Episódios de 15 Minutos | Gazeta do Povo

Por que Ratinho Jr. desistiu de ser candidato

25 de março de 202615min
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*) Este episódio do podcast 15 Minutos analisa as recentes reviravoltas no cenário das eleições presidenciais. O comentarista Frederico Junkert fala da desistência de Ratinho Júnior da corrida ao Planalto, motivada por impasses estratégicos com o PL e o crescimento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
Participantes neste episódio2
F

Frederico Juncker

HostJornalista
B

Bruna Kovati

ConvidadoJornalista
Assuntos1
  • Saída de Ratinho JúniorCandidatura à presidência · Aliança PL e PSD · Candidatura de Sérgio Moro · Eleições 2026
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Bem-vindos a mais uma edição do podcast 15 Minutos, onde você fica bem informado com notícias do Brasil e do mundo, com comentários do Frederico Juncker, que já está do meu lado. Bem-vindo, Fred. Olá, Bruno. Olá, os amigos da Gazeta do Povo.

Antes da gente começar, eu quero te lembrar da nossa promoção da Semana do Consumidor. Por apenas R$ 1,90 pelos primeiros seis meses, R$ 1,90 por mês, nos primeiros seis meses, você garante a assinatura do nosso jornal e confere um monte de conteúdo exclusivo. Hoje a gente vai falar sobre dois acontecimentos recentes que com certeza vão movimentar bastante o período eleitoral em outubro com relação à campanha eleitoral à presidência da República.

que é a prisão domiciliar do nosso ex-presidente Jair Bolsonaro e também a desistência do candidato aqui do governo do Paraná, o Ratinho Júnior, a concorrer a presidente. Fred, como que isso interfere nas nossas eleições de outubro?

Perfeito, Brunão. Essa notícia de que o Ratinho desistiu de concorrer à presidência da República caiu como uma bomba no meio político, surpreendeu muita gente. E é interessante lembrar o porquê dessa decisão, dos vários motivos que levaram o Ratinho a desistir da sua pré-candidatura à presidência da República.

Ele, filiado ao PSD de Gilberto Kassab, estava ali numa competição contra o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para que fosse escolhido como candidato a presidente da República do PSD. E, no entanto, ele acabou fazendo um movimento de recuo.

disse que continuará à frente do governo do estado do Paraná até a conclusão do seu mandato no final agora de 2026. Essa decisão do Ratinho tem vários motivos e alguns desses motivos passam inclusive pela eleição de 2022. Ali em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro estava concorrendo à sua reeleição.

e estava buscando construir palanques nos vários estados do Brasil. Um dos palanques importantes era o estado do Paraná. Ele, então, fez essa ponte, se alinhou ao Ratinho. O Ratinho apoiou o, então, candidato à reeleição, Jair Bolsonaro. E eles ficaram acertados ali que caminhariam juntos no futuro, nas próximas eleições. Essa construção, essa ponte construída em 2022, se repetiu em 2024.

na eleição para a prefeitura de Curitiba, quando o candidato Eduardo Pimentel do PSD, aliado político do Ratinho, ele que era vice-prefeito de Curitiba, se candidatou e acabou se elegendo prefeito da cidade e teve como seu vice Paulo Martins, que em 2022 havia concorrido a cadeira do Senado Federal pelo PL. Inclusive ele foi um dos responsáveis por construir a ponte entre Jair Bolsonaro e Ratinho Jr.

Em 2024, ele concorreu ao cargo de vice-prefeito de Curitiba nessa aliança entre o PSD e o PL.

E qual foi a estratégia adotada para a eleição de prefeito de Curitiba em relação àquele cenário? Você tinha a candidata mais forte, Cristina Grêmio, que concorreu por um partido nanico. Inclusive, muito passou nessa questão dela concorrer por um partido nanico, passou pela articulação política do governador de tentar fechar espaços para que ela não conseguisse se candidatar por um partido maior, com maior tempo de TV, mais recursos e diminuir as chances eleitorais da Cristina Grêmio.

essa estratégia acabou sendo bem sucedida, no segundo turno das eleições acabou perdendo e houve ali uma aglutinação de praticamente todas as forças políticas do Paraná contra a então candidata Cristina Gremmel e ela acabou sendo derrotada.

Agora chegamos a 2026 e o Ratinho queria imprimir a mesma estratégia eleitoral em relação à candidatura do governo. Ele sairia candidato a presidente da República pelo PSD e ali tinham alguns nomes de preferência dele a concorrer ao governo para gerar ali um sucessor dentro da sua linhagem política para assumir o governo do Paraná.

Dentre esses possíveis sucessores, Guto Silva, que era o seu secretário das cidades, Alexandre Cury, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná e Rafael Greco, que era o secretário do meio ambiente e havia sido prefeito de Curitiba até 2024.

E, a princípio, se repetiria agora, em 2026, essa aliança entre o PL e o PSD, com o apoio ali, por exemplo, do Felipe Barros, que é o pré-candidato ao Senado pelo Partido Liberal. Havia também o apoio por parte do presidente do PL do Paraná, deputado federal Fernando Jacobo.

No entanto, as coisas e esse plano acabou sendo mal sucedido. E por quê? Porque no momento em que o Ratinho anuncia o seu intento de disputar a presidência da República, houve por parte do PL, nas figuras do Flávio Bolsonaro, senador pré-candidato à presidência, e do Rogério Marinho, senador pelo Rio Grande do Norte, coordenador político da campanha do Flávio Bolsonaro.

uma conversa com o Ratinho oferecendo a ele a cadeira de vice na chapa do PL. No entanto, essa era uma decisão que, primeiro, ela não passava só pelo desejo do Ratinho, ela também passa pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o Gilberto Kassab tem uma estratégia muito clara.

O PSD é um partido que agrega tanto forças políticas mais ligadas ao petismo e forças políticas mais ligadas ao bolsonarismo. Então, é um partido que dialoga com os vários segmentos e o Kassab não quer se comprometer nem com o Lula e nem com o Bolsonaro, justamente para ter liberdade nos estados.

de construir alianças as mais frutíferas e mais vantajosas para o PSD. E daí a ideia também do Gilberto Kassab, que é um negociador hábil, uma raposa da política, de lançar um candidato que representaria, de alguma maneira, uma certa terceira via.

Até para depois, no eventual segundo turno, se o candidato do PSD não fosse bem sucedido e não chegasse ao eventual segundo turno, ele tem ali uma margem de negociação para negociar com os dois candidatos que eventualmente cheguem a esse segundo turno, buscando ali espaço, especialmente dentro dos ministérios, que é a forma básica de atuação política do PSD. Depois, apoiar em troca de cargos políticos, de ministérios, tanto assim que...

Hoje, por exemplo, o PSD tem ministérios no governo Lula. O Ratinho, no entanto, negou o convite feito pelo PL para ser o vice na chapa presidencial e aí o PL deixou muito claro que não concordava em...

Apoiar o candidato do Ratinho ao governo do Paraná não faria sentido, porque o Flávio Bolsonaro precisa garantir um palanque para fazer a sua campanha no Estado do Paraná. O Estado tem ali um eleitorado, um colégio eleitoral de médio tamanho, aproximadamente 8 milhões de eleitores e votos válidos ali, 6 milhões e meio de votos válidos.

E é um palanque importante, considerando inclusive o cenário eleitoral em 2022, quando a diferença entre o Lula e o Bolsonaro foi muito pequena ali. Você tem aproximadamente 2 milhões de votos. Então, a partir do momento em que o Ratinho anuncia a sua intenção de sair como pré-candidato a presidente, nega o convite para ser candidato a vice na chapa do PL, o PL então...

deixa muito claro que não apoiaria mais o candidato do Ratinho ao governo do Paraná e a cena ao senador Sérgio Moro. O Sérgio Moro estava numa posição delicada no estado do Paraná, porque ele estava afiliado ao partido União Brasil, o partido União Brasil que fez uma federação com o partido progressista, a chamada Federação União Progressista.

E havia resistência por parte do presidente do PP do Progressista no Paraná, deputado federal Ricardo Barros, em relação ao nome de Sérgio Moro. Ele não gostaria que o Sérgio Moro fosse candidato, até porque ele até chegou a travar uma conversa inicial com o Sérgio Moro, indicando que gostaria que sua filha fosse candidata a vice-governadora na chapa do Moro, negociando a eventual indicação da sua esposa, que foi governadora do Paraná, Cida Burguet, uma vaga no Tribunal de Contas do Estado do Paraná. Sérgio Moro.

Ele recusou essa oferta, ele falou que não tinha intenção, até porque ele já tinha alguns nomes como potenciais candidatos a vice dele. Edson Vasconcelos, presidente da Federação das Indústrias do Paraná, e Elizabeth Schmidt, presidente, desculpe, prefeita da cidade de Ponta Grossa, que é um dos maiores municípios do estado do Paraná. Então, o Moro estava encontrando dificuldades.

dentro da sua federação para confirmar a sua candidatura. E o governador do estado do Paraná, Ratinho, estava articulando com os demais partidos para impedir que o Moro conseguisse sair candidato por algum partido de mais relevância, como foi feito com a Cristina Grêmio lá em 2024. No entanto, essa tentativa de articulação para sufocar o Moro resultou fracassada quando...

O Moro, então, vai para Brasília, se reúne, tem o Flávio Bolsonaro com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, com o Rogério Marinho, coordenador político da campanha do Flávio Bolsonaro. E aí eles oferecem, então, o PL para que o Moro saísse candidato pelo Estado do Paraná e garantiu um palanque para o Flávio Bolsonaro no Estado do Paraná. As conversas acabaram resultando bem-sucedidas. O Moro.

se filiou ontem, dia 24 de março, ao PL. Então, fica confirmada essa aliança entre Sérgio Moro e Flávio Bolsonaro.

Para o Moro é importante, porque ele garante e o partido assegurou que ele vai sim sair candidato pelo PL. E como eu disse aqui, no seu antigo partido União Brasil, ele não tinha essa garantia, porque na Federação União Progressista o candidato só consegue validar seu nome se ele for confirmado pelos dois presidentes dos partidos representantes dessa federação e o Ricardo Barros havia deixado muito claro que não concordava com a candidatura do Moro. Então, ele consegue viabilizar sua candidatura agora, o Moro.

pelo PL, pelo Partido Liberal, e ele garante, então, um palanque para o Flávio Bolsonaro no estado do Paraná. Isso complicou muito a situação do Ratim. Quando nós estamos falando aqui de governadores, é muito importante que quando o governador pretende ser candidato à presidência, que ele parta do seu estado com uma união política. Ele não pode partir de uma base eleitoral fragmentada. Então, isso enfraqueceu muito. Esse movimento enfraqueceu muito.

a candidatura do Ratinho à presidência, porque ele partiria, então, do Estado do Paraná fragmentado, rachado. Ele, então, desiste da sua candidatura à presidência da República para assegurar a eleição do seu candidato ao governo do Estado do Paraná e conseguir garantir, então, a sucessão do seu grupo político.

Agora, a especulação sobre quais nomes o Ratinho apoiaria, nossa candidatura ao governo do Estado do Paraná, e os principais hoje são ou Alexandre Cury, atual presidente da Assembleia Legislativa, ou agora surgindo um nome novo, o próprio Eduardo Pimentel, que é o atual prefeito de Curitiba.

Estão em conversações. O Guto Silva, a princípio, já foi descartado como candidato ao governo, diante das pesquisas eleitorais recentemente divulgadas, ele está pontuando de forma muito baixa. Então, ele, a princípio, já foi descartado e agora os principais nomes são o Alexandre Cury ou o próprio Eduardo Pimentel. O Rafael Grech, que foi prefeito de Curitiba, ele migrou do PSD para o MDB.

e a princípio não contaria com o apoio do Ratinho. Então, o que surge nesse cenário, de novo, é a postulação muito provável da candidatura ao governo do Estado do Paraná pelo prefeito de Curitiba, que renunciaria ao cargo de prefeito para disputar o Estado. E isso, como eu disse, complicou muito a sucessão do governo do Estado do Paraná, com o Ratinho encontrando, inclusive, dificuldades. Especula-se ainda de um outro motivo que pode ter levado o Ratinho.

fuga do holofote nacional, a gente sabe que candidatos a presidente tem um escrutínio maior, parte da imprensa.

E o governo do Paraná privatizou a empresa de internet do estado, a Coppel Internet, que depois se transformou na Liga. E esse processo de privatização foi feito e quem adquiriu a Liga foi justamente Nelson Tanuri, que é tido como sócio oculto de Daniel Vorcaro no Banco Master. Então, especula-se que esse poderia ser, inclusive, um dos motivos que levaram o Ratinho a desistir da sua candidatura à presidência da República.

E reforçando ainda mais isso, então você tem, dentro desses três candidatos do PSD, o Ratinho seria o nome mais forte, inclusive, comparado com o Caiado e com o Eduardo Leite, considerando a marca, o Ratinho, o pai dele, comunicador nacional, presidente desde a década de 90, em grandes veículos de comunicação, conhecido.

pela praticamente totalidade da população brasileira. Então, ele tinha uma marca política muito forte com o nome do seu pai e, comparado com o Caiado e Eduardo Leite, ele potencialmente poderia atingir ali uma maior expressão eleitoral do que os dois governadores. No entanto, ele fez esse movimento de recuo que, como eu disse, surpreendeu a todos e agora a candidatura, isso fortalece a candidatura do Suárez Bolsonaro, considerando o próprio apoio do Moro, o Moro que também é uma figura nacional pela atuação na Operação Lava Jato.

E com a própria questão agora da decisão do ministro Alexandre Moraes de conceder a prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Então o ex-presidente Jair Bolsonaro fica ali a despeito de estar preso domiciliarmente, tem um pouco mais de liberdade dentro da sua casa para até participar de articulações políticas de bastidor. E com a própria confirmação pelo Flávio Bolsonaro de que...

mesmo que houvesse uma reversão da situação de ineligibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro nesse ano, considerando seu estado de saúde, o candidato será Flávio Bolsonaro, independente agora do quadro e da situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Como até gosto de dizer, a política brasileira e a política do Paraná nesse momento deixa o House of Cards como uma fichinha, uma mera peça de ficção e a realidade se mostra muito mais complexa até do que histórias ficcionais. Então, Bruna, esse é o cenário.

A decisão do Ratinho surpreendeu muito o meio político e o efeito prático é que ele complicou a situação do seu grupo político no Paraná e, por decorrência, também fortaleceu a candidatura do Flávio Bolsonaro, que conseguiu se livrar de um concorrente que tem o nome de peso nacionalmente, especialmente por causa do pai apresentador.

Fred, muito obrigada mais uma vez pela análise e com certeza nas eleições desse ano a gente vai ter muito o que falar, não só na eleição nacional, mas também o Paraná se desponta como um grande tema de assuntos que, obviamente, repercutem nacionalmente também. Então, lembrando você que está em casa, quer aproveitar para assinar a Gazeta do Povo e saber ainda mais sobre política e outros conteúdos. Promoção da Semana do Consumidor, 1,90 pelos primeiros seis meses. Espero que você assine e vejo você no próximo episódio.

Eu sou da linha de que valores importam. Eles são a base para você e sua família irem adiante e para nós construirmos juntos um Brasil melhor. Por isso, quero chamar você para conhecer e assinar a Gazeta do Povo, um jornal com mais de 100 anos e que representa valores difíceis de encontrar hoje em dia. Eu sou a Cristina Grêmio, jornalista e colunista da Gazeta do Povo. Quero você comigo na Gazeta para acompanhar as notícias que realmente importam.

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