Inédita Pamonha 322 - Agir virtuosamente
Clóvis de Barros aprofunda a explicação sobre a construção do hábito de agir com excelência no pensamento aristotélico.
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- Virtudes em AristótelesConstrução do hábito de agir com excelência · Ética a Nicômaco · Felicidade e virtude · Agir virtuosamente como estudante · Hábito e excelência · Uso da razão
- Etica e MoralVirtude ética (pensamento prático) · Virtude dianoética (conhecimento puro) · Diferença entre as virtudes
- Lições da História da FelicidadeFelicidade como virtude vs. momentos de prazer · Degustar uma pamonha
Clóvis de Barros:Começa agora Inédita Pamonha! Por instantes felizes, virginais e irrepetíveis. Senhoras e senhores, estamos no ar. Esse é o nosso Inédita Pamonha. Um oferecimento da Eastman Chemical do Brasil e da Insider. Estamos patrocinados pela Insider, a sua roupa inteligente. Lembrando que o inverno e o frio estão chegando, e com o inverno e com o frio, nada melhor do que ter uma roupa que senta bem, que aquece, que não deixa mau cheiro, que não amassa, e é uma maravilha. Insider, Por isso, aproveite o cupom CLOVIS cumulativo com todos os demais descontos do site. Estamos falando de Aristóteles, estamos tratando das virtudes em Aristóteles e Aristóteles trata das virtudes, sobretudo, numa obra intitulada Ética a Nicômaco. Nicômaco é o nome do filho. Ética a Nicômaco é um livro que Aristóteles reúne ensinamentos para uma vida boa. Insistimos, esse livro nunca foi escrito desse modo. É uma reunião de textos realizada muito tempo depois da sua morte. De qualquer maneira, faz sentido imaginar Aristóteles propondo ensinamentos para o filho sobre o que é preciso para ser feliz. Ora, a ideia é: para viver em felicidade, É preciso ser virtuoso e para ser virtuoso é preciso agir virtuosamente. Eu fico imaginando você, porque a palavra felicidade já não é das mais precisas, aí eu pego e troco felicidade por virtude e você tem a sensação de que trocamos 6 por meia dúzia, trocamos um conceito que não sabemos bem do que se trata por outro que tampouco sabemos bem do que se trata. Então é isso que nós vamos ter que enfrentar, diminuir essa sensação pelo menos. Vamos pensar na especificidade de cada caso e aí a gente poderia pensar na especificidade de um estudante, vai nos ajudar a título de exemplo. É possível que esse estudante, ele enquanto estudante, ele estude virtuosamente. E o exercício virtuoso do estudante ao estudar permitiria então ao estudante uma vida boa, uma vida feliz enquanto estudante. Essa é a tese. Continuamos com o problema: mas o que significa isso? Agir virtuosamente enquanto estudante? Vamos pensar com a guarda baixa, ninguém aqui tá disputando nada. Vamos perguntar o seguinte: será feliz o estudante que leva a vida na universidade, né, O sujeito estuda lá engenharia ou administração ou direito, computação. Será que ele é feliz estudando nas coxas, meia-boca? É a pergunta que a gente poderia fazer e, claro, você poderia responder: "Ah, por que não, né? Não se dedica tanto aos estudos, mas tem a galera, tem o bar." Tem os rapazes e as moças, né? Tem o shoppinho, a bebida, tem as saídas no final de semana, viagens, as férias, pô. Então, aí é que está. Mas nós estamos falando de ser feliz enquanto estudante, né? Então, a ideia é: que significa estudar virtuosamente? Se você passou os 5 anos da faculdade bebendo cerveja, né, passou socializando, jogando bola, muito legal. Mas na perspectiva de Aristóteles não houve felicidade enquanto estudante, porque um estudante é feliz quando estuda virtuosamente. Existe nesse estudo virtuoso, antes de mais nada, uma dimensão de habitualidade, como nós já dissemos. Essa habitualidade significa uma certa recorrência, uma certa frequência, um certo ritmo, mas não é só isso. Essa virtude não é só um hábito, não é qualquer hábito, é um hábito vinculado à excelência. Então nós temos dois elementos: hábito e excelência. É claro que Você pode imaginar que o que será que significa exatamente essa excelência nos estudos? E aí você poderia imaginar que é fazer o melhor possível, é estudar o melhor possível, é aprender o máximo possível, é tirar dos estudos o maior proveito possível, é avançar intelectivamente o máximo possível. E aí você poderia então pensar: mas e se a gente sair do caso do estudo e a gente for pensar numa virtude, digamos, comum a estudantes, a professores, a médicos, advogados, a jogadores de futebol, a donas de casa, faxineiras, etc. Existe aqui a possibilidade de pensarmos numa espécie de existência virtuosa genérica, que pudesse nos remeter à ideia de um humano genérico, um humano genericamente virtuoso, homens e mulheres. E aí então teríamos que pensar no seguinte: o estudante estuda, o flautista toca flauta, o nadador nada, o O outro limpa, o outro arquiteta, o outro advoga, o outro corre, o outro... Mas o que será que há de comum na existência humana que pudesse permitir uma reflexão de virtude genérica? Para Aristóteles, é o uso da razão, é o pensamento. De fato, o advogado, ao redigir uma petição, Ele pensa. E mesmo que ele se sirva da IA, ele, digamos, pensa para pedir para a IA fazer tal coisa e não outra de que ele não precisa. O arquiteto, para fazer um projeto, pensa. E mesmo, digamos, quem também use os braços para fazer também pensa, né? Como colocar um tijolo em cima do outro, qual o melhor procedimento para deixar um vaso limpo, o vaso sanitário, né? Qual o melhor procedimento para arremessar um dardo para ele ir o mais longe possível, sempre haverá pensamento. Por mais que o pensamento venha acompanhado do uso dos braços, do uso do corpo, do uso das pernas, o certo é que estamos sempre pensando. Então poderíamos imaginar a possibilidade da seguinte reflexão: o homem e a mulher genericamente considerados vivem virtuosamente quando pensam virtuosamente. Então aí nós avançamos um degrau, porque não estamos falando só do estudo, não estamos falando só do esporte, nós estamos falando de uma existência humana genericamente considerada e virtuosa. E naturalmente você levanta a mão e pergunta: mas professor, como é que eu faço para pensar virtuosamente? Não. E aí Aristóteles nos joga no colo dois tipos de virtude. Nos dois casos nós estamos lidando com a razão, nos dois casos nós estamos falando da parte intelectiva do humano, só que no primeiro caso nós vamos falar com a razão dedicada a resolver problemas práticos da nossa vida. E você deve imaginar que isso aí é o arroz com feijão, né? Você acorda, você pensa o que que vai comer, pensa que alguém acabou com o dentifrício no seu banheiro, pensa qual o melhor caminho para chegar na escola, no trabalho, pensa se é melhor pegar um coletivo ou apostar no Uber para poder chegar no horário pensa, pensa, pensa e são soluções concretas do cotidiano, né? Você tem aí a possibilidade então de um pensamento virtuoso que tem por objeto a vida prática do humano. E esse pensamento virtuoso que tem por objeto a vida prática do humano Aristóteles vai chamar de ética. Olá, eu sou Clóvis de Barros e venho aqui propor a você nos apoiar a manter vivos os nossos conteúdos de filosofia na internet. 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Se quebra o liquidificador, ela vai lá e conserta. Se quebra, precisa pendurar o quadro na parede, vai lá e duas. Se quer usar escada, arrebentou o corrimão, ela vai lá e arruma. Se quiser usar edital, ela vai lá e arruma. E aí, qual é o melhor jeito de... E aí tem que ver, tem que fazer a reserva não sei aonde pelo aplicativo tal, não sei o quê, vai lá e faz. E aí tem que arrumar um jeito de transitar traduzir o negócio, né, do grego arcaico para o siri-lankês, em um minuto tá pronto. Tem gente que é assim. Então são pessoas que pensam bem para resolver problemas concretos, são pessoas que vivem uma vida virtuosa do ponto de vista ético. Olha que legal! Virtude ética, mas o pensamento não é só para resolver questões, né? Minto ou não minto, faço ou não faço, dou ou não dou, pego ou não pego, coiso ou não coiso, canto ou não canto, xaveco ou não xaveco, vou ou não vou, coiso ou não coiso, aparafuso ou não parafuso, né? E tal, penduro aqui ou não penduro aqui, vou aqui ou não vou aqui. Passam no ar. Então, não é só isso, né? Por quê? Porque há pensamentos que não desembocam em problemas concretos do cotidiano. Aliás, quase tudo que você ouve de mim aqui não vai se traduzir em pregar quadro, em fazer coisa, escolher caminho. E se bobear, nem mesmo vai se traduzir em mentir ou não mentir, etc. Por quê? Eu sempre dou instrumentos para você pensar, mas enfim, esses instrumentos poderão ou não ser utilizados imediatamente. Então existem pensamentos que não vão terminar numa ação concreta do cotidiano. E esses pensamentos podem ser virtuosos, podem ser virtuosos. Eu, por exemplo, de vez em quando venho aqui para falar coisas da matemática, né, que eu aprendi, que eu não sabia, que me deixam perplexo. Mas sabe, se você consegue calcular um volume de um cubo de um jeito X ou de um jeito Y, isso pode perfeitamente terminar no volume do cubo, entendeu? E você vai viver a sua vida com ou sem o volume do cubo exatamente do mesmo jeito que viveria. Então, esse pensamento virtuoso sobre coisas que não se traduzem em ação, pensamentos que não são voltados para a realização imediata de alguma coisa, também importam demais para Aristóteles. E eles podem ser virtuosos. E essa virtude vai se chamar dianoética. Tem a ver com a inteligência por ela mesma, tem a ver com os conhecimentos que são válidos por eles mesmos. É o conhecer pelo conhecer, é o saber pelo saber, e que não se traduz na vida prática. Até porque, imagine uma pessoa especializada em astrofísica, tudo que ela sabe dificilmente vai se traduzir, a menos que ela construa foguete, coisa de telescópio e tal, né? Outras coisas de não sei quantos zilhões de anos-luz não vai dar para chegar lá, não vai dar para, não vai participar do cotidiano, ela vai continuar pendurando quadro do mesmo jeito, etc. Então existem pessoas que pensam com grande virtude sobre coisas que não se traduzem na vida prática imediata, são pessoas de virtude dianoética. Então, caso você queira um exemplo, eu me apresento como exemplo. Não tenho virtude dianoética, não tenho. Por quê? Porque meu pensamento é um pensamento trivial. O máximo que eu consigo fazer é pegar isso aqui e temperar de um jeito que fique menos árido. Pros espíritos menos altaneiros. Menos, ah, eu, eu, ah, um exemplo, puxo aqui, viro ali e tal, coisa, não é lá. Agora, se eu não tenho virtude de anoética, pode acreditar você que me ouve, tenho muito menos ainda virtudes voltadas pra ação. É impressionante a falta de jeito. E se eu aposto no negócio, dá errado. É incrível. Como eu costumo dizer, se quiser falir o negócio, deixa na minha mão. Eu sou especialista de do milhão ao mil. Aliás, eu não paro no mil, eu vou no zero. Isso quando não deixo no negativo. Não administro contas domésticas, não administro nem pôr ordem no quarto, nada. Impressionante. E se porventura alguma coisa quebrar na minha mão, permanecerá quebrada. E se eu for me meter a consertar, pode acontecer duas coisas: ou permanecer quebrado, ou eu ainda me machucar tentando consertar. Eu imagino assim um liquidificador que começa aquela hélice voar e me cortar o dedo jogar fora. Isso pode acontecer, mas consertar o liquidificador, isso nunca aconteceu. Nunca, nunca. E se com 60 anos não aconteceu, eu suponho que nos meses restantes não virá acontecer. Razão pela qual nem virtuoso ético, nem virtuoso dianoético. Olha, veja você, se o cara falou que para ser feliz tem virtude ética e virtude dianoética, e eu eu não sou virtuoso nem no ético nem no dianoético, é perfeitamente compreensível que a felicidade me seja uma palavra, é uma noção, um conceito interessante, etc., mas que nunca tenha feito completamente parte da minha existência. Então, segundo Aristóteles, claro, segundo Aristóteles, mas não, eu não sei se eu vinculo tanto a felicidade à virtude quanto faz Aristóteles. Por quê? Porque já tive momentos de absoluta, não sei se é felicidade, mas momentos legais de viver, momentos legais de viver, e eu vivi sem virtude nenhuma, eu vivi simplesmente curtindo o que estava acontecendo ali, de vez em quando uma outra coisa de bom acontece, entendeu? Alguma coisa vai, né? Um milagre ou outro que respinga na vida e te pega de sopetão, entendeu? Ah, uma pamonha no interior de Goiás. Não precisa ser virtuoso para degustar a pamonha no interior de Goiás e ficar de boa com a porra da pamonha, que é sem virtude nenhuma. Não fui eu que fiz a pamonha, não refleti sobre a pamonha, nem ética, nem dianoética, nem porra nenhuma. Eu só degustei e tá Pessoa boa pra caramba, sem virtude nenhuma. Aí Aristóteles dirá: isso nada tem a ver com a felicidade. Tá bom então, então tá, né? Você é o Aristóteles, eu sou eu, e eu tô aqui ensinando você. Você jamais me ensinaria porra nenhuma, porque você, né, pela cronologia das coisas, você nem sabe que eu vim a existir. Agora eu acho você espetacular, do caralho, etc. e tal, mas Eu não sei se os poucos momentos bons da vida têm necessariamente a ver com essa coisa virtuosa do pensamento e papapá. Claro que para quem é um filósofo da tua envergadura é normal que você pense como você pensa, mas para quem é zé ruela, pé de chinelo, Como quase todo mundo, é melhor encontrar a felicidade na pamonha. Vai por mim, viu? Vai por mim. Esta foi a sua Inédita Pamonha de hoje, um oferecimento da Eastman Chemical do Brasil e da Insider. Bom, se você gostou, ouve de novo. Agora, se você gostou demais, aí chama tio Onofre, fala para ele largar um pouco a funerária e vir ouvir o nosso Inédita Pamonha, que ele vai adorar também. Tio Onofre, você sabe, É dono da maior funerária de uma cidade cujo nome me escapa. Eu não sou besta de falar, porque sempre tem alguém da porra da cidade que vai procurar Funerária Onofre, não vai achar, vai me encher o saco e não entendeu a ironia da coisa. Então fica sem a cidade mesmo. Beijo grande, valeu! Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros. Para mais informações sobre cursos, livros e palestras, acesse clovisdebarros.com.br e siga o professor nas redes sociais.
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