EUA miram crime organizado brasileiro
- PCC CV TerrorismoDesignação de organizações terroristas pelos EUA · Diferenças na definição brasileira versus americana de terrorismo · Congelamento de ativos e proibição de transações · Consequências legais para indivíduos e empresas · Possível escalada militar contra essas organizações
- Cúpula CELACEncontro de Trump com 12 líderes latino-americanos · Realização em Miami em março · Coalizão contra cartéis e narco-terrorismo · Definição de parceiros e aliados estratégicos · Ausência de Lula, Petro e Cheinbaum
- Divergência Brasil-EUA sobre estratégiaDiscordância na classificação de terrorismo · Pressão americana por ação militar conjunta · Diferenças de motivação política e ideológica · Documento com 11 pontos dos EUA · Reunião bilateral prevista na Casa Branca
- Geopolítica de Trump, Xi e PutinAlinhamento com os EUA: El Salvador, Paraguay, Argentina, Equador · Ausência e distanciamento: Brasil, Colômbia, México, Nicarágua · Análise de Arthur Mattfield sobre perdedores e ganhadores · Cooperação militar Equador-EUA contra cartéis · Rejeição militar chinesa no Peru
- Operação Lança do Sul dos EUAAbate de embarcações no Caribe e Atlântico · Combate ao tráfico de drogas marítimo · Morte de aproximadamente 150 pessoas · Demonstração de poder militar americano
- Visitas e operações bilaterais dos EUAReunião de oficiais americanos com Ministério da Justiça brasileiro em maio · Operação conjunta Equador-EUA contra cartel Los Lobos · Queda do ditador Nicolás Maduro relacionada a combate ao cartel · Visita prevista de Lula aos EUA em fevereiro
- Designação para órgãos e instituiçõesKrish Noin como enviada especial dos EUA · Antigo papel como chefe do Departamento de Segurança Interna · Coordenação com lideranças da América Latina · Mandato de combate a narco-terroristas
- Atuação transnacional de facçõesPCC em Paraguai · PCC na Argentina · Células do PCC dentro dos EUA · Ameaça continental
Olá, para você que acompanha a Gazeta do Povo, eu sou a Rosana Bittencourt e esse é o podcast 15 Minutos, em que você fica bem informado com os comentários e análises do Frederico Juncker, que está aqui ao meu lado. Fred, bem-vindo. Olá, Rosana e olá aos amigos da Gazeta do Povo. Antes de começar aquele recadinho de sempre, tem uma campanha nova aí na Gazeta do Povo, você vai pagar só R$ 1,90 por mês nos primeiros seis meses de assinatura.
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no YouTube da Gazeta do Povo. Aproveita também para conhecer o nosso clube de membros, porque tem muito conteúdo exclusivo para quem é assinante do clube. Agora, Fred, vamos falar do assunto do dia, porque uma colunista do site Wall está dizendo que nos próximos dias, ou nas próximas semanas, os Estados Unidos devem anunciar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, o PSC, como organizações terroristas. O que isso significa na prática, Fred?
Pois é, Rosana, temos essa novidade envolvendo as relações entre o Brasil e os Estados Unidos e um ponto aqui de
potencial conflito entre os dois países. Os Estados Unidos, o presidente americano, desde que assumiu a presidência em janeiro do ano passado, ele passou a designar uma série de cartéis da América Latina como organizações terroristas estrangeiras, visando justamente aumentar o combate a essas organizações, inclusive se utilizando das forças militares para fazê-lo. O governo brasileiro recebeu visita de oficiais americanos em maio do ano passado, quando oficiais do Departamento de Estado se reuniram,
com funcionários do Ministério da Justiça brasileiro para tratar justamente dessa classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. No entanto, o governo brasileiro divergiu dessa classificação por parte do governo americano. Essa classificação visa justamente aumentar o conjunto de recursos dedicados ao combate a essas narco-organizações. Essa classificação é feita pelo Departamento de Estado americano
cancelamento automático de todos os bens ou ativos ligados a essas organizações criminosas dentro do território americano e a proibição de que indivíduos e empresas americanas se relacionem de qualquer maneira com essas narco-organizações sob pena de responder a crimes que podem chegar a depender do resultado, se tiver um resultado morte, até a prisão perpétua. Para além disso, o cancelamento de vistos e proibição de entrada de indivíduos ligados a essas organizações nos Estados Unidos.
também a questão de uma escalada de enfrentamento dessas narco-organizações com o emprego de efetivos militares. Isso que aconteceu, por exemplo, desde setembro do ano passado, quando os Estados Unidos lançaram a Operação Lança do Sul, em que começaram a bater embarcações no mar do Caribe, nos oceanos Pacífico e Atlântico, justamente embarcações que estão envolvidas com tráfico de drogas. Até o presente momento já foram abatidas aproximadamente 45 embarcações,
que levaram à morte de mais de 150 pessoas. Há uma pressão muito grande por parte do governo americano em relação a esses esforços que devem ser feitos em conjunto pelos países da América Latina e essa prioridade do governo americano em relação ao combate a essas narco-organizações. Por que Brasil e Estados Unidos divergem contra essa classificação? Nos termos da legislação brasileira de terrorismo, você considera como terrorismo o elemento motivação do grupo que atua.
motivação político-ideológica ou religiosa. E essa nova classificação dos Estados Unidos prescinde desse elemento de motivação político-ideológica. Para os Estados Unidos, a atuação dessas narco-organizações como uma ameaça à segurança nacional americana se dá justamente pelo comércio de drogas, sem que necessariamente esses grupos tenham que ter uma motivação explicitamente política. Há uma série de países hoje alinhados aos Estados Unidos nessa questão,
de semana, o presidente Donald Trump se reuniu com 12 líderes da América Latina para tratar justamente da criação do chamado Escudo das Américas. Foi realizada essa cúpula, então, na cidade de Miami, em que estiveram presentes ali uma série de líderes dos países da América Latina, dentre eles o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, o presidente de El Salvador, Naid Bukele, o presidente do Paraguai, Santiago Penha, o presidente da República Dominicana, o presidente do Panamá, o presidente da Bolívia, Rodrigo
presidente da Argentina, Javier Milley, presidente de Honduras, da Costa Rica, da Guiana, presidente eleito do Chile, José Antônio Casti, e Daniel Noboa, o presidente do Equador. E chamou a atenção nesse evento justamente a ausência do Lula, do Gustavo Petro, presidente da Colômbia, da ausência da Claudia Sheinbaum, presidente do México, e também do ditador da Nicarágua, Daniel Ortega. Então, você vê um alinhamento hoje desses países da América Latina com o governo americano,
de uma operação conjunta entre o exército do Equador e as forças militares americanas para combater o cartel Los Lobos dentro do território equatoriano. Então, você vê esse alinhamento que congrega um esforço conjunto em setores de segurança, de inteligência, em que os serviços de segurança dos países possam compartilhar informações que ajudem a debelar essas organizações criminosas e, eventualmente, inclusive o apoio logístico, militar para ações conjuntas
no campo de combate efetivo a essas organizações, com, por exemplo, ataques aos locais onde são produzidas essas drogas. Essas operações redundaram, inclusive, na própria queda do ditador venezuelano Nicolas Maduro, por meio da identificação dele como líder do cartel de Los Soles, uma das principais lideranças desse cartel, que hoje se confunde com o Estado venezuelano. E o presidente americano, nessa cúpula do Escudo das Américas,
claro, o seguinte, ele disse o seguinte, que assim como formamos uma coalizão para erradicar o Estado Islâmico, agora precisamos de uma coalizão para erradicar os cartéis. E ele disse o seguinte, que devemos reconhecer que o centro da violência dos cartéis é o México, onde os cartéis estão alimentando e orquestrando grande parte do derramamento de sangue e do caos neste hemisfério. Além disso, o próprio secretário de Estado, Marco Rubio, também deu uma declaração dizendo o seguinte, que no dia 7 de março, ele, Marco Rubio, estará reunido com o presidente americano nessa cúpula
Escudo das Américas na Flórida. Os Estados Unidos receberão seus aliados mais próximos e com ideais semelhantes em nosso hemisfério para promover a liberdade, a segurança e a prosperidade em nossa região. Esta coalizão histórica de nações trabalhará em conjunto a fim de desenvolver estratégias destinadas a impedir a interferência estrangeira em nosso hemisfério, combater gangues e cartéis criminosos e narcoterroristas e a imigração ilegal em massa.
E quem ficou designada como enviada especial dos Estados Unidos para fazer a coordenação com esses países na cúpula Escudo das Américas
foi a senhora Chris Nowen. Ela era chefe do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. O departamento foi criado justamente após os ataques terroristas do 11 de setembro para fazer o monitoramento de eventuais células terroristas dentro dos Estados Unidos e auxiliar no combate a essas organizações ao redor do mundo. Ela saiu da Secretaria de Segurança Interna e assumiu agora como enviada especial dos Estados Unidos para fazer a coordenação com essas lideranças da América Latina.
nesse evento. Nossos objetivos serão destruir os cartéis, ir atrás desses narcoterroristas que estão destruindo nosso povo, matando nossos filhos e netos. Também vamos manter nossos adversários afastados, aqueles adversários que desejam mudar nosso modo de vida e nossos valores que estão fora de nosso hemisfério. Queremos garantir que continuaremos a manter fora de nosso território e focar em construir alianças entre nós mesmos e nossas forças.
Trabalhamos e estamos orgulhosos do Departamento de Guerra com a conferência que muitos de vocês acabaram de participar nos últimos dias e continuaremos fazendo isso.
Queremos que nosso hemisfério seja mais seguro, mais soberano e mais próspero. Estamos ansiosos para trabalhar com vocês em tudo isso. Esses esforços, inclusive colocam agora o presidente Lula e a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, numa rota de colisão com o governo americano. Um dos principais hoje analistas da segurança na América Latina, chamado Arthur McFields, ele foi embaixador na Nicarágua na Organização dos Estados Americanos.
O presidente Lula falhou novamente com o artigo dizendo o seguinte, que Lula e Scheinbaum, os grandes perdedores da Cúpula Escudo das Américas, ele falou o seguinte, se você não está na mesa, você é o menu. A reunião deste fim de semana não foi um simples coquetel, mas uma definição de parceiros e aliados estratégicos. A Cúpula Escudo das Américas foi um divisor de águas. Os Estados Unidos querem aprofundar sua aliança com todos aqueles países dispostos a somar esforços para combater juntos o narcotráfico e o crime organizado.
Brasil, o maior país da América Latina, com o exército mais poderoso da América do Sul, não fez parte da cúpula. Lula é visto como um defensor ferrenho das ditaduras do Irã, Cuba e Venezuela. O governo de Lula condenou a Operação Fúria Épica, na qual Estados Unidos e Israel decidiram por fim ao regime dos ayatolás. Celso Amorim, o assessor principal radical de Lula, disse que o Irã não é o Iraque e não será marionete de ninguém.
Lula, que tem previsto uma visita aos Estados Unidos neste mês, fez campanha eleitoral atacando o dólar, pedindo que Maduro seja julgado na Venezuela e que pare
articulativo contra a ditadura de Cuba. Aí ele cita o Bukele, presidente de El Salvador, como a estrela do evento. O presidente Donald Trump reconheceu seu homólogo salvadorenho como um amigo capaz e que concretiza resultados. Era um presidente bonito e jovem, hoje é mais velho e bonito, mas o que mais importa é que ele faz um bom trabalho. A Argentina, também o país sul-americano, recebeu recentemente um apoio monetário de 20 bilhões de dólares do FMI.
Trump impulsionou a vitória de Milley nas eleições de meio de mandato. E no ano passado, a Argentina apostou em caças
tecnologia americana. Não se tratou apenas de modernizar a força aérea. Não, isso implica uma relação de cooperação e treinamento de longo prazo. Adeus aos FJ-17 da China. E o México que foi o grande perdedor da reunião. O presidente Trump foi claro. Os cartéis governam o México e estão perto demais. Afirmou que o México é o epicentro da violência dos cartéis. Que o presidente Trump se mostrou contrário às políticas de negociação e abraços com os narcotraficantes.
É preciso erradicá-los a todos que são câncer que se espalha e contamina. Por outro lado, a própria primeira-ministra
destacou no encontro por ser uma parceira-chave com os Estados Unidos. Recentemente, a primeira-ministra desmascarou as mentiras da Claricom e sua defesa à ditadura de Cuba. A Goiânia, também a nova potência petrolífera da América do Sul, também esteve presente. Nos últimos anos, tornou-se a nação de crescimento mais rápido em toda a América. Sua presença desempenha um papel estratégico. Chile e Bolívia também participaram da cúpula escura das Américas e esses dois países deram uma guinada histórica à direita.
O Chile projeta uma postura mais prudente em relação à China e a Bolívia rompeu com
20 anos do socialismo cocaleiro fracassado. A ausência do Peru também foi um elemento inesperado. Apesar das oscilações políticas, o Peru tem uma economia sólida e reforçou sua aliança com os Estados Unidos. E no mês passado, eles deram uma porta fechada ao navio militar da China que tentava entrar no país. Navio militar esse que esteve presente no Brasil, no porto do Rio de Janeiro, que era um navio militar hospitalar chinês.
Os Estados Unidos estão de volta com uma mensagem um tanto nova. Não querem apenas aliados, mas amigos confiáveis, dispostos a colaborar na agenda de segurança e defesa sem restrições e com
Então esse analista aponta justamente essa rota de colisão hoje entre o Brasil e os Estados Unidos, nesse ponto sensível da segurança continental envolvendo a
a atuação do Comando Vermelho e do PCC no Brasil e ameaça que essas duas organizações representam, não só ao Brasil, mas inclusive à América Latina como um todo, considerando no caso do PCC, por exemplo, atuações em países como Paraguai, Argentina e células, inclusive, do PCC dentro do próprio Estados Unidos. Então, a expectativa para a reunião que venha a ser realizada entre o Lula e o Trump agora na Casa Branca é meados desse mês e se eles tratarão especificamente desse tema
E com essa classificação muito provável das duas organizações como organizações terroristas, coloca uma maior pressão sobre as autoridades brasileiras para combater tanto o PCC quanto o Comando Vermelho. A princípio no campo de compartilhamento de informações, no campo da inteligência, como foi feito inclusive na operação dentro do México para a captura e acabou resultando na morte do Almento, que era o líder do cartel Nova Geração Ralisco, a principal organização terrorista, narcoterrorista em atuação no México.
e, eventualmente, também uma pressão maior para que ações militares efetivamente sejam praticadas contra essas organizações, Luciana. É claro que a gente sabe todos os problemas que essas organizações causam já no Brasil, mas a gente fica aguardando para ver que problemas diplomáticos vão causar a partir de então. A expectativa é nessa reunião da Casa Branca e, eventualmente, o governo americano apresentou um documento com 11 pontos no começo de fevereiro, do que eles consideram essenciais no combate a essas narco-organizações. No entanto, o Itamaraty até o momento não respondeu esse documento,
de alguns pontos e eles queriam que o Lula encontrasse com o Trump para alinhar melhor essa questão. Então, vamos aguardar a próxima reunião. O episódio de hoje fica por aqui. Para você que ainda não é assinante da Gazeta do Povo, acesse gazetadopovo.com.br barra oferta e garanta na Semana do Consumidor, então, pagamento de apenas R$ 1,90 por mês nos primeiros seis meses de assinatura. E você que está com a gente no YouTube, não deixe de conhecer o nosso clube de membros. A gente espera vocês, claro, na próxima edição. Tchau.
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