querer pular ou querer só viver no futuro quando você não faz o básico no presente. Tá, tá, tá.
E esses foram os melhores conselhos que eu tive, porque nessa segunda empresa, eu fiquei lá um ano e meio, e eu tive meus primeiros amigos de verdade mesmo. E ali eu ia pro pub, e aí, chegando no pub, não entendia mais nada, porque era barulho, e aí não entendia mesmo. Até tem uma história engraçada, porque eles tinham, a gente construiu um sistema que eles tinham reconhecimento de voz. Certo.
E eles me punham para testar. O sistema não me entendia. É, o sotaque. E o sistema não me entendia, mas eles me tiravam o sarro. Eu odiava testar. Mas isso me fez melhorar meu inglês, me fez ficar imerso na cultura. Eu não fiquei sempre buscando brasileiro como uma amuleta. Não, eu estou aqui.
para viver uma competição. Está imerso, né? Está imerso. E aí sim, depois de dois anos de Inglaterra, aí eu sim consegui ir para as consultorias, aí também a coisa deslanchou.
Você me fez lembrar uma história engraçada, que quando eu cheguei, eu fui trabalhar numa empresa aqui, e eu falava inglês bem, mas tinha um rapaz, um colega nosso, que era inglês, era de Manchester, e era extremamente difícil de entender o que ele falava. Aí eu comentei com alguns colegas, falei, pô, eu não consigo entender o que o Mark fala. Aí uns colegas daqui olharam para mim e falaram assim, tudo bem, a gente também não entende, não.
Eu achando que, como eu sou do Brasil, meu inglês não está suficiente, o pessoal nasci daqui e fala, a gente também não entende, não. Olha, cara, quando eu entrei na consultoria, na Valtech, essa foi uma empresa de novo, foi um divisor de águas para mim. Certo. Então, depois de muito tempo que eu consegui, eu passei nas duas. Eu passei na ThoughtWorks e passei na Valtech. E eu preferia a Valtech na época, enfim.
E lá, na minha primeira semana, eu fumava na época, né? Eu parei já faz vários anos já, mas na época ainda fumava. Então, na minha primeira semana, eu não lembro se foi o segundo dia, terceiro dia, tinha um balcãozinho onde o pessoal ia lá fumar. E eu fui lá. E eu era novo, ninguém falava muito ainda comigo. E tinham dois caras conversando lá. E eu cheguei lá, eles falaram bom dia, bom dia, tudo. E foi a última coisa que eu entendi que eles falaram. Não tinha mais nada. Era um cara que era indiano.
E um cara, um escoceiro de Glasgow. Assim, cara, mas foi um par... Eu juro por Deus, aquele dia eu fiquei com medo. Eu falei, cara, eu vou perder meu emprego. Eu não entendo o que esse pessoal fala. E esse indiano estava no projeto comigo. Certo. E o meu sócio, hoje, ele é do Paquistão. Ele é nascido no Paquistão, mudou para a Inglaterra com 14 anos. Então ele é mais britânico do que paquistanês. Ele era o gerente, ele era o tech lead daquele projeto.
Então, eu tinha uma dificuldade muito grande. Mas engraçado, cara, que foi questão de dois, três meses, eu falava com eles quase que a gente fala com outro brasileiro. Aí o meu segundo projeto foi só eu e o escocês. A primeira semana foi, cara, pânico. Depois de uma semana, puta, tranquilo. Tá entendendo, né?
É incrível como o ouvido vai abrindo também, né? Você vai percebendo, entendendo melhor as situações todas, as palavras. E as pessoas também vão te entendendo melhor também, porque às vezes a pessoa não entende exatamente o que você está falando. Mas é incrível essa transformação.
E você está passando por várias transformações, né, cara? Do seu TK85 lá, o seu Pascal, o seu Delphi, você Java, e você muda de país com a sua esposa. Cara, isso não é mole não, mas é bacana ver essa história, né? E como é que a vida evoluiu até você eventualmente? Você chegou na UBS também, né? E você eventualmente...
chegou assim na ideia de, pô, está na hora de eu fundar a minha própria empresa. Conta para a gente como é que a vida evoluiu nessa época, o começo da consultoria até você chegar assim, não, eu estou bem, estou indo bem, e sempre você está planejando o futuro. Obviamente as coisas não aconteceram por acaso. Conta um pouquinho para a gente essa fase da vida. Aqui tem uma thread em paralelo, que eu acho bastante importante mencionar, porque ela responde.
Foi o que eu fiz em paralelo que me gerou essa última fase que eu tô, que foi a UBS e depois a minha própria empresa. Certo. Quando eu cheguei na Inglaterra, eu sempre gostei muito de comunidade de software. Então, em São Paulo, eu já tava relacionado com muita gente da comunidade Java. Certo. Quando eu cheguei na Inglaterra, a primeira coisa que eu fiz quando eu cheguei em Londres foi achar uma comunidade Java, porque eu não conhecia ninguém. Eu precisava fazer amigo.
e o melhor conhecer gente que faz programação, né, que são outros desenvolvedores e tudo. Nós chegamos, eu cheguei lá, e tinha uma comunidade Java, só que muito mal feita.
um cara que liderava lá, ele achava, ele era um java champion da vida, e achava que a comunidade era sobre ele. Então, tinha uma galera que não estava muito, eu fui em umas duas, três reuniões lá, o pessoal não estava muito afim. E tinha um cara, um outro, um recruiter muito jovem na época, eram todos, faz 26 anos, acho isso, 20 e tantos anos. Não, 22 anos.
E ele também queria ajudar lá, ele queria falar, cara, eu comecei com recortamento, queria pagar os drinks aí, tudo, enfim. E eu sei que esse cara não dava muito espaço. E aí juntou eu e mais algumas outras, alguns outros desenvolvedores Java, com esse cara, e falou, cara, isso aqui não está indo em lugar nenhum, por que a gente não cria a nossa própria comunidade? E nós criamos uma comunidade chamada London Java Community, é o JC. E ela explodiu.
Ela começou a crescer e tudo mais. E ali, cara, a gente fez um grupo de amigos e todo mundo, com o passar dos anos, começou a se envolver com muita coisa interessante. E o Agile ainda estava no estado embrionário, porque o manifesto ágil é de 2001. Eu cheguei em 2004. Eu cheguei no meio das transformações ágeis. Quando as transformações ágeis em grandes empresas estavam acontecendo. Então, eu peguei muita coisa ainda no começo, sendo formada.
Com o envolvimento da comunidade, eu comecei a conhecer muita gente. Aí o que aconteceu aqui é uma coisa bastante importante, que leva ao livro, que leva ao UBS e que leva a Codule. As transformações ágeis, eu peguei elas...
no começo e a Inglaterra muito diferente dos Estados Unidos porque embora o o o o o o o manifesto né o evento em Snowbird foi o tá tenha sido Estados Unidos o Estados Unidos é muito grande então os mais líderes do do ágil né do Agile é quando fala na Inglaterra eles eram muito espalhados e ao contrário na Inglaterra tudo que acontece acontece em Londres
Então, todas as grandes pessoas, tudo o que estava acontecendo, estava em cidade de Londres. Então, ali começou, a gente começou a pegar o que a gente chama, depois eu publiquei, eu chamei de Agile Hangover, que seria as transformações ágeis, com muito foco no processo, no processo ágil, nas metodologias, principalmente no Scrum, mas com pouco foco na agilidade de engenharia.
E isso criou uma dissatisfação, nem sei se é uma palavra de... Insatisfação. Insatisfação, uma dissatisfação em muita gente. Tanto técnicas como eu, pessoas que eram mais hardcore no extreme programming, gostavam de TCD, de continuous integration, pessoas que eram mais hardcore, quanto com algumas empresas também que começavam a fazer esse negócio de ágil e não funcionam.
Você conhece um cara chamado Uncle Bob? Sim, Uncle Bob. Clean Code? É isso, exatamente. Então, o Bob, ele começou também a ficar muito puto com isso. E a gente, na Inglaterra, é muito puto com isso. E em Chicago, em 2008, eles fizeram um outro summit. E é o que deu origem ao que a gente chama de software craftsmanship.
E foi feito um novo manifesto, que era uma provocação à manifesto ágil, onde a gente queria resgatar o movimento para os desenvolvedores, porque ele ficou uma coisa de gerentes, de pessoal que quer fazer coaching, que quer tirar a satisfação, a Gile foi para essa linha. E a engenharia...
O movimento de software cross-manship foi uma retomada disso. Também teve um foco muito grande ao stream programming. E todas as disciplinas técnicas. Por que isso é relevante? Porque eu me envolvi logo de cara.
E eu fui o primeiro a montar uma comunidade de software cross-thornship na Europa, que é a de Londres, que se chama London Software Cross-thornship Committee, que é de 2010. Nós tivemos a primeira conferência de software cross-thornship do mundo em Londres. Becana. Fora, um pouquinho fora de Londres, mas organizado por Londres. E porque, embora tenha nascido em Chicago, Londres se tornou o Poli. E a comunidade que eu comecei...
Hoje ela tem mais de 6 mil desenvolvedores. Caramba! Nós acordamos mais de 500 eventos para desenvolvedor. Tinha mês, no pico, de seis eventos por mês. Caramba! Eu acordava por volta de 5 e meia, 6 horas da manhã.
para estar no centro de Londres, no Starbucks, na Oxford Street, às sete e pouco da manhã, para fazer per-programming com outras pessoas, antes de ir para o trabalho. Sensacional. Cara, o que a gente fez de evento, e aí a gente começou a ensinar essas técnicas para vários desenvolvedores. Com o trabalho que eu fiz na comunidade, como a Europa é relativamente pequena, eu comecei para as conferências. Eu comecei a dar palestra, falar de software crossmanship, em todo lugar que eu ia, falar de software crossmanship.
o pessoal da Europa começou a se interessar. A França foi o segundo, o pessoal de Paris, a gente foi numa conferência, eles viram o que eu estava falando, falou, eu quero que você venha para Paris, eu quero começar. Em toda conferência que eu ia, eu falava assim, olha, eu quero voltar para Londres, sabendo que pelo menos uma pessoa aqui na plateia vai começar uma comunidade de sofrer prazo na China. Sempre tinha gente, levantava a mão, sempre, todos os lugares que eu fui. Bacana, cara.
Aí, a galera começou a me chamar para ir para os países, porque eu já ia pelas conferências, eu já comecei a dar palestra, o negócio todo de PDD, de design, todas essas coisas. E aí eu comecei a plantar essas sementes. A primeira meet-up da Paris Software Crossmanship fui eu quem que dei. Aí eu fui para a Alemanha.
num evento de Sócrates, Software Crossmanship and Test, era uma conferência, uma unconference. Então, o pessoal que organizou, eles queriam chamar alguns dos, que eles consideravam pessoas líderes, assim, na nossa área, para ir lá, para compartilhar a informação e tudo, eu fui convidado, tudo, e lá eu falei a mesma coisa da comunidade, eles adoraram a ideia.
E a Alemanha tem uma particularidade muito interessante, porque quando a gente fala de craftsmanship,
Eu não gosto da tradução porque nós não temos uma palavra melhor em português, porque a gente traduz para artesanato. Embora seja a palavra certa, o artesanato no Brasil é muito mais associado àquelas feirinhas de artesanato... Correto, do que as... Do que o artesanato medieval que teve na Europa, de catedrais, de trabalho com ferro, com madeira, dos castelos e tudo mais. Então, há...
A Alemanha em si tem uma parte histórica de craftsmanship, de engenharia muito forte. Então, aquilo, software scrummer é o nome que eles dão lá, mas a Alemanha gostou muito daquilo. E naquela reunião, eu falei a mesma coisa.
Cara, umas 20 pessoas falaram, eu quero montar uma. Só que era cada um de um lugar da Alemanha. Nós dizíamos um... Sandra, a tua câmera, não sei se você está indo para entrar, ela tem foco variável, que ela está desfocando você, às vezes, quando você muda. Vou tentar manter... Eu estou focado ainda ou não? Está focado, está focado. Está em foco agora. Perdão. Aí, a Alemanha era cada um de um lugar. Ele falou, a gente quer montar.
Aí eu sei que tinha gente de Berlim, tinha de Frankfurt, tinha de Munique, tinha de vários lugares, de Hamburg e tudo mais. Eles montaram não só várias comunidades locais de crossmanship, como eles criaram uma...
para o país como um todo. E eu sei que, cara, a gente teve dezenas pela Europa. E esse trabalho de eu viajar, falar sobre software próximas, criar vídeos, criar material e ajudar desenvolvedores... Hoje, na Inglaterra, eu sou sponsor de cinco comunidades.
Eu exposto uma na Espanha, uma em Lisboa. Nós abrimos uma em São Paulo, que não está muito ativa. A gente não conseguiu acertar ainda em São Paulo. Eu pago por duas nos Estados Unidos. Também eu... Banco os custos, não é nada muito grande, mas... E isso fez com que a gente conseguisse atingir milhares de desenvolvedores. Certo.
para focar no craft, na arte de fazer software. E esse trabalho me deixou muito próximo ao Ancobob. Então eu fui praticado várias vezes, nós gravamos uma série de vídeos juntos, eu passei uma série de coisas dele lá, ele via muito para Londres e tudo. Aí o que a gente não tinha era o Clean Code e o Clean Coder dele.
Mas nós não tínhamos um livro que detalhava o mindset do movimento só para Crossmanship. Aí foi quando eu escrevo o livro, e ele escreve o Forward do meu livro. E mais para frente ele escreveu o Clean Agile, eu escrevi o capítulo de Crossmanship daquele livro também. Então, esse trabalho de estar envolvido nas comunidades, desde o dia que eu cheguei em Londres, ter fundado, ser um dos membros fundadores da Dijava, depois ter fundado a de Crossmanship, ter ajudado a fundar coisas da Europa, e escrito o livro,
foi que me levou para a UBS. A UBS queria fazer um trabalho de engenharia, de qualidade, trazer qualidade a nível global. Eu fui contratado para fazer isso. Meu trabalho era viajar, viajava a Ásia, Estados Unidos e Europa, trazendo qualidade para vários departamentos. E essa exposição toda, tanto pela comunidade, quanto pelo trabalho que eu fiz na UBS e nas consultorias, eu fiz um monte de contato e aí surgiram muitas oportunidades de trabalho.
E pelas oportunidades de trabalho, é que tem sentido eu começar uma empresa. Onde a UBS foi o meu primeiro cliente. E a Valtech, a constateria francesa, foi meu segundo cliente. Incrível, Ken. Incrível como tudo vai se encaixando também. E também é interessante como...
Você está pensando aqui naquela comunidade que você mencionou em Londres, que não estava indo muito bem, que a pessoa criou a comunidade em torno dela. É isso aí. Você foi lá, juntou com outras pessoas e falou assim, olha, que tal a gente criar uma comunidade melhor do que isso aqui? É uma comunidade verdade, né? Uma comunidade. Exato, uma comunidade verdade. E aquilo ali...
aquilo ali explodiu e abriu esse caminho todo que você acabou de descrever aqui na sua vida, que é sensacional, né, cara? E também é interessante ver, e se você me permite voltar um pouquinho no tempo ali, pensando ainda naquelas professoras da época do seu vestibular que se reuniram lá na igreja para ajudar vocês. Cara, isso é sensacional, é incrível como essa é. Mas aquilo que você falou também, você tem um plano.
O plano não necessariamente sempre dá certo, mas você vai ajustando o plano, você tem o plano, você vai ajustando e vai indo. Mas é também muito interessante como pessoas vão surgindo e oportunidades vão surgindo e coisas que você faz em que você vai ajudar a comunidade, você vai ajudar os outros, acabam gerando benefícios para você também, vão te abrindo portas, vão te gerando contatos e esses contatos vão abrindo portas incríveis.
E como é que foi esse processo de escrever o livro propriamente dito, lidar com a editora, publicar o livro, como é que foi isso para você? Isso também tem uma história interessante. Ah, tem uma coisa que eu queria mencionar. O meu primeiro contato com o software crossmanship, sem saber que era crossmanship. Também foi uma pessoa muito importante na minha vida, que foi no segundo emprego que eu tive em São Paulo. Não, foi no primeiro, no primeiro emprego que eu tive em São Paulo.
que um cara, ele era o gerente de Mário, eu descrevo isso no meu livro, essa parte, mas ele era um cara muito reconhecido pela parte técnica, ele era um cara muito bom, muito inteligente, muito, muito bom.
E quando eu entrei na empresa, eu fui jogar, era um processo seletivo enorme, eles pegam um monte de gente, aí depois eles distribuem pelos departamentos. Quando eu cheguei, eu vou tentar encurtar o máximo possível, quando eu cheguei, eu fui jogado num departamento qualquer e eu fiquei ouvindo, tem esse time aqui que é o time...
Superstar, o cara que gerencia, um cara fodido. Soprassuma, né? É. Falei, puta, eu quero trabalhar lá. E aí eu comecei a puxar papo com as pessoas do time, comecei a chegar perto, não sei das quantas. E uma vez eu encontrei esse cara no watercooler, lá no bebedor, e falei pra ele, falei assim, olha, eu tô aqui faz só três meses, mas eu queria trabalhar pra você.
E aí o cara ficou meio assim, e aí ele começou a me perguntar coisas do tipo, assim, o que eu fazia no meu spare time, no meu... E ele perguntou se eu tinha algum projeto, pet project, alguma coisinha que eu tava trabalhando. E eu falei, ah, eu programo isso, tem um programa que faz isso, tem um programa da NBA que faz isso, não sei das quantas, e blá blá blá. E ele gostou, e eu só fui entender depois que...
O que ele estava tentando fazer com ele, ele falou assim, então tudo bem, eu vou tentar ver se eu consigo uma transferência sua para o meu time. Do nada, ali, naquela conversa. Incrível, né, Vini? O que eu não tinha entendido, só que eu entendi depois, que a entrevista dele foi por paixão e não por conhecimento técnico. Eu era jovem, eu ainda era jovem, já era recém-formado.
Então, o que eu tinha para oferecer? Eu não tinha muito para oferecer, não tinha experiência. Paixão? Você tinha paixão para oferecer? Eu não tinha experiência, mas eu tinha paixão, eu tinha aquela vontade. E é isso que ele estava buscando no time dele. E aí, quando eu entrei para trabalhar lá, essa foi a lição, eu conto isso com bastante detalhe no livro, mas ele me deu uma tarefa para fazer.
E eu falei, pô, essa é a minha chance de mostrar que eu sou bom no que eu faço. E ele, na segunda-feira, me falou, tem que fazer isso, me explicou um pouquinho do sistema. Eu falei, ah, legal. Eu falei, ah, quando eu preciso entregar? Ele falou assim, ah, sexta-feira tá bom, não sei o que. Eu falei, a noite lá, eu sei que eu fiquei, cara, eu trabalhei que nem um maluco, era terça-feira, no meio da tarde, eu tava pronto.
Corri para o escritório dele e falei, na época ele tinha o escritório só dele, né? Exato, exato. Aí eu falei, ó, chefe, acabei, está funcionando. E ele falou assim, olha, toda vez que você fala que acabou, eu espero que esteja funcionando, ele já me deu essa sim. Mas até aí, né, falei, às vezes sei lá, o jeito que ele fala e tudo mais. Eu sei, eu lembro, cara, a gente trabalhava com o Delphi, ele abriu o Ponto Pass, né, que era num terminal verde, era um viagem da vida, que eu não sabia.
E ele começou a passar, e o Delphi, cara, tinha uma puta de uma IDE, IDE é fodido, assim, tá, né? Ele olhando aquele negócio, tudo no terminal verde. E aí, cara, e eu, todo prauda, assim, todo orgulhoso do código que eu fiz, tinha umas 200 linhas lá que eu tinha feito. Olha, eu juro por Deus, Marcelo, ele foi linha a linha. Ele falou, você tá vendo isso aqui? Isso aqui, assim, tá errado por causa disso. Você tá vendo isso aqui?
O jeito que gerencia a memória, isso aqui vai causar um problema não sei o que lá. Tá vendo isso aqui?
Eu fui detonando o meu código. E tinha um lugar, eu precisava, eu tinha nove botões, eu precisava habilitar e desabilitar de acordo com qual botão está clicado, os outros habitam e o que está clicado. Eu lembro que eu fiz um mapeamento de bit, fazia bit shifting, então se eu fazia isso, eu fazia um bit shifting, eu fiz esse negócio e eu estava super proud daquilo.
Ele começou a olhar para cima e para baixo, para cima e para baixo, eu olhava e olhava, até que acho que finalmente ele entendeu o que era. Aí ele me pediu para eu explicar, eu expliquei, eu fiquei muito orgulhoso. Ele falou, você sabe o quão desrespeito, como é que é, desrespeito? Eu nem lembro. Desrespeitoso.
Desrespeitoso é isso? Ele falou assim, porque aqui tá na cara que você tá querendo ser esperto. Você tá querendo provar que você é inteligente. Ele falou assim, ele demorou minutos pra entender isso. Ele falou assim, imagina se nosso código inteiro estivesse escrito assim. A dificuldade que é pra manter. Você não tá num time sozinho.
Eu prefiro um código que é limpo e fácil de ler, porque um código que tenta se mostrar que você é inteligente. Ele falou assim, a eficiência só deve ser atacada quando você tem um problema de performance. Faz um código limpo primeiro. Aí, se tiver performance, você vai ver qual é o problema da performance. Aí você otimiza.
Eu sei que ele me deu uma lição. Ele foi, linha ali, ele destruiu tudo. Você entendeu do que eu falei? Aí eu fiquei meio imbérsido, né? Todo um vergonha assim, falei, entendi. Ele falou assim, se você tivesse feito tudo isso de novo, você saberia o que fazer agora direito? Eu falei, sim. Ele deletou o código. Ele falou, então vai lá e faz de novo. Ele falou assim, ainda é terça-feira, eu tinha falado que até sexta estava bom, você tem tempo, faz de novo. Eu fiquei puto, cara. Que puto. Isso aí.
Saí da empresa, fui lá fora, fumava, fumava um cigarro, que puto. Falei, cara, quem esse cara pensa que ele é? Que puto, sabe? Aí depois eu pensei bem assim, cara, depois ainda, lá fora, eu falei assim, cara, em todo esse tempo, eu venho programando desde os 11 anos.
Foi a primeira vez que alguém parou para me ensinar. E eu estou achando isso que é uma crítica. Eu falei, olha a oportunidade que eu estou tendo. O fato que eu esqueci, na hora que eu estava saindo da sala dele...
Ele falou, vai, faz de novo. Eu entrei as costas, comecei a sair, ele me chamou e ele falou, ele falou assim, como é que era? Eu lembro mais em inglês que eu publiquei depois em inglês, né? Fiz lá mais muitos anos, mas ele falou mais ou menos assim. Como você faz é tão importante quanto fazer. Como você faz é tão importante quanto fazer. Então, essa frase, ela se tornou...
a frase da comunidade que eu usei muitos e muitos anos depois, porque a primeira exposição ao CrossFit, se você dá tempo para as pessoas, qualquer programador vai conseguir fazer algo. Mas o bom efeito é o que distingue. Então, esse time, tem uma razão que eles eram bons, porque eles tinham...
aquela atenção ao detalhe, cada semivírgula, sabe, tinha um porquê. Então, essa visão crítica, esse conhecimento de foundation, essa foundation era muito importante. Então, essa foi a minha primeira exposição ao Cross-Machie, e foi isso que eu levei, e depois publiquei um livro com essa frase, contando essa história. Então, isso, para mim, foi um monte de... uma coisa muito importante. Eu posso voltar agora na história do livro?
É que eu achei essa história mais uma pessoa que teve uma uma marca fundamental na minha vida. Total. E ela não é só profissional. Você leva pra tudo. Se você vai dedicar tempo a fazer alguma coisa, pô, faz bem feito. Faz o seu melhor.
Você não precisa fazer o seu melhor em tudo que você faz na vida, mas tem certas coisas que são importantes, então, faça bem feito. Com certeza. E esse orgulho de fazer algo...
bem feito, sabe, te dar o prazer, né, enfim, não é só a grana que você recebe, é o prazer de fazer. Então, o Crossmanship é muito sobre isso. Quando eu, aí então, voltando, né, muito contato com o Uncle Bob e tudo mais, com o Crossmanship, eu faltava aquela ideologia, então eu decidi escrever. Eu usava meu tempo no trem, no commute, mais da metade do livro foi escrito no commute de casa para o centro de Londres.
E aqui tem uma coisa interessante para falar também. Quando o primeiro draft estava pronto, eu ia fazer LeanPub. E o meu sócio falou assim, na época a gente não tinha empresa ainda, ele falou assim, o seu livro não é para ser LeanPub. Você deve publicar isso direito.
Aí eu peguei, eu fui para Chicago numa conferência. Nessa conferência, o Don't Wacobbe estava lá e estava o Dave Thomas, sabe o Pragmatic Programmers? Sim, o Dave Thomas, sim. O Dave Thomas de One Hunt, né? Então o Dave Thomas estava lá, o One Hunt não. E para quem não sabe, eles publicaram o livro em Pragmatic Programmers, eles têm a Pragmatic Bookshelf. Então ele estava lá, ele assistiu a palestra de próxima chica.
veio falar comigo depois da palestra, falou assim, cara, gostei muito do que você está falando, achei inspirador, aquele negócio todo, eu conto essa história, inclusive, que eu conto agora, e achei inspirador, então eu falei, para mim é um prazer te conhecer, esse livro foi um dos primeiros que eu li, que me abriu a minha cabeça para esse mundo ágil de crossmanship e tudo mais, e eu falei, eu estou escrevendo um livro sobre crossmanship, que é sobre essa palestra que eu dei, e falou, porra, manda esse draft para mim.
cara, voltei para Londres com, assim, cabeça desse tamanho, cara, tem que tomar, se quer meu livro, não sei das quantas, contei para o meu sócio, meu sócio falou assim, o seu livro não é um livro para ser prag-prog, não é para aquela editora. Cara, eu fiquei puto, porque eu achei que essa é mais uma história da importância que certas pessoas têm na sua vida, né? Porque ele falou assim, o seu livro não é um livro de prag-prog.
Eu achei, juro por Deus, eu falei isso pra ele depois, a gente é muito amigo até hoje, né, a gente é meu sócio, a gente conhece faz 20 anos, conheço 50. Eu achei que ele tava com inveja, de verdade, ele tá com inveja. Eu falei, porra, eu tenho o Andy Hunt querendo meu livro aqui, e o cara fala que não é pra publicar, não tem nenhum público, eu ia fazer ele em pub. E aí ele falou um negócio pra mim assim, ele falou assim, fale um livro que é clássico.
que não seja o Pragmatic Programmer, que é o original, que é o primeiro livro de Lúcio, em 1999, que é um clássico do PragProg. Não existe, porque todos eles, é Java, isso, aprenda Spring, é tudo, né, cookie cutter. Eu fiquei puto, mandei o draft. O meu livro é dividido em duas partes. A primeira parte é mais ideológica, a segunda parte tem uma parte mais, se aplica um pouco mais.
Eu mandei o livro para o David Thomas. Passou-se uma semana, duas semanas, não lembro agora. Eles retornaram para mim e falaram, a gente quer publicar, só que a gente quer que você jogue a primeira parte fora, resumindo, jogue a parte ideológica e aumente a parte prática. A gente quer um livro prático, o Crossmanship. Eu fiquei desolado, porque eles queriam fazer com o Crossmanship o que eles fizeram com o Scrum.
Eles queriam transformar o Crossmanship numa metodologia que é vendável, que é aplicável, que era exatamente a crítica que nós do Crossmanship tínhamos ao próprio Scrum. Eu falei, se eu tivesse que jogar metade fora, eu jogava a segunda metade. Mas a ideologia tem que ficar. Eu sempre falo, a diferença do ágil para o Scrum é assim, o ágil é a ideologia, é o mindset.
Short Feedback Loop. O Scrum é o mecanismo. Exato. Inspect and Adapt, Short Feedback Loop. É isso que o Agile é. As metodologias como Scrum, Extreme Programming, Crystal, Featured FDD e tudo, são metodologias que usam, mas elas são metodologias, elas têm práticas. Eu não queria fazer isso com o CrossMachip. Foi isso que a gente lutou contra. Eu fiquei desolado e eu tive que falar não para eles. E aquilo cortou o meu coração, porque eu falei não para eles sem ter o que publicar.
Eu falei, isso vai morrer numa gaveta. E se eu vou para uma conferência na Alemanha, eu conheço um cara chamado Marcus Gardner. O Marcus Gardner escreveu um livro chamado Acceptance Test Driven Development, HDD. Saiu pela série do Kent Beck. E ele publicou pela Pearson. E aí ele falou assim, cara... Eu contei essa história para ele, eu estava bem chateado. E ele falou, cara, eu vou te apresentar para os caras de Boston, da Pearson.
me apresentou, mandei o draft, os caras ficaram interessados, mandei o draft pra eles, aí eles retornaram e falaram assim, cara, gostamos do seu livro, ficaram publicado do jeito que ele é, e você tem a escolha de sair ou na série do Kent Beck ou na série do Uncle Bob. Eu já conheci o Bob de Longos Carnavais, entrei em contato com o Bob, falei, cara, tá rolando isso, não sei das quantas, o Bob falou, porra, escrevo o Forward, vai ser um prazer ter o livro.
E o livro saiu, claro, foi revisado, mas o conteúdo do livro é o mesmo. Sensacional.
E, cara, ainda estou lembrando aqui da...
da sua professora de Pascal, que colocou você lá na empresa de cinco pessoas dela. Então você... Não é? É, é incrível isso. É absolutamente incrível. É incrível. E o impacto que você está tendo na vida de um monte de gente, com esse trabalho todo que você fez. Isso é maravilhoso. Isso é sensacional, absolutamente sensacional. Obrigado por compartilhar isso. E, Sandro?
Nessa área aqui a gente já viveu tantas revoluções e tantas transformações, e a gente está vivendo mais uma transformação aqui, que é a parte de AI também, né? E como é que você está vendo essa evolução da AI e o impacto que isso está tendo na experiência das pessoas em geral? E que impacto isso está tendo na tua consultoria, no teu trabalho também no dia a dia? O que você pode compartilhar com a gente sobre isso?
Ah, cara, é enorme. Eu fui um pouco cético, eu não sou um early adopter, sabe? Eu acho que eu passei por muitas...
muitas evoluções na nossa indústria, e muitas delas não foram lugar nenhum, então eu espero um pouquinho. E eu achava que AI não seria tão grande quanto a internet, mas hoje eu já mudei de ideia. Realmente ela é muito transformadora. Então assim, a gente no começo, até para quem como eu, que vem do mundo de software próximos chips, que é obcecado pelo código, pelo detalhe, pela arte de fazer o código.
Quando você começa a ver que a AI está escrevendo código, cada vez mais as pessoas estão usando isso para gerar código, foi um negócio que eu fiquei chocado. Mas eu acho que a gente tem que abraçar. A gente está fazendo isso na nossa empresa. É inegável, é inegável o avanço.
tá aqui pra ficar, e assim, quem não abraçar vai ficar pra trás. Agora, o que a gente tem que ter, o que a gente tem que fazer, eu publiquei um blog recentemente, bem extensa, umas nove páginas, um artigo, na verdade, falando de AI, só pra crossmanship na era do AI. Então, assim, é...
Eu falo assim, a gente tem que abraçar tudo. A gente não pode ser um naysayer, sabe? A gente não pode ser uma pessoa que está contra o progresso. Muito pelo contrário. A gente está escaping the progress, né? E não sendo reativos ao progresso. O progresso vai passar pela gente, a gente não... Isso aí, vai passar por cima. Então, assim, essa foi uma mudança que a gente fosse, não, a gente tem que estar ajudando a dar o shape nisso. Então, o que eu tenho visto?
A gente tem que entender para que é bom e para que não é. Então, por exemplo, volume de código gerado não significa produtividade. Lembro na época que muita gente queria medir produtividade por linha de código. Correto. Não é certo. Volume de código gerado também não significa valor. Aham.
Então, agora, é inegável que certas tarefas, elas são muito mais rápidas. A produtividade não dá nem para comparar. Você pede para qualquer assistente, seja com agente, seja com o Tchap-Tchap, você fala, me explica esse código, agora eu quero mudar isso, agora me gera um código, faz um impacto nem assim. Cara, é impressionante. Sim, sim. Não tem como negar a...
o aumento de produtividade desde que você tenha a base certa. E aí, para mim, essa é a grande importância. Já existem vários estudos, teve um até, no meu artigo, eu menciono até uma palestra muito interessante da Stanford University. Eles estão fazendo vários estudos, e tem mais e mais estudos, que a AI vai trabalhar na base que ela tem. A base que ela tem, ela inclui a qualidade do código.
que ela está trabalhando. Se a qualidade do código é ruim, o input de prompts é ruim. E o treinamento dela é ruim. Sim.
garba de in e garba de out. Vai gerar porcaria. E nós estamos vendo isso em alguns projetos que a gente fez, experimentos e alguns processos que nós temos rodando mesmo. Eu mesmo estou liderando um produto agora que usa AI em vários aspectos, tanto para o desenvolvimento quanto como feature do produto, e para todo o gerenciamento de pesquisa e backlog. Então eu tenho usado várias perspectivas. Áreas do código que já não são tão boas, por exemplo, uma classe longa ou que não está bem modularizada, ela faz aquela classe maior.
Se já tem 10 parâmetros do construtor, ela vai colocar mais 2, 5 e... Porque a base, ela está tentando resolver um problema. Se a parte de nomenclatura é ruim, ela vai continuar na mesma padrão. Então, assim, a gente já tem vários estudos onde as pessoas que têm mais... um background maior de engenharia, principalmente de software design, além de conhecimento do domínio, e um código já mais limpo,
o da AI é muito melhor. Agora, tem uma outra coisa que a gente tem falado também, que eu escrevi recentemente bastante sobre isso. Antigamente, a gente... Hoje, eu uso vários chapéus na minha empresa, e um deles é... Eu faço o sponsorship de um produto que a gente está fazendo, e eu sou o Product Owner, e às vezes até... E escrevo o código ainda.
Antigamente, a gente tinha o que a gente chama de knowledge loss, a perda de conhecimento, quando as pessoas saíam da empresa. Hoje, nós estamos tendo perda de conhecimento sem perda de pessoas.
Você está tendo cenários onde desenvolvedores geram código de AI, aí você vai lá e faz uma pergunta de como certas coisas funcionam, a pessoa fala, peraí, eu tenho que olhar o código, não tenho certeza. E a pessoa acabou de gerar aquele código. Isso também é assustador. Então, a gente está gerando um volume de código com uma velocidade muito mais rápida, mas nós estamos acelerando às vezes também.
E isso é um pouco assustador. Se você está fazendo protótipos, um software que o custo de um bug é pequeno, tudo bem.
Até no mundo de private equity, eles já estão usando certas sinologias assim, prototype in-house, productionized outside, alguma coisa assim. Então, você quer fazer um protótipo, faz aí, usa seu cloud code, usa aí o seu alco, qualquer coisa. Agora, fazer um software anílio que está productionized num ambiente mais crítico,
A gente tem que tomar mais cuidado. Agora, a parte de teste, a gente é super adepto a test-driven development. A gente vem do XP, do CrossMachine. Hoje, a ideia sempre foi o código ser compliant, né? Code compliant to test.
O que está acontecendo hoje? A maior parte das pessoas já não usavam TDV antes. Então elas vão e falam para o AI gerar o código. Aí não tem como validar, principalmente quando você gera um volume muito grande de código. Aí você fala, agora gera os testes. AI vai assumir que todo o código gerado está correto. Aí ela gera testes para cimentar um comportamento que talvez não esteja correto. Então esses testes não têm nenhum valor.
As pessoas falam, a gente gerou, a gente fez o código e mandou a AI gerar o teste. Se você só fez isso, não tem valor, porque o teste sempre vai assumir que o código gerado está correto. Então ele não está testando aquilo, ele só está garantindo que aquilo que foi gerado vai funcionar de acordo com o que foi gerado. E pior, quando você muda, faz mais features e algum teste quebra, a pessoa manda a AI arrumar os testes também. Então, esses testes nunca vão servir como uma safety net.
O arredador. Nunca. A não ser que as pessoas agora estão falando de Specification Dream and Development e voltar com não exatamente um TDD estrito, mas ainda você ter uma disciplina maior na especificação, que é uma maneira de você ter o mesmo mindset que um TDD. Então, essas coisas eu acho que são legais compartilhar, eu acho que sim, a Itaí, os agentes, é incrível. A gente fez hoje, não, na semana passada, eu estava assistindo o vídeo hoje, que eu não pude ir na reunião.
demonstração de técnicas de modernização com AI. Cara, é impressionante. Impressionante. A velocidade, assim. Então, se eu souber domar isso bem, com bons princípios de engenharia, ah, é fenomenal. Mas a gente tem que ter uma cuidado.
Com bom craftsmanship. É isso aí. Sandro, você, se você pudesse voltar no tempo, pensando tudo isso aqui, a gente já está conversando aqui quase uma hora e meia, e você teria feito alguma coisa diferente do que você fez na sua trajetória? Você sabe que eu já me fiz essa pergunta e outras pessoas já me fizeram essa pergunta. Eu não sei. Sabe por quê?
Eu acho que eu tomei as decisões, a melhor decisão com a informação que eu tinha. Perfeito. E eu não acho que eu fiz nada muito radical, embora, claro, desde o país, fiz uma série de empresas, mas porque ela sempre foi metódica, um passo atrás do outro, sabe? Olha, eu quero ir lá, mas o próximo passo é esse, agora eu tenho que fazer isso. Eu não acho que... As pessoas que estão olhando de fora acham que eu tomei muitos grandes riscos na minha vida, sair lá do interior para onde eu estou hoje.
Mas se você olhar... Se eu olhar, quando eu olho, toda a sequência de passos, a sessão de plano, tudo que eu fiz, eu me senti seguro em fazer aquilo. Eu tive sorte de algumas pessoas terem me ajudado em momentos muito críticos. Onde o plano teria, principalmente com essas professoras e tudo mais. Esse começo, onde a base da minha pirâmide era muito frágil, ali eu precisei de ajuda. E eu não acho que eu poderia ter feito nada diferente. Mas todo o resto...
Era sempre assim, cara, eu tenho um norte e eu quero ir pra isso, eu tenho que fazer isso, eu tenho que fazer aquilo e espera, sabe? Porra, não vou conseguir isso amanhã. Vai demorar alguns anos, então...
Então quando eu olho, eu não tenho muitos regrets, muitos arrependimentos olhando para trás. Eu não penso, eu acho que é uma outra maneira. Eu não penso, eu não gosto de olhar para trás, eu teria feito algo diferente. Eu não penso, porque eu acho que eu fiz o que eu podia ter feito e eu só olho para frente.
E vai ser o resultado das ações que você tomou também, né? Dos planos, coisas que aconteceram na sua vida. Nem tudo, eu tive uma... Eu tentei ter uma startup que não funcionou, eu perdi um ano da minha vida, perdi grana pra cacete, quase perdi minha esposa. Meu primeiro business foi um desastre. Então, assim, teve algumas coisas que não saíram de acordo com o plano, mas foi planejado. Mas o desastre não foi uma catástrofe. Foi um desastre, tipo assim, eu não consegui atingir o que eu queria.
Mas em momento algum perdi a fundação, não voltei para trás, só não consegui fazer aquilo.
você tinha o seu plano, você sabia que você estava em, como é que a gente fala na solid ground, você tinha a base, né, firme, e você fazia a próxima coisa baseada no plano, e aquilo ia te levando à frente, e é bacana de ver isso também. E pensando nas pessoas que estão lá no, sei lá, em situações diversas no Brasil, e sei lá, as pessoas que estão no interior do Brasil, como você,
falou que você veio do interior. E essas pessoas olhando o mercado e pensando assim, eu quero tentar criar uma transformação da minha vida, eu quero entrar em tecnologia, eu quero entrar em programação, eu quero tentar ir à frente. Que conselhos você daria para essas pessoas que estão começando hoje e são o Sandro de vários anos atrás? Olha, primeira coisa, eu acho que...
acredito em você né tipo e a gente tem cara eu acho que eu não consigo pensar em muitas profissões como a nossa assim que dá um retorno financeiro muito bom né assim mas o a gente tem tudo que a gente precisa cara hoje qualquer pessoa tem um device conectado na internet mesmo né nos níveis mais baixos da nossa camada social então hoje não existe uma desculpa de não mal
Não tem como você não ter uma desculpa, assim, de ter essa desculpa. Então, assim, foca no que você vai aprender, seja o melhor que você pode ser, para de gastar tempo com besteira, sabe, ficar assistindo novela, ficar, sabe, com gastar tempo com coisas que não... Cara, ter um lazer, jogar um basquete, assistir um filme que você gosta, qualquer coisa, qualquer hobby que você tenha é saudável para limpar a sua cabeça, mas não gaste tempo com besteira, foque, seja o melhor que você pode ser, e não fique acreditando em coach, essas bobeiragens todas de...
A grana, se você for um bom, isso sempre foi muito claro na minha cabeça, e eu tive um começo de vida mais complicado. Eu sempre acreditei. Se eu for bom no que eu faço, desde que eu também escolha uma profissão que ajude, porque não adianta você ser bom, não é coisa que ninguém valoriza, mas se você for bom no que você faz, o financeiro sempre vai ser uma consequência. É melhor você focar em ser bom?
porque o financeiro acaba tomando conta dele mesmo. Agora, se o seu foco é só... O Brasil tem esses negócios de coaching, todo mundo tem a regra fácil, os Estados Unidos também diz também, três passos para ficar milionário, o mindset não sei das quantas, faz isso que você vai ficar milionário. O objetivo sempre é ser milionário, você já percebeu? E dinheiro nunca é o suficiente. Quanto mais você tem, mais você quer. Então, é uma vida de frustrações. Sim, total.
Então, a minha recomendação é assim, pega alguma coisa que você é apaixonado e seja bom naquilo. Cada dia quer ser bom naquilo. E tenta cada vez ser melhor, e aí usar, aplicar aquilo que você é bom, imagina ligas, eu sempre pensei isso, imagina assim, eu era o melhor estudante da minha escola em Beriguí, lá no interior de São Paulo. Tá, naquela liga, eu era um dos melhores.
Você falou MVP. Mas assim que eu fui para Santos, caramba, eu apanhei muito. Aí depois eu fui para São Paulo também. Então eu tentava esse conceito de liga. Mas será que eu vou ser... Então eu falei, eu quero ser bom no que eu faço, mas eu quero também subir de liga.
mas não pela grana, mas é mais pela satisfação pessoal, de você fazer algo bem feito, né? Certo. Quando eu acho que se você tem esse tipo de foco na sua vida profissional, você não vai precisar se preocupar com dinheiro nunca.
Eu acho que é por aí mesmo, cara. E procurar fazer bem o que você faz, né? Procurar entender bem. Cara, faz o bem para as pessoas. Cara, é impressionante. Você ajuda as pessoas, isso vai voltar para você.
Gasta seu tempo, faz um podcast, faz uma atividade, vai numa comunidade de software, ajuda as pessoas a compartilhar com o que você conhece. Quando nós começamos com a comunidade de Java, era todo mundo muito jovem, todo mundo desenvolvedorzinho, júnior. Dez anos depois, é todo mundo CTO, é diretor não sei aonde.
E o Network é incrível, né? Um monte de gente que você conhece há 20 e tantos anos, e todo mundo com impacto em tudo que é canto do mundo também, isso é bacana demais ver isso aí, é incrível.
E a gente falou um monte de coisa de carreira, trabalho, empresa, fundar, sua empresa. O que você gosta de fazer quando você não está trabalhando, quando você não está na frente do computador? Ainda joga um basquetezinho aí, achando que vai entrar na NBA ou ainda não? Eu já, hoje, com muito pesar, eu já estou consciente que eu nunca vou jogar na NBA. Demorou muito para eu aceitar essa realidade.
Mas eu ainda... O basquete é uma coisa muito forte na minha vida. Agora que eu moro em Barcelona, o estádio do Barcelona, tanto de futebol quanto de basquete, é 15 minutos na minha casa. Bacana. Eu estava lá ontem. Eu vou lá, tipo assim, quase todos os jogos que eles jogam em casa, eu vou lá no jogo. Sensacional.
Então, assim, eu assisto ainda muito basquete, principalmente o europeu, que está no meu time zone. Ainda assisto, domingo, fiquei até tarde assistindo o All-Star Game da NBA, que voltou a ficar um pouco interessante, porque era uma merda antes, né? Agora ficou mais competitivo esse último. Mas, assim, ainda brinco, ainda, às vezes, de basquete, assim, vou em um lugarzinho aqui para arremessar umas bolas. Mas é o que me faz, realmente, é uma das poucas coisas que, quando eu vou, assim...
me faz esquecer, assim, do mundo. Eu acho que ter um hobby é uma coisa, não importa qual seja, mas ter um hobby, e a gente tem um problema de que muitos de nós, não sei se é assim com você, mas a nossa profissão também é o nosso hobby, então a gente acaba ficando muito em cima disso, mas ter uma coisinha, às vezes, do lado, que é um pouquinho diferente, é muito legal.
Eu tenho esse problema. Muitos dos meus hobbies são todos relacionados a computador e computação. O que você falou é necessário fazer alguma coisa fora dessa coisa da tecnologia. É fundamental. E bastante importante. E cara, você...
Tem dica de, além, obviamente, do teu livro, você tem dica de outros livros, não necessariamente de TI ou de tecnologia, música, filme, ou qualquer coisa que você goste, que você gostaria de compartilhar aqui com a nossa comunidade?
De livro, eu classifico livros de diferentes maneiras. Livro técnico, tem alguns que são clássicos, então eu acho que certos livros como o Clean Code, Clean Coder, algum material da Anko Bob, eu acho muito relevante, pessoas como Martin Fowler, eu acho que às vezes até mais do que um livro, você independente...
a nossa área é muito vasta, né? Então, de acordo com as suas preferências, você entender quem são as principais pessoas criando coisas, ou empresas, ou pessoas, e você seguir o body of work, né? Todo o trabalho que essas pessoas fazem. Então, eu acho que, independente da...
das preferências de cada um de nós aqui, é saber quem são as pessoas chaves ou empresas chaves e seguir aquelas pessoas e saber o que elas estão falando. Isso é muito importante. Em termos de... Eu gosto muito de fantasy. Eu leio muito fantasy. Então, para quem gosta de fantasy, tem um autor chamado Brandon Sanderson. Ele terminou o Wheel of Time.
depois que o autor morreu, Jordan Peterson, acho que ele chama, ou Peter Jordan, nunca lembro. Mas o Brandon Sanders é um dos melhores escritores de fantasy que tem, ele é sensacional, então se você gosta de fantasy, esse é um autor para ler. Acho que essas são as coisas que eu mais gosto, eu não assisto muito televisão, eu gosto mais de assistir fantasy, ler fantasy e assistir basquete.
Boa, boa. Boas sugestões aí, Ken. E, Sandro, eu acho que a gente podia ficar umas três semanas conversando aqui, que não ia faltar assunto, né? Mas, considerando aqui que a gente já está mais de uma hora e meia conversando, e eu quero ser respeitoso do teu tempo também, tem alguma pergunta que eu não fiz hoje que você acha que você gostaria que eu tivesse feito?
Ah, não, eu acho que eu falei bastante da minha vida, né? E se eu fizesse ao contrário? Eu não sei qual a oportunidade que você tem de falar com as pessoas, eu também estou te conhecendo hoje, assim, qual que foi a sua motivação de ter criado esse podcast também? Você tem, eu vi que tem um website também, então qual que é a sua motivação com esse trabalho que você está fazendo?
Cara, da mesma forma que você descreveu pessoas que te ajudaram pela tua vida, eu tive inúmeras pessoas que me ajudaram. Inúmeras pessoas que olharam o meu programa e falavam assim, isso aqui tá uma merda.
Você pode fazer assim, assim, assado. E eu me lembro dessa mesma pessoa que é meu padrinho de casamento, um grande amigo meu, o dia que ele virou para mim e falou assim, puxa, esse programa aqui está muito bem escrito. Para mim, aquele dia foi uma realização. Eu falei, caramba, eu estou no nível com o Claudio Show que eu tinha que estar. Eu falei, porra, sensacional. E pela minha vida, eu tive várias pessoas que me ajudaram. Então, como eu falei para você quando a gente começou a gravar.
Eu nunca paguei um centavo pela minha educação no Brasil, de universidade, de mestrado. E em determinado momento apareceu o Canadá na minha vida, eu abracei essa oportunidade com exigentes. E eu já estou aqui há quase 30 anos, então sempre bateu na minha cabeça aquela coisa assim, poxa, eu estudei no Brasil...
e eu nunca paguei nada, e eu preciso arrumar alguma forma de retribuir isso. Então, surgiu essa ideia, eu juntei amigos, e a gente criou a comunidade, e a gente vem tentando ajudar as pessoas, que é a ideia de grão em grão, você vai fazendo alguma diferença. Então, a gente doa computador, a gente tem lá os desafios, a gente tem um grupo no Telegram, e alguns anos atrás eu...
Tive a ideia de criar alguém que falou para mim, você tem uma voz legal, quer que você não faça um podcast? Eu falei, vamos embora, vamos fazer o podcast. E a ideia do podcast, que era para mim, por exemplo, conversar com você aqui foi um presente, um privilégio para mim, ouvir a tua história e muitas coisas emocionantes que me lembram também da minha vida de vários momentos que eu passei.
E eu acho que isso aqui, eu espero que pessoas vão ver esse papo que a gente teve aqui, e que essas pessoas vão falar assim, Cacilda, se esses caras fizeram isso, eu consigo fazer, eu quero tentar pelo menos fazer, eu acho que essa é a motivação, que eu entendo, eu já vi N pessoas pela vida que tentaram, e se você olhar, eu ouvi aqui as entrevistas, tem gente que vendia bala.
Vendia bala, vendia coxinha para sobreviver e a pessoa foi trabalhar desenvolvendo fítio lá para S3 na Amazon. Você tem pessoas que vendiam água na barca em Niterói, lá no Brasil. E hoje a pessoa é nômade digital, vende lá na Espanha também. Então essas coisas que a tecnologia traz para as pessoas, eu acho que a minha forma de tentar falar para os mais jovens é que, olha...
isso aqui tem uma oportunidade aqui, tenta esse negócio aqui, tenta aí, quem sabe isso dê certo, entendeu? Basicamente essa é a minha motivação. Legal, eu fico muito feliz de participar aí do seu projeto, de ter uma participação pequenininha em tudo que você já está fazendo aí, e eu acho que o nosso povo lá precisa, né, porque a gente sabe de onde veio, a gente sabe qual é o tamanho da jornada, né, e material, bom material humano nós temos.
no Brasil. Com certeza, não tenha dúvida. Não tenha dúvida. O que está faltando talvez é um direcionamento melhor, modelos melhores. Exemplos melhores. Exemplos melhores. Acho que é isso que falta. Eu acho que hoje a gente tem uma... Quando eu olho...
Eu não acompanho tanto, mas eu ainda acompanho muita coisa. Os modelos e o que é percebido como celebridade ali é muito comum. É tudo muito comum.
Isso não é só o Brasil, não. Isso é um fenômeno meio mundial. Você vê quando tem certos programas de realidade que geram tanta audiência e que não deveria gerar essa audiência. Outros assuntos deveriam ter uma audiência maior. E tem tantas possibilidades, tanto que você falou aqui no nosso papo.
Você tem acesso à tecnologia, né? Quando eu comecei na área, eu comecei com 13 anos lá com o meu vizinho, ganhei um computador. E você tem um livro, eu lembro do primeiro livro que eu vi de programação para Windows, custava uma fortuna, eu não tinha como comprar aquele livro. Eu ia para a biblioteca, não, perdão.
Eu ia para a livraria, onde vendia o livro, eu abri o livro e falei, deixa eu ler esse capítulo aqui. Aí eu li em inglês, naquele livro, entendeu? E eu fui lendo, fui lendo, fui lendo aquele livro. E hoje você tem aí uma gama infinita de acesso à informação, agora AI, você vira para a AI e fala assim, olha, AI, eu não sei nada de Kubernetes, explica esse negócio para mim, o que é esse negócio de deployment, o que é esse negócio de pod?
E faz um exemplo para mim, me teste do meu conhecimento. Entendeu? Isso é outra revolução de conhecimento aqui.
que eu espero que as pessoas consigam ver isso e consigam se transformar também, gerar um impacto positivo na vida delas e na vida de outras pessoas, como você está gerando, e eu gerei também e continuo gerando. Eu acho que é fundamental isso. E, cara, eu só queria novamente te agradecer aqui pelo teu tempo e o privilégio de conversar com você. Praticamente já são quase 20h46, são quase 9h da noite em Barcelona.
E você, ao invés de estar bebendo uma sangria e estar passando, olhando a Sagrada Família, você está aqui conversando comigo, comendo umas tapas aí, como é que chama? Patatas bravas, né? Patatas bravas. É, muita coisa boa. Prazer enorme, fica mais dois minutos aqui que eu vou parar de gravar. E a gente tem que ter a promessa que a gente vai conversar novamente no futuro. Tá bom, muito obrigado, Marcelo. Prazer enorme, cara. Deixa eu parar aqui a gravação.
Codurance