Inédita Pamonha 313 - Consciência e direção
Clóvis de Barros fala sobre a intenção como força motriz na parábola da casa sobre a rocha.
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- Intenção na parábola da casa na rochaIntenção como força motriz · Pensamento de Jesus · Filosofia de Platão · Filosofia de Aristóteles · Estabilidade do caráter
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Bem, nós estamos falando do pensamento de Jesus, estamos falando das suas parábolas e a parábola de que estamos nos ocupando é a parábola da casa na rocha. Esse é o terceiro episódio dedicado a essa parábola, porque os comentadores costumam, ao comentar essa parábola, costumam trazer um elemento.
tipicamente filosófico que nos interessa de perto, sobre o qual vale a pena uma palavrinha, um comentário, que é a noção de intenção. Normal, porque aquele que constrói a casa na areia tem uma intenção, aquele que constrói a casa na rocha tem outra...
intenção, essa intenção evidentemente sugere procedimentos diferentes, talvez mais simplórios na casa da areia, talvez mais trabalhosos na casa da rocha, mas a noção de intenção ela continua relevante, muito relevante para nós nessa parábola.
Então, eu proponho a vocês uma reflexão começando mesmo do zero. Quer dizer, no final das contas, quando a gente pergunta o que é intenção, ou qual foi a tua intenção, ou qual foi a intenção daquele que fez isso, o que ele pretendia, na verdade...
No cotidiano, no final, é uma pergunta de compreensão muito simples. O que a pessoa queria com aquilo? Quer dizer, por que ela fez aquilo? O que ela pretendia que acontecesse com aquilo que ela fez?
Qual era a sua intenção, né? Qual era a sua intenção em dar um buquê de flores pra fulano de tal ou fulana de tal? A minha intenção era me desculpar. A minha intenção era...
seduzir, a minha intenção era alegrar, a minha intenção era... Então, evidentemente que tem a ver com o que você pretendia que acontecesse a partir do que você fez. Portanto, tem um pouco a ver com o efeito vindouro acarretado pela sua ação.
Então, no final das contas, tem a ver com o que você quer que aconteça, portanto, tem a ver com para que lado a pessoa está virada, está orientada, o que ela quer viver no dia de amanhã.
Quando você dá flores para alguém, você quer viver com aquela pessoa um dia do amanhã com certas características diferentes daquelas que você teria se você não desse flores ou desse, sei lá, espinhos. Então, nesse sentido, é claro, você está preparando o amanhã.
É por isso que poderíamos sugerir que a intenção é uma orientação, uma orientação a respeito da vida que está por vir, da vida que está por ser vivida, ok? Agora, é claro que quando a gente sai do senso comum, a gente rapidamente percebe que isso pode se complicar.
O ser humano não é estático, ele não é como uma pedra que simplesmente fica ali. O ser humano é um vivente em movimento e não é qualquer movimento. É um movimento direcionado, é um movimento norteado, é um movimento orientado. Então, vamos lá.
Então a nossa consciência, enquanto nos movimentamos, ela não fica de bobeira, ela não fica, digamos, ensimesmada, ela não fica repousando em si mesma. Nossa consciência se lança para fora dela, ela aponta, ela busca, ela...
atribui sentido, ela teme, ela deseja, ela ama, ela despreza. Em outras palavras, a nossa consciência está sempre voltada para alguma coisa no mundo. Ora, essa ideia de que a consciência esteja sempre voltada para alguma coisa no mundo, ou se você preferir, a ideia de que a consciência seja sempre consciência de,
alguma coisa. Ela é uma proposta filosófica relativamente recente. Nós poderíamos citar o filósofo Brentano, Franz Brentano, como também o Husserl, não com R, mas o Husserl com H. Edmundo, H-U-S-S-E-R-L.
O que é interessante nessa história é que essa proposta de uma consciência intencional, isto é, uma consciência voltada para fora, uma consciência de alguma coisa, de certo modo já estava presente em Platão. Se você...
Observar com atenção, a alma em Platão nunca é um recipiente vazio, tampouco passivo. A alma em Platão é sempre uma alma tensionada, digamos assim. A alma em Platão é sempre voltada para um mundo que em algum momento falta.
E mais do que simplesmente falta, mas um mundo que faz falta. A alma é sempre em direção a algo, a algo que não está plenamente possuído, a algo que não está plenamente dado. E é exatamente aqui a ideia de Eros em Platão. O Eros em Platão não é um desejo qualquer.
O Eros em Platão é uma espécie de motor da vida, é a parte forte da alma, é aquilo que, digamos, nos dificulta a plenitude, nos dificulta ficar satisfeitos.
ficar satisfeitos com o que temos imediatamente. É uma espécie de força que nos empurra, que nos arranca do que já está consolidado, do que já está dado e nos empurra para outro lugar, nos empurra para um lugar mais alto, nos empurra para um lugar de maior valor.
Então aqui você tem o ponto decisivo. O Eros de Platão é uma forma de intenção. A alma ama aquilo que ainda não possui. Ela se move em direção ao que lhe faz falta. E quando a alma se move em direção ao que lhe faz falta, ela revela algo fundamental sobre si mesma.
Ela é estruturada mesmo por essa busca. Ela é estruturada por esse encaminhamento. Ela é estruturada por esse direcionamento.
Direção, mundo que faz falta. A força disso é tão incrível que você não consegue saber quem é uma pessoa perguntando para essa pessoa o que você é ou quem você é. Porque no final das contas, o que vai nos dizer
Quem é uma pessoa, mais do que o que ela é numa fotografia, é para onde ela está indo num filme em movimento. E para onde ela está indo no sentido de o que ela está buscando, o que ela pretende, o que a atrai, o que lhe põe em movimento.
Então, veja que interessante. Quando Platão fala da conversão da alma no mito da caverna, daquele que está virado para a parede e se liberta e vai para a porta da caverna, o problema não é apenas que os prisioneiros veem sombras, é que o olhar deles está...
constrangido em direção às sombras. A intenção deles está, digamos, congelada pelo imediato, pelo que é aparente, pelo que já conhecem, pelo que lhes é confortável. Sair da caverna não é apenas mudar de lugar.
É mudar a direção da alma, é mudar a intenção da existência, é reorientar o projeto, né? Reorientar o olhar, é aprender a desejar para além da sombra, é aprender a desejar mais alto, é aprender a desejar melhor, é qualificar a vida da alma.
Então em Platão a vida boa não é simplesmente fazer coisas corretas, é alguma coisa muito mais potente, eu diria. É aprender a amar o que tem valor, é aprender a amar o que merece ser amado, é educar o Eros.
É, portanto, uma educação erótica no sentido da purificação do desejo. Porque a alma, ela sempre deseja, né? Mas ela pode desejar mundos de quinta, né? Ela pode desejar mal, ela pode desejar pequeno.
Quando ela deseja pequeno, toda a vida se desqualifica, toda a vida se... Ela murcha, né? Ela perde viço.
Então é muito interessante que o poeta nos diz que tudo vale a pena quando a alma não é pequena, e a alma que não é pequena é a alma que deseja grande, a alma que deseja alto, a alma submetida a uma educação erótica.
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Poderíamos sugerir que a questão da intenção vai ganhar uma outra dimensão com Aristóteles. Porque se Platão aponta para uma ascensão em direção à ideia de bem, eidos, Aristóteles vai nos mostrar como é que essa intencionalidade se organiza na ação humana.
E Aristóteles proporá aquilo que é super conhecido, tudo o que fazemos, fazemos em vista de algo. Tudo o que fazemos aqui e agora é visando algo além do que estamos fazendo aqui e agora.
Portanto, fazemos em vista de algo. Tudo o que fazemos é feito em função daquilo que ainda não está ali. Portanto, nada do que você faz é neutro.
Nada é acaso puro. Se você age, você age pensando em algo além. Você age em função de um fim. Então toda ação, segundo Aristóteles, carrega uma intenção. E se você porventura vier dizer que não, que fiz sem pensar em nada, fiz... Muito senhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhanhan
pensando em outra coisa, estava totalmente fora dali, totalmente alheio àquilo que eu fiz, pois então nesse caso não se trata de uma ação.
Mesmo quando você erra, você erra porque algo lhe pareceu adequado para alcançar o que você pretendia. E no final não era.
Você não escolhe a alternativa errada porque fez de propósito, você não escolhe o mal enquanto mal, você escolhe equivocadamente aquilo que naquele momento pareceu orientado ao que é desejado.
E é por isso que você fez o que fez. Então, para Aristóteles, a vida humana é compreensível. A vida humana é, nos dizeres da filosofia, inteligível, justamente porque ela é...
orientada, porque ela é direcionada. Se você consegue identificar o fim buscado por alguém, você começa a entender a lógica prática dessa pessoa. Por que que ela faz o que faz? Por que que ela fez o que fez?
A intenção é como se fosse um fio invisível que organiza os atos. Mas não é só isso, né?
Aristóteles também percebe que o ser humano não é só um ser que deseja, ele é um ser que pensa sobre o que deseja e dentro desse pensa, dentro desse pensamento, ele decide.
ele escolhe, ele delibera sobre o que deseja. E isso é absolutamente decisivo para o pensamento aristotélico. A ação propriamente humana não é um impulso sem...
ego, ela é escolha. E escolha, para Aristóteles, é alguma coisa filosoficamente complexa, sofisticada. A escolha é o encontro. A escolha é a tangência entre a razão e o desejo. Nós não apenas queremos, nós pensamos sobre o que queremos.
Por isso que para Aristóteles a virtude não está apenas no que se faz, mas no modo como se faz. Não basta você fazer certo por acaso, na sorte, na casualidade. Não basta fazer certo, assim, na avaliação material da conduta, do movimento.
Não, é preciso fazer certo em função das razões certas, com a correta intencionalidade. Por isso é que a intenção está no coração da vida ética, porque no final a ética é avaliadora do que você queria que acontecesse.
dessa intencionalidade. Para você entender melhor, duas pessoas podem fazer exatamente a mesma coisa, no caso, uma casa, no caso da parábola de Jesus.
E, no entanto, essas pessoas podem agir de maneira completamente diferente do ponto de vista moral, digamos assim. Porque o que está em jogo não é o que a pessoa fez. O que está em jogo não é o que a pessoa construiu, mas as razões pelas quais fez o que fez.
A intencionalidade que sustenta aquela ação. A direção que confere fundamento àquela ação. É por isso que Aristóteles toca num ponto...
super discutido nos dias de hoje, a vida boa não depende apenas de decisões isoladas boas, mas a vida boa depende da formação de um autêntico programa de boas condutas, aquilo que Aristóteles chamava de caráter.
O caráter nada mais é, no final das contas, do que essa estabilização de certas intenções, uma espécie de consagração estendida no tempo de uma certa intencionalidade. Quando a alma é educada para o caráter, ela passa a desejar o que é bom de maneira quase natural, como se fosse uma segunda natureza.
A intenção, portanto, não é um momento pontual que vem antes da ação. A intenção é uma forma estável que a alma vai assumindo ao longo da vida. Ora, por essas e por outras, toda essa reflexão de intencionalidade que estamos aqui propondo é uma reflexão que nos ajuda a...
olhar para a parábola da casa na rocha com olhos de mais consistência, com base conceitual mais sólida. Eu gostaria então que você se lembrasse da parábola em questão. Por quê? Porque...
No final das contas, se você se lembrar bem da casa na rocha, essa parábola remonta à ideia de que você pode construir a casa num lugar.
pode construir a casa em outro lugar e que aparentemente dá na mesma, mas quando vem a dificuldade, quando vem a intempérie, a casa na rocha confere mais estabilidade, pois muito bem é de caráter que estamos falando.
O caráter é a estabilidade de uma intencionalidade diante dos diversos momentos da vida. Diante dos diversos momentos da vida.
Então, nesse sentido, eu pediria a você que considerasse essa reflexão sobre a intencionalidade para que, claro, você entendesse o vínculo que liga o que Jesus quer dizer com...
A ideia da filosofia aristotélica. Quem ouve e pratica, constrói sobre a rocha. Quem ouve e não pratica, constrói sobre a areia. Perceba o quanto esse pratica aponta para uma prática que se estende.
É o presente do indicativo que se estende. Então, nesse sentido, quem ouve e converte a palavra em fundamento de caráter, tenderá a agir por hábito de maneira virtuosa.
E quem ouve e não pratica, não converte a palavra em caráter. É como construir uma casa sobre areia. No primeiro tormento, o que acontecerá, haverá uma conduta, eu diria, conivente com as necessidades de ocasião.
Quando o caráter é firme, a casa permanece sólida e as intempéries não são suficientes para reorientar aquilo que o caráter já havia orientado previamente.
Pois muito bem, eu espero que tenham gostado. Essa foi a nossa pamonha de hoje. Patrocínio eterno da Eastman Chemical do Brasil e da Insider, a roupa que te serve bem. Eu espero que você tenha entendido essa relação poderosa do pensamento de Jesus com o que nos propõem Platão e Aristóteles. Eu prometo que quinta-feira que vem mudamos de parábola. Um beijo grande. Valeu!
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