Lula tem reunião decisiva com Trump nesta quinta-feira
Rossana Bittencourt
Frederico Juncker
- Reunião Lula e TrumpLula · Donald Trump e a NASA · Casa Branca · Zelensky · Ucrânia · Rússia · Presidente da África do Sul
- Tarifas Americanas BrasilTarifaço americano · Bolsonaro · Alexandre de Moraes · Suprema Corte americana · Lei de Comércio de 1974 · PIX · Rua 25 de Março
- Terrorismo e Crime OrganizadoCombate ao crime organizado · PCC · Comando Vermelho · Departamento de Tesouro Americano · Ricardo Lewandowski · Marco Rubio · Paulo Figueiredo · Eduardo Bolsonaro
- Minerais críticos e terras rarasTerras raras · Minerais críticos · China · Serra Verde · USA Hair Earths · Goiás · Jay Vance
Olá, para você que acompanha a Gazeta do Povo, eu sou a Rossana Bittencourt e esse é o podcast 15 minutos, em que você fica bem informado com os comentários e análises do Frederico Juncker que está aqui ao meu lado. Fred, bem-vindo. Olá, Rossana e olá os amigos da Gazeta do Povo.
Antes de começar, aquele recado super importante para você que ainda não é assinante da Gazeta do Povo, acesse gazetadopovo.com.br barra oferta e garanta sua assinatura pagando apenas R$1,00 por mês nos primeiros seis meses. E você que está com a gente no canal do YouTube da Gazeta do Povo, não esquece de deixar um like no nosso vídeo e de conhecer também o nosso clube de membros, porque lá tem muito conteúdo exclusivo.
Agora, Fred, vamos falar sobre a viagem do presidente Lula, que está indo para Washington, para encontrar com Donald Trump. O que é o assunto dessa reunião? Pois é, Rossana, essa reunião pegou a todos de surpresa. Ela vinha sendo tratada em caráter reservado entre as autoridades da Casa Branca e do Palácio do Planalto. Foi anunciada, então, a ida do presidente Lula para Washington para se encontrar com o Trump na Casa Branca. Vão realizar ali uma reunião pela manhã, na quinta-feira, e depois um almoço.
Vários itens ali colocados na pauta e, a princípio, três são os itens principais. Primeiro também, é bom dizer que há uma expectativa grande por parte dos assessores do Lula em qual vai ser a postura do Trump nessa reunião. O receio de que o presidente Trump...
de alguma maneira constrange o Lula, como fez em duas reuniões que ficaram muito famosas no ano passado. A primeira realizada em fevereiro com Zelensky, o presidente da Ucrânia, quando o Trump questionou o Zelensky, dizendo que ele estava sendo ingrato em relação à ajuda que o governo americano estava dando para a Ucrânia na guerra contra a Rússia.
E também um outro episódio envolvendo o presidente da África do Sul, quando o Trump acabou passando imagens, vídeos, de uma perseguição a fazendeiros brancos na África do Sul e acusando o governo justamente de praticar um genocídio branco contra os africaners.
O presidente da África do Sul ficou bem desconfortável, acabou se defendendo, dizendo que aquilo ali não estava acontecendo. Então foram dois episódios marcantes da gestão Trump e que houve ali esse constrangimento de líderes estrangeiros dentro da Casa Branca. O governo brasileiro sempre esteve resistente a realizar essa reunião na Casa Branca justamente por isso. No entanto, agora os dois presidentes decidiram se reunir.
Dentre as principais pautas que serão tratadas tem a questão do tarifaço, o tarifaço que foi anunciado pelo governo americano em julho do ano passado, dentro daquele tarifaço geral aplicado à maior parte dos países do mundo, mas no Brasil com uma tarifa maior de 50% sobre os produtos brasileiros, em função de uma carta publicada pelo Trump falando de um processo de caças bruxas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
a instrumentalização do aparato judicial para fim de perseguição política pelo ministro Alexandre de Moraes, que redundou naquele momento na aplicação de uma tarifa maior em relação aos demais países do mundo, inclusive naquele mesmo mês de julho do ano passado, na aplicação das sanções.
da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes. Houve ali altos e baixos nessa relação, o governo americano acabou publicando uma lista com várias exceções, a aplicação do tarifácio, em especial produtos que eram sensíveis no mercado americano, decorrente do aumento dos preços, da inflação, que estava preocupando os consumidores americanos, e o Trump acabou revendo algumas das tarifas e publicou uma lista com essas exceções.
Recentemente tivemos aquele julgado da Suprema Corte americana, que foi inclusive objeto de análise aqui no 15 Minutos, em que a Suprema Corte chegou ao entendimento de que o Trump havia violado a utilização da lei de poderes econômicos emergenciais, que era a base legal que ele estava se utilizando para aplicar essas tarifas em relação aos demais países do mundo.
Então, eles alegaram que essa utilização da lei era uma utilização indevida, porque a lei falava em regulamentar, e na visão da Suprema Corte Americana, regulamentar não inclui o poder de tributar.
Então, revogou o tarifaço com base nessa lei. No entanto, o Trump tem outras bases legais ali à disposição para aplicar essas tarifas. Uma delas é a Lei de Comércio de 1974, em que o governo americano, inclusive naquele mês de julho fatídico do ano passado, também instaurou uma investigação contra o Brasil nos termos da seção 301 dessa Lei de Comércio.
para apurar o que eles identificam como práticas comerciais injustas do Brasil em relação a produtos americanos. Dentre as várias questões sensíveis, a questão de sistemas de pagamentos, que os Estados Unidos identificam na questão do PIX uma concorrência desleal aos sistemas de pagamento americanos.
A própria questão também do combate à corrupção, que eles veem como um afrouxamento do combate à corrupção no Brasil, que gera também uma concorrência desleal para as empresas americanas, porque qualquer empresa americana envolvida num ato de corrupção no Brasil, ela responde por esses atos nos Estados Unidos, na jurisdição americana. Então, há por parte do governo americano um esforço de equalizar essa prática.
das empresas, a concorrência das empresas no mercado internacional por meio do combate à corrupção. A própria questão dos produtos falsificados, eles citavam nominalmente a Rua 25 de Março, a questão também da pirataria nos serviços de streaming, dentre outros pontos bem sensíveis. Essa investigação está em curso ainda pelo governo americano e que pode redundar, eventualmente, na aplicação de novas tarifas contra o Brasil. Então, esse é um dos pontos principais da reunião.
O segundo ponto, a questão do combate ao crime organizado. Nós também temos tratado aqui do 15 Minutos, dessa prioridade do governo americano em relação ao combate às organizações de tráfico de drogas na América Latina, essa decisão do governo que redundou na classificação, naquele primeiro momento do governo Trump, de oito cartéis de drogas como organizações terroristas e o governo americano, por meio de várias autoridades.
enunciando a intenção de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O governo brasileiro é contrário a essa classificação, já manifestou isso várias vezes, inclusive quando no ano passado o coordenador...
da área de sanções do Departamento de Tesouro Americano esteve no Brasil para se reunir com autoridades do Ministério da Justiça. Essas autoridades, na época a gestão do ministro Ricardo Lewandowski, se manifestaram contrárias por um aspecto técnico da lei, que é a questão da motivação dos agentes na prática desses atos. A legislação brasileira prevê que você considera o crime de terrorismo quando há uma motivação político-ideológica.
e no caso dessa classificação americana, eles identificam ali a mera motivação de lucro já é suficiente para a classificação, e o que importa não é a motivação do agente, mas os métodos empregados. Se aqueles métodos causam um pânico social, então você redunda nessa classificação, e assim há essa intenção por parte das autoridades americanas. Inclusive, em relação a esses dois pontos...
tanto Paulo Figueiredo quanto Eduardo Bolsonaro se manifestaram em relação a essa reunião. Paulo Figueiredo disse o seguinte, que vendo que o avanço da designação do Comando Vermelho e PCC pelo Departamento de Estado de Marco Rubio é inevitável, o lobista de traficante está entrando em campo desesperado para ver se consegue interromper o processo através da sua relação com o Trump.
E o Eduardo Bolsonaro publicou uma foto dessa reunião que vai ser realizada em Washington e disse o seguinte, a verdade, Lula vai aos Estados Unidos fazer lobby para proteger Comando Vermelho e PCC. Então esse é um dos itens que constará da pauta da reunião entre o Trump e o presidente Lula. E um terceiro aspecto também, a questão das terras raras.
É uma questão estratégica para os Estados Unidos, desde a chegada do Trump ao poder no seu segundo mandato. O governo americano tem mostrado uma preocupação com essa questão das terras raras e dos minerais críticos, que são esses elementos utilizados na indústria de alta tecnologia, produção de microchips, robótica, inteligência artificial. E grande parte, hoje... Hoje...
60% das reservas reconhecidas dessas terras raras estão na China, e a China é responsável por 90% do refino das terras raras. Então, uma preocupação, o Brasil tem a segunda maior reserva do mundo de terras raras, e os Estados Unidos têm justamente interesse também em estabelecer acordos comerciais para explorar as terras raras.
brasileiras. Inclusive, agora, no mês de abril, a empresa americana USA Hair Earths, ela declarou que comprou, adquiriu a empresa brasileira Serra Verde, que explora terras-áreas ali no estado de Goiás. Segundo o próprio comunicado, disse o seguinte, que o comunicado lançado pela empresa, que a Serra Verde, essa empresa brasileira...
é a única produtora em grande escala de terras raras pesadas críticas, bem como terras raras leves fora da Ásia. E tenho o prazer de anunciar dois marcos significativos que confirmam sua posição como líder na indústria global de terras raras e como pioneira no setor de minerais críticos. A Serra Verde acordou uma combinação com a USA Hair Earth, uma empresa de terras raras listada na Nasdaq, para criar um líder global abrangendo elementos de terras raras, óxidos, metais e imãs.
E as operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina Al-Iman fora da Ásia. Essa foi uma operação envolvendo 2,8 bilhões de dólares, aproximadamente 14 bilhões de reais. E é interessante até que houve uma reunião ministerial pelo governo americano no dia 4 de fevereiro desse ano.
em que estiveram presentes ali a delegação de 54 países da Comissão Europeia e o Brasil participou. Essa reunião foi encabeçada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e pelo vice-presidente, Jay Vance, e ela tratou do seguinte, segundo o anúncio do governo americano. Hoje, os Estados Unidos, juntamente com seus parceiros e aliados, deram início a um esforço para reformular o mercado global de minerais críticos e terras raras.
E o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice-presidente, Jay Vance, é um esforço para reformular o mercado global de minerais críticos e terras raras.
receberam representantes de 54 países e da Comissão Europeia, incluindo 43 ministros de relações exteriores, incluindo o Brasil. Minerais críticos e terras raras são essenciais para as nossas tecnologias mais avançadas e se tornarão ainda mais importantes à medida que a inteligência artificial, a robótica, as baterias e os dispositivos autônomos transformarem nossas economias. Atualmente, esse mercado é altamente concentrado na China.
tornando-se uma ferramenta de coerção política e interrupção da cadeia de suprimentos, colocando nossos interesses fundamentais em risco. Vamos desenvolver novas fontes de suprimento, fomentar redes seguras e confiáveis de transporte e logística e transformar o mercado global em um mercado seguro.
diversificado e resiliente de ponta a ponta. E ali eles vão elencando uma série de medidas tomadas pelo governo americano para fomentar a exploração dessas terras raras com os vários países do mundo, por um de acordos comerciais. Em relação especificamente ao Brasil, eles fazem a seguinte menção.
a cooperação financeira dos Estados Unidos para o desenvolvimento internacional, que é uma agência do governo americano. Sob o governo Trump, essa cooperação financeira investiu e está explorando mais de um bilhão de dólares em novos negócios de exploração mineral e no fortalecimento das cadeias de suprimento de minerais críticos para os Estados Unidos e seus aliados, incluindo.
565 milhões de dólares para extração de terras raras, leves e pesadas no Brasil, que é justamente o financiamento dessa operação de compra da empresa Serra Verde por essa empresa americana. Então esses são os três pontos principais da reunião. A questão do tarifácio e o receio do governo brasileiro de que, dentro da investigação da sessão 301, seja reeditado um tarifácio contra os produtos brasileiros.
A questão sensível do combate ao crime organizado e a eventual cooperação do Brasil nessa área. E, por fim, também a questão das Serras Raras. Lembrando que o Brasil, a relação entre os dois países está esgarçada de dois episódios recentes. O primeiro, a questão do cancelamento do visto do Darren Beere, que é o principal assessor hoje dentro do Departamento de Estado para tratar de assuntos políticos do Brasil.
E o segundo aspecto, a questão da expulsão do delegado Marcelo Ivo de Carvalho dos Estados Unidos por violação do acordo de cooperação policial entre a Polícia Federal Brasileira e o ICE, que é a Polícia de Migração Americana. Os Estados Unidos expulsaram o delegado, o Brasil invocou o princípio da reciprocidade, também expulsou um agente americano que estava aqui no Brasil. Então há esses dois pontos sensíveis que mostram o esgarçamento das relações e há uma expectativa de qual vai ser a postura do Trump.
nessa reunião, considerando também, como eu disse, o episódio com o presidente da África do Sul e da Ucrânia. Então, aguardemos aí os próximos dias, quando eles se reunirão em Washington, para ver como é que vai ser essa reunião. Por parte dos assessores do Lula, há um certo receio de que o Trump tenha alguma atitude hostil em relação ao Lula, Rousseau.
A gente sempre fica na expectativa, né? E numa tensão mesmo quando vai ter algum encontro desse tipo. Pois é. Bom, a gente segue acompanhando então. O episódio de hoje fica por aqui. A gente espera vocês na próxima edição. Mas aquele recado super importante para você que ainda não é assinante da Gazeta do Povo. Acesse gazetadopovo.com.br barra oferta para fazer a sua assinatura. E se você está com a gente no YouTube da Gazeta do Povo, não esquece de deixar um like no nosso vídeo e de conhecer o nosso clube de membros. Tchau, tchau.
Olá, eu sou a Rossana Bittencourt, da Gazeta do Povo. Espero que você tenha gostado do vídeo. Aqui na tela você pode clicar em outras opções para continuar acompanhando nossas análises e comentários. E não esqueça, assinando a Gazeta do Povo, você apoia o jornalismo independente, garante acesso a conteúdos exclusivos e fortalece o nosso trabalho aqui no YouTube. Muito obrigada!