Episódios de Podcasts do Clóvis

#PartiuPensar 207 - Platão e a Educação

17 de março de 202628min
0:00 / 28:39

Clóvis de Barros fala sobre como Platão entendia a busca pelo conhecimento e a vida social de qualidade.

Assista o episódio em vídeo no nosso canal no Youtube!

https://youtu.be/AB1bUunp7cc

Patrocínio: ADVBOX

Torne-se apoiador: https://apoia.se/ineditapamonha

Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros. Para mais informações acesse: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://clovisdebarros.com.br/⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Edição & Sonorização: Murilo Lourenço @murilou

Assuntos12
  • O Papel da Fé e EspiritualidadePaideia como formação da alma · Educação integral vs transmissão de conhecimento · Desenvolvimento do pensamento autônomo · Formação ética e política
  • Desconfiança no STFRealidade sensível como sombras · Ilusão dos sentidos · Mundo inteligível vs mundo sensível · Caverna de Platão
  • Desenvolvimento CulturalDor e dificuldade da educação · Reorientação da alma · Rompimento com familiaridade · Sacrifício necessário
  • Busca de conhecimento e desenvolvimentoConhecimento verdadeiro · Essência e ideias das coisas · Mundo das ideias · Investigação interna
  • Filosofia e PensamentoParte racional · Parte irascível · Parte apetitosa · Comando da razão sobre a alma · Virtudes da alma
  • Educação em Política e CidadaniaCidade forte requer povo educado · Vida individual vs contexto social · Justiça política · Sociedade adequada para a boa vida
  • Componentes da PaideiaMatemática e desenvolvimento racional · Música e poesia para afetividade · Ginástica e saúde corporal · Diálogo filosófico
  • Crítica a instituições e sistemasOpiniões vigentes e consenso falso · Pensamento gregário · Indiscutibilidade das opiniões populares · Desconfiança da maioria
  • Autonomia PessoalPensamento por conta própria · Recusa de subvenção a pensamentos consagrados · Método socrático · Orientação do educador vs oferta de respostas
  • Acrasia (Descontrole da Vontade)Falta de autocontrole · Conhecimento sem ação · Temperança · Moderação dos apetites
  • Filosofia de PlataoRepública · Diálogos de juventude · Diálogos de maturidade · Diálogos de velhice · Sócrates como personagem
  • Academia e geometriaEducação · Academia e geometria · Natureza dos Pensamentos · Retorno ao Mundo Inteligível
Transcrição53 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Partiu. Partiu. Pensar. Partiu. Pensar. Por instantes de plenitude, potência e luz. Senhores, estamos no ar. Terça-feira. Dia de pensarmos juntos. Dia de revisitarmos a história do pensamento. Dia de darmos voz à ADV Box, que tanto nos ajuda no nosso trabalho. A estrela da vez é Platão. E essa é uma estrela de envergadura máxima.

até haver tão grande quanto Platão, maior não há. E Platão fala sobre tudo e hoje nós escolhemos enfocar aquilo que Platão costuma considerar como educação. O termo em grego é paideia, paideia, educação. Há um bom número de tratados sobre a educação em Platão,

e alguns bem robustos, viu? Se você tiver curiosidade, fuça aí na internet, nos Kindles e tal, e você vai se deparar com literatura robusta. É claro que quando você pensa em paideia e em educação, você já imagina, né? O menino indo para a escola, estudando história do Brasil, história geral, geografia, química, etc.

Tem a ver, claro, tem a ver. Mas a educação não é esse primeiro contato com o conhecimento. A educação definitivamente não é ter condições de acessar na mente conhecimentos produzidos por outros, que é mais ou menos o que acontece, o que se espera que aconteça. A educação em Platão é uma formação da alma, é uma formação da alma na sua integralidade.

E você se lembra, a alma, ela pensa, e pensar por conta própria vai muito além de saber o que os outros disseram. Mas a alma também sente, e há uma educação emocional da alma. A alma também se indigna, a alma tem virtudes, a alma tem coragem, a alma busca prazeres.

Na verdade, é muito mais do que você começar a literatura portuguesa com Paios Soares de Taverós, ou você saber que cateto oposto sobre a hipotenusa é o não sei o que, cateto adjacente sobre a hipotenusa não sei o que lá, e que se você dispuser do valor de ângulo, a trigonometria é o que vai poder te ajudar a descobrir a extensão dos segmentos,

e que os afluentes do Rio Amazonas são esses ou aqueles. Nós estamos falando de uma formação da alma. Formação da alma. Aprender a pensar, aprender a sentir. E, naturalmente, é um pouco mais complexo do que simplesmente saber qual é a função das mitocôndrias, por exemplo. É claro que há algumas preocupações de princípio, típicas do platonismo,

E a primeira delas é desconfiar das aparências. Aprender a desconfiar do que você vê. Aprender a desconfiar das impressões sensoriais. Aprender a desconfiar daquilo que o mundo te oferece através dos sentidos.

Então é preciso entender que aquilo que vemos com os sentidos é uma realidade rebaixada, são sombras, são apenas sombras e que o filé mignon da coisa está totalmente longe daí. Essa é a primeira coisa. Um segundo problema é o problema do que hoje nós chamaríamos de senso comum, mas é o problema das opiniões vigentes, sabe? O problema das opiniões vigentes.

se deu conta, mas você sai por aí, pelas ruas da cidade, pelos lugares, pelos botecos, e eventualmente as pessoas estão aí falando de temas em comum, uma agenda pública compartilhada, e aí é incrível como você vê repetidos argumentos sendo ditos em tom peritório, num patamar de indiscutibilidade feroz,

E aí, claro, Platão manda desconfiar dessas opiniões de butiquim. Desconfiar mesmo. Por quê? Porque não é porque muita gente fala a mesma coisa que isso é relevante. Não é porque muita gente acha que é um bom argumento que é um bom argumento. Aliás, o que Platão achava mesmo é que o fato de muita gente achar que é um bom argumento

significar de per si que é um mau argumento. Por quê? Porque de uma maneira geral, a galera pensa mal. Galera pensa mal. Então, qual é a ideia? A educação deve direcionar você para a verdade, eu diria, virando as costas mesmo, né? Tanto para o mundo sensível, como virando as costas para o senso comum e as opiniões de Alpendre.

É preciso ir atrás da verdade, é preciso ir atrás do conhecimento verdadeiro, é preciso ir atrás daquilo que se chamava de episteme. Episteme. E isso pressupõe encontrar o eidos das coisas, a ideia das coisas, a essência das coisas. E tudo isso você encontrará não é olhando para o mundo, mas é vasculhando na própria alma. Na própria alma.

Eu acho muito legal essas pessoas que a vida inteira me disseram, ah, você parece desconectado com o mundo. Você sabe que se eu tivesse nascido tempos depois, eu certamente teria sido enquadrado em tempos de escola com algum tipo de patologia de isolamento.

conectado das coisas do mundo. E isso era altamente depreciativo para mim. Eu vinha acompanhado sempre, era apresentado com alcunhas de lunático. Por quê? Porque eu não tinha a mesma agilidade de captura do mundo sensível que tinham meus colegas. Continuo não tendo.

Eu demoro muito para perceber que alguma coisa aconteceu, etc. Então, quer dizer, eu não estou propriamente antenado com as coisas do mundo, que é uma expressão que costuma conferir muito valor. Uma pessoa rápida, ligeira e antenada com as coisas do mundo é uma pessoa ótima. Já um sujeito desantenado e lento para perceber as coisas do mundo é um indivíduo, digamos, negativo, etc.

bem abastecido. Ora, o que nós estamos tentando dizer aqui é que a educação de Platão é no sentido de remeter você para uma relativização do mundo percebido e a busca de um outro mundo, que tem a ver com o mundo sensível, mas tem a ver de maneira muito sutil. O mundo sensível apenas participa do mundo das ideias,

dá indício do mundo das ideias. Mas ele não é o que importa saber. Portanto, o que importa mais saber, você encontra dentro de você. E, portanto, para isso, você pode ficar até debaixo do edredom. Até debaixo do edredom. Quando as pessoas dizem, você tem que sair para o mundo, tem que conhecer gente, tem que conhecer,

as capitais, tem que viajar, tem que mostrar, tem que sassaricar, tem que pererecar, tem que não sei o que, tem que não sei o que lá. Veja que tudo isso que é quase que indiscutivelmente muito legal, aqui tem valor relativo, porque o mais relevante você descobre pensando com você mesmo.

mais formadora do vivente do que propriamente aportadora de um certo número, uma espécie de pacote de conhecimentos para prestar algum exame. Então, nesse sentido, ela tem um papel ético e político, além de metafísico, relevante. A educação tem a pretensão de formar e transformar o modo de ser do homem,

que permitirá uma existência no mundo mais consequente e menos habilolada. Então, nesse sentido, acho que você está me acompanhando, nós estamos falando a respeito de alguma coisa muito legal. No mito da caverna, que a gente não deve nunca esquecer, os prisioneiros estão ali acorrentados e eles confundem as sombras com a realidade. O que Platão vai ensinar é que a libertação,

dessa prática é dolorosa, é difícil, é custosa, mas que ela é fundamental. Portanto, o trabalho educativo é um trabalho difícil, é um trabalho custoso, é um trabalho de redirecionamento. E, portanto, assim, sabe? Eu me lembro, quando eu treinava natação, o que me diziam é o seguinte, se não cansou, o treino não adiantou nada. Então, é mais ou menos assim.

que acontece com a educação. Se não tiver havido algum sacrifício, provavelmente o processo educativo terá sido inócuo. Por quê? Porque para ele ser bem sucedido, para a educação alcançar aquilo que ela pretende, ela precisa redirecionar. E isso não é fácil. Isso é doloroso. Isso é difícil. Estou insistindo. O processo educativo platônico é um processo custoso.

É um processo cheio de dor.

ajudar demais a honrar os nossos compromissos, pagar nossos editores, as nossas plataformas e manter nosso conteúdo vivo, para que ele continue impactando as pessoas como tem feito. O processo educativo ensina Platão, né? Eu tô aqui com o texto aqui da República que eu tô agora comentando, quer dizer, o que que indica Platão nessa história? Que as sombras te são familiares,

Elas são confortáveis, sabe? E também é confortável o fato de todo mundo estar olhando para as mesmas sombras. Então, é um duplo conforto. Eu tenho familiaridade com as coisas do mundo e as outras pessoas também. Então, aí é mamão com açúcar. Está todo mundo de boa, tranquilo, entendeu? É ótimo. Aí, pô, o que é a educação?

que te dava tranquilidade, segurança, obviedades, evidências, etc. Não se trata, portanto, de ficar entuchando saberes e conhecimentos na alma, mas reorientá-la. E reorientá-la para um sentido que é bem diferente desse. É o sentido de pensar por conta própria. A educação busca muito mais dar autonomia de pensamento do que submissão.

a pensamentos consagrados. O educador, portanto, o que ele faz? Ele oferece de bandeja o eidos. Olha aí, eidos 1, aqui, eidos de justiça, ou se você previ, essência da justiça, definição de justiça, aqui, anota e decora. Então, anota e decora, tira foto aí do PowerPoint com o celular e depois você leva para casa e lê.

Ei dos três, o que é a beleza? Ali! Não, o educador não deve fazer isso, como Sócrates não fazia isso. O educador deve apenas orientar. Olha, você deve ir por esse caminho, vai. Ele ainda empurra-se, vai. O educador, ele faz um pedaço do esforço, que é o esforço de mostrar que o que era, assim, uma espécie de

Obviedade antes está longe de ser uma solução exclusiva da vida, mas mais do que isso, não é a boa vida. A boa vida não é dentro da caverna com sombras familiares junto de pessoas que você conhece desde sempre. As pessoas se reúnem sempre as mesmas para repetir as mesmas bobagens e as mesmas histórias sobre mundos que elas viveram conjuntamente.

é a caverna, é elixir de caverna. Então, o que o educador deve fazer é tirar dali e dizer, olha, vai andando e lá na frente você vai encontrar o que eu estou te dizendo que é melhor do que isso aqui. E aí, o que acontece? Isso te permitirá algum tipo de aproximação da virtude. É muito importante moldar o caráter do educando e moldar o caráter

do educando implica a competência de ter uma ideia das virtudes que constituem esse caráter. Já dissemos aqui em episódios anteriores, mas eu me repito porque eu não tenho... A única pessoa que poderia aqui levantar a mão para me perguntar o que eu estou fazendo é o maluco aqui da ADV Box que me proporciona isso tudo. Mas ele não vai fazer isso. Então eu vou repetir.

A humana tem aquela parte que ajuda a pensar, que proporciona o pensamento, que eu vou chamar de parte racional da alma. Aquela parte que te dá coragem para enfrentar o mundo, que eu vou chamar de parte irascível da alma, só para dizer qual é a nomenclatura oficial, chapa branca. E aquela parte desejante, apetitosa, aquela parte que adora um doce de leite,

com queijo mineiro, né? E é a parte concupiscente da alma. Então, claro, a educação trabalha com os três. Portanto, ela ensina a pensar, ensina a sentir, ensina a desejar, mas ela o fará sob o comando da razão. Por exemplo, ela ensinará a razão a comandar. Então, você sentirá comandado pela razão, desejará comandado pela razão,

será o comandante de si, senhor de si. É quando a alma é regida pela sua parte superior, que é a sua parte racional. Ou seja, isso faz com que você, na perspectiva de Platão, quando está tudo indo bem, quando a educação é bem sucedida, você não faz as coisas que sabe que não são boas. Porque

Você é comandado pela razão. Sabe aquela coisa de você saber que não pode comer aquilo, mas come assim mesmo? Sabe aquela coisa também que você não pode ir para um copulódromo com a esposa do melhor amigo? Mas vai, mas vai, mas vai. Você não tem controle sobre a própria vontade. Não tem controle sobre a própria vontade. Isso se chama acrasia. Descontrole em relação à própria vontade. Não pode, não.

Então, quando a razão governa, a alma sustenta suas decisões com coragem e os desejos são moderados pela temperança. Ah, não é para desejar nada? De jeito nenhum, porque aqui é tudo... Claro que tem que desejar. O desejo é motivador, o desejo te move, mas a temperança o que é? É você não descarrilhar. Sabe aquela coisa mesmo de dar um golinho aí?

Depois da quinta caneca, você já descarrilhou. Então a temperança é essa moderação dos apetites. Então, claro, a educação permite a ordenação da alma e ela tem como consequência não só um tipo de vida arrasoado, como uma presença do indivíduo na cidade adequada, consciente das suas possibilidades.

consciente do tipo de alma que é o seu, consciente de qual é a sua praia, para poder ocupar o seu lugar devido, o seu lugar devido no universo. E essa educação é constituída como? Porque se eu tenho que ensinar a desejar, eu tenho que ensinar a sentir, então não é só a equação do segundo grau. Então eu vou aprender a matemática, claro, a matemática vai desenvolver a razão, não há dúvida, mas eu também vou

ter na educação música e até poesia. Por quê? Porque elas servirão para moldar a dimensão afetiva da vida. E por isso elas devem ser criteriosamente escolhidas. Também faz parte da paideia aginástica. E por quê? Porque é muito ruim para a alma quando o corpo atrapalha. Eu que o diga. Eu passo metade da minha vida constatando dores.

alma na busca da verdade. Então é melhor você ter um corpo que não seja perturbador da alma. A matemática educa o espírito para o pensamento mais abstrato. E, portanto, ao educar o espírito para o pensamento mais abstrato, educa o espírito para as incursões no mundo inteligível, no mundo das ideias, que é um mundo abstrato.

aqui não entra quem não sabe geometria. E finalmente, claro, método dialógico, a educação permite a busca da investigação filosófica com competência. Ora, meus amigos, não cabe a menor dúvida que nós só teremos uma cidade forte se tivermos gente educada. Eu vou repetir porque não é possível que você não esteja percebendo a atualidade do problema.

Onde as pessoas são chucras, ruins de pensamento, mal formadas. São pessoas, assim, movidas pelo baixo ventre. São pessoas regidas por uma, eu diria, um hábito existencial de busca de satisfação, de prazeres, através da concupiscência, através dos estimulantes corporais, através do prazer fácil.

e fugaz através... Se você tem uma sociedade onde a elevação espiritual é desprezada e onde os professores que poderiam promovê-la são agredidos, se você vive numa sociedade como essa, onde está tudo fora de lugar, é muito difícil que a sua vida seja boa. Não sei se está entendendo. A perspectiva platônica é essa. Não tem como você avaliar a vida se você não inseri-la num cenário,

amplo, social e político. Não tem muito essa história. Eu te dou um exemplo, né? Por exemplo, o cara pega e fala a sociedade onde eu vivo tá cheia de problemas, mas eu tô lá ganhando minha grana e tal, e me divertindo e frequentando bons restaurantes, então a vida tá ótima. Agora, claro, o resto é muito ruim. Olha, essa cisão, essa ruptura entre uma cidade ruim e uma

vida individual pungente, boa, essa ruptura é estranhíssima num cenário como a filosofia platônica. A vida só poderá de fato valer a pena se ela for vivida num cenário político justo. Porque senão é muito estranho, cara. Você mora num lugar onde tem gente que arranca nota de dólar pela orelha e tem gente pedindo comida. Aí,

É esquisito. Você começa a aprender a ter que fechar o olho. Você evita passar pelos lugares de maior pobreza. Você vai, de certa maneira, se habituando a construir um cenário fictício para poder não ver o que significa uma sociedade injusta. Uma sociedade falida. Uma sociedade fracassada que deveria levar de roldão qualquer pessoa com alguma lucidez para uma grande tristeza.

responder as perguntas dos nossos ouvintes. Pergunta do Riquelme. Professor, qual artista atual você acredita que convenceria Platão de que ele estava errado sobre os artistas? Nossa, essa pergunta é uma pergunta muito legal, viu? É uma pergunta muito, muito boa. E eu, eu te diria que daquilo que me vem à mente, daquilo que me vem à mente, eu acho que as letras de

são o que poderia ter mais chance de propor a Platão algum diálogo. Sei lá até que ponto. Pergunta da Luana. Até que ponto Platão utilizou a figura de Sócrates como porta-voz ou uma máscara para falar suas próprias ideias, evitando o compromisso direto e a perseguição política? Muita gente diz até que Sócrates nem existiu, mas aí é o seguinte, muita gente falou dele, então precisaria ter combinado com os russos,

quando falar de uma pessoa que não existiu. Então, não sei, talvez tenha existido. Talvez Platão, num primeiro momento, ele tenha, que são os seus diálogos de juventude, ele tenha um pouco reproduzido o que ele aprendeu com Sócrates. É o que o pessoal acha. Então, a influência de Sócrates é muito grande. E nos diálogos de maturidade e nos diálogos de velhice, aí Platão apresenta mais, digamos, o seu próprio pensamento. Isso é o que os grandes especialistas,

afirmam sobre a produção de Platão. Diálogos de maturidade, diálogos de velhice. Eu gosto muito de quando os italianos chamam a velhice do jeito deles, que é vechiaia, vechiaia. Ela vechiaia é bruta, vechiaia. Diálogos de velhice. E eu acho que é possível que, de fato, num primeiro momento, Platão jovem tenha sido muito influenciado pelo seu mestre,

autonomia. Então, num primeiro momento, o Sócrates é o Sócrates mesmo. E depois, nos diálogos de maturidade, o Sócrates pode ser mesmo uma personagem de Platão colocada ali para dizer o que Platão achava certo. Era isso por hoje. Eu espero que você tenha gostado. Se você gostou, ouvir de novo. Se você gostou muito, aí você convida alguém que você ama para ouvir também. A ADV Box nos abençoa. A ADV Box nos patrocina. A ADV Box nos motiva. E nós continuaremos aqui. Eu e você. E Platão.

Continuará em pauta. Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros. Para mais informações sobre cursos, livros e palestras, acesse clóvisdebarros.com.br e siga o professor nas redes sociais.

#PartiuPensar 207 - Platão e a Educação | Castnews Index — Castnews Index