PAPO NA VARANDA = 439 NILO JOAO MELHORANÇA E ELIZABETE MELHORANÇA - ENEAS MARQUES/PR
PAPO NA VARANDA = 439 NILO JOAO MELHORANÇA E ELIZABETE MELHORANÇA - ENEAS MARQUES/PR
Hélio Alves
Elisabete Melhorança
Nilo João Melhorança
- História de Nilo e Elisabete MelhorançaOrigens e infância em São Paulo e Santa Catarina · Formação acadêmica e início da carreira médica · Casamento e mudança para Enéas Marques · Carreira médica em Enéas Marques e região · Experiências e desafios da medicina no interior · Atuação política como vice-prefeito · Família e legado
- Medicina no interior do ParanáDesafios e adaptações da prática médica · Formação de equipes de enfermagem e auxiliares · Parceria com parteiras locais · Evolução tecnológica e diagnóstico clínico · Atendimento a partos e cirurgias
- História de Enéas MarquesPioneirismo e desenvolvimento da cidade · Cultura e costumes locais · Impacto da medicina na comunidade
- História da Rádio Ampere e Papo na VarandaObjetivo do programa · Importância de registrar memórias
A Rádio Ampere apresenta Papo na Varanda. Pioneiros de Ampere e região escrevem sua própria história de vida. E Hélio Alves faz o registro de parte dessa história.
Meus amigos, mais uma vez estamos com o nosso Papo na Varanda no Ar aqui pela Rádio Ampere. Esse programa, esse documentário que eu faço com muito carinho. Registrando um pouco da vida das pessoas em Ampere, em todo o nosso sudoeste do Paraná, a gente faz esse trabalho. Esse Papo na Varanda de hoje é do número 439. São 439 famílias que nós já visitamos.
conversamos, registramos e fizemos um documentário para a família. Aqui onde nós estamos em Enés Marques, nós já fizemos com seis famílias e temos mais um grupo de famílias que já vão se apresentar nos próximos programas. E o objetivo desse programa aqui em Enés, o prefeito do Patine pretende fazer...
Um livro para contar um pouco das histórias das famílias aqui de Enéas Marques. Gravamos numa tarde de terça-feira, 28 de abril de 2026. Esse está indo para o ar nesse final de semana, nesse dia 8 de maio e nesse dia 9 de maio, inclusive.
dia 10, nesse domingo é dia das mães, a nossa homenagem a todas as mães. O nosso Papo na Varanda tem o apoio do Jornal do Beltrão, que você recebe ele em sua casa, de terça a sábado, e que também está no site, com todas as informações da nossa região.
E o Jornal do Beltrão, ele divulga uma foto, faz uma matéria dos nossos entrevistados. Muito obrigado pelo apoio aí ao Jornal do Beltrão. E também a FotoArte faz um presente de uma foto de 20 por 30 para os nossos entrevistados. Se você tem fotos antigas que gostaria...
de revitalizar a foto. Se você tem foto no seu celular que gostaria de revelar, vá até a foto arte. O Euclésio, a NET estão ali prontos para atender você na rua Maringá, próximo ao Banco do Brasil. O telefone é 999-23-3096. Colecione bons momentos. Bem, nós estamos, como eu já disse no início, em Enes Marques.
E esse Papo na Varanda já faz muito tempo que o Maico, o próprio prefeito, algumas pessoas me pediram, você tem que fazer um registro da vida do doutor Nilo aqui em Enéas Marques. Então nós estamos na casa dele, sendo muito bem recebido, doutor Nilo João Melhoranza. Melhorança.
Miliorança, que nasceu no dia 24 de abril de 51, 75 anos, esse jovem que está aqui ao meu lado, inclusive no dia que nós gravamos teve uma confraternização para comemorar o aniversário dele, muito bom. E ao meu lado também a sua esposa, a Dona Elisabeta, a Dona Elisabete Miliorança, que nasceu no dia 27 de julho de 51, 75 anos.
Eles até foram econômicos nos filhos, três filhos. O Márcio, que mora em Curitiba. A Carolina, que mora em Francisco Beltrão. E o Júnior, que mora em Florianópolis. Dá uma saudade dos filhos quando estão longe. Mas cada um deve seguir o seu caminho. A gente cria os filhos, eles criam asas e voam. Eles têm quatro netos. Bem, para falar um pouquinho do doutor Nilo...
Ele já está há 50 anos aqui em Enéas Marques. Olha, eles se casaram no dia 20 de dezembro de 74. 70, 52 anos que eles estão casados. Vieram aqui para Enéas em 26 de janeiro de 76.
Foi vice-prefeito por duas gestões, na gestão do Bonet, 93 a 96, e na gestão do meu xará saudoso Hélio, que já nos deixou de 2001 a 2004.
O doutor Nilo é filho da dona... do Nilo, pai, e da dona Jandira, em Andradina, São Paulo. E a dona Elisabeth é filha do seu Júlio e da dona Anitta, Catarina, de Florianópolis, assim como eu nasci em Braço do Norte. Bom, o senhor disse que nasceu em Andradina, São Paulo. É isso, doutor Nilo? Exatamente, Andradina.
É, Andradina é uma cidade bem do interior, fica quase em Mato Grosso, 600 quilômetros da capital. E é ali onde eu nasci, onde me criei, onde eu iniciei meus estudos.
eventualmente volto lá, sabe? Muito eventualmente, porque é uma cidade bem distante, né? E já não tem algum parente que mora lá, mas a maioria acabaram se mudando, como nós, né? Mas eu tenho lindas recordações da minha cidadezinha onde eu nasci. Cidade natal. O senhor tem uma família, seus pais, seu Nilo e Dona Jandira tiveram muitos filhos, muitos irmãos, o senhor tem?
Então, nós somos em cinco. Nós temos eu e meu irmão, que estamos a uma diferença de um ano só. Ele mora hoje em Cuiabá. E tenho mais três irmãs. Então, nós somos dois meninos e três meninas. Uma mora lá em Sinop, no Mato Grosso, lá em cima. Outra mora em Santos. E a caçula mora também em Cuiabá.
E o senhor é o mais velho, mais novo? Sou do meio, sabe? Eu sou do meio. Eu aqui apartava as brigas dos maiores com os menores. Trabalhavam na roça lá, seus pais trabalhavam na lavoura? Não, propriamente. Meu pai...
Começou também trabalhando em zona rural, mas logo depois ele começou a trabalhar mais em empresa de colonização. Colonização. É, ele abriu cidades aqui no Paraná. Meu pai abriu, por exemplo, aqui no Paraná, Formosa do Oeste, foi meu pai que abriu. Ubiratã foi meu pai que abriu essa cidade.
E depois ele continuou a colonização dele, foi para Rondônia, Mato Grosso, Rondônia. Enfim, ele foi um desbravador, sabe? Um desbravador. No interior. E ele veio para a Enés também ou não? Olha, quando ele estava já bem de idade, eu falei, pai, vamos lá para a Enés. Aí compramos um sítio aqui e ele morou nesse sítio onde eu tenho até hoje, até o fim da vida dele, sabe?
E o senhor foi para a escola lá em Andradina e estudou aonde, doutor Nilo? Olha, então, meu pai, pelo menos, tinha sempre essa cabeça, né? Ele falou, olha, eu vou trabalhar, vou para o interior, eles se afundavam por esses matos aí, mas ele falou, eu vou deixar vocês em cidade onde tenha condições de estudar, quero que meus filhos todos estudem. Então, minha mãe praticamente foi mãe e pai, porque às vezes ele ficava três meses fora.
E nós começamos, então, moramos em Andradina, depois nós viemos para o Paraná, eu morei em Maringá, depois morei em Londrina, depois voltamos para Andradina e assim por diante. Meu pai era assim meio itinerante, volta e meia, ele mudava conforme o trabalho dele, mas ele sempre nos deixou em cidade onde eles tivessem a condição de ter uma boa educação. O que ele dizia era que queria dar estudo aos filhos. Exatamente.
O senhor optou por medicina. E por onde o senhor passou, até chegar a ser formado médico? Então, eu estudei, comecei em Andradina, né? Depois eu fui, nós viemos para Maringá, onde eu comecei o primário em Maringá. Depois de Maringá, nós fomos para Londrinda, onde eu fiz ali no tempo que falava assim ginásio, né?
E depois nós voltamos para Andradina, ali eu fiz o segundo grau. E depois eu fui fazer cursinho em Curitiba, onde fiz o cursinho e passei na Faculdade de Medicina da Católica, na Universidade Católica lá em Curitiba. Isso há muitos anos atrás.
É, eu sou formado em 75. Fez agora... O ano passado nós completamos 50 anos de medicina e fomos homenageados lá no nosso CRM, lá em Curitiba, na Universidade Católica também fez uma homenagem para nós. Nós, eu digo, porque todos os médicos que completaram 50 anos de medicina.
Bom, depois eu vou falar um pouquinho com ele sobre o trabalho dele aqui, mas agora eu queria que a dona Elisabeth falasse para a gente, filha do seu Júlio e da dona Anitta, nasceu, é Catarina, barriga verde, lá debaixo. A senhora nasceu lá em Santa Catarina, seu Júlio, dona Anitta, nos fale um pouquinho da sua vida, tem mais irmãos, fale para a gente.
Então, eu nasci em Florianópolis, sou manezinha da ilha, com muito orgulho. Manezinha da ilha. Manezinha da ilha. Minha mãe é de Santa Catarina. O meu pai, ele nasceu na Alemanha, veio morar no Brasil, veio morar no Rio Grande do Sul, cidade de Monte Negro.
E nós somos quatro irmãs. Eu sou a mais velha. E é assim, a minha vida... Meu pai era representante, na época, de empresas. Como é que eu vou te dizer?
A laboratória, ele foi dono de laboratório, na época foi representante da Ritter, ele é um dos sócios. Meu pai foi um dos donos, os primeiros donos da Reunidas, a empresa Reunidas, que é de caçador. Exato. A primeira, eles eram dois sócios.
meu pai, e meu pai também teve um hospital, teve madeirina, sabe? E nós, ele, depois aí, ele foi pra esse lado aí, de, de, de, laboratório, teve um laboratório em Porto Alegre, aí a gente morou em Porto Alegre, eu morei em Curitiba, eu morei no Rio de Janeiro, né? E, mas, é, então, quando eu conheci meu marido, eu estava morando em Curitiba, né? Pra sorte minha e dele, né?
De repente, eu poderia estar em Floripo, nesse momento, ou Porto Alegre, né? Exato. Mas é isso aí. E a senhora teve os bancos escolares também?
Na verdade, eu fui ser um pouco preguiçosa para estudar. Meio preguiçosa. É, meu pai era um alemão, e ele exigia muito que a gente estudasse. Eu fiz o segundo grau, e depois eu fui na... A minha geração, faculdade era assim, não era assim. As meninas, a maioria das meninas, queria fazer o professor normal, né?
Queria ser professora Mas eu não tinha nada a ver com isso Eu sempre fui mais assim Como eu vou dizer Trabalhei como secretária executiva Muitos anos, quase fui a moça
Mais por esse lado, entende? Uma época até pensei em fazer faculdade de... Como é que o nome é? Menino de... Agora me fugiu. Porque você sai conhecendo o mundo, vamos dizer assim. Como é que é? Não é jornalismo. Enfim. Era uma faculdade para conhecer o mundo.
É, mas só que eu não queria estudar, tinha preguiça de estudar. Preguiça de estudar. E como é que a senhora conheceu o seu marido, o seu namorado? Meu marido eu conhecia no dia 20 de setembro de 1975.
Nos bailes, eu sempre fui muito exigente com rapazes na época, né? Ele era muito exigente. E eu só ia nos bailes, sabe? Medicina, porque eu sabia que tinha meninos bonitos, né? E que ia me dar um futuro. Garantido. É, lógico, né? Não adianta só beleza, né? Vamos dizer assim, né?
Enfim, e aí eu conheci meu marido, ele estava fazendo o primeiro ano, eu conheci ele em setembro, ele entrou em março de 75. Inclusive, esse ano que eu conheci ele, ele teve um baile no começo do ano, que ele deixou de conhecer, inclusive, a nossa Miss Brasil, Vera Fischer, na época, você imagina, né? Era um baile, foi um baile que ela tinha sido...
Baile de calouro, que era aquele primeiro baile para apresentar os calouros da medicina. E eles faziam um grande baile, isso lá em Curitiba, e a Beth me conta, porque eu não lembro, que para brilhantar o baile atrativo...
Naquela época, a Vera Ficha tinha acabado de ser eleita Miss Santa Catarina e depois foi Miss Brasil. Então eles convidaram e ela foi lá para brilhantar o nosso baile. E eu acho que eu cheguei um pouco mais tarde também.
E aí ela me contou depois, um tempo assim na frente, é que a Vera Fischer estava no nosso baile e tal. Eu falei, não, ela não sabia disso e tal. E ela me contou e ela guarda essa lembrança. Viu, dona Beth, esse namoro foi longo?
A gente se conheceu no primeiro ano, a gente namorou cinco anos, mas era namoro, assim, ele na casa dele, não é como hoje.
Não, foi quatro anos, 74. 74. A gente se conheceu, ele estava fazendo o primeiro ano de medicina, e eu trabalhava em Curitiba, e a gente namorou quatro anos, aí no quinto ano que a gente resolveu casar. Casar em Curitiba? Em Curitiba, porque já tinha quatro anos, a gente já se conhecia bastante para casar. Ele nem poderia, não podia casar na época, ele estava fazendo faculdade. Mas era...
o trabalho dela ela trabalhava com um grande jornalista eu trabalhei com um jornalista importantíssimo Dino Almeida Dino Almeida eu já vi falar nesse Dino Almeida secretária com muita honra do Paraná ele tinha Dino Almeida ele fazia eventos grandiosos ele era uma pessoa aqui do Paraná conhecidíssima ele acendeu
Ele recebeu pessoas importantíssimas na época. Eu fui secretária de nome. Inclusive, ele foi meu pavinho de casamento. Ele e a mulher dele. Fecha um pouquinho, está vindo o vento. Então, eu trabalhei nessa área de comunicação. Eu sempre gostei. Sempre fui muito comunicativa.
As catarinas, as catarinas são assim, né? E eu sempre fui muito... E casaram e ficaram morando em Curitiba? A gente morou em Curitiba... Olha, foi tipo assim, a gente casou em dezembro. Em janeiro a gente veio pra cá.
Veio para o Ernesto Marques. A senhora já conhecia aquilo? Não, não conhecia. Na verdade, a gente veio morar em Nova Esperança. A gente morou nove meses em Nova Esperança. Depois a gente veio para cá. Não, eu não conhecia, porque, imagina, eu nasci só em Santos... Quer dizer, nasci em Floripa.
E o doutor Nilo, pois é, eu ia te perguntar agora. 50 anos você já fez que está aqui. Por que você decidiu de vir para a Enéas Marques, doutor Nilo? Então, são umas coisas assim, talvez, do destino. Não foi uma coisa planejada. Eu estava no último ano de medicina e estava...
pensando no que ia fazer. Eu tinha até uma residência garantida lá, ia fazer ginecologia e obstetrícia, estava tudo... Mas aí ela engravidou. Aconteceu de engravidar e eu falei, poxa, ela tem que correr atrás. Porque eles pagavam muito pouco a residência.
E naquela época era uma época diferente de agora. A pessoa se formava em medicina, se tivesse coragem de enfrentar um interior e se sentisse qualificado para enfrentar, porque você tinha que fazer tudo nessa época. Não tinha questão de especialista, era muito raro aqui no interior.
Então, eu falei, sabe uma coisa? Eu vou para o interior, eu vou me preparar. E aí, no último ano de medicina, eu fui aprender um pouco mais de cirurgia, fazer uma anestesia, fazer um parto, fazer uma cesareada. Porque naquela época o médico tinha que fazer tudo, né? Tudo, tudo, tudo.
Então eu fazia, no caso de uma cesárea, eu fazia anestesia, deitava a mulher, fazia a cesárea, tirava a criança, atendia a criança. O Maico me disse que o senhor foi o parteiro da mãe dele que nasceu, o Maico. É verdade, é verdade.
Eu aqui, Enes, acho que umas 1.500 pessoas nasceram comigo. Hoje, Enes, mais que tem 6 mil habitantes, um quarto da população nasceu. Lógico que muitos mudaram, vieram outras. Mas, assim, se for olhar sobre essa questão de proporção...
Então, aí, por acaso, eu conheci... Eu tinha uma das pessoas que era da minha turma. Ele tinha um sócio lá em Curitiba de uma clínica. E essa clínica, o sócio dele era o doutor Ângelo. O Ângelo foi um dos primeiros médicos que veio para cá. E eu falei, estou pensando em ir para o interior, mas não sei para onde eu vou. Meu pai, nessa época, estava em Mato Grosso, queria que eu fosse para Mato Grosso. Não, mas queria que eu fosse para o Mato Grosso.
É, a mãe dela queria, vou vir aqui para o Feuonópolis, o meu pai, não, vem aqui para o Bato Grosso, aí tal. Esse amigo meu falou, olha, eu tenho um sócio meu que tem um hospital no interior.
lá em Enéas Marques, lá no sudoeste do Paraná. Meu Deus! Eu morei em Londrina, morei em Baringá, morei em Curitiba, onde fiz faculdade, então eu conheci uma boa parte do Paraná. Mas o sudoeste, essa região aqui, eu nunca tinha vindo na minha vida, sabe? Aí ele falou, mas eu podia ir lá conhecer. Ele falou, não, eu falo com ele.
Eu falo com ele e você, se quiser, vai dar uma olhada lá. Aí o doutor Lange me autorizou, eu vim para cá e fiquei aqui uns 15 dias, veio trabalhando aqui, vendo. E a população, ah, não, veio para cá, nós precisamos de médico, não sei o quê. Aí eu falei, vamos lá, eu gostei aqui da região. E por que Nova Esperança, os nove meses? Na verdade é o seguinte, nessa época, Nova Esperança era distrito de Enelos Marques.
E o hospital era aqui. Então, o município era Nova Esperança, era tudo. E aí, o médico que estava aqui na CERTI, tinha um médico trabalhando aqui em Inés Marques. Mas o Dr. Anderson falou, se quiser trabalhar lá, ele vai ficar até outubro. O contrato dele vem em outubro. Isso era janeiro.
Aí ele falou, mas se você quiser, de repente eu te dou a preferência para você. Aí eu falei, bom, tem alguma coisa a fazer lá? Ele falou, se você quiser ir para lá, de repente fala com o médico lá e você pode já ir ficando ali, conhecendo a população.
E aí eu vim pra cá e conheci o pessoal do Nova Esperança e eles falaram, Anila, vem aqui, trabalha aqui, que é um distrito bom, e daí você vai fazendo alguma coisa, a população... E aí nós acabamos indo primeiro lá, já sabendo que a gente vinha pra cá. Então em janeiro nós fomos pra Nova Esperança, e em outubro eu vim aqui, aí o hospital, tocar esse hospital aqui, que era do Dr. D'Ange.
Chegando aqui, o doutor Anjo trabalhava junto com o senhor aqui? Não, não, não. Ele só alugava o hospital. Só alugava. Ele estava morando em Curitiba, ele tinha umas clínicas lá, e ele estava lá morando já, ele só alugava o hospital. E o senhor alugou o hospital? Aí eu aluguei esse hospital durante quatro anos.
Aí, num certo momento, começou a haver uma certa falta de entrosamento entre eu e ele, sabe? Porque o município estava começando a desenvolver. E o nosso hospital, que tinha na época o doutorange, era tudo de madeira, sabe? Era o Hospital Santa Fé. O Hospital Santa Fé. Ele está ali ainda de pé, uma parte dele, não toda.
tinha uma partezinha de alvenaria dele, que era a cozinha, o banheiro, alguma coisa, mas os quartos, tudo, era tudo de madeira, sabe? O próprio centro cirúrgico era de madeira, você imagina como é que eram as coisas.
E eu fui alugando dele um ano, dois anos e tal. Aí quando chegou no terceiro ano, eu falei para o doutor, doutor Anjo, nós estamos melhorados no hospital, a população está exigente, eu estou perdendo muita clientela, vai para Beltrão, é pertinho. E eles me perguntam, ah doutor, no hospital aí está muito ruim a acomodação e tal.
E os dois, ah, não, isso aí é assim. Ele não quis investir no hospital. E aí nós começamos a não ter o entendimento. Falei, olha, se você não melhorar o hospital, eu vou colocar um hospital lá. Aí ele não gostou. Ele falou, não vai fazer isso. Se você fizer isso, eu vou lá. Eu vou lá e eu roubo toda a freguina. Falei, ah, bom.
É o risco que tem, né? Mas se o senhor não quer melhorar o hospital, aí eu peguei e coloquei o hospital. É aquele onde perto do campo ali que tinha? É, exatamente. Aí eu tive um hospital 25 anos, que era o Hospital João Paulo II. Era um prédio, um hospital de alvenaria e tal. E aí o que aconteceu? Ele pegou e veio para cá.
Aí ficou nós dois. Aí a Nesma ganhou dois hospitales, de repente. Dois médicos. Aí depois a doutora Ange, que é filha dele, se for em medicina, e veio para cá. No começo, eu e ele, nós tínhamos um certo... Tinha uma tretinha ali entre eu e o Ange, por causa de tudo isso. Mas a filha dele, com o tempo, nós acabamos trabalhando juntos, nós somos amigos, nós convivemos, sabe? É coisa assim, coisa antiga. Obrigado, David.
Como é que era o atendimento há 50 anos atrás? Parto, não tinha praticamente essa tecnologia que tem hoje. Como é que era esse trabalhar de médico, doutor?
Olha, aí eu posso contar algumas histórias. Sim, podia contar. Até as histórias pitorescas, né? Que a gente com certeza nesse tempo. Olha, só para dizer para você, que quando eu cheguei aqui, qual que era a grande dificuldade, né? É você ter... Eu como profissional, mas eu precisava ter uma equipe.
Você não encontrava ninguém que fizesse enfermagem, técnico de enfermagem. Não tinha. Então, o que você fazia? Aquela menina que começava a limpar o hospital, que começava a se acostumar com a coisa de sangue, essas coisas, a gente já começava...
Separar ela e começar a ensinar ela a fazer uma injeção, o que é uma anticepsia de material, vamos falar de... As coisas básicas para você ter, para poder, se essa pessoa sabia trabalhar, o uso de luva, enfim, toda essa parte que... De uma forma prática, porque elas não tinham conhecimento técnico. Mas para ela aprender essas coisas que eram importantes.
Então, na parte de enfermagem, a gente começou a selecionar e começamos a trabalhar dessa forma. E junto com elas, quando eu começar a fazer o serviço, para elas terem uma orientação e tal, e você ver se está fazendo a coisa certa.
O que nós tínhamos aqui? A maioria dos partos eram feitos por parteiras. Parteiras, exatamente. Então, as parteiras eram muito importantes para a gente. Então, o que eu fiz? Eu fui atrás de uma parteira para que ela pudesse atuar dentro do hospital. Que era uma forma de eu poder atrair, porque as pessoas procuravam as parteiras para ter os filhos. Então, aí...
encontrei a mãe do Salégio Costa, ali de Nova Esperança, que foi prefeito duas vezes lá. E a mãe dele era parteira, e uma parteira, sim, bem conhecida, muito conceitual. Dona Antônia? Dona Antônia. Aí eu fui conversar com ela, falei, Dona Antônia, a senhora não quer vir trabalhar no hospital e tal? E isso... É, mas ela era forte.
Aí, eu falei, olha, nós podemos combinar uma parte financeira e tal, e a senhora vai trabalhar de uma forma, assim, num lugar com mais recursos, que se der qualquer problema e tal, eu estou a de médico, e vamos trabalhar junto, sabe?
Aí contratei a dona Antônia. A dona Antônia achou ótima. Ela falou, doutor, eu saio aí de cavalo, muitas vezes, para ir atender uma mulher. De repente, chega lá, a mulher não ganha esse nenê. E eu não tenho mais o que fazer. E ela falou, então, o risco que a gente tem e tal. Eu falei, então, juntou as duas vontades. E a dona Antônia veio trabalhar comigo. Então, isso era muito bom, porque antigamente as mulheres ganhavam seis, sete, oito filhos. Os partos eram fáceis, né? Exato. Porque...
Ah, chegava Ali rapidinho já tinha os nenê Mas geralmente Parto Tem uma questão assim Nasce muito mais de noite E eu tinha que ficar fazendo parto de noite Trabalhar durante o dia Então era muito cansado Aí a dona Antônia me quebrava o galho A mulher chegava
Se ela tivesse dúvida, ela me chamava para examinar a mulher, se não, ela internava, no outro dia amanhecia, o nenê já estava ali, direitinho.
Mas nós tínhamos um problema de a questão de cirurgia. Você não tinha alguém, porque um médico não pode operar totalmente sozinho. Então a gente precisava ter um auxiliar. E aí, onde que foi o meu auxiliar? Aí tinha, nessa época, muitos daqueles protéticos. Exato. Aqueles dentistas práticos, que eram mais...
É, saiu com fusca pelo interior nas casas. Então, aí eu fui falar com eles, eles estão acostumados a mexer com sangue e tal, fazer algum tipo de procedimento, né, arrancar dente, né. Aquele tempo eu também achava um absurdo, e o dente eles tiravam tudo, arrancavam tudo, sabe, pra colocar uma... Uma chapa. Próximo. Chapa, falava chapa. Chapa. Hoje esses pessoal que fez isso, hoje estão fazendo implante, né. Exatamente. Era uma coisa absurda, né.
Aí fui falar com eles, tinha dois aqui. O Oralino e o seu... Como é que é ali? Ai, meu Deus do céu. Mas era dois, então. Dois. É, o Bruno, o seu Bruno. Seu Bruno de dó. Aí fui falar...
Doutor, não estamos acostumados com esse ambiente, não sei o quê. Aí não deram uma decisão, talvez sim, talvez não e tal. Aí é que tinha um padre, tinha dois padres aqui quando cheguei, dois padres jovens, sabe? Aí eles, lógico, fizemos amizade quando nós chegamos aqui, ele começou a ir almoçar lá em casa e tal. E como é que vai a vida, doutor? Era jovem, eles eram tão jovens quanto eu.
Aí ele me contou a história, que eles eram italianos, sabe? E eles estavam no Brasil já há um bom tempo, mas eles ficaram muito tempo nessas missões na África, sabe? Então ele falou, ó, na África a gente tem que fazer de tudo, sabe? Chega gente machucada, chega gente morta, enfim.
Aí ele falou, como é que o senhor está? Eu falei, está indo bem e tal. Eu falei, mas estou com dificuldade de achar um auxiliar para a cirurgia. Eu preciso de uma pessoa ali, vou fazer um apendicite, preciso de alguém para me ajudar e tal. Aí ele falou, doutor, mas acho que eu posso te ajudar. Eu falei, opa. Ele falou, está aí. O padre ajudando o doutor.
Aí ele falou, não, se o senhor me ajudar ali na hora de colocar uma lua, tem que ser uma coisa esterilizada, que não pode se contaminar e tal, o senhor, coragem eu tenho, ele falou, não tem problema nenhum. Bom, aí a primeira cesárea que nós fizemos aqui, que eu tenho até hoje uma foto, eu fiz com o padre Domingos.
Ele me ajudando na cirurgia. E aí eu brincava com ele e falava, padre, é bom também o padre, porque se de repente der alguma zebra, eu falei, o senhor já faz a extremunção. Aí eu lembro de outra história do padre, que tinha um paciente que eu fui anestesia. Eu fiz uma anestesia de RAC anestesia, que é uma anestesia na espinha.
E era uma cirurgia de apendicite, só que a anestesia de HAC, ela pega assim do umbigo para baixo. E a hora que foi operar o homem, o homem estava com apenas para cima do umbigo. E aí a anestesia não pegou muito bem. E aí a pessoa começou a se mexer tudo, sabe? E eu ia operando e tal. Aí uma certa hora, eu falei, padre, você tem que me ajudar, como é que eu vou operar o homem se mexendo? Segura o homem.
Aí, não, não, aí, daqui a pouco parou, o homem, né, ficou quietinho, né. Aí eu falei, pô, olha, beleza. Aí eu fui lá terminando a cirurgia, um lugar que é um pouco mais delicado, que você tem que ligar uma artéria, ela doa pênis, você não pode sangrar muito, a hemorragia e tal. E fui, fui, fui terminando, nem percebi o que ele tinha feito. Ele tinha uma barriguinha bem proeminente, o padre.
Ele jogou a barriga dele em cima do paciente. Do paciente. Ah, o cara ficou quietinho. O cara ficou quietinho, eu terminei a cirurgia. Depois que eu olhei, falei, pássima, o que o senhor está fazendo? Ué, eu segurei com a barriga, doutor? Que história. História que não dá para esquecer. Essas são histórias muito interessantes.
O Nilo, eu sempre falo, eu sempre falo, que ele tinha que ser um livro. Um livro, um livro, olha aqui. É, uma história. Só vou indicar o Luiz Carlos Bágio, que faz o livro para vocês. Uma história, porque são 50 anos, né? É muita coisa registrada. A gente passou, eu lembro que o Nilo ia fazer, quando tinha os bailes aqui na cidade, né?
Os bailes, eles se matavam, armas, se matavam.
Eu vim até barra lá nos quilômetros. Inclusive, eu estava tocando um aqui na Bela União, que mataram dois. Eu que era o Gaiteus Pira, a família Pires. Então, eu estava com o professor Daz tocando aquele matinê na Bela União. Na Bela União. É, aqui o negócio era no tiro. É, foi, foi, foi na época. Muitas brigas, né? Aquele dia foi, o Palito, ele era policial. Exatamente, trabalhava aqui. Era muito violento. Exato.
E ele veio da Bela União naquele dia, ele veio, na hora, um dos irmãos, acho que atirou um copo nele. Foi, foi isso, foi isso. Pegou aqui, estica aqui na boca. Exatamente. E ele veio correndo de lá e chegou, eu estou machucado, bem afobado, assim.
Aí eu falei, vamos lá, vamos fazer a sutura e tal, e vai sentando aí que eu já vou. Aí daqui a pouco ele deu uma olhada assim, então, doutor, eu não vou ficar aqui não, porque eles vão vir aqui, vai dar problema. Vai dar mais problema. É, aqui dava muitas peleias pelos quilômetros também, né? E ele pegou sim, mandou, mas não deu cinco minutos que ele chegou, chegou toda aquela turma da Belo União, os irmãos, todo mundo para queira. É, eu estava naquele local. Eu ia dar um tiroteio dentro do hospital.
Pois é. Saiu. Muitas histórias, né? O senhor tem história pra contar nesses 50 anos aqui de Enes, né? As xaretes que amarrava próximo do hospital, porque falava que era a terra das xaretes.
Então, quando eu fiz o meu hospital, aí cada história que você puxar, eu vou tomar isso. Meu pai me ajudou na época a construir um pouco. Ele estava morando aqui e ele entendia um pouquinho dessa parte de construção. E aí quando nós terminamos de construir, ficou bem bonitinho o hospital, tudo. Aí ele falou, Nilo, está faltando só uma coisa aqui. Eu falei, mas o que está faltando? Vamos fazer aqui um lugar para amarrar os cavalos.
Eu tinha no hospital na frente uma coisa de madeira bem feitinha para amarrar os camados que chegavam a charretos. E aí ele ainda fez um negócio para limpar os pés. Porque os colónios viram os pés dessa cruz. Puro barro. Puro barro. Entrada dentro do hospital daquele tipo. Aí ele fez um lavador ali.
Tinha uma aguinha que a pessoa ia, uma lâmina ali de ferro para limpar, saiu barro para o pessoal. Então, era tempo da charrete mesmo aqui. Aqui era a capital da charrete. Doutor Nilo, há 50 anos atrás, depois o senhor continuou fazendo alguma especialidade, porque mudou muito, hoje é totalmente diferente. O senhor continua acompanhando a evolução.
Ah, sim, senão você não consegue sobreviver, né? Eu estou há 50 anos. Olha, para você ter uma ideia, Érico, como a gente não dá conta de tudo que a gente trabalhou, mas eu comecei a fazer os cálculos, assim, ao longo de 50 anos, quantos atendimentos que eu teria feito.
E eu fui contabilizado, não que eu tivesse isso contabilizado um por um, mas na média de atendimentos que eu fazia diariamente, multiplicado por uma semana, por um mês, por um ano, e somei. Você acredita que eu já tenho, eu contabilizei mais de 500 mil atendimentos? É como se você atendesse a cidade de Beltrão cinco vezes. Cinco vezes, exatamente.
a população. Você imagina se a gente não dá conta disso? Não que fosse 500 mil pessoas diferentes. Alguns eu atendi 100 vezes, entendeu? 80 vezes. Mais em tempo. Porque eu trabalhei aqui, trabalhei em Nova Esperança, trabalhei em Beltrão. Eu fiquei 25 anos lá no... como funcionário público. Me aposentei lá. Então, eu trabalhava aqui de manhã, eu fazia três turnos, quando eu não emendava em plantão, sabe?
Em Beltrão eu chegava a atender às vezes na noite, que eu ia para lá mais à noite. Chegava a atender 20 pessoas, 25 pessoas. Durante o dia aqui eu atendia mais umas 30. Cheguei a ter dia que eu atendi 70 pessoas no final do dia. Se multiplicar isso, não vou dizer sempre 70, mas 50.
Numa semana dá 350, no final do mês dá 1.400 pessoas, em 10 meses são 14 mil, em um ano são 15 mil, você multiplica por 10 anos dá 150 mil, 50 anos dá 600 mil pessoas. Exatamente. E continua trabalhando até hoje, doutor Nilo? Estamos na luta, lógico.
diminuir o meu atendimento. Hoje eu trabalho aqui, em Beltrão eu trabalhei até uns dois anos atrás. Mais, são quatro anos. Mais quatro anos. É, que eu parei de trabalhar lá, porque me aposentei lá. Então hoje eu continuo fazendo algum plantão de 24 horas nos prontos de atendimento, na emergência.
Já fiz mais, fazia bastante emergência, hoje faço menos, porque é mais cansativo, você tem às vezes que se posar lá, e eu falei, não, não, não, chega. Então hoje eu trabalho só no programa Saúde da Família, né? Saúde da Família. Porque hoje o paciente entra, quando eu olho ele eu já sei dele, conheci o pai dele, sei que morreu a mãe, que morreu o pai.
Então eu já faço muitas vezes o diagnóstico só no... Porque o médico tem muito disso, né? Não é só os aparelhos para medir. Tem muita conversa com o paciente, né, doutor? É a experiência, né? O contato. Hoje tem a tecnologia, né? No meu tempo a gente tinha que fazer diagnóstico só na parte clínica, numa boa anamnésia que a gente fala, numa boa história, num exame físico bem feito.
O ultrassom não tinha, tinha raio-x, era uma das poucas coisas que tinha. Exames laboratoriais, os mais simples, os mais tinha. E no mais era a questão do olho clínico, era a questão da experiência. Então você tinha que fazer diagnóstico de apendicite na palpação, no exame. Então mudou muito. A tecnologia veio para auxiliar os nossos profissionais.
Mas hoje eu acho que tem uma dependência excessiva da tecnologia. Eu acho que isso não é muito bom também. Eu acho que a tecnologia tem que ser usada para auxiliar o médico, mas não ela fazer o diagnóstico. O diagnóstico tem que ser do médico ainda. Tem a inteligência artificial que saiu agora, que as pessoas começam a perguntar. É, então, agora nós estamos aí com a inteligência.
artificial, que é outra coisa que a gente não sabe como vai ser esse futuro. Tem um lado bom, mas tem muita coisa também que pode ser ruim. E, doutor Nilo, o senhor foi vice-prefeito, a minha prefeitura algumas vezes, vice-prefeito duas vezes aqui em Enésio. O que a política, que experiência o senhor pode ter nessas duas gestões aí?
Olha, sabe, na verdade é o seguinte, viu, Hélio, eu não acho que assim, eu me dediquei num certo tempo para a política, mas assim, mais no sentido de, não é auxiliar, eu diria para compor com alguns amigos, sabe? Não era uma coisa assim que eu tivesse um tino político, sabe? Eu gosto da política, sabe?
Eu acho que a política é boa, sabe? Muito importante para nós. E a gente tem que ter, vamos falar, tem que ter uma boa... Saber, vamos falar assim, o que representa e, ao mesmo tempo, eu acho que é interessante qualquer pessoa entender de política. Até para poder escolher melhor seus candidatos, para a gente poder, vamos falar assim, pensar sempre no que é melhor para o país, para o município, etc.
Então, assim, essas duas pessoas que eu fui vice-prefeito, no caso o Antônio Cardo Bonetti e o Hélio, eram pessoas que eu tinha maior estima, confiança, umas pessoas... E eu recebia convite, né? O convite, lógico, eu atuava dentro de um partido, mas com o objetivo, eu nunca quis ser prefeito de Enéas Marques, sabe? Eu sempre achei a minha...
A prioridade é a medicina. A minha prioridade, meu negócio é a medicina, sabe? Então, aí eles falam, não, mas doutor, mas o senhor sendo vício, o senhor não vai precisar atuar eventualmente, numa saída, etc. Mas o senhor pode continuar a sua profissão. Então, eu falo, ah, então tá bom, então vício me serve. Aí eles me convidavam, né? E eu era sempre, lógico, uma pessoa que, através da minha profissão, eu tinha muito conhecimento. Exato. E sempre fui uma pessoa, assim, muito... Que tinha muito...
contato e é uma pessoa aberta, é uma pessoa bem integrada aqui na sociedade. Tinha e tem credibilidade. É, exatamente. O Dr. Nilo é um médico e uma pessoa muito respeitada. Bom, eu vi que quando eu cheguei na cidade e o pessoal sempre me perguntava por onde eu passei hoje na gravação a dona Salete. Dá um abraço no Dr. Nilo que ele vinha aqui em casa. Não é? O seu zardo, todo o pessoal.
não reconheço inimigos, não reconheço, nunca consigo. Eu até algumas pessoas que eventualmente houve algum rançozinho em algum momento, aquilo passava, nunca levei muito a sério. Eu sempre fui uma pessoa agregadora, uma pessoa que procura entender o próximo.
Paziguar mesmo. É, eu falei... Paziguar, paziguar. Já nasci com esse espírito mesmo. Com esse dom. Com esse dom. Ele nasceu com o dom ser... Médico. Médico. Medicina, para ele... É a vida dele. É a vida dele. Se dedicou todos os anos para a medicina, com muita dedicação, com muito respeito, com muita humildade, sabe? Nunca pensamos em ganhar dinheiro com a medicina, sabe?
Claro, enriquecer. Claro, a gente precisa do dinheiro também. Mas a prioridade nunca foi nossa prioridade de ser médico e ganhar dinheiro. Não, explorar as pessoas. Não, a gente tem essa consciência tranquila no sentido que fizemos a nossa parte, ele como médico e eu como...
E eu, como companheira dele, eu sempre fui uma pessoa muito aberta, eu sempre fui uma pessoa muito com as pessoas, né? Eu gosto muito das pessoas. Gosta de gente. De gente, eu gosto de gente. E Enéas Marques, eu adoro Enéas. A gente, né, Nilo? A gente tem muitos amigos aqui. Então, por isso que deu certo, né? Deu certo.
Dona Beth, eu sei que vamos escrever um livro da história desse casal aí. Eu queria que a senhora deixasse um recado para o Márcio, para a Carolina, para o Júnior e para os netos. Qual é o recado que a senhora deixa para a família, para os filhos, para os netos? Qual é o recado que a senhora pode dizer para eles?
qualquer coisa que a senhora queira dizer para eles, que depois vou pedir para ele dar o recado para os filhos também, que é... Fala primeiro, então. Fala, doutor Nilo. Na verdade, assim, eu tenho filhos maravilhosos. Meus filhos são pessoas do bem.
O Márcio mora em Curitiba, está com 51 anos. Tem família, é casado com a Simone, tem o Noah, que está com 15, e o Emmanuel, que está com 20. É uma família do bem, sabe? Meu filho trabalhou 25 anos na Renault.
Ele é engenheiro mecânico, ele é um dos diretores da Renault, um menino extremamente, vamos falar, profissional, foi para a França, foi para os Estados Unidos.
Morou na França, morou no Chile. E ele foi convidado já um ano passado para integrar uma equipe que trabalha hoje só em fabricação de motores de automóveis, que é a Horse. E é o diretor da Horse aqui no Brasil. Então, eu menino que...
E voou. Voou. Saiu aqui de Nesma, que começou aqui, foi estudar, depois foi para Beltrão, onde eu levava eles. Eu tinha uma caravan antiga, né? Aí eu contratei um motorista e levava eles para estudar em Beltrão, quando precisou de um estudo melhor, sabe? Mas iniciou aqui em Nesma.
A minha filha fez farmácia bioquímica e mora em Beltrão e trabalha nesse ramo. E o Nilinho, que mora em Furanópolis, ele fez ciência da computação, fez faculdade, mestrado. Tem uma empresa nessa área de computação. Eles não medicinam nada, sabe?
Ele só entrava no hospital para o pai, ele entrava pela porta de trás do hospital, quando ele batia na porta. Pai, você tem um dinheirinho que eu estou indo para o meu tempo, precisa de uma graninha e... Eu tenho coragem. Falei, vamos lá assistir com o pai, fazer uma cirurgia. Ninguém queria medicina. Mas tudo bem. Eu tentei até fazer uma forcinha, até para o mais novo, quando ele estava meio indeciso, o que ele ia fazer, mas ele não topou o negócio comigo.
Então, olha, o que eu falo para eles é que eu sou um vô assim e um pai que me sinto uma pessoa realizada, felizardo, porque meus filhos foram aquelas crianças que aproveitaram assim. E o interior, ele oferece esse contato que a criança tem, sabe? Não tem essa coisa tanto de classe social, né?
Eles tinham amizade com uma pessoa bem simples. Ninguém é mais do que ninguém. Então, eles se criaram com esse ambiente, sabe? Que eu acho muito bom para eles. É uma formação que mostra que nós somos todos iguais. Essas coisas, é muito besteira, esse negócio de achar que eu sou mais do que ninguém. Não é, não, cara.
Então, é essa a mensagem que eu sempre desespero. Foi a educação que eles procurassem, vamos falar assim, justamente, seguir esse caminho, sabe, do bem, de estudar, de trabalhar, de uma forma honesta, de ser pessoas realmente com ética, sabe, com... Tem que ser isso aí, né? E eu acho que... É o legado que a gente deixa pra eles, né? Tem humildade.
é verdade Dona Bete, eu fiquei feliz eu não conhecia, quem sabe vimos a senhora por aí, doutor Nilo, há muitos anos pelo nosso envolvimento, mas eu queria agradecer aqui a sua participação aqui, a Catarina Manezinha da Ilha muito obrigado para a senhora dar um pouco do depoimento, vou falar com o Bajo para que ele possa escrever um livro da história de vocês, viu, muito obrigado
Foi um prazer conhecer você, o menino que está nos filmando. Maurício Menino. Maurício. Foi muito gostoso, foi muito bom para nós. Esse papo foi... Papo na varanda. Papo na varanda. Papo na varanda. Hoje não foi porque a chuva atrapalhou. Exato.
Não deu. Doutor Nilo, muito obrigado. Eu vou indicar o Bajo. Tem que registrar a história. Eu fiz, o Bajo fez. Depois vou deixar para vocês olharem aqui. Aqui daqui 100 anos, minhas netas, bisnetos, vão ter na mão. Quem quer o Hélio Alves? Vão olhar o livro aqui. Tem eu com o velho Brizola. Tem eu com o Domingos Bertanhola. Depois eu vou passar o livro para vocês. Mas é importante você registra, né, doutor Nilo?
Ah, sem dúvida, sabe? Deixa ela falar, deixa ela falar. Na verdade, todos nós temos uma história, né? De vida, né? Tem que ser registrado quando se pode, não é? Tem que ser registrado. Eu sei, vale, eu sei, realmente, sabe? Eu vou ver se eu sigo o teu conselho aí. Os Bajio que faça.
Olha, é ótimo, é uma boa... Eu às vezes falo com a Beth também, que eu gostaria de, de repente, deixar registradas, que eu acho que tem essa importância histórica mesmo, porque tanto você, que eu sei também da tua luta, e a minha, nesses tempos tão diferentes de agora, sabe, a história é importante.
foi até coroinha então foi um prazer muito grande te receber aqui na minha como diz o humilde residência como é que é o que fala isso é o cara que canta lá Michel Teló Michel Teló foi um prazer receber na nossa humilde residência mas alguém já falou que a gente tem que escrever um livro dado ele é um livro
Plantar uma árvore e ter filhos. Nós, filhos, temos. Já fiz tudo isso. Já fiz tudo isso. Só falta o livro. Árvores que abendam aqui na frente. Está bonita a casa. Nossa casa tem muito verde. A Bete adora verde. A gente adora a natureza. Escutar os passarinhos de manhã.
só o livro pessoal, olha, precisava umas 4 horas pra nós contar muitas histórias do doutor Nilo aqui e da sua esposa a dona Beth mas não vai faltar oportunidade pra gente registrar mais e o próprio livro, eu sei que vai sair um livro da vida deles obrigado por essa amizade e por tudo que o senhor sempre fez aqui por Enés Marques, doutor Nilo
Olha, como falei, eu vim para cá sem conhecer a região, a gente se misturou aqui com a gauchada, sabe? Exato, exato, exato. Só contar uma última historinha, que eu e a Bete, a gente, sei lógico, mas era um jovem, gostava de ir em um bailezinho lá, nos conhecemos até o primeiro encontro, foi em um bailezinho, aí chegamos aqui, a turma nos convidou para ir no baile, né? Sim.
E aí fomos nesses bailes da Golxada, aquele que levantava poeira até no salão. E aí nós fomos lá com convidados, sentamos na mesa, e daí o pessoal começou a tocar esses vaneirão, o bugio e não sei o quê. E o pessoal rodando, rodando, rodando o salão, e falei, esse pessoal vai ficar tudo tonto, com as prendas, né?
e eu falei, Bete, e daí como é que nós vamos fazer aqui, eu nunca dancei esse negócio, aí eu falei não, mas daqui a pouco eles vão tocar uma musiquinha mais assim lentinha e passou uma hora passou duas horas, e nada nós ficamos na mesa o tempo todo não saímos, ficamos ali meio envergonhados de sair, aí eu falei não, mas aquele bairro, talvez no próximo tenha um bailezinho assim, que os caras vão tocar alguma coisa diferente, que nada cara é só bugio não.
chote e vaneirão e não sei o que aí chegou uma hora eu falei, Beto, mas nós vamos morar aqui nós vamos ter que se se misturar com essa gauchada aí mesmo que um pise no pé do outro aí nós rimos pro meio do salão também também dançaram
Então, a gente veio aqui e se misturou com essa gauchada catarinenses aqui. Eu, paulista, ela, catarina, mas lá de Furanópolis, que é bem diferente, o pessoal do interior ainda, de Santa Catarina. E a gente foi, se acostumamos. Hoje nós, assim, sou muito grato a essa terra aqui, sabe? A gente, enfim, os nossos filhos se criaram aqui.
Então eu me considero uma pessoa extremamente feliz, sabe, na minha vida. Enesmar 15. Enesmar que mora no nosso coração. Enesmar Jaracatiá. Antiga Jaracatiá. Então, pessoal, esse foi mais um Papo na Varanda com o Dr. Nilo e com a sua esposa, a Dona Elizabeth. E ele pediu, disse que gosta muito da música do Sérgio Reis. Ele gosta de todo tipo de música. Sendo música boa, ele gosta de ouvir seja internacional, seja nacional. Música que tenha...
Começo, meio e fim que tragam a mensagem. Essa música tocando em frente traz uma mensagem bonita, né, doutor Nilo? Essa música, nossa, lindíssima. Tá certo. Então, com os trabalhos do Maurício Menin, aí fazendo o registro em vídeo, com Hélio Soares, com Zé Lírio, com toda a nossa equipe, que depois isso aqui...
Vai para o YouTube, vai para o Facebook, vai para o mundo. É, vai para o mundo, né? Que chique, né? É, vai para o mundo. Vamos fazer gachique aí. Agradeço a todos e fiquem, então, com o Sérgio Reis tocando em frente. Um abraço e até o próximo final de semana, se Deus quiser.
Ando devagar, porque já tive prece Levo esse sorriso, porque já chorei demais Hoje me sinto mais forte, mais feliz Quem sabe só devo a certeza De que muito pouco eu sei Ou nada sei
Conhecer as manhas e as manhas O sabor das massas e das maçãs É preciso amor pra poder pulsar É preciso paz pra poder sorrir É preciso chuva para florear
Penso que cumprir a vida Seja simplesmente compreender a marcha Ir tocando em frente Como um velho boiadeiro Levando a boiada Eu vou tocando os pias Pela longa estrada eu vou Estrada eu sou
Conhecer as manhas e as manhas, o sabor das massas e das maçãs. É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, é preciso chuva para
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora, um dia a gente chega e no outro vai embora. Cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz.
Conhecer as mangas e as manhas, o sabor das massas e das maçãs. É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, é preciso chuva para fritar.
Penso que cumprir a vida seja simplesmente Compreender a marcha e ir tocando em frente Como um velho boiadeiro levando a boiada Eu vou tocando os dedos pela longa estrada eu vou Estrada eu sou
A Rádio Ampere apresentou Papo na Varanda, um programa feito com muito carinho para deixar registrado um pouco da história de cada um dos nossos pioneiros de Ampere e região.
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