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Inédita Pamonha 315 - O servo fiel

30 de abril de 202617min
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Clóvis de Barros fala sobre responsabilidade e recompensa na análise de mais uma das parábolas de Jesus.

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Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros.

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Participantes neste episódio1
C

Clóvis de Barros

HostJornalista, escritor, filósofo e professor
Assuntos1
  • Parábola do servo desatencioso (Mateus 18:21-35)Responsabilidade e recompensa · Análise filosófica · Alegoria do Anel de Giges · Ética de Aristóteles
Transcrição45 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Começa agora Inédita Pamonha. Por instantes felizes, virginais e irrepetíveis.

Senhoras e senhores, estamos no ar. Este é o meu, o seu, o nosso inédita pamonha. Um oferecimento da Eastman Chemical do Brasil e da Insider a nossa roupa inteligente.

Estamos falando do pensamento de Jesus, mais especificamente das suas parábolas. E claro, hoje nós damos sequência a uma parábola nova, o servo fiel e o servo mau. Essa parábola você encontra no Evangelho de São Mateus.

Então eu começo com a leitura do texto e aí nós vamos tentar conversar a respeito. Quem é, pois, o servo fiel e prudente? A quem o Senhor encarregou-dos de sua casa?

para lhes dar sustento a seu tempo. Bem-aventurado aquele servo a quem o Senhor, quando vier, achar fazendo assim.

Em verdade vos digo que lhes confiará todos os seus bens. Mas, se aquele servo mal disser consigo, meu senhor tarda, e começar a espancar os seus companheiros e a comer e a beber com os ébrios, verá o senhor daquele servo um dia, em dia em que não o esperava, e em hora que não sabe e o castigará severamente, e lhe dará a sorte dos hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes.

No Evangelho de Lucas, você encontra a mesma parábola com um trecho adicional, um acréscimo. E esse trecho é, abro aspas, A quem muito foi dado, muito será exigido. E a quem muito se confiou, muito mais será pedido. É Lucas 12. Bom,

Você entendeu a história, o senhor vai fazer uma viagem, vai se ausentar, e ele então pede a um servo que tome conta dos outros, que distribua coisas para os outros, que alimente os outros, que dê abrigo para os outros, enquanto ele não volta. E aí então, um tempo depois, um tempo de ausência desse senhor, ele volta.

E aí o servo bom, o senhor encontrará fazendo tudo o que ele pediu. E o servo mau, ele encontrará se aproveitando da ausência dele próprio e agredindo, condenando a penúria, humilhando os demais servos.

Então é esse o cenário, e é claro que esse cenário nos dá a oportunidade de muitas reflexões interessantes. A primeira delas é observar que há parábolas de Jesus que são mais doces, que são mais amenas.

que têm uma espécie de beleza imediata, tocam a sensibilidade, como, por exemplo, a parábola do filho pródigo, a parábola do bom samaritano, a parábola da ovelha perdida. São parábolas que rapidamente tocam o coração do leitor.

Agora, essa parábola de hoje, a parábola do servo fiel e do servo mau, essa aparentemente joga em outro time, pertence a um outro grupo. Ela não toca pela ternura, ela não agarra pela ternura, mas pelo contrário, pela gravidade, pela seriedade.

pelas consequências mais, assim, drásticas, né? Não é uma parábola de consolação tranquila, é uma parábola de avaliação rigorosa, dura. Talvez, por isso mesmo, ela seja bem atrativa para pensar, do ponto de vista filosófico, a nossa existência.

É muito difícil não entender de pronto a gravidade da cena, ou se você preferir, a sua densidade. Porque há, assim, num primeiro momento, primeiro elemento, há um senhor que se ausenta.

há um senhor que se ausenta. Então, isso significa que existe aqui uma hierarquia, um exercício de poder, e há um senhor que se ausenta. E, quando ele está presente, ele exerce um certo poder. Ele não estando presente, ele vai delegar.

esse poder. Então há um servo que permanece. O senhor se ausenta, o servo permanece. E outros servos também permanecem e passam a depender desse primeiro servo. E por quê? Porque este primeiro servo recebeu uma espécie de delegação para se ocupar dos demais.

E, claro, o outro elemento dessa parábola é que há um tempo entre A e B, um delta T, um intervalo, uma demora, que é o tempo em que permanecerá ausente o Senhor. Então, toda a parábola se passa nesse tempo, entre A e B. O servo é titular de uma delegação.

E ele vai se ocupar dos demais. É um espaço silencioso entre a partida do senhor e o retorno do senhor. E é exatamente aí, nesse período de ausência...

que você encontra de maneira mais clara uma imagem da nossa própria condição humana, de criatura humana. Porque a grande questão da parábola não é, em primeiro lugar, a volta do Senhor. Eu diria, a grande questão não é o...

O momento que ele volta, quando que ele vai voltar? A grande questão é outra. É o que fazemos quando a presença do Senhor não se verifica? O que fazemos quando a presença do titular não se dá? O que fazemos quando a presença do fundamento não é imediatamente sensível? Ou se você preferir, o que fazemos quando não tem ninguém olhando?

O que fazemos quando aparentemente ninguém está vendo? Quando a autoridade não se encontra, não está presente. E aí, essa é a pergunta, né? O que acontece conosco quando a vigilância cede lugar à fidelidade? O servo fiel, ele é descrito...

de uma maneira muito concisa. Ele não é apresentado como alguém extraordinário, como alguém fora da curva, como alguém particularmente sábio. A sua definição é uma definição simplória.

A única coisa que é dito sobre ele é que ele é aquele que dá sustento a seu tempo. Quer dizer, a seu tempo, quer dizer, durante o tempo da delegação. Dar sustento é dar sustento aos demais servos. Então, claro, essa expressão é sintética, ela é muito firme, ela não tem frufru nenhum.

Ela não está falando de um heroísmo particular, ela não está falando de uma força de vontade mitológica, ela só fala de uma adequação, de uma responsabilidade assumida. O servo fiel é aquele que sabe agir corretamente no momento certo.

Ele, por conta do compromisso assumido, não vive exatamente para si. Ele não se aproveita da ocasião para um proveito próprio. Ele administra e, administrando, ele provê sustento. Ele serve. Ele serve os demais servos.

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Eu poderia te dizer, para nós começarmos a cuidar da parábola, que essa parábola, antes de mais nada, ela faz pensar no livro 7 da República de Platão. Por quê? Porque no livro 7 você encontra a alegoria do Anel de Giges, que é uma alegoria que trata de um momento de invisibilidade.

Então fica claro que a questão moral está muito ligada a um crivo sobre si mesmo e, portanto, ao fato de você não agir pelo medo do olhar do outro, ao fato de você não agir

constrangido por uma exterioridade. O pastor Giges, ele percebeu que de posse de um anel, ele ficava invisível, e aí ele enfiou o pé na jaca, ele aloprou, ele foi um canalha, e ele não era isso.

Então ele se aproveitou de um momento de invisibilidade para obter benefícios próprios, benefícios para si. E naturalmente que o pastor Giges faz pensar no servo mau, porque o servo bom não se aproveita da demora do seu senhor para se aproveitar.

com o perdão aí do pleonasmo, mas às vezes vale a pena. Ele não se aproveita para tirar benefício para si. Pronto, está arrumado. Essa alegoria também faz pensar em Aristóteles. Porque na ética de Aristóteles, que a meu ver tem muita afinidade com essa parábola, o servo fiel, ele é...

apresentado como um homem de caráter formado. Ele não é fiel porque proclama com estardalhaço a sua fidelidade, mas porque encarna essa fidelidade numa prática habitual, numa prática repetida, cotidiana, quase silenciosa, discreta, íntima.

E é bem o que Aristóteles diz, a virtude não é um instante episódico, isolado, um momento raro, único. Ela se objetiva, ela se materializa numa trajetória, portanto ela requer a formação de um hábito.

Nós não somos justos porque um dia agimos com justiça. Nós somos justos porque estamos habituados a isso. Estamos habituados a escolher com justiça. O servo fiel é, nesse sentido, um servo justo, um servo prudente, um servo virtuoso.

Um servo com inteligência prática, capaz de discernir o que deve ser feito, quando deve ser feito, para quem deve ser feito, como fazer o que deve ser feito. A frase usada no texto é dar sustento a seu tempo. Perceba então que aqui é...

Fica cravada a ideia da habitualidade. A pessoa virtuosa é aquela que não se perde nem na omissão, nem no excesso. Ela trabalha numa justa medida.

E é isso que o servo, que o senhor esperava do seu servo. A gente poderia dizer que o servo fiel, assim como o homem virtuoso de Aristóteles, ele não é justo no improviso, ele não é justo porque deu sorte, ele não é justo por uma ocasião favorável, ele é justo porque ele é um homem interiormente organizado.

habituado a agir bem. E é por isso mesmo que ele pode cuidar daquilo que lhe foi confiado com regularidade. Já o servo mau, esse já diz para si mesmo, meu senhor tarda, é hora de eu me aproveitar. Toda a maldade

ela se vê traduzida nessa frase, né? Meu senhor tarda. Porque o senhor aqui é o olhar externo, é o olhar repressor, é o olhar que garante o bom comportamento. O servo mal deixado à sua própria sorte, ele é mau. E agirá de maneira injusta.

Você percebe então que a ausência da autoridade acaba indicando uma espécie de liberdade para agir sobre o mundo em benefício próprio. O servo mau transforma a demora em canalícia autorizada. Já que o senhor não vem, eu estou autorizado a fazer o que eu quiser. Se eu não estou sendo vigiado, então tudo é permitido.

Se não há retorno imediato da vigilância, então posso viver para o meu próprio prazer.

Ora, eu espero que com esses dois pontos de Platão e Aristóteles, você tenha começado a atribuir algum sentido a essa parábola do servo fiel e do servo mau. Se você gostou, você por favor ouça de novo e se você gostou muito.

Convida alguém para se juntar a nós, porque é bem legal. Na semana que vem eu retomo essa parábola. Por quê? Porque muitos outros grandes pensadores têm algo a dizer a respeito. Muitíssimo obrigado pela sua atenção e pelo apoio de sempre. O patrocínio é da Eastman Chemical do Brasil e da Insider. Um beijo grande. Valeu!

Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros. Para mais informações sobre cursos, livros e palestras, acesse clóvisdebarros.com.br E siga o professor nas redes sociais.

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