Inédita Pamonha 316 - O Rico e Lázaro
Clóvis de Barros fala sobre a parábola que trata das consequências éticas de uma vida voltada apenas ao próprio conforto.
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Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros.
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- Parábola do Homem Rico e LázaroConsequências éticas da vida voltada ao conforto · Ostentação da riqueza e identidade · Alegoria do banquete diário · A negação da existência do outro · A busca por migalhas e a falta de compaixão · A morte como niveladora · O abismo entre ricos e pobres · A importância de Moisés e os profetas
- Reflexão sobre a vida boaAvaliação e julgamento do passado · Condenação do uso da riqueza · A falta de vontade de escutar · A vida ensimesmada e egoísta
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Nós estamos cuidando do pensamento de Jesus, mais especificamente das suas parábolas. E hoje nós vamos tratar de uma parábola muito, muito, muito conhecida que você encontra no Evangelho de Lucas, em Lucas 16.
que é a parábola do Rico e Lázaro. A parábola relata, e eu vou apresentar da maneira mais próxima possível do texto bíblico,
Havia um homem rico, esse homem rico se vestia de púrpura e linho finíssimo, e todos os dias esse homem rico se banqueteava esplendidamente. Havia também um mendigo chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia a porta.
daquele homem rico, desejando as migalhas que caíam da mesa, até os cães vinham lamber-lhe as chagas. Muito bem, o mendigo morreu.
e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. No Hades, lugar para onde vão as almas, né? Estando em tormentos, o rico levantou os olhos e viu ao longe Abraão e Lázaro em seu seio. Então gritou, pai Abraão, tem misericórdia de mim e manda Lázaro que molhe na água.
Aponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Abraão então respondeu, filho, lembra-te de que recebeste teus bens em vida. E Lázaro, males. Agora, porém, ele é consolado e tu és atormentado. Além disso, entre nós e você há um grande abismo.
de maneira que os que quiserem passar daqui para aí não podem, nem tão pouco daí para cá. Então o rico disse, peço-te então, pai, que o mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também parar neste lugar de tormento.
E Abraão respondeu, eles têm Moisés e os profetas, eles que os escutem. E o rico insistiu, não pai Abraão, mas se alguém dentre os mortos for ter com eles, eles haverão de se arrepender. Abraão, porém, lhe disse, se não escutam Moisés e os profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que alguém ressuscite dos mortos.
Bom, aqui termina o texto, uma parábola longa. A gente podia tentar retomá-la e ver um pouco o que cada trecho quer dizer e com isso tirar desse texto.
algumas inferências que nos sejam importantes. Começa dizendo que o rico vestia púrpura e linho finíssimo. A púrpura sempre foi símbolo de poder, símbolo de distinção. O rico, portanto, além de ser...
proprietário, além de dispor dos recursos, além de usufruir dos recursos, ele também os ostenta. Portanto, ele faz da sua riqueza uma mensagem sobre si, vincula sua identidade tão tão tão tão tão tão tão tão tão tão tão tão tão tão tão tão tão
aos recursos materiais que tem, faz questão de comunicar a riqueza de que dispõe. Ele banqueteava-se todos os dias, o que significa que todos os dias havia uma mesma prática.
de apego aos prazeres que os recursos materiais traziam, sem que houvesse entre um e outro dos banquetes algum tipo de tomada de consciência, algum tipo de abertura, de ruptura, de análise da própria vida, de reflexão crítica sobre os próprios procedimentos.
Um mendigo chamado Lázaro, e eu aqui já interrompo, o rico não tem nome. O nome do rico é rico. O mendigo tem nome. O nome do mendigo é Lázaro. Então, é interessante porque aqui o texto mostra duas realidades identitárias completamente diferentes.
O rico é a riqueza, mas o pobre não é a pobreza. O pobre tem algo de identidade que transcende a sua condição material. E Lázaro jazia à porta. Perceba que ao afirmar que Lázaro jazia à porta, significa que Lázaro estava ao alcance da vista. Lázaro estava bem ali.
e que, portanto, se o rico não considerava Lázaro, não é por ignorância da sua existência. Ele não podia ignorar a sua existência porque ele estava bem à porta. O problema, portanto, não é a distância e a ignorância que a distância propicia, é mesmo um ato de vontade.
uma recusa de considerar a existência do outro. E Lázaro busca migalhas. Perceba que não se trata de uma reivindicação de justiça plena, mas apenas do resto, apenas daquilo que não seria consumido, apenas daquilo que seria jogado no lixo, e nem isso lhe é dado.
Os cães lambiam suas feridas. E aqui a comparação com os animais mostra bem que a animalidade é mais compassiva que a humanidade. O cão, ele considera Lázaro. O cão repara em Lázaro. O cão tenta diminuir a dor de Lázaro. Coisa que o rico não fez.
Morreu o mendigo e morreu o rico.
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E aí, subitamente, por um segundo, os dois são colocados lado a lado. Poderíamos dizer que a morte os enquadra no mesmo plano. A morte os nivela. E o mendigo vai para o seio de Abrão, imagem de acolhimento.
Imagem de integração, imagem de pertencimento. Lázaro, que em vida era inexistente, agora ocupa o centro da narrativa. E no Hades, a parábola diz, o rico viu ao longe. Agora o rico reparou.
em Lázaro. Antes Lázaro estava perto e ele não reparava, não considerava, não observava e agora ele observa Lázaro ao longe. O rico finalmente vê, mas talvez agora veja tarde demais. É interessante porque ele vira para Abraão e diz, manda Lázaro.
molhar o dedo na água. Perceba que o rico, mesmo no Hades, mesmo numa posição absolutamente desagradável e desconfortável, rebaixada, ele ainda tem o hábitos do comando e ainda pretende exercer poder.
Ele ainda comanda, manda Lázaro. E Abraão responde, lembra-te, lembra-te, apela a memória, lembra-te, apela a análise do passado, a retomada do passado no presente. E, portanto, Abraão exorta o rico.
a resgatar o passado no presente como uma forma de avaliação, de julgamento, de condenação. Recebeste teus bens em vida. É interessante porque não há uma condenação da riqueza, há uma condenação do uso da riqueza, há uma condenação...
do modo como a riqueza isola, no fundo impede o amor, e não é que isso seja necessariamente assim, é assim no caso da parábola. Abraão fala que há um grande abismo, e é interessante porque esse abismo no Hades, ele nada mais é do que...
A continuidade de um abismo estabelecido pelo próprio rico em vida. Já havia o abismo antes. Avisa meus irmãos. Aqui o rico se preocupa com alguém outro além dele. Mas são só os irmãos dele.
Há uma preocupação com outro, mas bem seletiva. Ele quer poupá-los do sofrimento, mas manifestamente ele não está preocupado com uma vida mais justa para os irmãos. Ele apenas gostaria que os irmãos não passassem por aquilo que ele está passando.
E Abraão diz, ele tem o Moisés e os profetas, sabe? Ele já tem o Moisés e os profetas. Ele que escute. Ou seja, o problema nunca foi a consciência do que é certo e do que é errado. O problema nunca foi falta de informação. O problema nunca foi ausência de ensinamento. O problema é falta de vontade de escutar mesmo.
O problema é um problema deliberativo, é um problema de gestão da própria vida. Portanto, nem que alguém ressuscite, nenhum milagre salva quem não está disposto a escutar. Uma vida ensimesmada, egoísta e que desconsidera o outro é um ato de vontade que nenhum milagre tem a capacidade de mudar. Muito bem, esse é o texto.
É o texto bíblico, tal qual ele aparece na Bíblia, no Sagrado Evangelho de Lucas. E, portanto, até aqui viemos. No nosso próximo episódio, vou tentar estabelecer algumas pontes entre essa parábola e alguma reflexão filosófica sobre a vida boa ao longo da nossa história do pensamento.
Eu espero que você tenha gostado. Se você gostou, houve de novo. Agora, se você gostou muito, aí você avisa alguém, avisa alguém, que aqui nós estamos falando das parábolas de Jesus. Era isso. Muitíssimo obrigado pela sua atenção. Eu lembro sempre que estamos patrocinados pela Estiman Chemical do Brasil e também pela Insider. Valeu!
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