Faith No More em São Paulo: sonzera, surpresas e PORRA CARALHO!
by Luis Salsicha
A última passagem do Faith No More por terras brasileiras aconteceu em 2011, quando a banda se apresentou no, infelizmente extinto, festival SWU, em São Paulo. “Non é São Paulo, és Paulínia.”
Naquele show, a banda surpreendeu e se apresentou totalmente vestida de branco e com o palco repleto de flores, ao melhor estilo terreiro de umbanda. E foi com este visual que a banda subiu ao palco do Espaços das Américas, na noite do dia 25 de setembro de 2015.
O Show do Faith No More em São Paulo
Com ingressos esgotados, o show do Faith No More acabou atrasando um pouco. Afinal, não paravam de colocar flores no palco. Mas, lá pelas 22:20, Mike Patton e sua trupe iniciaram os acordes sombrios de “Motherfucker”, excelente single do novo disco, Sol Invictus.
O público veio abaixo. E eu no meio! Sabíamos a porrada que tomaríamos na cara.
E ela veio duplicada, com “Land of Sunshine” e com a cachorrada comendo solta em “Caffeine”, ambas do Angel Dust.
A primeira surpresa da noite apareceu rápido: “Everthing’s Ruined”, uma música que não costuma estar presente nos atuais setlists da banda. E ela veio perfeita. O público animou ainda mais. Patton retribuiu cantando a música seguinte, “Evidence”, em português. Começamos a gritar “porra, caralho”, mas Patton avisou: “non, ainda non. Temos tempo ainda”.
E então, o Espaço das Américas veio abaixo. “Epic” puxou um coro incrível da plateia que não parou um segundo. E até cantou os solos da guitarra. Foda demais!
Em seguida, a banda tocou a excelente “Sunny Side Up”, outro destaque do novo disco. “Midlife Crisis” veio logo depois, junto com o famoso “porra, caralho”. “Sacanageeee, brasileros”, está é análise sobre o que foi aquilo. Quem estava lá, sabe o que estou dizendo.
Mais uma surpresa veio na sequência, “Chinese Arithmetic”, pesada demais com o baixo estalando de Billy Gould e pelas marteladas de Mike Bordin na bateria. O peso foi fortalecido por “The Gentle Art of Making Enemies”. Zumbidos nos ouvidos.
O coro voltou quando a banda iniciou “Easy”. Poucos isqueiros e muitos celulares. Muitos! Ficou até chato. Dá a impressão que o pessoal só vai em show para trabalhar como freelancer de cinegrafista. Mas, ela foi monstruosa. É incrivel ver a versatilidade da banda e ter o dom de transformar músicas, que fogem do som natural da banda, em grandes hinos.
“Separation Anxiety” veio em seguida. A minha preferida do novo álbum. Pesada e recheada de gritos bizarros e riffs muito bem executados por John Hudson. Assim, como a próxima canção, “Matador”, outro ponto alto e incrível de Sol Invictus. Um desfile criativo de riffs e versos que navegam pela calmaria e peso da banda.
Peso mais que confirmado com as últimas canções, antes do bis. “Ashes to Ashes” e, a nova, “Superhero” fecharam muito bem a primeira parte do show. Mike já ensaiava os seus famosos “tchaus” e elogiava a noite, “legal, legal… suuuuuper legal”.
Após um breve intervalo, a banda retornou para tocar mais três canções, todas elas não presentes em seus setlists atuais. Só surpresa da boa para os fãs. “The Crab Song”, a poderosa “From Out of Nowhere” e a magnífica “I Started a Joke”. E que voz tem esse Patton, putaquepariu!
Foi isso. Um show feito para os verdadeiros fãs, que não ligaram em derreter na quente noite paulistana, que cantaram e abraçaram calorosamente uma das melhores, bizarras e incríveis bandas da atualidade, Faith no More.
Faith No More em São Paulo – 24/09/2015 – Setlist
Motherfucker
Land of Sunshine
Caffeine
Everything’s Ruined
Evidence (Portuguese version)
Epic
Sunny Side Up
Midlife Crisis
Chinese Arithmetic
The Gentle Art of Making Enemies
Easy (Commodores cover)
Separation Anxiety
Matador
Ashes to Ashes
Superhero
The Crab Song
From Out of Nowhere
I Started a Joke (Bee Gees cover)