Aliados de Trump detonam visita de Lula aos EUA
Rossana Bittencourt
Alexandre Garcia
Bruna Kovati
Frederico Juncker
Karen Gomes
- Encontro Lula e TrumpExpectativas e avaliações da reunião · Ausência de acordos e coletiva de imprensa cancelada · Delegação brasileira e americana presente · Tensões subjacentes e perguntas incômodas
- Viagem de Lula aos EUADivergências sobre os resultados concretos · Expectativa de investimentos em terras raras · Críticas à postura de Lula e à falta de acordos · Comparação com a reunião de Trump com Gustavo Petro · Interesses políticos pessoais de Lula
- Tarifas Americanas BrasilHistórico de tarifas aplicadas contra o Brasil · Decisão da Suprema Corte sobre base jurídica · Investigação da sessão 301 e novas tarifas · Consenso para novas reuniões e grupos de trabalho · Argumentos sobre tarifas proporcionais
- Crime OrganizadoClassificação de organizações criminosas como terroristas · Proposta de cooperação internacional · Frentes de combate: lavagem de dinheiro e tráfico de armas · Iniciativa Escudo das Américas
- Minerais críticos e terras rarasTema escanteado na reunião · Acordos bilaterais dos EUA com outros países · Aquisição de empresa brasileira por companhia americana
- Autoritarismo cubano e venezuelano vs imperialismo americanoTensões subjacentes na reunião · Lula teria tratado do assunto de Cuba com Trump
Olá para você que acompanha a Gazeta do Povo, eu sou a Rossana Bittencourt e esse é o podcast 15 minutos, em que você fica bem informado com os comentários e análises do Frederico Juncker que está aqui ao meu lado. Fred, bem-vindo. Olá, Rossana e olá os amigos da Gazeta do Povo.
Antes de começar, aquele recado para você que ainda não é assinante da Gazeta do Povo, acesse gazetadopovo.com.br barra oferta e garanta a sua assinatura pagando apenas R$ 1,00 por mês nos primeiros seis meses. E se você está com a gente no canal do YouTube da Gazeta do Povo, não esquece de deixar um like no nosso vídeo e também de conhecer o nosso clube de membros, porque lá tem muito conteúdo exclusivo. Agora, Fred, vamos falar do encontro entre o presidente brasileiro Lula e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, que deu o que falar.
Pois é, Rossana, havia muita expectativa em relação a essa reunião entre os dois presidentes, que haviam se encontrado pela última vez na Malásia, no ano passado, e avaliações que vão desde um fracasso retumbante, um fiasco controlado, até que a reunião teria sido levemente positiva.
Mas, de concreto, nada acabou frutificando nessa reunião, inclusive porque não houve nenhum anúncio por parte dos presidentes de que chegaram a algum acordo em relação aos temas tratados na reunião. Da parte brasileira, havia cinco representantes, além do próprio presidente Lula. Estavam presentes ali o Márcio Rosa, o ministro...
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Alexandre Silveira, Ministro de Minas e Energia, Dario Durigan, atual Ministro da Fazenda, Wellington Cesar, Ministro da Justiça e Mauro Vieira, Ministro das Relações Exteriores. E na contraparte americana estavam o vice-presidente, o Jade Vance, a chefe de gabinete do Trump, a Susan Wills, os secretários de Comércio e do Tesouro, Howard Lutnick e o Scott Bassett e o Jameson Greer, que é o representante comercial dos Estados Unidos e a autoridade...
responsável pela investigação da sessão 301, que pode redundar eventualmente novas tarifas aplicadas contra o Brasil pelo governo americano. Houve ali uma grande tensão envolvendo a reunião especial se seria realizado ou não uma coletiva de imprensa pelos dois presidentes. A princípio, essa coletiva seria realizada previamente, a agenda entre os dois presidentes.
No entanto, ela foi postergada, adiada para depois da reunião e, por fim, ela acabou sendo cancelada. Então não houve ali essa coletiva de imprensa, que é um momento importante dessas relações entre os países, quando, justamente após as reuniões realizadas, costumam-se fazer declarações conjuntas dos temas que avançaram em relação às pautas discutidas.
No final, o presidente Lula acabou realizando uma coletiva, mas sozinho, e essa coletiva foi realizada na Embaixada do Brasil, na cidade de Washington. Um dos correspondentes da Casa Branca, um jornalista espanhol do jornal ABC, o Davi Alandetti, falou justamente sobre essa questão do cancelamento da coletiva. Ele falou o seguinte, que algo estranho está acontecendo na Casa Branca.
Lula e Trump se encontram no momento sem câmeras, em um salão oval fechado à imprensa. Uma visita carregada de tensões subjacentes por causa de Bolsonaro, as tarifas, Cuba e a Venezuela. Conforme se criava uma expectativa se seria ou não realizada a coletiva, ele fez uma outra postagem falando o seguinte. Da Casa Branca com Lula e Trump, de qualquer jeito que se olhe, isso não é habitual. Aqui é relativamente comum que um ato fechado à imprensa acabe se abrindo por decisão de Trump.
O estranho é o contrário, que a imprensa esteja convocada e o evento se feche, como aconteceu com Lula na quinta-feira. Segundo fontes consultadas, o pedido partiu da delegação brasileira. Vários jornalistas americanos me disseram hoje que queriam perguntar ao presidente brasileiro se a condenação a Jair Bolsonaro responde a uma perseguição política do executivo ou do poder judiciário. Era uma pergunta incômoda para Lula e, sem dúvida, na minha opinião, ajuda a explicar por que o Brasil preferiu manter tudo, ou pelo menos uma parte decisiva do encontro, a portas fechadas.
E ele, então, esse jornalista criticando o fato de que acabou não sendo realizada essa coletiva na própria Casa Branca, como é usual nesses encontros entre o presidente Trump e demais lideranças estrangeiras. E dentre as questões abordadas pelos dois presidentes, que eles reconheceram que foram temas tratados, está a questão das tarifas, que acabou ganhando destaque nessa reunião.
O Brasil teve as tarifas aplicadas contra a CIM júria no passado, aquela tarifa maior relativamente aos demais países do mundo, uma tarifa de 50%. Recentemente houve a decisão da Suprema Corte americana declarando que o Trump utilizou uma base jurídica que não era a base legítima para a aplicação dessas tarifas, então grande parte dessas tarifas caiu, mas ainda restam tarifas aplicadas pelo governo americano.
E a própria, como eu disse no início, a sessão 301, essa investigação para apurar práticas comerciais injustas identificadas pelo governo americano, que essa investigação está tramitando e eventualmente, com a conclusão dos trabalhos em julho agora desse ano, pode ser que venham novas tarifas. E essa é uma preocupação do governo brasileiro, especialmente com o atingimento de vários setores estratégicos do Brasil que tem nos Estados Unidos o principal mercado exportador.
Em relação especificamente ao termo das tarifas, eles chegaram a um consenso nesse aspecto de realizar novas reuniões. Vão ser realizadas nove reuniões, a constituição de grupos de trabalho, mas nada de concreto sobre o anúncio do eventual levantamento das tarifas já existentes. E disseram que ali ao longo da reunião o interlocutor americano mais duro foi justamente o representante comercial, o Jameson Greer, que...
disse que o Brasil praticava tarifas e tem praticado tarifas proporcionalmente mais altas do que aquelas praticadas pelos Estados Unidos em relação aos produtos brasileiros. O próprio Lula fez referência a esse aspecto e disse o seguinte, ele sempre acha que nós cobramos muito imposto, disse ele referindo só ao Trump.
Nós dissemos para ele, não, porque nós temos a média do imposto que nós cobramos de vocês, era 2,7%, apenas 2,7%. Mas eles continuam teimando. Não, mas tem produto que é 12%. Então eu falei assim, doutor Trump, vamos fazer o seguinte, vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço da indústria do comércio do Brasil, junto com o seu moço do comércio, sentem e em 30 dias apresentem uma proposta para a gente poder bater o martelo.
Quem tiver errado vai ceder, se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder, se vocês tiverem que ceder.
vocês vão ter que ceder. Havia a expectativa também de um eventual anúncio sobre a questão dos minerais críticos das terras raras, no entanto, segundo as informações, esse tema ficou meio que escanteado e não trataram ali, inclusive não identificaram no presidente Trump tanto interesse assim pelos minerais críticos brasileiros.
O que pode estar também por trás dessa questão é que, como também tratamos aqui no 15 Minutos, em fevereiro os Estados Unidos realizaram um grande evento com 54 países do mundo e com a própria Comissão Europeia, em que fizeram uma série de acordos bilaterais para garantir justamente acesso à exploração de terras-áreas nesses países.
Então, a partir desses acordos feitos pelos americanos, eles podem ter perdido o interesse nessas terras raras brasileiras e considerando também a própria questão de que uma empresa americana que explora terras raras adquiriu a empresa goiana Serra Verde, que hoje é a mina de exploração de terras raras no estado de Goiás, aqui no Brasil.
A principal questão também, que havia uma expectativa muito grande, era a questão da classificação das organizações criminosas brasileiras como organizações terroristas. E o Lula falou simplesmente que esse assunto não foi abordado nessa reunião. Ele disse o seguinte, não discutimos isso. O que eu queria dizer eu entreguei por escrito. Cada assunto que eu discuti com o presidente Trump, além dos ministros falarem, eu entreguei a ele cada proposta nossa escrita em inglês. Para que ele... Obrigado.
para não ter dúvidas sobre o que nós queremos, porque estamos levando muito a sério essa questão do crime organizado. O que o Lula falou em relação ao combate ao crime organizado, ele falou que queria estabelecer um acordo de cooperação internacional com os Estados Unidos, com duas frentes principais, combate à lavagem de dinheiro,
e o tráfico de armas. E chegou a sugerir, segundo a fala do Lula, que se constituísse um grupo de trabalho com os demais países da América Latina. A questão é que já existe essa iniciativa, o Escudo das Américas, que teve uma reunião na Flórida no início de março.
em que o Brasil não esteve presente, junto com a Colômbia também não foi, o próprio México. Então já há um grupo de trabalho constituído na América Latina justamente para combater o narcotráfico e o Lula querendo estabelecer como prioridades essas duas questões que eu falei, lavagem de dinheiro e tráfico de armas, sendo que o principal problema hoje é o tráfico de drogas, até porque a lavagem de dinheiro é feita...
Lavagem do dinheiro do tráfico de drogas. Ele disse o seguinte em relação a isso. Eu disse a ele que estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América Latina e, quiçá, com todos os países do mundo para criarmos um grupo forte de combate ao crime organizado. O Trump...
deu uma declaração, fez uma publicação na sua rede social Truth Social, se referindo à reunião, e ele falou o seguinte, Acabei de concluir minha reunião com Lula, o presidente muito dinâmico do Brasil. Discutimos muitos tópicos, incluindo comércio e especificamente tarifas. A reunião transcorreu muito bem. Nossos representantes estão programados para se reunir para discutir certos elementos-chave. Reuniões adicionais serão agendadas nos próximos meses, conforme é necessário.
E a própria conclusão do Celso Amorim, principal assessor do TAMP para as Relações Internacionais, que esteve ausente desse encontro, ele falou que achou a visita excelente, que ele se sentiu presente, a despeito dele não ter ido, e que nem todas as questões foram resolvidas, mas todas foram encaminhadas.
Aqui também é uma divergência sobre os reais resultados concretos dessa reunião. O Paulo Figueiredo disse o seguinte, se referindo à mensagem do Trump. Isso é o que o Trump fala sobre quase qualquer um. As informações que eu tenho, no entanto, são que nada resultou da reunião de hoje. Nada. Lula esperava que fosse dorbar Trump e fazer coletiva de imprensa e não rolou. Ninguém pode negar que as coisas não saíram como Lula esperava hoje.
E o Arthur McFields, que foi embaixador da Nicarágua na América Latina e hoje é um dos principais estudiosos dos assuntos políticos da América Latina, ele escreveu um artigo duro se referindo a essa reunião realizada entre o Trump e o Lula. Ele falou o seguinte, que três horas foram o tempo de conversas e zero acordos, o fracasso retumbante de Lula em Washington. O presidente Lula retorna ao Palácio do Planalto de mãos vazias e com uma foto extraordinária.
A visita tentou vender a imagem de um grande estadista às vésperas de uma eleição que testa a resiliência do líder esquerdista. Nos últimos meses, Lula insultou e criticou o presidente Trump, também negou o visto a um funcionário americano e chegou a expulsar um adido de segurança naquele episódio envolvendo o ex-deputado federal Alexandre Ramagem. O resultado foi uma reunião estéreo e fria. Assim como Gustavo Petro, Lula não quis considerar uma coletiva de imprensa ao lado de Trump.
Sobre o colombiano, Trump disse, nos demos muito bem e a reunião foi excelente. Sobre Lula, foi uma boa reunião, nada além disso. Lula chegou acompanhado de uma robusta delegação de ministros e altos funcionários das áreas de segurança e comércio. Não adiantou. Ao final do encontro não obteve um acordo, um memorando de entendimento, uma nota conjunta. Nada.
Na luta antidrogas, Lula não conseguiu firmar acordos porque não acredita no combate frontal, mas em políticas sociais e mão branda. Uma política fracassada que promove impunidade, crime e miséria. Estados Unidos e Brasil são as maiores economias das Américas, precisam do outro, e Lula lembrou que durante o século passado os Estados Unidos foram o principal parceiro comercial do Brasil até serem ultrapassados pela China no início dos anos 2000. Também reconheceu que ainda existe espaço para aprofundar essa relação.
A Lula não importa o Brasil, mas sua agenda política pessoal. Nenhum presidente sério chega à reunião bilateral para defender uma ditadura. Está se referindo aqui à questão de Cuba, porque o Lula teria tratado do assunto de Cuba com o presidente americano. Ele chegou inclusive a dizer que, do que ele entendeu da reunião, o Trump não estaria disposto a invadir Cuba.
E aí ele falando, Lula teve medo, fugiu da Casa Branca e se refugiou na Embaixada do Brasil. Lá, controlava a narrativa, as luzes, o telão, a encenação e, mais importante, o presidente dos Estados Unidos não estava presente. Lula tem plena consciência do poder do presidente Trump e sua influência política. Sabe que, diante do empate técnico que mantém nas pesquisas com Bolsonaro, um apoio de Trump poderia garantir sua vitória esmagadora ao seu principal adversário nas eleições de outubro.
Embora Lula não tenha obtido resultados concretos em sua visita, passar três horas reunido com... e...
Como presidente da nação mais poderosa do mundo não é pouca coisa. O problema é que Lula é um fanático político desajeitado e não estadista pragmático. Trump já não disse que houve química nem que Lula lhe agradava muito. Não. O tom de seus comentários foi bastante moderado. Isso é lógico, porque o presidente brasileiro é inimigo do dólar, da democracia e da liberdade de imprensa.
As terras raras e o enorme peso comercial do Brasil continuarão abrindo oportunidades entre as duas maiores economias da região. No entanto, são necessárias propostas claras, vontade política, pragmatismo e todas essas qualidades de chefe de Estado que Lula nunca teve e jamais terá. Então, há uma divergência sobre os resultados, que de fato não foi apresentado nada de concreto em relação a todos os temas que foram abordados.
A própria questão, os irmãos Batista, o Joesley Batista, esteve presente em Washington e ele teria sido a ponte justamente para que essa reunião fosse realizada entre o Trump e o Lula. E havia uma expectativa de que se anunciasse investimentos dos Estados Unidos em relação às terras-áreas, envolvendo inclusive uma empresa do Joesley Batista, mas isso também acabou não acontecendo. Agora vamos aguardar os próximos capítulos, a partir do anúncio desse grupo de trabalho, que ainda vai realizar novas reuniões e...
aguardemos, mas, diferente das expectativas, não temos grandes novidades em relação a essa reunião, Ressela. Bom, é isso. O episódio de hoje fica por aqui. Você sabe, análises desse tipo você só tem aqui na Gazeta do Povo, por isso você pode fazer a sua assinatura acessando gazetadopovo.com.br barra oferta. E se você está com a gente no canal do YouTube da Gazeta do Povo, não esquece de deixar um like no nosso vídeo e de conhecer também o nosso clube de membros. Tchau!
Olá, eu sou a Rosana Bittencourt, da Gazeta do Povo. Espero que você tenha gostado do vídeo. Aqui na tela você pode clicar em outras opções para continuar acompanhando nossas análises e comentários. E não esqueça, assinando a Gazeta do Povo, você apoia o jornalismo independente, garante acesso a conteúdos exclusivos e fortalece o nosso trabalho aqui no YouTube. Muito obrigada!