PAPO NA VARANDA = 438 HENRIQUE E MARIA SCHMOLLER - AMPÉRE/PR
PAPO NA VARANDA = 438 HENRIQUE E MARIA SCHMOLLER - AMPÉRE/PR
Henrique Schmoller
- História de Henrique e Maria SchmollerOrigens e infância em Santa Catarina e Rio Grande do Sul · Mudança para Ampere e início da vida na região · Casamento e 60 anos de união · Família: filhos, netos e bisnetos · Trabalho na roça e na serraria · Mudanças e vida nômade · Religiosidade e fé · Tradições familiares e culturais (polonês, vinho em casamentos)
- O namoro e casamento de Henrique e MariaO encontro em um baile de casamento · Duração do namoro e preparativos para o casamento · Cerimônia religiosa e festa
- Valores familiaresEducação dos filhos e netos · Importância da fé e da família · Respeito e harmonia no casamento
- Memórias de infânciaVida na roça e escola · Viagens e mudanças · Trabalho com bois e serraria
- A vida em Ampere e regiãoDesenvolvimento da cidade e região · Comunidade e amizades · Trabalho e empreendedorismo
- História da Rádio Ampere e Papo na VarandaApresentação do programa e seu propósito · Número de episódios e famílias entrevistadas · Apoio do Jornal do Ibeutrão e Fotoarte
- Música e arte localPreferências musicais de Henrique Schmoller · Música 'O Pulo do Gato' de Tião Carreiro e Pardinho · Programas de rádio apreciados
A Rádio Ampere apresenta Papo na Varanda. Pioneiros de Ampere e região escrevem sua própria história de vida. E Hélio Alves faz o registro de parte dessa história. Meus amigos, estamos mais uma vez com o nosso Papo na Varanda no ar aqui pela Rádio Ampere. O registro, a história da vida das famílias que a gente faz em toda a nossa região. Nosso Papo na Varanda de hoje é o de número 438. Só aqui Ampere.
Nós já conversamos com 133 famílias que contaram um pouco da sua história para o nosso Papo na Varanda. E, é claro, na região inteira, 438 é o número que nós estamos completando hoje do nosso Papo na Varanda. Gravamos no dia 23 de abril de 2026, uma data muito especial, depois eu vou falar porquê. E está indo para o ar.
nesta sexta-feira, dia 1º de maio, feriado nacional, e no dia 2, nesse sábado, dia 2 de maio, está indo para o ar o nosso Papo na Varanda, que tem o apoio do Jornal do Ibeutrão. O Jornal do Ibeutrão, ele apoia a nossa cultura e faz a divulgação de uma foto e de uma matéria também dos nossos entrevistados. Você pode ter o Jornal do Ibeutrão.
Na sua casa, assim como eu tenho todos os dias, eles fazem entrega aqui em Ampere, em toda a região. Ou você pode acessar o Jornal do Beltrão através do site e você tem todas as informações. E temos o apoio também da foto arte. Olha, você que mora em Ampere, mora na região, se você tem uma foto para revitalizar, aquelas fotos antigas dos quadros, o Euclésio e o Anete fazem esse trabalho para você, revitalização.
de fotos, tire fotos com o seu celular, mas mande revelar, porque você pode perder no celular, faça como eu, todo final de mês, eu faço uma geral e mando revelar todas as fotos do celular, coloco atrás da foto o dia, a história, o porquê daquela foto, que é importante. E a fotoarte está em Ampere, na rua Maringá, que é a mesma rua da Prefeitura Municipal, ali próximo ao Banco do Brasil.
O telefone é 999233096. Colecione bons momentos. Bem, eu estou na casa do seu Henrique Schmoller, que nasceu no dia 14 de 8 de 1947, esse jovem que está aqui ao meu lado, e da sua esposa, Dona Maria, Curec.
Schmoller, que nasceu no dia 14 de outubro de 49, 76 anos, essa menina que está aqui ao meu lado. Eu disse que é uma data muito especial, porque nós gravamos o nosso Papo na Varanda exatamente no dia em que eles completaram 23, hoje dia 23, quando gravamos, completaram 60 anos.
De casados, nós vamos falar um pouco aqui. Casaram no dia 23 de abril de 1966, inclusive aqui em Ampere. E o seu Henrique e a Dona Maria tiveram cinco filhos. O Altair, que mora em Joinville. A Jocélia, que mora em Blumenau. O Lourenço, que mora em Joinville. O Anselmo, que mora em Joinville. E o Kleber, que mora aqui em Ampere. Eles têm 18 netos e 16 bisnetos.
A gente vai conversar um pouquinho, porque faz muito tempo. O Senhor Henrique veio para a sede União há 70 anos atrás. A sua esposa veio aqui para o Lajadinho em 1959. Então nós temos muitas histórias para contar. E principalmente nesse dia tão especial, que eles vão receber muitos amigos, já receberam na Vargem Bonita, para uma celebração dos 60 anos de casado.
Senhor Henrique, meu vizinho, o senhor nasceu onde, Senhor Henrique? Eu nasci no município de Tiporenca, Arto Barra Nova. Santa Catarina? Santa Catarina. Barriga Verde? Quase. Quase. Como é que era o nome dos seus pais, Senhor Henrique? Francisco Chimouler e Bernardina Matias. É alemão?
O pai é. Alemão. O senhor me falava que alguns vieram da Alemanha. O meu bisavô veio da Alemanha. Da Alemanha. Veio da Alemanha. Deixa eu perguntar para a dona Maria. E a dona Maria nasceu aonde, dona Maria? Iraí, no Rio Grande. Olha, essa é gaúcha, tia. Nasceu em Iraí. Como era o nome dos seus pais? O pai era Onofre e a mãe era Ana. E a senhora teve muitos irmãos?
Entre tudo, era dez. Dez. E a senhora é uma das mais velhas, mais nova? Eu tenho três mais novas do que eu. Três mais novas. Então, a senhora é uma das mais velhas. Não, mas tem uma turminha. Tem uma turminha. Foi para a escola? Muito pouco. Muito pouco. E vocês trabalhavam na roça também? Na roça, era muito longe. Para caminhar, tinha que fazer 12 quilômetros de carreiro. De carreiro. Então, era longe da cidade de Irã. Longe, longe. Longe da cidade.
E os seus pais sempre moraram ali? Não, eles moraram em Alpestre. Alpestre. Alpestre, no Rio Grande, né? E depois eles foram morar no Rio Grande. Depois vieram para Iraí. E o senhor Henrique e os seus pais, o senhor Francisco e a dona Bernardina, tiveram muitos filhos? Você teve muitos irmãos, senhor Henrique? Doze. Doze, uma dúzia? Uma dúzia. E o senhor era um dos mais velhos, mais novos? Os Odomeio. Odomeio. O senhor chegou aí para a escola?
Olha, muito pouquinho. Muito pouquinho? Tem a escola do mundo, então. É, porque naquela época, namorado na Sede União, a escola era só no Pinhal. Só no Pinhal. Da 8 quilômetros. Lá da Sede União, no Pinhal. Sim. E daí eu era naquela época o mais velho da casa. É.
Com 9, 10 anos... E lá onde vocês moraram, lá onde o senhor nasceu, em Itiporanga, faziam o que lá? Trabalhavam na roça? Trabalhavam na roça. Na roça. Muitava milho, arroz, ceijão. Qual é a outra cidade grande perto de Itiporanga, o senhor lembra? Ali o mais perto é Rio do Sul. Rio do Sul, Santa Catarina. Por que que os seus pais vieram para a sede União? Há 70 anos atrás.
É que nós lá em Santa Catarina, dava muito pouca planta. Porque Santa Catarina é uma terra muito fraca, né? Porque é pura areia. Pura areia, exatamente. E daí, os tios, os irmãos do pai, que moravam tudo aqui em Beltrão, Santa Rosa. Daí eles mandaram uma carta lá, daí o pai encaixotou a mudança numa caixa e pegou assim, né?
Mas ali na Sé de União, o seu pai, o seu Francisco, chegou a comprar terra, alguma coisa assim ou não? Ele comprou nove alqueres de terra. Nove alqueres de terra, tudo meio fiado.
Não, no dinheiro. No dinheiro? No dinheiro, porque o pai trouxe três contos lá de Santa Catarina, que o pai vendeu as carroças com as bulas. Ah, sim. E daí ali os tios deram mais dois contos e ele comprou até por cinco contos. E o senhor tinha oito anos, o senhor lembra dessa viagem quando vieram ou não tem lembrança? Me lembro. Como é que foi essa viagem então? Nós levemos três dias e duas noites.
para vir lá de Tipuranga e Francisco Beltrão. Meu Deus do céu, por que demorou tanto assim? Tudo estrada de chão. Tudo estrada de chão. Daí ainda choveu? Sim, choveu. Daí chegaram em Beltrão, o caminhão veio para frente ou daí tiveram que pegar um outro... Não, eu cheguei no Beltrão, daí o caminhão ficou... veio trazer a mudança da mulher do Pedro Fulano. É.
Porque ele ficou viúvo aqui na linha Fulano. Ah, sim. Daí ele foi lá até a Catarina buscar outra mulher. Olha só. Daí aproveitei, o pai aproveitou a viagem e veio junto com a mudança da mulher. Olha, veio junto com a mudança. E como é que era a sede de união ali há 70 anos atrás, quando vocês chegaram ali? Tudo mata. Tudo mata. Onde tem ali a rua que desce para a viúva do Vardo Barbieri, ali nós descarregamos a mudança debaixo de um pinheiro.
Porque dali até lá dentro não ia. Nem carro de boi não tinha, era só de cavalo. Só de cavalo. E daí, vocês começaram a derrubar, coitado? É, fomos, levemos a mudança, um pouco nas costas, um pouco no cargueiro. E daí já fizemos, começamos a abrir a estrada, né? Sim. Arrancar pau, abaixado e cavar e roda. É. Eu sei que com dois anos...
Nós fizemos a entrada lá de dentro até na sede União. Para cruzar carro de boi. Para cruzar carro de boi, para vir no Pinhal. Para vir no Pinhal. Olha só. E morava muita gente por ali, senhor Henrique? Os barbieiros já estavam ali? Não. Não? Os barbieiros vieram depois. Vieram depois. Porque o primeiro que entrou ali foi o Emílio Medeiro, que trouxe aquela serraria em Montone. Ah, tinha uma serradia na sede União? Sim. Daí depois o Emílio não soube trabalhar.
Carcerraria, porque ele... Daí ele vendeu pro Vardo Barbieri. Daí eu trabalhei com o Vardo Barbieri, tempo de sorteiro, cinco anos. Cortando o toro e puxando o toro com os bois. De pinheiro? De pinheiro. Cerravam ali e vendiam pra onde? Será que o seu barbieiro vendia pra... O barbieiro vendia pro cara em barracão. Mas era tudo plancha.
Tudo pranjo e rígido. Era 5,20 de comprido e 4,30. E tinha muito pinheiro ali, seu Henrique? Tinha. Só na terra do Vardo Barbieri, que ele comprou do Emílio, era 600 pinheiros. 600 pinheiros. E aí, ele foi comprando da turma, né? Sim, e vocês iam derrubando. Nós derrubavam e arrastavam com os bois.
Arraçava com os bois, mais que uma junta, com certeza. Já tinha quatro juntas de bois. Quatro juntas de bois. E bois, né? Porque aquilo, o mais leviano, pesava 800 quilos. Sim, vocês levavam no estaleiro pra colocar no caminhão. Pra daí, botar no caminhão. No caminhão. Era assim que funcionava. Essa serraria, serrou muita madeira ali. Serrou. É. Serrou muita madeira.
E depois que vocês derrubaram toda a mata ali, daí virou implantação, é isso? Virou em roça. O pinheiro mais grosso aqui da região foi derrubado na sede União. Sede União. Sede União. Ele deu quase três toras de quatro metros, porque foi feito de quatro metros, porque ele era muito grosso. Daí o caminhão foi botado uma tora em cima e o caminhão acrocou. Daí foram brigados a tirar fora.
Daí arrumar e prestar dos vizinhos mais duas juntas depois para levar de arrasto até na serraria. Essa serraria será que ficou muito tempo na sede União? Ela ficou uns 12 anos. Uns 12 anos. Olha só, então o senhor trabalhou cortando pinheiro. Esse pinheiro ali ele deu essas três toras. Tinha motosserra ou era no serrote? No serrote. No serrote. Serrote e machado.
Esse pinheiro ele deu as três toras. Ele deu 1,62m na tora da ponta. De topo. Mas então era um enorme pinheiro. Era o senhor, né? Senhor de um pinheiro. Eu acho que ele tem mais de dois mil anos, né? Com certeza. E a dona Maria, por que vocês vieram morar no Lajadinho, dona Maria? Por que os seus pais vieram?
Porque a terra nossa lá no Rio Grande era um peral. Peral? É, o peral. Pegava sol mais ou menos na terra que nós morávamos duas horas por dia. Duas horas por dia de sol só? É, e era um peralzão. Daí o pai achou um negócio lá, vendeu lá, e daí eu tinha o meu cunhado já morando aqui. Daí o pai veio ali, eles ajeitaram e compraram. Ele comprou 14 alqueiros de terra ali no Pinhal.
Ali na sede da Ana. No Lajadinho. Lajadinho. É, pertence para o Pinhal, né? Exato. Daí colocou, casemos tudo ali, todos os filhos, ele colocou todos os filhos. E...
Que nem diz o caso daquele tempo, as mulheres só ganhavam os enxovalos. Exato. E os homens ganhavam, o pai deu para todos os filhos, cinco alqueros de terra, boi, cavalo, vaca de leite, galinha, ganso, tudo. É, que nem o pai diz. Daí ele dizia para nós assim, vocês pegam um marido que tem alguma coisa. Eu falei, você vira, porque os meus filhos eu vou fazer, vou dar, vou ajudar, porque eles vão pegar uma mulher.
O pai era meio... E daí foi assim. Foi assim. A senhora chegou e ia para a escola na sede União? Não. No Lajadi, no Pinhal? Não, não foi no Pinhal.
E daí também era tudo mato ali? Tudo mato, era um careiro só, não tinha estrada, não entrava um carro lá pra banda da Bérgica, era só um careirão. Só um careirão, há tantos anos atrás. Mas daí como é que vocês hoje, nesse dia 23 de abril, estou completando 60 anos de casado, como é que começou esse namoro?
Como é que começou esse namoro, senhor Henrique? Vamos contar pro povo aí. Olha, o namoro começou num baile de casamento. Baile de casamento. Porque naquela época a turma fazia o baile, daí convidava pra ir no baile. Se não fosse convidado, não entrava. Só convidado. E nesse baile de casamento nós te encontremos nós dois.
E esse baile era ali mesmo? Na Sede União. Na Sede União. Na Sede União. Era dos Prestes. Prestes. Tinha o casamento e depois fazia um baile. Depois fazia o baile. É. Como é que foi esse encontro? Você olhou pra ela, deu uma piscadinha e tal.
É, daí eu digo, não, aquela polaca não me escapa, né? Muito bom. Muito bom. Namoraram muito tempo? Onze meses. Só onze meses? Onze meses. Que pressa é essa? O negócio era casar, né? Mas daí ela falou que os irmãos dela, o pai dava terra e dava até pato, ganso, galinha. E o teu pai deu alguma coisa pra você? Não, eu comprei. Eu comprei.
Antes de casar, eu comprei três arquitetos. Um ranchinho, coberto de tabuinha. Coberto de tabuinha, sim. De chão. Daí eu digo, ó. O negócio é bom morar lá naquele rancho. Morar lá naquele rancho. Daí eu tinha bastante galinha, porco, vaca, né? Que eu já tinha cuidado e criei de sorteio.
E esse namoro de vocês de 11 meses era uma vez por semana ou era todo dia? Não, é só os domingos mesmo. Só os domingos? Aham. E chegava às 5h30.
Eu tinha que tirar leite, né? Porque aquela vez a gente lutava com vaca e tudo. Largava de tudo. Tinha que tirar leite, tratar os porcos e tudo. Como é que era? Tinha no terço e no pinhal, né? Terço e no pinhal. Daí lá no terço e ia namorar. Namorar, mas daí cinco e meia tem que ir para casa. Tem que ir embora. Mas era aquele namoro assim, meio que não podia chegar muito perto, era assim? Não, era mais ou menos. Mais ou menos assim.
Tinha alguém cuidando. Tinha alguém cuidando, dona Maria? Tinha, sim. E o pai, porque o pai, graças a Deus, como diz o Carlos, nós éramos bastante irmãos, tudo saiu casado da casa do pai. Todos? Todos, todos. Todos saíram casados. E ele fez casamento para todas as filhas. Olha só, em casa mesmo? Na casa, fazia um coberto de...
de lona assim, de pano, né, e tudo, faziam as mesas lá fora, e era tudo assado. Olha só, e a senhora fala... O vinho, o vinho eles botavam, compravam bastante vinho, e nós tínhamos um poço grande, enfiaram tudo aqueles garafão de vinho.
Dentro de um poço. Dentro de um poço. De um poço para gelar, porque não tinha geladeira, não tinha nada. E a turma, aquele vinho gelado do outro dia. Aquele tempo não bebiam cervejas assim em casamento, era só vinho. Só vinho, só vinho. Viu, e a senhora falou do seu pai. Como é que era a sua mãe?
A mãe também era muito boa, muito querida. A dona Ana. É, muito religiosa, que meu pai ensinou para nós, todos os caminhos bons e a mãe também, né? Sim. O terço sempre... Sempre, ele levantava, no domingo levantava, as meninas iam tirar leite, os homens iam tratar as criações, os porcos e todo mundo na igreja no pinhaco.
E até a noite, de repente a noite, rezava o terço. De joelho ainda, a família. E nós rezávamos o terço em polonês. Em polonês? Nós em casa falávamos só em polonês. Falava em polonês, rezava o terço em polonês. Tudo, tudo. Para ensinar nós. E a senhora ainda fala em polonês? Muito pouco. Também com 60 anos, vivendo com alemão.
Como é que é o alemão? Casar com a polaca, hein? É, mas era que nem um cavalo manco. É. Quando nós casemos, ela começava a falar em brasileiro e terminava em polaco. Aí eu ficava tudo bem vendido, né, mas... E o senhor falava em alemão também, senhor? Não. Não sei. O meu pai não ensinou porque o alemão era proibido falar no Brasil, né? Então daí os mais velhos aprenderam.
E os mais novos, a lei não deixou o país. Não deixou não ser nada.
E vocês não tinham esse problema? Então, os seus avós, os seus bisavós, com certeza, vieram da Polônia. Os meus bisavós, sim. Os bisavós, sim. Vieram da Polônia. Vieram da Polônia. Então, Thay, falando do casamento, o casamento foi lá na sede União? Foi aqui em Ampere, Sr. Henrique? É, o casamento foi aqui no Ampere. Aqui em Ampere? Aqui em Ampere. Na paróquia? Na paróquia. Mais casamento nesse dia ou era... Dia 3. 3.
Do lado do Pinhal, será ou não? Não, era daqui do Ampere. Daqui do Ampere. Mas quando eu fiz a festa dos 60 anos, 50 anos, o outro cara casou no mesmo dia, também estava fazendo a festa aqui. Olha só que maravilha. De 50 anos. 50 anos de casado.
Bom, o senhor falou que o padre José Bosma então celebrou seu casamento. Sim. Sim. Deu uma benção forte, né? Forte. Porque aguentar 60 anos o casal aí... Foi bem abençoado. Bem abençoado, né? Pois é. E depois do casamento fizeram a festa onde? Na casa do... Na casa do sogro. É. O senhor além de pegar a moça, a festa foi na casa do sogro. Tinha boi, tinha tudo, tinha porco, né?
Olha, ele, para todas as filhas, ele fez casamento. Olha só. E todas, eram 25 famílias convidadas. Ele levou tudo meio certo, né? E tudo, aquele tempo, era um monte de filhos, os pais tinham, então dava aquele casamentão grande, né? Sim, sim, sim. E daí começava na sexta e terminava no sábado de noite. Com baile, com baile. Tudo, é. Um baile, tudo se divertido, a comida à vontade, né?
Era diferente de hoje, né? Muito diferente, bem diferente. E depois da sede União, o senhor foi morar onde, senhor Henrique? Olha, eu fiz, em 60 anos de casado, eu fiz 12 mudanças. 12 mudanças. Para onde foram essas mudanças? Eu lá da sede União, eu vim para o Pinhal. Do Pinhal eu fui para...
Lá para a linha Martim. Linha Martim e Realeza. Realeza. Da linha Martim eu fui para Realeza. De Realeza eu fui para Joinville. Você morou em Joinville? Foi fazer o que em Joinville? Não sei o que eu fui fazer. Foi morar em Joinville. Daí depois de lá em Joinville eu voltei para a linha Martim e voltei.
Daí morei mais 4, 5 anos lá. Depois eu vim ali pro Tamandaré. Você morou no Tamandaré. Baixa o Tamandaré Alto. No Alto. Onde eles chamam São José hoje, eu acho. Morei 7 anos. Trabalhando na roça também. Sim. Dali eu fui pra Bromenal. Daí morei 6 anos em Bromenal. Aí voltei aqui pra Vaz.
Fazer uma navagem bonita. Sim, e da Vaz Bonita eu vinha que o Pampé está aqui. Parecia cigano? Mais ou menos. Mais ou menos? E como é que eram essas mudanças? Levava a fiarada tudo? Levava num caminhão? É, levava tudo. Mas por que o senhor se mudava tanto? Arrumava serviço em outro lugar? Eu queria coisa melhor.
queria coisa melhor e agora essa coisa melhor tá aqui em ampere fica quieto aqui agora fica por aqui
E o seu pai, sempre ficou ali pela Lajadinha ou saiu para outros lugares? Ele foi morar em município de São Antônio, como é que é? No quilômetro. 13, quilômetro 10, Serraria Queimada? É, ali ele morou. Até morreram lá. Faleceram ali no quilômetro 10. Tá bom. E o senhor falou que tem 12 irmãos. Alguns já faleceram, seu Henrique? Nós temos só mais de três. Oi? Tem três ainda vivo. Três? Eu e mais duas irmãs.
É, os outros já partiram. Os outros já foram todos. Já foram? Já. Olha só, o senhor vai aguentar muitos anos aí. E a senhora, os seus irmãos, o senhor já falou, mas a senhora, os outros já, alguns já faleceram também? Já, já faleceram cinco. Cinco.
E como é que tá a saúde da senhora? Até tô indo. Tô tranquila, tô. Tô bem tranquila. E o senhor Henrique cuida bem da senhora? Mas, né, cuida. A gente precisa falar isso aí, né? Sim, sim. A gente precisa falar. Porque viver 60 anos junto... Ou cuida ou apanha, né? É.
Ou cuida ou apanha. Quem manda aqui é ela, então, Zé. É, claro. Nesses 60 anos de casado, o que o senhor pode dizer assim para as pessoas que estão... Tem pessoas que completam 70 anos que eu já fiz. O que é viver 60 anos juntos? Olha, viver 60 anos é o seguinte. Tem que um ceder para o outro. Tem que ter paciência, às vezes. Porque nós nunca discutimos.
Nós nunca brigamos. Sim. Quando ela fica brava, o senhor pega e sai. Eu saio. Ela fica falando sozinha. Tem que ser assim mesmo. É, e eu tenho o fio para a prova, né? Eles nunca viram nós discutir. Ah, que maravilha. Então, a gente vai vivendo. Vai vivendo. É, porque sempre surgem os problemas, né? As dificuldades, né? Mas a gente tem que enfrentar junto e fazer ou desfazer.
E a senhora, esses 60 anos, o que a senhora pode nos dizer, assim, desses 60 anos, dos momentos bons, dos momentos difíceis? Ah, teve momentos ruins por doença, né? Por doença. É, mas assim, pela família, tudo bem. Sempre se deram bem com o senhor Henrique. Sempre, sempre. Sim. E sempre obedeceu a senhora?
só ele não vedece porque ele vai muito jogar baralho jogar baralho joga baralho então vai se divertir com os veinho com os veinho, ainda bem que é com os veinho e vocês não vão dançar no clube da terceira idade? não eu até gosto de dançar o senhor tem cara assim de dançador mas a mulher não gosta, daí eu não vou não vai
E para arrumar outra não dá, né? Não, não. Sem jeito com 60 anos. Essa já me custou muito caro. É, muito bom. Eu vi que a senhora tem uma santinha aqui. Dá para mostrar a santinha dela aqui? A senhora é de... Bota aqui um pouquinho. Eu vi que a senhora tem uma santinha aqui. Nossa senhora Aparecida. Que é uma imagem, que é devoto. A gente sempre tem dito que é uma foto, é uma imagem. Mas que faz com que a pessoa, né? As pessoas possam ter fé e rezar. É isso? Nós rezemos bastante. Temos muita fé nossa.
Nossa Senhora Aparecida. O senhor também, Sr. Henrique? Sim. Nossa Senhora Aparecida? Até a minha irmã que trouxe lá da Aparecida. Da Aparecida. Ela andava muito doente e ela meia... O senhor andou meio aduentado?
Ah, vai te dar as quedas, né? Sim. Agora, esse dia eu fiquei seis, cinco dias internado. Olha só, mas vai viver muito isso. Mas daí eu digo, não. E como é que foi criar o Altair, a Jocélia, o Lourenço, o Anselmo, o Kleber? Como é que foi dar a luz a esses filhos? Foi parteira? Tudo parteira. Tudo parteira? Só esse é o mais novo que nasceu no hospital. Só esse mais novo. O resto tudo em casa. E a parteira vinha de onde para atender a senhora? Era uma mulher que morava na sede, uma veinha.
Ela vinha atender vocês aí. Atendeu vocês. E o seu Henrique, que ia buscar a parteira ou mandava? Ela é. Boleava a reina Ego. A cavalo, né? Sim, boleava a parteira da garupa e vinha que vinha. Vinha que vinha. Muito bom.
Muito bom. Bom, senhor Henrique, 60 anos de casados, claro, nós estamos com o nosso Papo na Varanda, exatamente gravamos no dia que vocês completaram 60 anos de casados, saindo para o ar uma semana depois da sua festa. O senhor já falou que comemoraram os 50 anos também, agora os 60, e convidando os amigos para estar com o senhor na Vargem Bonita. É isso? É alegria? É alegria. Eu digo assim, eu estou bom e feliz.
pra mim tá perfeito. E o que que é essa festa? O que que foi essa festa? Receber pessoas de Blumenau, de João. Veio gente de onde pro seu casamento? Pro seu casamento de 60 anos? De João e Vila, Blumenau.
E daqui, o mais é daqui. Aqui de Ampere. De Ampere. Você tem muita amizade aqui? Tem, eu me criei. Você criou aqui, né? Sim. Daí eu criei ali o Jeitene. Sim, o povo todo aqui. É, o Paulo Farkat. Mesmo. Porque eu vi ele nascer.
Paulinho, prefeito do Pião. Seu Arvário também, muito amigo do senhor Arvário. É, quando eu casei, ele ia receio de casado, veio morar no Pião. Ah, sim, sim. Nós conviveram meio junto lá. Conviveram meio junto. E a senhora, o que dá para falar dos filhos, então? O orgulho do nascimento, é cinco, né? É cinco filhos, né? O que dá para dizer dos filhos? Só coisa...
boas. São tudo trabalhador, são tudo religioso, nunca fizeram coisa que não era pra fazer, como diz o que obedeciam a gente. Porque eu, quando eles eram solteiros, eu dizia, eles iam no baile. Tal hora você esteja em casa. Podia estar com a noiva, com quem foi a noiva.
A namorada, outros eram noivos, iam pra casa e eles pra casa. Então a Laura fez em casa a pesada. Daí esse mais novo, ele me ligava. Mãe, eu vou ficar mais um pouco, mas não se preocupe porque eu já tô com... Tá tudo bem. É, porque eu não dormia enquanto eles não vinha. Ah, é? Eu ficava preocupada. Ficava preocupada com os filhos. É, com os filhos. Eu criei os filhos muito junto também, tudo junto. Embaixo dos...
fechando a orelha também quando precisava sim, sim, e na sombra embaixo das árvores eu criei meus fios botava um guarda-chuva e carpia eu criei tudo eles na roça levava às vezes um balaio na roça e colocava dentro, é, um pelego embaixo esse ali mesmo você criou em cima de um pelego eu levava para a roça olha só mas é orgulho dos filhos, né e a gente era tão feliz não tinha canseira, era novo, né exato é
Muito bom, muito bom. Que bom, a gente fica feliz porque a gente sabe que a alegria é os filhos, não é? É os filhos aí. E o senhor também puxava a orelha da piazada de vez em quando, senhor Henrique? Puxava? Eu até não era tanto. Não era tanto? Ele respeitava, né? Ah, sim, sim.
Só na olhada a gente já sabia o que o pai queria. Não era assim? Era mais ou menos isso aí. Eu fui criado assim. Foi criado assim, né? Era só o pai olhar, não precisava nem falar. Nem falar. Só no olhar já sabia qual era o significado. É verdade. Na época era assim, né? E o que dá pra falar? 18 netos, 16 bisnetos.
E logo periga vir o tataraneto. Oh, vamos torcer que venha tataraneto. É, já tem o bisneto com 14 anos. É, nos dias de hoje vem mais cedo às vezes. É, vem, vem. Mais cedo. O que dá pra falar dos netos e bisnetos, dona Maria? Ah, são tudo, gostam de nós, são tudo muito grudado com tudo eles, né? Sim. E a senhora é feliz?
Feliz? Eu sou feliz. Sou feliz com meus netos, filhos, pra mim eu não posso falar nada dos novos, nada. Nesses 60 anos a senhora é feliz. É, sou muito feliz. Olha que bom. E o senhor, seu Henrique, feliz também? Eu sim. E o senhor quando vai jogar baralho não passa amanhã algumas cartas lá pra lograr os caras? Não, não preciso. Não?
Eu sou o carteador. Eu sou o carteador. Joga um varalhinho aí. Bem, pessoal, o nosso Papo na Varanda de hoje é em comemoração aos 60 anos. Eu queria agradecer aqui a família. Como é que o nome desse... É o Lourenço que veio de Joinville, né, Lourenço? Chegaram com meus parentes de lá, o Nego.
Também o Kiko. Chegaram aí. Estão aí para o casamento. Eu acho que os filhos só trazem alegria. O Lourenço e também o Kleber. Quer dizer alguma coisa do teu pai? É. Venha cá. Venha falar alguma coisa. Venha aqui. Não, venha por trás da câmera ali. Eu quero que tu diga alguma coisa em nome de todos. Se o Kleber quiser dizer também, fique à vontade também.
O que dá pra falar? Chego mais perto aqui, mais perto. O que dá pra falar desses dois jovens, 60 anos de casado, e tu fala aqui, Lourenço, o nome da família. O que dá pra falar deles? Eu acho que é só agradecer mesmo, né? Agradecer o pai e a mãe. É isso.
É, o cara até se emociona, né? 60 anos de casados, né? Realmente é orgulho pra vocês, né, Lourenço? Não é verdade? Isso. É orgulho pra vocês, né? E com certeza o pai ama também, se orgulha dos filhos, né? Sim, né? Se orgulha. E o senhor foi muita amizade na sede União, na Vagem Bonita, aqui em Ampere? Todos, todos. Todos, todos. Ó, eu até hoje, eu tô com 78 anos, eu não conheço a delegacia ainda.
Olha só. Nunca entrei numa delegacia? É. É. Nunca dei um tapa em ninguém? É. Nunca levei um tapa de ninguém? É, que maravilha.
O único que podia misturar era a mulher, é a mulher. Muito bom. Muito bom. Então, dona Maria, eu queria agradecer aqui a recepção que nós tivemos aqui para a gente registrar um pouquinho da vida de vocês. Tem alguma coisa assim, alguma passagem que marcou a sua vida, que a senhora lembra? Claro, perder os pais e tal. Tem alguma coisa assim que a senhora tem saudade, que lembra? A gente dos pais e da mãe nunca esquece.
Dos irmãos também que já foram Tá sempre Sempre na lembrança Eu sou gêmea Era um piá ou uma menina? Um piá Ah, gêmeos Era Maria e Mariano Daí então ele morreu Ele tava vindo da roça E veio um carro e bateu nele Em Beltrão Daí ficou no hospital dois dias E não resistiu
Então a senhora é Gênesis Com Mariano Maria e Mariano Olha só
E o seu Henrique, eu queria agradecer, seu Henrique, meu vizinho aqui. Aliás, ele foi quase não paro em casa, né? Foi várias vezes lá em casa para me convidar. Mas eu queria agradecer aqui, dizer que fiquei muito feliz de saber um pouco da sua história, de conhecer. E também a gente poder mostrar para as pessoas, seus amigos da Sede União, da Vagem, do Ampere inteiro que conhece a família. Aqui todo mundo me conhece. Todo mundo me conhece.
Olha só que maravilha, né? Nós temos uma música, o senhor disse que gosta de muda de viola, música de viola e tal, gosta muito do programa do Zezinho e por aí afora. Essa música nós vamos tocar, é uma música do Tião Carreiro e Pardinho, que chama-se O Pulo do Gato. Falece para os amigos, para as pessoas, né, senhor Henrique? É uma música bonita, né? Sim.
E pro pessoal que foi no casamento também, né? Sim. Porque tem gente que foram nos dois casamentos. Nos dois casamentos, no de 50. E o de primeiro. Pois é, agora os seus filhos me falou aqui o Kleber, que vão preparar já a festa dos 70.
É, daqui 10 anos fizeram muito, né? Tu vem também lá de Blumenau? Como é que é o nome da visita de Blumenau? Esse é o... Joinville? Ivanor, Ivanor. É parente ou é só... Parente também. Eu pensei que tinha vindo de carancha, que nem o nego, né? Que o nego veio de carancha, né?
É, pela raça, que maravilha. Então eu queria agradecer. É a avó dele. Era a irmã do pai. A avó dele. Era a irmã do pai. Irmã do seu pai. Olha só, é a família reunida aí, né? Não é verdade? Sim, sim. Me falou que também o pessoal veio de motorhome e tal. Estão tudo na vagem. Estão tudo na vagem.
cortaram os ônibus lá, estão tudo lá. Ah, que maravilha. Então, pessoal, quer dizer mais alguma coisa, seu Henrique? Não, já está. Está tranquilo. Então está bom. Muito obrigado por nos receber. Obrigado do café que a senhora serviu para nós, um cafezinho. Obrigado. Muito obrigado.
Então, pessoal, esse é mais um Papo na Varanda, mais um registro dessa família maravilhosa do senhor Henrique Schmoller, que está com 78 anos, a sua esposa, Dona Maria, que está com 76 anos, e dos filhos que no dia 23 de abril completaram 60 anos de casados, com os trabalhos do Maurício Menin, que fez a parte de produção do programa, de vídeo.
E também o Zelir, o Hélio Soares, o pessoal da Rádio Amperi, que faz esse trabalho de produção, a Fotoarte, o Jornal do Beltrão. Nós agradecemos o carinho de todos, agradecemos aqueles que gostam desse trabalho que eu faço, que daqui 50 anos vai estar registrado isso aqui, viu, Sr. Gilmão?
É uma beleza. É, os netos, bisnetos. Os tataranetos vão escutar. Os tataranetos vão ouvir, vão assistir esse papo na varanda que nós fizemos. Que Nossa Senhora Aparecida proteja nós, proteja vocês. É o que a gente pede. E deixamos então a última do programa com o Tião Carreiro e Pardinho, o pulo do gato, a música que ele pediu aqui no nosso papo na varanda. Um abraço e até o próximo programa, se Deus quiser.
Um sujeito engenheirado, que fazia e desfazia, Menina nova e bonita, era o que ele perseguia.
Das garras deste gavião, quando a menina saía, Lá pra casa dos seus pais, muito triste ela ia, A menina tão formosa, um lindo botão de rosa, Que no galho já morria.
O que é bom logo se acaba, confirma o velho ditado, Pote tanto vai a fonte, que um dia volta quebrado.
Foi quebrado logo cedo, o encanto deste malvado, Ele zombou de um amor, da filha de um coitado, Ele quis fazer peteca, de uma linda boneca, Mas filha de pai honrado.
A coitadinha chorando, pro seu pai contou o fato, Tenho na minha garganta, um nó que eu não desato.
Naquele rosto de pai, vergonha ali era mato. O velho entrou em cena, foi no derradeiro ato. Jurou de joelho no chão, vou pular neste gavião. Do jeito que fula um gato.
O caboclo de vergonha deu um balanço na vida, viu sua esposa rezando perto da filha querida.
Viu sua filha chorando, numa estrada sem saída, Dentro da sua razão, ele entrou nesta partida. Foi só pena que voou, o gavião se acabou, Desta vez pra toda vida.
Este caboclo que eu digo, mora lá no pé do morro, Numa casa escondida, parece toca do zorro.
Onde a corruíra canta e faz-se o ninho no forro, Tem azeitona de aço, malandro não tem socorro, Malandro naquela casa, topa besorro sem asa, Tá no mato sem cachorro.
A Rádio Ampere apresentou Papo na Varanda, um programa feito com muito carinho para deixar registrado um pouco da história de cada um dos nossos pioneiros de Ampere e região.