Episódios de 15 Minutos | Gazeta do Povo

Brasil entre EUA e China: filho de Trump faz alerta

13 de maio de 202612min
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Este episódio do Podcast 15 Minutos analisa a crescente influência da China no Brasil e a reação estratégica dos Estados Unidos diante desse cenário de disputa geopolítica. A discussão fundamenta-se nas recentes críticas de Donald Trump Jr. sobre a dependência brasileira em relação ao mercado chinês, destacando a necessidade de alinhar interesses entre nações que compartilham sistemas de crenças semelhantes para fortalecer a segurança das cadeias de suprimentos e o setor agrícola.
Participantes neste episódio4
F

Frederico Juncker

HostJornalista
R

Rossana Bittencourt

HostJornalista
D

Donald Trump Jr.

ConvidadoVice-presidente das organizações Trump
W

Wesley Batista

ConvidadoDono da JBS
Assuntos4
  • Alerta de Trump Jr. sobre dependência chinesaDonald Trump Jr. · China · Estados Unidos · Brasil · Cadeia de suprimentos · Setor agrícola
  • China e Taiwan como gatilho de WWIIIDonald Trump e a NASA · Xi Jinping · Taiwan · China · Estados Unidos · Exercícios militares
  • Soft power chinês e acordos de mídia no BrasilChina Media Group · EBC · Rede Globo · Bandeirantes · Partido Comunista Chinês · Soft power
  • Acusação de agente ilegal do Partido Comunista Chinês nos EUAAileen Wang · Partido Comunista Chinês · Departamento de Justiça americano · Arcádia · Propaganda pró-China
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Olá pra você que acompanha a Gazeta do Povo, eu sou a Rossana Bittencourt e esse é o podcast 15 minutos, em que você fica bem informado com os comentários e análises do Frederico Juncker, que tá aqui ao meu lado. Fred, bem-vindo. Olá, Rossana, e olá os amigos da Gazeta do Povo.

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Agora, Fred, vamos falar então sobre o discurso do filho de Trump criticando a dependência do Brasil em relação à China.

Pois é, Rossana. Esse foi um evento realizado na cidade de Nova York, pós-visita do Lula à cidade de Washington, na semana passada, e foi organizado pelo LID, aquele fórum que organiza eventos que contam com a presença de políticos, empresários, organizado pelo ex-governador do estado de São Paulo, João Doria, e que contou em um dos painéis com a presença do filho do presidente Donald Trump, o Donald Trump Jr., que é vice-presidente das organizações Trump, a holding ali da família.

que congrega todas as empresas do grupo da família Trump, e também ali com a presença, dentre outras pessoas, do Wesley Batista, irmão do Wesley Batista, os donos da JBS. E durante a sua fala, ele destacou justamente hoje essa aproximação que existe entre Brasil e China, e dentro daquela...

redefinição das prioridades do governo americano, a intenção de que os Estados Unidos se aproximem mais do Brasil. Ele disse o seguinte, que a cadeia de suprimentos é realmente importante e acho que ela foi capturada por pessoas que não necessariamente compartilham nossos valores e nossos interesses. Então, alinhar nossos interesses com outros países de valores semelhantes, desvinculando-nos da dependência em relação à China e outros países é muito importante.

E acho que isso leva uma oportunidade incrível para as relações entre Estados Unidos e Brasil. Vocês possuem recursos minerais fantásticos e um setor agrícola excepcional, enfim, uma excelência em várias áreas. Vocês também compartilham um sistema de crenças em comum, o que é muito importante neste contexto.

Sendo assim, penso que é estratégia manter essas relações, expandi-las, manter o hemisfério unido, por assim dizer, e proteger o nosso território, o que é fundamentalmente importante. Portanto, acho que esse cenário mudou bastante. Acho que todos nós tivemos um novo e duro despertar durante o último governo e durante a pandemia de Covid.

E, mais uma vez, desvincular-se da China será um passo importante. Compreendo que o volume de investimento da China no Brasil tem sido expressivo. Essa dinâmica não tem surtido bons resultados em vários países do mundo. Eles acabam sendo ludibriados por falsas promessas. Então, estamos animados com essa oportunidade e acredito que seja algo excelente para o mundo e para ambos os nossos países. E ele fala aqui justamente...

do entendimento por parte do governo americano, já sob a gestão Biden também, de que os Estados Unidos, durante a pandemia, estavam muito dependentes dos insumos chineses e dos produtos produzidos e fornecidos pela China, ligados especialmente à cadeia de suprimentos de medicamentos e de armamento.

E essa necessidade, então, do governo americano de estabelecer novas relações com os países e fortalecer os laços com os países em função dessa expansão chinesa ao redor do mundo. Não por coincidência também, o próprio Trump está hoje na China. Ele que vai realizar uma visita de dois dias ao Xi Jinping para tratar ali de vários temas. A primeira visita, depois de nove anos, a última visita de um presidente americano à China, havia sido realizada em 2017.

o próprio Trump, no seu primeiro mandato, e agora ele vai para tratar, dentre vários assuntos, especialmente da questão de Taiwan, essa que é uma questão sensível da China, a China que resiste ao reconhecimento da soberania de Taiwan e trata Taiwan como uma mera possessão chinesa e ameaça invadir Taiwan a qualquer momento.

E os Estados Unidos são o principal fornecedor de armamento para Taiwan. Então há uma pressão ali para que os Estados Unidos parem de fornecer armas para Taiwan para uma eventual defesa na hipótese de uma invasão por parte da China, que inclusive realiza.

uma série de exercícios militares simulando a invasão de Taiwan e construíram, inclusive, uma réplica do Palácio Presidencial Taiwanês na hipótese dessa incursão ser feita ali, já terem todo o treinamento próprio e adequado a uma eventual invasão de Taiwan. Esse é um tema muito sensível, inclusive envolvendo o Brasil, ali pelos idos de 2020 e 2021, houve a eleição da presidente de Taiwan e a embaixada chinesa no Brasil e olha só, olha só,

mandou um ofício para todos os deputados parlamentares e senadores brasileiros, aconselhando-os que eles não fizessem nenhum tipo de apoio público à presidente de Taiwan e ao próprio Taiwan, justamente dentro dessa questão central da política externa chinesa em relação à Taiwan.

Além disso, a questão das tarifas, esse embate que há em relação às tarifas, que é uma política que o Trump adotou em relação aos países do mundo inteiro, mas também, dentre as tarifas aplicadas, as tarifas em relação à China também se destacaram por ser, junto com o Brasil, das maiores. No caso do Brasil, aquele tarifácio de 50%. Em relação à China, essas tarifas chegaram a escalar até 140%. E a própria questão também do Irã, dado a relação entre o Irã e a China.

que o presidente Trump pretende pressionar o governo chinês para ajudar ali a chegar a um acordo para decretar, então, o final dessa guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã, iniciada no final do mês de fevereiro. Aqui, um outro aspecto que eu queria destacar.

não tanto no campo econômico, mas no campo cultural, sobre a relação hoje entre Brasil e China. A China mudou um pouco da sua estratégia, ali nos anos 2010, no sentido de se utilizar mais do chamado soft power. Justamente ali, instrumentos de persuasão, essa política cultural de expansão do imperialismo chinês, por meio da questão da Rota da Seda, que mira mais objetivos em desenvolvimento de infraestrutura nos países ao redor do mundo.

e também um braço de soft power, que é se utilizar justamente de políticas de propaganda e culturais para aumentar a influência da China sobre os demais países do mundo.

A ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, visitou a China agora no final do mês de abril e anunciou à própria EBC, que é a empresa brasileira de comunicação conhecida como TV Lula, um acordo de cooperação com a China Media Group, que é o principal grupo de mídia chinês. É um braço de propaganda do Partido Comunista Chinês. Essa rede China Media Group foi formada...

formalmente estabelecida em abril de 2018, ela congrega 47 canais de televisão chineses, sendo 7 deles internacionais, oferece conteúdo em 6 idiomas para 162 países e regiões em todo o mundo, além de 17 frequências de rádio direcionadas ao público chinês e programação de rádio em 44 idiomas estrangeiros.

direcionadas ao público global. Ela também administra ainda três grandes sites de notícias e 20 jornais e periódicos de circulação nacional. E dentro dessa política do soft power, a China tem buscado estabelecer acordos de cooperação com uma série de canais televisivos ao redor do mundo.

para divulgar a política chinesa e melhorar a imagem do país e, portanto, aumentar essa influência do país em relação às demais nações do mundo. Então, como eu disse aqui, em março agora, o presidente da empresa brasileira de comunicação anunciou então esse...

Essa parceria entre o China Media Group e a EBC, destacando basicamente que com a parte da parceria, a EBC enviará um profissional ainda da Agência Brasil para atuar como correspondente na China em parceria com o China Media Group.

E, além disso, é interessante dizer que dentro desses acordos feitos, a própria Rede Globo de televisão fez um acordo com China Media Group em 2019 e há muitos questionamentos em relação a uma série que o programa Fantástico está fazendo, com seis programas dedicados à China, estabelecendo justamente uma propaganda da China no Brasil.

Em relação a esse acordo estabelecido entre a Globo e o China Media Group em 2019, a seguinte notícia é publicada pela Folha de São Paulo. No canal chinês de notícias, o presidente do grupo de mídia assinou o memorando, de acordo com Roberto Marinho Neto, para troca de programas e colaboração em produção com parceria em filmes e TV, esportes e tecnologia 5D. Não só também o próprio grupo...

Bandeirantes também fechou um acordo com esse China Media Group, que, repito, é um braço de propaganda do Partido Comunista Chinês, e isso foi no ano de 2020. E, basicamente, eles comprometem a veicular programas produzidos na China para o público brasileiro em relação...

Inclusive com um estudo publicado acadêmico sobre a utilização desse soft power e uma arquitetura de influência da China por meio desse empréstimo das vozes de outros canais de mídia. O que disse aqui esse artigo soft power e arquitetura de influência da China?

A ascensão chinesa na América Latina é alicerçada em uma combinação de diplomacia institucional e cultural, a qual engloba apoio geopolítico em fóruns globais, expansão dos institutos Confúcio, iniciativas de mídia e intercâmbio e legitimação de sua narrativa para moldar a percepção das elites e da sociedade civil.

A consolidação da presença chinesa de longo prazo na região reside justamente da articulação entre diplomacia e soft power. A China transitou de uma abordagem bilateral pragmática para uma estratégia institucionalizada que articula cooperação econômica, diplomacia cultural e engajamento civilizacional. O soft power tornou-se eixo simbólico dessa política, voltado à construção de vínculos com elites políticas, acadêmicas e jornalísticas, embora persistam desafios no campo da percepção pública. A própria Deutsche Welle...

publicou também uma reportagem recente, agora no final de março, também destacando isso, que a China projeta o poder da América Latina com parcerias com esses grupos de mídia e buscando uma série desses acordos de parceria para veicular conteúdo produzido por essa empresa estatal chinesa. E um dado interessante também em relação a essa atuação da China no mundo, que nessa semana a prefeita de Arcádia, que é uma cidade que fica ali...

na região metropolitana de Los Angeles, nos Estados Unidos, ela foi acusada formalmente de ser um agente ilegal do Partido Comunista Chinês dentro do território dos Estados Unidos, mostrando o quanto eles estão investindo nessas operações de influência ao redor do mundo. Nesse caso aqui, é interessante destacar uma nota publicada pelo Departamento de Justiça americano dizendo o seguinte, que...

Essa senhora, Aileen Wang, 58 anos, moradora de Arcádia, foi formalmente acusada de um crime de atuar nos Estados Unidos como agente ilegal de um governo estrangeiro. E como é que ela fazia, basicamente, na sua atuação?

Segundo o acordo de confissão, entre o fim de 2020 e 2022, ela atuou sob direção e controle de autoridades e governo chinês e coordenaram-se com os indivíduos nos Estados Unidos para promover os interesses da China, incluindo a divulgação de propaganda pró-China em território americano. Ela e mais um agente chinês operavam junto ao site US News Center, que se apresentava como uma fonte de notícias voltada à comunidade americana local.

Ambos recebiam e executavam ordens de autoridades chinesas para publicar conteúdo favorável.

ao regime chinês. Inclusive, eles forneciam notícias que ela deveria publicar e ela simplesmente replicava essas notícias, mas obviamente sem fornecer a informação de que se tratava de material produzido por esse braço de propaganda do Partido Comunista Chinês. Então, essa prefeita ali...

americana foi acusada formalmente de ser uma espiã e uma agente de influência chinesa dentro do território americano, o que cende o alerta, e considerando inclusive essa declaração do filho do presidente Donald Trump sobre a importância das relações Brasil-Estados Unidos e o quanto a China tem tentado expandir os seus tentáculos ao redor do mundo.

Bom, tá aí, análise desse tipo você sabe só aqui na Gazeta do Povo, e o presidente da Gazeta do Povo gravou um vídeo, então você que tá com a gente, presta atenção nesse recado que ele tem pra você que ainda não é assinante do jornal.

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