#PartiuPensar 221 - Aristóteles: Ética a Nicômaco
Clóvis de Barros fala sobre o conceito de Eudaimonia e a busca pela a vida boa e virtuosa.
Assista o episódio em vídeo no nosso canal no Youtube! https://youtu.be/XBjjSIvBRl4
Patrocínio: ADVBOX
Torne-se apoiador: https://apoia.se/ineditapamonha
Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros. Para mais informações acesse: https://clovisdebarros.com.br/
Edição & Sonorização: Murilo Lourenço @murilou
- Ética AristotélicaEudaimonia · Vida boa e virtuosa · Aristóteles · Nicômaco · Filosofia moral · Virtude (areté)
- Virtudes em AristótelesFinalidade humana por excelência · Excelência intelectiva e racional · Pensar bem
- A busca pela melhor versãoFins particulares vs. fim supremo · Bem em si · Felicidade · Plena realização da natureza · Atividade da alma segundo a virtude
- Felicidade e propósitoPrazer · Honra e glória · Riqueza · Bem-estar
- Sócrates· CulturaImpacto do pensamento filosófico · Sócrates · Platão
Partiu, partiu pensar, partiu pensar. Por instantes de plenitude, potência e luz.
Senhoras e senhores, estamos no ar. Hoje é terça-feira. Olá, e é dia de #PartiuPensar, oferecimento da ADV Box. Bem, estamos sobrevoando a história do pensamento ocidental e estamos no coração da filosofia aristotélica, e hoje começaremos a dar atenção de maneira mais calma, de maneira mais pausada, na Ética Anicômaco. Ética Anicômaco é a grande obra de Aristóteles de filosofia moral. É claro que Aristóteles terá escrito outros textos, alguns de autoria duvidosa, por isso Ética Anicômaco é o mais confiável desses textos.
Ora, é preciso lembrar que não foi um livro escrito, são apostilas de aula reunidas depois que Aristóteles morreu, portanto não é um livro escrito pelo autor com começo, meio e fim, são lições justapostas. E aí o livro 1, ele costuma ser entendido como um texto bem à parte, A pergunta é: o que é a vida boa? No final das contas, Ética à Nicômaco— Nicômaco é o nome do filho— é uma tentativa de ensinar o filho a viver bem, ou se você preferir, uma tentativa de ensinar o filho a ser feliz.
E Aristóteles propõe que, no final das contas, todo mundo que age, intervém no mundo, age em função de alguma coisa que considera um bem. Então, existe essa preocupação, ninguém age sem ser visando uma finalidade que considere boa, para si pelo menos. Quem estuda é porque ou quer saber ou quer passar na prova ou quer passar no ENEM ou quer passar no vestibular ou quer passar no... Então perceba, Mas quem estuda visa alguma coisa boa para si.
Quem trabalha ou quer obter o seu sustento ou quer ajudar os outros ou quer se realizar ou quer encher a agenda ou quer— mas é sempre visando alguma coisa boa. Então toda ação visa uma coisa entendida como boa. Por quem age. Toda prática humana tende a um fim considerado bom para quem age. Mas Aristóteles, ele vai, de certo modo, perceber que muitas vezes esses fins são fins particulares, são fins que são bons especificamente para uma pessoa ou outra, e ele naturalmente pretendia alcançar um fim supremo, aquilo que é bom em si, aquilo que é bom para qualquer um.
E aí a dificuldade é grande, né? Porque a gente sabe muito bem que o que é bom para um costuma não ser bom para o outro. Muitas vezes, inclusive, a felicidade de um depende da desgraça do outro. Se alguém quer bater meta vendendo remédio, É preciso que haja alguém doente comprando remédio. Então, evidentemente que se quem vende remédio bate meta, quem compra remédio tá doente. Então, na hora de encontrar um fim que seja bom para todo mundo, a dificuldade é grande.
É um bem supremo, é o fim da linha para todo mundo, né? Você imagina, eu estudo Para aprender, aprendo. Para obter um trabalho, tenho um trabalho. Para obter um salário, tenho um salário. Para comprar coisas, para desfrutar. Chega uma hora que tem que chegar no fim essa sequência do para. Para quê? Para quê? Para quê? Tem que chegar no fim. E esse bem supremo Aristóteles vai chamar de eudaimonia. Então, de novo, já mencionamos quando fizemos um apanhado geral sobre a ética aristotélica, mas aqui estamos tentando focar um pouco mais.
Essa eudaimonia, ela seria boa para qualquer um, ela seria o bem supremo para qualquer um, e portanto ela não é relativa nem à sociedade, nem ao indivíduo, nem ao momento histórico, né? Ela é absolutamente boa, eudaimonia, que é a plena realização da própria natureza. E aqui isso implica alguns entendimentos, e o primeiro deles é que essa plena realização da própria natureza se dá através de fazer coisas, da prática mesmo, né?
"Realização da própria natureza" significa realizar mesmo, agir. Não é um estado passivo contemplativo, um estado "ah, agora cheguei aqui, ponto, sou feliz e tal, deito na grama". Não, essa eudaimonia aristotélica é extremamente prática. Você realiza a própria natureza fazendo coisas. Essa felicidade É, portanto, uma realização de plenitude, mas é uma plenitude que se dá através do fazer, do fazer. Então, existe aqui uma dimensão de fazer bem o que se faz, e fazer bem o que se faz é o que Aristóteles chama de virtude, arete.
Por isso, Aristóteles é o filósofo das virtudes por excelência, fazer bem o que se faz. Curiosamente, a felicidade não está em ganhar muito dinheiro fazendo bem o que se faz, a felicidade está em fazer bem o que se faz, ponto. Nesse sentido, é uma felicidade que realiza uma certa excelência ao fazer. Uma vida voltada, digamos, para o prazer é uma vida que não nos discrimina da animalidade que também é prazerosa, né? Um boi com o bucho cheio, ele tá de boa ali, né?
Veja que não é bem isso que é definitivo para nós, né? A honra, a glória, o aplauso, o reconhecimento É bacana, mas depende muito dos outros, depende muito de quem aplaude, depende... Você fica na dependência, né? É o caso aí das redes sociais, né? Então, sempre, o tempo inteiro tentando calibrar a mensagem pra obter like, obter view, obter comentário, obter compartilhamento, obter adesão, obter seguidores, obter coisa... Você fica na mão dos caras, né?
A riqueza também é evidentemente instrumental, não vale por ela própria, né? A riqueza poderá trazer felicidade muito dependendo do que você fizer com ela, né?
Olá, eu sou Clóvis de Barros e venho aqui propor a você nos apoiar a manter vivos os nossos conteúdos de filosofia na internet. Para você participar com uma singela colaboração, você deve entrar em apoia.se/ineditapamonha. Repetindo: apoia.se/inéditapamonha. Você pode nos ajudar demais a honrar os nossos compromissos, pagar nossos editores, as nossas plataformas, e manter nosso conteúdo vivo para que ele continue impactando as pessoas como tem feito.
Aristóteles continua investigando e vai propor, digamos, um método muito conhecido. Descobrir qual é o bem humano pressupõe descobrir qual é a finalidade humana por excelência. Assim como o bom flautista deve tocar bem flauta, É aquele que realiza bem a sua música, o bom ator realiza bem a sua cena, o seu teatro, o bom escultor realiza bem a sua escultura. Então, o humano deve realizar bem a sua humanidade. Isso é muito legal, né?
É claro que realizar bem a sua humanidade não é só viver, porque viver todo mundo vive. Aliás, mais do que os humanos. Então, aí é que está, a eudaimonia, o bem supremo, não é só viver, não é só sobreviver, porque isso animais e plantas também fazem, né? E a especificidade que confere à humanidade alguma excelência é uma especificidade de alma, de alma. Portanto, a eudaimonia é atividade da alma segundo a virtude. A eudaimonia implica uma alma virtuosa.
Falando de maneira mais simples, né? O que seria então a nossa felicidade? A felicidade consiste numa atividade da alma conforme uma certa excelência. Uma certa excelência que, por ser atividade da alma, é uma excelência intelectiva, porque o grande barato da alma Nesses tempos gregos era pensar, pensar bem. E é uma excelência intelectiva e racional ao longo de uma vida. A busca do "esmero no bom pensar". E isso, de certo modo, serviria para todos nós, porque é a excelência do humano enquanto humano.
Então, o bom flautista, especificamente, executa bem a sua flauta, o bom escultor executa bem a sua escultura, o bom professor executa bem a sua aula, mas o bom humano é aquele que pensa bem. Ou seja, permitir à sua alma que execute a sua atividade intelectiva com excelência, isto é, do modo mais perfeito possível. Nossa, isso é muito legal, né? Isso é muito legal, muito bacana, né? Porque, puxa vida, quantas vezes somos, digamos, convencidos de coisas completamente diferentes, né?
Que reduzem a felicidade a um mero bem-estar, né? Tô de boa, tô pleno. E o "tô pleno" quase sempre é simbolizado por uma cara assim de de contentamento apático, enquanto que para Aristóteles a plena realização é ativa, é executiva, é prática, é pensante, de tal maneira que é dando aula que o professor é feliz, é tocando flauta que o flautista é feliz, é nadando que o nadador é feliz e é pensando que o humano É feliz! Vamos responder às perguntas dos nossos ouvintes.
Pessoal, para fazer pergunta é no QR code e os Apoiadores têm primazia. O Marcelo Silveira Lopes pergunta, é Marcelo Silveira Lopes pergunta: Professor, o senhor falou do quanto seria interessante se pudesse voltar no tempo existir uma conversa entre Sócrates e Platão. Eu disse mesmo, se fosse possível essa viagem, se fosse possível uma quebra linguística, que uma quebra da barreira linguística, que pergunta o professor faria para os filósofos nessa, nesse esse maravilhoso encontro, eu acho que eu perguntaria se eles têm ideia, se eles conseguem ter a dimensão do quanto, mas do quanto o pensamento deles impactaria a história da humanidade, definindo um jeito de pensar que perdura por séculos e faz com que alguém do século 21 decida voltar para o seu tempo, para encontrá-los.
Será que eles têm noção dessa possibilidade? É a pergunta que eu faria. Marcelo Silveira Lopes, valeu, obrigado pela pergunta sua. Essa foi a nossa reflexão de hoje. Hashtag Partiu Pensar. Oferecimento da ADV Box. Pra nós, terça-feira que vem tem mais. Se você gostou, assiste de novo. Se gostou muito, convida alguém pra assistir junto. Beijo grande, valeu!
Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros. Para mais informações sobre cursos, livros e palestras, acesse clovisdebarros.com.br e siga o professor nas redes sociais.
ADV Box
Espaço Ética
Inédita Pamonha