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#PartiuPensar 214 - Aristóteles: Classificação dos Saberes

05 de maio de 202618min
0:00 / 18:56

Clóvis de Barros fala sobre a tripartição dos saberes, que é fundamental para o entendimento do pensamento aristotélico.

Assista o episódio em vídeo no nosso canal no Youtube!

https://youtu.be/x_eE0K2ysTo

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Edição & Sonorização: Murilo Lourenço @murilou

Participantes neste episódio1
C

Clóvis de Barros

HostJornalista, escritor, filósofo e professor
Assuntos7
  • Classificação dos Saberes de AristótelesCritérios de classificação: relação com o conhecimento · Telos (finalidade) como critério · Saber Teórico (Theoria) · Saber Prático (Praxis) · Saber Produtivo (Poiesis)
  • Saber TeóricoContemplação do divino/cosmos · Ver de inteligência, não sensível · Objeto: o que é necessariamente como é · Estabilidade e inteligibilidade do real · Exemplos: Física, Matemática, Metafísica
  • Saber PráticoObjeto: o que poderia ser diferente do que é · Decisão, escolha e ação humana · Contingência · Preocupação com valores · Ética e política
  • Saber Produtivo (Poiesis)Saber técnico, executar, realizar · Lidar com a técnica, operar a técnica · Eficiência e eficácia
  • Filosofia e PensamentoFilosofia acadêmica vs. cotidiana · Interesse de quem faz filosofia · Concorrência com a autoajuda · Sociologia da produção de conhecimento
  • Filosofia de PlataoManter conteúdos vivos na internet · Colaboração para pagar editores e plataformas · Impacto do conteúdo
  • Poesia e Manifestação da Alma HumanaApreciação de poemas · Poesia como forma sofisticada de manifestação da alma · Brilho e noções de literatura
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Partiu, partiu, partiu, pensar, partiu, pensar. Por instantes de plenitude, potência e luz.

Senhoras e senhores, estamos no ar. Esse é o nosso hashtag Partiu Pensar de toda terça-feira. Somos patrocinados pela ADV Box. É nóis, ADV, gratidão eterna.

começar a tratar do pensamento de Aristóteles. E nós vamos propor a apresentação da sua classificação dos saberes. E por quê? Porque essa classificação dos saberes de Aristóteles nos ajudará depois a inserir o próprio pensamento do autor nessa classificação. Tão amplo que é...

O pensamento de Aristóteles, tão ampla é a sua produção, que, tendo a classificação dos saberes na mão, nós podemos depois recheá-la com a produção do próprio autor.

A primeira observação que eu queria fazer é o seguinte, quando você pensa em classificação dos saberes, você poderia imaginar que o critério fossem as coisas do mundo a conhecer, né? Então, sei lá...

Você tem um mundo vivo e um mundo que não é vivo. Você tem o que está na Terra e o que está nos astros. Você tem o mundo humano e o mundo não humano. Você poderia pensar em N formas de categorização a partir do que você encontra pela frente.

Mas a classificação de Aristóteles, ela leva em conta não apenas o que você vai conhecer, leva em conta como o conhecedor vai conhecer e para que ele vai conhecer. Então, a classificação dos saberes é uma classificação que tem como critério e como referência a relação que temos.

com os conteúdos de saber. Então, é importante, porque Aristóteles leva em consideração o pesquisador na hora de classificar as pesquisas. E isso é muito legal a considerar.

Eu entendo que isso é absolutamente decisivo, porque uma das questões fundamentais para o pensamento grego é o tal do telos, a finalidade.

A finalidade. E por quê? Porque como o cosmos é ordenado e as coisas que estão no cosmos têm que cumprir um papel, o estudo do telos é fundamental, o estudo da finalidade. Para que aquilo existe?

O pra que aquilo existe explica o porquê daquilo existir. Existe para cumprir uma certa finalidade. Então, com os saberes não é diferente. É muito importante o para quê. É muito importante o telos.

e razão pela qual os saberes serão catalogados em função da sua finalidade e quem, claro, vai conferir finalidade a esses saberes é quem sabe, propriamente, né? O humano que sabe ou que busca esse saber, né?

Então, isso nos permite entender uma tripartição inicial dos saberes que você precisa levar em conta aqui. Uma tripartição, uma separação em três mesmo, um triângulo, uma coisa sem a qual a gente não sai do lugar no pensamento de Aristóteles. É preciso levar isso em conta. Para Aristóteles, você tem, de um lado, aquilo que ele chama de saber teórico,

saber teórico. De outro lado, aquilo que ele chama de saber prático. E no terceiro lado, é o que ele chama de saber produtivo, propriamente. Então, teoria, praxis e poieses, que é a produção. Então, perceba, para Aristóteles, os saberes são saberes.

de busca de uma verdade sobre as coisas por ela mesma, saberes que têm a ver com o nosso comportamento, a nossa ação, a nossa atitude no mundo. Em terceiro lugar, os saberes que têm a ver com aquilo que faremos existir no mundo, faremos fabricar no mundo, produziremos no mundo.

Teoria, praxis e poieses Então, acho que se você não anotar isso e não levar isso em conta A gente não sai do lugar, porque isso é o primeiro degrau Primeiro degrau Então, comecemos uma palavrinha sobre o saber teórico

Saber teórico. A palavra teoria, muitos dizem, ela é proveniente de teion orao, que significa contemplação do divino. Mas a contemplação do divino aqui é o divino presente no cosmos.

Quer dizer, a ideia de que o cosmos é perfeito, o cosmos é maravilhoso, o cosmos é incrível, o cosmos é sensacional e não fomos nós que fizemos. Então é divino, é divino, é divino. A contemplação do divino é a contemplação, digamos, da obra do divino, do divino manifesto através do cosmos.

então essa é a teoria então não se trata de um saber que busca transformar nada não se trata de um saber que busca permitir ao homem e a mulher agir no mundo não se trata de um saber que permite o homem e a mulher produzir nada mas permite apenas saber o que existe ver o que é é um saber que termina nele mesmo é um saber que termina nele mesmo

Agora, essa contemplação do divino, essa contemplação, esse ver, ele não é um ver com os olhos, não é um ver sensível, não é um ver de retina.

É um ver de inteligência, é um ver de vislumbrar, é um ver de conceber, é um ver de arquitetar com a mente. Trata-se aqui de um outro tipo de ver.

Quando você dá uma aula e você diz, veja bem, você não está pedindo para a pessoa abrir os olhos, você está pedindo para a pessoa conceber, para a pessoa supor com a inteligência. Então aqui nós temos essa contemplação do divino, que é uma contemplação intelectiva do cosmos.

E aqui é preciso destacar, a teoria tem por objeto aquilo que é necessariamente como é. Dadas certas estruturas cósmicas, dadas certas leis que presidem a natureza,

O vento venta como só poderia ventar, então ele é objeto de teoria. A maré-mareia como só poderia marear, então ela é objeto de teoria. O sol brilha como só poderia brilhar, então ele é objeto de teoria. A estrela percorre uma órbita como só poderia percorrer, então ela é objeto de teoria. Então perceba, a teoria tem por objeto a contemplação daquilo que é necessariamente do jeito que é.

aquilo que é necessário aquilo que não poderia jamais ser diferente do que é, ficou claro isso? ponto central o saber teórico é um saber que só é possível porque há algo no real há algo na realidade que é estável, que é inteligível, que é universal, então nesse sentido tem que ser como

é. Ora, o que que pode ser teoria? A física e os princípios da natureza é o que é. Assim como eu citei os exemplos do vento, da maré, da astrofísica, etc. A matemática que é o que é, tal como sabemos com os teoremas ou pretende ser necessariamente aquilo.

E finalmente, a metafísica, que vai além da física, que é o estudo do ser enquanto ser. A metafísica. Então, é claro que a metafísica, a física e a matemática são estudos que têm por objeto aquilo que é necessariamente do jeito que é. Portanto, são objetos da teoria.

Eu sou Clóvis de Barros e venho aqui propor a você nos apoiar a manter vivos os nossos conteúdos de filosofia na internet. Para você participar com uma singela colaboração, você deve entrar em apoia.se barra inédita pamonha.

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além da teoria há a praxis e aí o objeto de estudo não é mais o que é necessário mas é o que poderia ser diferente do que é é o que é objeto de decisão é o que é objeto de escolha é a ação humana

Ação refletida, ação pensada, ação deliberada, ação escolhida. Então, eu estou aqui, poderia não estar. Estou falando o que estou falando, poderia não estar. Então, é claro, existe aqui...

Algo que poderia ser diferente do que é. E aquilo que pode ser diferente do que é, ele se opõe ao que é necessariamente como é. E em filosofia chamamos de contingente. Aquilo que pode ser diferente do que é. Então, perceba que...

O interesse do segundo campo de saber, que é o prático, é tudo aquilo que é decidido pelo humano e que poderia ser diferente do que é. Por quê? Porque o humano, de acordo com esse tipo de entendimento, claro, sempre poderá decidir de outro modo. E, portanto, estamos lidando com o saber daquilo que é. Mas poderia não ter sido.

poderia ter sido diferente do que foi. É claro que aqui nós temos, para estudar as escolhas e as decisões, toda uma preocupação com valores.

Porque escolhemos em função do que vale mais, do que vale mais para nós, mas do que vale mais também para o humano, para o universo, enfim. Há aqui N perspectivas, mas sempre haverá uma questão de valor, porque se eu não achar que um caminho vale mais do que o outro, fica difícil escolhê-lo. Finalmente.

O terceiro campo do saber é a poiesis, é a produção, é o saber técnico.

É aquele que hoje está em voga. É saber produzir, é saber executar, é saber realizar, é saber lidar com a técnica, é saber operar a técnica. E é claro que, para Aristóteles, este é apenas o terceiro dos campos de saber a que estamos nos referindo. Então...

Eu espero que você aqui tenha entendido o que é o primeiro degrau da nossa aventura aristotélica. Os saberes são de três tipos. Um saber contemplativo, teórico, que vale por ele mesmo. Um saber prático, decisional, ético, político, que vale pelo modo como agimos no mundo. E um saber técnico.

de eficiência, de eficácia, que é um saber de produção, que é um saber poético. São esses os três campos do saber em Aristótipos. É daqui que nós vamos avançar.

vamos responder as perguntas dos nossos ouvintes. O apoiador João Batista Tolentino pergunta se houve algum poema do livro Olhos Suplicantes que tenha chamado minha atenção, merecido minha apreciação.

E eu então, João Batista, vou fazer que nem o Chico Anísio com a velha de Taubaté. João Batista, eu li alguns dos poemas deste livro e eu adoro.

poesia e eu sou super respeitador porque a poesia é uma forma sofisticada e linda de manifestação da alma humana e a alma humana sabe cada um tem a sua, mas neste seu caso há brilho e há noções de literatura, técnicas portanto então

que tornam o trabalho expressivo. Agora, é claro, um comentário mais acurado exigiria de nós um café. Até para eu sanar algumas dúvidas que me ficaram daquela parte do livro que eu li. Beleza? Obrigado pelo teu apoio. Obrigado pela tua produção e por ter me permitido conhecê-la.

Alisson Gomes

Professor, por que a filosofia hoje é mais acadêmica e separada do nosso cotidiano? Alisson, porque isso é do interesse de quem faz. A filosofia inscrita no cotidiano é uma filosofia que fica muito à mercê de N outros campos do conhecimento que também se interessam pelo cotidiano. A filosofia teria que enfrentar pau a pau a autoajuda e, no olhar...

da maioria a autoajuda parece mais na mão. Então, é do interesse de quem faz filosofia de construir um espaço relativamente autônomo, relativamente hermético, relativamente isolado, onde os seus integrantes dominam um certo jargão, dominam um certo jeito de pensar e com isso se destacam.

de saberes, eu diria, menos complexos, que requerem menos anos de estudo, etc. Então, é um pouco por aí. As razões são razões que a sociologia ajudaria demais a esclarecer. A sociologia da produção de conhecimento. Beleza? Valeu!

Eu espero que você tenha gostado. Se você gostou, ouve de novo. Se você gostou demais, convida alguém para ouvir também. Esse foi o nosso hashtag Partiu Pensar dessa terça-feira. Patrocinados que somos pela ADV Box. Beijo grande. Valeu!

Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros. Para mais informações sobre cursos, livros e palestras, acesse clóvisdebarros.com.br E siga o professor nas redes sociais.

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