Episódios de 15 Minutos | Gazeta do Povo

EUA x Irã: os novos capítulos

30 de março de 202615min
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*) O podcast 15 minutos da Gazeta do Povo analisa os novos capítulos das tensões geopolíticas no Oriente Médio, focando no confronto entre Israel, Irã e Estados Unidos. O programa detalha a estratégia de Donald Trump, que oscila entre a pressão militar — incluindo a possível ocupação da estratégica Ilha de Kharg — e a busca por novos acordos diplomáticos.
Participantes neste episódio2
B

Bruna Kovati

HostJornalista
F

Frederico Juncker

Co-hostJornalista
Assuntos1
  • Conflito Irã-EUAEstratégia de Donald Trump · Intervenção militar no Irã · Programa nuclear iraniano · Ilha de Kharg · Estreito de Hormuz
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Olá, bem-vindos a mais uma edição do podcast 15 minutos da Gazeta do Povo. Eu sou a Bruna Kovati, jornalista da Gazeta do Povo, e apresento para vocês o podcast que vai te deixar bem informado com notícias do Brasil e do mundo, com comentários do Frederico Junkert, que já está aqui do meu lado. Bem-vindo, Fred. Olá, Bruna. Olá, os amigos da Gazeta do Povo.

Antes de a gente começar, eu quero te lembrar da nossa promoção da Semana do Consumidor, gente. Por apenas R$ 1,90 por mês, você garante a assinatura da Gazeta do Povo pelos primeiros seis meses. Tá acabando essa promoção, então aproveita, aponta a câmera do seu celular para o QR Code e se torne um assinante da Gazeta do Povo.

Hoje é um dia daqueles que a gente vai agradecer muito a análise do Fred, porque a gente vai falar sobre um contexto econômico, político e geopolítico com relação ao conflito entre Israel e o Irã e também a intervenção dos Estados Unidos. Já faz um mês que eles estão tentando fazer uma intervenção para acabar com o conflito e nesse momento o presidente dos Estados Unidos, o Donald Trump, dá declarações que cada hora vão para um lado.

Uma hora ele diz que está se acordando com o novo regime do Irã e outra hora que ele está pronto para...

tomar um petroleiro ou que então ele vai tentar tomar posse de uma ilha próxima, Washington vai tomar posse de uma ilha próxima da região do conflito. Fred, em que ponto a gente está e o que a gente pode analisar de tudo isso?

Perfeito, Bruno, a situação é bem complicada, diferente do que os Estados Unidos pensavam a princípio, de que fosse uma solução fácil, assim como foi no caso da Venezuela, da captura do Maduro no início desse ano, houve um agravamento desse conflito entre Estados Unidos, Israel e o regime iraniano, e a situação é muito mais complexa e passa justamente pela importância geopolítica do Irã ali no contexto do Oriente Médio.

É importante fazer aqui uma retrospectiva histórica da escalada desse conflito entre os três países, Estados Unidos, Israel e Irã. Desde a chegada do Atolá Khomeini ao poder em 1979, ele se colocou muito claramente como inimigo dos Estados Unidos e do Estado de Israel, a quem se referia como o grande Satan e o pequeno Satan.

Veio uma escalada desses conflitos, de uma retórica beligerante entre os países ao longo do tempo, e um dos pontos de maior tensão entre os países era justamente o programa nuclear iraniano.

O Irã chegou a se comprometer com a ONU de que desenvolveria a energia nuclear para fins pacíficos, meramente para fins científicos, e não o enriquecimento do urânio para fins de armamento nuclear. No entanto, conforme acusações de uma série de países do mundo, o Irã violou essa...

iniciativa de desenvolvimento do urânio e estava enriquecendo o urânio para fins de armamento nuclear. E, portanto, os Estados Unidos, especialmente depois de outubro de 2023, quando tiveram aqueles atentados no dia 7 de outubro, atentados terroristas.

Ingressando, inclusive, os terroristas dentro do estado de Israel e matando civis, houve essa escalada de tensão no Oriente Médio, que redundou em junho do ano passado, na denominada Guerra dos Doze Dias. Quando Israel faz uma série de ataques aéreos contra instalações nucleares iranianas, inclusive os Estados Unidos fizeram aquele grande bombardeio, que redundou em uma destruição parcial do programa nuclear iraniano.

Dentro desse contexto, no final do ano passado, em dezembro, houve uma série de manifestações populares no Irã, ali no território do país como um todo, especialmente diante do agravamento da situação econômica do país, com a inflação descontrolada e o embargo econômico que gerou prejuízos econômicos evidentes à população.

Nessa escalada de manifestações no país, houve a repressão violenta dessas manifestações. Apura-se que aproximadamente 30 mil civis tenham sido mortos em decorrência desses protestos, até então que os Estados Unidos decidem lançar aquela operação chamada Fúria Épica contra o Irã no dia 28 de fevereiro próximo.

Essa ofensiva militar redundou na morte do grande líder do regime iraniano, o Ayatollah Khamenei, justamente ele que era o grande líder do regime desde 1989, com a morte do Ayatollah Khamenei, e ele acabou sendo executado, assim como as principais lideranças do regime.

Houve a troca, obviamente, dessas lideranças e o próprio filho do Ayatollah Khamenei foi indicado como grande líder do regime, inclusive violando a própria legislação iraniana que proibia que se, de qualquer maneira, houvesse a transferência de poder dentro de uma mesma família, até porque havia, por parte do regime teocrático, críticas à dinastia Reza Pahlévia, que foi a dinastia deposta lá em 1979.

No entanto, diante da morte, do assassinato do grande líder iraniano, o seu filho acabou sendo indicado como novo grande líder. E qual é a dificuldade principal hoje em relação ao regime iraniano? Primeiro, se vê o enraizamento das estruturas de poder.

especialmente da guarda revolucionária, que é o braço repressivo e armado do regime, que não só desempenha uma função policial e policial-política, mas também administra grande parte da vida econômica do regime iraniano. Segundo apurações, quase 30% da atividade econômica do regime passam pelo controle da guarda revolucionária, que...

administra empresas estatais, dentre outras áreas da vida econômica iraniana. Então, há uma dificuldade de achar a dissidência suficiente dentro do regime para fazer uma transição de uma ditadura teocrática para uma democracia.

Em relação especificamente ao agravamento dessa crise, ele passa justamente pelo Estreito de Hormuz, onde ali trafegam 20% do petróleo exportado mundialmente. Então, é um ponto estratégico no comércio global e está sob controle dentro do território iraniano.

O Irã tão logo foi atacado decide fechar e bloquear parcialmente o estreito, impedindo que embarcações dos países aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio possam exportar seu petróleo pela via marítima. E aí o Trump, então, dá essa declaração muito forte de que ele...

está avaliando a possibilidade de fazer uma tomada da ilha de Karg. E essa ilha tem uma importância fundamental dentro do contexto iraniano, porque ela é responsável, essa ilha. Ela é uma ilha pequena, de 8 km², 20 mil habitantes.

aproximadamente, esses 20 mil habitantes que são dedicados justamente à indústria petrolífera, trabalhadores da indústria petrolífera iraniana. E essa ilha é responsável por 90% do petróleo exportado pelo Irã. E os Estados Unidos estão ameaçando...

fazer a tomada militar dessa ilha justamente em função do bloqueio do Estreito de Omurs, como uma tentativa de pressionar o regime iraniano a parar, inclusive, os seus ataques ali no Oriente Médio, inclusive ataques que atingiram, por exemplo, Dubai e outras cidades muito importantes ali no Oriente Médio. Então, o Trump chegou a dar essa declaração neste último final de semana dizendo o seguinte, para ser honesto...

minha ideia favorita é tomar o petróleo do Irã, mas algumas pessoas estúpidas nos Estados Unidos dizem, por que você está fazendo isso? Mas são pessoas estúpidas. Talvez tomemos a ilha de Karg, talvez não, temos muitas opções. Isso também significaria que teríamos que ficar lá na ilha de Karg por um tempo.

E ele também deu uma declaração dizendo o seguinte, que há grandes progressos nas negociações com figuras paralelas ao atual líder supremo, e disse além disso, que se por algum motivo um acordo não for alcançado em breve, o que provavelmente acontecerá, e ele deu até o dia 6 de abril para que se chegue a um acordo.

E se o Estreito de Hormuz não for aberto para negócios, imediatamente encerraremos nossa adorável estadia no Irã explodindo e obliterando completamente todas as suas usinas de energia, poços de petróleo e a ilha de Carg, que ainda não tocamos de propósito. E ele se refere também às próprias usinas de dessalinização, sabe, a importância ali da água, é uma região desértica ali, o Oriente Médio, e aproximadamente 400 usinas de dessalinização no Oriente Médio como um todo.

O próprio Irã ameaçou que, se os Estados Unidos fizerem novos ataques contra o seu território, que eles vão destruir essas usinas dos outros países do Oriente Médio. Então, é um cenário mais complexo daquele que nós identificamos em relação à Venezuela, em que Maduro foi preso. Inclusive, o próprio Maduro teve uma segunda audiência na semana passada, esteve lá com o juiz do Distrito de Manhattan.

para continuidade do processo contra ele, dentro de outras coisas ali, respondendo pelo crime de tráfico internacional de drogas, e essa pressão do presidente americano em relação ao regime do Irã, ameaçando tomar uma nova medida militar. Tanto assim que havia presente ali...

na região do Oriente Médio, aproximadamente 40 mil homens, soldados americanos, e eles aumentaram esse efetivo para 50 mil soldados, dentre os quais a chegada, nessa semana, de 2.500 fuzileiros navais e 2.500 marinheiros. Esses fuzileiros navais, tropas especiais, como aquelas ali foram utilizadas para a captura do Maduro no início desse ano.

Esse efetivo de 50 mil homens não seria suficiente para uma incursão em terra no Irã. A gente está falando de um país que tem quase um terço do território americano e 93 milhões de habitantes. Só para dar aqui, fazer um atítulo de comparação em operações militares na região, o Estado de Israel, para fins ali de...

controlar a faixa de Gaza depois dos atentados de outubro de 2023, eles se utilizaram de 300 mil homens para conseguir estabelecer um controle sobre a faixa de Gaza. Da mesma maneira, quando os Estados Unidos fizeram um ataque contra o Iraque em 2003, se utilizaram ali mais ou menos de 250 mil soldados. Então, nesse cenário, 50 mil soldados não seriam suficientes para ter uma...

uma iniciativa militar dentro do território iraniano, mas eventualmente fazer uma tentativa de estabelecer um controle sobre essa ilha, que é muito importante do ponto de vista estratégico para a região. Além disso, há um desgaste do próprio Trump hoje nos Estados Unidos em relação a esse conflito contra o Irã, dentro daquele movimento do MAGA, movimento conservador americano.

Uma das plataformas de campanha do Trump foi justamente evitar iniciar novas guerras e fazer incursões terrestres em território americano, justamente um desgaste, e ele está passando por esse desgaste em relação a uma parcela muito grande do movimento conservador americano, em especial pelo que eles...

vem como uma influência muito grande do Estado de Israel dentro da política interna americana e uma insatisfação, então, com essa incursão militar americana no Irã. E por isso até que o Trump tem dado essas declarações dúbias se vai ou não.

aumentar o efetivo de tropas ali, para que efetivamente os Estados Unidos façam uma incursão terrestre no Irã, porque ele sabe que isso pode repercutir, ainda mais nesse ano, que é um ano em que há eleições de meio de mandato, disputa de vagas, especialmente na Câmara dos Deputados.

e a preocupação de que ele venha a perder a maioria que ele tem hoje nas duas casas congressuais americanas. Então, é um cenário difícil que coloca o presidente americano na berlinda também, considerando que a situação é muito mais complexa do que pareceria à primeira vista.

E, além disso, Trump deu uma declaração em relação à própria questão do petróleo e países amigos de Cuba. A gente começou falando aqui da questão da própria Venezuela, a captura do Maduro, e Trump tem dado declarações crescentes de que haver uma mudança de regime em Cuba. E um dos mecanismos dos quais ele está se utilizando para pressionar o regime cubano era justamente também o embargo em relação ao petróleo que abastece a ilha.

O principal fornecedor de petróleo até então era a Venezuela. Com a captura do Maduro, ele impede que a Venezuela continue exportando e dando o petróleo, aproximadamente 20 mil barris de petróleo por dia, que eram fornecidos para a ilha caribenha.

E agora ele pontualmente autorizou que um petroleiro russo pudesse atracar em Cuba para fornecer 730 mil barris de petróleo bruto ao regime cubano, considerando justamente um cenário de apagões diários que a ilha está sofrendo por falta justamente de energia. Ele disse o seguinte, que temos um petroleiro lá...

Não nos importamos que alguém descarregue um navio em Cuba porque eles precisam sobreviver. Se um país quiser enviar petróleo para Cuba agora, não tem problema nenhum. Prefiro deixar entrar, seja a Rússia ou qualquer outro, porque as pessoas precisam de aquecimento, refrigeração e todas as outras coisas necessárias.

Então você vê também ele aumentando, e sempre nessa estratégia dúbia, aumenta a pressão, depois alivia um pouco a pressão, até para deixar um canal aberto de diálogo também agora, um dos canais de diálogo em relação a Cuba com o neto do Fidel Castro. Então é um cenário complexo, e só para concluir também, o próprio Estado de Israel está sendo questionado nesse último final de semana, em Domingo de Ramos, que é uma data importante do calendário cristão, em que o patriarca...

da Igreja Católica em Jerusalém, o senhor cardeal Per Batista Pitzabala, ele foi proibido de ingressar na Igreja do Santo Sepulcro para realizar a missa do Domingo de Ramos. Isso gerou uma grande repercussão internacional, fortes críticas ao Estado de Israel, que alegou justamente que os ataques do Irã não havia como garantir a segurança dessas lideranças religiosas para a realização da missa. E aí o próprio Netanyahu se manifestou autorizando então...

que o cardeal católico pudesse realizar a missa de Domingo de Ramos. Então, é um cenário cada vez mais complexo na região e aguardemos aí se o Trump conseguirá chegar a um acordo, a data definida até dia 6 de abril com o Irã, justamente considerando esse contexto de aumento até do preço do petróleo em função do bloqueio do esteito de Hormuz, Burulá.

Prete, muito obrigada. Como a gente fala sempre aqui, vocês vêm muito além da notícia, né? Todo esse cenário todo e para entender melhor o que está acontecendo no mundo. Eu vejo vocês nos próximos episódios, mas antes disso, não se esqueçam, gente. Promoção da Semana do Consumidor se torne um assinante da Gazeta do Povo 1,90 pelos primeiros seis meses. Aproveite!

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