Moraes é notificado pela Justiça dos EUA
Rosana Bittencourt
Anny Dias
- Lei Magnitsky contra MoraesAlexandre de Moraes · Lei Magnitsky · Liberdade de expressão · Plataforma Rumble
- Posição oficial do Brasil e EspanhaEstados Unidos · Ministros do STF · Programa Mais Médicos · Perda de vistos
- Candidatura Flávio BolsonaroFlávio Bolsonaro · Donald Trump · Pré-campanha 2026 · Encontro estratégico
- Interferência dos EUA nas eleições brasileirasEstados Unidos · Eleições brasileiras · TSE · Inquérito das fake news
Olá para você que acompanha a Gazeta do Povo, eu sou a Rosana Bittencourt e esse é o podcast 15 minutos, em que você fica bem informado com os comentários e análises da Anny Dias, que está aqui ao meu lado. Oi Anny, bem-vinda. Obrigada, Rosana, sempre um prazer. Bom, antes de começar o programa de hoje, aquele recado importante para você que ainda não é assinante da Gazeta do Povo.
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Pois é, Rossana, isso veio à tona logo após a tentativa da administração da crise, né? E uma das coisas que a gente pode ressaltar é o fato da proximidade que o Flávio Bolsonaro tem com o Donald Trump. Isso porque, se a gente observar, há semanas atrás, o Lula fez esse mesmo encontro. Foi pra Washington, pra Casa Branca, pra se reunir com o Donald Trump. E foi a primeira vez que o Lula teve esse encontro em Washington com o Trump.
depois de três anos e meio de mandato, falando do mandato Lula 3. E ainda quando se posicionou em relação à imprensa, foi extremamente vago quanto às questões que foram decididas nessa reunião. Foi uma reunião, inclusive, que não foi pública, não teve transmissão ao vivo.
O que a Fox News dos Estados Unidos contou foi que foi pedido do Lula que essa reunião não fosse pública e o que a gente sabe de concreto é que, na verdade, poucas foram as coisas de concreto conquistadas nessa reunião. E a gente está falando de alguém que assume o posto de presidente do Brasil. Então, nitidamente, devia ser uma agenda mais tranquila, mais acessível, mais fácil de ser realizada.
Aí, por outro lado, em meio à maior crise que a direita se encontra, que Flávio Bolsonaro se encontra em 2026, especialmente voltada à pré-campanha do senador, dado que os áudios entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcar circularam bastante pela imprensa, pelas pessoas, enfim, impactando até em questões de pesquisa eleitoral, ele conseguiu com muito mais facilidade uma agenda com o presidente dos Estados Unidos.
Foi para Washington ontem, dia 24 de maio, hoje, dia 25 de maio, já chegou a Washington e a expectativa é que essa reunião seja uma das estratégias para restabelecer a imagem do Flávio Bolsonaro. Para alavancar a sua candidatura, para mostrar a proximidade com um dos maiores parceiros, não só comerciais, como também estratégicos, culturais, que é os Estados Unidos. Então tem um tempo já que a gente já observa a...
O impacto das palavras do Trump no Brasil. Então, desde quando, por exemplo, ele decidiu tarifar o Brasil em vários produtos, alegando questões políticas para justificar as tarifas, ou seja, ele falou que Jair Bolsonaro é seu amigo e que haviam aliados de Jair Bolsonaro presos e perseguidos. Então, isso a gente já vê o impacto do Trump na política brasileira.
Um outro ponto é a questão de liberdade de expressão, que a gente vai entrar também um pouco nesse assunto, em relação a Alexandre de Moraes. Então a gente viu pela primeira vez na história um presidente dos Estados Unidos usando a lei Magnitsky para sancionar um brasileiro, Alexandre de Moraes.
que ocupa o cargo de ministro e aí, de acordo com a justificativa da Magnitsky, usou de seu cargo para violar um princípio fundamental que é a liberdade de expressão, inclusive ameaçando cidadãos americanos que também tiveram seus perfis derrubados e outras sequências de ações que o Moraes...
fez no Brasil e que foi a causa dele receber essa sanção, não só ele quanto a esposa dele. E por aí vai, são várias as ações do Trump que impactam a nossa política. Então, nitidamente, que às vésperas de uma eleição, a figura do Trump também segue sendo relevante. E agora, se encontrando com Flávio Bolsonaro, com certeza vai repercutir bastante.
E você acha, Ene, que é positivo ele se encontrar com o presidente dos Estados Unidos? Porque a gente sabe que nessa fase de pré-campanha tudo pode ser usado contra também um possível candidato. E até a matéria da Gazeta do Povo que trata desse assunto ressalta de que esse gesto tem um potencial de gerar questionamentos por parte especialmente dos adversários do possível candidato, Flávio Bolsonaro, de que seria uma interferência também dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. E aí
Mas aí eles sempre vão falar, né, Rossana? Sempre a oposição está usando ali meios de entender que qualquer ação de Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Jair Bolsonaro é ilegal. Então quando a gente observa 2022, a gente teve um documentário sendo proibido de ser veiculado e isso pelo TSE Alexandre de Moraes proibiu a veiculação do documentário Brasil Paralelo. Então agora, nitidamente, que a visita do Flávio ao Trump vai repercutir, vai gerar um burburinho.
Mas o curioso é que a esquerda brasileira sempre dança a música que está tocando. Então até meses atrás, a esquerda brasileira, que tanto critica o Trump, acha ele autoritário e condena as ações de Donald Trump, estavam comemorando a questão do deputado Alexandre Ramagem, que foi detido nos Estados Unidos. Esse é um deputado que foi condenado por Alexandre de Moraes nessa situação do dia 8 de janeiro e foi detido numa questão de trânsito.
E aí o que repercutiu é que ele seria deportado e tudo mais pela ICE, que é aquela polícia do Trump que está perseguindo imigrantes. E aí a esquerda brasileira comemorou. Então, ou seja, se é alguém de oposição que é pego pelo Trump, aí está certo. Aí a gente viu até Lindbergh Farias elogiando o Trump. Mas em caso contrário, aí o Trump está errado.
Então, o resumo disso é que, claro que eles vão atacar, vão criticar, vão chamar o Trump de fascista, autoritário, tudo quanto é nome que vocês sabem que ele chama. Mas é uma estratégia, é nítido a influência dos Estados Unidos no Brasil, esse diálogo é importante, não defendendo aqui o Trump nas suas ações, é longe de mim fazer isso, eu sei que tem muitas medidas que o Trump realmente se passa em questões políticas.
e ele tem muita força e muita influência, então qualquer coisa que o Trump faz pode ser prejudicial, mas é um aliado, é um aliado, não deveria ser um aliado, os Estados Unidos deveriam ser um aliado, porque sempre foram um aliado histórico do Brasil, é um parceiro comercial, tem várias similaridades culturais, democráticas, é a maior democracia do mundo, nossa Constituição é muito inspirada na Constituição dos Estados Unidos, então evidentemente que deveria ser algo extremamente importante.
E eu acredito que vai ser, acredito que é um ponto importante da candidatura do Flávio, porque mostra diálogo, mostra influência, mostra relevância, mostra alinhamento político-ideológico com o Trump, que hoje está combatendo inúmeros regimes autoritários, então é importantíssimo que a liderança do Brasil também seja uma liderança alinhada com o combate a regimes autoritários. Então, essa é a minha visão, Rosana, acho importante. Claro, a esquerda vai bater no Flávio, como sempre faz.
Bom, e é inegável que o apoio, ou pelo menos conversas com os Estados Unidos, são muito importantes para o governo brasileiro, porque, de fato, é um dos países mais influentes do mundo, interferem na política, na economia, enfim, de várias formas. Mas outra questão muito relevante também dos Estados Unidos, que você já falou no início do programa, é sobre liberdade de expressão. E o ministro do STF, Alexandre de Moraes, então foi notificado, porque ele responde a um processo nos Estados Unidos, justamente por causa de decisões que envolvem empresas norte-americanas.
Perfeito, Rosana. Esse é um dos cases mais emblemáticos em relação à violação de liberdade de expressão que a gente tem no Brasil, que é a plataforma Rumble. A plataforma Rumble é uma plataforma de rede social, que é meio como se fosse um YouTube, algo assim. Em fevereiro do ano passado, ela foi proibida de existir no Brasil. Isso porque a fundamentação da decisão do Alexandre de Moraes é que...
O Alan dos Santos, jornalista Alan dos Santos, que já estava morando nos Estados Unidos, estava usando a plataforma para fazer críticas ao Supremo Tribunal Federal. Além do Alan dos Santos, tiveram outros nomes de brasileiros que moram nos Estados Unidos, com cidadania americana, inclusive, que também teceram críticas às autoridades brasileiras nessa plataforma. E aí o Alexandre de Moraes, como de praxe, pediu para a plataforma remover esses conteúdos, bloquear os perfis.
E a plataforma falou assim, não, eu sou uma plataforma americana, sediada em território americano, tem cidadãos americanos utilizando essa plataforma e eles são livres para falar o que quiserem na minha plataforma. E o Alexandre de Moraes não satisfeito, então deu uma decisão que é uma aberração jurídica.
Eu acompanhei a época, li a decisão, até publiquei um texto aqui na Gazeta sobre a decisão. Ele simplesmente bloqueou essa plataforma. Isso foi em fevereiro do ano passado, em fevereiro de 2026, apenas foi que a plataforma foi reestabelecida. Ou seja, um ano sem uma rede social podendo existir no Brasil. Isso é praxe em ditaduras e regimes autoritários.
Então isso aconteceu e mais uma série de outras medidas com perseguições específicas a determinados cidadãos americanos, brasileiros com cidadania americana. E nos Estados Unidos liberdade de expressão não é brincadeira, isso é gravíssimo e por isso que Alexandre de Moraes responde a processos nos Estados Unidos. Além de, como eu já mencionei, ter sofrido a sanção da Magnitsky, aquela lei que é seríssima nos Estados Unidos pelo mesmo motivo, por violação à liberdade de expressão.
E aí, Rosana, eu acho que o que a gente pode aprender com tudo isso, que eu gosto muito de refletir, é principalmente a seriedade com que os Estados Unidos levam a sério liberdade de expressão. Eu estive nos Estados Unidos no ano passado, inclusive, quando isso aconteceu, eu estava morando nos Estados Unidos.
E as pessoas com quem eu trabalhava naquele momento falavam como assim isso está acontecendo no Brasil e ninguém faz nada? Isso é inimaginável. Se fosse qualquer país sério, algum país que tenha valores sólidos, isso nunca ia acontecer de um ministro simplesmente derrubar uma rede social e está tudo bem, nada acontece.
E eu falava, não é a primeira, é a terceira rede social que ele fez isso, porque ele fez isso com o Telegram, o Telegram ficou fora do ar por algum período, ele fez isso com o Twitter, agora chamado X, que ficou mais de um mês, 39 dias, a gente ficou sem uma das redes sociais mais populares do país, naquela briga de Alexandre de Moraes com Elon Musk, mas na decisão que ele derruba o Twitter, ele menciona que o Twitter também poderia afetar as eleições. Olha só.
Uma rede social em que as pessoas podem conversar e falar sobre os seus votos poderia interferir nas eleições. Sim, poderia, porque numa democracia é assim que funciona. É livre troca de conversas que faz com que as pessoas moldem a sua opinião e votem. Então isso virou uma ameaça para Alexandre de Moraes, por isso a gente ficou sem Twitter. E a terceira rede social foi a Rumble.
que eu comentava. Então é de uma gravidade que, infelizmente, o Brasil não leva a sério. Mas os Estados Unidos, felizmente, levam a sério e a gente consegue ganhar algum benefício em relação a isso que é o Alexandre de Moraes estar nesse processo, eu vejo sim como benéfico. E você acha que de fato ele pode ser punido e gerar uma punição grave para ele?
Sem dúvidas, a gente já viu que os Estados Unidos não estão para brincadeira, então alguns ministros e autoridades brasileiras já perderam o seu visto por algumas ações que os Estados Unidos entenderam como violações a princípios importantes para os Estados Unidos, então não digo nem só essa questão da liberdade de expressão, mas a gente viu, por exemplo, a questão dos médicos.
daquele programa dos médicos cubanos em que descobriu-se depois que o dinheiro do programa, então só para lembrar o que aconteceu, médicos cubanos vinham para o Brasil para trabalhar aqui no programa Mais Médicos, só que o salário que esses médicos recebiam não iam para os médicos integralmente, uma boa parte do salário ia para o regime cubano, ia para Cuba financiar essa ditadura.
E quando os Estados Unidos descobriu isso esse ano, esse programa de 2013, 13 anos depois isso foi descoberto, simplesmente os responsáveis perderam seus vistos nos Estados Unidos. Assim como ministros do STF também perderam seus vistos. Vamos lembrar que o que se especula foi um dos motivos pelos quais o Barroso deixou o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.
Já citei a própria Magnitsky, que já aconteceu contra o Moraes, mas foi revogada depois de umas reuniões suspeitas ali com o Joesley Batista, que foi conversar com o Trump. O mesmo, inclusive, que foi o responsável por agendar essa última reunião do Lula com o Trump. O mesmo que também está na situação da Odebrecht, da JBS, de inúmeros casos de corrupção. Enfim.
super suspeito essa situação, mas o que eu quero trazer é que sim, os Estados Unidos não brincam em serviço, então às vezes, quando eles entendem necessário, acontecem punições e o Alexandre de Moraes está na mira e particularmente o meu voto é que ele sofre essas sanções, porque aqui no Brasil, infelizmente, ninguém está conseguindo fazer nada contra ele, ele segue fazendo as suas atrocidades.
Hoje mesmo, ontem, o ministro Gilmar Mendes deu uma entrevista falando que quer que o inquérito das fake news fique aberto até as eleições, ou seja, mais uma estratégia de Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes conseguir censurar e perseguir a oposição dentro do Brasil em período eleitoral, porque em 2022 quem era presidente do TSE era justamente Alexandre de Moraes. Hoje ele não é, hoje é Cássio Nunes, então vamos manter o inquérito das fake news aberto, porque afinal ele vai ter ali o centro de influência e de poder dele durante as eleições.
Tá aí, Anny, então te agradeço pela participação mais uma vez com a gente aqui no 15 Minutos. Obrigada, Rosana, sempre um prazer. O episódio de hoje fica por aqui, é claro que a gente espera vocês na próxima edição, mas antes de ir embora, aquele recado importante para você que ainda não é assinante da Gazeta do Povo. Acesse gazetadopovo.com.br barra oferta, assim você garante a sua assinatura pagando apenas R$ 1,90 por mês nos primeiros...
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