Cláudio Castro está, de novo, na mira da PF
Rossana Bittencourt
Anny Dias
- Operação Compliance Zero e Ciro NogueiraCláudio Castro · Banco Master · Operação Compliance Zero · RioPrev · Fraudes em títulos bancários
- Relações entre Crime Organizado e Poder PúblicoCrime organizado · Milícia · Marielle Franco · Chiquinho Brazão
- Funcionários fantasmasCláudio Castro · Tribunal Eleitoral · Abuso de poder econômico
- Declaração de IR 2026Segurança pública · Crime organizado · Narcoterrorismo
- Governador interino do Rio de JaneiroMoreira Franco · Antony Garotinho · Rosinha Garotinho · Sérgio Cabral · Luiz Fernando Pezão · Wilson Witzel · Leonel Brizola · Marcelo Alencar · Benedita da Silva · Francisco Dornelles
Olá, para você que acompanha a Gazeta do Povo, eu sou a Rossana Bittencourt e esse é o podcast 15 minutos, em que você fica bem informado com os comentários e análises da Anny Dias, que está aqui ao meu lado. Anny, bem-vinda. Muito obrigada, Rossana. Bom, antes de começar o programa de hoje, aquele recado importante para quem ainda não é assinante da Gazeta do Povo, é só acessar gazetadopovo.com.br barra oferta. Assim você garante a sua assinatura pagando apenas R$ 1,90 por mês. Está aí na tela para você ver essa promo Gazeta Total.
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Bom, Anny, vamos falar então sobre o Rio de Janeiro, porque mais uma vez, né, Cláudio Castro, ex-governador do Estado, é alvo aí de mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal, dessa vez por envolvimento também no escândalo do Banco Master. Exatamente, né, Rossana? Agora a gente está na oitava fase da Operação Compliance Zero. Cada semana a gente tem um novo nome aqui para conversar sobre e dessa vez quem não escapou da mira dessa operação foi o governador Cláudio Castro, que aliás ele já estava ali...
envolvida anteriormente, já tinha tido suspeita, já tinha tido uma outra busca e apreensão no dia 15 de maio e no dia de hoje estourou mais uma, né, Rosana? Bom, e a gente, a Gazeta do Povo destaca, Anny, que o caso Mastra, como você disse, então já se desdobra em cinco linhas de investigação, mesmo sem a delação do Daniel Vorcaro, que é outra polêmica, né, que a gente espera que venha, mas ninguém sabe se vai vir.
Pois é, é isso que a gente falou, inclusive, em um dos programas aqui, que houve a recusa da delação do Daniel Vorcaro, e agora a gente consegue entender por que todas as outras provas já estão dando indícios suficientes para essa operação se alavancar.
Nesse caso específico, acho que você vai trazer também para a gente essas informações, a gente está falando da RioPrev, que é a Previdência Estadual do Rio de Janeiro, que foi usada ali de gancho para que o governador Cláudio Castro investisse em ações, em títulos do Banco Master. A gente está falando de 3 bilhões de reais investidos de dinheiro público, dinheiro que era para ser usado para pagar a Previdência dos...
Dos cidadãos que trabalharam a vida inteira, que contribuíram com o INSS, que contribuíram com a Previdência, e esse dinheiro foi usado para alavancar um banco que estava fraudando títulos bancários. Então, quando a gente vê que é grave quando o Banco Master fez todo esse esquema com bancos privados e com corretoras que ofereceram esses títulos para investimento, é ainda mais grave quando se trata de dinheiro público.
É ainda mais grave quando se trata de um agente público, de um governador, tomando decisões em nome de todos os cidadãos que o elegeram para investir dinheiro público num caso de fraude, num caso de corrupção. E é esse o escopo dessa investigação agora, desse desdobramento da oitava fase da Operação Compliance Zero.
Bom, e não é fácil, né, para o povo do Rio de Janeiro, porque parece que cada governador se envolve em algum escândalo. Perfeito, Rossana, estava até aqui, a gente conversava antes, eu fiz um levantamento para contar para vocês do histórico dos governadores do Rio de Janeiro, que vocês devem imaginar não é simples. Então a gente tem quem foi preso, quem que foi governador do Rio de Janeiro que já foi preso.
Moreira Franco foi preso em 2019 na Lava Jato. Antony Garotinho também foi preso diversas vezes. Rosinha Garotinho foi preso em 2017. Sérgio Cabral, todo mundo aqui conhece o Sérgio Cabral, também foi preso na Lava Jato. Luiz Fernando Pesão foi preso também em 2018.
E a gente teve também o Whitzel, o Wilson Whitzel, que não foi preso, mas ele foi afastado do cargo e sofreu impeachment por suspeitas do quê? De corrupção, é óbvio. E agora a gente tem Cláudio Castro como na mira dessa operação aí que também a gente está aguardando desdobramento.
Além desses, tem alguns poucos que não foram presos, que eu também fiz o levantamento aqui para comentar com vocês. A gente tem o Leonel Brizola, que inclusive foi governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, Marcelo Alencar, Benedita da Silva e o Francisco Dornelis, que era vice do PESÃO, foi investigado junto com o PESÃO.
mas não foi preso. Então, Roçana, a gente vê que essa situação no Rio de Janeiro é bem complicada, né? É um estado que ele é palanque de inúmeros casos de corrupção, é um estado em que o crime organizado avança cada vez mais, inclusive tem suspeitas e indícios nessa fase da operação do Cláudio Castro com o envolvimento...
com o crime organizado no Rio de Janeiro. E eu estou falando do mesmo governador que autorizou aquela operação que aconteceu no ano passado de confronto dentro do morro, enfim, em que a gente teve uma repercussão nacional e até internacional. Foi o governador Cláudio Castro que autorizou o confronto armado da polícia com o crime organizado e agora a gente vê que talvez ele também esteja envolvido com o crime organizado.
Bem complexa essa situação, Rosana, antes eu vou ver para você, eu quero fazer mais um comentário sobre o Cláudio Castro. Vamos lembrar que recentemente ele também foi tornado inelegível, não foi pelo caso do Banco Master, foi por casos de utilizar, de acordo com o Tribunal Eleitoral, ele utilizou inúmeros milhares de servidores públicos, até servidores fantasmas para fazer campanha para ele em 2022.
O curioso é que o caso só foi julgado depois da operação do Rio de Janeiro, então levou quatro anos ali para o caso ser julgado, o que também é bem suspeito. Quando o nome dele se alavancou, de repente decidiram julgar esse caso, mas as provas mostraram ali o que a justiça confirmou.
foi que houve uso de servidor fantasma para fazer campanha, abuso de poder econômico, o que é extremamente grave também, por isso que ele está inelegível hoje e por isso que a gente viu essa situação no Rio de Janeiro de ficar sem governador, basicamente. Não tinha o governador, não tinha o vice, não tinha o presidente da Assembleia e foi uma sucessão de casos bem curiosos.
E para a gente falar dessa situação juridicamente, quero saber se você tem uma opinião sobre que consequências podem atingir Cláudio Castro, quer dizer, ele já está considerado inelegível, essa já é uma primeira questão eleitoreira, vamos dizer assim, ou eleitoral. Mas o que mais pode acontecer com ele e mais? Te pergunto também que instrumentos que a gente tem jurídicos para tentar evitar que isso aconteça no Rio, quer dizer, a gente sempre tem governadores envolvidos em escândalos e posteriormente ou são depósitos ou...
são tornados inelegíveis, tem algum instrumento que a população possa se utilizar para evitar que isso aconteça?
Luciana, é muito complicada a situação no Rio de Janeiro mesmo para a gente mudar. Primeiro, vou começar pela primeira pergunta, o que pode acontecer agora? Essa fase da operação está bem recente, então a gente está com poucas informações. Eu acabei de ver, inclusive, uma entrevista do próprio advogado do governador Cláudio Castro falando também com um pouco de incerteza sobre os próximos passos. Então, a gente não tem todas as informações ainda, porque a gente sabe que aconteceu uma busca e apreensão no seu condomínio.
foi levado, estava inclusive na dúvida, na entrevista do advogado ficou dúbio a resposta se foi apreendido um ou dois telefones celulares e só. Se sabe também desse valor de 3 bilhões investidos da Rio Prev no Banco Master, dos quais 2 bi parece que já foram devolvidos.
Mas ainda assim, como está no início da fase, nada é impossível. Inclusive a prisão pode ser um dos instrumentos jurídicos se esse ponto avançar. E destacando mais uma vez que isso não tem nada a ver com a inelegibilidade do Cláudio Castro. Cláudio Castro, inclusive, que renunciou antes de ser tornado inelegível, basicamente prevendo essa inelegibilidade.
É fato que ele não vai para a urna esse ano, talvez assista a eleição de dentro da prisão. É uma possibilidade. E aí sobre o Rio de Janeiro, né? Eu li aqui agora o histórico de governadores que foram presos, essa situação bem difícil que acontece no Estado inteiro.
Um detalhe, que não é nada de um detalhe, mas que quem mora no Rio de Janeiro, nem só quem mora sabe, é essa questão do crime organizado, que não está só ocupando territórios, ocupando os morros, mas também está na política. Então, como eu mencionei, um dos indícios...
que está sendo levantada agora nessa oitava fase, é de envolvimento do governador Cláudio Castro com o crime organizado. O que se for comprovado é seríssimo. E aí, Rossana, quando a gente discute essa situação, eu lembro de uma cena do filme Tropa de Elite, que é um pouco discreta no filme, não é a parte principal, mas que mostra um comitê de campanha de um senador.
em que o crime organizado tem um comitê dentro do morro e ali os traficantes passam e basicamente mostra como o crime também trabalha para eleger políticos. E aí quando você me pergunta qual que é a solução, fica muito difícil agora, infelizmente, para o cidadão que mora no Rio de Janeiro pensar numa solução que não o voto, que não tentar eleger pessoas.
que vão se opor a isso, pessoas com coragem. A gente sabe que no Rio de Janeiro a milícia também domina boa parte da política. Teve também o caso da Marielle Franco, que foi assassinada por confrontar a milícia, depois ficou confirmado pela justiça que o caso dela foi basicamente um caso de confronto à milícia. E aí Chiquinho Brasão foi o mandante do crime contra uma vereadora.
Então, infelizmente, eu não tenho a solução para o estado do Rio de Janeiro, mas eu acho que o voto coerente é um bom caminho. Sei que temos também poucas opções no Rio de Janeiro, mas há algumas opções. Bom, e de fato, a gente fala disso num ano em que a gente sempre bate nessa tecla aqui no 15 minutos, que é um ano eleitoral essencial, né?
Com certeza, Rossana. E aí eu gosto de fazer, lembrar o que a gente também discute aqui, que é um dos principais pontos que nas últimas pesquisas mostram, que é a preocupação do brasileiro. E quando a gente fala de Rio de Janeiro, a gente sabe que é fundamental a segurança pública.
Segurança Pública vai pautar e já está pautando as eleições de 2026. Já pautou eleições de outros países vizinhos, outros países latinos, que também sofrem do mesmo mal do crime organizado, do tráfico, do narcoterrorismo, que a gente sabe que acontece no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro. E aí quando a gente olha esse cenário, não tem como não lembrar de Cláudio Castro, não lembrar da operação que aconteceu no ano passado.
em relação ao crime organizado. Ele autorizou isso. Ele, inclusive, ficou muito popular na época. Falaram-se muito do nome dele para Senado. O nome dele estava muito em alta por representar um certo confronto com o crime organizado. O que se faz necessário agora, em 2026, em ano eleitoral?
E aí quando a gente observa que o nome que autorizou essa operação, que inclusive depois teve audiência de Alexandre de Moraes no Rio de Janeiro para discutir sobre essa operação, para questioná-lo, lembrando que o próprio STF limitou a polícia, limitou a polícia de subir nos morros por uma decisão do STF, a DPF das favelas. E aí o STF mesmo foi questionar e pressionar o Cláudio Castro.
Ou seja, eu estou dando esse panorama para dizer que um dos poucos governantes que a gente viu se opondo ao crime organizado, tendo atos de coragem, agora se vê num caso de corrupção e talvez pior que corrupção seja a corrupção para o crime organizado, o que é terrível, dado o cenário que muitos brasileiros estão, dado as vidas que estão sendo ceifadas pelo crime organizado, ou mortas, ou adolescentes capturados pelo crime organizado, que viram...
criminosos desde a adolescência ou crianças, enfim, é terrível o cenário brasileiro. E aí a gente vê que uma autoridade no Estado poder estar envolvida com crime organizado é mais lamentável ainda. E aí, para não deixar também essa mensagem tão pessimista, é mais que importante, se faz muito mais necessário do que o habitual o voto correto esse ano. Escolher bons parlamentares, olhar todo o histórico, não se apegar a sobrenomes.
porque quem tem os sobrenomes vinculados geralmente tem rabo preso. Então pensar certo, pensar correto e fazer a nossa parte na urna para que a gente não se decepcione cada vez mais.
Tá, então, Anny, agradeço a sua participação mais uma vez com a gente aqui no 15 Minutos. Eu que agradeço, Rosana, sempre um prazer. O episódio de hoje fica por aqui, mas pra você que ainda não é assinante da Gazeta do Povo, tem promoção especial, você acessa gazetadopovo.com.br barra oferta e garante a sua assinatura pagando apenas R$1,90 por mês nos primeiros seis meses. É isso mesmo que você ouviu, é R$1,90 por mês nos primeiros seis meses de assinatura pra ter acesso...
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