#PartiuPensar 217 - Aristóteles: Lógica (PARTE 2)
Clóvis de Barros fala sobre os elementos que compõe o pensamento lógico.
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Edição & Sonorização: Murilo Lourenço @murilou
- Lógica científica em decisõesMatéria-prima do pensamento: palavras · Logos: palavra, discurso e raciocínio · Relação entre pensamento e linguagem · Conceitos como conjuntos de individualidades · Proposição como articulação de conceitos · Veracidade e falsidade das proposições · Escalando conceitos: do particular ao geral · Coincidência entre regras do pensamento e realidade
- Filosofia e a busca pela verdadePlatão e o mito da caverna · O filósofo como aquele que saiu da caverna · Dever de tentar tirar os demais da caverna · Sócrates como possível Sócrates contemporâneo · Características do Sócrates contemporâneo · Gratuidade do ensinamento socrático vs. monetização · Dificuldade de paralelo com o mundo atual
Partiu, partiu, partiu, pensar, partiu, pensar. Por instantes de plenitude, potência e luz.
Senhoras e senhores, estamos no ar. Este é o nosso hashtag partiu pensar de toda terça-feira. E como nós tínhamos combinado, é hora de falar de lógica. Por quê? Porque terça-feira passada a gente não conseguiu nem arrancar. Então hoje vamos tentar completar.
pelo menos essa introdução, eu repito, é um assunto que não se deixa esgotar tão facilmente, é só mesmo para dar notícia de que ele existe. Obrigado pelo apoio, pelo patrocínio da ADV Box, que permite que esse episódio seja filmado, editado e trabalhado de maneira que você possa degustá-lo com qualidade.
retomar Aristóteles e a lógica. Em que consiste então esse tal de pensamento, né? Esse tal de, como dizem os italianos, o radionamento, né? Em que consiste, né? Então, no final das contas, aqui vem a primeira observação, né? Nós estamos falando de uma matéria-prima que é a mesma. A matéria prima do pensamento são palavras, né?
E é por isso que lógica tem uma origem etimológica em logos, que quer dizer ao mesmo tempo palavra, discurso e também raciocínio, pensamento.
Então isso é muito interessante, por quê? Porque estamos acostumados a separar o pensamento da linguagem. Estamos acostumados a aceitar que uma coisa é o pensamento e a outra coisa é, digamos, falar bem.
Haverá até quem diga professor, numa prova oral alguém diz, professor eu sei tudo na minha cabeça, mas eu não sei falar, eu não sei expressar, eu não sei dizer.
Ora, essa separação para os gregos seria absurda. Absurda, por quê? Porque a mesma, eu repito, a mesma matéria-prima que te permite pensar é a matéria-prima que você usa para falar. Se você não consegue falar, a menos que seja uma impossibilidade motora.
uma questão de não conseguir abrir a boca ou uma gagueira, uma, né? Mas se não for isso, se você não consegue falar, é porque pensa mal, né? Pensando confusamente, você evidentemente tende a se expressar com linguagem confusa, porque a matéria-prima é a mesma.
Então, o pensamento, ele é constituído, digamos assim, por palavras que se reúnem em frases, que na lógica serão chamadas de proposições. Então, veja, essas palavras, elas são, eu diria, aquilo que você pensa e aquilo que você diz ao mesmo tempo.
Então, vamos lá, para que isso fique mais claro, né? Como é que os gregos entendiam e, de certa forma, nós podemos entender também. Quando você diz, a banana está madura, evidentemente, você poderia perfeitamente pensar isso sem dizer. Mas como é que você pensaria isso sem dizer? Você pensaria isso com os mesmos elementos materiais?
que você usa para dizer, você pensaria a banana está madura, só que você não verbalizaria. Portanto, veja, existe uma coincidência entre o modo como você pensa, ou seja, como é que você opera para pensar e aquilo que você diz. A materialidade é a mesma, as palavras são as mesmas. Então, nesse sentido, a coincidência em torno do termo logos se justifica plenamente. Ora!
O que é que você, no final das contas, usa para pensar? Você usa o que nós poderíamos chamar de conceitos, digamos assim. Em que consiste um conceito? Então, se eu digo, eu gosto de banana, para manter o exemplo da fruta.
A palavra banana aí é uma palavra que está no lugar de uma realidade ampla, múltipla, plural de bananas singulares. Então veja, você tem aqui um conjunto.
E esse conjunto contém indivíduos particulares que são as bananas do mundo. Então, entenda, um conceito funciona mais ou menos assim. Ele é um conjunto que reúne individualidades.
E isso te permite, ao mesmo tempo, pensar e comunicar. Ficaria muito difícil se nós tivéssemos que comunicar e pensar em cima do estritamente particular. Porque você teria que dizer assim, eu gosto de banana 1, banana 2, banana 3, essa aqui, aquela ali, aquela lá, etc. Então...
O particular é extenso demais e inviabilizaria o pensamento. Então, é extremamente providencial que todas as bananas do mundo se deixem reunir no conceito de banana para que eu consiga terminar a minha proposição, para que eu consiga dizer de uma vez o que eu quero.
dizer, porque se eu tiver que passar em revista todas as bananas pra dizer que gosto de banana, é possível que eu não acabe a vida antes da conclusão do raciocínio, ok? Vamos assim dizer, Clóvis é um explicador esforçado. Pronto.
Veja que Clovis é um conceito, explicador também é um conceito. Em que medida Clovis é um conceito? É um conceito porque a palavra Clovis está no lugar de também. Só que está no lugar de um conjunto que tem só uma unidade, que sou eu. Estou me referindo a mim mesmo e, obviamente, nesse caso, eu não estou...
me referindo a todos os Clovis do mundo. Estou me referindo só a mim. Então, Clovis é um explicador. A palavra explicador é outro conceito e ela é um conjunto. E é um conjunto que está no lugar de uma...
uma multidão de pessoas que, profissionalmente ou não, estão aí a explicar e a tentar esclarecer coisas para o seu interlocutor. Então, veja, eu acho que ficou claro aqui, conceitos, eles existem e eles estão no lugar de realidades, seja em conjuntos unitários, seja em conjuntos extensíssimos. Ficou claro? Ora, uma proposta...
Posição é uma articulação de conceitos, né? E essa é a primeira preocupação da lógica. Porque quando você articula conceitos entre si, você pode fazê-lo de maneira adequada.
de maneira justa, ou você pode fazer de maneira profundamente equivocada, e aí a proposição será falsa. Então, nesse sentido, a primeira consideração a fazer sobre uma proposição tem a ver com a sua veracidade ou a sua falsidade, mas será sempre uma articulação de conselhos, ok?
Legenda Adriana Zanotto
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Dando sequência a isso, dada uma certa proposição, raramente uma tomada de palavra, um discurso, termina com uma proposição só. Então, quase sempre essa proposição é seguida de outra e é seguida de outra e a lógica...
também se interessará pela relação entre essas essas proposições que poderá ser mais ou menos adequada existe uma regra ou várias regras que autorizam não é digamos inferências a partir da articulação de certas proposições que poderá como eu disse no exemplo de tomar água e morrer poderá nos leva
a uma consideração verdadeira ou a um absurdo absoluto, ok? É importante lembrar que quando Aristóteles pensa nas regras do pensamento, ele está convencido de uma coisa. As regras do pensamento, elas devem corresponder ao universo, à realidade, ao cosmos.
ela deve corresponder ao mundo real, deve corresponder àquilo que observamos. Ou seja, as regras do pensamento, elas não são regras desconectadas da realidade. Elas não têm uma autonomia em relação à realidade. Então, se eu penso segundo certas regras...
é porque a realidade também funciona da mesma forma. Então, só para terminar, vamos dar um exemplo. Vamos tentar escalar conceitos e aí com isso tentar entender um pouco o que Aristóteles está tentando propor. Então, vamos começar comigo, professor Clóvis.
Você tem aqui um conceito de uma única unidade no seu conjunto. Aí esse conjunto está dentro de um outro conjunto, que é o conceito de homem.
O conceito de homem e por quê? Porque Clovis é homem, portanto você tem aí claramente um conjunto dentro do outro, certo? Clovis é homem, portanto tudo aquilo que serve para Clovis.
serve também para homem, ok? Naturalmente que nem tudo aquilo que serve para homem serve para Clovis, porque naturalmente que o conjunto homem é muito mais amplo do que o conjunto Clovis e o conjunto homem reúne realidades que transcendem ao conjunto Clovis. Aí você tem...
Além de Clovis, você tem o homem e você tem o humano. E o humano é um conjunto onde Clovis e homem estão inseridos. E por quê? Porque, claro, o conjunto humano é um conjunto muito mais amplo do que o conjunto homem, porque compreende também...
as mulheres e hoje em dia tudo mais que você quiser colocar aí em termos de humano, ok? Então veja você que nós estamos escalando conceitos, colocando um dando outro, dentro de uma perspectiva que corresponde rigorosamente aquilo que você encontra na realidade. Esse humano, ele poderá estar inscrito ou ele está inscrito num outro conjunto que é o conjunto animal.
conjunto animal, né? Então, Clovis é homem, Clovis e homem são humanos, Clovis, homem e humanos são animais, né? E esse conjunto animais, ele está dentro de um outro conjunto maior, que são os viventes, viventes, né?
E os viventes são um conjunto ainda maior do que o conjunto animais, porque inclui as plantas, por exemplo. E assim nós vamos escalando os conceitos, colocando uns dentro dos outros, dentro de uma perspectiva lógica que corresponde rigorosamente àquilo que nós encontramos na realidade.
Então há uma coincidência entre as regras do pensamento e o modo como a realidade se articula. Bem, como eu disse, é só para dar uma notícia de que isso existe. A lógica de Aristóteles nos acompanhará ao longo de toda a história do pensamento. Teremos um milhão de oportunidades para falar mais sobre ela. Mas aqui era importante lembrar que Aristóteles...
digamos, o grande pai fundador da lógica antiga. E aqui, valeu a pena muito ter participado desse episódio. Vamos responder as perguntas dos nossos ouvintes.
Bom, pessoal, é o seguinte, quanto às perguntas, eu queria motivá-los a perguntar, por favor. Pelo QR Code, não há dúvida sobre como fazer. Tem preferência os apoiadores na hora de eu escolher a pergunta que será respondida. E aqui para esse segundo episódio sobre lógica, a pergunta é do Gabriel Silva. A pergunta é a seguinte, Platão explica que...
Aquele que consegue sair da caverna pode ser comparado ao filósofo. E ele tem o dever de tentar tirar os demais de lá. A quem recai esse dever hoje, se ele ainda existe? Olha, Gabriel, claro, aqui temos que tentar responder fazendo suposições. Porque Platão, quando escreveu e elaborou a...
O mito da caverna, ele o fez dentro de um mundo que era o mundo dele. Então, provavelmente, ele tinha na cabeça quem era o cara que saiu da caverna e muito provavelmente o cara que saiu da caverna era o Sócrates.
Então, naturalmente que para responder a tua pergunta, seria preciso se perguntar quem é ou quem são os Sócrates contemporâneos. E é interessante, porque isso implicaria identificar...
Os Sócrates contemporâneos, para responder com seriedade a tua pergunta, tentando encontrar hoje alguém que tivesse as principais características do Sócrates, como, por exemplo, a consciência da própria ignorância e a busca genuína da verdade através de um pensamento que começa do zero, sem os apriores do senso comum, que ensina gratuitamente, etc. Tentando.
Eu devolvo a pergunta para você, quem é que hoje teria esse papel? Porque hoje em dia quem faz filosofia trabalha com isso, precisa trabalhar, precisa monetizar, como se costuma dizer, precisa para viver disso.
ou é herdeiro e não precisa trabalhar, mas enfim, não podemos, digamos, limitar o cenário da filosofia a pessoas que herdaram. Então, de uma certa maneira, essa gratuidade do ensinamento de Sócrates é difícil de encontrar. Por outro lado...
Aquele que hoje assume de maneira radical a própria ignorância talvez não seja ouvido, talvez não seja considerado. Então eu realmente acho que um paralelo com o mundo atual ele não é fácil de fazer, mas eu devolvo essa pergunta a você. Quem é que você acha que poderia ser o Sócrates de hoje e em que medida ele tem esse dever de ajudar as pessoas a sair da caverna com ele? Beleza? Valeu!
Olha, eu espero que você tenha gostado demais. Se você gostou, aí você assiste novamente, né? E se você gostou muito demais da conta, aí você convida alguém pra assistir também. Beleza? Um beijo grande. Obrigado, ADV Box. Valeu!
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