Episódios de Metal com Batata

Metal com Batata 452 - Comando Etilico

06 de agosto de 20261h50min
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METAL COM BATATA – EDIÇÃO 452

Nesta TERÇa tem mais uma edição do Metal com Batata, trazendo uma seleção especial de lançamentos internacionais e uma entrevista exclusiva com uma das grandes bandas do metal brasileiro!

No primeiro bloco, você confere cinco lançamentos que acabaram de chegar à nossa redação:

Ian Highhill

– In the Name of Greed

Decibel Dogs – Unbroken

Magnus Rosen (ex-HammerFall) – Glitter and Blood

Speed Stroke – Italian Coglione

Human Within – Behind The Mask

Na sequência, um bate-papo exclusivo com a banda Comando Etílico, que fala sobre sua trajetória, o novo álbum "Flagelo", o processo de composição, a cena do metal nacional e os planos para o futuro.

Muito som, novidades do cenário mundial e uma entrevista imperdível esperam por você em mais uma edição do Metal com Batata!

Terça – 04 de agosto

21h

www.radiobaixadasantista.com.br

Radio Baixada Santista

Agradecimentos especiais aos parceiros Hard Life Promotion, Angels PR Worldwide Music Promotion, Wanikiya Record/Promotion, Scarlet Records e Ironclad Metal PR, pelo envio do material apresentado nesta edição.

Metal com Batata – Há 10 anos na resistência e divulgação do metal nacional!

#MetalComBatata #HeavyMetal #MetalNacional #ComandoEtilico #Flagelo #IanHighhill #DecibelDogs #MagnusRosen #SpeedStroke #HumanWithin #RadioBaixadaSantista #HeavyMetalLives #SupportTheUnderground #MetalHeads #MetalBrasil

Participantes neste episódio2
C

Cristiano Batata

Host
L

Lucas

ConvidadoFotógrafo
Assuntos8
  • Comando Etílico: Álbum FlageloConceito apocalíptico·Crítica social e política·Gravação em home studio·Releitura de Ritual·Releitura de A Noite do Luto Vermelho
  • Perfil e DiscografiaEP Metal e Prazer (2007)·Álbum Fu (2010)·Álbum Heavy Metal Hell (2019)·álbum da Anitta
  • Comando Etílico: Início e TrajetóriaFormação em 2003·Desafios em Natal·Cantar em português·Influências nacionais
  • Marketing e Divulgacao de Clube· NegociosRecepção do público·Venda de CDs físicos·Planos para clipes·Turnês futuras
  • Bolsas InternacionaisIan Highhill·Decibel Dogs·A Rosa e a Criação·Speed Stroke·Human Within
  • Influência Musical· CulturaBandas nacionais dos anos 80·Taurus·Relação de Lestat e Louis·Árpia·Slayer·Candlemass
  • Origens do Glam Metal e Hard RockSuperação e pioneirismo·Influência para novas gerações·Mudanças na indústria musical
  • O balanço entre profissionalismo e personalidadeHeavy Metal tradicional·Sonoridade atemporal·Composição natural
Transcrição92 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
CBCristiano Batata

Boa noite, Red Vengers! Está começando agora mais uma edição do Metal com Batata. Com o melhor do metal nacional para você. Eu sou o Cristiano Batata e agradeço demais pela sua companhia. Na edição de hoje vamos abrir o programa com um bloco especial trazendo 5 grandes lançamentos internacionais E logo depois você confere uma entrevista exclusiva com a banda Comando Etílico para falar sobre seu novo disco, o álbum Flagelo. Mas agora é hora de começar do jeito que todo headbanger gosta, com muito som, muito hard rock.

Vamos ouvir 5 grandes lançamentos internacionais e na volta eu conto um pouco mais sobre cada uma da banda e tudo que rolou neste primeiro bloco. Então aumenta o volume porque o Metal com Batata está apenas começando.

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CBCristiano Batata

Abrindo o primeiro bloco, vamos até a Finlândia, onde um veterano I Am High Heel, influenciado por nomes como Savage, Judas Priest e pela New Wave, apresenta seu novo álbum A Hint Among Gravestones, recheado de heavy com metal das velhas escolas. Nós ouvimos In the Name of Greed. Depois seguimos para os Estados Unidos. Formada em 2024, a Decibel Gods vem tão de espaço com um hard rock pesado influenciado por Sabá e Slayer. Depois de tocar na lendária Whiskey a Go Go, a banda apresentou o single Unbroken.

Da Suécia chega um nome muito conhecido nos fãs de power metal. O ex-baixista da Hammerfall, Magnus Holden, lançou o álbum It's Time to Rock the World Again e conta participações especiais, entre elas Johnny Walker, ex-Black Sabbath, e ouvimos a música Glitter and Blood. Seguimos da Itália com a Speedstroke, que prepara o lançamento de um novo álbum, Damage Control, previsto para agosto pela Scarlet Records. Depois de apresentar no primeiro single, a banda divulga agora Italian Communion, mantendo a pegada de de rock cheia de energia e marca sua carreira.

Foi este segundo single que nós curtimos aqui. E fechando o bloco, vamos até Austrália. A Newman Within reúne músicos experientes da cena local e estreia com EP Behind the Mask, apostando em um metal moderno, pesado e melódico. Para encerrar este primeiro bloco de lançamentos internacionais, internacionais, nós ouvimos a faixa-título do EP Behind the Mask. E assim encerramos o nosso primeiro bloco com 5 grandes lançamentos internacionais que mostram como o heavy metal continua forte e pulsante ao redor do mundo.

E agora é hora de voltarmos as atenções para o cenário nacional. Na entrevista dessa edição, vamos conversar com a banda Comando Etílico, que está divulgando o álbum Flagelo. A entrevista começa agora. Aqui no Metal com Batata. Vamos então para nossa entrevista da noite. Estamos aí com o Lucas, guitarrista da Comando Etílico. Seja bem-vindo ao Metal com Batata!

?Voz 1

Obrigado, Cristiano, prazer enorme estar aqui com você e bater esse papo legal.

CBCristiano Batata

Com certeza, a banda aí que já tá na estrada há mais de 20 anos, né, desde 2003, pelo que querendo ouvir, querendo contar como é que era o cenário do metal em Natal já naquela época e quais foram os maiores desafios aí no início da trajetória de vocês aí.

?Voz 1

É assim, a gente tá no comando, começou lá em 2003, por volta ali meados de 2003, não lembro exatamente o mês, mas assim, foi 2003, começou eu e meu irmão, né? Eu e meu irmão mais velho, né, que é o baixista, né, o baixista da banda. A gente começou, na época era tudo muito complicado, né, tudo muito difícil aqui pra gente em termos de equipamento, de poder ensaiar e tudo mais. Foi uma coisa bem complicada assim, né, mas deu certo, né.

Então estamos aí aí há 23 anos precisamente, né? 23 anos nessa batalha aí, curtindo metal cantado em português e fazendo muito barulho no meio do mundo.

CBCristiano Batata

Isso aí, como citou aí, né, desde o começo a banda optou por cantar em português, manter uma postura fiel ao metal tradicional também. Isso foi uma decisão natural da época, foi estratégica? Estratégia? Como é que foi em relação a isso?

?Voz 1

Assim, foi, na verdade foi uma decisão mediante as circunstâncias da época, né? A gente na época tava ouvindo muito, muito, muita banda de heavy metal cantada em português, né? A gente já ouvia desde muito antes, né? Desde moleque sempre curti muito bandas como Taunus, Casi, Árpia, né? Enfim, são bandas que a gente sempre curtiu muito, eu e meu irmão. Então foi aquele, aquela coisa, né? Esse povo, vamos montar um som, né, nesse, nessa vibe aí, cantando metal, cantando em português e tudo mais, né?

Que a gente na época, né, na época lá começo dos anos 2000, você não via bandas assim, né? Era muito difícil, era uma uma coisa que basicamente não existia, né? Aí a gente começou a montar umas músicas e tal. A gente já tinha outra banda, né, uma banda é que é um pouco mais antiga, a gente já tocava nela e ela é cantada em inglês, né? A gente tocava e cantava, era cantada em inglês, é ainda que a banda ainda existe. E mas enfim, pô, vamos montar só eu e ele, né?

Era esse, era Era esse o lance, era. E assim, era uma coisa meio que totalmente despretensiosa, né? A gente queria tocar, fazer umas músicas cantadas em português, lançar uma fitinha, uma fita cassete, e mandar só para os amigos curtirem, né? Aí a gente foi convidado para tocar em alguns shows e a galera pirou, né? Sacou o show, pirou na maionese. Aí a gente, porra, vamos continuar, né? E deu no que deu, né? Estamos aí há muito tempo na estrada, certo?

CBCristiano Batata

Chegou a começar ali falar sobre os maiores desafios, instrumentos e tudo mais, até por morar fora desse eixo Rio-São Paulo-Minas, né? Nós aqui do Rio Grande do Sul, que eu moro no Rio Grande do Sul, também tem esse problema. Até na época ali o Christian acabou indo embora para São Paulo querendo seguir falando, mas não deve mudar muito em relação aos nossos problemas aqui do Sul também, né? Menos lugar para tocar e tal, né?

?Voz 1

Certeza, a gente sempre teve muito problema com assim, com equipamento, né? Assim, minha família é de músicos, né? A gente sempre, sempre teve banda, sempre tocou, né? Fez bandinha aqui, uma bandinha acolá, e a gente acabou que ia, comprava um equipamento, né, uma, comprava uma caixa de som, né, comprava uma guitarra, só tinha aquela guitarra, né, aquela única ali que você tinha que servir para tudo. Aí comprava um violãozinho, alguma coisa, e as coisas iam muito, muito devagar mesmo.

Aí assim, quando a gente vê, quando a gente veio morar em Natal, né, que a gente começou a que é que teve, viu que é que tinha assim, tinha mais oportunidade em relação a você conseguir coisas, né, conseguir ter shows, conseguir espaço para tocar, né. Ou seja, a gente tava na capital, eu digo, pô, então muito provavelmente aqui dê mais certo. E realmente a gente fez muitas amizades, né, que nos ajudou bastante com relação a isso, né, a gente conseguir, ah, vamos ensaiar, né.

Aí você acabava que entrava noutra banda, aí um amigo emprestava uma coisa, um amigo prestava um pedal, e assim foi fazendo, né? Hoje em dia as coisas estão bem mais fáceis, mas no começo foi muito difícil, muito, muito difícil mesmo.

CBCristiano Batata

Sim, até hoje tava falando com uma banda que tava participando da nossa, nosso festival online que vai ter de 10 anos agora, que eu tô organizando, e o pessoal veio me falar que, pô, agora a gente até tem grana, tem lugar para ensaiar, Ah, mas todo mundo é casado, tem sua família, aí é uma novela para conseguir ensaiar, porque ninguém tem tempo. Quando dois tem, um não tem, o outro não tem. Antigamente que mais se tinha era tempo, mas não tinha equipamento, mal se sabia tocar, né? Mas tinha vontade.

?Voz 1

Exatamente. Antigamente a gente tinha todo tempo do mundo, né? Hoje em dia você tem tudo para ensaiar, tem guitarra, tem espaço, tem tudo, e acaba que fica protelando, protelando, protelando, protelando, e acaba que às vezes você até se cansa, né? Você se cansa do seu próprio cansaço.

CBCristiano Batata

É verdade, né? Falta de tempo, dias corridos, né? Também hoje a gente não vê mais o tempo passar, né? Antigamente tempo era bem mais tranquilo.

?Voz 1

Aí eu fazendo, eu me pego pensando, né, se eu tivesse tivesse o tempo, se eu tivesse o equipamento que eu tenho hoje, né, e naquela época tudo seria diferente, né. Você vê, quando você enxerga, você vê um vídeo às vezes no YouTube, é, no Instagram, alguma coisa do tipo, você vê um vídeo de um molequinho, sei lá, de 10 anos de idade, ele toca assim como você nunca vai falta na sua vida, porque o moleque já cresceu ali com tudo que ele precisava, né?

E a gente não, a gente teve que sofrer até tocar metal com violão com pedal de distorção.

CBCristiano Batata

Eu já toquei, é foda, é foda. E lá naquela época não tinha todas essas facilidades, né? Tinha que correr atrás de revista, pegar, comprar umas revistas, e que ali tinha ali as notas para te tocar e tal.

?Voz 1

Você queria aprender uma música, você pegava a revistinha ali, eu lembro assim, e tudo mais. Era complicado. Foi aí que eu comecei, na verdade, a pegar música de ouvido, né, porque eu não podia nem comprar revistinha na época. Aí eu digo, não, vou ter que pegar de ouvido. Aí acabei que aprendi, consegui, né, pegar as coisas de ouvido, e foi muito bom para mim, na verdade, né. Ou sofri um movimento que valeu a pena, com certeza.

CBCristiano Batata

E voltando a Comando Etilico aí, né, se lançaram aí, tu veio falar da vontade de vocês lançar a fitinha cassete, que tiveram o EP ali em 2007, Metal e Prazer, né, primeiro registro oficial de vocês. Querendo citar que ele representa hoje dentro da história da banda Poxa, cara, assim, foi um marco, né, para a gente.

?Voz 1

O Metal e Prazer, né, foi talvez o disco assim mais raçudo, o EP, né, na verdade, né, que a gente fez com mais raça, né. A gente vinha ali entaiando, fazendo alguns shows, né. Depois o nosso vocalista entrou na banda, né, porque a banda a princípio era só 3 pessoas, né. Eu, meu irmão e o baterista, que é o mesmo baterista até hoje, né? Então a gente foi ensaiando, foi fazendo as coisas, montando as músicas e tudo mais. Quando o Ervão entrou na banda, a gente começou a ver mais de uma forma um pouco mais profissional e tudo mais.

Então a gente começou a pensar, pô, a gente precisa gravar um EP, né? Na época a gente chamava de demo, né? Pô, vamos gravar uma demo e tal, vamos gravar uma demo. A gente ficou, pô, tal. Aí fizemos, pô, das tripas coração e conseguimos a grana e tal, e gravamos a primeira demo, né? E foi muito bem recebido assim na época, né? Pra gente, poxa, foi maravilhoso. A gente já, a gente nas casas de shows aqui de Natal, todo show que tinha a gente já lotava, né?

Nas casas. E com CD, pô, foi incrível assim. A turma, é, os nossos próprios amigos, é o pessoal que via pela primeira vez, comprava o CD, a demozinha ali na hora, e pedia para autografar. Assim, foi uma grande conquista verdadeira assim para gente. Então, carinho muito grande com esse disco, com o EP, né, com o Metal e Prazer.

CBCristiano Batata

Legal. Conseguiu guardar uma cópia ou não? Às vezes eu vergonha. Tem alguns EP também que eu comprei lá antigo, algum show. Aí eu falo com os cara da banda, bah, nem eu tenho mais esse disco, cara.

?Voz 1

O EP eu acho que a gente ainda tem, eu não tenho certeza, mas eu acho que ainda tem. Não é o da primeira, da primeira prensagem, né, mas são refeitos, né. O primeiro é o mesmo que a gente lançou, a gente fez um crowdfunding, né, vamos dizer assim. Na época. A gente foi com auxílio da galera e tudo mais para a gente conseguir prensar, prensar não, fazer as capinhas e tudo mais, que era CD queimado, né? Fizemos, né? E nesse, essa primeira prensagem, que se não me engano é de 50, alguma coisa do tipo, tem o nome de quem, de quem pagou, né?

Quem investiu na primeira lá. Eu tenho uns colegas meus aqui que tem essa versão, né? Eu não tenho. Enfim, né?

CBCristiano Batata

Esse tá falando é o Fu daí, o Comandante Ético 2010, no caso.

?Voz 1

Não, Metal e Prazer mesmo. O Fu não, Fu já foi com parceria, né? A gente já teve, foi com com a Records aqui de Natal. Eles que fizeram o lançamento e tudo mais, fizeram a pressagem do disco, e a gente lançou por eles, né? Já em 2000, foi gravado 2009, lançado 2010 ali. Também foi assim, né, pô, vamos gravar o nosso primeiro álbum, né? Primeiro álbum oficial e tudo mais. Também tem toda uma recordação boa, né, com relação a essa época, né.

CBCristiano Batata

Legal. Esse crowdfunding tu falou, vocês fizeram quando mais ou menos?

?Voz 1

Você lembra? 2000, o Metal é Prazer 2007, né. Eu não lembro bem, péssimo com datas, péssimo, mas não lembro bem do que a gente lançou. Mas ou foi de 2006 para 2007, eu fui em 2007 gravaram.

CBCristiano Batata

Sim, mas foi já no primeiro lançamento esse, não foi relançamento, foi no primeiro, no primeiro, no primeiro. E algo bem novo, né, para época, né, uma coisa bem nova aí.

?Voz 1

Exatamente, era uma coisa que a gente não tinha, né, assim, tinha notícia de fora e tudo mais, mas não via bandas fazendo. Mas deu muito certo, imagina deu muito, muito certo mesmo. Muito grato mesmo pela galera que ajudou a gente nessa época.

CBCristiano Batata

Legal, show! E deu refletiva, é o Uhu, né, Comandante Írico? Aí a gente pode dizer que consolidou a identidade do grupo. Tu lembra assim que mudou da estreia até aquele momento no lançamento do primeiro Uhu? Como você falou, até já teve gravador e tal, né?

?Voz 1

Assim, é, as coisas mudaram bastante, né, para o primeiro FU. A nossa essência, né, ela tá lá, né, como também no Metal e Prazer tá lá. Você pega o FU, né, o Comando Epíteto mesmo de 2010, o primeirão nosso, ele já é um álbum um pouco mais bem trabalhado, né. Tem músicas que tem efeitos sonoros, coisas que mesmo fez, inventou no estúdio lá introduções e sonoridades, né, sonorizações que a gente colocou, que não tem na demo, né.

A demo é bem crua mesmo, bem pancada. O CD não, o oficial não, ele já é um disco, ele já é um disco bem mais trabalhado, né. Mas assim, veio para consolidar, como você mesmo falou, né, consolidou a banda. A gente tocou, a gente tocou fora, foi tocar na Bahia, e assim, a maior parte dos estados do Nordeste a gente fez também, né? Mas foi o que também veio para consolidar a banda realmente no metal mesmo nacional, e principalmente aqui do Nordeste, né?

?Voz B

Certo.

CBCristiano Batata

E depois veio o Heavy Metal Hell, né, em 2019, quase uma década depois. Acabou demorando tanto para esse lançamento, e por sorte veio, né? Porque senão logo depois, 2020, já veio a pandemia, ia atrasar mais ainda.

?Voz 1

Isso, Cuiambari com tudo, né, cara? Esse, o Heavy Metal Hell, o Heavy Metal Hell foi Foi, como é que eu posso dizer, foi uma briga, sabe, para esse disco sair. Ele originalmente era para ter saído em 2014, né. Nós começamos a gravar ele em 2013 para 2014, fizemos tudo, gravamos e tudo mais, passamos por— a gente também demorou bastante para gravar, era um período que a gente tava muito ocupado, como a gente falou aqui no começo, né.

A gente já não não tinha mais tanto tempo para estar com a banda e tal. E foi um período muito, muito difícil assim. Então a gente gravava quando podia, aí ia lá, gravava uma guitarra, né? O estúdio, o estúdio que a gente toca, a gente geralmente faz nossas gravações, é o Sonoros, que é numa cidade, circo vizinha daqui, né, que é em São José do Mipibu. Um abração aí para Nilson, se ele ver essa entrevista. Então assim, é uma— a gente fazia gravação nesse estúdio lá, ele é um pouco distante, então tinha toda essa questão, né, leva equipamento e tal.

E demorou, a gente demorou muito para gravar. E quando finalmente a gente terminou a gravação, o dono do estúdio teve um problema elétrico lá e ele perdeu tudo, sabe? Ele perdeu não só o nosso material, né? Assim, talvez foi, talvez tenha sido a menor perda dele, porque ele é cineasta também e perdeu filmes, ele perdeu todo um trampo de uma vida assim, sabe? O cara ficou arrasado, né? Com a gente também, pediu desculpas, mas assim, ele não teve culpa de nada, né?

A gente a gente conversou e tal, resolvemos regravar, né? A gente veio regravar um pouco depois, quando as coisas deram uma melhorada para gente, sim, em termos de tempo. Aí a gente gravou e conseguiu finalmente lançar em 2019. Mas foi difícil, cara, foi uma barra, uma barra mesmo assim entre perder tudo e conseguir que tudo que seja gravado novamente, mixado, masterizado, foi um parto.

CBCristiano Batata

Mas vamos curtir um som do disco novo. Escolhe aí uma música para a gente finalizar esse primeiro bloco aí.

?Voz 1

Vou colocar aí Flagelo, que é a segunda música do nosso disco.

CBCristiano Batata

Beleza, vamos curtir esse sonsaço aí para finalizar o primeiro bloco. É top!

?Voz B

O medo desmonta o poente num céu coberto por chamas. Orações e cultos em vão no frio e vazio de suas mentes, em porões de prisões escuras. Desde a morte ao vida, privados de suas próprias vidas, ouro e ossos banhados em sangue, com seus Ossos curvados ao chão, extermínio, tormento de um povo. Vai lá, meus demônios, por favor, por favor. É o fim de uma era e entra uma gera que é solta a martírio que desce dos céus. Humanidade em declínio, serão todos reis.

É terminal, a humanidade ainda cliniu. Serão todos réus, serão todos réus. É terminal, ao lado dos demônios de fogo. É terminal. O medo desponta o poente num céu coberto por chamas. Orações e cultos em vão no frio e vazio de suas mentes. Em porões e prisões escuras, os clarins da morte ouviram. Larguei o que é solto, a martírio que desce dos céus. Humanidade em declínio, serão todos réus. Enter me now. Humanidade em declínio, serão todos réus. Enter me now.

CBCristiano Batata

Voltamos então, segundo bloco, banda Comando Etílico. Agora vamos falar um pouco de influências aí, tudo mais. Sonoridade da banda A banda carrega ecos do metal aí oitentista, com referências aí a vários nomes, né? Querendo falar aí quais discos ou bandas foram fundamentais para moldar o DNA da Comando Etílico.

?Voz 1

Não só bandas nacionais, né? Assim, a gente tinha essa em mente, né, de gravar o fazer a banda cantada em português, né, que a gente sempre curtiu muito as bandas nacionais e tal. É simples de você entender, é bacana, né, essa interação que você consegue com seu público, né. Então via muito Taurus, né, que recentemente agora em março a gente tocou com eles. Foi realização de um sonho assim, foi legal. Bandas como tal, Azul Limão, né? Azul Limão também que vai tocar esse ano aqui em Natal.

CBCristiano Batata

Foda!

?Voz 1

O Árpia, né? Fundamental assim para compreensão do rock and roll, né, brasileiro e tudo mais. E assim, bandas, bandas do mundo inteiro, né? A gente sempre, eu sempre curti muita banda dos mais variados estilos do Heavy metal, né, thrash, bandas como Slayer. Gosto muito do metal também, adoro o Candlemass, né, Solitude Aeternus. Então assim, em termos de sonoridade, é uma coisa que a gente meio que tem uma base, né, mas a gente é muito, muito livre assim.

Se você pegar os discos do Comando, né, uma coisa ou outra realmente tá no nosso DNA e você vai conseguir lembrar ali, né, de alguma banda, algum baluarte do metal, mesmo que não seja do metal brasileiro, mas seja do metal mundial. Mas a gente tem essa liberdade, né, de botar a nossa identidade na banda, né? Assim, longe de querer reinventar a roda, né? Não, isso não existe. Mas a gente, a gente tem um som até que bem particular, assim, as músicas mais rápidas, né, músicas mais hardão e tal.

Então assim, de influência, né, tem, tá no nosso DNA ali, né, saca? Tá ali dentro, não tem como a gente fugir. Mas a gente sempre caminha no nas nossas pernas mesmo, sabe? Eu acho isso bem importante para sua identidade, né, sua característica como músico.

CBCristiano Batata

E vocês consideram uma banda mais nostálgica assim? Eu acredito que o som de vocês é mais atemporal assim, podemos dizer assim. Como é que vocês se enxergam hoje?

?Voz 1

Mais nostálgica, né? Hoje em dia você pega as bandas no nosso estilo mesmo assim, são raríssimas, né? Tem bem poucas bandas mesmo de metal com vocal limpo, né? O pessoal faz mais um power metal, né, speed metal, alguma coisa do tipo, né? O heavy metal mesmo, como a gente faz, como eu quero dizer, ele é mais tradicional, vamos dizer dizer assim, né? Não é, não tem mais tanta banda, né, fazendo esse tipo de som. Até existe, né? Não tô dizendo que não existe.

Tem bandas aqui do Natal mesmo, né, que toca também, que canta metal cantado em português também. É uma vibe bem, como é que eu posso dizer, uma vibe bem antiga, né? Aquela coisa bem Nostálgica. Aqui de João Pessoa também tem um Sinal de Ataque, é uma excelente banda, os caras são foda também. E tem essa toda essa vibe oitentista, né? Você pega aquela vibe dos anos 80, distorção ali rasgando tudo, a bateria destruindo tudo, vocal berrando.

Então o lance é fazer barulho e a intenção assim meio que essa coisa mais nostálgica mesmo, né? Não, mas não deixando de fora as modernidades, né, da vida, né? Os confortos e você conseguir gravar de formas mais simples, né?

CBCristiano Batata

E como vocês veem aí, para equilibrar tradição e personalidade própria dentro de um estilo tão clássico?

?Voz 1

É uma coisa, não sei nem explicar. A gente não tenta copiar ninguém, sabe? A gente não tenta, ah, vamos fazer uma música parecida com Iron Maiden, ah, vamos fazer uma música na linha do Metallica. Não, a gente geralmente eu faço riffs, né, crio as canções e tudo mais. Não tudo, obviamente, né, mas eu faço a maioria dos riffs. Eu não tenho um plano de me parecer com ninguém. Eventualmente aparece, né, que é como eu falei, tá no nosso DNA, né.

As bandas que a gente ouviu a vida inteira, desde moleque, tá no nosso DNA. Então em algum momento ou outro vai, vai se parecer com alguém, né? Mas não, essa não é a intenção, né? Então assim, respondendo a sua pergunta, né, a gente não faz pensando em se parecer com alguém, né? Cria o riffzinho ali com a letra e não gostei, aí faz de outro jeito, e assim vai.

CBCristiano Batata

Ao natural, digamos assim, que vem a sonoridade. Isso aí, eu que ajuda para criar a identidade própria da banda, né? Com certeza.

?Voz 1

Aprender muita coisa, né? Às vezes eu já toquei em bandas que você tem uma sonoridade bem engessada, né? Aquela coisa bem, bem amarrada ali. Não, aqui tem que se parecer com isso. Não, isso aqui tem que— não, não faça isso porque isso aqui vai se parecer. A gente não tem muito isso, né? A gente fazendo a música, quando a gente vai ouvir a música, emocionou, pronto, a música tá boa. O lance é esse.

CBCristiano Batata

Isso aí. Como tu falou aí, vocês vieram muito como referência aí as bandas do metal nacional, né, metal brasileiro dos anos 80, que é uma grande referência, podemos dizer assim. Como é que vocês enxergam o legado daquela geração hoje aí? Como é que vocês estão vendo em relação a isso?

?Voz 1

São bandas que têm uma uma história, né, de muita superação também, né, que eram anos, era uma época muito difícil, né. Eles têm uma história incrível, né, que eles deixaram, que deixaram de aprendizado para todos nós, né. Fica como referência. Muitas bandas existem ainda, né, fazem coisas bem diferentes, né, Mas não saíram dali do meio do rock and roll. É, mas é importante demais você ver, você vê uma moçada mais jovem aí, às vezes escuta Comando Etilico, pô, metal cantado em português, nunca ouvi.

Bem mais, bem mais jovem e tal. Aí, pô, vocês conhecem, começaram isso aqui da onde? Aí vocês vão cascaveando, vão voltando vão voltando, vão voltando. Aí acha bandas, as bandas que nós nos inspiramos, né, a ter, a ser uma banda como eles, né. Então assim, o legado que eles deixam é essa, é essa história, né, é essa experiência que a gente consegue carregar para hoje.

CBCristiano Batata

Com certeza. E algo que não é fácil, principalmente para as bandas aí que estão desde aquela época, Taurus, tem UOL, tem Vulcano, tem uma porrada aí, né? E eles passaram por todas essas fases: o vinil, depois fita cassete, depois CD, depois MP3, piratado CD e fita piratada, várias épocas. E agora streaming, né? É uma loucura toda, uma mudança de hábito. Antigamente ganhava dinheiro com ingresso, grana de show. Hoje em dia tem que ser merchan, mas não tem mais quase venda de CD. É um troço louco, se for pensar, mudança de cultura, né?

?Voz 1

As pessoas estão cada vez mais em casa, né? Antigamente, por exemplo, você— isso aconteceu comigo, com as pessoas mais velhas. Eu sou o mais novo da banda, né? Mas eu tô no meio do movimento desde criança. Então Então assim, a gente queria ouvir uma banda, aí pô, tu tem o disco tal banda, aí eu quero ouvir, sei lá, eu quero ouvir o disco novo do Saxton, aí tu comprou o disco, aí juntava 4, 5, 6 amigos, ia para sua casa, ouvia lá, curtia aquele som, né?

Aí depois isso acontecia Consegui comprar o CD de tal banda, a gente se juntava, pô, vamos lá sacar. Pô, isso é muito legal, isso tirava as pessoas de casa para ter um convívio com as outras, né? Então assim, hoje em dia a turma não tem mais isso, né? Elas não, elas, por exemplo, eu vi que você recentemente fez a entrevista do Headhunter, né?

CBCristiano Batata

Com o Balu.

?Voz 1

E eu vi o show do Red Hot aqui em Natal, acho que foi em 2004, foi 2005, uma coisa assim, tem muito, muito tempo. Naquela época eu só conhecia o disco, a banda, porque meus irmãos tinham o disco, então eu ouvia, né? Então já tocava, já conhecia e tudo mais. Hoje em dia a turma faz assim, vai ter o show de tal banda, Né? Aí os caras vão lá no Spotify, no YouTube Music, escutam tudo, tá, tá, tá, lê a história da banda. Pô, eu acho isso bacana, eu acho isso muito bacana, mas isso tira muito da curiosidade, né?

Assim, de você ir querer insistir, não, eu vou lá sacar na casa de fulano, eu vou pegar emprestado para ouvir, ou então grava uma fitinha aí para mim, então grava MP3, né? Certas dificuldades que tinham antigamente fazia a gente interagir muito mais, né?

CBCristiano Batata

Com certeza, com certeza. Eu todo sábado de tarde, obrigado, saí botar meus discos embaixo do braço, levar umas pitinhas cassete para gravar enquanto pelo menos não pudesse comprar o disco. Tinha fita cassete para ouvir em casa também, né? Aí tinha toda essa troca, ficava a tarde toda conversando sobre metal, sobre as bandas, cultura. A gente não tinha informação que tem hoje na internet, mas já tinha troca de ideias entre todo mundo.

Pessoal tinha costume de ir para frente das lojas no final de semana fazer isso, trocar disco, emprestar, gravar, conversar, falar sobre música, né?

?Voz 1

É muito mais, com certeza. Assim, hoje em dia eu costumo dizer o seguinte, né? A internet ela tá aí para aproximar quem tá longe e separar quem tá perto, né? Às vezes você tá na mesma casa conversando com uma pessoa pelo telefone, né? Mas quem tá morando lá na Europa, que é seu filho, seu irmão, sua mãe, talvez ela lhe aproxima, né? Mas quem tá próximo, ela lhe separa, né? A internet tem os seus dois lados, né?

CBCristiano Batata

Mas começamos o bloco falando de influências, né? Deixar para ti escolher dois aí de influência para a gente finalizar esse segundo bloco?

?Voz 1

Colocar aí Trilha do Metal, Kamikaze, banda foda demais. E Salém do Harper, né, também tem nem o que dizer, né, um clássico dos clássicos do heavy metal nacional.

CBCristiano Batata

Beleza, quebra tudo aí. Kamikaze, Harper para finalizar. Utilizar o bloco. Fechou?

?Voz B

Eu sei que vou conseguir trilhar no meu, através do metal, e vencer todo o mal. Vem, áscurtiva, porque o sol tem pra ser. Quero mais emoção pra viver. Um sinal para você descobrir seu caminho. Entre o sol ou a escuridão, mas não Meados de 1692, 34 pessoas. Executadas. Acusação feita, história. Cidade, salve! Os corvos e morcegos bancam os guardiães enquanto inflama o cacho do sol de légio. A magia negra corre à solta esta noite, o que nesta cidade não é nenhum sacrilégio.

Ao outro lado, guerreiros eternos, que o mestre vos aguarda. Permaneçam, pois, fiéis, que de vós será o império. Peixes, tucunaré e fragatas ardem no meio da noite. Fazendo da escuridão um presságio aflito, mentes humanas oram e proclamam: Satã, nosso rei, venha nas mãos do maldito! A cidade da bruxa tá além, onde os domínios do inferno tá além. A cidade da bruxa tá além, onde o mal é eterno. Uma carga de azouros paira sobre a cidade.

Que para provar sua força malevola chega a desafiar a própria Trindade, arrastando consigo legiões de demônios. Que o mestre vos aguarda. Permaneçam vós fiéis, que de vós será o que fizer. Tire você mesmo a sua própria conclusão antes que lhe lancem um feitiço. Que o transformará de corpo e alma em mais um discípulo submisso. Xalém, a cidade da bruxa. Xalém, os domínios do inferno. Xalém. A cidade das bruxas, Salém, onde o mal é eterno. Mal eterno, mal eterno.

CBCristiano Batata

Voltamos então, terceiro bloco. Estamos com Lucas, banda Comando Etilico. Agora sim, vamos falar sobre esse Novo disco Flagelo ficou muito foda. Fala aí qual o conceito central desse disco. Existe mesmo um subtexto apocalíptico do álbum? Fala aí para nós, cara.

?Voz 1

As letras do Comando são uma coisa à parte, né? Assim, a gente começou falando muito de curtição, muita, muito rock and roll, muita Melita. Hoje em dia as coisas são mais um pouquinho, são um pouco mais profundas e tudo mais, mas assim, misturado ainda com temas de diversão, vamos dizer assim. Esse disco, né, esse disco foi também é uma outra experiência à parte, né. A gente foi, a gente decidiu fazer ele de uma forma um pouco diferente, né?

Eu gravei, a gente gravou a bateria no mesmo estúdio que a gente grava, e depois gravamos o restante das coisas aqui em casa, né? Eu tenho um home studio e fizemos todo o restante aqui, né? Voz, guitarras, baixo, fizemos tudo, né? E é isso assim, né? O conceito desse disco é coisa realmente mais apocalíptica, né? O flagelo descendo sobre a Terra e destruindo tudo e tudo mais.

CBCristiano Batata

A faixa título já abre o disco com peso e crítica social, né? Quer dizer que ela resume o espírito desse trabalho.

?Voz 1

É, vamos dizer assim, né, tem um tema, tem músicas com temas até um pouco mais político, né. Se você pegar Repúdio, né, é uma facada assim na época da pandemia, né, quando a gente perdeu tantas pessoas queridas, né, familiares, amigos, e Foi um período bem, bem complicado, né? Mas é isso, não resume o disco, mas é uma faixa que ela já entra assim, né, com dois pés na porta, né, para dizer, ó, chegamos novamente, mais uma vez.

CBCristiano Batata

E o álbum, ele traz além das 8 faixas inéditas, também traz uma nova versão de Ritual e uma releitura de A Noite do Luto Vermelho. De onde veio a ideia de revisitar essas músicas aí?

?Voz 1

Essa revisita aí, a música do Luto, né? O Luto era uma banda que tinha, que existia aqui nos anos 80, na cidade vizinha aqui de Natal, né, que é São José de Mipibu, que é justamente onde a gente faz as nossas gravações, né. O dono do estúdio lá também era, fazia parte da banda, e eles tinham uma fitinha cassete gravada de um ensaio que eles fizeram, né. Essa, quando a gente, quando quem já conhecia era Herval, né, o nosso vocalista, aí ele disse, ó, essa música aqui dá para a gente fazer um metalzão foda, vamos fazer.

Aí eu peguei, trouxe para cá, dei umas adaptadas, adaptei algumas coisas, né, para nossa realidade, né, e fizemos ela, né, refizemos a música, né, no geral, incrementamos, tiramos outras coisas, adicionamos outra. No cerne mesmo, a música é a mesma, ela é a mesma música. Mas se você ouviu o original para o que nós fizemos, mudou, mudou bastante coisa, né? Na época, a gente, antes do CD sair, né, a gente mandou para o rapaz lá, o Nilson, né?

Ele se emocionou quando ouviu a música. Poxa, cara, nunca imaginei que essa música ia ficar tão bem gravada. Tão bem tocada, assim, nos deu 200% de apoio, né? E assim, foi, foi no CD, a gente toca ela ao vivo, todo mundo canta, é muito bacana, é muito massa. E em Ritual, né, que é a música que tá presente no nosso, na nossa demo, né, na nossa, no nosso EP de 2007, A gente resolveu regravar como a gente vem fazendo com as músicas lá da demo, né?

A gente tá encaixando cada disco, a gente encaixa uma, né? No Heavy Metal Hell a gente colocou Estação Antiga, fizemos até um clipe dela, tem um clipezinho dela, e fizemos agora Ritual. Né, para esse disco, né. Aí nossa ideia mesmo é ir colocando as músicas, né, oficializando elas em discos.

CBCristiano Batata

Show, legal! E como é que foi o processo de gravação, a parceria com o Felipe Rebouças aí do mixagem, masterização?

?Voz 1

Cara, Felipe é um irmão nosso assim, é um brother Brother é foda, né? O cara, ele atualmente mora em Brasília, né? A gente fez as gravações no Estúdio Sonoros, né, da bateria. Gravamos toda a bateria lá. Fizemos acho que no ano de 2024 ainda, no final de 2024. Aí em 2025 a gente gravou o foi gravando, né? A gente gravou o restante das coisas tudo no meu home studio, né? Gravamos vocais, guitarras, baixo, tudo, né? Fizemos toda a parte de gravações aqui mesmo.

No final, né, no final a gente mandou tudo para ele, né? E assim, Felipe é um monstro, cara. O cara é muito bom assim, sabe? Sabe, ele tem entendido muito bem o que a gente quer. Ele pega a nossa referência, ele traduz, e sempre sai uma coisa foda, né? A gente, eu já venho, eu e Herval, a gente vem trabalhando com ele em outros aspectos, né? A gente faz algumas outras parcerias e ele sempre vem, é ele que vem fazendo as mixagens e masterizando gravações, né?

Tem ficado incrível. Tudo que tem que a gente botar para ele sai uma coisa maravilhosa assim. Tá ficando, os trabalhos que a gente tá fazendo com ele tem ficado maravilhosos.

CBCristiano Batata

Legal. Muitos críticos apontam o Flagelo como o melhor trabalho da banda até o momento. Como é que vocês sentem também que alcançaram um novo patamar com esse novo disco? Como é que vocês estão sentindo em relação a isso?

?Voz 1

A gente tem ouvido muito isso, a gente tem ouvido muita gente falando, né, pô, esse é o melhor disco de vocês e tal. É, eu não tenho como você dizer que um filho seu é melhor do que o outro, né? Mas esse disco, ele traz coisas, ele traz coisas diferentes, tem coisas novas que a gente tinha, já vinha fazendo, mas agora a gente tá fazendo de uma forma melhor, de uma forma mais, mais polida, né? A gente, pelo fato da gente ter gravado no meu home studio, A gente teve uma liberdade, sabe, para criar, para na hora da gravação você ouve, você não gosta, você faz de outro jeito, que foi uma peculiaridade que a gente nunca tinha tido.

A gente sempre teve muito tempo no estúdio, nesse estúdio que a gente fazia as gravações, a gente sempre teve muito tempo, o cara sempre foi muito incrível com a gente. Mas você gravar no seu home studio de cueca é uma maravilha, sabe? Assim, você consegue fazer, testar coisas, né, ir além, sabe? Então esse disco, as pessoas têm dito muito isso, pô, esse é o melhor disco do Comando. Eu acho que é o disco que a gente teve mais tempo dentro do estúdio para entender o que tá sendo gravado e de fato eternizar, né?

Acho que talvez por isso a gente tenha conseguido imprimir tanta, tanta força nele, né? Talvez por isso, não sei.

CBCristiano Batata

Show, legal! Mas vamos curtir mais mais 2 sons aí do disco novo. Escolhe aí para a gente finalizar esse terceiro bloco aí.

?Voz 1

Eu queria colocar para tocar A Encruzilhada, né, que é uma música que é, ela é uma música que a gente fez referente a um filme, né, Crossroads. E Repúdio, que a gente falou no começo da pergunta, né, no começo desse repúdio a justamente a música que a gente fez na pandemia em homenagem a todos os mortos e a tudo que a gente vinha vivendo na pandemia, né? Encruzilhada e Repúdio.

CBCristiano Batata

Beleza, vamos com esses dois sons aí.

?Voz B

Feito. E a escuridão sem fim. A pressa paga sacrifícios de morte ao lutar com a minha guitarra e o meu coração. Vou na calada da noite que assusta. Chuva na face ao me oferecer desejo perpétuo, aí eu ao alvorecer. Vem dar sua revelação, uivos do vento e céu a trovejar, madrugada incerta é pra vencer. Com a minha guitarra e o meu coração na encruzilhada da noite que assusta. Não há mais tema melhor. Ouviu os do vento e céu atrovejar?

Madrugada encertada. É pra vir ser cheio! E todos a vossa leva! Heavy metal, rode na cabeça! E todos a vossa leva! Heavy metal, rode na cabeça! Coleiras, gravatas, griscrotes, condutas, fome enlatada, miséria, fortuna sem jogo, corrente só por vulto, a sangue nas mãos, carnaval, consciência comprada, jamais meio milhão não faz mal. Meu milhão não vai parar. Morte, morte, somos a sua e um milhão, somos a sua e um milhão. Morte, morte, a sangue nas mãos, a sangue nas mãos.

Bravata, nazista, extremismo, fascistas, fileiras de corpos ao chão. Na ponta das botas, soldados à função. Reserva no gol. Fortuna sem jogo, correntes ao povo. A sangue nas mãos, carnaval. Consciência comprada. É só quem faz, chama a sua e um milhão não faz mal.

CBCristiano Batata

Voltamos então, quarto e último bloco para essa baita entrevista muito foda aí com o Mandetílico. Vamos falar um pouco sobre shows, material, novidades, que que tem aí. Como é que vocês já fizeram quantos shows depois do lançamento desse Lembra ou não?

?Voz 1

Acho que a gente lançou no final do ano, né? Acho que a gente tocou, acho que fez uns 6 a 8 shows.

CBCristiano Batata

Como é que tá sendo recebido pelo público no show essas músicas? Já existe faixas, estão virando hino ao vivo? Como é que tá em relação a isso?

?Voz 1

Pô, tá ficando foda, cara. A galera, depois, ainda mais depois que o CD físico saiu, que a galera pôde ler as letras ali também direitinho. Aí, porra, todo mundo cantando no show, é, tá sendo maravilhoso. A gente nesse meio tempo, né, entre o lançamento e agora, né, o nosso baterista ele precisou fazer uma cirurgia. Então ele passou quase 3 meses, é assim, de molho total, né. Então é É agora que a gente tava voltando a tocar novamente, né?

Mas a galera tem recebido muito bem, cara, muito, muito bem mesmo. Pessoal já pede as músicas novas, canta os refrões da música que acabou de rolar aí, né? A Encruzilhada, né? Ela tem um refrão bem, bem pegajoso, né? Então a galera tem cantado muito, tem sido uma recepção Bom, maravilhosa. Assim, só tenho a agradecer mesmo essa turma que se dispõe a primeiro a comprar o disco e ouvir, depois aí lá no nosso show curtir, bater cabeça e cantar junto com a gente.

CBCristiano Batata

Legal, isso aí. Como tu disse, né, o disco ganhou uma versão física aí em CD, relembrar aqueles bons momentos, como a gente falou, de ter o disco em mãos, né, para curtir no final de semana. Isso é legal, já que a galera pode adquirir esse CD e mais materiais aí. Já pode citar o que mais vocês têm à venda, como é que a galera faz para adquirir.

?Voz 1

Vocês podem entrar em contato diretamente com o comando, né, pela, pelo Instagram, né. A gente faz o envio, deve deixar aí o Instagram da banda, é @comandoetílico. Assim, o pessoal pode entrar em contato por lá via DM, pode fazer a solicitação que a gente faz o envio. Também tem a Records, né, que faz a— desculpa, Records não, a Blasfêmia, né, que é o parceiro nosso aqui que lançou junto conosco. Vai me desculpar que eu sou péssimo de memória, eu esqueci o nome do outro selo, mas Mas assim, se você entrar em contato com a Blasfêmia também, eles fazem o envio para todo o país, tá?

Tanto a Blasfêmia como o Comando, a gente tá enviando o disco para todo mundo que quiser e tiver a fim de ouvir um metal no talo.

CBCristiano Batata

Legal, é isso aí. E qual a ideia para 2026 aí? Existe novos materiais, videoclipes? Qual a ideia aí para esse ano agora, né?

?Voz 1

Para terminar o ano, a gente tá na nossa programação agora para o mês que vem e o próximo, a gente lançar um clipe, né? Fazer o lançamento de mais um clipe aí da banda, fazer um lançamento, acho que lá para setembro, creio que já esteja, já esteja todo mundo podendo assistir.

CBCristiano Batata

É surpresa ainda, música é surpresa ainda, surpresa, surpresinha.

?Voz 1

Deixa surpresa no ar, tá? Quem vê entrevista vai ficar, porra, qual será essa música?

CBCristiano Batata

Tá certo. E depois disso aí, ano que vem, tudo já mais, digamos, normalizado, colega de vocês aí, clipe lançado, Tem planos de repente conseguir fazer turnê para fora do Nordeste? Qual a ideia de vocês?

?Voz 1

Assim, sabe, shows fora, shows aqui são sempre muito bem-vindos, né? Também entrar em contato com a gente, a gente negocia para tocar fora, né? Todo esse Brasil a gente tá a tocar, né? Ano que vem, né, continuar divulgando bastante esse disco novo, né, o Flagelo. E assim, a gente tem, vai lançar esse clipe agora. Espero que ano que vem a gente consiga lançar mais outro e ver se em 2028 a gente vem com mais alguma outra coisa aí, algum disco disco novo, não sabemos ainda.

CBCristiano Batata

E esse disco aí, como tu mesmo citou, e nós tivemos também ali, nós tivemos votação dos melhores discos de 2025, apesar dele não ter ficado ali entre os 10, mas ele tava correndo parelho com vários discos ali. Ele foi lembrado bastante, né, nas nossas pesquisas ali, eu lembro. E depois de mais de 20 anos de estrada. Pode dizer que isso é uma coisa que motiva bastante a banda aí, que já tá há longo tempo aí, lança um disco e ser bem lembrado, digamos assim, né?

?Voz 1

Com certeza, esse disco trouxe muitas coisas, muitas coisas bacanas, né, assim, para nós, né? A gente participou de um pré-mangá aqui, né, né, o Prêmio Hangar de Música, que não ganhamos infelizmente, mas assim, só em você ter só a indicação para nós já valeu muito assim, sabe? É um prêmio onde você não vê rock, você não vê nem rock, quem dirá bandas de heavy metal, né? E a gente foi lembrado e tudo mais, e fomos à premiação, infelizmente não ganhamos.

Talvez fique para uma próxima, né? Mas foi só em ter sido lembrado, né? Foi muito massa. Teve também do Metal Never Dies, que nós ganhamos, na verdade, né? Nós ganhamos como melhor disco, concorremos com várias outras bandas e tal. Foi muito massa também, assim, a gente não esperava, na verdade, né? Quando a gente viu saber, tava lá, estávamos concorrendo. E pô, que massa! Aí fomos ver, aí no final de tudo a gente acabou ganhando esse.

CBCristiano Batata

A gente ganhou, legal, show! Então, Lucas, valeu aí por essa bela entrevista aqui para o Metal com Batata. E você entra na história aqui do nosso canal junto com, como tu falou, a Arca, que já foi entrevistado, Vulcano que já foi entrevistado, Tauro já foi entrevistado. Agora temos a Comando Etílico aqui também entrevistado. Muito bom, muito legal deixar o espaço para ti, deixar uma mensagem para galera e pedir mais 2 sons aí desse ótimo disco aí para a gente finalizar a entrevista.

?Voz 1

Gostaria de agradecer mais uma vez, né, a oportunidade oportunidade aqui de vir falar sobre a banda, fazer mais essa divulgação aqui com você, bater esse papo bacana, né? É muito massa. Fico feliz demais assim de cada vez mais a gente chegar cada vez mais longe, né? Agradeço demais, demais, de verdade, viu? Muito obrigado, galera. Escutem metal, escutem o heavy metal, cantar de qualquer idioma, mas escutem metal. Valeu, turma!

Quero pedir também agora mais duas músicas do Comando: Corsário Fantasma, tá, e Vingança. Duas músicas do caralho.

CBCristiano Batata

Beleza, vamos curtir esses dois sons aí. Feito, valeu, valeu, turma!

?Voz B

Há uma antiga lenda ancestral que na noite mais fria e escura o triângulo dos céus tomará, e quem ao longe o enxergará surgir ao espancar do vento em suas velas. Porém, que a névoa densa e sombria ouve-se a morte cantar olá. Pagar e ela os cobrará ao fim. Ancestral, que entre as noites de dor e lamento, almas imploram por se salvar, mas não há quem possa o mal recuar dali. Ouvindas as faixas das trevas que bailem gritos de tormento e chamas.

Ouviste a morte cantar alá? Há um preço a pagar e ela os cobrará ao fim. Atacas e espadas, bandidas e sangue, o Corsário Fantasma vem buscar o que é seu. Há uma antiga lenda ancestral que na noite mais fria e escura desce entre os céus tamarelos. E quem é longe o enxergará surgir ao espancar do vento em suas velas. Por entre a névoa densa e sombria, ouve-se a morte cantar olá. Começa a pagar e ela nos cobrará ao fim. Tesouros de vida espilha por sete mares de sangue e lágrimas.

Atacas de espadas, cantigas de sangue, um corsário. Fantasma vem buscar o que é seu. Armadilhas mentais te aprisionam, conflitos te impedem de perceber que as trilhões em sua Fugir às masmorras é lutar ou perecer no mundo atroz desumano. Correntes te impedem de prosseguir entre as noites que exclamam e sangram. É calar ou resistir a uma verdade cega em seu coração. Punhos cerrados, liberdade ou não. Conflitos te impedem de perceber que os grilhões ensujam as masmorras.

É, lutaram, pereceu no mundo atroz desumano. Correntes te impedem de prosseguir entre açoites que exclamam e sangram. Calar ou resistir, há uma verdade cega em seu coração. Punhos cerrados, liberdade ou não. E com esse bate-papo chegamos ao fim de mais uma edição gravação do nosso programa.

CBCristiano Batata

Queremos agradecer imensamente a banda Comando Etílico pela disponibilidade, pela excelente conversa e por compartilhar um pouco da história da banda e do álbum Flagelo. Também deixamos um agradecimento especial aos nossos parceiros Hard Life Promotion, Angels PR Music Promotion, Vanickia Record Promotion, Scarlet Records e Ironclad Metal PR, que enviaram material das bandas apresentadas no primeiro bloco e seguem fortalecendo a divulgação do heavy metal pelo mundo.

Muito obrigado também a você, Headbanger, que esteve conosco em mais uma edição. Se você perdeu algum programa ou entrevista, acompanha o Metal com Batata nas redes sociais. Inscreva-se em nosso canal no YouTube e também estamos com nossos programas no Spotify. Mas valeu então, voltaremos semana que vem com mais uma edição do Metal com Um batata.

Metal com Batata 452 - Comando Etilico | Castnews Index — Castnews Index