Episódios de 15 Minutos | Gazeta do Povo

Vorcaro vai delatar? Bastidores apontam crise no STF

19 de março de 202615min
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*) Este episódio do Podcast 15 Minutos explica como funciona a delação premiada no Brasil e por que a troca de advogado de Vorcaro levanta suspeitas sobre uma estratégia mais ampla de colaboração com a Justiça.
Assuntos15
  • Banco MasterPrisão preventiva · Troca de advogado · Possível acordo de colaboração · Envolvimento de ministros do STF · Estrutura do esquema criminoso
  • Ministro Alexandre de MoraesOperação para salvação · Tentativa de blindagem · Potencial renúncia · Proposta de preservação em delação · Negociação frustrada
  • Ministro Dias ToffoliPossível entrega em delação · Resort em Angra dos Reis · Fundo Arlin do Banco Master · Acordão para salvação de outro ministro · Sacrifício no tabuleiro político
  • Resort em Angra dos ReisParticipação do Ministro Toffoli · Compra de cotas · Fundo Arlin · Banco Master · Movimentação financeira suspeita
  • Nelson TanureVerdadeiro líder da organização criminosa · Proprietário do Banco Master · Empresário e investidor · Conflitos societários · Relações promíscuas com Vorcaro
  • Vladimir TimmermanInvestidor ativista · Denúncia do Banco Master · Participação em CPI do crime organizado · Descoberta das relações ilícitas · Processamento por Vorcaro
  • Delação Premiada INSSConceito legal · Funcionamento no processo penal · Meio de obtenção de prova · Necessidade de corroboração · Requisitos para condenação
  • Historia da CienciaDecisão de André Mendonça · Extensão por 60 dias · Manutenção na fase de investigação · Competência da polícia federal · Estratégia processual
  • Segurança OperacionalDepoimento de Vladimir Timmerman · Quebra de sigilo de fundo · Investigação do Banco Master · Exposição de relações ilícitas
  • Jose de Oliveira Lima - AdvogadoEspecialista em colaboração premiada · Casos anteriores · Reunião com André Mendonça · Contatos com polícia federal · Estratégia de acordo
  • STF Setor PrivadoImpedimento de quebra de sigilo · Proteção de coautores · Sequestro de relatoria · Muro de proteção a colegas · Ressurreição de processos
  • Inflação e Política MonetáriaFiscalização deficiente · Suposta corrupção de funcionários · Pagamentos de propina disfarçados · Inação regulatória · Cumplicidade
  • Comissão de Valores MobiliáriosFiscalização do mercado · Ex-diretor da CVM · Corrupção de funcionários · Movimentação para escritório de advocacia · Compliance em ações judiciais
  • Incorporacao ImobiliariaPropriedade de Nelson Tanure · Compra da Upcom · Avaliação financeira · Envolvimento de Gabriel Galípolo · Banco Fator
  • Procuradoria-Geral da RepúblicaProteção a ministros do STF · Atuação em manifestações · Competência sobre colaboração premiada · Denúncia criminal
Transcrição30 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Olá, bem-vindos a mais um episódio do podcast 15 Minutos da Gazeta do Povo. Eu sou a Bruna Kovac, jornalista, e apresento para vocês o podcast que vai te deixar bem informado sobre as notícias do Brasil e do mundo com comentários do Frederico Juncker, que já está do meu lado. Bem-vindo, Fred. Olá, Bruna, e olá aos amigos da Gazeta do Povo. Hoje a gente vai falar mais um pouquinho sobre o caso Master, sobre o Daniel Vorcário, uma possível delação premiada. Mas antes disso, antes de começar esse assunto super importante,

manda do consumidor. Por apenas R$ 1,90 você assina a Gazeta do Povo pelos primeiros seis meses. Aproveita, não fica de fora e apoia o nosso conteúdo. Então, Fred, para a gente começar a falar sobre essa possível delação, eu queria explicar para o pessoal o que é uma delação premiada, como é que ela funciona. Perfeito. A delação nada mais é do que o Instituto previsto no processo penal brasileiro, quando investigado pela prática de um crime, de uma integrante de uma organização criminosa,

com a justiça para fins de desnudar os aspectos da materialidade do delito praticado, quais os crimes praticados e qual a hierarquia, a divisão de tarefas daquela organização criminosa. Ela é considerada, delação, um meio de obtenção de prova, porque, basicamente, é a partir dessa colaboração, dessa prestação de informações do investigado, ou já a réu, à autoridade policial ou ao Ministério Público, que se parte ali para encontrar outras provas,

para que essas pessoas envolvidas nessa trama criminosa venham a ser condenadas. Ela não é um meio de prova porque a colaboração por si só não é suficiente para levar a uma condenação. A colaboração tem que estar ali referendada por outros elementos de prova. Por exemplo, se um real colaborador diz que, olha, fulano de tal recebeu dinheiro a título de propina, a mera declaração não é suficiente.

ou um vídeo indicando entrega de dinheiro por parte do corruptor e do corrupto. Então, ela é um meio de obtenção de prova. E há uma expectativa muito grande em relação à delação do Daniel Vorcaro. E por quê? Desde a sexta-feira passada, quando a segunda turma do STF manteve a sua prisão preventiva, o Daniel Vorcaro decidiu mudar de advogado. Ele retirou da sua defesa o advogado Pierre Paulo Bottini e indicou como seu novo advogado,

José Luiz de Oliveira Lima, conhecido como Juca. E por que essa troca de advogados é relevante? Porque basicamente esse advogado é especialista em processos de colaboração premiada. Ele participou, por exemplo, do processo de colaboração premiada de Léo Pinheiro, envolvido na Lava Jato, ex-diretor-presidente da construtora OAS. Ele também atuou recentemente como advogado do Braga Neto,

uma golpista e, além disso, ele atuou como advogado do José Dirceu à época do processo do Mensalão. Ele se reuniu, José de Oliveira Lima, com o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, e se reuniu também com a Polícia Federal, indicando que Daniel Vorcário estaria disposto a fazer um acordo de colaboração premiada completa, ali indicando todos os partícipes desse esquema criminoso. Importante porque envolve justamente altas autoridades da República.

E se estaria construindo ali nos bastidores de Brasília um acordão para, basicamente, entregar a cabeça do Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal, cuja participação no esquema envolve o seu resort Tayayá, no norte do Paraná, e as vendas das cotas do resort para um fundo ligado ao Banco Master, o fundo Arlen, e uma tentativa de blindagem de salvar o ministro Alexandre de Moraes. No entanto, a Polícia Federal e o próprio ministro André Mendonça, que

a quem caberia homologar eventual acordo de colaboração premiada feito pelo Daniel Vorcaro, falou que só aceitarão uma colaboração se o Vorcaro entregar todas as pessoas envolvidas nesse esquema criminoso. O próprio jornalista Mário Sabino escreveu um texto dizendo dessa operação abafa ou salva Alexandre de Moraes. Ele falou o seguinte, que uma operação salva Alexandre de Moraes está em curso em Brasília. É um óbvio lulante que está em curso uma operação para salvar Alexandre de Moraes em Brasília.

do caso Master, a peça do STF a ser sacrificada em troca da salvação de Moraes é, obviamente, Dias Toffoli, ao que tudo indica, um caso perdido diante das novas provas que a PF supostamente tem contra ele. De acordo com a jornalista Malu Gaspar, o Lula estaria articulando a licença do ministro, seguida da renúncia ao seu cargo. O presidente tem dito a pessoas próximas ter sido informado de que o que já se tornou público até agora a respeito da relação de Toffoli com o grupo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seria apenas um aperitivo do que ainda pode vir

E casa-se com a informação de que, sem citar nomes, é de que o ministro André Mendonça, relator do caso, foi procurado por advogados da antiga equipe da Defesa de Vorcaro, que lhe propuseram entregar o ministro e preservar outro em eventual delação dos telematários. E o ministro que queria preservar era justamente o Alexandre de Moraes. Então, essa troca de advogado decorre justamente dessa tratativa que teria sido feita pelo Pedro Paulo Botinho, querendo poupar o ministro Alexandre de Moraes,

essa tentativa de salvamento e então a troca na sequência pelo advogado José Luiz de Oliveira Alima. Aqui um dado interessante que o próprio, ontem, o ministro André Menonça decidiu pela prorrogação do inquérito da Polícia Federal por mais 60 dias. Esse parece um fato banal, mas não é. E por que não é? Porque pela lei de organização criminosa, os acordos de colaboração premiada podem ser feitos ou pelo Ministério Público ou pela Polícia Federal. Só que a Polícia Federal só pode fazer

o acordo de colaboração na fase de investigação. Se concluída a investigação e aí o processo, o inquérito, o relatório final do inquérito vai para as mãos do Ministério Público para decidir pela promoção ou não de uma denúncia, a partir desse momento só cabe fazer um acordo de colaboração premiada a ser conduzido pelo Ministério Público. E sabemos que o Procurador-Geral da República, Paulo Aguné, tem atuado justamente para blindar os ministros do Supremo Tribunal Federal.

Essa própria prorrogação do inquérito por mais 60 dias indica, por parte das autoridades, uma vontade de fazer um acordo de colaboração premiada e que esse acordo seja feito pela Polícia Federal e não pela Procuradoria-Geral da República, justamente porque o Paulo Gonê, na própria prisão preventiva do Vorcaro, ele se manifestou fora do prazo de 72 horas que havia sido concedido pelo ministro André Mendonça e depois disse que não encontrou elementos ali para a decretação da prisão preventiva do Vorcaro quando, ao analisar os autos,

você vê que é a situação típica de uma prisão preventiva, com tentativa de coação de pessoas por meio do sicário, daquele departamento de espionagem que o Vorcaro fez para constranger e intimidar pessoas e evitar que toda essa trama criminosa fosse apurada. Outro dado interessante ontem na CPI do Crime Organizado, que foi uma das principais oitivas realizadas até agora envolvendo esse caso, há um investidor famoso no Brasil chamado Vladimir Timerman.

Ele é conhecido como investidor ativista. O que isso significa? Ele compra ações de empresas de capital aberto, buscando justamente encontrar falhas na administração dessas empresas, melhorar a governança corporativa dessas empresas para que elas tenham as suas ações apreciadas e ele consiga, então, oferir um lucro nessas operações. E, basicamente, ele virou sócio da Gafisa, uma construtora de propriedade do Nelson Tanuri,

no Brasil, quem compra empresas aí em dificuldade. E ele, Vladimir Timmerman, ele então comprou ações da Gafisa, que tinha como sócio-controlador o Nelson Tanuri, e começou uma briga societária contra o Nelson Tanuri. E, ao investigar as relações do Tanuri, ele descobriu essas relações promíscuas entre Nelson Tanuri e o Daniel Vorcaro. E ele, ontem, na CPI do Crime Organizado, disse basicamente que, na sua opinião, ao investigar todo esse caso, ele foi o primeiro a denunciar, inclusive,

o Banco Master, para as autoridades competentes, a CVM, a Comissão de Valores Imobiliários, o próprio Banco Central e o Tanuri também, ele falou que o Vorcaro nada mais é do que o pau-mandado de Nelson Tanuri, que o Tanuri seria o verdadeiro capo, líder dessa organização criminosa. Ele disse o seguinte, que o Daniel Vorcaro seria um mero pau-mandado e um garoto de recados dos reais proprietários do Master, que seria então esse empresário Nelson Tanuri.

O meu sentimento, nas palavras do Vladimir Timmerman, é que ele, o Vorcaro, é uma pessoa que realmente não sabia nem o que estava acontecendo.

Foi colocada para ser a cara do Master para fazer as conexões políticas. Outra questão de que muito se fala sobre a suspeita de que o senhor Nelson Tanuri é o dono do Banco Master, eu juntei três elementos para mostrar que esse é o caso. Se deu muita atenção às mensagens que foram vazadas do senhor Daniel Vorcaro. Fiz um exercício de procurar as datas em que questões importantes em relação ao banco, movimentações importantes e dívidas supostamente assumidas de Vorcaro na monta de R$ 3 bilhões para ver se tinha alguma menção a isso com a namorada dele.

não tinha uma única menção. E um ponto importante é a captura da CVM, Comissão de Valores Imobiliários, os ativos que foram utilizados para perpetrar os desvios que são da competência da CVM. E eu consigo apresentar elementos que mostrem o porquê aconteceu o que aconteceu. Essas pessoas, não é que elas achavam que elas sairiam impunes, elas tinham certeza de que sairiam impunes. E ele vai rolando, então, ontem, esse senhor Vladimir Timelan, todos os fatos que levam a crer que tinha por trás o Vorcaro esse senhor Nelson Tanuri,

conhecido no mercado acionário brasileiro, comprou a Gafis, essa grande construtora, chegou a comprar a Liga, a Telecom, empresa de telefonia e de internet do estado do Paraná, a EMAI, empresa de saneamento básico do estado de São Paulo, e ele se envolve nessas brigas societárias, e então, de alguma maneira, o Vladimir Timanon entregou na cabeça do Nelson Tonuri. Vladimir Timanon, que chegou a ser processado, inclusive, pelo Nelson Tonuri, em função dessas denúncias que ele vinha

E quem foi advogada da ação movida pelo Vorcaro contra esse senhor Vladimir Timmerman? Nada mais ou nada menos do que a esposa do ministro Alexandre Moraes. Nessa única ação que ficou comprovada a atuação dela, fora uma questão que ela falou que prestou de consultoria jurídica, de compliance, uma ação judicial, a única existente em nome da Viviane Bartir de Moraes foi essa ação movida pelo Daniel Vorcaro contra esse investidor Vladimir Timmerman por suposto crime de calúnia e difamação.

inclusive, a julgar um caso envolvendo esse senhor Vladimir Timerman no ano passado, numa ação movida pelo Nelson Tonuri, uma ação de stalking. Nelson Tonuri alegou que estaria sendo perseguido pelo Vladimir Timerman e o Vladimir Timerman acabou perdendo o recurso por meio de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, decisão essa que foi referendada pela primeira turma. Mas não só isso, o Vladimir Timerman traz alguns outros fatos interessantes. Ele falou de uma incorporação que foi feita pela empresa Gafisa,

que, como eu disse, é do Nelson Tanuri, e foi a incorporação de uma incorporadora chamada Upcom, e quem fez a avaliação financeira dessa empresa Upcom foi o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galipo, à época quando ele era presidente do Banco Fator, o banco que foi responsável por fazer a assessoria financeira Gafisa nessa incorporação dessa outra incorporadora Upcom. Então você vê os personagens aí se repetindo nessas histórias já há muito tempo.

Outro personagem que surge nessa declaração do Vladimir Timmerman é um ex-diretor da CVM,

atribuição de fiscalizar o mercado acionário brasileiro. E esse diretor da CVM, tão logo ele sai da CVM, seis meses depois ele vai trabalhar para Walfrido Vard. Walfrido Vard é um advogado famoso, advogado do Nelson Tanuri, do Nelson, do Daniel Vorcaro e sócio também do jornalista Reinaldo Azevedo. Então, você vê essa teia de relações que vem há muito tempo, que já havia sido denunciada há muito tempo pelo Vladimir Timerman. O próprio Vladimir Timerman, ontem na CPI do Crime Organizado, disse o seguinte,

Master, quando ele fez a primeira denúncia, era de 15 bilhões de reais. E ele só chegou nesses 50 bilhões de reais porque as autoridades responsáveis por fiscalizar a instituição nada fizeram ou foram coniventes ou foram, inclusive, nos casos mais graves, corrompidas por Daniel Alvorcaro, como é o caso daqueles dois servidores de carreira do Banco Central que foram corrompidos ali mediante o suposto contrato de consultoria, que na verdade era nada mais, nada menos do que o pagamento de propina. Além disso, para concluir,

A própria CPI do crime organizado ontem chegou a quebrar o sigilo do fundo envolvendo ali o Banco Master e o Resort Tayhaya, do ministro Dias Toffoli, e basicamente o ministro Gilmar Mendes deu uma nova decisão blindando o Dias Toffoli. Ele que já havia feito isso em relação à Maridit, a quebra de sigilo da Maridit, ele considerou que era impertinente essa quebra de sigilo, e o ministro Gilmar Mendes então deu uma nova decisão agora impedindo a quebra de sigilo do fundo Arlen, que é esse fundo que comprou as cotas de participação

do resort Itaiaiá. O senador Alexandre Vieira se manifestou da seguinte maneira em relação a essa decisão de Gilmar Mendes. Ele disse que, basicamente, o ministro Gilmar ressuscitou novamente um processo para sequestrar uma relatoria e firmar o muro de proteção para o colega Toffoli. Então, esses são os desdobramentos mais recentes do caso Master e a expectativa, então, com a delação do Vorcaro, que vem entregar não só o Dias Toffoli, mas também o próprio ministro Alexandre Moraes.

Valeu. A gente vê que a gente está puxando o novelo e que tem bastante coisa ainda para a gente falar nos próximos dias.

Acompanhando a gente aqui no 15 Minutos. A gente vai falando mais sobre o assunto e aproveito para reforçar o convite. Assine a Gazeta do Povo. Aproveite a promoção da Semana do Consumidor. 1,90 é pelos primeiros seis meses. Eu vejo você no próximo episódio. Até mais. Eu sou da linha de que valores importam. Eles são a base para você e sua família irem adiante. E para nós construirmos juntos um Brasil melhor. Por isso, quero chamar você para conhecer e assinar a Gazeta do Povo.

Valores difíceis de encontrar hoje em dia. Eu sou a Cristina Grêmio, jornalista e colunista da Gazeta do Povo. Quero você comigo na Gazeta para acompanhar as notícias que realmente importam. Gazeta do Povo. Nas suas mãos, o poder de decidir.