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A Justiça precisa agir com isenção, não com raiva

03 de maio de 20265min
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Ouça o comentário de Alexandre Garcia sobre a redução das penas dos réus do 8 de janeiro e o fracasso das manifestações do Primeiro de Maio.
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Alexandre Garcia

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  • Determinação de PenaAção de perfídia · Associação criminosa armada · Ação violenta para derrubar o Estado de Direito · Deterioração do patrimônio público · Lei da dosimetria · Cálculo de penas por juízes de comarca · Morte de Clezão · Responsabilidade do Estado pela morte · Lei de anistia · Indenização a presos · Justiça com raiva vs. isenção
  • Dívida Pública BrasilDívida pública de 10 trilhões · Déficit primário de R$ 80,7 bilhões · Juros altos devido à dívida pública · Renda per capita mundial vs. Brasil · Países que crescem mais que o Brasil · Crescimento da renda no Brasil vs. mundo · Oportunidades perdidas na globalização · Despreparo de cérebros e ideologia misturada com fatos
  • Manifestacoes e Protestos SociaisTentativa de não mostrar vazio · Falta de capacidade de mobilização da esquerda e sindicatos · Reivindicação de trabalhar menos
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Ouça agora Alexandre Garcia, opinião independente de um dos maiores jornalistas do país e que você encontra aqui na Gazeta do Povo.

Bom dia! Talvez o maior assunto seja como vai ser a adaptação das penas aos condenados do 8 de janeiro, que foram presos por aquela ação de perfidia, não dá para a gente esquecer dessas coisas, que estão respondendo por coisas que não fizeram, associação criminosa armada, não tinha ninguém armado.

ação violenta para derrubar o Estado de Direito, foi uma bagunça, foi uma manifestação. Aqueles que deterioraram, estragaram o patrimônio público, tem que pagar e pronto. Pagar, indenizar e ao mesmo tempo receber a punição. Mas o exagero foi tanto que num passo para a anistia fez-se essa lei da dosimetria, que foi aprovada pela maioria do Congresso Nacional.

Lula vetou e o Congresso derrubou o veto por mais votos ainda. E agora, quem faz isso? Quem calcula isso? É o Alexandre de Moraes, o relator de tudo, do inquérito do fim do mundo? Ou seria cada juiz de comarca, cada juiz de execuções criminais das comarcas onde eles estão, os condenados? É uma questão a ser considerada. Infelizmente, tem alguns que foram condenados à morte.

como é o caso do Clezão. O Clezão precisava de tratamento, não teve tratamento. Houve seis ou sete ou mais avisos de sua defesa, encaminhados à procuradoria, que encaminhou ao relator, e foi a negativa, e ele acabou morrendo sob a custódia do Estado. O Estado é responsável por essa morte.

E alguém que está no Estado tem que ser responsabilizado. Bom, então essa questão tem que ser resolvida como será feita. Porque senão vai demorar dez anos esse cálculo. É muita gente. Vai demorar anos e aí isso vai estimular a pressa por uma lei de anistia. Simplesmente anular tudo o que foi feito. E depois de anular o que foi feito, saber quem indeniza as pessoas que perderam a liberdade, perderam anos de vida, meses de vida, anos de vida.

os prejuízos às famílias. É muita coisa a ser corrigida, muita coisa, muita injustiça a ser corrigida, porque isso foi feito com raiva. A justiça não tem que ter raiva nenhuma, a justiça tem que ter isenção. Tem que ouvir a acusação e a defesa, tomar uma decisão e aplicar a lei. Mas isso não foi feito porque entraram emoções. E emoções não é coisa de juiz, emoção é coisa de...

Pessoa que não amadureceu o suficiente para manter a cabeça fria no momento em que ela precisa manter-se fria. Bom, falar um pouquinho de 1º de maio esvaziado, feriado, manifestações em que a gente vê a tentativa de não mostrar vazio e as fotos oficiais apenas das pessoas que estão fazendo o discurso ou daqueles que estão no primeiro plano, não abre a câmera, não mostra que há um vazio muito grande.

é a falta de, talvez, capacidade de mobilização da esquerda e também dos sindicatos. Inclusive tem uma grande reivindicação que é trabalhar menos. Trabalhar menos, receber a mesma coisa e, obviamente, vai vender menos, produzir menos, fabricar menos e ter menos renda.

Não tem como. E está aqui o resultado. Uma, a dívida pública está em 10,356,000,000. A gente não sabe nem quanto é um bilhão. Agora imagina 10 trilhões. O que é a dívida pública? São os papéis que o Estado brasileiro emite para poder pagar suas dívidas, suas despesas, porque gasta demais.

O déficit primário, agora o último, foi R$ 80,7 bilhões. Essa dívida pública é o motivo pelo qual você está pagando um juros muito alto. Agora, vejam outra coisa. A renda per capita do mundo é R$ 26.188.

A média do mundo, a do Brasil, é 23,380. Tem 111 países que crescem mais que o Brasil. E a renda per capita do Brasil é abaixo da média mundial. De 1980 até o ano passado, a renda cresceu 675% no mundo. No Brasil, cresceu 428%. Perdemos a oportunidade na globalização.

A gente ficou com medo da globalização, a gente foi contra a globalização, perdemos a chance. Nós somos o país das oportunidades perdidas. Por quê? Despreparo de cérebros, ideologia misturada com os fatos, com o pragmatismo, tudo isso junto. De Lisboa, Alexandre Garcia.

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