Episódios de 15 Minutos | Gazeta do Povo

Caiado tenta entrar no jogo

31 de março de 202615min
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*) Este episódio do podcast 15 minutos da Gazeta do Povo analisa o cenário das eleições presidenciais após a oficialização de Ronaldo Caiado como pré-candidato pelo PSD, destacando como isso pode isolar o PT e fragmentar a base do governo.
Participantes neste episódio2
B

Bruna Kovati

HostJornalista
A

Anne Dias

Comentarista
Assuntos3
  • Delação Premiada INSSImpacto no PT · Polarização eleitoral · Direita brasileira
  • Eduardo LeiteDiscurso moderado · Candidatura de Flávio Bolsonaro
  • Desafios do PT no NordesteDificuldade em emplacar sucessor · Alckmin e Lula
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Olá, bem-vindos a mais uma edição do podcast 15 minutos da Gazeta do Povo. Eu sou a Bruna Kovac, jornalista da Gazeta do Povo, e apresento para vocês o podcast que vai te deixar bem informado com notícias do Brasil e do mundo, hoje com comentários de Anne Dias. Bem-vinda, Anne!

Muito obrigada, Bruna. É um prazer estar aqui com vocês, substituindo o Fred, mas tenho certeza que estou em ótima companhia. Com certeza. 100% feminino hoje, 15 minutos. Essa é novidade pra gente. Bom, antes da gente começar, eu quero lembrar vocês da nossa promoção da Semana do Consumidor, gente. Por apenas R$ 1,90 nos primeiros seis meses, você garante a assinatura da Gazeta do Povo.

E hoje a gente vai falar de um assunto que é bem quente, já é um assunto quente, e nessa semana teve novas decisões que deixaram o assunto mais quente ainda, que são as eleições presidenciais. O PSD confirmou o Caiado como pré-candidato à presidência da República, e isso traz umas novas análises a esse cenário. Então a gente vai começar justamente falando sobre isso. Lani, como que você vê essa confirmação, como que ela aconteceu?

Perfeito, Brunel. Acho que primeiro de tudo o que a gente pode analisar é que quem perde nessa confirmação é justamente o PT, o Partido dos Trabalhadores, que precisaria ali do Centrão de um apoio de um partido sólido, robusto como o PSD, para consolidar sua candidatura num ano que está muito desafiador. Então, nitidamente, o PSD lançando uma candidatura própria é um problema para o PT. Já já a gente vai falar um pouco sobre o PT, que já tivemos novidades.

E aí a gente vê que o Kassab insistiu, falou por um bom tempo sobre lançar um dos três governadores do PSD que estavam no páreo. Então a gente tem Eduardo Leite, Ratinho e Caiado. O Ratinho desistiu na semana passada e o Caiado permaneceu firme.

O Caiado, ele é nitidamente um candidato que se coloca à direita, ele tem feito um excelente trabalho como governador do estado de Goiás, principalmente na pauta de segurança pública, que Goiás é referência por conta da gestão estadual, então ele é um ótimo nome.

essa eleição não cabe novos nomes, na minha opinião. Então, essa eleição vai ser, está sendo já desde as pré-campanhas, uma eleição extremamente polarizada, com toda a situação de Bolsonaro preso, agora com seu filho, teve mais gente agora, teve um pedido do PSOL pedindo para que o Bolsonaro perca domiciliar e seja preso por uma declaração de Eduardo Bolsonaro, ou seja, não é uma campanha moderada.

Então, ainda que o Caiado seja um bom gestor público, se coloque ali como defensor das pautas da direita, em sua primeira declaração como pré-candidato oficialmente, ele disse que vai conceder anistia, não cabe, na minha opinião, não cabe o nome de Caiado nesse momento, não vai alavancar muito. Mas é importante para ter um posicionamento também à direita, que não o Flávio Bolsonaro vai trazer ali alguns votos, e também, principalmente, como eu falei no meu ponto inicial, é importante para desestabilizar essa candidatura petista.

antes da gente voltar justamente para talvez essa ideia de terceira via, que a gente não sabe se vai ter ou não, vou falar mais com a Anne disso um pouquinho depois, sem que a gente saia do PSD. Então a gente tinha ali o Ratinho Júnior, o Caiado e o Eduardo Leite. Ontem mesmo o Eduardo Leite se disse decepcionado com a escolha de Kassab, justamente por essa ideia, que ele disse que mantém uma polarização muito forte e na cabeça dele não é isso que se necessita para o Brasil, de maneira geral. O que você pensa sobre isso?

Então, eu já tenho analisado toda essa postura do Eduardo Leite há um bom tempo, de alguém que quer se colocar como moderado ali, mas é um discurso que não cabe nesse momento. Então, vou até fugir da política nacional, quando a gente fala de política internacional. O Eduardo Leite foi extremamente morno quando ele falou sobre as ações dos Estados Unidos na Venezuela, num momento em que não se espera um posicionamento morno.

E agora ele insiste nesse discurso de pacificação e está muito polarizado, a gente tem que buscar uma terceira via, quando de fato está muito polarizado. De fato a gente tem um ex-presidente preso, a gente tem pessoas ainda sem anistia, as famílias pedindo por anistia. A gente tem cada vez mais o Supremo ultrapassando ali as suas competências. Agora no caso do Banco Master, a gente vê uma impunidade atrás da outra. Esse contrato de 129 milhões que não foi explicado até agora, mas...

o Alexandre de Moraes insiste em dizer ali que vai retirar a domiciliar de Bolsonaro, concedida por questões de saúde. Então, claro, um discurso moderado até pode colar bem numa entrevista ou outra, pode trazer ali uma imagem de alguém mais sério, mais moderado, etc. Mas não é o que o Brasil espera agora. Então, Bruna, eu vejo que o Eduardo Leite já se perdeu há um bom tempo, não era um dos nomes. Dentre os três que você citou, eu via como o pior nome se fosse a escolha do Kassab, com certeza Eduardo Leite.

Agora a gente tem com certeza ainda, pelo que a gente tem visto nas pesquisas, o Flávio como principal candidato de direito, o Caiado com certeza não é um candidato de centro, ele é um candidato de direita também, mas aí a gente tem que, vou te perguntar, o que você acha? O PSD, ele quer ganhar uma eleição do PT, ele se soma nessa ideia de juntar votos num primeiro momento para decidir no segundo turno, ou a intenção de fato é a Câmara dos Deputados, de somar força e ter uma bancada maior também?

Eu não vejo a menor possibilidade do Caiado emplacar de fato a eleição. Claro, na política a gente fala que até vaca voa, então tudo pode acontecer, mas no cenário que está posto com Flávio Bolsonaro herdando de uma maneira muito rápida todo o capital político do seu pai, ele cresceu muito rápido nas pesquisas, ninguém esperava que ele ia pontuar tanto. E aí também uma outra questão para a gente analisar.

A gente tem Flávio Bolsonaro, obviamente, como um candidato da direita, mas ele está buscando o eleitorado moderado. Então ele está ali com um discurso mais moderado no Dia das Mulheres, ele fez ali umas campanhas no seu Instagram sobre o Dia das Mulheres, num tom extremamente moderado.

E o Flávio, eu vejo que é o único candidato que consegue fazer isso, consegue buscar o público mais centrista sem se descolar da direita, porque ele é do próprio sobrenome, ele é um Bolsonaro. Então, nitidamente, que ninguém vai dizer que ele não está representando o direito.

Se a gente vê um movimento de busca pelos votos do centro por outros candidatos, isso não vai acontecer, como é o caso do Eduardo Leite, o Caiado pode cair nesse mesmo problema. Então, essa busca pelos votos de centro vai ser uma disputa, tanto do Flávio quanto do Lula, que agora a gente também vai falar um pouquinho do Lula, que ele está tentando, obviamente, buscar os votos de centro, porque os da esquerda raiz, ele tem, apesar de toda essa crise de corrupção e impunidade, ele segue pontuando ali com esse público esquerdista.

Qual que você acha que são os principais temas da direita nesse momento, fora a Anistia? O que pode agregar os votos para a direita brasileira nesse momento? Primeiro, eu acho que a gente precisa falar de segurança pública. É um tema que esteve muito em alta no ano passado, principalmente por conta da operação do Rio de Janeiro, onde ficou escancarada uma realidade que o Brasil inteiro já conhece. A gente está falando de 25% da população brasileira que vive em áreas comandadas pelo crime organizado, que a polícia não chega.

Então é assustador saber que tem lugares, muitos lugares, são mais de 20 milhões de brasileiros, que eles não têm o básico, eles não conseguem contratar uma internet básica sem ter que pagar para o crime. Então isso é um assunto que está em alta e vai crescer cada vez mais. Inclusive isso refletiu várias eleições na América Latina, como Chile, por exemplo, El Salvador, a gente fala bastante. Então o Brasil deve refletir essa pauta.

E a segunda pauta que também não dá para descartar e está, infelizmente, mais em alta do que nunca, não sei do que nunca, porque no Brasil sempre esteve em alta, é o combate à corrupção. Então, a gente está falando aqui desses dois grandes escândalos, INSS e Banco Master, em que a gente vê o sistema se blindando, o sistema trabalhando para...

não expor ali o caso de corrupção do filho do presidente, do irmão do presidente, ou de ministros do STF que estão se blindando um dia atrás do outro. Um ministro dá uma decisão para blindar o outro ministro. Então, com certeza, essas duas pautas aí eu colocaria como as duas entre as top mais importantes. E agora, do outro lado, né, na reação presidenciável, hoje o Lula deu uma declaração confirmando o Alckmin como se eu visse mais uma vez.

Sânia, o que isso significa, né? No mandato, inclusive, que ele tem uma altíssima rejeição.

O mesmo formato para uma eleição. Qual é a tua análise sobre isso?

Primeiro é a dificuldade do Lula em emplacar um sucessor, né? Ele não consegue, ele já tentou ali com o Alckmin, com o Alckmin não, perdão, com o Haddad, que não deu certo. Agora também nessa tentativa forçada de lançar ele ao governo do, a candidatura ao governo do estado de São Paulo, tendo a plena convicção de que vai ser uma candidatura em vão, né? Vão perder a candidatura, mas é para pontuar ali um projeto petista, para que ele consiga alavancar votos no estado de São Paulo. Ele tentou com a Dilma e todo mundo sabe o que aconteceu.

E o Alckmin veio se somando na eleição passada para trazer um discurso de moderação, fez uma gestão pífia, então ele não conseguiu ser alguém que de fato trouxe uma moderação, a gente viu, pelo contrário, uma gestão cada vez mais extremista. Então o próprio Alckmin foi na posse do Khamenei, o ex-presidente Irã, que agora foi morto, o Alckmin posou do lado dele, de alguém que matou ali milhares, milhares de cidadãos iranianos por protestarem, alguém que mata mulher, que mata gay.

enfim, que representa o pior que existe numa sociedade. O Alckmin foi quem foi prestigiar a posse de um sujeito como esse. Então a gente vê que até em questões básicas, porque é básico não apoiar um ditador como esse, o Alckmin conseguiu se curvar o projeto petista, trazendo esse extremismo.

E claro, ainda assim ele é um ex-PSDB, ele é alguém que quer tentar trazer uma imagem de mais moderado, os discursos dele são discursos mais moderados, mas não cola mais, o pessoal já entendeu, já se sabe que é só a continuidade do mesmo projeto político.

E aí eu volto para a primeira questão, que é, na falta do PSD, que é o que a gente estava discutindo antes, que agora vai lançar o Caiado, o PSB vai tentar ser esse espaço aí de tentar buscar moderação, de tentar buscar um voto mais moderado. Mas eu não sei se vai caber muito bem, porque a gente já viu quatro anos de Alckmin com o Lula e viu que nada teve de moderado nessa gestão.

E quando a gente fala de projeto político, uma pessoa que vai querer em algum momento ser presidente da república, ou se candidatar, ser precandidato, ser aceito como um precandidato à presidência da república, ele precisa construir uma carreira política. Você enxerga novos, possíveis nomes nesse momento no cenário político, pessoas que estão crescendo, que obviamente não nessa, mas numa próxima eleição, possam se despontar nesse aspecto?

Eu acho que tem vários nomes aí se lançando, muito se discute o que pode acontecer, mas a política é muito rápida, tudo muda muito de uma hora para outra. Então até quatro meses atrás a gente estava discutindo aqui o Tarcísio, e muito se falava que o Tarcísio não ia sair agora para sair numa próxima, mas se ele fizer uma gestão...

não tão bom, o nome dele pode se apagar. Isso também foi discutido quando a gente falou sobre o Ratinho, muita gente falou, não, porque ele é jovem, ele quer disputar a presidência, só que esse não é um bom ano para ele. Quando ele sai da disputa, ele recua, inclusive vale destacar isso também, ele recuou no momento em que o PL apoiou aqui no estado do Paraná o governador Sérgio Moro, ou seja, é alguém que estava fora do grupo do Ratinho.

que estava crescendo nas pesquisas, o candidato do Ratinho estava fraco nas pesquisas e segue fraco nas pesquisas, até se discute se ele vai manter o candidato que ele até então estava apoiando, que é Guto Silva. Então a gente vê o enfraquecimento do Ratinho, que embora ele possa ter desenhado ali uma estratégia para se lançar agora ou esperar para se lançar na próxima, não é assim que a política funciona.

Fora esses nomes, a gente vê nomes que estão no páreo. O próprio governador Romeu Zema vai insistir até o dia de hoje. Ele é para candidato à presidência da República, é um bom nome, fez um excelente trabalho em Minas Gerais. Isso aqui, de novo, não vejo que cabe.

o nome dele para vencer as eleições nesse ano, acho que não é isso que a população está pedindo. O Caiado também é um bom nome, apesar de já estar na política há um bom tempo, o Caiado disputou a primeira eleição presidencial, as eleições diretas que a gente teve em 89, então não é um nome tão novo, mas eventualmente ele pode crescer.

Só que é muito difícil prever. O que a gente consegue ver o que está acontecendo é a herança de Bolsonaro. E quem tem o sobrenome Bolsonaro conseguiu herdar esse capital e despontou muito na frente. E aí, Bruna, só para finalizar esse meu comentário, se a gente lembrar, até uns meses atrás, quando a gente falava de sucessão do Bolsonaro, a gente não falava de Flávio, a gente falava de Eduardo.

E a Michelle entrava também uma vez ou outra. Então nem o próprio Flávio, que agora está despontuando nas pesquisas, há quatro ou cinco meses atrás não era colocado assim. Então não tem como a gente definir. Tem muito chão ainda para rolar até a gente chegar nesses novos novos. E para a gente finalizar hoje o episódio, como a gente está só em mulheres e você mesma falou da Michelle, como que fica a Michelle nesse cenário? Como que você enxerga o caminho político dela nesse momento?

Então, a Michelle, a gente tem que lembrar também que ela está numa situação humana bem estável, de estar nessa situação agora com o marido dela em domiciliar, aí viu o filho do marido dela, Eduardo Bolsonaro, lá na SIPAC, fazendo um comentário que, na minha opinião, devia ser livre, cada um tem que falar o que quiser, mas ele...

Enfim, não critico e nem julgo o Eduardo Bolsonaro por ter feito esse comentário. Mas o comentário dele foi, vou mostrar esse vídeo para meu pai. Isso foi motivo suficiente para pedir o fim da domiciliar de Jair Bolsonaro. Então pensa a Michelle em toda essa situação a nível pessoal, tendo que receber o marido em casa, daí com uma ameaça dele ter que sair de casa, daí não pode mexer na rede social, não pode dar entrevista. Então, nitidamente, a carreira política dela também é afetada.

E aí a gente também lembra que houve desavenças entre a Michele e os filhos do Bolsonaro. Então um exemplo aqui é a candidatura do PL no Ceará, que por um lado queriam apoiar uma conjuntura ali junto com o Ciro Gomes, a Michele foi contra e foi apoiar Eduardo Girão como candidato ao governo do Ceará.

E isso gerou um grande burburinho, e aí a Michelle contra Flávia, contra Eduardo, é o que complica um pouco a situação, era um momento de unidade, né? A família precisa estar unida, até porque Jair Bolsonaro não pode falar, ele não pode dizer qual é a vontade dele. Mas eu vejo que essas desavenças já estão passando, acredito que muito em breve a gente deve ter esse apoio, com certeza, com mais convicção da Michelle à Flávia, e o projeto da família Bolsonaro deve estar em torno de Flávia Bolsonaro, que está indo super bem, pelo menos nesse início de pré-cala.

campanha. Anny, muito obrigada, queria agradecer a tua participação aqui com a gente, eu queria lembrar o pessoal lá de casa também, que tá assistindo a gente, ou ouvindo a gente, que a gente tá nos últimos dias da Semana do Consumidor. Então, por R$ 1,90, vocês garantem a assinatura da Gazeta do Povo pelos primeiros seis meses, aproveitem, eu vejo vocês no próximo episódio.

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