Episódios de Podcasts do Clóvis

#PartiuPensar 215 - Aristóteles e a Metafísica

12 de maio de 202616min
0:00 / 16:51

Clóvis de Barros fala sobre o estudo do “ser enquanto ser”, ou seja, daquilo que existe em sua essência mais profunda.

Assista o episódio em vídeo no nosso canal no Youtube!

https://youtu.be/--pdrTd9LFQ

Patrocínio: ADVBOX

Torne-se apoiador: https://apoia.se/ineditapamonha

Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros. Para mais informações acesse: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://clovisdebarros.com.br/⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Edição & Sonorização: Murilo Lourenço @murilou

Participantes neste episódio1
C

Clóvis de Barros

HostJornalista, escritor, filósofo e professor
Assuntos2
  • Aristóteles e a MetafísicaSer enquanto ser · Aristóteles · Metafísica · Física · Filosofia primeira · Ciência do ser enquanto ser · Substância (ousia) · Matéria (ilê) · Forma (morfê) · Sinolon
  • Perguntas de ouvintesSócrates e Platão · Thiago Araújo · Palestra em BH · Fátima Lúcia Alves
Transcrição41 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Partiu, partiu, partiu, pensar, partiu, pensar. Por instantes de plenitude, potência e luz.

Senhoras e senhores, estamos no ar. Este é o meu e o seu hashtag partiu pensar de toda a nossa terça-feira. O patrocínio é da ADV Box. E aqui falaremos sobre Aristóteles.

Estamos fazendo o recorrido de toda a produção do pensamento ocidental, pincelando aqui e acolá o que nos parece mais auspicioso. Não temos nenhuma pretensão exaustiva, não temos...

nenhuma pretensão de nos substituir aos clássicos, não temos nenhuma pretensão de dar um curso acabado e completo, não temos nenhuma pretensão, temos a pretensão sim de passar e passear pelas ideias, degustando as. E hoje nós vamos falar de metafísica.

Agora, como estamos falando de Aristóteles, começamos falando da sua vida e depois da tripartição dos saberes, né? A primeira coisa que a gente tem que dizer é que a metafísica é objeto de interesse de Aristóteles e que ela se encontra inscrita naquela classificação da semana passada. Ela é um saber teorético.

Isto é, um saber que vale por ele mesmo, um saber que não está vinculado com as nossas decisões nem com a nossa produção. É um saber que tem por objeto as coisas que são necessariamente do jeito que são. Aristóteles, ele mesmo, nunca usou o termo metafísica.

Muita gente diz que esse termo surgiu porque você tinha primeiro numa estante os livros da física e depois o que veio depois é o que está para lá da física, olhando daqui. É possível que isso tenha pertinência, é possível que não, mas de qualquer maneira metafísica para começar quer dizer isso, algo que vai além da física. E como a física?

ela é estudada através da observação empírica, da observação operada pelos sentidos, aquilo que vai além da física, também vai além da observação empírica. Ou seja, que dispensa a observação empírica.

que se realiza fora da observação empírica. Portanto, se realiza exclusivamente através das operações intelectivas da mente e que não precisa de nenhuma comprovação sensorial. Eu insisto, Aristóteles nunca usou esse termo, metafísica.

Por outro lado, nós usamos o termo para Aristóteles, porque o termo se consagrou depois, e como Aristóteles se interessava por aquilo que é o objeto da metafísica, então passou-se a assimilar o termo à sua reflexão. Mas Aristóteles, ele mesmo falava em filosofia primeira, ou ciência do ser enquanto ser. Quer dizer, o que caracteriza o ser...

em geral. Então, você olha e diz, o ser enquanto ser, não entendi, não entendi. Então, eu vou tentar explicar e se eu explicar, isso vai bastar pra nós hoje. Eu digo assim,

A árvore é. Tanto que você pode dizer a árvore é e botar alguma propriedade na sequência. A árvore é bela, a árvore é grande, a árvore é verde, a árvore é frondosa, mas a árvore é. A árvore é. Antes de ser frondosa, ela é. Aí você diz, Gumercindo é inteligente. Mas antes de ser inteligente, ele tem que ser.

Para ser inteligente, ele tem que ser. O mercindo é. A Terra é um planeta. Mas antes de ser um planeta, a Terra tem que ser. Então, nossa, a árvore é, o mercindo é, a Terra é. E aí, a metafísica vai se perguntar. O que é que significa dizer que é? O que é que significa dizer que algo é? O que significa ser?

E aqui não é o que a árvore é. Isso é um problema que exige olhar para a árvore. Isso não é dizer o que o sapo é. A preocupação da metafísica é a preocupação com...

o ser, ou seja, se você preferir, o que que a árvore, o sapo, o planeta, né? O Gumercindo podem ter em comum para nós afirmarmos com tanta convicção que eles são. Eu não me interesso aqui.

Nem pela árvore em particular, nem pelo gumercindo em particular, nem pelo sapo em particular e nem pelo planeta em particular. Eu me interesso pelo ser. O que é preciso para que o ser seja? O que é preciso para que algo seja? O que caracteriza ser? Porque eu posso perguntar para você outros verbos, né? Eu pergunto...

O que significa ter? Aí você vai falar em posse, em propriedade, isso aqui é meu, sabe? O que significa habitar? Significa, ah, eu fico, eu entro em tal lugar, eu pernoito ali, aquilo é pra onde eu volto, sabe? O que significa comer? É pegar o alimento, botar dentro da boca, etc e tal. O que significa, sei lá, né? Correr, botar um pé na frente do outro, e lá, lá, lá.

Mas então, se cada verbo eu sei definir, eu quero saber o que significa ser. Pois essa é a tarefa da metafísica, que significa ser. O que é preciso para ser? E não ser alguma coisa, ser só. Ser só, né? Que significa ser. Então, se tudo o que passa pela sua cabeça, se tudo o que existe é...

Então, a árvore é, a ação é, o bumercindo é, está ótimo. Mas o que há de comum entre eles? Para que eles todos sejam. Por que eu posso chamá-los todos de ser? Por que eles são?

Eu sou Clóvis de Barros e venho aqui propor a você nos apoiar a manter vivos os nossos conteúdos de filosofia na internet. Para você participar com uma singela colaboração, você deve entrar em apoia.se barra inédita pamonha.

Repetindo, apoia.se barra inédita pamonha. Você pode nos ajudar demais a honrar os nossos compromissos, pagar nossos editores, as nossas plataformas e manter nosso conteúdo vivo para que ele continue impactando as pessoas como tem feito.

Você percebe que o problema é obviamente relevante, porque você usa o verbo ser o tempo inteiro. E se outros verbos que você usa menos você sabe muito bem o que significam, o verbo ser você hesita e muito. Talvez seja o único verbo que te cause problema. Então aqui, para começar a brincar, nós vamos dizer que Aristóteles tem uma resposta.

para essa pergunta. Para Aristóteles, a noção central do ser é a noção de substância, que em grego se dizia ousia, ousia, O-U-S-I-A, ousia, substância.

Então, se é ser, tem substância. A substância é o núcleo central do ser. E o que é substância? Aquilo que existe por si. Não precisa de mais nada. Não depende de mais nada. Então, eu te dou um exemplo, eu.

Existo por conta própria. A mesa existe por conta própria. Mas se você pegar e disser, por exemplo, verde. Verde é estranho, porque o verde precisa antes algo que seja verde. Verde sozinho não rola. É preciso alguma coisa verde. Então, verde não tem substância. Agora, mesa verde tem por conta da mesa. Então, acho que você entendeu essa...

ideia de substância central para nós, outras qualidades não são assim. Grande não funciona, maior do que não funciona, pai de alguém não funciona.

Mãe de alguém não funciona, porque tudo precisa de outra coisa para ser o que é. A substância não precisa de mais nada para ser o que é. E aqui nós damos a embocadura da noção de substância. Para Aristóteles, a substância é a reunião de dois elementos.

de que você com certeza já ouviu falar. Matéria e forma. A substância é a reunião de matéria e forma. Sinolon. Reunião de matéria e forma. Substância ousia é a união sinolon de matéria.

que é ilê em grego e forma, que é morfê. Por isso, morfologia, estudo da forma. Ile com H, matéria. Então, a matéria é aquilo do que a substância é feita, a madeira e a mesa. A matéria da mesa é a madeira.

Agora, e o que é a forma? Você dirá, ah, professor, é o retangular. Não, né? A forma não é a topografia geométrica da mesa. A forma é tudo aquilo na mesa que faz a mesa ser mesa. A forma é a essência de mesa na mesa. A forma é o que permite você identificar naquela madeira uma mesa. A forma é... A forma é...

É aquilo sem o qual aquela madeira não seria mesa. Portanto, a forma é a estrutura que constitui aquele ser. A matéria é aquilo de que aquele ser é feito. A reunião de matéria e forma é ousia, substância. E substância é o ponto central do ser. Ficou claro?

Uma estátua tem como matéria o mármore e tem como forma aquela figura ali esculpida. Você olha para uma galinha e você sabe que a galinha é galinha mesmo tendo visto a galinha pela primeira vez. A galinha tem matéria? Tem aquilo do que a galinha é feito, penas, etc, matéria orgânica e tal. E tem forma de galinha. E a forma de galinha não é só... eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu

topografia externa da galinha a forma de galinha é tudo na galinha que dá a galinha a sua galinicidade portanto substância é reunião de matéria e forma, ousia é sinolon de ilê e morfe ora, mas esse ser não fica parado é dinâmico

vamos responder as perguntas dos nossos ouvintes. Temos a pergunta do Thiago Araújo. Como que Sócrates e Platão se conheceram? Não sei, Thiago. Não sei. Aí.

E olha, eu poderia chegar aqui e dizer, você escuta, Sócrates estava passeando por Atenas, conversando, dialogando. Aí um rapaz apareceu, ficou olhando, ficou encantado. Aí foi se aproximando, foi chegando, etc e tal, entendeu? Mas assim, né? Uma suposição barata, eu sei lá, entendeu? Pode ter sido num cenário muito diferente.

pode ter sido num cenário até desconhecido dos historiadores do pensamento. Beleza, Tiago? Não saber é fundamental. Não sei. Gostaria de saber, adoraria. Não sei. Nunca vi alguém comentando sobre isso.

Fátima Lúcia Alves. Quando terá palestra do professor em BH? Rapaz, nós estamos agora noticiando, Fátima, eu falei rapaz assim porque é quase que uma interjeição, né? Nós estamos noticiando a agenda no Instagram, nas redes sociais em geral.

então é claro, eu vou a BH com muita frequência e se porventura você quiser nos acompanhar, será uma alegria conhecê-la pessoalmente, Fátima mas tem lá a agenda do Clovis, do Insta é só olhar beleza? Beijo grande valeu

Meus queridos amigos, nós somos patrocinados pela ADV Box. Sem ela não teríamos esse vídeo, não teríamos esse estúdio, não teríamos essa edição. Não teríamos todos esses que nessa sala, e você não vê, são responsáveis pela realização desse podcast. Portanto, gratidão imensa à ADV Box. Se você for advogado e não quiser ficar para trás, a ADV Box te ajuda a ficar competitivo com os seus principais concorrentes. ADV Box.

Olha só que beleza, a ADV Box nos ajuda nesse trabalho. Beijo grande, se gostou, convida alguém para ouvir também. Isso aqui é arroz com feijão da nossa filosofia ocidental. Um beijo grande e até a próxima. Valeu!

Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros. Para mais informações sobre cursos, livros e palestras, acesse clóvisdebarros.com.br E siga o professor nas redes sociais.

Anunciantes3

ADV Box

external

Espaço Ética

external

Inédita Pamonha

external