Episódios de 15 Minutos | Gazeta do Povo

Irã: da liberdade à opressão

22 de maio de 202616min
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Este episódio do Podcast 15 Minutos analisa a complexa crise geopolítica e cultural no Irã, explorando como o país transitou de uma das nações mais liberais do Oriente Médio para um regime teocrático autoritário após a Revolução de 1979. A discussão aborda o impacto econômico global do conflito, especialmente no mercado de petróleo e no controle estratégico do Estreito de Ormuz.
Participantes neste episódio2
R

Rossana Bittencourt

HostJornalista
A

Anny Dias

Convidado
Assuntos4
  • Geopolítica EUA e IrãRevolução de 1979 · Regime Teocrático Autoritário · Impacto no Mercado de Petróleo · Controle do Estreito de Ormuz · Irã
  • Liberdades no IrãComparativo Histórico de Liberdades · Direitos das Mulheres · Intolerância a Homossexuais · Liberdade de Expressão · Monarquia Iraniana
  • Intervenção dos Estados Unidos no IrãDiscurso Anti-Americano · Impacto da Guerra na População · Tentativas de Destituição do Regime · Trump · Khamenei
  • Escalada do Conflito e Potências MundiaisEnvolvimento de Países Vizinhos · Guerra entre Oriente e Ocidente · Negociações de Cessar-Fogo · Emirados Árabes · Paquistão · Putin · Israel
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Olá, para você que acompanha a Gazeta do Povo, eu sou a Rossana Bittencourt e esse é o podcast 15 minutos, em que você fica bem informado com os comentários e análises da Anny Dias, que está aqui ao meu lado. Anny, bem-vinda. Obrigada, Rossana, sempre um prazer. Bom, antes da gente começar, aquele recadinho importante para quem ainda não é assinante da Gazeta do Povo, é só acessar gazetadopovo.com.br barra oferta, assim você garante a sua assinatura pagando apenas...

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E se você está com a gente no canal do YouTube da Gazeta, não esquece de deixar um like no nosso vídeo e de conhecer também o nosso clube de membros, porque lá tem muito conteúdo exclusivo para os assinantes do clube. Bom, Anny, vamos falar então sobre essa confusão entre Irã e Estados Unidos, quer dizer, uma crise que foi desencadeada já há algum tempo, uma guerra que não está perto do fim e nem está próxima de uma solução. E o que a gente pode falar sobre o porquê que isso tudo está acontecendo?

Você tem uma coluna, tem na Gazeta do Povo, então para quem é assinante também tem acesso aos colunistas da Gazeta. Em que explica esse contexto histórico que envolve esse país tão complexo como o Irã? Pois é, Rosana, é um tema que está em alta. A gente vê no noticiário todo o conflito acontecendo e o Trump anuncia que vai acabar com o conflito, mas daqui a pouco ele volta atrás e fala que não vai acabar ainda porque o Irã não está de acordo, tem o estreito de Hormuz que envolve petróleo.

Hoje, quando a gente vê o preço da gasolina também é afetado por conta desse conflito, não só o preço da gasolina, inclusive vários outros produtos são afetados por conta do conflito, já que petróleo, do petróleo, por exemplo, se faz plástico. Então, a gente sabe que tudo é feito de plástico, essa caneca é feita de plástico.

O impacto econômico está muito grande no mundo inteiro. E aí eu trouxe essa análise para o texto, para a coluna da semana, é uma análise um pouco mais cultural para a gente entender o que está por trás. Claro, a economia é sempre um fator relevante em todos os conflitos que a gente vê na humanidade inteira, nem só na atualidade, mas a parte cultural é fundamental.

E nesse texto, e é o assunto que a gente quer abordar aqui hoje, eu conto lá principalmente como começou a Revolução de 1979, que deu início a esse regime, o regime dos ayatollahs no Irã. Então hoje você provavelmente sabe que o Irã é conhecido como um dos países mais autoritários, usando principalmente a religião como argumento para ser um país autoritário.

Então é um país, por exemplo, que hoje mata mulheres por elas mostrarem o seu cabelo. Apareceu o cabelo no hijab, que é o véu muçulmano da religião muçulmana, que as mulheres utilizam, é obrigatório. Se você não usa, você pode ter pena de morte. É um país que tem intolerância zero para homossexuais. Homossexuais, eles falam que nem existem no Irã. E há casos, há relatos de homens homossexuais.

que são obrigados a fazer uma cirurgia de transição de gênero, porque eles não admitem ser homossexuais, então eles preferem que a transição aconteça ainda contra a vontade do homem homossexual. Ou seja, é um país que não conhece, quer dizer, não conhece hoje a palavra liberdade. Mas é curioso a gente imaginar que foi um país muito mais livre do que é hoje. Foi inclusive o país mais livre do Oriente Médio.

falando aqui de um país muçulmano, majoritariamente muçulmano, foi até a Revolução um dos países mais livres. Isso porque durante a Guerra Fria, aquele conflito que aconteceu dos Estados Unidos com a União Soviética, os Estados Unidos se aliaram ao Irã.

e influenciaram eles culturalmente. Então foi um país que concedeu muitas liberdades para as mulheres, como o direito ao divórcio, como o direito a vestimentas livres, como a possibilidade de estudar, ir para a faculdade, se tornar juíza, cantor, enfim. Então tem algumas artistas, inclusive iranianas. Nesse texto eu cito uma juíza, primeira juíza, uma das primeiras juízas do Irã que recebeu depois o Prêmio Nobel da Paz.

que viveu na década de 60, fez sua gradação na década de 60, mas hoje ela não pode mais ser juíza, porque, de acordo com o atual regime, ser juiz é uma função de homens, mulheres não podem, então hoje ela é uma exilada, mora no Reino Unido, recebeu o Nobel da Paz, mas não pode nem morar no seu próprio país. Rosana, para a gente introduzir o assunto, eu acho que esse é um ponto relevante. Os Estados Unidos influenciaram o Irã a buscar mais modernidade, mais liberdades, lá na década de 60, e aí...

um discurso anti-americano, um discurso falando sobre o imperialismo americano ecoou no Irã, e decidiu-se então, depois de movimentações populares, foi um discurso populista que chegou a várias e várias pessoas, que acreditaram que as liberdades que estavam sendo instituídas eram problemáticas para a cultura islâmica, e isso era uma afronta aos valores islâmicos, e por isso, então, que aconteceu a Revolução de 79.

em que começou com o regime dos ayatollahs, que hoje é esse regime drástico, cruel, contra mulheres homossexuais. E qualquer tipo de indivíduo, na verdade, qualquer indivíduo, a gente sabe que sofre as consequências disso. Recentemente, inclusive, saiu matéria na Gazeta, um atleta iraniano foi morto pelo regime por se manifestar, por protestar. Alguém ali que estava brilhando em termos de... Não tenho certeza se é atletismo ou luta, mas um atleta muito renomado mundialmente.

foi morto pelo próprio regime, que diz ser um regime que, enfim, defende o próprio povo, mas oprime e persegue o próprio povo. Oi, você acha que existe alguma possibilidade de mudança? Quer dizer, a gente sabe que tem essa interferência dos Estados Unidos não com essa intenção, ou pelo menos não fica muito claro exatamente o que de fato o Trump quer com essa intervenção, mas existe uma possibilidade de mudança? A gente viu que... sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav sav

Não houve mudança no regime, quer dizer, o filho do Ayatollah sumiu, enfim. E há uma esperança para a população do Iran, na sua opinião? É bem difícil dizer que há uma esperança, claro, a gente sempre conta com a esperança, mas o que aconteceu na história mais recente do Iran? Houveram várias manifestações populares contrárias ao regime iraniano, e nisso várias pessoas, inclusive, foram mortas. Aconteceu aquele caso de um rapaz que foi condenado a pena de morte, mas depois...

reverteu e aí foi quando os Estados Unidos pensaram o seguinte, o Trump pensou, não, tem apoio popular para um ataque, para um golpe, a população iraniana vai me apoiar se eu invadir o Irã e tentar destituir.

o regime dos ayatolás, e foi o que aconteceu. Mas como você falou, Rossana, naquele ataque, o Khamenei foi morto, mas já colocaram o filho imediatamente. Filho esse que está machucado, está ferido também por conta de outro ataque, não deu nenhuma aparição pública.

Mas não tem problema, de acordo com os ayatollahs, eles vão colocar outro e vão colocar outro, porque o regime é muito mais forte do que isso, tem toda a guarda, as forças armadas a seu favor. O que aconteceu também foi que a população não apoiou 100% mais depois dos Estados Unidos, porque os Estados Unidos começaram também a atacar algumas áreas que interviam na vida da população, como por exemplo a parte de energia, eles perderam a energia por conta de ataques,

E também, obviamente, por conta de toda a repressão, a população parou de fazer essas manifestações, o que enfraqueceu o discurso do Trump. Então, esses ataques dos Estados Unidos, claro, é na tentativa de destituição do regime, mas o regime é muito mais forte. Se cai um Ayatollah, que é a liderança religiosa que está governando, eles colocam um outro. E o Trump também, vocês sabem, tem uma personalidade...

É muito distinta de se governar, então ele usa muito as redes sociais. Então tem um dia que ele posta no Twitter, não, a gente vai ter só mais dois dias de guerra, estamos negociando, vai dar certo e de repente volta atrás. Não, não vai ter mais isso, vai ter mais ataque. Recentemente o Paquistão intermediou essa negociação, enviou uma proposta...

de cessar fogo para os Estados Unidos, mas o Trump recusou. Então, Rossana, até saiu uma reportagem, eu te mandei, a gente estava conversando sobre ela, sobre qual é a probabilidade do conflito se encerrar e a própria reportagem fala que é 50%, ou seja, muito incerto ainda, porque os Estados Unidos querem intervir, mas o regime é muito resistente e as manifestações não acompanharam a vontade dos Estados Unidos, então a gente fica ainda, infelizmente, nesse conflito que não acaba.

E isso tudo impactando não só a vida do cidadão iraniano, todas as liberdades que estão sendo reprimidas num cenário cada vez mais instável, mas também a economia como um todo, com o bloqueio do Estreito de Hormuz, por exemplo, que é onde transita ali. 20% de todo o petróleo mundial passa pelo Estreito de Hormuz e hoje está sob controle iraniano. E quem está sendo super afetado com isso é a Europa, por exemplo, que depende desse petróleo em boa parte.

Então é um conflito que está atacando o mundo inteiro e infelizmente eu não tenho essa resposta de que se estamos perto ou longe do fim, porque cada dia é uma novidade e a gente tem que ir lidando com isso. E com relação à escalada dessa confusão, quer dizer, por enquanto, obviamente que afeta o mundo todo, em especial quando a gente fala em preço do petróleo, que afeta basicamente toda a economia global, a gente sente isso aqui em casa, quando vai abastecer no posto de combustíveis, pelo menos essa é a desculpa para o combustível estar tão caro.

Mas você acha que é possível que essa escala fique ainda maior, envolva outras potências mundiais ou outros países? A gente sabe também que os países ali do entorno sofrem com isso, né? Mas que esse conflito pode ficar ainda maior? Com certeza, já tem vários países envolvidos, como os Emirados Árabes, por exemplo, eles já estão nessas negociações também tentando um cessar fogo, como o Paquistão, por exemplo, que também...

é detentor de arma nuclear, o que é extremamente prejudicial para a humanidade se escalar de certa forma. Por outro lado, a gente também tem essa guerra entre o Oriente e o Ocidente, então o Putin também é envolvido de certa forma, mas também não...

está diretamente ligado, então com certeza isso impacta outros países que estão de olho, Israel, por exemplo, também está conectado, é tudo um xadrez gigantesco em que vão envolvendo todos os países em inúmeras negociações. E esse cenário mostra de fato que...

essa guerra impacta o mundo inteiro, a economia, mas eu acho que também uma lição importante para a gente ter dessa guerra é a parte das liberdades, a parte cultural, porque hoje a gente vê várias pessoas com discurso anti-americano e a culpa toda dos Estados Unidos.

Mas o período em que o Ira foi mais livre, que as mulheres iam para a faculdade, que as mulheres andavam de saia curta e fumavam cigarro, coisa que no Brasil é óbvio que mulheres podem fazer isso, ninguém discute a possibilidade de uma mulher ir para a faculdade no Brasil, felizmente.

A época que o Irã viveu isso era justamente a época que o Irã era um aliado dos Estados Unidos. Então, esse discurso anti-americano, por um lado, ele é um tiro no pé. A própria esquerda brasileira, quando ela vem com um discurso anti-americano, essa esquerda nem existiria num país como o Irã, que é um país contrário aos valores do Ocidente, é um país 100% inimigo ao que prega os Estados Unidos. Claro, não estou fazendo aqui uma defesa das ações do Trump em relação ao Irã, porque eu estou querendo dizer que os valores ocidentais...

São valores que defendem a liberdade, principalmente a liberdade de minorias, que são oprimidas em países que existe a leixária. A leixária é quando a religião está entrelaçada ao governo. A religião islâmica, porque a leixária é essa questão da lei islâmica entrelaçada ao governo, que reprime liberdades individuais uma a uma.

Bom, e só para a gente trazer um pouco também para a nossa realidade, no início desse conflito se falava muito das imagens de protestos do Irã e que a gente tinha muito difícil acesso, porque a própria população do país não tem acesso a esses meios de comunicação tradicionais como a gente tem aqui. Então eu queria que você só relacionasse rapidamente essa liberdade de expressão, como essa ameaça foi muito séria no Irã, é muito séria justamente...

O que a gente vive aqui, quer dizer, ameaçar a liberdade de expressão de fato é seríssimo. É seríssimo, Rosane. A gente fala muito de liberdade de expressão, a gente sabe que no Brasil a gente sofre alguns problemas em relação à liberdade de expressão, mas não chega nem perto ao que acontece em países como o Irã. O Irã, um jornal como esse, Gazeta do Povo, em que eu posso vir aqui falar minha opinião livremente, criticar o governo livremente, isso não é permitido no Irã. Não existe canais de comunicação que não sejam alinhados ao governo.

Não existe rede social. Então, as manifestações, até chegou ali algumas imagens para o resto do mundo, algumas redes sociais é possível, mas rapidamente o que o governo iraniano fez foi cortar a internet, por exemplo. Porque a gente viu até aquela negociação do Elon Musk para fornecer Starlink, uma rede paralela da internet para conseguir ajudar e fortalecer a população nas manifestações.

Então, esse é um ponto importante. Liberdade de expressão não existe, é ausente. Só que aquelas manifestações que a gente viu principalmente no início desse ano, que deram início a essa escalada autoritária, primeiro de morte, repressão aos manifestantes, segundo da invasão do próprio Estados Unidos ao iré aos ataques americanos, as manifestações não continuaram com a mesma consistência, por inúmeros motivos, como eu falei anteriormente.

Um é por medo da repressão e o segundo também porque esse conflito atrapalha a vida do iraniano.

O iraniano também foi afetado com bombardeios, perdeu a eletricidade e não está apoiando mais, como estava no início, a invasão dos Estados Unidos no Irã. Ou seja, é um conflito que é muito difícil dizer como e como.

Quando será o fim? Porque se de um lado os Estados Unidos buscam, obviamente tem interesses econômicos, mas também buscam o fim do regime dos ayatolás, por outro lado esse regime está muito forte, tem toda a base policial, força militar, os líderes por si só se ajudam muito e é muito difícil que caia com esse conflito. E aí só um ponto que eu acho relevante, Rosana, é que...

Quando eu falo do Irã que era livre, tentava ser livre e se aproximar com os valores ocidentais, ainda que foi um país, segue sendo, mas na época continuava sendo um país extremamente muçulmano, esse Irã era uma monarquia. Então justamente o regime também que é tão criticado por alguns lados progressistas, a crítica à monarquia, mas foi justamente na monarquia que o Irã conseguiu ser mais livre que já foi e que as mulheres e os homossexuais conseguiram atingir.

liberdades individuais hoje que nem se fala no país hoje em dia.

Bom, tá aí, o episódio de hoje fica por aqui. Anny, te agradeço a participação durante essa semana. Obrigada, Rossane. Convido a audiência a ler a minha coluna na Gazeta do Povo sobre esse tema em que eu entro mais em detalhes sobre essa virada de chave no Irã. Bom, para isso você pode então se tornar assinante da Gazeta do Povo. É só acessar a gazetadopovo.com.br barra oferta. Assim você garante sua assinatura pagando apenas R$ 1,00 por mês nos primeiros seis meses.

E de quebra ainda leva o e-book Arbitros em série que reúne 104 decisões arbitrárias do ministro Alexandre de Moraes.

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Olá, eu sou a Rosana Bittencourt, da Gazeta do Povo. Espero que você tenha gostado do vídeo. Aqui na tela você pode clicar em outras opções para continuar acompanhando nossas análises e comentários. E não esqueça, assinando a Gazeta do Povo, você apoia o jornalismo independente, garante acesso a conteúdos exclusivos e fortalece o nosso trabalho aqui no YouTube. Muito obrigada!

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