#105 Consolados para Consolar - Joice Schvarthaupt Ramos
Em algum momento, todos nós atravessamos crises de fé, momentos em que aquilo que cremos parece não se conectar com aquilo que estamos vivendo. Paulo também passou por crises, dores e perplexidades, mas em meio a tudo isso ele descobriu que Deus não queria apenas consolá-lo — queria fazer dele um instrumento de consolação para outros. Talvez parte daquilo que você está vivendo hoje também possa se transformar em encorajamento para alguém que está passando pelo mesmo caminho.
Ser presença de Deus na vida de alguém começa quando aprendemos a olhar as circunstâncias com os olhos de Deus. Não basta enxergar o problema; precisamos buscar a sabedoria do alto para interpretar a realidade à luz das Escrituras. Em momentos de crise, precisamos de pessoas que nos encorajem, que conheçam a Palavra e que tenham coragem de caminhar conosco quando já não conseguimos enxergar com clareza.
Paulo também nunca esqueceu quem era. O espinho permaneceu, a fraqueza continuou, mas foi justamente nela que ele aprendeu que a graça de Deus era suficiente. Nem toda dor será removida e nem toda pergunta terá uma resposta imediata, mas podemos atravessar esses momentos lembrando que somos vasos de barro e que o poder pertence a Deus.
A igreja não é uma agenda, uma escala ou um compromisso semanal. A igreja são pessoas. Pessoas que precisam ser vistas, ouvidas, encorajadas e cuidadas. Talvez exista alguém sentado ao seu lado, compartilhando a mesma fé e a mesma mesa, mas atravessando uma crise silenciosa. Não viva no automático. Seja presença de Deus na vida de alguém: leve esperança, proclame o Evangelho, ore, caminhe junto e ajude outros a permanecerem firmes em Jesus.
Joice Schvarthaupt Ramos
- A proclamação da esperança como forma de ser presença de DeusMorte e ressurreição·Evangelho·Sair do automático
- A consolação divina como instrumento para consolar outros em tribulações2 Coríntios·Crises de fé·Encorajamento
- A fraqueza humana como meio para o poder de Deus se aperfeiçoarEspinho na carne·Vulnerabilidade·Poder de Deus
- A importância de ser presença de Deus na vida de alguémCrise de fé·Comunidade·Encorajamento
- A sabedoria do alto para interpretar a realidade à luz das EscriturasChoque de realidade·Teologia da prosperidade·Escrituras
Gente, vocês podem ir se sentando. Show! Aê! Bom, gente, não quero— quero sim, na verdade quero sim tomar o tempo de vocês nessa noite. Quero sim que a gente fale sobre algo muito especial. E eu tô sendo completamente obediente hoje. Não é uma ministração que eu digo que seja fácil. Eu tentei desviar o caminho, ir para outros caminhos, e o meu marido sabe muito bem o quanto essa semana foi difícil pensando sobre isso. Mas o Senhor falou: não, é isso.
Então aqui estou eu. Apenas obedecendo. Então eu queria que vocês abrissem em 2 Coríntios. Essa é uma ministração que o Senhor tem feito na minha vida já há muito tempo, tranquilamente aí uns 2 anos que o Senhor tem ministrado na minha vida sobre isso, que eu tenho refletido, colocado em oração, falado muito com o Senhor, e eu quero trazer isso antes da gente ministrar algo, né, antes da gente falar algo. O Senhor, ele gosta muito de falar com a gente, e é isso que o Senhor faz comigo.
O Senhor fala comigo, o Senhor ministra na minha vida, e para que a gente possa ministrar na vida das outras pessoas. Eu quero que quando vocês— a gente está numa comunidade de igreja, é bem importante a gente falar sobre isso, tá? Nós estamos numa igreja. O que que essa igreja presume? Que quem está aqui em cima Quem tá aqui embaixo conhece, conhece a vida. E eu quero exatamente isso, que quando vocês olhem para quem tá aqui em cima pregando, que vocês conheçam a vida e testificam.
Não é só palavras, é uma vida verdadeira no Senhor. Isso não é só comigo, isso é com todo mundo. Mas o que eu quero falar hoje tá em 2 Coríntios. A gente vai falar um pouquinho sobre crises. Principalmente crise de fé. E essa é uma palavra bem prática, eu espero ser prática, eu espero que vocês anotem o que vocês forem falando, que vocês, o que o Senhor for falando com vocês, que vocês anotem, porque tem pontos práticos para vocês saírem daqui fazendo alguma coisa.
A gente fala muito sobre a presença de Deus, 2 Coríntios, né, a gente fala muito sobre a presença de Deus, sobre sentir a presença de Deus. E isso é muito bom, a gente deve buscar isso, nós devemos buscar isso, a nossa vida deve ser buscando isso. Mas também tem um aspecto da presença de Deus que é esse aspecto que eu quero falar hoje, que é nós sermos presença de Deus na vida de alguém. Então assim, eu tô falando que nós vamos falar sobre crise de fé, o que fazer quando uma crise de fé acontecer contigo e com alguém do teu lado, e como ser presença de Deus para essa pessoa que está do teu lado.
Pegaram? Conseguiram captar? Não é muita coisa, né? É muita coisa, pastor? Mas tudo bem. 2 Coríntios, o que está acontecendo aqui em 2 Coríntios? Esse é um texto bem importante. Esse é um texto bem importante porque, vamos lá, recapitular. Paulo, Paulo ele escreve 1 Coríntios, é uma carta que embora 1 Coríntios tenha passagens muito belas ali sobre os dons, tem passagens, uma passagem linda sobre o que é o amor. 1 Coríntios foi uma carta um pouco dura, né, porque ele tá ali falando algumas coisas para a igreja do que que ela deve se comportar, como ela deve fazer, o que que ela deve melhorar.
Essa carta, quando chega no 1 Coríntios, essa carta não soa muito bem, não chega muito legal. Eles até fazem algumas coisas que Paulo Paulo fala lá, mas outras coisas eles deixam de fazer e inclusive começam a colocar em xeque o apostolado do Paulo. Eles falam, acho que esse cara aqui não é apóstolo não. Inclusive por quê? Porque nesse momento estavam sim se levantando falsos apóstolos. E aí o que que Paulo faz? Um ano depois disso, Paulo visita a igreja, visita a igreja, vê que a igreja continua naquela mesmice, Beleza, um ano depois dessa visita, ele escreve uma segunda carta.
Essa segunda carta se perdeu, a gente não tem ela. Por isso que eu digo, e quando eu tenho oportunidade eu sempre falo, é precioso as escrituras. As escrituras são muito preciosas, porque todo texto que a gente tem aqui, ela é, ela chegou até a gente por um propósito, mas tem muita coisa que não chegou pra gente. Muita coisa falada, muita coisa escrita que não chegou pra gente e que dá aquela coisa tipo, o que que tava escrito?
Eu queria saber o que que foi que Paulo falou. Então essa segunda carta ela se perde, ela se perde, a gente não tem noção do que que é essa carta. Mais ou menos aí quando essa carta se perde, ele começa a escrever esta segunda carta que agora é intitulada 2 Coríntios, essa terceira carta no caso que é intitulada 2 Coríntios. Estão pegando a linha do raciocínio? Tá sendo muito, mas então é isso, tá? Ele escreve essa carta, ele até fala em 2 Coríntios 2:1, ele fala que a carta ou a visita dele quando ele teve lá, ela foi muito pesada, ela entristeceu a igreja.
Ele fala que a visita dele entristeceu a igreja, por isso que ele nem queria voltar. Naquela igreja. E aí ele fala assim: para que vocês que deveriam me alegrar, vocês estão me entristecendo. Então é pesado. Paulo, ele tá em crise com essa igreja, e a igreja tá em crise com Paulo. Essa crise, né, pode ter ocasionado uma crise de fé, como pode ser simplesmente uma crise com a igreja mesmo, né? E a gente vai falar, vai ir falando um pouco sobre isso.
Então eles falam que Paulo, essa, essa no caso as acusações que eles fazem contra Paulo é que Paulo não é, era fraco para ser pastor, ele era fraco para resolver os problemas da igreja e essas acusações vão vão aumentando conforme o tempo vai passando. E até inclusive o espinho de Paulo, né, espinho da carne de Paulo, que ele fala, que ele fala inclusive nessa carta de 2 Coríntios, ele, muitos teólogos, alguns interpretam, né, inclusive que esse espinho pode ser justamente a Igreja de Corinto, porque a Igreja de Corinto ela deu tanto problema, tanto problema para Paulo que ele já tava cansado, ele já tava exausto, já era problemática essa igreja para ele.
Foi a igreja que ele mais gastou para escrever, foi que ele mais escreveu, foi a que ele teve que escrever. Inclusive, se vocês vão pegar ali 2 Coríntios, ele gasta muito tempo falando sobre as suas intenções, sobre explicar que o ministério apostólico dele é verdadeiro. Então ele gasta um tempo falando sobre isso e ele tem que ser um pastor paciente e ele tem que discipular ainda essa igreja. Então é um trabalho de uma vida e pode ser que essa igreja tenha sido o espinho de carne de Paulo.
Só que, claro, eu não estou aqui decretando nada, eu tô falando que existe essa linha de raciocínio, pode não ser. Pode ser outras coisas. E essa é uma carta que Paulo tá extremamente vulnerável, que ele mostra, que ele mais abre o coração. E talvez, né, tu pensa assim, nossa, mas eu não consigo imaginar Paulo tão vulnerável quanto na carta de Timóteo, por exemplo, que ali se mostra um Paulo vulnerável. Mas aqui ele também tá se mostrando vulnerável, ele tá falando, tem momentos que que ele fala que ele escreveu, ele tá escrevendo com muitas lágrimas.
E tem outra, tem outro momento que ele fala: nós abrimos completamente o coração para que vocês também abram o coração de vocês. E em outro momento ainda ele fala: visto que eu os amo tanto, devo ser amado menos por vocês? É como se ele tivesse pedindo para aquela igreja Me amem, me amem. Eu devo ser amado menos por vocês? Não, vocês devem me amar. Então aqui a gente já percebe que há uma crise, e eu não tô explicitamente falando que é uma crise de fé de Paulo, mas há uma crise, há uma crise aqui.
E aí nós vamos falar sobre alguns pontos do que fazer nesses momentos de crise que Paulo vai nos ensinar. Então, 2 Coríntios capítulo 1, do verso 3 ao 6, eu vou ler para vocês. Bendito seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações, para que possamos consolar os que estão passando por tribulações com a consolação que recebemos de Deus.
Pois assim como os sofrimentos de Cristo transbordam sobre nós, também por meio de Cristo transborda a nossa consolação. Se somos atribulados, é para consolação e salvação de vocês. Se somos consolados, é para que vocês tenham o consolo que os ajude a suportar com paciência os mesmos sofrimentos que estamos padecendo. Tem algumas traduções que vão mudar essa palavra consolação, e vocês percebem que é falado consolação diversas vezes aqui, né?
Tem algumas traduções que vão mudar consolação para encorajamento. E eu queria que a gente partisse disso, que a gente falasse sobre encorajamento. Que uma das primeiras formas que nós somos presença de Deus na vida de uma pessoa é encorajando essa pessoa. Ele já começa a carta, né, e eu penso assim, ó, que ele recebeu uma carta, ele viu, ele recebeu algo que foi muito duro para ele. E ele poderia começar a carta dando uma lição de moral ou falando assim, olha só, gente, ia dar uma baixada na tua bola, sabe?
Ou qualquer coisa do tipo assim, falando, ó, ministério, eu sou apóstolo, nananã. Ele poderia, ele tinha o direito, não que isso fosse de bom tom, mas ele tinha o direito. E ele já começa a carta dizendo sobre a consolação, sobre encorajar. E aí ele fala sobre nós sermos encorajados por Deus e assim encorajar. Ele começa a carta dizendo assim: eu sou um instrumento de consolação, você é um instrumento de consolação, e é assim que uma igreja no meio de crise deve sobreviver, encorajando uns aos outros.
É interessante, é bem interessante ele dizer isso, porque é, a gente está sofrendo, A gente recebe um encorajamento de Deus e a gente encoraja outras pessoas. O que que isso significa? Que muitas vezes, talvez todas, eu gostaria de pensar assim, né, que todo sofrimento tem um propósito, mas que o sofrimento ele não é para nós, que o sofrimento às vezes é para o outro. O sofrimento ele vai nos gerar esse encorajamento do Senhor.
Para que a gente encoraja outra pessoa. E como a gente tá falando de crise, né, acho que uma questão que a gente precisa pensar como comunidade, como comunidade, como igreja, é a gente pensar e olhar para todas as pessoas que estão ao nosso redor, olhar para as pessoas de verdade, olhar para as pessoas de verdade, para os nossos amigos, olhar para as pessoas que estão ao nosso redor, perceber se aquela pessoa está em crise ou não, conversar, querer entender a vida dela.
Porque a gente tem uma comunicação muitas vezes que é só de escala, poderia dizer assim, ou uma de demanda, mas uma comunicação de, ó, peço tal coisa, exijo tal coisa, cobro tal coisa, mas a gente não tem uma comunicação de cuidado com aquela vida. E aí o que que vai acontecer? O que que normalmente acontece? Aquela pessoa às vezes ela pode não ter correspondido a uma cobrança, e aí ela fala assim: olha, eu tô passando por tal e tal e tal coisa na minha vida.
E aí sim tu te interessa para saber: ah, poxa, deixa eu orar por ti e tal. Antes a gente já deveria ter feito o caminho oposto, a gente deveria ter perguntado interessado antes como é que aquela pessoa estava, deveria ter se interessado pela vida daquela pessoa antes de a gente cobrar, da gente ter somente essa comunicação de cobrança, de pedir as coisas. A gente precisa encorajar mais as pessoas, a gente precisa dizer o que que aquela pessoa é de especial, o que aquela pessoa, a vida dela é especial, mas muito no sentido bíblico.
E a gente vai falar sobre isso também. Mas a vida cristã não é tão simples, não é? E por isso que Deus, ele nos dá amigos de encorajamento. Por isso que nós temos que ter amigos de encorajamento. Por isso que a gente fala sobre o YouLink, que o YouLink é importante. Mas mesmo assim que não for dentro do YouLink, a gente precisa ter amigos que vão nos encorajar. Por isso que é importante nós sermos presença de Deus na vida do outro.
Encorajando o outro. Até aquelas pessoas que são mais envergonhadas, mais tímidas, que têm fobia social, que têm, né, não gosta muito de pessoas, até essas pessoas precisam caminhar com outras pessoas, né? E eu costumo dizer, né, costumo dizer porque aí eu ouvi estatisticamente em algum lugar que até as pessoas neurodivergentes, né, que são as pessoas que de repente têm um diagnóstico e têm mais dificuldade social, essas pessoas elas também acabam meio que se relacionando, tendo amigos com outros neurodivergentes.
E aí essas pessoas elas vão se complementando, elas vão se complementando, porque na fobia de um o outro também tem a fobia, uns os outros vão se complementando. Isso que uma comunidade pode gerar. A comunidade, então, o primeiro ponto disso ser presença de Deus na vida de alguém é: tenha e seja esse amigo de encorajamento. Não só tenha, mas seja esse amigo de encorajamento. A segunda forma, no capítulo 1, no verso 12, vai dizer assim: disto temos orgulho, a nossa consciência dá testemunho de que nós temos conduzido no mundo Especialmente no relacionamento com vocês, com santidade e sinceridade provenientes de Deus, não de acordo com a sabedoria do mundo, mas de acordo com a graça de Deus.
E aqui o que Paulo tá querendo dizer é que ele não vai de acordo com a sabedoria do mundo, mas de acordo com a graça de Deus, de acordo com a sabedoria do alto, a sabedoria de Deus, que é a forma que como Deus enxerga as coisas. E Eu penso assim, a gente tem, a gente acaba percebendo muito a nossa vida diante de uma realidade do que acontece na nossa vida. E a gente percebe essa realidade, aí muitas vezes a gente tem um choque, um choque de realidade, que é: eu gostaria que a minha vida fosse condizente com o que eu sei do Senhor.
Sabe quando dá essa crise de fé? Principalmente quando dá essa crise de fé. A crise de fé, ela é diferente, ela é diferente de uma dúvida pontual. Uma dúvida pontual, ela vai te levar para alguns, algumas dúvidas, alguns questionamentos, mas a crise de fé, ela perdura por mais tempo, ela te desanima, ela vai turvar a tua visão, ela vai bagunçar o teu discernimento, ela vai fazer com que tu olhe por outras perspectivas. E acontece principalmente por conta desse choque de realidade, porque tu tem ali a tua fé, tu busca entender quem é o Senhor, e isso que tu tá buscando entender muitas vezes não fecha com a tua realidade, não fecha com a tua realidade.
Tua realidade, ela é crua, ela é mais dura do que aquilo que tu percebe sobre Deus. E isso nos mostra algumas coisas. Isso nos mostra que a gente, quando a gente tem essa dificuldade de conexão, muitas vezes é por conta de uma teologia que vem na nossa cabeça, do que nós percebemos sobre Deus, de uma forma até muito utilitarista, sabe? Quando eu quero o Senhor apenas para algo, apenas para me dar algo. Quando eu quero uma teologia da prosperidade, quando a teologia da prosperidade, a gente hoje, eu digo o seguinte, a gente tem acesso a muita informação, a gente tem acesso ao que a gente quiser ter acesso, nós vamos ter acesso.
Então o que nós escutamos, o que que nós vemos diz muito sobre a nossa teologia, sobre o que nós dizemos sobre o Senhor e sobre o que nós captamos sobre o Senhor. Então, ao invés da gente se debruçar nas Escrituras, se debruçar na palavra de Deus, a gente tá se debruçando numa teologia da prosperidade, a gente tá se debruçando numa teologia de utilitarismo, e isso fecha com a— não fecha com a nossa realidade. E quando não fecha com a nossa realidade bate a crise de fé.
E é bom, nesse caso é até bom que dê essa crise logo de uma vez, no primeiro ano, segundo ano de conversão, porque tu já vai ir para Escritura, tu já vai te alinhar tuas expectativas, porque é certo. E é isso que a gente quer, a sabedoria do alto, a sabedoria de Deus. A gente quer a sabedoria de Deus. E como que a gente busca? Como que a gente vai atrás dessa sabedoria de Deus. Eu quero falar sobre dois aspectos. Um aspecto é nós enquanto relacionamento com o Senhor, a Escritura em si.
Nós vamos nos debruçar nas Escrituras, vamos buscar o Senhor. E outra que é nós temos amigos, amigos que vão nos dizer outras perspectivas. Porque a sabedoria do alto é eu olhar para uma igreja e dizer assim: Nossa, a sabedoria humana, tá? Nossa, olha só, olha esse erro aqui, olha isso daqui, olha isso daqui. Bah, essa igreja aqui, vamos ver como se fosse Corinto. Bah, essa igreja aqui não sei não, hein? E a sabedoria do alto é ao contrário, é dizendo: essa igreja ela é imperfeita, mas ela é do Senhor Jesus, e a gente tem que continuar, a gente tem que permanecer.
Eu tô só dando um exemplo, porque a sabedoria do alto ela vai dizer tudo sobre a nossa vida, ela vai nos dar outras perspectivas sobre a nossa vida. E eu quero abrir já agora para vocês algo da minha vida. Eu nem ia abrir isso aqui nesse momento, mas algo que eu passei e que foi de fundamental importância para mim nesse— por isso que o Senhor vem ministrando muito na minha vida sobre isso. Eu sempre fui a pessoa que vou atrás da Escritura, conheço o Senhor, sei, não sei os versículos de cor, não era isso que eu ia falar, mas é o que eu sei, eu sei a Bíblia, eu sei a Bíblia, eu sei o que a palavra fala, eu sei.
E eu sempre fui uma pessoa de ir e dar conselhos sobre isso. E me bateu uma crise, como eu falei, há uns 2 anos 1 ano, 2 anos, me bateu uma certa crise, que é quando eu olhei para minha realidade de vida e eu pensei assim: Senhor, como que isso tá acontecendo na minha vida? Como que isso tá acontecendo? E não é nem questionar o caráter dele, porque eu sei quem é o Senhor. Não é nem questionar a existência dele, porque eu sei que ele existe.
E constantemente uma conversa que eu tive na casa do Pastor Marco vinha na minha cabeça constantemente, que numa conversa que eu tive lá eu falei assim para ele: olha, eu tenho certeza que nada pode acontecer, qualquer coisa na minha vida, nada vai me separar de Jesus, nada vai me separar, porque eu amo ele mais do que tudo. Só que olha só, eu falei isso para ele e as coisas começaram a acontecer. E essa conversa vinha em looping na minha cabeça o tempo inteiro, vinha em looping, como que dizendo assim: realmente tá comigo?
Tá comigo ou não tá comigo? Realmente? Ó, e as coisas começaram a acontecer. Não só a minha realidade é uma realidade difícil, e ela continua, e ela não mudou, como é difícil, como também escutava da própria igreja coisas que não deveria ter escutado da própria igreja. E essas coisas foram só levando assim, Senhor, por quê? Eu fazendo perguntas. E eu penso que é necessário a gente fazer essas perguntas para o Senhor, é necessário a gente ser completamente honesto com o Senhor e dizer para ele: olha, eu tô passando por isso.
Assim como Cristo na cruz, que perguntou, né, Senhor, por que me abandonaste? Assim como Jó, assim como Asaf, Salmo 73. Olhem esse salmo, reflitam sobre esse salmo. Eu penso muito que isso condiz muito sobre a nossa realidade de vida. Muito, que a gente questionar, a gente olhar pessoas que não tem nada a ver com o Senhor e que estão lá vivendo uma vida maravilhosa, e a gente sempre parece que tem alguma coisa acontecendo, alguma coisa, e a gente precisa olhar por outras perspectivas.
Isso que eu acho que é o mais duro na vida do crente, né? Porque se a gente só passasse pelas coisas ruins e a gente tentasse ali melhorar uma coisa ou outra, mas não, além de passar por todas as todas essas coisas, a gente tem que olhar pela sabedoria do alto. A gente tem que olhar como Deus olha e a gente tem que buscar isso. E talvez aqui eu tô vendo muitos rostos mais jovens, talvez vocês talvez nem passem por tantas coisas num sentido de difícil, ou talvez sim, ou talvez sim.
E talvez essa palavra nem tá te pegando tanto, sabe? Porque a tua vida, ela é muito boa quando vê isso acontecendo, quando vê isso acontece. Só que essa perspectiva que o Senhor me deu para entregar hoje é tanto nós enquanto nós como crises, como nós como passar por momentos difíceis, quanto nós como amigos, nós como pessoas de uma comunidade. Pensa, tu tem alguém perto de ti que tá passando por alguma coisa, tu é esse amigo que vai levar a palavra de Deus para essa pessoa, tu é esse amigo que vai levar encorajamento para essa pessoa.
Eu lembro, né, que nesse momento em que eu tava passando por isso, eu fiz uma oração muito sincera com o Senhor numa noite, fiz uma oração muito sincera mesmo, e foi a oração que eu falei assim, ó, Larguei tudo, entendeu? Tipo assim, ó, larguei tudo, vou comunicar. No outro dia eu tava assim, ó, amiga, me socorre, preciso tomar um café contigo. E aí é uma amiga não conseguiu, a outra conseguiu. Meu, eu fui para lá, eu chorei tanto, falei tanto, falei assim, eu não tenho como largar, não tenho como, tu tá entendendo que eu não sei viver uma vida sem o Senhor.
Tá entendendo que não tem como? Porque o Senhor é tudo. Eu não tô dizendo que ele não existe, eu tô dizendo que ele existe. Eu tô dizendo só que eu tô cansada. Eu tô dizendo só que eu quero esse descanso, mas eu também quero viver essa vida desse jeito. Eu amo a minha vida desse jeito também. E aí? E aí? E aí, umas 2, 3 semanas depois aconteceu uma coisa que, bom, para quem não sabe, eu tenho um filho atípico e a gente luta muito por várias, várias questões com ele.
E um dia uma mulher simplesmente do nada, porque tem muito disso, né, quando tu tem um filho atípico, quando tem uma outra família atípica também, tu se conecta imediatamente com aquela família. Vocês parece que se conhecem há anos, vocês falam sobre todas as tuas dores, tudo é exposto ali naquele momento. E aquela mulher simplesmente me olhou e começou a contar tudo da vida dela, tudo. E aí ela começou a me falar sobre o marido que abandonou, e ela me perguntou bem assim: teu marido ainda tá contigo?
Eu disse: sim, graças a Deus. Ela: graças a Deus mesmo, porque o meu— porque tu sabe, ela falou assim: tu sabe que quando existe uma família típica, os maridos vão embora. Eu falei: sim, eu sei, e o pior é que é verdade, né? E aí ela me largou a vida dela inteira naquele momento, e o Senhor falou comigo nitidamente ali: é para isso, é por isso, é para isso, é por isso. Vocês estão entendendo que existe um lugar que outras pessoas não conseguem chegar, que existe um lugar onde as pessoas estão sedentas pelo Senhor e que nem todo mundo, nem toda realidade de vida, talvez a realidade de vida de uma pessoa que tem a vida perfeitinha ali não vai conectar com aquela mulher.
E já a minha vida sendo do jeito que é, de todas as lutas que a gente tem aqui atrás, eu consegui falar sobre o Senhor ali. E não é fácil, não é fácil, mas eu queria dizer isso para vocês, que a crise de fé muitas vezes ela vem para que a gente se perceba, perceba, e a gente tenha amigos que vão nos ajudar. Então a gente precisa ser sincero com Deus, pedir sabedoria do alto, ter amigos que vão nos encorajar, Se abastecer com a palavra, ter amigos que vão nos olhar, que vão olhar para as nossas circunstâncias com os olhos de Deus.
E tem que ser amigos cheios da palavra, tem que ser. E a gente vai para a terceira, terceiro ponto. São 4 pontos. Terceiro ponto de que nós devemos ser presença de Deus na vida de outra pessoa. Em 2 Coríntios 12:7, eu vou ler para vocês: para impedir que eu me exaltasse por causa das grandezas dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás para me atormentar. Paulo, ele nunca esqueceu quem ele era, nunca, nunca esqueceu quem ele era.
E eu acho que esse é um ponto importante para a gente enquanto nós como pessoas que estamos passando por algo desse tipo. É nós nunca nos esquecermos quem nós fomos sem Deus, que nós somos agora pessoas regeneradas, novas, e a nossa vida é totalmente transformada. E também, ao mesmo tempo, nós nos lembrarmos, nós nos colocarmos nesse lugarzinho de que o Senhor é muito maior do que tudo. Esse espinho na carne, como eu falei para vocês, talvez seja até um ponto em que Paulo, eu agora mais recentemente também lendo sobre esse espinho na carne, trouxe ali para vocês sobre que poderia ser 2 Coríntios.
Mas tem também um ponto que é, talvez tenha sido alguma questão que ele, de doença, né, uma doença física ou até uma questão mental mental, uma questão até de uma própria lentidão de Paulo. Eu até não consigo acreditar muito nisso por conta dos escritos dele, mas ao mesmo tempo dá para acreditar isso. Talvez ele tenha alguma questão, porque daí ele vai falar sobre isso e ele vai falar de que de todos os lados somos pressionados, mas não desanimamos.
Ficamos perplexos, mas não desesperados. E aí essa palavra perplexa na tradução original pode ser, pode nos levar a crer que tenha sido alguma coisa em relação mental. E ele tá dizendo: portanto eu me gloriarei ainda mais alegremente nas minhas fraquezas, em tudo que me limita eu vou me gloriar. Ele tá falando dessa forma porque ele tá dizendo Os meus limitantes são vocês, são vocês. A minha fraqueza, na minha fraqueza o poder de Deus é aperfeiçoado.
É na minha fraqueza que o Senhor fala que a minha graça te basta. A gente precisa se colocar nesse lugar de fraco. Nós somos fracos, em qualquer circunstância nós somos fracos. Então a fraqueza ela tava ali. É importante que a gente tenha consciência de que é na nossa fraqueza que o poder de Deus se aperfeiçoa. Não se esqueça, não se esqueça que é na tua fraqueza que o poder de Deus se aperfeiçoa. E a vida é isso aí mesmo, é momentos de tristeza, é momentos de luta, é choque de realidade.
E a gente precisa passar com isso com pessoas ao nosso lado que vão nos colocar no lugar que vão nos dizer: ó, lembra de quem tu é, tu é fraco mesmo. Glória a Deus, tu é fraco mesmo. Lembra de quem que tu é. E ao mesmo tempo nós sermos lembrados, né? E o quarto ponto, então, 2 Coríntios 4:7-9, eu vou ler rapidinho: mas temos esse tesouro em vasos de barro para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus e não de nós.
De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados. Ficamos perplexos, mas não desesperados. Somos perseguidos, mas não abandonados. Abatidos, mas não destruídos. E aí aqui Paulo, ele tá— como que a gente é presença de Deus na vida de outra pessoa? Ele principalmente, ele moldou a sua vida toda no Senhor. Então a gente traz esse ponto sempre: nosso corpo morrer por Jesus. A gente precisa precisa sempre trazer isso à mente, né, trazer sempre nosso corpo o morrer de Jesus para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo.
Então a ideia de Paulo aqui é: a minha vida vai ser moldada à luz da vida do meu mestre. E como é a vida do meu mestre? A vida do meu mestre é morte e ressurreição, a morte e ressurreição. Então a gente precisa ser constantemente lembrado disso, Cristo passou pela morte, nós vamos, nós passamos, a gente já morreu com Cristo, nós já morremos, nós passamos, e o final é ressurreição. Então, sendo presença de Deus por meio da proclamação da esperança, é isso que eu quero dizer para vocês, que ele foi presença de Deus por meio da proclamação da esperança.
Nós temos que sempre lembrar que existe uma esperança, uma esperança viva, né? No meio da nossa crise de fé, no meio do nosso momento de crise com a igreja, de crise com irmãos, de crise no casamento, de crise em qualquer lugar, a gente tem que se lembrar que há esperança, há esperança. Por isso que um cristão necessita de outro cristão, ele necessita que a palavra de Deus seja constantemente relembrada para ele. Por isso que a gente precisa, a gente precisa não só nós estarmos sempre cientes disso, mas nós lembrarmos as outras pessoas da palavra de Deus.
E as pessoas estão aqui, a gente vê muitos rostinhos, muitos rostinhos, e as pessoas estão aqui. Tem pessoas passando por batalhas que a gente que a gente não faz ideia. E não é porque a gente tá a uma semana do salto que os problemas desapareceram. Não é porque a gente tá uma semana de um salto extremamente incrível que os nossos problemas ali no salto vai— a gente vai viver o salto e depois não vai continuar. Não. E eu nem quero falar só sobre problemas, eu quero falar especificamente sobre nós sermos essas pessoas abençoadas pastoras, sobre nós sermos a presença de Deus para essas pessoas.
Nossa, não só para quem não conhece o evangelho, porque para quem não conhece o evangelho isso daí é uma ordenança, isso é coisa diária. Mas eu quero dizer para quem tá aqui, quem tá aqui hoje, que a única coisa que a gente pode oferecer para o outro é a proclamação do evangelho. A única coisa que a gente pode oferecer para o outro é a proclamação da esperança. Leve a proclamação do evangelho por onde passar, proclame a esperança.
Porque é isso, é isso. Se a gente tá com algum problema financeiro, a gente vai em busca de um resolver, de alguém que possa resolver. Se a gente tá com algum problema de saúde, a gente vai atrás de médico. Mas nós temos uma vida cristã, então quando a gente tem algum problema, a gente precisa também pedir ajuda. A gente precisa ter amigos para a gente pedir ajuda. E aqui eu queria muito que você agora se colocasse de pé. Uma coisa que o Senhor tem ministrado muito no meu coração, muito, muito, muito, eu queria que você fechasse os teus olhos também e pensasse pensasse nessa palavra.
Mas os pontos práticos, né, que eu acho que é o que o Senhor mais colocou no meu coração, que eu tô assim completa obediência também, é a gente sair do automático, sabe? Sairmos do automático. O Senhor tá me cobrando muito isso. Se eu tivesse assim, ó, fala isso, é isso, vamos sair do automático. Vamos começar a parar de— a gente pode estar passando por essa crise, a gente pode estar passando por essa crise, e daqui a pouco, e amanhã, depois de amanhã, a gente nem vai vir na igreja.
E será que vão sentir a nossa falta? Talvez alguns amigos vão sentir a nossa falta, mas será E é isso que o Senhor tem colocado muito no meu coração, para a gente sentir falta daqueles que não estão aqui hoje, da gente sentir falta daqueles que não estão aqui hoje. Pensa, lembra, essa igreja tá cheia, glória a Deus, mas pensa, pensa nas pessoas que estavam servindo ano passado contigo e que esse ano não estão servindo. Tu não tá vendo elas aqui, procura elas.
Chama elas, vai, seja um instrumento de Deus, seja a presença de Deus na vida dessa pessoa. Pensa nas pessoas que daqui a pouco elas estão aqui só vivendo automático mesmo de uma celebração, de vir numa igreja, de vir cumprir uma escala, e elas talvez elas não tenham, elas estão completamente sozinhas, elas estão rodeadas de pessoas pessoas e completamente sozinhas. E nós temos que ser essa pessoa, nós temos que ir atrás como igreja.
Nós temos— isso é muito mais importante do que o nosso trabalho, isso é muito mais importante do que qualquer outra coisa, tá? Isso é muito, isso é muito importante. É uma vida, é uma vida que daqui a pouco tá numa crise de fé e que a gente não está ali. A gente não— ela não tem ninguém, não tem ninguém. Nós precisamos precisamos. Se acaso tu veio aqui hoje pela primeira vez, que tá passando por algo assim, talvez também essa palavra é para ti, é para ti.
Tá passando por uma crise, talvez uma dúvida, talvez algo nesse sentido, e o Senhor fez tudo isso, tudo isso para essa palavra chegar em ti. Fez tudo isso para que tu chegasse aqui e entendesse: realmente eu estou passando por uma crise. De tu se perceber: eu estou passando por uma crise de fé, eu tô passando por uma crise não só de fé, talvez uma crise dentro do meu relacionamento, de repente uma crise em deturpou os meus olhos.
Eu já não consigo mais amar a igreja, eu já não consigo mais amar as pessoas, eu já não consigo mais amar porque deturpou. Que que é isso, sabe? Já não consigo mais amar o Senhor E eu não estou nem murmurando, eu estou só lamentando, eu só estou dizendo: Senhor, eu gostaria de te sentir, eu gostaria de sentir a tua presença, eu gostaria de sentir que o Senhor me ama. E a gente talvez nunca, nunca vai encontrar as respostas para o que a gente está passando, mas de uma coisa a gente tem certeza: que o Senhor nos ama, que o Senhor nos ama, que o Senhor entregou o seu Filho O Senhor entregou Jesus Cristo para nós.
Não existe outra religião que o seu Deus foi humilhado. Não existe outra religião que o seu Deus foi humilhado, que o seu Deus passou por dor. Então a dor que tu tá sentindo, sofrimento que tu tá sentindo, a crise que tu tá sentindo, o Senhor Jesus passou. O Senhor Jesus passou não só na cruz, antes da cruz, Antes dele ser colocado no madeiro, ele foi arrebentado. O Senhor Jesus foi arrebentado, ele tomou surra por amor, por amor.
Quando chegou na cruz, ele já tava exausto, exausto. E o que eu quero dizer é isso, que a gente não caminha sozinho porque existe um Deus que morreu por nós. Nós não caminhamos, nós não devemos, é desobediente caminhar sozinho. Porque o Senhor morreu na cruz.