Inédita Pamonha 311 - A casa sobre a rocha
Clóvis de Barros comenta a parábola que aborda os recursos para enfrentar as tempestades da vida.
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Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros.
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- Intenção na parábola da casa na rochaparábola de Jesus · fundamentos da vida · prática versus conhecimento · resistência às adversidades · construção de hábitos
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Como sabem, estamos tratando do pensamento de Jesus de Nazaré, mais concretamente das suas parábolas. E hoje nós vamos ter palavra, palavra nova sobre uma parábola incrível que é a casa sobre a rocha. A casa sobre a rocha.
Você, por acaso, já ouviu essa parábola da casa sobre a rocha? Então, se nunca ouviu falar, é a oportunidade. Nós estamos no evangelho de Mateus 7. E eu começo como de hábito com o texto bíblico. Eu abro aspas. Eu abro aspas. Todo aquele...
Pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. E caiu a chuva.
Transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa que não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.
Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, será comparado a um homem insensato que construiu a sua casa sobre a areia e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa e ela caiu e foi grande a sua queda. Fecho aspas.
Bem, naturalmente que você deve imaginar que essa parábola da casa sobre a rocha é uma parábola que compara dois tipos diferentes de vida humana, de comportamento humano em relação aos ensinamentos de Jesus. Há uma semelhança entre ambos.
Os dois ouviram a palavra. Os dois conhecem a palavra. Só que há uma enorme diferença entre ambos. É que o primeiro, a partir da palavra, construiu uma vida prática. Passou a agir segundo a palavra. O segundo, não. Apenas conhece a palavra.
É capaz de reproduzi-la, é capaz de convertê-la em discurso próprio, mas não em ação. A comparação, a alegoria é sempre a da construção civil. A primeira casa é sólida comparada à vida daquele que fez da palavra...
os seus hábitos. A casa é frágil comparada à vida daquele que fez da palavra um mero discurso. Como sempre acontece, a força dessa parábola reside na sua extraordinária clareza e simplicidade.
Uma simplicidade que se funda num paralelismo geométrico absolutamente compreensível por qualquer um. São dois os construtores, ambos ouvem. São duas as fundações, rocha e areia. Os dois construtores ouvem a palavra, os dois construtores constroem casa.
tempestade é a mesma, vento, Jesus faz questão de usar as mesmas palavras, é a tempestade que bate, é o vento que sopra, é o, né, e dois desfechos
diferentes, um permanece, outro ruí. Não há, portanto, uma diferença no que tange o acesso à palavra, porque ambos a escutam, mas há uma diferença no estatuto existencial da palavra.
ou se você preferir, no papel que a palavra exerce na vida. O ponto central aqui é a diferença entre simplesmente conhecer e praticar. A palavra ouvida só se torna fundamento quando ela é incorporada.
quando ela se converte em hábito, quando ela não precisa sequer ser lembrada para ser vivida. A areia aqui, ou melhor, a casa construída sobre a areia, não corresponde à ignorância da palavra, corresponde a um saber que não se torna vida. Bom dia.
que não se torna hábito, que não se torna conduta. Ora, imagine um indivíduo estudioso da moral de Kant. Imagine um indivíduo leitor da crítica da razão prática. Imagine um indivíduo conhecedor do fundamento da metafísica dos costumes. Esse mesmo indivíduo, depois de ler por horas e estudar, assim...
regularmente a moral kantiana sai pro trabalho
E no seu trabalho ele corrompe agentes do Estado. Ele é um corruptor. Ele busca, através do aporte econômico indevido a um funcionário, comprar uma decisão favorável a ele próprio ou ao seu cliente. Perceba que nesse caso você tem uma casa construída sobre areia.
O indivíduo leu Kant, entendeu Kant, compreendeu Kant, mas na hora de viver, vive segundo outro tipo de referência. A filosofia moral aqui é só um discurso e não se traduziu em nada concreto do ponto de vista de conduta.
É por isso que poderíamos dizer que Jesus antecipa uma distinção essencial na filosofia. Saber o que é o bem e viver segundo o bem.
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Quando falamos em hábito, imediatamente pensamos na palavra de Jesus como fundamento existencial. A rocha não representa só solidez moral, ela é um princípio de sustentação do ser humano. E...
A tempestade simboliza a prova da existência. Sofrimento, perda, morte, percalços, adversidades. Fica claro que a tempestade abate tanto quem construiu na rocha quanto quem construiu na areia. A tempestade, portanto...
A interpretação é clara, a tempestade vem para ambos. Perceba então que Jesus deixa claro, não é porque você me conhece, não é porque você conhece a minha palavra.
Não é porque você fez da minha palavra uma referência para a sua vida e a sua conduta que o mundo será ameno. Não é porque você me segue que não haverá adversidade. Não é porque você me segue que não haverá luto e devastação. Nada disso.
Haverá adversidade para todo mundo. Portanto, se você espera que pelo fato de seguir a palavra de Jesus possa haver uma recompensa enquanto prosperidade crônica, a ausência de sofrimento, a ausência de devastação, a parábola é clara.
Tempestade é para todo mundo. A diferença está na capacidade de resistir a ela. A diferença está nos recursos para enfrentá-la. Perceba, portanto,
que neste caso, a lição de Jesus, ela não interfere sobre o acaso das vicissitudes humanas, ela interfere sobre o modo como nós a significamos, o modo como nós operamos para nos manter eretos, verticais e altivos. Ora!
Há aqui na parábola uma crítica ao cosmético, ao aparente.
A casa construída na areia, quando representando o discurso de um hábil orador, pode parecer igual ou até melhor do que a casa na rocha. Perceba então que aqui você tem uma clara crítica.
ao vazio do discurso que termina nele mesmo. O que é visível, o que é audível, o que é perceptível pelos sentidos, mas não está entranhado nas práticas, não garante verdade. Aqui...
Você percebe que a parábola sugere uma vida de operação, uma vida de labor, uma vida de ação, de tal maneira que cada ação...
empreendida à luz da palavra de Jesus, é como um tijolo na rocha. Cada decisão é um pilar, é um fundamento. Não há, portanto, aqui neutralidade possível. Ou você está com Jesus de corpo e alma, ou você é agente em nome de Jesus,
ou você não passa de um construtor de cabanas na areia frágil. Ora, meus amigos, a parábola da casa na rocha é certamente uma parábola que muito nos ensina e que tem consequências fantásticas no âmbito da filosofia.
Seja por conta do hábito que nos faz lembrar de Aristóteles, seja por conta das condições existenciais que nos fazem lembrar de Kierkegaard, seja, evidentemente, por conta...
de um princípio de sustentação do ser e, portanto, de uma vida vivida no tempo, que nos faz pensar em Agostinho e a interioridade enraizada numa ética estável. As consequências filosóficas...
Desse trecho, nós as abordaremos no nosso próximo episódio. Por hora, eu me limito a lhes propor que ouça novamente o texto bíblico de Mateus 7, que apresenta a nossa parábola.
Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. E caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos, e deram com ímpeto contra aquela casa que não caiu, porque estava afundada sobre a rocha.
Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, será comparado a um homem insensato que construiu a sua casa sobre areia. E caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa. E ela caiu e foi grande a sua queda.
E aí
Meus queridos amigos, este foi o meu, o seu, o nosso inédita pamonha desta quinta-feira. Um oferecimento da Eastman Chemical do Brasil e da Insider. Quinta-feira que vem tem mais, porque quinta-feira que vem eu prometo pelo menos três correlações importantes desta parábola de Jesus com Aristóteles, com Agostinho e com Kierkegaard.
Um beijo grande, fica bem, a gente volta a se ver. Amanhã é sexta e amanhã nós temos reflexão matinal. Beijo grande, valeu! Este conteúdo foi trazido até você pelo Espaço Ética, a assessoria oficial do Clóvis de Barros.
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