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#PartiuPensar 224 - Epicuro e os prazeres

14 de julho de 202632min
0:00 / 32:05

Clóvis de Barros apresenta a concepção de vida boa em Epicuro, destacando a moderação dos desejos como caminho para a felicidade.

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Edição & Sonorização: Murilo Lourenço @murilou

Participantes neste episódio2
C

Clóvis de Barros

HostJornalista, escritor, filósofo e professor
M

Murilo Lourenço

Host
Assuntos6
  • Aponia e AtaraxiaAusência de dor no corpo · Ausência de perturbação da alma · Tranquilidade da alma como prazer supremo
  • A Mentira do YOLO e a Busca por PrazerPrazer como valor central da vida · Hedonismo · Crítica à fama de Epicuro como devasso
  • Superando o medo e a negaçãoMedo da morte · Medo dos deuses · Medo como fonte de perturbação
  • Desejos, sonhos e objetivos de vidaDesejos naturais e necessários · Desejos naturais, mas não necessários · Desejos vãos
  • AmizadeAmizade como fonte de tranquilidade · Amizade como fonte de serenidade · Amizade como fonte de afeto
  • A importância de viver bemVida boa como alinhamento com o humano · Bem viver como busca de prazeres com mínimo esforço
Transcrição7 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Partiu, partiu, partiu pensar, partiu pensar. Por instantes de plenitude, potência e luz.

?Voz B

Senhoras e senhores, estamos no ar. Esse é o nosso #PartiuPensar, um oferecimento da ADV Box. Para você que é profissional do direito, para você que é advogado, não hesite, a ADV Box tem a solução de que você precisa para gerir bem o seu escritório, para dominar bem as técnicas necessárias para alcançar a famosa eficiência Advocatícia, a DV Box é o nosso patrocinador. Bom, hoje nós vamos tratar de um grande pensador, um grande pensador.

Claro que ele não está no top 5 dos mais conhecidos hoje. Né, da antiguidade, porque a história ela é muito cruel às vezes com alguns e muito generosa com outros. Mas Epicuro era absolutamente genial no seu tempo. Ele despertou muita raiva de muita gente. Costuma acontecer com quem tem pensamentos originais. Então Epicuro ganhou a fama de Porco, o porco, olha só. E na época, chamar de porco não era legal. Aí você vai dizer, ah, mas hoje, tipo, também não é legal.

Ah, mas hoje no futebol, por exemplo, tem gente que trouxe a ofensa como traço de identidade e fez do porco símbolo da sua torcida. É o caso do Palmeiras, né, e que tem ganho tudo aí no futebol e gritam porco, porco, porco. Então deu uma adocicada no que chamar de porco significa. Na época não, na época era bastante agressivo. E por que ele era chamado de porco? E por que essa denominação era particularmente injusta e absurda?

É o que nós vamos responder a partir de agora. Venha comigo, me dê sua mão para estudarmos juntos as ideias centrais do pensamento de Epicuro. A primeira ideia, não tem por onde, não tem como começar de maneira diferente. A primeira ideia é muito clara: o prazer é o grande valor da vida humana. O prazer é o princípio, o meio e o fim da vida humana. Em outras palavras, uma vida humana vivida com prazer, nota 10. Sem prazer, nota zero.

O prazer é a referência. Então você ouve e diz: caramba, acho que gostei desse cara. Então, Epicuro chamava prazer de hedonê, com H, hedonê, porque em grego prazer é hedonê. Então, ele ficou conhecido como o pai do hedonismo, ou seja, corrente de pensamento que considera, por causa do -ismo, corrente de pensamento que considera o que vem antes como super importante, né? Tipo, Liberalismo, socialismo, comunismo, individualismo, né?

São modos de pensar que colocam o que vem antes, importante, o indivíduo, a liberdade, a comunidade, a sociedade, etc. Edonê seria hedonismo, e nós poderíamos traduzir por prazerismo, prazerismo. Agora, aqui vem o, digamos, o degrau 2 para consertar o que possa passar pela sua cabeça. Professor, o que é que passa pela minha cabeça? Que Epicuro era um devasso, certo? O prazer é o que importa, então vamos enfiar o pé na jaca, né?

Nós vamos, nossa, comer até não poder mais, beber até não poder mais, tipo alucinógenos de todos os tipos, sexo, drogas e rock and roll, etc., etc., etc., fora o cartão de crédito comprando, comprando, comprando o necessário, mas sobretudo o supérfluo que você nunca vai usar. É isso que te veio à cabeça? Pois é, nada disso tem a ver com o que Epicuro pensava de bom para a nossa vida. Mas como assim? Ele não falou que o prazer é importante?

Então, mas era legal saber o que que ele entendia pelo prazer, que pode nos ajudar, né? O prazer epicurista tá muito longe dos excessos, tá muito longe da busca desenfreada de sensações, muito longe disso. O seu pensamento, ele é escandalosamente sóbrio, sóbrio, singelo, simples, espartano, eu diria. Então vamos tentar entender. Segundo Epicuro, todos os seres vivos, e não é só a vida humana, procuram naturalmente viver sensações agradáveis e evitar sensações desagradáveis.

Procuram experimentar o prazer e evitar a dor. Mas isso não significa que todo prazer deva ser buscado ou que toda dor deva ser evitada. Não é isso. A sabedoria consiste justamente em calcular, né, para ver quais são os prazeres contributivos da vida boa e quais são os prazeres eventualmente destrutivos objetivos da vida boa, assim como calcular quais são as dores, se bobear, que a gente tem que ter, tem que sofrer, e quais são as dores que é melhor mesmo não sentir, né?

Então vamos lá, só para você ter um exemplo: você vai ao dentista, camaradinha vem com a broca. Se ele se meter a te dar uma anestesia, é porque a coisa é dolorida mesmo. Só anestesia, só a picada na gengiva já é desagradável. E aí você dirá: tá vendo, dor a evitar, a evitar? Não, é melhor enfrentar a dor, porque isso vai, digamos, melhorar a tua saúde dentária, a tua saúde bucal. A dor aí é necessária para uma vida boa, né? Às vezes É preferível também evitar um prazer imediato para evitar consequências sofridas.

Às vezes alguém vem te propor alguma coisa muito apetitosa, por exemplo, um bolo de chocolate com cobertura de brigadeiro para um diabético em estado avançado, né? É prazeroso na hora da degustação, mas enfim, não vai dar bom logo em seguida. Então é melhor evitar também. Então, já que é preciso ter sabedoria para entender qual é o prazer que importa ter e qual é a dor que importa evitar, a gente vai consultar Epicuro. Segundo Epicuro, o prazer mais elevado, que deve ser buscado de qualquer jeito, não é o prazer trazido pela euforia, pela excitação, pela super excitação do corpo, etc., etc.

Não. Então, o prazer que deve ser buscado, o prazer campeão, o prazer nota 10, tem a ver com a tranquilidade da alma. Tudo bem, tô de boa, tô tranquilo, estou sossegado, nada me perturba, nada me incomoda, não tem nada que passa pela minha cabeça que me aflige. Aí você tem um prazer campeão, entendeu? Não há dúvida que é prazeroso, mas é um prazer bem assim filosófico mesmo, né? Não é o prazer do bife à parmejana. Não é o prazer de uma viagem promovida por estimulantes poderosos, não é o prazer de uma rodada erótica com parceiros e parceiras de competência extraordinária, nada disso.

É o prazer de estar tranquilo, de estar de boa, né? Hoje em dia o pessoal usa o termo pleno. Tô pleno, tô bem, tô tranquilo. Então Epicuro estabelece aí, eu diria, duas categorias importantes. O primeiro é o que ele chama de ausência de dor no corpo. É importante. Ele chama de aponia, ausência de dor no corpo. Tá aí um prazer campeão. Aí você diz: pô, mas só de não sentir dor já é prazer? Experimente sentir a dor para você ver como a falta da dor é um espetáculo.

Eu te dou um exemplo: eu sofri um acidente e tive uma luxação completa do ombro. Se você não é do ramo, saiba que luxação não é uma bobagem. Às vezes a pessoa fala: não, é só uma luxação, não houve fratura. Quem diz isso não entende nada. A luxação é muito pior do que a fratura, muito pior. A luxação é a desconexão completa de uma parte do corpo em relação ao resto. Então, para você ter uma ideia, o meu braço saiu fora e além de tudo quebrou o úmero.

Mas isso é o menos importante, né? A fratura do úmero é o menos importante. Saiu fora, né? Teve que recolher. Nossa, eu não vou nem lembrar. Você tem uma ideia? Operei há 6 meses, ainda dói. Ainda dói. Se muda a temperatura, ainda dói. A dor era tamanha que assim, a morfina não dava nem pro cheiro. Eu me lembro o cara botando o braço no lugar e aí o sujeito falou, eu vou então dar uma injeção no músculo aqui na coxa. Pegou e pá!

Foi quando eu distraí da dor no ombro, porque dor da injeção na coxa foi de tal ordem que— então, na hora que a dor passava, nossa, é muito bom! Chama aponia, ausência de dor no corpo. E você tem a ataraxia, que é a ausência de perturbação da alma. Então, se você perguntar para Epicuro ou para um epicurista Qual é o prazer campeão? É não ter nenhuma dor no corpo e não ter nenhuma perturbação da alma. Ou seja, estar em aponia e em ataraxia.

Aí é espetacular quando nós não sofremos nem fisicamente e não estamos atormentados por coisas que passam pela nossa cabeça, conteúdos de consciência, que nos amedrontam, que nos devastam, que nos causam ansiedade, que nos trazem angústia e assim por diante. Aí está a condição da felicidade: aponia mais ataraxia. Por isso mesmo, Epicuro vai valorizar os prazeres simples. E por quê? Porque quando você vincula, digamos, um estado feliz a um prazer sofisticado, você condiciona a sua felicidade a alguma coisa que é rara.

E para Epicuro, isso é a maior estupidez que você pode fazer. Porque, pô, se o grande barato da vida é ter prazer, e você para ter prazer precisa tomar um negócio que a garrafa custa 3 pau, Você tá vinculando a sua felicidade a um treco caro, raro pra caramba. Então, diferentemente do que as pessoas costumam pensar, a sofisticação é sinal de imbecilidade, enquanto que a capacidade de ter prazer com o que é simples é sinal de sabedoria.

Mas não é? Concorde comigo. Se você é capaz de ter prazer com um copo d'água, você terá prazer muito mais frequentemente do que alguém que precisa tomar banho na aeronave indo para Dubai em primeira classe. Então perceba como a simplicidade é condição de um prazer recorrente, é condição de um prazer fácil de ser alcançado. E por isso Epicuro defendia os prazeres simples da vida. Então, um pedaço de pão e um pouco de água, uma conversa entre amigos, uma contemplação da natureza bela, ou até uma reflexão filosófica sobre Epicuro, pode trazer muito mais felicidade do que essa parafernália do mercado do luxo.

Que às vezes você compra e não sabe onde pôr depois. Uma vez comprei um vaso, porque claro, quando eu me refiro à estupidez, faço questão de me colocar na linha de frente, porque ó, vou te contar, ao longo dos últimos 60 anos, o que marca sobretudo a minha vida é a estupidez, é a falta de sabedoria. Aí vi um vaso num antiquário em Portugal, Fiquei encantado pelo vaso. Aí falei, pô, é um antiquário, tal, coisa usada, né? Aí entrei e falei, pô, gostei do vaso.

Ah, é muito bonito, pertenceu a não sei quem. Nunca tinha ouvido falar, mas além de tudo também a minha ignorância, ainda mais em Portugal, sei lá. Pertenceu a não sei quem. E custa quanto? Custa tanto, né? Eu devia ter dito valeu, tchau, passar bem, né? Ter esse desprendimento. Tive? Não tive. Aí falei, pô, tá caro. O cara falou, ah, a gente pode arrumar um descontinho, né? Então saiu de uma exorbitância para uma exorbitância menos um descontinho.

Então ficou uma exorbitância um tiquinho a menos. E o imbecil aqui comprou o vaso. Dava para levar o vaso no metrô? Não dava. Já deveria— eu não conseguiria levar o vaso até a estação de metrô, entendeu? Já era suficiente para dizer, olha, é melhor não, né? Mas não, o cara falou, eu levo o vaso até a sua casa, amanhã tá na sua casa. Eu devia ter pensado, esses cara tá tão interessado em levar o vaso para mim e a vender, etc., quer se ver livre desse negócio.

Eu devia ter, mas não, não. Eu falei: ô, que legal da sua parte! E aí no dia seguinte chegou a porra do vaso. E qual é a graça? É que eu não me toquei que o lugar que eu tenho em Portugal para viver é minúsculo e o vaso ocupou metade da sala. Então é totalmente incompatível, estúpido, cretino, difícil, mas é assim. Epicuro diz: quando tem pão e água, a sua felicidade rivaliza com a de Zeus. E Zeus, o deus dos deuses, só para te dizer que você precisa de muito pouco para ter feliz, para ser feliz, desde que você tenha a sabedoria de valorizar o prazer causado por coisas triviais, simples, comuns, como uma brisa fresca num dia de calor.

CDClóvis de Barros

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?Voz B

Epicuro também vai classificar os desejos, porque o desejo O desejo é o aperitivo do prazer, o desejo é a parte prévia do prazer, o desejo é a antessala do prazer, o desejo é na falta, o prazer é na presença, né? Quando a falta se faz presença e o desejo é satisfeito, podemos passar do desejo ao prazer. Não são em nada sinônimos, mas são correlatos. E Epicuro classifica os desejos em 3 tipos: naturais e necessários. Naturais quer dizer compartilhamos com o resto da natureza, e necessários quer dizer se não formos atrás vamos acabar morrendo.

Naturais e necessários, né? Compartilhamos com o resto dos animais, e se não fizer, morremos. Comer, né, alimentar-se, beber, hidratar-se, abrigar-se. Então são desejos naturais e necessários, mas é alimentar-se, entendeu? Não é buiabés, bourguignon, popó-pipa.

CDClóvis de Barros

Alimentar-se.

?Voz B

Deitar-se e abrigar-se. E não é hotel 6 estrelas, é abrigar-se apenas, né? Existem também os desejos naturais, mas não absolutamente necessários, entendeu? Então aí você já tem um tiquinho de refinamento. Podia passar sem. É natural porque tem a ver, por exemplo, com alimentação, tem a ver com a hidratação, tem a ver com o abrigo, mas não é absolutamente necessário, porque você poderia viver com menos do que isso. Para você ter uma ideia, para dar um exemplo, Diógenes, né?

Diógenes vivia, dizem, dentro de um tonel. Há quem diga que não era bem um tonel, era uma caixa. Outros dizem que era, mas enfim, vivia num lugar impensável de viver ali dentro, né? Absoluta simplicidade, acreditando que só a simplicidade leva à felicidade, etc. E Diógenes tinha uma caneca, e um dia ele viu uma criança tomando água da mão, né? Aí ele jogou a caneca fora. Falou: essa criança me deu uma lição de sabedoria. Por quê?

Porque ela me mostrou que eu posso viver de maneira mais simples ainda do que eu vivo, ou seja, A minha felicidade não está vinculada a quase nada. Em outras palavras, eu não sou dependente de quase nada, e por isso a minha felicidade é muito mais provável do que alguém que para se hidratar precisa de um flut ou uma taça de cristal. E existem os desejos nem naturais e nem necessários, são os desejos vãos, como a busca desenfreada da riqueza, da fama, do poder, né?

Os primeiros desejos, que são os naturais e necessários, Epicuro dizia que tem que satisfazer de qualquer jeito. Os segundos, só de vez em quando. E os terceiros, nunca, nunca, né? Por quê? Porque costumam ser muito mais fonte de inquietação do que de felicidade. Avançando ainda um pouco mais, não só eu deparei com os lindos coqueirais, mas eu te digo que para Epicuro, uma fonte de felicidade legítima, sábia, espetacular, hedonista, é a amizade, né?

A amizade vai assumir na filosofia de Epicuro um papel central. Poucos prazeres são tão importantes quanto a convivência com amigos de verdade. Amigos de verdade. A possibilidade, né, eu ia dizer de tomar um choppinho no bar com os amigos, mas aí eu já caí num num desejo que não seria abençoado. A possibilidade de tomar um copo d'água e conversar com os amigos é incrivelmente prazerosa, né? A amizade oferece tranquilidade, serenidade, afeto, tornando-se uma das maiores fontes de prazer estável segundo Épico.

E finalmente, porque nós já vamos longe, tão longe que eu não tenho a mínima ideia do quanto eu já falei, mas finalmente é preciso não ter medo, porque o medo traz perturbação da alma, tira você da ataraxia e te priva do prazer que é a tranquilidade pode te proporcionar. O medo, ele tem como causa coisas que passam pela sua cabeça e que podem azedar a vida, azedar a vida mesmo. Não tem nada em volta, não tem nada acontecendo, mas aquilo que passa pela sua cabeça e tá te devastando.

E Epicuro dará ênfase ao medo da morte, ao medo da vingança dos deuses. Esses dois, não há nenhuma razão para ter medo dos deuses, porque os deuses têm mais o que fazer do que te castigar. E não há nenhuma razão para ter medo da morte. Por quê? Porque com a morte não haverá sofrimento, não há chance de haver sofrimento. Ter medo da morte é uma estupidez. O arriscado é viver. Morrer não é arriscado, pelo contrário, morrer não traz risco nenhum.

O risco é todo correlato à vida. Então vamos aprender a banir da nossa existência esses dois medos, tanto o medo de deuses cruéis, perversos e vingadores, quanto de uma morte que possa nos levar para algum lugar de sofrimento e dor. Porque para Epicuro somos apenas átomos e vazio. Com a morte, os átomos que nos constituem se reorganizarão em outras unidades de real, e portanto não há nenhuma razão para temer. Você não lembra de ter sofrido antes de nascer.

Pois depois que morrer é a mesma coisa, não há chance de ser ruim. Vamos responder às perguntas dos nossos ouvintes. A Maria Denise dos Santos, que é nossa apoiadora— Maria Denise, gratidão eterna— ela pergunta: como podemos diferenciar o viver bem do bem viver? Olha, vamos traçar um paralelo: vida boa E boa vida. Então, a vida boa é aquela vida que coincide com o que há de mais profundamente humano, de mais profundamente dignificante, de mais profundamente libertador, de mais profundamente próprio à natureza de cada um.

É o que a filosofia nos sugere, essa é a vida boa. Agora, a boa vida, essa é um pouco definida pelo senso comum como sendo uma vida do maior número de prazeres pelo menor número de esforço, o maior número de ganho pela menor quantidade de esforço possível. É uma vida estrategicamente calculada, aonde você leva vantagem na hora do custo-benefício. Maria Denise dos Santos, ficou claro? Portanto, pense no viver bem e na vida boa.

Por quê? Porque acho que você já deve ter percebido que sair correndo atrás do que te mandam comprar e você vai trabalhar que nem um camelo para ter o dinheiro para comprar o que os outros mandam você comprar. E tome, e tome comprar parafernália, tome comprar coisa com botão, tome comprar coisa com tela, e tome é o outro, e depois o outro, depois o outro, depois o outro tem 3 câmeras atrás, o outro tem 5 câmeras atrás, o outro, sei lá, sai de dentro a imagem holográfica do Cauã Reymond para te dar um beijo e vamos.

Então a gente já aprendeu que a gente tá correndo atrás, sempre correndo atrás de encher um saco que não tem fundo, não enche, não, né? Talvez a gente pudesse usar a nossa lucidez para conseguir ter prazer com com o que tá na mão. Porque inclusive aí isso te daria mais liberdade para peitar todos aqueles tiranos que contam com o teu medo para te ameaçar, entendeu? Você precisa ganhar muito dinheiro para comprar todas as coisas que mandam você comprar.

Aí, para ter tanto dinheiro, você precisa ter a fonte do dinheiro. E aí Alguém que controla essa fonte do dinheiro te aterroriza, põe terror, põe terror. Se você não fizer o que eu tô mandando, eu te, né, você vai procurar novos desafios longe daqui. Põe terror. E aí você, para poder continuar comprando coisas que não servem para nada no sentido da vida boa, você se submete às humilhações da vez. Se você aprender a ter prazer com o que vem de graça, você não precisa se submeter a esse tipo de gente.

Ficou claro? Beleza, beijão, valeu! Se você gostou, você assiste de novo. Lembrando sempre que estamos patrocinados pela ADV Box Por isso temos a felicidade de fazer esse podcast que durante anos foi só em áudio, agora em vídeo. E, e se você gostou ainda mais, aí você reúne os amigos, porque uma conversa entre amigos ouvindo Partiu Pensar é tudo de que você precisará para uma vida feliz. É isso, valeu!

?Voz A

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