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Inédita Pamonha 310 - Coexistência na rede

26 de março de 202617min
0:00 / 17:33

Clóvis de Barros fala sobre as etapas que estão presentes na parábola da pesca.

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Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros.

Patrocínio: Eastman Chemical do Brasil e INSIDER.

Participantes neste episódio1
C

Clóvis de Barros

HostJornalista, escritor, filósofo e professor
Assuntos1
  • Parábola da RedeInclusão universal · Interação entre o bem e o mal · Momento de julgamento
Transcrição46 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Começa agora Inédita Pamonha. Por instantes felizes, virginais e irrepetíveis.

Senhoras e senhores, estamos no ar. Este é o meu, seu, o nosso inédita pamonha. Um oferecimento da Eastman Chemical do Brasil e da Insider.

Nós estamos cuidando do pensamento de Jesus, mais especificamente das suas parábolas e mais especificamente ainda da parábola da rede lançada ao mar. O texto da parábola merece ser retomado aqui. Foi a parábola que nós começamos a tratar.

no nosso último encontro. Abro aspas para o texto bíblico. O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede lançada ao mar, que apanha peixes de toda espécie. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia.

Então sentam-se, recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam. Assim será no fim do mundo. Os anjos sairão, separarão os maus dentre os justos e os lançarão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes.

Bem, essa parábola que nós começamos a tratar, ela, como dizíamos e retomamos daqui, ela se desenvolve em três movimentos diferentes. No primeiro movimento, a rede é lançada ao mar e a imagem apresentada é muito simples. Os pescadores jogam a rede.

E, a partir daí, você tem, num primeiro momento, a inclusão de tudo o que passa pela rede. Não há, portanto, nesse primeiro momento, nenhum tipo de seleção. Há, portanto, uma inclusão universal. Então, esse é o primeiro momento.

A rede que é lançada ao mar não está em condições de selecionar nada, ela recolhe tudo o que vem até ela e, portanto, ela, eu abro aspas, para citar o texto bíblico, captura peixes de toda espécie.

Essa imagem é muito importante porque ela também faz alusão a um primeiro momento do reino de Deus. E nesse primeiro momento do reino de Deus não há seletividade.

Há uma espécie de acolhimento generalizado. Há uma espécie de inclusão absoluta, sem nenhum tipo de triagem preventiva. Ora, esse primeiro momento mostra bem que no reino dos céus,

A postura inicial é a de inclusão de todos nós. É isso que se pretendia. Esse é o ideal. Este é o melhor dos mundos. E nesse sentido, nós, eu repito, nos afastamos.

de toda concepção sectarista, toda posição discriminatória, elitista, sectária da vida espiritual. O ponto de partida é a mistura mais ampla e restrita possível. Então, claro, naturalmente que aqui existe uma igualdade.

O tratamento é igual. O tratamento dispensado aos desiguais é o mesmo. É o mesmo.

Claro, se você imaginar que outros pensadores podem ser aqui referidos, você imagina que para Spinoza Deus é o todo. Deus é o todo. Deus é a natureza. Deus é o universo.

Ora, Jesus, quando fala que o reino dos céus se assemelha a uma rede jogada ao mar, o que ele está dizendo? Que esse reino dos céus, que agora será acolhido, ele vem com tudo que tem dentro.

Então, se Deus é o todo, o que consta dentro desta rede também representa o todo. Então, nesse primeiro momento, tudo o que consta dentro da rede tem o mesmo estatuto, tem a mesma natureza.

Não há, portanto, hierarquia entre eles. É claro que a parábola ela mesma, ela não formula isso do mesmo modo que Spinoza formula. Mas o modo como ela apresenta a rede colhendo de tudo, é claro que essa imagem, essa imagem de uma rede que tudo captura e...

submeterá esse todo a um juízo final, essa parábola, ela sugere num primeiro momento uma igualdade de inclusão. Estão todos na mesma rede, todos têm o mesmo estatuto.

Depois que os negócios caem na rede, né, frutos do mar, peixes, algas, plantas, etc., o segundo momento é um momento de interação entre eles, é um momento de convivência entre eles.

E aí você deve imaginar que durante esse tempo em que tudo está dentro da rede, há uma interação que é, digamos, a própria história da vida dessas coisas.

É preciso entender que quando tudo é capturado pela rede, não há uma separação de imediato. Essa rede tem que ser puxada até a praia.

E esse intervalo simbólico entre a presença de todos na rede e o momento que os anjos decidirem vir para negociar e para trabalhar e tal, é um tempo significativo, é um tempo importante, é o tempo da história. Esse é um intervalo simbólico, relevante da parábola. Não é?

Durante esse tempo, coisas de todo tipo permanecem juntos. O bom e o mal, o bonito e o feio, e tudo mais que você quiser botar no lugar.

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Esse aspecto da parábola é extremamente importante. Vai por mim, né? Por quê? Porque ele mostra alguma coisa fundamental para nós.

algo decisivo sobre o nosso mundo humano. O bem e o mal não estão distribuídos ou catalogados em lugares diferentes, ou territórios diferentes, ou espaços diferentes.

eles coexistem dentro da mesma realidade, dentro do mesmo mundo, dentro da mesma história, dentro da mesma rede. Então a história, nesse sentido, não é o espaço da higienia, a história não é o espaço da pureza, a história, pelo contrário, pelo contrário.

A história é um espaço de ambiguidade, é um espaço de conflito, é um espaço de lutas internas. Então, em algum momento, isso vai ser destacado, né? E é o terceiro momento dessa parábola, né? Se, num determinado momento, estão todos dentro da rede juntos,

assim como estiveram a cidade dos homens e a cidade de Deus de Agostinho, que permanecem misturadas até o fim dos tempos, a parábola da rede exprime simbolicamente a mesmíssima intuição, que é imprescindível que o mundo histórico seja inevitavelmente um mundo misturado, um mundo plural.

um mundo rico de contradições e ambiguidades. Essa mistura dentro da rede também tem uma implicação ética evidente. Afinal de contas, se o bem e o mal coexistem no interior da natureza humana,

e frequentemente dentro das mesmíssimas pessoas, então, qualquer tentativa de purificação imediata do mundo tende a se tornar violenta, dilacerante. A parábola passa o tempo inteiro sugerindo uma espécie de paciência, uma espécie de cautela, uma espécie de temor.

O mundo precisa atravessar o tempo antes que qualquer distinção definitiva seja feita sobre ele. Então, primeiro movimento, um movimento de captura de todo tipo de criatura marinha.

E um segundo tempo, o momento de carregamento, de carga e descarga desse material, que é um material simbólico, mas é ao mesmo tempo um material com o qual nós lidamos na nossa vida.

Ok? Então, agora, eu dizia, essa mistura tem uma implicação ética óbvia, porque se o bem e o mal coexistem no interior da mesma rede, e, portanto, da mesma história, então qualquer tentativa de purificação imediata do mundo tende a ser complicada, se não violenta, conflituosa.

A parábola sugere uma espécie de paciência ontológica. O mundo, nesse caso, precisaria atravessar o tempo antes que qualquer decisão seja feita. Então, no terceiro tempo, é o tempo do discernimento último. É quando a rede chega à praia.

É quando os pescadores começam a separar os peixes bons de comer dos que não prestam, dos que não são bons. Aqui sim aparece um momento de distinção. Aquilo que num primeiro momento estava misturado no tempo da pesca, torna-se objeto de julgamento. É claro que aqui...

A parábola descreve esse momento do julgamento como uma separação definitiva, irreconciliável. A partir de agora, o que estava junto vai ficar separado e ponto final.

Então, filosoficamente, esse terceiro movimento introduz a ideia de que a justiça plena não pertence ao interior da natureza, mas a um horizonte que a eleva, que a transcende.

Durante a história, isto é, durante o tempo em que tudo ficou preso na rede, as relações permanecem um tanto quanto obscuras. É só no final, simbolizado pela praia, que se torna possível distinguir plenamente. Mas distinguir plenamente entre o quê e o quê?

entre as coisas que prestam e as coisas que não prestam. Portanto, discernir sobre o valor das coisas. Essa ideia reaparece em muitas reflexões sobre a história. O tempo histórico seria o tempo da indeterminação, o tempo da confusão, o tempo das relações caóticas.

Então, algum tempo de plenitude ou deve ser buscado antes ou deve ser buscado depois de estarmos todos na rede, acreditando que a rede é o nosso herói, é uma entidade, é uma entidade que não muda e assim por diante. Agora, claro está que na hora de separar, quem separa são os anjos.

E aí eu queria chamar a tua atenção para alguma coisa muito interessante. Quer dizer, Deus não tem confiança para deixar na mão do humano.

a tarefa de separar o bem do mal. Deus chama os anjos para fazer isso. Cabe ao homem e à mulher discernir através de um anjo aquilo que tem valor para ela ou não. E isso é muito maravilhoso, não é não?

Pois muito bem, eu espero que tenham gostado, essa foi a nossa pamonha de hoje. Patrocínio eterno da Eastman Chemical do Brasil e da Insider, a roupa que te serve bem. Tivemos o Partiu Pensar de terça-feira, tivemos a reflexão matinal na quarta e agora teremos a reflexão matinal amanhã na sexta-feira e tomara que você esteja inscrito.

E possa aproveitar o máximo possível. Um beijo grande. Fica bem. Valeu! Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros. Para mais informações sobre cursos, livros e palestras, acesse clóvisdebarros.com.br e siga o professor nas redes sociais.

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