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Inédita Pamonha 314 - Trabalhadores da Vinha

23 de abril de 202617min
0:00 / 17:27

Clóvis de Barros fala sobre a justiça e os riscos da comparação com a vida alheia.

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Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros.

Patrocínio: Eastman Chemical do Brasil e INSIDER.

Participantes neste episódio1
C

Clóvis de Barros

HostJornalista, escritor, filósofo e professor
Assuntos1
  • Parábola dos trabalhadores da vinhajustiça e generosidade · inveja e comparação · ressentimento
Transcrição44 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Começa agora Inédita Pamonha. Por instantes felizes, virginais e irrepetíveis.

Senhoras e senhores, estamos no ar. Este é o meu, o seu, o nosso inédita pamonha. Um oferecimento da Eastman Chemical do Brasil e da Insider. A nossa roupa inteligente.

Pois muito bem, nós estamos falando do pensamento de Jesus, das suas parábolas e chegou a hora, chegou a vez, chegou o momento de nós tratarmos da parábola dos trabalhadores da vinha. Parábola dos trabalhadores da vinha que você encontra em Mateus 20, de 1 a 16. E aí nós vamos abrir aspas.

ler o texto sagrado e depois dialogar com ele, destrinchá-lo, abordá-lo aos pedaços, enfim, fazer tudo o que pudermos para torná-lo eloquente, verificar o que é que Jesus quis explicar para nós, humildemente. Claro.

É possível que muita coisa relevante fique de fora, mas aqui conta muito a nossa tentativa, a nossa deliberação, a nossa iniciativa de abordar o texto.

E isso já é muito legal. Usaremos tudo o que temos na mão de recurso para fazer aproximações, fazer analogias, estudar por aproximação. Em suma, todos os recursos que a nossa inteligência nos dá para poder atribuir sentido ao texto bíblico.

Então, venha comigo, eu abro aspas. Porque o reino dos céus é semelhante a um proprietário que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para sua vinha. Depois de combinar com os trabalhadores um denário por dia, mandou-os para a vinha. Saindo pela terceira hora.

Veja, ele então saiu uma vez e contratou certos trabalhadores, um grupo, por um denário por dia. Depois, de algum tempo, ele viu outros que estavam na praça desocupados e disse-lhes, Ide também vós para a vinha, e eu vos darei o que for justo. E eles foram.

Saiu depois pela sexta hora, diz o texto, e pela nona hora e fez a mesma coisa. Saindo depois por volta da hora onze, ou seja, onze horas depois que ele contratou os primeiros trabalhadores, ele encontrou outros que ali estavam e perguntou-lhes, por que estás aqui o dia inteiro sem trabalhar?

E eles responderam, porque ninguém nos contratou. Então o dono da vinha lhes disse, ide também vós para a vinha. Ao cair da tarde, o senhor da vinha disse ao administrador, chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até os primeiros.

Vieram os da hora onze e receberam um denário cada um. Depois vieram os da hora nove, os da hora seis, os da hora três e tal. Chegando os primeiros, pensaram que receberiam mais. Porém, também eles receberam um denário cada um. Ao receberem, começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo Quer dizer, dizer, dizer o quê dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer dizer

Estes últimos trabalharam só uma hora e tu os igualaste a nós, que suportamos o peso do dia e o calor ardente. Então?

O proprietário da vinha respondeu a um deles, amigo, não estou sendo injusto contigo. Não combinaste comigo um denário? Toma o que é teu e vai. Eu quero dar a este último tanto quanto a ti. Não me é permitido fazer o que quero com o que é meu? Ou estás com inveja porque eu sou bom? Assim, os últimos serão primeiros e os primeiros serão últimos. Aqui eu fecho aspas.

Nossa, eis aí uma parábola de sentido intrigante, porque mexe com convicções e crenças sobre justiça que nos são muito familiares.

mexe com o entendimento de justiça do senso comum, é um texto provocativo, porque na nossa cabeça, enfim, quem trabalhou mais ganha mais, quem trabalhou menos ganha menos, então talvez fosse interessante verificar o que está por trás, aonde está a problematização do nosso senso comum.

Primeira vista, conforme eu estou tentando te dizer, a história parece meio escabrosa. Um proprietário contrata trabalhadores ao longo do dia, alguns de madrugada, outros às nove horas, outros ao meio-dia, outros às três da tarde, outros às cinco da tarde, e no final todos recebem um denário, todos recebem o mesmo pagamento.

A reação dos que trabalharam mais é imediata, isso não é justo. Bom, a gente poderia dizer que do ponto de vista da lógica do mercado,

da lógica trabalhista no mercado, eles até parecem ter razão. Se alguém trabalhou 12 horas e outro trabalhou uma hora fazendo um serviço idêntico, que fique claro, o salário deveria ser proporcional. Mas, aparentemente, a parábola não quer discutir esse tipo de justiça proporcional.

do mundo do trabalho moderno. Parábola quer nos propor uma reflexão a respeito da diferença entre justiça de equivalência e generosidade gratuita. E, portanto...

uma diferença entre um entendimento do que é apenas justo e do que é generoso. O dono da vinha, o proprietário da terra, ele não enganou os primeiros contratados, pelo contrário.

ele lhes entregou exatamente o que estava combinado, exatamente o que ele tinha prometido. Portanto, se existe alguma coisa de surpreendente, não está na eventual injustiça cometida contra eles, porque ela não existiu.

Na verdade, o que há de surpreendente está no modo como ele tratou os demais. Está no fato dele ter sido generoso demais com os outros contratados. E é exatamente isso que incomoda o nosso senso comum.

Muitas vezes nós não sofremos por conta do que recebemos e que foi combinado, mas nós sofremos porque o outro recebeu mais. Digo recebeu mais porque embora tenha recebido a mesma coisa, trabalhou menos.

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Aparentemente, o cerne dessa parábola está nessa frase, estás com inveja porque eu sou bom. Em alguns lugares você lê, teu olho é mau porque eu sou bom. Teu olho é mau porque eu sou bom.

Ou seja, você me olha com ódio porque eu sou bom. Essa expressão olho mal não é só uma questão de inveja. Na verdade, o olho mal é o olho entristecido pela comparação com o outro. É o olho.

apequenado em potência pela vantagem aparente do outro. Portanto, o olho mau é um olho do ressentimento mesmo.

O problema dos primeiros trabalhadores não é o quanto eles receberam, porque o que eles receberam foi justamente o que foi combinado. O problema dos primeiros trabalhadores é o ressentimento em relação ao pago para os demais. O problema deles é o olho mau. Eles deixam de pensar em termos de pagamento justo e passam a pensar em termos de pagamento comparativo.

Enquanto estavam trabalhando durante toda a jornada, aquele acordo e aquele pagamento lhes parecia justo. O pagamento passou de justo a injusto não em relação a eles próprios, mas em relação ao pagamento oferecido aos demais. Portanto, há.

A atitude do dono da vinha passou de justa para injusta em função de uma comparação com os demais. Talvez Jesus esteja querendo nos ensinar que muito do sofrimento humano não está...

na vida que nos toca viver, mas está na comparação dessa vida com outras vidas vividas ao lado. Muitas vezes o sofrimento maior não é pelos obstáculos enfrentados que se multiplicam, é pela ausência aparente de obstáculos enfrentados pelo vizinho.

Muitas vezes o sofrimento maior não é pela chatice do próprio cônjuge, mas o sofrimento maior é pela excelência aparente do cônjuge do vizinho.

Muitas vezes o sofrimento maior não está nas dificuldades do próprio trabalho, mas está nas benesses iluminadas, nas vantagens claras do trabalho do vizinho. Então, talvez...

A lição aqui, pelo menos a lição que nos toca tirar para o episódio de hoje, seja muito clara. Joga o teu jogo aí e, sabe, deixa de ficar...

avaliando a própria vida em função do que você acha que é a vida do outro. Porque esse método de avaliação da própria vida na comparação com a vida do outro,

é um método inadequado. Você deve avaliar a justiça das coisas inerentes à tua vida por ela mesma, e não em função do que acontece em outro lugar. E aí, claro está que essa lição, ela é de extraordinária atualidade porque muito do que

nos martiriza, tem a ver com essa pretensão mimética, esse hábito da imitação, esse hábito da comparação, essa métrica que nos faz pensar que quando é então que nós ficaríamos felizes, não é?

Nós ficaríamos felizes quando a situação se invertesse, quando fôssemos nós os, digamos, aquinhoados com alguma vantagem comparativa, etc. Então, nem num sentido, nem no outro, devemos avaliar a própria vida, tendo como régua a vida alheia. Por quê? Porque...

O entendimento, a consciência que temos da própria vida é incomparável com a consciência que podemos ter da vida alheia. Por isso, devemos estar focados naquilo que é justo para nós.

Nossa, foi muito legal. Eu espero que você tenha adorado. Se você gostou, você ouve de novo. E se você gostou muito, aí o que você faz é convidar alguém para ouvir também. Nós vamos continuar com essa parábola quinta-feira que vem. Não tenha dúvida. E o editor Marcial está eufórico e apreensivo.

para que as parábolas possam ser tratadas em termos de texto escrito, para a publicação final desta obra de envergadura, tão grande quanto foi a Ilíada e a Odisseia, Clóvis explica e conta as parábolas de Jesus. Mas a gente faz o que pode e depois a gente tem que ir devagar mesmo, que é para poder ir degustando passo a passo.

Um beijo grande, espero que tenham adorado mesmo. Valeu, valeu, até quinta que vem. O patrocínio é sempre da Insider. O patrocínio é sempre da Eastman Chemical do Brasil. Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros.

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