Inédita Pamonha 307 - Pérola de Grande Valor
Clóvis de Barros fala sobre a relação entre o valor do reino de Deus e o comerciante de pérolas.
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Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros.
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- O Papel da Fé e EspiritualidadeInterpretação do texto bíblico · Significado espiritual da pérola · Reino dos céus como realidade presente · Comparação com a parábola do tesouro escondido · Sacrifício e renúncia de bens materiais
- Valor Absoluto e ReferênciaPérola como referência absoluta de valor · Alteração de critérios de avaliação · Inversão de hierarquias de valores · Comparação relativa a partir da pérola suprema · Incomensurabilidade do bem supremo
- Renúncia e Troca de ValoresVenda de todos os bens · Sem dúvida ou hesitação · Não é desprezo pelas coisas mundanas · Recalibração de prioridades existenciais · Custo pessoal da escolha
- Negociacao Chapa HaddadExpertise em avaliação de valor · Busca ativa versus encontro acidental · Discernimento e hierarquização · Continuidade e perseverança na busca · Conhecimento prático das coisas do mundo
- Bet EducarUso de parábolas e alegorias · Comparação versus definição conceitual · Acessibilidade a públicos com menos recursos intelectivos · Simplicidade versus complexidade · Exemplos do cotidiano
- Filosofia Grega e NegócioConceito de scholé versus negócio · Tempo para filosofar versus tempo para comerciar · Elevação do espírito · Distinção entre ócio contemplativo e trabalho
Começa agora Inédita Pamonha. Por instantes felizes, virginais e irrepetíveis. Senhoras e senhores, estamos no ar. Este é o meu, seu, nosso Inédita Pamonha. Um oferecimento da Eastman Chemical do Brasil e da Insider. A roupa que te deixa lindo.
Você, quem for. E como você sabe, nós estamos falando do pensamento de Jesus. E nós estamos tratando do quê? Nós estamos tratando das suas parábolas. E olha nós de novo, não é? No evangelho de Mateus. Ou de São Mateus, como querem alguns. Para tratar de uma nova parábola. Que é a parábola da pérola de grande valor.
no texto bíblico por meio de apenas duas frases, mas duas frases de grande concentração de significado, com um enorme peso filosófico que tanto nos interessa. Então, vamos abrir aspas e ver o que Jesus disse, ok? Na nossa tradução da Bíblia em português, ok?
Venha comigo, eu abro aspas. O reino dos céus é semelhante a um negociante que busca boas pérolas. Ponto e vírgula. E encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a. Fecho aspas. Poxa vida, você deve imaginar que nessas duas frases,
e o ponto e vírgula que separam essas duas frases, nós temos aí mais um ensinamento de Jesus sobre a existência humana, tentando nos ajudar a entender o reino dos céus e tentando nos ajudar a entender esse reino dos céus como por intermédio, de novo, de uma alegoria, de uma parábola, de uma situação corriqueira e nós vamos aceitar esse presente,
E nós vamos tentar tirar desse presente o máximo de benefício possível. Ok? Então, se você imaginar, existe aqui uma primeira observação importantíssima. É que a parábola começa de novo com o reino dos céus. E embora esta parábola, essa expressão indique para os céus,
a tudo o que está acima de nós quando olhamos para cima e, portanto, ocupando lugares diferentes dos lugares que nós ocupamos, o reino dos céus a que se refere Jesus não é um lugar diferente do nosso.
Estamos repetindo, não se trata de um lugar nem de um tempo futuro, mas estamos falando de uma forma de realidade diferente. Você imediatamente deve estar pensando na semelhança dessa parábola da pérola com a parábola do tesouro que analisamos nos dois últimos episódios.
semelhança seja grande, ela apresenta a parábola da pérola importantíssima diferença em relação à parábola do tesouro escondido. E por quê? Para que isso fique mais claro, nós devemos ser fiéis ao texto. O reino dos céus é semelhante a um negociante. Nós já acabamos de dizer que embora os céus sejam um lugar fora daqui,
falando em um cenário coincidente com o nosso. Os céus não é um lugar outro, não é um lugar diferente e também não indica uma existência posterior à nossa, num outro tempo, num outro momento. Não. O reino dos céus, portanto, é aqui. Ele é aqui, que ele é semelhante a um negociante.
O que você vê são estrelas, o azul do céu, nuvens. Mas negociante, vamos combinar, é coisa nossa. Negociante é coisa daqui mesmo. Portanto, ele é contemporâneo todos nós. Na época de Jesus, já havia negociante, senão ele não teria recorrido a essa alegoria. E hoje há negociante.
Algo que coincide conosco. Isso significa que talvez já poderíamos estar no reino dos céus, mas esse não era o caso na época de Jesus. E, aliás, não parece ser o caso até hoje. O reino dos céus é uma realidade possível para a nossa existência. Ele é contemporâneo e conterrâneo conosco. É um modo de realidade, talvez outro, talvez diferente.
talvez muito diferente desse mesmo tempo e desse mesmo lugar em que nos encontramos. No caso da parábola, da pérola, o reino dos céus começa a ser definido por semelhança. Ele parece com um negociante. Veja que não é uma definição conceitual. Jesus está fazendo o papel de didata. Ele está querendo explicar.
Na época dele e hoje. Então Jesus vai usar um exemplo, ele vai usar uma alegoria, vai contar uma história. Então ele vai dizer, escuta, isso é parecido com, é para te ajudar a entender. Jesus tem uma preocupação de rigor lógico? Não tem. E por que não tem? Porque ele está dando, digamos, uma chance a quem tem menos recursos intelectivos,
para entender o que ele quer explicar. Então ele está comparando com alguma coisa que todo mundo sabe o que é. Jesus, portanto, eu insisto, claramente não pretendeu e nunca pretendeu oferecer uma definição conceitual do reino dos céus ao compará-lo com o tesouro perdido ou com a pérola de maior valor. Então o reino dos céus é apresentado como o semelhante ao negociante que busca boas coisas.
E essa analogia é estabelecida entre o reino dos céus e uma pessoa. Mas não é qualquer pessoa, não. É o negociante. Lembra que na filosofia dos gregos, negócio era nek osium, não ócio. E o ócio era tempo para filosofar, tempo para pensar, tempo para elevar o espírito.
O negociante é aquele que não vive no ócio. Portanto, não reflete em grandes abstrações. Não eleva o seu espírito para muito longe. Não, certo? Essa é um pouco a ideia que precisava ser dita aqui. Ora, o reino dos céus é semelhante a um tipo particular de humano,
é aquele cujo ofício é o ofício do comércio. É aquele que compra barato e vende mais caro. E vive da diferença entre o valor pago e o valor recebido. Esse é que parece com o reino do céu. Quando você pensa na essência da atividade comercial, você já imagina que alguém que compra, rebaixa o preço para comprar
o preço para vender. Sem isso, ele não sobreviveria. Sem isso, não haveria negócio. Quem vendeu para o comerciante, vendeu na baixa. Quem comprou do comerciante, comprou na alta. E aí, no caso hipotético de se tratar da mesma pessoa que se arrependeu de ter vendido e resolveu comprar de novo, pagará o preço da sua hesitação.
valor muito maior do que aquele que recebera quando da venda. Olá, eu sou Clóvis de Barros e venho aqui propor a você nos apoiar a manter vivos os nossos conteúdos de filosofia na internet. Para você participar com uma singela colaboração, você deve entrar em apoia.se barra inédita pamonha. Repetindo, apoia.se.
barra inédita pamonha. Você pode nos ajudar demais a honrar os nossos compromissos, pagar nossos editores, as nossas plataformas e manter nosso conteúdo vivo para que ele continue impactando as pessoas como tem feito. O Céus é um comerciante, parece com um comerciante, mas provavelmente Jesus não está se referindo a esse aspecto da atividade comercial. Na verdade,
Jesus usa o termo negociante para indicar alguém que tem uma extraordinária noção de valor das coisas do mundo. Quando um indivíduo é dono de um antiquário e compra coisas antigas para revendê-las, ele observa, ele analisa, ele avalia o quanto ele poderá ganhar naquela operação negocial que ele vai realizar.
mundo, agora quem deu esse exemplo foi Jesus, ele poderia ter assemelhado o reino dos céus a um professor, a um padre, a um rabino, a um esportista, mas não, ele assemelhou a um negociante, porque negociante é aquele que passa a vida treinando, atribuir valor às coisas comezinhas do mundo, e esse negociante busca, está escrito lá, o verbo buscar não coincide com um encontro acidental,
como foi o caso do tesouro da parábola anterior. O verbo buscar indica iniciativa, indica proatividade. E esse buscar, que eu repito, descaracteriza o acidente, esse buscar também indica uma certa continuidade na ação. E, portanto, requer uma certa perseverança na ação.
Enquanto não se encontra. Repito, não se trata de um encontro fortuito. A pérola foi buscada. Então o reino do céu é parecido com um negociante que busca. Mas ele busca o quê? É claro que um negociante busca coisas de valor. É claro que um negociante busca boas pérolas. Então ele encontrará pérola nota 9, pérola nota 8, pérolas reais, pérolas valiosas, pérolas menos valiosas.
Ele sabe distinguir o valor de cada uma. E é exatamente por isso que ele também sabe estabelecer uma hierarquia entre as pérolas. Uma hierarquia que é resultante de uma atribuição de valor que ele, negociante, sabe fazer como ninguém. Mas aí vem o momento ápice da parábola, que é o momento em que o negociante encontra. Encontra o quê? Ora, o que estava buscando.
que não é a pérola 9,5. Ela não é simplesmente superior às demais. Ela é, claro, superior às demais, mas ela é mais do que isso. Ela agora é uma pérola de referência. De tal maneira que aquela pérola, sendo referência, determinará que todas as outras passem a ter um novo valor
Portanto, altera-se completamente o critério de avaliação das pérolas de maior e menor valor, em função do quê? Em função da pérola de valor referência, da pérola de valor absoluto, da pérola cujo valor é indiscutível, da pérola cujo valor qualquer negociante habilitado saberia identificar. Então, a partir daí, a parábola fica muito clara.
Eu volto ao texto de Mateus, então, ele foi, vendeu tudo e comprou-a. Revelando então que não houve, eu repito, nenhum tipo de dúvida, nenhum tipo de hesitação. Ora, não se trata de desprezo pelas coisas vendidas, não se trata de desprezo pelo mundo que encontramos, não se trata de desprezo pelas coisas que comumente compõem o nosso mundo.
Não é desprezo pelo comezinho. Não é desprezo pelo cotidiano. Não é desprezo pelo mundo das coisas. É simplesmente a constatação de que aquela pérola é a referência. E é a referência para todo o resto. O reino dos céus é como um negociante que busca uma referência para todo o resto. Em relação àquilo, todas as outras coisas não são desprezíveis.
muito próximas e, portanto, valem muito. Elas são mais distantes e, portanto, valem menos. Elas não têm nada a ver e, portanto, valem muito pouco. Tudo mais valerá em função da maior ou menor distância de valor que tiver em relação à pérola de maior valor. E aí, o nosso negociante vende tudo para ter aquela pérola. Você poderia supor um custo enorme. Você poderia supor uma troca indigesta.
loja, ele tem toda a sua vida de sacrifício, de esforço, de trabalho. Seria o reino dos céus jogar a vida no lixo? Não, não, apenas uma mudança de valor. Por quê? Porque o valor da pérola de maior valor é tão alto que vale mais do que a somatória de todas as outras coisas amealhadas ao longo da vida. Ou se você preferir, o valor do reino dos céus
É tão precioso que vale mais do que todo o resto que você perseguiu ao longo da vida. Entendeu a comparação? Eu vou explicar aqui pra você, preto no branco. Durante muito tempo eu fiz ensino médio pra entrar na faculdade de direito da USP. Entrei na faculdade da USP, me formei. Aí eu queria ser professor universitário, então eu fiz mestrado.
eu fiz doutorado, eu mudei pra França, eu obtive o doutorado. Aí eu comecei a dar aula nos lugares, eu queria dar aula na universidade pública, aí é um valor e tal, aí eu fiz de tudo, até consegui ser professor na universidade pública e tal. Aí depois eu queria ser palestrante e tal, isso não é verdade, eu nunca tinha pensado nisso, mas que seja, aí eu fiz e fiz e fiz, hoje tem uma palestra por dia pra dar e tal e coisa,
São as pérolas do comezinho, são as pérolas que o negociante... Mas o negociante aqui está procurando a pérola. E aí, a hora que ele encontrar a pérola do reino dos céus, vale mais do que o ensino médio, a graduação, o mestrado, o doutorado, o concurso público, a consagração, a badalação,
simbólicas. Ah, tudo, vale tudo. Então, eu pego e troco tudo por aquilo que é a pérola de maior valor. Sacou agora? Vale mais do que a somatória de tudo que na vida não é essa referência. Se você preferir, você pode dizer, abre mão do carro, da casa, das joias, abre mão de tudo, em nome do quê? Daquilo que é super, super, hiper especial. Ah, mas e se eu não for o negociante
encontra a pérola de maior valor, então o reino dos céus passará longe da sua vida. Percebeu o que eu quis explicar? Tem uma outra diferença interessante. A primeira diferença é que na parábola da pérola que estamos analisando, o cara é um negociante experimentado e no tesouro perdido era um agricultor qualquer um. Agora, a segunda diferença, ela é ainda mais incrível. E por quê?
o tesouro, o tesouro é uma realidade de valor incerto na parábola do agricultor que o encontra. Ele apenas tem a intuição de que aquilo vale muito, mas ele não sabe o quanto. A pérola de maior valor, ela é buscada, não encontrada, ela é buscada pelo negociante, por quê? Porque o negociante sabe muito bem o que está buscando. Você já tinha
pensado na possibilidade de comparar o paraíso, o reino dos céus, lá onde mora Deus, com todo o imaginário maravilhoso que as religiões atribuem com seus detalhes, seus rios de leite, suas virgens loiras, suas uvas, seu mel, sentar-se à direita de Deus Pai. Você já tinha pensado que Jesus pudesse ter comparado
ou assemelhado o reino dos céus a um negociante. A pamonha sempre com oferecimento generoso da Estiman Chemical do Brasil e da Insider que agora mesmo está me abrigando. Fica bem, espero que você tenha gostado. Se você gostou, faz o seguinte, você ouve de novo, viu? Porque, ó, para pra pensar comigo.
Tem alguém mais falado, mais comentado na história da humanidade que faça parte da tua vida do que Jesus? Mesmo que você não seja cristão? Pois bem, Jesus tem essas parábolas aí. Não, é possível que você não tenha curiosidade de conhecê-las, de destrinchá-las e de tentar entender o que Jesus quis nos ensinar.
Não se trata necessariamente de fazer disso um culto, mas sim de fazer disso um momento de enriquecimento da vida espiritual de cada um. Esta é uma reflexão sobre a vida e que tem por objeto um tipo de existência humana no mundo em que estamos,
Dos céus. Um beijo grande. Fica bem. Valeu. Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros. Para mais informações sobre cursos, livros e palestras, acesse clóvisdebarros.com.br. E siga o professor nas redes sociais.