252- House of the Dragon | 3º temporada |
A DISPUTA PELO TRONO DE FERRO CONTINUA!! Chegou a hora de bater um papo COM SPOILERS sobre a nova temporada de House of the Dragon (showrunner Ryan Condal) disponível no HBO MAX! Já assistiram? O que acharam? Aperta o play e vamos bater um papo!
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- A 3ª temporada de House of the Dragon e a continuidade da narrativaganchos fortes das temporadas anteriores·passagem de tempo quase zero·episódios iniciais como encerramento da 2ª temporada
- O primeiro dia do reinado de Rhaenyra e os desafios políticos e sociaisfalta de ouro nos cofres·povo morrendo de fome·saque dos estoques dos nobres
- A conquista do Trono de Ferro por Rhaenyra e a questão do patriarcadomulher no Trono de Ferro·contradição com Game of Thrones·história de Rhaenyra apagada no futuro
- A relação entre os montadores e seus dragões e os sacrifícios envolvidosmudança da pessoa ao se conectar com o dragão·abrir mão de tudo pelo título·custo de ter um dragão
- A tensão entre o poder dos Targaryen e a visão da igreja sobre os dragõesRhaenyra busca reconhecimento da igreja·Targaryen se sentem deuses·igreja enxerga dragões como demônios
- Os pontos baixos da temporada e a estagnação da personagem Rhaenyraprimeira metade superior à segunda·Rhaenyra como líder passiva·promete muito e não entrega
Olá, e aí, meus amigos, tudo bem? Sejam super bem-vindos ao Sessão A6. Me chamo Lucas Ribeiro. Demorou bastante, mas chegou a hora de bater um papo sobre a novíssima 3ª temporada de House of the Dragon. Tô um pouco rouco hoje, mas isso não vai de forma alguma impedir que a gente tenha uma discussão maravilhosa hoje, tá certo? A House of the Dragon é uma série que me agrada bastante, as duas temporadas foram excelentes. Já conversamos sobre as duas, vou deixar os links na descrição pra quem quiser escutar depois, tá certo?
Peço desculpas por esse episódio tá saindo bem depois da data que deveria, né, o sábado que deveria. Semana passada foi meu aniversário, uma semana extremamente agitada, mil coisas pra fazer. Se fosse pra lançar dentro do prazo, teria que fazer de qualquer jeito só pra dizer que postei. E vocês merecem muito mais do que isso, né? Hoje eu quero trazer aqui com spoilers um papo sobre os Targaryens e os Hightowers, além da discussão muito interessante sobre política versus religião, as maiores batalhas, as principais mortes da temporada e mais um monte de coisa.
Então estão avisados, tá bom? Teremos spoilers, espero que já tenham visto e bora começar. Bom, a sinopse é a seguinte: a 3ª temporada de House of the Dragon aprofundou os eventos dramáticos da Dança dos Dragões, com Rhaenyra conquistando o Trono de Ferro e enfrentando crises financeiras e confrontos brutais em Westeros. O showrunner e cocriador é o Ryan Condal, tá com a gente desde a 1ª temporada. É baseado no livro de George R.R.
Martin chamado Fogo e Sangue, e todas as 3 temporadas já estão disponíveis no catálogo do HBO Max. Tá, vamos lá. Como falei, adoro a série, acho fantástica. Nunca li nenhum livro do George R.R. Martin, mas uma coisa em comum que as duas primeiras temporadas têm é terminar com ganchos muito fortes que me fazem implorar por mais 10, 15 minutos ali naquela história. E ao invés disso, a gente tem que esperar uns 2 anos para saber o que acontece.
Na primeira, o Lucerys, o filho da Rhaenyra, morre com seu dragão enquanto é perseguido pelo Aemond. Na segunda, todo mundo ali se movimentando para travar uma super batalha, né, vários exércitos se reunindo e dragões se preparando. E como eu não lembrava de muita coisa, né, como sempre, porque ninguém mandou fazer um intervalo de 2 anos, ninguém lembra de nada depois que 2 anos se passaram, pelo menos eu, né. Lá fui eu rever a segunda temporada e pra minha surpresa aqui a gente volta exatamente onde paramos.
Rhaenyra recalculando a rota depois das informações que recebeu da Alicent sobre King's Landing estar vulnerável, né, depois que o Aemond foi embora com seu dragão. Então quem também reassistiu ou só lembrava de tudo que tinha acontecido vai sentir que não passou tempo algum. A passagem de tempo aqui é quase zero, a continuidade é direta, mas aí é que tá. Como a temporada passada a gente terminou a história praticamente na metade de tantos ganchos que tinha, vi muitos de vocês falando, e eu concordo, que os 2 primeiros episódios aqui, por serem tão focados na guerra e na chegada da Rhaenyra ao trono, que esses sim encerram a 2ª temporada muito bem.
É como se os 2 primeiros episódios fossem o encerramento da 2ª e a 3ª temporada começasse só a partir do 3º episódio, sabe? E eles super poderiam ter feito isso. O gancho do 2º episódio Alice vendo a cabeça do seu pai que acabou de morrer pela Rhaenyra sentada no Trono de Ferro pela primeira vez, poderia demais, poderia tranquilamente ter sido o final da segunda temporada. Não sei o que vocês acham. Inclusive, eu estranhei muito que uma coisa tão, tão aguardada já foi conquistada logo no segundo episódio.
Me pegou totalmente de surpresa. E outra, já faz um bom tempo que eu não vejo Game of Thrones, mas não tinha aquela coisa de que nunca na história uma mulher sentou no Trono de Ferro e que a Cersei teria sido a primeira. Eu tava acompanhando House of the Dragon já sabendo que Rhaenyra de alguma forma ia perder, sabe? Aí no segundo episódio ela toma King's Landing e fica com a coroa. Quando isso aconteceu, eu fiquei tão confuso, achei tão contraditório com o jeito patriarcal que Game of Thrones sempre se vendeu, que eu fui atrás, né?
Realmente fiquei curioso. E infelizmente peguei uns spoilers do que vai acontecer no futuro da série. Pra quem não sabe, vamos só dizer que no futuro alguém faz questão de que a história de Rhaenyra como rainha seja apagada e que no futuro ninguém tenha registro disso, né? O que explicaria porque que em Game of Thrones tem toda essa questão de uma mulher nunca ter sentado no trono até a chegada da Cersei. Inclusive, ouvintes, leitores dos livros, eu quero muito saber o que vocês estão achando da série, se ela é fiel, se as mudanças criativas são bem-vindas, ou se o showrunner tá fazendo besteira.
Vocês aí que sabem, né? Bem mais mais forte do que eu, inclusive. Sobre os pontos altos, cara, tem muita coisa que dá para trazer. É uma temporada bem forte, bem rica em termos de qualidade de roteiro, é muito bem escrita. Então acho que eu começaria por isso. Dessa vez a gente acompanha uns arcos narrativos extremamente interessantes, e às vezes até com os personagens que eu não tava dando nada. A saga da Reina abrindo mão de tudo para ter um dragão completamente descontrolado, é assim, nossa, é extremamente interessante, muito, muito bom, é muito falado aqui sobre a mudança que a pessoa sofre, né, quando ela se conecta com o dragão.
A Reina, os bastardos lá, o Ulf, o Rio, todos eles tinham expectativas de que um dragão mudaria suas vidas e as pessoas perto deles, mas na verdade eles abriam mão de tudo para ter o título de montador de dragão, né. Reina largou a civilização basicamente para morar numa caverna. O Ulf Não pôde mais frequentar o bar aonde ele vê os amigos, e o Rio só queria proteger a esposa e a filha, que ambas acabam mortas, infelizmente. Então, um tema bem presente nessa temporada, com certeza, foram os dragões e como eles podem ser interpretados, dependendo da pessoa.
Do ponto de vista de quem monta um dragão, até que ponto você tá disposto a ser aceito por ele? E se o custo fosse abrir mão das pessoas que ama? E se fosse a morte das pessoas que ama? Como se ter um significasse pagar um preço, né? Tudo vem com custo. A história de Reina em especial, cara, me deixou completamente interessado nela, sem ter a menor ideia assim nunca de qual rumo tomaria. E isso foi fantástico, quase como se ela tivesse um relacionamento tóxico com o seu dragão, como se ele tivesse fazendo ela de refém ali na caverna.
E eu fico muito curioso para saber de vocês também se vocês realmente acham que ela foi a responsável direta pela morte do filho mais velho da Rhaenyra. Porque para mim, realmente, ela ter aparecido ali na batalha do primeiro episódio foi uma complicação, mais atrapalhou do que ajudou. E ela sim perseguiu seus aliados, inclusive o filho mais velho da Rhaenyra, mas dizer que ela matou ele eu acho um pouco forte assim. Claro que ela contribuiu indiretamente, mas quem deram ali os golpes finais tanto no dragão como no menino foram justamente aqueles piratas, né, aquela triarquia, sei lá o nome.
Realmente eu não sei se dizer que Reina foi a única responsável é a coisa mais correta a se dizer, né, assim, cá entre nós. E outra coisa, o Jace, eu acho que é Jace, né, o nome daquele menino que morreu, ele nem devia estar ali. Essa mentalidade jovem, adolescente, de que, ah, eu consigo sozinho resolver todos os problemas dos adultos aqui, que eles não estão conseguindo, mas eu vou conseguir, é uma coisa tão de jovem impulsivo, sabe, que ele também é responsável pela sua própria morte, cá entre nós.
E agora outra expectativa super legal que essa temporada traz é o olhar dos dragões também para o lado religioso e como a igreja enxerga aqueles que criam, montam e endeusam os dragões. A pauta do poder dos Targaryen contra a igreja foi um mega destaque aqui e outra coisa que eu jamais esperaria que ganhasse tanta atenção e ainda assim foi excelente. Essa questão da Rhaenyra querer ser reconhecida como rainha pela igreja para deixar claro para todo mundo que os deuses estão do lado dela e que ela é a escolhida, a profetizada, mas eles não querem reconhecer.
E ela sente que precisa da aprovação deles, apesar de ter vários dragões que são símbolo de poder. Muito, muito bom. E tem tudo a ver com o momento que ela tá passando ali na hora, né? Porque essa urgência também vem do fato de que eles não têm ouro, foram roubados, não tem como sustentar a guarda real, a população, não tem segurança nas ruas, o aumento da violência, né? Consequentemente, o povo com fome, o seu reinado sendo afetado por interferências das casas rivais.
E de repente você entende porque é tão urgente para ela esse reconhecimento, essa legitimidade da igreja, né, de que ela é realmente a escolhida. Mas voltando para os dragões, eles ainda fizeram o paralelo de que a indiferença entre os Targaryen e a igreja vem de que os Targaryen conseguem montar dragões e se sentirem superiores, se sentirem deuses, ou que tem a ilusão de que controlam, que dominam deuses, enquanto a igreja os enxerga como demônios mesmo, né?
É monstros incontroláveis que só sabem destruir, que não constroem nada, só trazem assim tristeza e destruição. E os designs dos dragões aqui são muito bons, detalhados. Temos vários momentos em que vemos de perto a aparência deles. Isso ajuda a entender o lado da igreja também, né? É, por exemplo, aquele dragão da Reina, design dele você olha e já pensa que que é um dragão selvagem realmente, né? Até tem uns dragões bonitinhos, mas tem outros assim que realmente tem que mandar abençoar e fazer uma oração antes, tipo o dela realmente, Sheepstealer, né?
Aquele dragão é completamente descontrolado. Então eu amei como a história deixa claro que dependendo de qual parte dos Sete Reinos você esteja, vai definir qual olhar você vai ter sobre os dragões, né? Se eles são uma bênção ou uma praga, né? Um fardo. Tem muita coisa bem escrita aqui nessa temporada, de verdade. A melhor prova disso é o final do episódio 2, onde Rhaenyra, se eu não me engano, matou uma pessoa pela primeira vez, né, decapitando o Otto Hightower.
E na medida que caminha até o trono, vai deixando pegadas com o sangue dele. E logo em seguida, a câmera tá mostrando ela andando até o trono só pelo reflexo do sangue dele no chão. Nossa, aquilo ali foi lindo demais! São questões de segundos, é muito rápido, mas tem um simbolismo tão carregado ali de que no momento mais sangrento da sua vida até então, né, estando em desvantagem por tanto tempo Negligenciada por tanto tempo, perdeu tantos aliados, perdeu os dois filhos.
E é pisando no sangue daqueles que se sacrificaram pra ela chegar ali que ela senta pela primeira vez no Trono de Ferro, né, tomando o lugar que a gente sabe que seu pai desde o início sempre quis deixar pra ela como sucessora. A direção, o foco da câmera pra essas cenas mais importantes, pros personagens e o que eles escolhem destacar, pra mim, não só é a assinatura criativa do showrunner ali, como também deixa a narrativa mais rica, né.
Mais interessante de assistir, mais dramática. E por falar em drama, atuação excelente ali naquela cena. Emma D'Arcy naquele momento completamente acabada pelo luto, acabou de saber que o filho morreu, seu primogênito, seu herdeiro. E é justamente no seu momento mais baixo e quando tá mais fragilizada que conquista o que deveria ser o maior ápice da sua vida, né, a maior conquista da sua vida, o maior objetivo que ela sempre quis, que a gente acompanhou há anos.
Por isso que a cara dela sentada no trono é de completa fragilidade. E eu mesmo esperava uma coisa bem mais empoderada, que ela tivesse uma reação bem diferente, que a gente visse no olho dela a sensação de realização, né, de que finalmente conseguiu o que queria. Mas foi aquilo que a gente conversou sobre os dragões: a que custo, né? Eu consegui, mas sobrou alguém para ver? Esse contraste é muito perceptível pela atuação da atriz, principalmente.
Uma das melhores cenas da temporada, com certeza. Mas é o melhor episódio? Queria saber o de vocês. O começo da temporada é muito forte, mas meu favorito seria o terceiro, que é basicamente a gente acompanhando o primeiro dia do seu reinado, né? O que ela tá fazendo, para onde ela vai. A gente fica grudado com ela nas 24 horas, né? Com quem que ela tá falando. Ter acesso aos bastidores de um dia tão importante para ela, né? Ter esse tipo de exclusividade e fazer disso o tema do episódio inteiro.
Foi nota 10. E a narrativa desse episódio assim merece um prêmio. Pra mim, o terceiro episódio dessa terceira temporada é uma grande aula de política, extremamente sofisticado, dilemas e falas que parece que a gente está falando de hoje. E o tempo foi muito bem usado, né? Eles conseguem abordar um monte de coisa, tudo com várias camadas. É o tipo de coisa que eu até indicaria pra quem não assiste a série. Dá pra apreciar só esse episódio isolado de tão bom.
Eu super voltaria pra ver ele, inclusive. Essa ideia de que na primeira oportunidade de que ela é rainha, isso é retratado não como uma conquista, mas como um grande fardo, foi uma ótima subversão das expectativas. Ela pede pelo seu lugar no trono por muito tempo, uma guerra que se iniciou por causa disso, e agora que finalmente conseguiu, do início ao fim é retratado pelo lado do peso da responsabilidade, como um trabalho mesmo, né?
Você termina o episódio dando graças a Deus que você não é a Rhaenyra. Eles descobrem que não tem ouro nos cofres, saquearam os cofres antes dela chegar. O povo tá morrendo de fome e vivendo na miséria por conta do bloqueio comercial como estratégia de guerra que o próprio lado da Rhaenyra na guerra criou, né? Foi culpa deles desse bloqueio, que esse bloqueio aconteceu. Então assim, mil e uma mudanças precisam ser feitas, todo mundo tem uma cobrança diferente dela e sem nenhum recurso para transformar essas mudanças em realidade.
Não posso deixar de fora a cena da primeira vez em que ela escuta os pedidos dos plebeus, né, e ter esse primeiro impacto de como tá a situação do reino. E a parte daquela moça com uma fala genial perguntando o que a Rhaenyra ia fazer sobre os nobres que usaram suas riquezas para estocar comida durante o bloqueio comercial, deixando os pobres mais lascados do que já estavam, né. Até porque na segunda temporada Rhaenyra tenta se vender muito até como estratégia de guerra também, como a mulher do povo, aquela que pensa na plebe, aquela que dá comida aos que precisam, que se depender dela ninguém fica com fome.
Como que a mulher do povo mantém esse título que ela mesma criou com todo mundo passando fome? E aquele questionamento ali foi genial: o que você vai fazer sobre isso? Só que mais genial ainda foi a solução que ela bolou, mano. Ela saqueou os estoques dos nobres pra devolver pros pobres. Na hora eu até pensei, a Rhaenyra acabou de taxar os super ricos com comida? Eu acho que foi isso que ela fez mesmo. E ainda mostrando pros nobres o que o resto da cidade precisa comer, né, todos os dias.
E o diálogo daquela cena foi tão lindo e atual que eu até parei pra anotar. Eu tenho aqui comigo porque eu preciso compartilhar com vocês. A moça da nobreza fala, ah, você deixaria nossas famílias passarem fome? Aí ela diz: eu não deixaria ninguém passar fome, faria com que os que têm muito administrassem seus recursos com zelo e cuidarem dos que têm pouco, como um pastor cuida de suas ovelhas. Para mim isso é impecável, é político, tem conotações religiosas, e levando em consideração que a gente tá em ano de eleição, ainda por cima é extremamente atual e sofisticado.
Rhaenyra tá achando os super ricos. Eu achei genial você mostrar seu reinado não com o glamour da realeza, o que seria muito fácil fazer, mas como um fardo que independente do que fizer não tem como agradar todo mundo. É genial, é surpreendentemente realístico. O melhor episódio dessa temporada, assim, sem dúvidas, na minha opinião. Agora vamos seguir para os pontos baixos da temporada. Não acho que são muitos, mas vale trazer.
Pessoalmente, a primeira metade, né, os primeiros 4 episódios são muito superiores à segunda metade. Do meio para o final ainda temos ótimos momentos, mas volta a ser mais do mesmo assim para mim, no sentido de ter uma fórmula mais, mais parada, muitos diálogos às vezes sobre as mesmas coisas. Por exemplo, tem um papo muito grande aqui sobre a pessoa que a Rhaenyra tem que ser, né, os sacrifícios que precisam ser feitos para ela como rainha suportar o peso da coroa, né, o peso das responsabilidades.
A Alicent fala disso, o Daemon fala disso, e ela fica muito presa no meio do caminho entre querer honrar o pai que ela teve, o rei bondoso que ele era, com o lado sanguinário e dominador que alguns Targaryens têm, ou que alguns líderes, alguns reis no geral têm, né, de comandar e exigir respeito através do medo e da violência. E ela fica naquele meião, sabe? Ela não é o pai dela e reconhece os defeitos do reinado de seu pai, ao mesmo tempo que se recusa a sair matando todo mundo por aí só para ter o respeito dos outros.
O que me incomoda é que eles demoram muito para tomar qualquer decisão sobre ela. Na verdade, a série termina e para mim ela continua sendo a mesma pessoa, só que com uma roupa, uma armadura e uma maquiagem muito mais legal, como a gente viu no último episódio. Muita cena dela pensando o que tem que fazer, muita cena dela chorando, às vezes com razão, né? Eu preciso ser justo também. Mas até agora Rhaenyra tem sido mostrada como uma líder muito passiva, até mesmo antes de virar rainha.
Na segunda temporada ela já era assim. E eu sei que tem muito machismo envolvido nisso, a própria série fala e aborda esses elementos, o que eu acho muito importante, mas no geral ela perde muitas oportunidades de ser uma boa rainha, sabe? Talvez eu mude de ideia no futuro, mas chegou uma parte da história dela que era muito mais do mesmo. Quer resolver tudo, mas não faz nada. É, fala muito e faz pouco. Não ganha destaque o bastante para ser uma grande estrategista, mas também não deixam ela na linha de frente nas grandes batalhas.
E ela fica naquela zona broxante de quem promete muito e não entrega, sabe? Eu adoro a Rhaenyra, é uma das minhas personagens favoritas, se não a favorita. E é justamente por isso que me frustra essa sensação de que chega um ponto na história que parece que ela estagnada. Eles não sabem muito o que fazer com ela. Ela é muito passiva, cara. Se de vez em quando ela se permitisse ter algumas conquistas, se a história permitisse a ela dar algumas conquistas, solucionar alguns problemas ela mesma, a gente estaria tendo uma conversa bem diferente.
A quantidade de personagens aqui que falam que estão do lado dela, mas na verdade tentam manipulá-la ou então passar a perna nela, é muito chato assim. E eu fico com pena porque eu acredito realmente que ela merece mais. Aí eu achei muito hipócrita aquele papo de não querer reconhecer os bastardos da sua mão, né, do Corlys, como legítimos herdeiros, sendo que na temporada passada ela literalmente abriu mão da tradição para colocar bastardos como montadores de dragões, né.
Bastardos sempre foram marginalizados e ela foi contra isso. Ela deu uma chance aos bastardos para ter uma chance ao trono, né. Ela chegou aonde chegou porque abraçou a ideia de que realmente os bastardos são a melhor opção que ela ela tem e funcionou. Aí quando chega no trono ela volta atrás e diz que não vai colar bem para ela e nem para os seus herdeiros se for legitimar os bastardos dos seus aliados, sabe? A reputação inteira dela, cara, é em cima dos bastardos, sempre foi.
E eu achei que a gente já tinha falado disso, abraçado isso, achei que a gente já tinha avançado essa questão, mas pelo visto não, o que foi decepcionante. Eu entendo ela, para ser justo, mas é decepcionante. Outra razão que achei a segunda metade da temporada menos interessante é o foco nas coisas que pessoalmente não me interessam e também nas oportunidades perdidas. Aquele arco do Eamon em Harrenhal, que eu acho que é Harrenhal, né?
Enfim, aquele arco do Eamon em Harrenhal de casalzinho com aquela bruxa, a Alice, nossa, aquilo ficou chato muito rápido. Eu não vou com a vibe gótica, sensual, escura de Harrenhal. A Alice eu acho uma chata O possível relacionamento deles dois não poderia me interessar menos. E achei engraçado que até os próprios personagens que iam conhecendo ela, a Alice, o Egon, ficavam que nem eu, né? Olhavam para ela, encaravam e ficavam tipo, gente, quem é essa?
Porque é uma aleatória, realmente. A quantidade de vezes que essa mulher apareceu aqui nessa temporada foi chocante assim. De oportunidades perdidas, eu não sei se vai chegar a acontecer, mas eu esperaria muito Um duelo entre Daemon e Aemond, que são os mais doidos, ensurpados e violentos de cada lado da guerra, né? No caso, tô falando tio e sobrinho ali na porrada. Seria icônico. Jurava que no final ia vir e não veio, né, a batalha.
Não sei se um dia vai vir, mas se for, tá demorando horrores. As sequências de guerra aqui são ótimas, nada a reclamar, mas eu senti falta de mais personagens importantes duelando, né? Poderíamos ter tido um pouco mais disso. Por último, acho válido a gente falar bem rápido sobre o incesto. Olha, qualquer pessoa que já tenha visto Game of Thrones ou House of the Dragon sabe que é comum pessoas da mesma família se casarem, namorarem, beleza, né?
Até para manter a linhagem, casamentos arranjados são muito comuns, né? Não é como se eu não soubesse disso, eu quero deixar bem claro, tá bom? Mas essa temporada aqui, por algum motivo, me incomodou mais do que as outras. Eu sei que é uma questão pessoal, não é uma falha de roteiro nem nada, é só só um desabafo mesmo, porque eu acho que eles nunca se inclinaram tanto nessa questão como nessa temporada. Tios disputando a mão da sobrinha, Eamon beijando a própria mãe, tem uma ilusão dele, né, transando com a Alice.
E eu só pensando, gente, o que é que eu tô assistindo, pelo amor de Deus? E a gente vê que a Alice ficou super incomodada, até porque é o filho dela, né, sendo que nessa realidade é super normal um irmão casar com outro, o tio casar com a sobrinha, mas é o filho com a mãe que é passar dos limites? Vez. As regras do que é considerado normal e do que não é nesses 7 reinos aí não faz muito sentido para mim, eu acho tudo bizarro. Mas era só para dizer que dessa vez me surpreendeu como isso foi um fator mais forte na história dos personagens aqui, né?
Às vezes assim, de uns jeitos que eu preferiria que não fosse, mas beleza. Seguindo para os personagens, dessa vez vamos fazer diferente, quero falar dos que eu ainda não coisa breve. Começando pelo arco do Aegon, Aegon Targaryen, que foi bastante interessante. No início pareceu ser uma jornada de redenção, né, aquela fuga dele de King's Landing que ele fez no final da temporada passada, que sem seu dragão e sem poder nenhum como rei ele se tornaria um homem decente.
Mas aí a série chega mais uma vez e subverte totalmente as nossas expectativas, e ele se mostra a mesma pessoa horrível que a gente conhecia, né, ainda mais com a revelação de que seu dragão de alguma forma está vivo E eu gostei disso, de que a jornada por uma vida mais humilde não fez ele aprender nada e só perceber que ele é um bosta mesmo, e de que gosta de se sentir superior quando volta a ter qualquer tipo de poder. Egon antes era só um mimado chato.
Esse desenvolvimento dele tá prometendo aí um vilão de respeito na próxima temporada, né? Só sei que tá ficando mais interessante para mim, e isso tem sido uma surpresa bem positiva. E tá numa vibe bem Coringa, né, rindo alto, rosto todo queimado, bem, bem performático. Tô achando promissor, não sei vocês. Agora, Aemond Targaryen e Alice, como eu falei, eles são um saco. Aemond costumava ser o único personagem que realmente me assustava por aparentar ser doido e imprevisível, mas aqui ele foi só chatão assim.
Sei que falei agora há pouco de uma futura batalha entre ele e o Daemon, Mas também me surpreendeu como ele ainda não morreu nessa temporada. Uma parte de mim acha que ainda tem boas cenas de ação vindo aí com ele, mas a outra parte só quer ter a satisfação de ver ele morrendo mesmo. Não sei como ele não morreu até agora, sendo bem sincero. Por falar em arco chatão, esse do Ormund Hightower querer que o caçula da Alicent seja o novo rei só para colocar um Hightower no trono Parece que não foi para lugar nenhum assim.
Talvez ainda vá, a história não acabou, mas não ficou muito claro se aquela criança realmente queria ser rei ou se ele só tava fazendo isso porque o parente dele é um doido psicopata. Inclusive, o Aemond era outro oponente super válido para o Daemon nesse final de temporada. Pena que nunca chegou a acontecer, mas eu queria muito ver uma batalha entre eles. Mas assim, como o Aegon e o Aemond estão vivos e eles seriam a sucessão ao trono, Assisti todo um rolê de um exército querendo que o caçula lá seja o rei do nada.
Foi um pouco de perda de tempo, principalmente para a gente, para o público que já sabe que os irmãos mais velhos estão vivos, né? Querer que o caçula seja o rei acaba parecendo uma realidade muito distante, sabe? Ainda mais de um personagem que a gente acabou de conhecer. Então isso foi estranho e não parece que foi para nenhum lugar, pelo menos para mim. Por fim, Daemon Targaryen. Olha, Matt Smith é maravilhoso como sempre, sempre, mas essa personalidade tirânica do seu personagem faz dele um anti-herói bem interessante.
Mesmo ele tendo se provado fiel a Rhaenyra, vez ou outra eu ainda acho que ele pode endoidar e achar que consegue dominar o mundo sozinho, sabe? Ele se acha muito por ser de uma casa dominadora de dragões, que pode fazer o que quiser, que ninguém vai poder impedir, né? Que muitos lugares ainda nem foram conquistados assim, dominados, então só esperando por ele. Ele se dá uma importância muito grande. E nas falas dele tem muito essa questão tirânica mesmo.
Muitas vezes até tenta puxar a Rhaenyra para esse lado, que eles têm 6 dragões, que ninguém pode parar eles, se colocando até como um próprio deus. E é muito interessante como essas ambições dele até pegam mal para a própria Rhaenyra, porque como que você vai ouvir e obedecer a rainha, que inclusive é sua esposa, Se você jura que suas vontades, seus planos são mais importantes, são melhores, sabe? Isso até já foi motivo de briga entre o casal, como a gente viu em um dos episódios.
E são argumentos muito bons dos dois lados. Damon é um ótimo anti-herói, isso eu não tenho dúvidas. Agora sobre o futuro, né, o que que a gente já sabe do final? HBO já confirmou que haverá uma 4ª temporada, mas vai ser a última, infelizmente, com previsão de lançamento só para 2028. Olha que pecado! Mas espero muito que o final não seja ruim. Aqui o que que a gente já sabe? Criston Cole e o Ormund Hightower morreram, graças a Deus.
Os dois personagens eram um saco, principalmente o Cole. Deveria ter morrido há várias temporadas atrás. A morte do Ormund foi massa, mas a do Cole ter sido uma bosta eu achei excelente. O cara que tanto queria morrer de forma épica em batalha, que jurava que era o maior o maior cavaleiro e não sei o quê, acabar morrendo com umas flechadas momentos antes de uma grande batalha acontecer. Foi muito irônico, era o final que merecia para ele.
Bem feito! Quase que eu abracei a minha televisão quando ele morreu. Agora, quem eu fico triste que tenha morrido foi a Helena, que inclusive tava grávida, né? Ela sim era alguém que, na minha opinião, poderia ter sido mais explorada, ter entregado mais. Quando começaram a focar nas suas visões e premonições, aí ela morre, e nunca ficou 100% claro para mim que o Egon era o pai da criança, podiam ter esclarecido isso. A qualquer momento eu sentia que vinha uma reviravolta aí que nunca veio, mas talvez tenha sido só o Egon mesmo, né?
E ter focado um pouco mais nela tiraria algumas dúvidas minhas de, por exemplo, uma hora ela não quer abortar porque a criança é dela, apesar de todos os riscos. Aí no episódio seguinte começa uma greve de fome que prejudica não só ela quanto o bebê. Aí você fica, ela mudou de ideia? Ela tá tentando matar a criança? Essa greve de fome podia ter sido um pouco mais explorada assim para mim, ou eu que perdi alguma coisa mesmo, né, alguma coisa muito importante e óbvia que eu não devo ter visto.
Pode ser que tenha acontecido realmente, mas fiquei com muita pena dela quando morreu. Por falar em Aegon, ele e o irmão Aemond vão se unir para achar o dragão Vhagar e tomar o trono de volta. Já a Alicent acha que matou o Aemond, mas nem isso ela fez. E dão a entender que ela fugiu para algum lugar e conseguiu a liberdade. Se isso for verdade mesmo, eu fico feliz por ela, espero que não morra. Passou a temporada inteira sendo feita prisioneira.
E Rhaenyra manda assassinar um líder religioso achando que isso vai fazer a igreja querer reconhecê-la como rainha. Mas o que talvez aconteça mesmo é que é o contrário, né, que isso os torne cada vez mais inimigos. Pelo menos é a minha teoria. As coisas não estão muito fáceis para ela nesses primeiros dias, nessas primeiras semanas de reinado, né. O que é uma pena. Como eu falei, eu gosto dela. Queria que tivesse pelo menos uma semaninha aí de paz no reino para o povo ver do que ela é capaz, porque eu vejo muito potencial nela.
Uma pena que eles não têm dinheiro para fazer nada, né? É aí, o Ulf é um traidor insuportável, é outro que já pode morrer. Conseguiu trair os dois lados que ele disse que fazia parte e acaba sendo a prova viva, infelizmente, de que talvez os bastardos não devessem ter um acesso tão repentino a um dragão, né? Um monstro com tanto poder, porque olha aí as cagadas que ele fez. Meu ranço por ele é surreal. Tomara que tenha o que merece, mas pelo visto a gente só vai saber mesmo em 2028.
Sobre a duração, essa temporada tem o mesmo tempo das outras, né, 8 episódios variando aí entre 57 minutos e 1 hora e 11 minutos. E como falei antes, todos os episódios já estão disponíveis no catálogo do serviço HBO Max. No geral, pessoal, diria que a terceira e penúltima temporada de House of the Dragon, se não for uma das melhores, é a melhor. Acredito que seja a minha favorita. Finalmente a guerra tão esperada chegou. As sequências de ação são bem longas e não decepcionam, garantem que a temporada comece e termine com chave de ouro.
Excelentes personagens, são muitos, então alguns têm mais destaque do que outros, é normal. Vários com histórias extremamente interessantes. Nem tudo são flores, como eu falei, mas tem muita coisa boa aqui. O terceiro episódio para mim é uma obra de arte, o tipo de episódio que voltaria para estudar e aprender como ser um bom roteirista. Não acho que a qualidade se mantenha ao longo da temporada, ela vai dando uma leve decaída, fica mais monótona para mim, mas nunca 100% desinteressante.
O elenco é fantástico, mas se eu pudesse destacar uma dupla seria Olivia Cooke e Emma D'Arcy. Para mim, a amizade das suas personagens ainda é o pilar dessa série. Precisam urgentemente ser premiadas pelas suas performances, se é que ainda não foram. Não posso dizer aqui se tá sendo fiel ao livro ou não, mas posso dizer que tá sendo uma experiência muito interessante, entretenimento de qualidade assim que você não vê sempre saindo hoje em dia.
Recomendo bastante principalmente se você tá escutando esse episódio sem conhecer a série. Dá uma chance que vale super a pena, ainda mais se você já conhece o formato e a vibe de Game of Thrones. Mas agora eu queria saber de vocês aí, fãs da série que já leram os livros também. Tão gostando do rumo das coisas? Acham que uma temporada só é o bastante para encerrar tudo que ainda falta do livro? Mandem suas opiniões, seus comentários, suas teorias.
No Instagram estamos como @secaoisei. No TikTok @podsecaisaes, e tem uma caixa de comentários para quem tiver ouvindo pelo canal no YouTube, Podcast Seção A6. Além de, claro, as plataformas de áudio que vocês já conhecem: Spotify, Apple Podcasts. Lembrando que os links dos episódios passados sobre a série estão na descrição, se quiserem escutar também. E assim vamos chegando ao final do podcast com spoilers sobre a 3ª temporada de House of the Dragon.
Espero que tenham gostado. Se sim, Cara, por favor, curte, avalia o podcast, manda para aquele amigo, primo, tio que também gosta da série, que ajuda bastante a alcançar mais pessoas, beleza? Ajuda demais. Vou ficando por aqui. Se você escutou até o final, muito obrigado, um beijo enorme e até mais.