#PartiuPensar 219 - Aristotéles: Ética (PARTE 2)
Clóvis de Barros continua refletindo sobre as virtudes ao abordar a prudência, a coragem e outros aspectos da ética aristotélica.
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Edição & Sonorização: Murilo Lourenço @murilou
- A virtude da prudênciaPrudência como virtude master · Deliberação sobre o bem na concretude da vida · Aplicação da razão prática a situações específicas · Avaliação da singularidade da situação vivida · Elo entre o universal e o particular
- Ética AristotélicaConstituição do hábito · Aprendizado de direção · Ação com conhecimento e escolha deliberada · Constância e regularidade na prática · Educação das emoções e paixões
- Virtude e excelência moralCoragem (Andréia): Educação do medo · Temperança (Sophrosyne): Regulação dos apetites · Meio-termo inteligente definido pela prudência · Calibragem da virtude para situações concretas · Aristóteles e a busca pela vida boa
- Perguntas de ouvintesMurilo Oliveira: última vez que fez algo pela primeira vez · Educação de um fã sobre como pedir algo
Clóvis de Barros:Partiu, partiu pensar, partiu pensar por instantes de plenitude, potência e luz. Senhoras e senhores, estamos no ar. Esse é o nosso Esse é o nosso #PartiuPensar de toda terça-feira. Estamos atravessando a história do pensamento com o apoio decisivo da ADV Box. Toca-nos falar sobre Aristóteles, um dos gigantes do pensamento antigo, um dos gigantes do pensamento ocidental. Um dos grandes nomes da história do pensamento humano. E estamos dentro do pensamento de Aristóteles cuidando da sua ética. E falávamos que a ética de Aristóteles é uma ética da felicidade, uma ética do pleno desabrochar da própria natureza e uma ética da virtude, ou seja, de fazer bem aquilo que se faz. Ora, é preciso lembrar que nós concluímos o nosso último episódio dizendo que a virtude para Aristóteles é um hábito, e portanto tocava-nos agora abordar a questão do hábito de maneira mais profunda, mais adequada para nós. Isso nos diz respeito diretamente, pois Muito bem, como é que um hábito ele se constitui? Ora, um hábito se constitui ao longo de um processo em que no seu início ele ainda não é habitual, ou seja, assim como você quando aprendeu a dirigir não dirigia por hábito, você tinha que pensar em cada movimento em cada gesto, em cada pequeno detalhe daquele complicado procedimento para poder fazer o carro andar, pouco a pouco aquela prática foi se tornando uma segunda pele, ou seja, pouco a pouco você se viu dispensado de pensar a respeito, de trazer aquela prática para a consciência e de fazê-la no piloto automático, podendo pensar em outra coisa. Mas foi preciso, num primeiro momento, decidir aprender a dirigir, pensar a respeito, e depois de um certo tempo aquilo se tornou habitual. Portanto, o virtuoso, ele age com conhecimento, com conhecimento do que ele quer, do que ele pretende, de como ele deve agir a um procedimento que será objeto de avaliação consciente, né? Ele age com conhecimento do que ele está fazendo. Ponto número 2: isto resulta de uma escolha deliberada, ou seja, o nosso amigo virtuoso, ele quer, ele quer fazer bem o que ele faz, Ele conhece o que ele deve fazer para fazer bem o que ele faz e ele, portanto, decide ir atrás de ser virtuoso e decide ir atrás de fazer bem aquilo que ele faz. E aí, terceiro aspecto, com um espírito de constância, com um espírito de regularidade, com um espírito de frequência, ele repetirá protocolos conhecidos e aí sim ele alcançará níveis de habitualidade que no começo não existiam. Assim, quando você vai nadar, você aprende o movimento correto do braço embaixo da água e você observa esse movimento correto uma vez, duas vezes, dez vezes, vinte vezes, cem vezes, mil vezes, E você observa esse movimento correto até que esse movimento correto ele se torna habitual, de tal maneira que você não precisa pensar sobre ele em momento algum, depois que ele se torna habitual. Um atleta olímpico, ele sabe tudo que ele tem que fazer por hábito, de tal maneira que ali no momento da competição, obviamente, ele não tem que pensar na particularidade dos gestos que ele realiza, porque esses já se tornaram um hábito, de tal maneira que ele pensará em outras coisas, mas naquilo que ele está operando propriamente, aquilo já é habitual. Um jogador de futebol que realiza uma jogada repetidas vezes e é conhecido por aquela jogada, ele faz aquela jogada e obviamente Ele não precisa mais pensar exatamente em como ele tem que proceder para que aquela jogada tenha a sua eficácia. Portanto, existe aqui uma habitualidade, e essa habitualidade ela resulta de uma prática repetida, ok? Que fique claro, né? Essa virtude ela não exclui as nossas paixões, as nossas nossas emoções. Pelo contrário, ela compreende as nossas paixões e as nossas emoções. Mas no caso de virtudes morais, por exemplo, no caso de virtudes morais, o hábito virtuoso, ele terá por tarefa organizar, adestrar, circunscrever, mas não eliminar as emoções, e sim digamos, educá-las, né, educá-las para que possam interceder de um jeito que não comprometa a vida. Então, acho que isso é extremamente importante porque Aristóteles, ele não é um filósofo que despreze as emoções, ele apenas entende que a vida virtuosa implica uma educação dessas mesmas emoções, de tal maneira que você continua tendo sensações, só que você sente na medida certa, você sente no momento certo, você sente pelo motivo certo, você sente de modo correto, e aí a virtude, portanto, se torna uma forma inteligente do sentir, ok? Então existe aqui um trabalho de educação das emoções, né, que permite que você, ao longo de um processo, você inclua ou você incorpore as sensações numa vida virtuosa, numa vida de adequação excelente no mundo, ok? Muito bem, que fique claro, né, Aristóteles, ele vai destacar uma série de virtudes, uma série de virtudes, e evidentemente que uma dessas virtudes se destaca, que é a prudência. A prudência é a phrênesis, phrênesis, prudência. É uma espécie de virtude master, né? Sem a prudência, todas as demais virtudes, elas se erodem, elas se corrompem, né? Então, a prudência é a capacidade de você deliberar bem a respeito do que é bom na concretitude da vida, né? Ou seja, a prudência, ela é a habilidade que temos de aplicar a nossa razão prática a uma vida de carne e osso, cheia de situações específicas. A prudência é a capacidade de avaliar a especificidade da situação vivida e a adequação daquilo que é o nosso patrimônio de virtude a essa situação específica, né? Então, a prudência nos permite uma deliberação fina, né, daquilo que é conveniente num determinado cenário específico. A prudência, portanto, ela requer essa percepção da singularidade da situação vivida, né, é um ajuste dos princípios a uma realidade concreta. A prudência, portanto, é um elo entre o universal Aquilo que é bom em geral para o particular, ou seja, aquilo que deve presidir a vida numa situação concreta, aquilo que você vai fazer aqui e agora. Por isso, poderíamos dizer que nenhuma virtude moral é aplicável, ela é vivível, se ela não for acompanhada da virtude da prudência que frônezes, né, que permite essa aplicação concreta, né, de tudo na hora de viver a concretitude da vida, o cenário, as pessoas envolvidas, os motivos, etc., etc., etc., ok? Então aqui a frônezes é a aplicação última, é o lado prático propriamente dito. Das virtudes na hora de viver a vida nos seus múltiplos cenários. Olá, eu sou Clóvis de Barros e venho aqui propor a você nos apoiar a manter vivos os nossos conteúdos de filosofia na internet. 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Enquanto que o covarde é alguém que, mesmo tendo alguma chance de fazer justiça, ele se apequena, ele foge, ele se ausenta por conta do medo que o constrange. Então, a coragem é um meio termo e a prudência permitirá, a frônesis permitirá que a Andrea seja devidamente calibrada para situações concretas de existência. Então, a título de exemplo, se você é o Mike Tyson, do ponto de vista objetivo, poderá estender o meio termo da coragem um pouco mais para frente do que se você for um indivíduo franzino e despreparado para a luta. Perceba que a frênesis que vai dar essa calibragem fina, né, de como é que você vai viver a coragem no mundo concreto da vida, né? Uma segunda virtude que costuma ser destacada por Aristóteles é a temperança. Enquanto a coragem cuida do medo, a temperança cuida dos apetites, né? A coragem é a andreia em grego, a temperança é sofrosine. Olha a sofrosine, então temos a phrênesis, que é a prudência, andreia, que é a coragem, a temperança, que é a sofrosine. A Temperança é a regulação dos prazeres do corpo, né? Então, de uma certa maneira, estamos pensando em comida, em bebida, em sexo, em alucinógenos, em tudo que, digamos, o nosso corpo possa experimentar de prazer. E você tem, claro, um excesso, um excesso que pode destruir o seu corpo, uma intemperança que pode ser corruptiva do corpo e você pode ter uma falta absoluta de prazer, que não é o que Aristóteles quer, veja você. Aristóteles vai propor um meio termo temperante entre enfiar o pé na jaca e não ter prazer nenhum, entre a castidade absoluta e a desmesura e o excesso, você tem uma vida de prazeres moderados, que é uma vida temperante. Claro, a calibragem dessa temperança será feita pela, pela frônesis, pela prudência, né, que em cada caso concreto permitirá identificar, calibrar de maneira fina. Se você for um diabético, provavelmente numa doceira você deverá ter cuidados que outros não têm, não é? Se você for um indivíduo digamos, com problemas de estômago, provavelmente deverá se manter cauteloso e prudente quando os prazeres são os prazeres gastronômicos, não é? E se você tiver algum problema ligado à sua parte sexual, provavelmente terá que dar uma maneirada maior do que outros na questão do prazer orgasmático. Então, veja você que essa calibragem fina feita pela prudência, ela permitirá que você viva uma vida temperante, ou seja, não é uma vida sem prazer nenhum, porque uma vida sem prazer nenhum é muito ruim, mas também não é uma vida com o pé na jaca onde você destrua o seu corpo por conta de um excesso de prazeres momentâneos que te inviabilize tê-los amanhã. Ora, como você pode perceber, Aristóteles trabalhará sempre com uma virtude como meio-termo, mas é um meio-termo inteligente, é um meio-termo de sabedoria, é um meio-termo definido pela frônesis a partir de extremos que são viciados e indesejáveis. Ora, meus amigos, perceba que tudo o que está sendo dito é para que você possa ter uma vida boa. A ética aqui, Anicômaco, é um verdadeiro catálogo de aconselhamentos para uma vida boa, a partir de uma reflexão permanente sobre a vida, a partir da construção de uma habitualidade virtuosa, a partir de uma educação criteriosa das emoções e dos sentimentos, para que você não seja tomado por forças que você não consiga racionalmente controlar. Vamos responder as perguntas dos nossos ouvintes. A pergunta É de Murilo Oliveira, uma pergunta interessantíssima: qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? Bem, a última vez que eu fiz algo pela primeira vez foi hoje de manhã, quando chegando aqui para gravar esse episódio fui abordado por uma pessoa que me pediu uma foto. O problema é que essa pessoa que me pediu uma foto, ela não o fez da maneira mais, digamos, cordial, educada ou respeitosa. Ainda assim, eu tirei a foto, mas pela primeira vez eu disse a um fã que quando ele viesse pedir alguma coisa, havia certas fórmulas, como por exemplo, por favor, "Será que o senhor poderia?" E não algo do tipo "você tem que" ou "você precisa fazer isso", porque não é verdade, eu não tenho que nada. Mas pela primeira vez eu resolvi usar o estatuto de educador para educar um fã a ser mais agradável na hora de abordar pedindo alguma coisa. Foi hoje de manhã. Há umas 3 horas, mais ou menos. Te respondi, Murilo? Valeu pela pergunta, obrigado, até a próxima. Bem, meus amigos, nós somos patrocinados pela ADV Box, e a ADV Box está aí para nos ajudar, a vocês que são advogados, a organizar sua vida, organizar seu escritório, organizar sua vida profissional. E também a usar o que há de mais recente em termos de técnica para que você não fique para trás e que você possa usar a técnica a seu serviço e com isso ter mais tempo para desenvolver as grandes causas que só você pode levar adiante. Então não esqueça, na hora de organizar sua vida, a DV Box poderá ser muito contributiva. Não é por acaso que a cada mês São dezenas de escritórios que se juntam a essa grande família ADV Box Jurídica do Brasil. Valeu! Espero que você tenha gostado demais desse episódio. Se você gostou, por favor, ouça, assista novamente. Agora, se você gostou muito, aí você dará de presente esse episódio para alguém que você considere apto a degustá-lo. Um beijo grande, Fica bem, continuaremos com Aristóteles no nosso próximo episódio. Tamo juntos, valeu! Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética. A assessoria oficial do Clóvis de Barros. Para mais informações sobre cursos, livros e palestras, acesse clovisdebarros.com.br. E siga o professor nas redes sociais.
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