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#PartiuPensar 216 - Aristóteles: Lógica (PARTE 1)

19 de maio de 202619min
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Clóvis de Barros fala sobre a lógica como o conhecimento que organiza e orienta os mais diversos saberes.

Assista o episódio em vídeo no nosso canal no Youtube!

https://youtu.be/ej2tocP5Nrk

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Edição & Sonorização: Murilo Lourenço @murilou

Assuntos4
  • Lógica científica em decisõesOrganon · Aristóteles · Analítica
  • Natureza dos PensamentosPensamento como prática · Validade das conclusões · Aproximação da verdade
  • Racionalismo e pensamentoTodo homem é mortal · Conclusão absurda sobre beber água
  • Teoria tripartida da almaLuc Ferry
Transcrição51 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Partiu, partiu, partiu, pensar, partiu, pensar. Por instantes de plenitude, potência e luz.

Senhoras e senhores, estamos no ar. Este é o nosso hashtag Partiu Pensar. Com o patrocínio generoso da ADV Box, estamos juntos em vídeo para tratar da história mais ampla do nosso pensamento.

Estamos indo na sequência e vamos falar de Aristóteles. Já estamos no coração do tema e hoje nós vamos tratar de um assunto que obviamente não se deixa esgotar nem num episódio, nem em dez episódios.

Portanto, nosso objetivo aqui hoje é apenas destacar que o assunto existe e que Aristóteles tem a ver com ele. Nós estamos patrocinados pela ADV Box. E a ADV Box oferece uma assessoria ampla. Para você que tem o seu escritório de advocacia,

no sentido de aconselhamento de gestão, bem como de uso das tecnologias adequadas para que haja o melhor desempenho. Portanto, não tenha dúvida e não hesite em procurar a DV Box, porque ela certamente saberá identificar, no seu caso específico, o que está faltando para que esse escritório decole de uma vez. Valeu!

E o tema é a lógica. Você deve imaginar que a palavra lógica aqui é um substantivo. E é um substantivo que corresponde a um campo do conhecimento. Então, você pode encontrar afirmações do tipo eu estudo lógica, eu me interesso pela lógica.

Eu sou um especialista em lógica e naturalmente isso poderia, essa palavra lógica poderia estar no lugar de matemática, de geografia, de história. Então, claro.

Nós temos aí uma primeira proposta que já discrepa um pouquinho do nosso senso comum. E por quê? Porque no senso comum a palavra lógica existe, mas ela muitas vezes é usada como atributo.

Atributo de uma situação, atributo de uma afirmação, atributo de um pensamento. Então, você pode começar a frase dizendo, é lógico que eu preferi comer o doce de abóbora do que não comer. Ou, é lógico que eu preferi...

Dormir até mais tarde do que acordar cedo para não fazer nada. É lógico que essa afirmação indica uma obviedade, digamos assim. Ou seja, alguma coisa com a qual o interlocutor evidentemente concordaria. Então é alguma coisa que destaca uma proposição que...

digamos, de adesão obrigatória por parte do interlocutor. É lógico que dentro desse cenário do é lógico que, às vezes é possível encontrar alguma coisa do tipo, mas não tem nenhuma lógica.

você fazer o que fez. Ou não tem nenhuma lógica você dizer o que disse. E aí perceba que nesse caso, essa obviedade foi traduzida em substantivo.

Não tem nenhuma lógica, já não é mais atributo, é uma substância, né? Não tem lógica, ter ou não ter alguma coisa indica alguma substancialidade dessa coisa.

nós podemos dizer que já no senso comum já encontramos a lógica como substantivo de maneira tranquila e sem precisar forçar muito a barra. Muito bem, agora é claro, nós estamos falando da lógica na filosofia, estamos falando do primeiro pensador que organizou, não é?

esse campo do conhecimento de maneira sistemática num conjunto de ensinamentos que recebeu o nome de órgano. Então, claro, você pode encontrar esse conjunto de ensinamentos com facilidade na internet ou em versão impressa sem nenhum problema e você vê que existe ali uma preocupação de sistematizar. No entanto...

É preciso destacar que Aristóteles, ele mesmo, nunca usou o termo lógica. Nunca. Então, se você for procurar em Aristóteles a lógica de Aristóteles, não vai encontrar.

Pelo menos não vai encontrar com esse nome. Aristóteles se chamaria de analítica, digamos assim. Isso que hoje nós chamamos de lógica, mesmo sendo a tal lógica aristotélica, Aristóteles mesmo não a chamava assim. Ora, em que consiste essa lógica que vem da filosofia? São as regras do pensamento.

E quando você diz que a lógica são as regras do pensamento, evidentemente que você está sugerindo que o pensamento tem regras. Portanto, não é possível pensar de qualquer jeito, assim como qualquer prática.

você tem um jeito mais ou menos certo de operar, o pensamento é uma prática que não se faz assim improvisadamente, mas obedece um certo protocolo, obedece um conjunto de regras para que ele possa, digamos, funcionar bem, para que ele possa ter validade, para que ele possa nos levar a conclusões interessantes.

para que ele possa nos aproximar da verdade e assim por diante. Então havia um cuidado com as regras do pensamento. Ora, fica claro que a lógica tem uma importância imensa, mas é uma importância sempre vinculada ao seu uso nos mais diversos campos do conhecimento. Assim como tudo que é regra, quer dizer...

Vamos imaginar que você estude as regras de um jogo. Vamos imaginar que seja o jogo de xadrez. O jogo de xadrez tem regras. Mas vamos imaginar que você passe anos estudando as regras do jogo de xadrez, mas nunca jogue xadrez. Então fica esquisito porque...

No final das contas, o valor daquelas regras, ele se manifestaria de maneira completa com a implementação das mesmas na prática do jogo. Então, da mesma maneira, a lógica, ela é importantíssima.

Mas ela realiza o seu valor completamente quando ela é implementada nos mais diversos campos de conhecimento onde o pensamento mais fino é exigido. Então a lógica ela...

Digamos, mostra toda a sua importância quando o biólogo pensa bem para fazer ciência da biologia. A lógica mostra sua importância quando o físico pensa bem para fazer física.

Quando o historiador pensa bem para fazer história, o matemático pensa bem para fazer matemática e, claro, o filósofo pensa bem para fazer filosofia. Então, veja, a lógica é uma contribuição da filosofia e que...

de certo modo tem a sua implementação que transcende a própria filosofia, porque é fundamental para todo tipo de atividade em que o pensamento é requisitado. Então, nós podemos, eu citei exemplos típicos do mundo científico e universitário, mas um detetive, né?

Um investigador de polícia que junta evidências, ele precisa demais da lógica para poder tirar suas conclusões. Se ele pisotear a lógica, ele poderá avançar de maneira falsa, de maneira resvaladiça e chegar a conclusões distantes da verdade.

Assim, da mesma maneira, o jornalista que junta fragmentos de evidência para tirar suas conclusões e faz também um trabalho investigativo, precisa de mais da lógica para poder não apressar as suas conclusões. Então, veja que nós estamos diante de um campo de saber extremamente relevante para todos os demais.

Talvez não tenha o seu pleno valor em si mesmo, mas encontra o seu valor maior em todo o resto do mundo, do pensamento e do saber. Ótimo.

Eu sou Clóvis de Barros e venho aqui propor a você nos apoiar a manter vivos os nossos conteúdos de filosofia na internet. Para você participar com uma singela colaboração, você deve entrar em apoia.se barra inédita pamonha.

Repetindo, apoia.se barra inédita pamonha. Você pode nos ajudar demais a honrar os nossos compromissos, pagar nossos editores, as nossas plataformas e manter nosso conteúdo vivo para que ele continue impactando as pessoas como tem feito.

Uma outra consideração importante aqui, que não podemos deixar de fazer de jeito nenhum, é que quando você se serve da lógica, ou você não se serve da lógica, não é que isso...

diz respeito a minúcias de precisão. Não, o pisoteamento da lógica pode levar a conclusões completamente absurdas. Então, vamos lá, a título de exemplo. Eu digo assim, exemplo número um, verdadeiro arroz com feijão da filosofia.

todo homem é mortal, ponto né. João ou Sócrates ou Clóvis é homem, ponto. Logo Sócrates, João ou Clóvis é mortal.

Eu tenho aí um trabalho em três afirmações, três proposições. Todo homem é mortal. Aí eu destaco que o indivíduo é homem, portanto está presente naquele conjunto dos homens.

E sendo homem e todo homem sendo mortal, então eu não tenho outro remédio se não aceitar que existe a mortalidade do indivíduo, porque ele pertence a um conjunto onde todos são mortais.

Aí eu poderia pegar e falar, ah, bom, já entendi. Então, vamos então brincar de tentar um outro exemplo, né? Todo homem bebe água alguma vez na vida, né? Pronto. Todo homem é mortal. Logo, se todo homem bebe água e todo homem é mortal, eu concluo que beber água é mortal.

E, portanto, nesse sentido, se porventura eu não beber água nunca, talvez possa pretender a eternidade. Ora, perceba, você tem uma estrutura semelhante, mas você tem uma conclusão ridícula.

É óbvio que todo mundo bebe água, é óbvio que todo mundo morre, mas as pessoas não morrem porque bebem água, pelo contrário. Morreriam muito mais cedo se não bebessem água nunca. Então, nesse sentido, você adotou uma estrutura aparentemente semelhante e chegou a um resultado grotesco.

Isso mostra muito bem que o respeito à lógica, ele não é uma questão de filigrana, né? É uma questão de beapá mesmo. Vai do zero ao mil, né? Em termos de relevância na hora de pensar. Bem, conforme era previsível, esse assunto é um assunto que não tem fim.

Então, obviamente, eu vou quebrar as pernas aqui do pessoal da edição. Então, vou interromper aqui e vou retomar terça-feira que vem esse mesmo assunto de Aristóteles e a Lógica, tentando concluir uma introdução para que você não fique completamente na mão sobre esse assunto. Beleza?

Vamos responder as perguntas dos nossos ouvintes.

Bom pessoal, vamos aqui às perguntas. Eu aproveito para incentivar a galera a perguntar. Muita gente pergunta como é que faz para fazer pergunta, mas o ideal é logo fazer a pergunta e pronto, sem maior drama. Claro que os apoiadores têm aqui preferência na hora da escolha das perguntas que eu vou responder, por uma razão óbvia. Então eu vou dar a palavra aqui ao Felipe Muniz Abreu.

O que a filosofia contemporânea reconhece como alma? Afinal de contas, a alma é substância. Felipe, quando você fala filosofia contemporânea, você obviamente abre um campo gigantesco do qual participam muitas pessoas, muitas pessoas que também falam de alma e elas não concordam entre elas. Então...

Vamos pegar dois exemplos aqui de filósofos vivos, que se conhecem, que são amigos, que dialogam, etc. O professor Luc Ferry e o professor André Comtes-Ponville. Eles têm entendimentos completamente diferentes de alma, enquanto Luc Ferry defenderá a tese de uma alma imaterial, eterna.

moda de Platão, Sponville defenderá a ideia de uma alma material, corpo como qualquer outro, a moda de Epicuro ou de Spinoza. Então, veja, os dois são filosofia contemporânea.

Agora, eu tenho até um livro, sabe, de diálogo, de debate entre os dois, chamado A Sabedoria dos Modernos, onde eles se contrapõem em vários elementos, inclusive a questão da alma. Agora, eu ainda recomendaria, para fazer uma espécie de repasso sobre o conceito de alma desde os antigos até hoje, para mostrar essa diversidade.

Um livro sobre a alma do professor Humberto com U, porque em italiano não tem o H, Humberto Gallimberti. Gallimberti. E aí você tem realmente todas as concepções de alma e de certo modo...

ficará mais claro para você o quanto não dá para responder se a filosofia contemporânea pensa assim o assado porque dentro da filosofia contemporânea verá entendimentos mais variados beleza muito obrigado pela excelente pergunta

Estamos com o patrocínio da ADV Box. Se você gostou, maravilha, ouça novamente. Agora, se você gostou demais, dá conta e convida alguém para ouvir também. Valeu! Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros.

Para mais informações sobre cursos, livros e palestras, acesse clovisdebarros.com.br E siga o professor nas redes sociais.

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