Chamego nas mãinhas (reprise)
- Homenagem às Mães no SambaPoesia e melodia do samba · Figura das matriarcas · Mãe, o seio da natureza · Arlindo Cruz · Cartola · Virgem Maria · A Casa da Mãe da Gente · Lê Cibrandão · As Coisas que Mamãe Me Ensinou · Mama · AGP · Papo de Samba · Clara Lua · Carina Spinelli · A Valsa para a Clara Lua · Marchinhas debochadas · Jongo · Tia Ciata · Clementina de Jesus · Dona Ivone Lara · Nossa Senhora · Divindades femininas · Teresa Cristina · Dona Hilda · Leci Brandão · A Filha da Dona Leci · Xande de Pilares · Dona Maura · Mãe · Criolo · Casa de Mãe · Carnaval · Sambas de enredo · Menininha, Mãe da Bahia e Alorixá do Brasil · Vai Vai · Grazi Brasil · No Reino da Mãe de Ouro · Rubens da Mangueira · Jamelão · Mangueira · Mãe Baiana Mãe · Aloysio Machado · Beto Sem Braço · Império Serrano · Viradouro de Alma Lavada · Unidos do Viradouro · Claudio Russo · Ganhadeiras de Itapuã · Brasil Colônia · Brasil Império · Amas de Leite · Mãe África · Sivuca · Paulo César Pinheiro · Clara Nunes · Mestre Adoniram Barbosa · Francine Lobo · Cro · Mestre Dorival Caymmi · Mãe Menininha · Mães do Samba · Dicró · Pongá · Baianas das escolas de samba · Mãe de Samba · Carlinhos Brau · Atibalada · Samba de Mãe · Francine Lobo · Rádio Câmara
Samba da Minha Terra. Uma hora com a poesia, a melodia e os batuques do ritmo mais popular do Brasil. Sambista que é sambista sempre que pode reverencia a figura das matriarcas que nos dão a vida e servem de inspiração para o caminho de independência de cada um de nós.
Mãe, o seio da natureza que o bom Deus criou. Mãe, seu carinho é a certeza de um grande amor. Quero colo, mãe, me perdoe, mãe, sua bênção, mãe, me alimenta. Quero colo, mãe, me perdoe, mãe, sua bênção, mãe, me alimenta.
Pra viver Dá sempre a luz Se escurecer É raça, é fé O coração É paz, é tudo E muito mais É força que nos faz capaz Um abraço, mãe Do seu filho, mãe
Seu sorriso, mãe, me alimenta. Um abraço, mãe, sou seu filho, mãe, seu sorriso, mãe, me alimenta. Eu chorei, eu chorava, era minha mãe que me acalentava. Eu chorei, eu chorava, era minha mãe que me acalentava.
Eu chorei, eu chorava, era minha mãe, que me acalentava sim. Eu chorei, eu chorava, era minha mãe, que me acalentava, quero colo mãe.
Abenço, minha mãe. Abenço, minha mãe. Um abraço, mãe. Sou seu filho, mãe. Seu sorriso, mãe. Me alimenta. Um abraço, mãe. Sou seu filho, mãe. Seu sorriso, mãe. Me alimenta. Salve, João.
Acha!
Mãe, essa mistura de samba e jongo cantada e composta por Arlindo Cruz, dá o tom do programa de hoje inteiramente dedicado às mães. Eu sou José Carlos Oliveira e durante uma hora a Rádio Câmara e as emissoras parceiras terão o xodó e chamego nas matriarcas das famílias, do samba e das mitologias e divindades. A primeira sequência começa com o mestre Cartola.
É o mundo novo em teu olhar, Estrelas vejo a cintilar, Que prissamina ao te evitar. És idealável como a flor, Qual foi o Deus teu escultor?
E ouvi a voz, e a voz dizia, eu sou a mãe de Deus, Virgem Maria. O sol, a lua, a terra, o mar, é um mundo novo em teu olhar. Estrelas vê.
E prisa mena ao te gritar. Ai, se deleve o poma flor, Qual foi o Deus teu escultor? E eu vi a voz, e a voz dizia, Eu sou a mãe de Deus, virgem mãe.
Tenho graças, senhora, um sorriso a quem chora, onde a ódio vos peço e põe amor. E assim eu serei mais feliz que sou. O sol, a lua, a terra, o mar.
Estrelas vejo a cintilar, Que brisa mena ao me evitar. Mas ainda leve o pôr uma flor, Qual foi o Deus teu escutor? E ouvi a voz, e a voz dizia, Eu sou uma mãe de Deus,
Já viajei pra bem longe daqui, o meu apê é de frente pro mar. Todos os lugares bonitos que vi, não se comparam com aquele lugar. Eu falo com conhecimento, pois nesse assunto eu sou experiente. O melhor lugar do mundo, é a casa da mãe da gente. Já viajei pra bem longe daqui.
O meu apê é de frente pro mar, Todos lugares bonitos que vi, Nós comparamos com aquele lugar, Eu falo com conhecimento, Pois nesse assunto sou experiente, O melhor lugar do mundo.
Tô na rua de bobeira, abro a carteira, não tenho custão pra almoçar. Chego lá na casa dela, mexo na panela, ela põe o feijão pra esquentar. Quando almoço, vou logo pro quarto, a mão vai direto no ventilador. Ela liga o ar-condicionado, meu filho coitado.
O meu apê é de frente no mar Quantos lugares bonitos que vi Não se comparam com aquele lugar Eu falo com conhecimento Pois nesse assunto sou experiente O melhor lugar do mundo É a casa da muita gente
Quando acordo vou pro telefone Arranja carona pra noite pra roda sambar Ela olha, mas não dá marcada Será que esse cara tá ligando pra celular? Chega a tarde, é hora do lanche Vem refrigerante, cuscuz e manjar Ela diz que são quase seis horas Eu só vou embora depois do jantar Já viajei pra mim longe da jantar
O meu alfeio é de frente do mar Todos os lugares bonitos que vem Mas compara do aquele lugar Eu falo com conhecimento Pois nesse assunto eu sou experiente O melhor lugar do mundo É a casa da mãe da gente E a janta é uma sopa quente Ela de repente vem me aconselhar
Tá ventando, fecha essa janela, calça uma chinela, não vai resfriar Já é hora, troco a minha roupa, mas deixo uma trouxa pra ela lavar Ela diz que menino abusado, mas briga um bocado se alguém concordar Não é verdade? Tem gente que vira mestre, vai sempre estar na casa da mãe, né? E a dona Maria? Grande beijo Seja pra curar essa dor de cotovelo e até dor de dente Mas eu tô
Quero ver essa galera cantando junto e contente. É o meu coração, é a casa do meu filho. Comida na casa dela tem um sabor diferente. O meu coração é a casa da nossa gente. Tem muita mãe sabendo muito bem o que eu tô falando, né? É verdade, muito filho também.
Mas tá muito gostoso, que nem colinho de mãe. A mãe da gente, a mãe da gente, é um caso diferente. Muito mais que comovente, que não dá pra comparar.
O que eu sei é que tudo que eu sou Simplesmente é o resultado das coisas Que mamãe me ensinou Das coisas que mamãe me ensinou Das coisas que mamãe me ensinou Das coisas que mamãe me ensinou Das coisas que mamãe me ensinou Carne assada que se preza Tem que ter aquela cor Se não quer mandar embora Mas não passa a hora com o seu amor Um bom dia, boa tarde Com licença, por favor
Tudo isso é o resultado das coisas Que mamãe me ensinou das coisas
A mãe da gente, a mãe da gente, é um caso diferente, muito mais que comovente, que não dá pra...
É que tudo que eu sou, simplesmente é o resultado das coisas que mamãe me ensinou Das coisas que mamãe me ensinou Quando o bicho tá pegando é melhor não se expor Na aflição faço uma prece pra Deus Pai, nosso Senhor
Pra um forte resfriado, só limão com cobertor Tudo isso é o resultado das coisas que mamãe me ensinou Das coisas que mamãe me ensinou Das coisas que mamãe me ensinou Das coisas que mamãe me ensinou Das coisas que mamãe me ensinou
E me leva logo pro doutor Das coisas que mama me ensinou Das coisas que mama me ensinou E não tem cama mais quentinha Que coberta de amor Quando bate ela chora Lá no fundo sente a dor Das coisas que mama me ensinou Das coisas que mama me ensinou A dona Lécia Brandão É minha mãe, é uma flor Das coisas que mama me ensinou
Ye ye ye mama Oh doyo mama Saravama Abadadab
Hoje é seu dia Em todo canto dessa terra mamãezinha Estão festejando seu dia Oh mama Hoje não é dia de chorar Até o vento está brigando com a tristeza Que lhe fez assim chorar
O mal que fez você chorar. Vai se acertar com as sete ondas, mamãezinha, E com o seu corpo do mar. Vem, bá! Ó, mamãe! Vem com seu filho balançar. Vem, ô! Nesse balanço que é um lenço para os olhos De quem vive a chorar. Vem, bá!
Vem balançar comigo, mamãe.
Primeira sequência de variados batuques de samba em reverência às mães. Lá no início, o mestre Cartola cantou Demigraça e Senhora, parceria dele com Cláudio Jorge. Depois, veio um batuque lá do Amazonas. A Casa da Mãe da Gente foi composta e cantada por Júnior, de Manaus. Ainda tivemos Lê Cibrandão, em As Coisas que Mamãe Me Ensinou, dela mesma, e Mama, de Efson, que você ouve ao fundo na voz de AGP. Samba da Minha Terra Samba da Minha Terra
Vem aí um pouquinho do xodó e do chamego envolvidos nas relações de filhas e filhos com manhinhas. Papo de Samba
E a linda clara lua Passe a mão no seu cabelo E o céu já vem caindo E o dia é o guário em seu balão O galo do liru do liru do liru do liru do liru do liru do liru do liru do liru Balanço O galo do liru do liru do liru do liru do liru do liru do liru do liru lá
Essa fofura aí é a voz ainda criança de Clara Lua, homenageada pela mãe, a sambista pernambucana Carina Spinelli, com A Valsa para a Clara Lua, presente num dos discos de Carina.
A MPB está cheia de exemplos dessa relação, com as homenagens partindo hora das mães para os filhos, hora dos filhos para as manhinhas. E há de tudo um pouco, desde marchinhas debochadas... Mamãe, eu quero, mamãe, eu quero, mamãe, eu quero, mamãe, eu quero, mamãe, gacho, teta.
Dá a chupeta, dá a chupeta pro bebê não chorar. Mamãe, mamãe, mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar. Dá a chupeta, dá a chupeta, dá a chupeta pro bebê não chorar. Há até ritmos bem tradicionais como o jongo, já declarado patrimônio da cultura brasileira.
O samba está entupido de versos e batuques em reverência às matriarcas do próprio samba, como Tia Ciata, Clementina de Jesus e Dona Ivone Lara. E as matriarcas religiosas, como Nossa Senhora, Mãe de Deus, que a gente ouviu há pouco num samba de cartola, ou as várias divindades femininas das religiões de matriz africana.
E claro, as matriarcas familiares não poderiam ficar de fora. Numa edição recente de Samba da Minha Terra, a carioca Teresa Cristina fez questão de atribuir à mãe dela, Dona Hilda, o bom gosto pelo samba de raiz. E as duas até ensaiaram um dueto.
Muita gente, quando eu comecei a fazer as lives, falava assim, como você sabe tanta letra de música, como você sabe tantas músicas diferentes, diversos ritmos. Todo o meu conhecimento musical se deu porque eu tenho uma mãe que ouve de tudo, desde criança.
Desde criança mesmo, cedo, seis, cinco, quatro anos. Minha mãe sempre cantou em casa, fazendo as tarefas de casa, e sempre botou, ligou rádio, sempre colocou discos para a gente ouvir. Então, essa cultura musical que eu tenho, eu devo muito à minha mãe, porque...
A gente tem que incentivar os nossos filhos, né? Com os nossos bons hábitos, assim. E a minha mãe sempre ouviu muita música em casa. Então esse meu gosto por aprender música e por gostar de pesquisar canções, isso vem muito dela, vem diretamente dela. Ela tá aí já? Ai, oiô, eu nasci pra sofrer. Fui olhar pra você, meus oinho fechou.
E quando só eu abri, quis gritar que esforché, mas você eu não sei porquê, você me chamou. Ai, eu, eu, tenha pena de mim, meu senhor do bom fim, pode até se zangar.
Se ele um dia souber que você que é, o Yui hoje é minha. Papo de Samba. Nessa mesma linha de aplausos às mães das nossas famílias, vem aí uma sequência de sambistas cantando suas respectivas manhinhas. Samba da Minha Terra.
Eu sou a filha da dona Lessy, mulher que mora no meu coração. E tudo aquilo que já construí, foi resultado dessa criação. Se sei de amor o estilo foi seu, se fiz sofrer ela não tem culpa. Esse meu jeito ela sempre entendeu.
Eu sou assim e não tenho desculpa. Gostoso é seu empadão e seu bolo de laranja. Tempera direito o feijão e na sopa ela esbanja. Respeito pra qualquer um, as rezas pra proteger. Olhar as pessoas de frente sem ter que temer. E se tenho educação? E se hoje estou aqui? Simplesmente porque sou a filha da dona Alessi.
E se eu for a sensação, se o sucesso explodir, eu jamais vou deixar de ser filha da dona Alessi. Eu sou a filha da dona Alessi. Vem na palma da mão. Quem é que mora no meu coração. E tudo aquilo que já construí, foi resultado dessa criação. Se ser de amor, isso não floresceu.
Se vir sofrer ela não tem culpa Esse meu jeito ela sempre entendeu Eu sou assim e não tenho desculpa Gostoso é seu empadão E seu bolo de laranja Tempera direito feijão e na sopa ela esbanja
Respeito pra qualquer um, as rezas pra proteger Olhar as pessoas de frente sem ter que temer E se tem educação, e se hoje estou aqui Simplesmente porque sua filha é da dona Alessi E se eu for a sensação, se o sucesso explodir Eu jamais vou deixar de ser filha da dona Alessi
São Pacote vai tocar, São Pacote vai sorrir, Pois trabalha e respeita essa filha da dona Alessi. E esse povo vai cantar, vai sambar e refletir, Se levar o CD dessa filha da dona Alessi.
Ou até a Buteol Palitão pra cantar com ela. Essa mulher tem um lugar muito especial na minha vida. Tudo samba também. Eu te agradeço, mãe. E reconheço teu valor. Um coração de mãe.
Que no teu ventre me guardou e foi o teu amor Que deu a luz da minha vida, exemplo de mulher Que batalhou pra meducar, remor, contra a maré E eu só posso me orgulhar, nunca perdeu a fé
Filho grande amigo que a vida me deu. Estou lembrando o dia que você nasceu. Eu pedi a Deus pra te dar caminho, pra te proteger e não te deixar sozinho. Hoje eu agradeço, ele me atendeu.
E quem sente orgulho Que você sou eu É a voz da razão Que tem no coração
Eu te agradeço mais E reconheço teu amor Um coração demais Que no teu vento me guardou E foi o teu amor Que deu a luz da minha vida Exemplo de Deus
Nunca perdeu a fé Minha mãe Filho grande amigo Que a vida me deu Estou lembrando o dia Que você me fez Pedi adeus
Pra te dar caminho, pra te proteger e não te deixar. Hoje eu agradeço, ele me atendeu. E quem sente orgulho de você doer? É a voz da razão que vem do coração. É a voz que é minha.
O nosso amor, Deus abençoou, é pra toda a mãe. Sambistas cantam suas mães. Você ouviu A Filha da Dona Leci, que a sambista Leci Brandão compôs em homenagem à mãe, de quem herdou o nome e o bom gosto musical. E ao fundo, Xande de Pilares canta Mãe, parceria dele com Gilson Bernini e Elinho do Salgueiro. Xande divide os locais com Dona Maura, mãe dele.
Samba da minha terra Do morro para avenida Do terreiro para o salão Por aqui passa o samba de tradição E o melhor da nova geração
Eu não tenho casa, eu moro em casa de mãe. Casa de mãe é bom, mas é casa de mãe. Eu não tenho casa, eu moro em casa de mãe. E quando querem meu chamego, não dá por causa de mãe. Aí está o rapper crioulo levando um trechinho de casa de mãe dele mesmo.
O programa de hoje é dedicado às manhinhas, às nossas matriarcas da família, do samba e das divindades. Eu sou José Carlos Oliveira e ajusto a sintonia e os podcasts da Rádio Câmara e das emissoras parceiras para uma sequência de homenagens às mães no universo do carnaval. Mais precisamente, no universo dos sambas de enredo. Ali nas telas pássaros.
Ilumina o terreiro do canto Que lindo arco-íris que Oxumaré pintou
Obrigado, meu Deus! A escola do povo e a sua felicidade em uma linda homenagem a mãe me vivia. Vem comigo! Vem comigo! Vem comigo! Bye, bye!
É a escuta do corpo! Bate a cabeça, abre a roda, precisa Mãe menininha do canto É a escuta do corpo!
Abra o caminho que vai passar A energia que emana do ouro Meus versos no acalanto de oloro E no arê, o pão tava quis mexer A borda girando e lê Na força do Sandomblé Vem da Bahia, o seu aché E lá das marcas o braço ecoou Oxó seu caçador, o que arô
Xangô, caô, cabecei Epa, reôia Oba, sire, oba O meu pai, o meu Xangô, caô, cabecei Epa, reôia Epa
Oba, sireuba, morre meu pai, o cair, a linda estrela está boa Ilumina o terreiro do canto, o ar Que linda tu isque, Oxumaré pintou Seguindo o caminho que a mãe sempre quis, na força, na fé e na mesma raiz Uma de oferenda pra te exaltar
E sinto que o amor resplandeceu O bem e o tom que Deus enviou Ora, quem é o justo? Vem nos abençoar Está hoje pra cantar De cabeça abre a porta pra soltar
Mãe piririnha do campo Obrigada, pai, pai! Maralho e eu chupo, vem me abraçar Canta aí, Gostou, Gostou! A bela que está hoje vai cantar Bate cabeça, vai roda pra saudar Gastão do povo! Mãe piririnha do campo Oh, Laroyê! Ei, Laroyê! Abra o caminho pro vai passar Meu presidente! Abre as portas! Ah!
Eu corria A musa se vestiu de verde e branco E o branco se fez canto Na razão do dia a dia A mãe baiana
Pesta o teu calor Eu quero amanhecer no teu polo Onde desde o jume rolo Isola minha dor Eu quero, quero te saltar nesta avenida Pra valorizar a vida Que a vida valorizou Oh minha mãe Mãe nega, sou a tua descendência Sinto tua influência no meu sangue e na cor E é a barata
Iê, a barra, a cara já já poeira Filho da mãe, preto eiro, fomem da mulher Ó, cola, pé, mamãe, cola, pé, lourum Ai, ei, eu, ai, eu, mamãe, eu, sim Ó, cola, pé, mamãe, cola, pé, lourum Ai, ei, eu, ai, eu, mamãe, eu, sim
Que beleza, gente! Baiana, baianinha boa, eu recuerdo um enfeitiço, Enfeitiçado, samba, decou. Baiana, mãe, baiana, é belo que eu sei gestão, Eu te adoro e adorando imploro.
Teu carinho maternal, te aceata, mãe amor. O teu feio samba alimentou, e a baiana se glorificou. E a baiana se glorificou, abre as portas, abre as portas do povo.
A musa se vestiu de peste-brã E os caras se vestiam Na razão do dia-dia, mãe baiana Mãe baiana, louco Que tu és tanto teu calor Eu quero amanhecer no teu bolo Pode ver que tu me rolo Isola minha dor Eu quero e quero te salta minha cabeça Pra valorizar a vida que a gente
A minha mãe me gastou a tua descendência E tudo a influência no meu sangue e na cor E eu sei que eu trabalho a cada cheiro Pelo tempo eu me libertou Pelo tempo eu vou aumentar no tempo Eu colo a fé mamãe, colo a fé loura
Caminhando pela Mata Virgem, Bravo Bandeirante encontrou. Grupos de nativos comentavam O que um trovão proporcionou. No céu, sem as estrelas, Mais um raio de luz se dirigia A gruta de uma alma encantada.
Era a mãe do ouro que surgia Ô papá, hola ô papá É a mãe do ouro que vem nos salvar Ô papá, hola ô papá É a mãe do ouro que vem nos salvar Num palácio, num palácio encantado Onde um tesouro existia
Pedras preciosas bem guardadas, que a mãe do ouro tem de tíria. Homens e mulheres dominados por imaginações e alegria. Salões enfeitados em múlti cores, dançavam até o louco.
É a mãe do ouro que vem nos salvar. Sim! Ô papá, tô lá ô papá. É a mãe do ouro que vem nos salvar. Caminhando, caminhando pela mata virgem. Pra mudar.
No céu No céu Se as estrelas Faz o raio de luz e de energia A cruz é de amar
O Palácio Encantado, onde um tesouro existia Pedras preciosas bem guardadas, que a mãe do ouro presidia Homens e mulheres dominados
Por imaginações e alegria Salões enfeitados em múlti cores Dançavam até o enfermo dia Oh papá, cura oh papá É a mais luz que vem nos salvar Oh papá
Prepare o seu coração Que lá vem A escola de emoção Lá vem A unidos do viradouro Oh mãe, tá boa Mãe, tá boa Pra depois parar
Ora, ieiê Oxum, seu dourado tem axé Faz o seu quilombo no abaeté Quem lava a alma dessa gente veste ouro É piradouro, é piradouro Ora, ieiê Oxum, seu dourado tem axé Faz o seu quilombo no abaeté
Quem lava a alma dessa gente veste ouro É viradouro, é viradouro Levanta a preta que o sol tá na janela Leva a camela pro xarel do pescador A alforia se conquista com o ganho E o balaia do tamanho do suor do seu amor
Mania, esses velhos areais Onde nossas ancestrais acordavam as manhãs Pra lutar, sem ter cheiro de gelim E a noixura do quindim, da pica de Itafuã O Camará ganhou a cidade
O erêndo, liberdade, canto das marias, bachado de indê, chama a freguesia pro batuqueixe. Camará ganhou a cidade, o erêndo, liberdade, canto das marias, bachado de indê, chama a freguesia pro batuqueixe.
São elas dos anjos e das marés Crioulas do Balangangã Oh iaia, ciranda de roda Na beira do mar Ganhadeira que bens E vai pro terreiro sambar Nas escadas da fé É a voz da mulher Xangô Ilumina a caminhada A balanje está fora
Um coral cheio de amor Caô o axé linda Bahia Nessa negra cantoria que Maria ensinou Oh mãe, insaboa, mãe, insaboa Pra depois quarar Oh mãe, insaboa, mãe, insaboa Pra depois quarar Oh mãe, em Teloçu, seu donado tem axé Faz o seu piloto no apaeté
Quem lava a alma dessa gente veste ouro É viradouro, é viradouro Ora, iê, iê, oxu Seu dourado tem axé Faz o sangue no lombolo, ah, ah, e, pé
Samba de enredo impregnados de chamego às manhinhas. Lá no início da sequência ouvimos Menininha, Mãe da Bahia e Alorixá do Brasil, de André Ricardo e outros seis compositores. Foi o samba de enredo da Vai Vai no Carnaval Paulistano de 2017 na voz de Grazi Brasil.
Depois vieram três sambas históricos do Carnaval Carioca, No Reino da Mãe de Ouro, de Rubens da Mangueira e Tolito com Jamelão e a Mangueira de 1976, Mãe Baiana Mãe, de Aloysio Machado e Beto Sem Braço, do Império Serrano em 1993, e Viradouro de Alma Lavada, que deu a Unidos do Viradouro o título de 2020.
O samba de Claudio Russo e outros oito compositores conta a bela história das mulheres e mães ganhadeiras de Itapuã, que ganhavam a vida lavando roupa, vendendo quitutes e heroicamente comprando suas alforrias e a de seus parentes durante o Brasil escravocrata. Samba da Minha Terra
Hora do nosso momento de poesia. Poesia do Samba
Nesse programa em homenagem às mães, a gente traz a bela mistura de samba e ritmos nordestinos para contar a saga de mulheres negras que serviam como mães de leite, alimentando milhões de crianças nos tempos do Brasil Colônia e Brasil Império. O reconhecimento à importância das chamadas Amas de Leite vem nessa poesia de Sivuca e Paulo César Pinheiro emoldurada na voz de Clara Nunes.
No sertão, mãe, que me criou Leite seu nunca me serviu
Preta Bá foi que amamentou Fio meu e o fio de meu fio No sertão mãe preta me ensinou Tudo aqui nós que construímos
E o tu tem sangue na gola Como tem todo esse Brasil. Olhei pros meus irmãos de Angola, África,
Olhe pra Moçambique, Congo, África. Olhe pra toda a nação, Banto, África. Olhe do tempo, do quilombo, África. Pelo bastão de Xangô e o caixangá de Oxalá. Filho, o Brasil pede a benção, mãe, África.
Pelo Bastão de Xangô e o Caxangá de Oxalá, Filho Brasil pede a benção de mãe África. Olhe pros meus irmãos de Angola, África, Olhe pra Moçambique com o África, Olhe pra toda a nação, Vanto África.
Olhei do tempo do Quiruongo África, pelo bastão de Xangô e o Caxangá de Oxalá, Filho Brasil pede a benção mãe África. Pelo bastão de Xangô e o Caxangá de Oxalá, filho Brasil pede a benção de mãe África. Olhei pros meus irmãos de Angola África.
Olhe pra Moçambique, Congo, África Olhe pra toda nação Banto, África Olhe do tempo, do quilombo, África Pelo bastão de Xangô e o caixangá de Oxalá Filho Brasil pede a benção, mãe, África
Pelo bastão de Xangô e o Caxangá de Oxalá. Filho Brasil, pede a bênção de Mãe África. Mãe África dos poetas Sivuca e Paulo César Pinheiro é a nossa poesia do samba de hoje. A interpretação foi de Clara Nunes. Poesia do samba. Além disso, mulher, tem outra coisa. Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar.
Tenho minha casa pra olhar
Mestre Adoniram Barbosa introduz a nossa sequência saideira de reverências, xodós e chamegos às manhinhas. Do samba de raiz ao samba de enredo, praticamente todas as vertentes de sambistas homenagearam as variadas figuras maternas, como você vai conferir em batuques de Francine Lobo, de Cro e mestre Dorival Caymmi. Samba da minha terra. Ai, minha mãe, minha mãe menininha.
Ai, minha mãe, menininha do Gantoá. Ai, minha mãe, minha mãe, menininha. Ai, minha mãe, menininha do Gantoá. A estrela mais linda, hein, tá no Gantoá. E o sol mais brilhante, hein, tá no Gantoá.
A beleza do mundo, hein? Tá no ganduá E a mão da doçura, hein? Tá no ganduá O consolo da gente, ai? Tá no ganduá A Oxum mais bonita, hein? Tá no ganduá Ô louro que mandou essa filha de Oxum Toma conta da gente de tudo cuidar Ô louro que mandou, eê, ô Ora, iê, ô
Oraieô, oraieô Ó lorum que mandou essa filha de Oxum Toma conta da gente de tudo cuidar Ó lorum que mandou, eeeô Oraieô, oraieô Ai minha mãe, minha mãe menininha Ai minha mãe, menininha do ganto ar
Ai, minha mãe, minha mãe, minininha do Gantua. Tchau, tchau.
Ritmista troca de escola de chama Mestre sabe com a cabadeira também Diretoria Mas a caiana permanece firme no seu pavilhão
E salve, salve as baianas, as mães do samba, mola, mestra da agremiação Salve as baianas, e não troca a sua escola nem por um milhão Salve as baianas, as mães do samba, mola, mestra da agremiação
Salve as baianas que não trocam sua escola nem por um milhão Porque elas merecem todo o respeito por tudo que já tem feito na avenida Trabalham 24 horas por dia, isso porque a folia é sua vida
Foi mulata, foi passista Chora na derrota Sorri na vitória Parabéns, parabéns, parabéns Ô Baiana, hoje é o seu dia de glória Parabéns, parabéns, parabéns Ô Baiana, hoje é o seu dia de glória Roda Baiana pra levantar o astral E você é a rainha do meu carnaval
Pra levantar o astral Mas você é a rainha do meu caralho atalho Salve as baianas As mães do samba, a mola, a mestra da reviação Salve as baianas Que não troca sua escola nem por um milhão Salve as baianas As mães do samba, a mola, a mestra da reviação
Salve as daianas!
Mamãe foi pro samba Sambou a noite inteira sem parar Ai, ai, mamãe rainha da gafieira Sambando toda faceira Porta-bandeira do eterno bem-estar Mamãe
Sabe que é bambi, tem talento pra gastar Mamãe, sempre foi seu maior fã Você tem a manha de entristecer, mas nunca se entregar Mamãe, não brinca em serviço Papai falou sobre isso Mamãe é muita mulher
Só que ela entende de amor nasceu pra se dar Quando ela quer samba, deixa a samba Samba, mamãe Mamãe, vou pro samba Samba a noite inteira sem parar Mamãe, a linha da capoeira Faça escasinha inteira Porta-bandeira do eterno bem-estar Mamãe, mamãe, é do samba
Quando se derrubar Em distância, mas nunca se pegar A mãe não fez isso A batalha ou sorris A mãe é muita mulher Como só Só aquela empresa E te aluga a segunda cidade Quando ela quer sambar, deixa sambar
Mãe foi pro samba, sambou a noite inteira sem parar Olha, tua mãe, rainha da carteira, fascista sem ninguém pena Corta a bandeira do eterno que ele está
Sequência saideira do programa em homenagem às mães. Tivemos oração de Mãe Menininha, composta e cantada por Mestre Dorival Caymmi. As Mães do Samba de Dicró e Pongá, com Dicró, em reverência às baianas das escolas de samba. Mãe de Samba de Carlinhos Brau, com Atibalada. E Samba de Mãe, cantada e composta por Francine Lobo. Só que a imprensa de amor nasceu pra se dar, quando ela quer samba, deixa eu dar.
Para celebrar o Dia das Mães, Samba da Minha Terra trouxe xodóis e chamegos às manhinhas, em forma de variadas vertentes do samba. O programa teve trabalhos técnicos do Sonopasta Tony Ribeiro, a apresentação e pesquisa de José Carlos Oliveira. Se você quiser conferir de novo essa e as edições anteriores, basta visitar a página da Rádio Câmara na internet e procurar por Samba da Minha Terra. O programa também está disponível em podcast. Abração para todo mundo, até a próxima!
Samba da Minha Terra. Uma produção da Rádio Câmara, transmitida também pelas rádios parceiras em todo o país. Apresentação e pesquisa, José Carlos Oliveira. Até amanhã, se Deus quiser. Se não chover, eu volto pra te ver, a mulher.