Episódios de 30:MIN - Livros e Literatura

597: Os pais da literatura

14 de agosto de 202657min
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Cecilia Garcia Marcon e Anna Raissa aproveitam o passado dia dos pais e se reúnem pra discutir a construção da paternidade ao longo dos tempo, os critérios de bons pais e de boas mães, e contextualizam a discussão com alguns dos melhores e dos piores pais da literatura.

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Livros citados

O Sol é Para Todos, de Harper Lee

Sozinha, de Keka Reis

A metamorfose, de Franz Kafka

Dom Casmurro, de Machado de Assis

Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie

Orgulho e Preconceito, de Jane Austen

Persuasão, de Jane Austen

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Participantes neste episódio2
C

Cecília Garcia Marcon

Host
A

Anna Raissa

Co-host
Assuntos2
  • Paternidade e Legado· SociedadeCritérios de bons pais e boas mães·Evolução do papel paterno na sociedade·Feminismo e paternidade ativa
  • Ausência Paterna· SociedadeFalta de contato e vínculo com os filhos·Incompetência proposital e ausência de responsabilidade·Não pagamento de pensão e esquecimento de datas importantes
Transcrição81 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
CGCecília Garcia Marcon

Está começando mais um 30 minutos, a sua meia hora alucinógena de literatura, ainda mais alucinógena com uma mãe no puerpério de host. Então assim, ó, a alucinação é dia, é noite, é manhã, é tarde. Qual é meu nome? O que estou fazendo aqui? Tudo isso vocês vão descobrir junto comigo, porque eu não tenho mais uma gota de neurônio disponível, mas me meti, eu vim aqui gravar. Eu e Ana Raíssa estamos aqui, O Arthur foi para balada.

Vocês acreditam numa coisa dessa? Esse garoto outro dia tinha 15 anos, agora tá saindo sozinho nas ruas de São Paulo. E aí estamos aqui para falar mal, um pouquinho bem, mas principalmente mal de homens. E um exercício aí da única coisa que eles poderiam fazer na vida, que seria serem pais, que eles nem precisam fazer nada e cai um nenenzinho bonitinho no colo deles. Mas nem isso, nem isso às vezes funciona, não é mesmo, Ana Raíssa?

ARAnna Raissa

Boa noite. Boa noite. Enquanto o Arthur está na balada, a gente tá aqui pensando que o papel do homem na sociedade, que era uma coisa que era, pô, Arthur estava pensando mais homem. Deixa eu falar, e mãe pagou, tá ali cuidando do seu ursinho. E estamos aqui para discutir, né, o que esses homens fazem quando eles ganham um bebê de graça, né, de graça, ou se é que fazem algo. Vamos, vamos chegar lá.

CGCecília Garcia Marcon

Muito ajuda quem não atrapalha, fica aqui o questionamento. Já digo que não, às vezes é melhor você ter alguém pelo menos para xingar, tá bom? Mas fica aqui o micro spoiler, tá? Então a nossa discussão de hoje vai girar em torno da discussão e da representação dos papéis de paternidade na literatura. E a gente vai destacar aqui algumas figuras que foram, que são, que a gente considera que são pais bacanas ali nos livros em que eles aparecem.

E infelizmente a gente vai, né, ter muito mais figuras abomináveis para citar, dos piores pais aí dos livros que a gente conhece. Então é só seguir acompanhando aqui com a gente.

ARAnna Raissa

Pois a arte imita a vida.

CGCecília Garcia Marcon

Pois então, não é mesmo? Opinião, recomendações, curiosidades e muito mais. Está no ar mais um 30 Minutos, sua meia hora alucinógena de literatura. O Arthur foi num compromisso profissional, né? A gente tava brincando que ele tá na balada, mas ele tá num compromisso profissional. E ele deixou uma lista de coisas que eu tenho pra falar pra vocês, galera. Porque ele foi gentil e porque ele sabe que os hormônios, né, como é que estão nessa aventura aqui que eu estou vivendo.

Então, primeira coisa, lembrar que a gente é uma comunidade aqui dos ouvintes, né. Então tem várias maneiras de vocês estarem em contato aqui com a gente. Mesmo quem não é apoiador, a gente tem um grupo aberto no Telegram. A gente tem o grupo no Goodreads em que a gente tá sempre atualizando com o que a gente tá lendo, os desafios, né. Tem bastante interação por lá. Queremos lembrar que a gente tem o Instagram. Se você não segue o Instagram ainda do 30 Minutos, por favor, corra lá, segue, que a gente vai postando sempre os episódios, os recebidos, né?

Então é legal ter vocês por lá. Se você nos escuta por Spotify, por Apple Podcasts, por outras plataformas, não esqueça de nos avaliar com 5 estrelas. O Arthur fala assim: deixe sua avaliação. Aqui é democracess, não tem essa história. Não for pra dar 5 estrelas, deixa quieto, entendeu? Porque senão derruba nós lá. A gente já é um podcast independente pequeno, o que que você ganha, criatura das trevas, dando 4 estrelas pra um podcast independente de literatura?

Você precisa desse karma na sua vida? Penso eu que não. Mas fica aqui o lembrete, né? Falando de Spotify principalmente, né, os comentários que vocês têm deixado cada vez mais têm contribuído bastante pra que novas pessoas conheçam o podcast. Então Todo mundo que puder sempre deixa um comentáriozinho, ouviu lá pelo Spotify, deixa um comentáriozinho sobre o episódio, né, engaja na discussão. A literatura também traz isso, né, e ajuda a gente.

São coisas que vocês podem fazer gratuitamente que ajudam a gente, tá? Se vocês quiserem, na verdade, né, que a gente ganhe alguma coisa com isso, além de úlcera, além do livro e bebendo muito café, vocês podem escutar pelo aplicativo da Aurelo. Lá, Cataplay é pago, então só de escutar você já tá dando um cascalho aí pra gente. E vocês também podem fazer aí o apoio lá pelo Orelo. Tem faixas a partir de R$10 com diversos níveis de recompensa, chegando até R$80.

Você escolhe o que cabe no seu orçamento e aí apoia aqui a gente, que oferece pra vocês 6 programas por mês, né? São os 4 30 minutos e os 2 15 minutos. Em alguns meses que tem 5 semanas, a gente oferece 7 programas por mês. Então R$10 dá R$1 e pouquinho por programa. Né? Então ia ser massa poder contar com essa colaboração aí. Senão, às vezes a gente sabe que no recorrente não dá para colocar, dá para fazer um Pix para pix@30mil.com.br, 30 sempre os algarismos 3 e 0, e os Pix ficam aqui na nossa conta para a gente seguir mandando tudo.

Quer comprar coisas na loja do Careca, do Jeff Bezos, Amazon? Compre pelo nosso link de afiliado que rola um cascaio para a gente também. Então vejam que a gente tá fazendo De tudo para que a gente mantenha essa pocilga de pé e relativamente organizada, tá bom? Por fim, a gente tem agora— nessa eu não vou estar ainda, eu tô me organizando para voltar na de carga-viva em outubro— mas a gente tem a live do clube de leitura. A gente tem a live agora, né, no primeiro fim de semana, no dia 5 de setembro, a gente tem a live de Kim Jung nasceu em 1982.

Né, é o livro do mês agora de agosto. Então queria convidar vocês para fazer a leitura, para participar da live. A live vai começar a ser um pouquinho mais cedo a partir desse mês, às 5 horas da tarde. Na live acho que o pessoal pode entrar em mais detalhes, mas é para que a gente faça uma transição para o meu retorno. Como eu tenho neném pequenininho, o horário da live às 19 fica muito tarde, eu não consigo encaixar com a rotina noturna de dormir da Flora.

Então a gente vai começar a fazer as lives um pouquinho mais cedo, e é bom que vocês saem da live Já muita gente toma um vinhozinho assistindo, já sai pra balada de sabadão, né? A gente acabando ali um pouquinho mais cedo, tá bom? Então se organizem que agora as lives serão a partir das 17 horas da tarde, tá bom? Espero que vocês continuem aparecendo por lá, que vocês deem essa força, porque é uma necessidade da vida mesmo, né?

Dessa de coordenar o podcast com a vida, o universo e tudo mais. E a minha nenenzinha, tá bom? Acho que é isso. Pelo amor de Deus, não fala mal de homem que eu tô aqui rolando recado. Arthur do céu, que lista imensa! Tende misericórdia. Então, para a gente começar nossa discussão, Ana Raíssa, você, uma mulher das palavras, o que é um bom pai no seu ponto de vista?

ARAnna Raissa

Olha, um bom pai hoje em dia é um pai que traz uma cobrança— uma cobrança não, a sociedade hoje em dia tem muito mais expectativa do que é um bom pai do que a gente tinha 50 anos atrás, 100 anos atrás, 1000 anos atrás. Então, ser um bom pai já foi simplesmente contribuir ali com sua caneta. E ser um bom pai já foi também assim não matar o seu filho de pancada. E hoje em dia a gente quer o quê? Que seja muito próximo de ser uma mãe medíocre, não é?

Então assim, se você tem o mesmo papel de uma mãe medíocre, provavelmente a sociedade te lê como um bom pai. Mas a gente, pensando no papel moderno, é, a gente espera que esse bom pai ele não seja mais só o provedor que era cobrado há 50, 100 anos, né, o provedor material, mas que ele seja um pai que participe ativamente na criação dos seus filhos de vida ali, né, que ele seja um companheiro e que ele seja uma figura na família que não é uma figura de puro terror, que é a figura que aparece mais frequentemente em filmes, em livros, né, que é aquela figura do terror assim, o pai é a violência, é a pessoa que quando tá em casa, o tom de voz tem que mudar, a dinâmica muda, a rotina muda.

E isso já foi considerado ser um bom pai. Hoje em dia, o bom pai é o cara que não faz mais esse papel, que ele não se contenta mais em ser só o provedor e que ele não seja essa figura de trauma e de caos e de violência, né, na família. A gente deve isso a quê? A gente deve isso ao feminismo.

CGCecília Garcia Marcon

O quê? Não é possível. Eu acho que os homens entenderam sozinhos o que eles precisavam fazer. Eles são muito especiais.

ARAnna Raissa

Eles são muito especiais. O cérebro deles é mais pesado que o nosso, cabe mais informações ali. E essa cobrança e essa reivindicação, não vou usar cobrança, essa reivindicação, uma paternidade que seja mais afável e que seja mais participativa, ela é uma das conquistas, né? Pelo menos a Essa discussão estar mais viva é uma conquista. Ainda não chegamos lá, como não chegamos lá em lugar nenhum até agora, do movimento feminista, do movimento por direitos iguais.

Então é quando a gente, lembrando, eu acho que não é novidade para quem ouve a gente, mas quando a gente fala de feminismo, a gente está falando de direitos iguais. Ah, mas aí vocês vão pagar a conta do restaurante? Não é isso que a gente tá falando.

CGCecília Garcia Marcon

A gente tá falando de coisas um pouquinho mais relevantes do que essa conta de 50 conto que você não quer pagar, embora você queira levar a mulher para sair.

ARAnna Raissa

Não é o cachorro-quente.

CGCecília Garcia Marcon

Misericórdia, vamos expandir um pouquinho assim, né? A ideia de, por exemplo, se essas pessoas estão todas tendo que trabalhar porque o sistema capitalista colocou a mulher no mercado de trabalho, e é bom que a mulher trabalhe para que ela não fique refém do dinheiro desse companheiro, se todo mundo precisa trabalhar, quem que vai cuidar dessas crianças? E se a gente dividir essas funções uma vez que a gente fez junto, né? E se, poxa, se eu aprendi a trocar uma fralda, é bem provável que você consiga aprender também.

Não é uma coisa que veio embutida no meu DNA, né? Então acho que essa se tornou uma necessidade e aí foi sendo problematizada também a questão do afeto, da afetividade, né? Porque eu acho que tem isso, né? Aí você falou do pai como uma figura de terror. Então eu acho que vai acontecendo também uma mudança geracional em que os filhos dessas figuras de terror passam a entender que isso não faz bem, não foi construtivo. A gente viveu esse momento.

Hoje a gente tá na verdade num pêndulo reverso, né? A gente tá de novo com a ideia de, ah, porque falta um pai em casa para esse para esse povo ser homem de verdade. A gente tá com essa, com esse resgate cafona para caramba de uma suposta figura paterna que supostamente garantia um bom caráter de todos os envolvidos ali naquela esfera doméstica, né? A gente tá nesse momento bastante esquisito porque isso nunca aconteceu, né? O que aconteceu era criar uma gente traumatizada com ausência, com violência, né?

Isso aconteceu. Criar umas paternidades sem vínculo, uma série de homens que não conversam, ou mulheres que não conversam bem com os seus pais porque não tem vínculo nenhum. Isso sim foi bem-sucedido. É, não tem uma, mas tem essa fantasia, né? A gente tá vivendo esse momento de não, porque antigamente que as mulheres e os homens ficavam casados a vida toda, né? Não tinha lares desestruturados, e aí os homens faziam o seu papel.

Que papel, meu querido? Sabe, pensa na sua família um pouco. Qual foi a primeira geração de homem que sabe trocar uma fralda? Qual a primeira geração de homem que levou um copo d'água para uma mãe que tá amamentando? Você entende? Que grande papel é esse? É o quê, pagar conta? Uau, caramba, hein, paizão, poxa!

ARAnna Raissa

A licença-paternidade, a gente até hoje ouve comentários do tipo: o que eu vou ficar fazendo 4 meses em casa? Pois então, é isso, tem muita coisa para fazer.

CGCecília Garcia Marcon

Mas sabe que rolou uma coisa assim, uma percepção, contar uma micro-história agora que eu tô imersa nesse universo mais profundamente. Eu e o César, nossas mães já são falecidas, né? Então A gente, bom, vai nascer a nenê, quem vai ficar? Nós vai ficar nós três lá, né? As 48 horas que em geral a gente fica no hospital, né? Vão ficar nós assim, né? E aí a Flora nasceu num sábado, avisou tal as pessoas, alguns colegas de trabalho do César falaram da segunda-feira para sair tomar uma cerveja, comemorar.

Aí, César, mas o quê? Aí falou assim, não, então se você quiser, falaram primeiro para ir no sábado. Aí no próprio sábado, é tipo, né? Aí eu falo assim, ele falou assim, não, tô no hospital com a Cecília, com a Flora. Mas o que que você vai ficar fazendo aí? Meu Deus! E aí o Zezé falou assim, você acredita que falaram isso? Falei, é lógico que eu acredito. Que bom que você fica chocado, um dos motivos pelos quais eu vejo que eu acertei na escolha, né, com quem eu casei.

Do tipo, ele falou, e aí a resposta dele era, mas Por que que eu estaria em qualquer lugar que não do lado da minha esposa, da minha filha? Por quê? Não, tipo, ia, detalhe, já acabaram de fazer uma cesárea, eu precisando de ajuda para fazer qualquer coisa, aprendendo a amamentar, né? A gente aprendendo a ver o que que era aquele bichinho que tava ali na nossa mão, uma coisinha minúscula que a gente tinha que cuidar e entender, e vivendo tudo isso.

Não, ah não, ah, mas ah, deixa alguém lá com ela, tipo E aí eu falei assim, aí o César falou assim, mas né, tava muito surpreso com essa, com essa esfera da macholândia. Eu falei, você não reparou quando a gente, porque você tem que ficar andando no corredor depois que você faz a cirurgia para voltar a andar, as coisas irem voltando para o lugar. E aí eu dei umas voltas ali no corredor e aí eu falei, mas você não reparou, as mulheres elas estão sempre acompanhadas de outras mulheres ali, outras mulheres.

Onde estão os pais dessas crianças? Onde estão esses homens ali, né? Tudo bem, a gente tá falando, tem, óbvio que tem casais homoafetivos de duas mulheres, não é disso que eu tô falando, tá, galera? Eu tô falando desse não comparecimento. Falei, por que que tá lá, né? Então essa função, ela de novo, né, a gente vive essa coisa de, acho que teve um salto importante do tipo, meu pai, eu sei que meu pai fazia as coisas assim em casa, assim trabalhava, porque não tinha esse direito, eram 5 dias, então trabalhava, não tinha o que fazer, mas chegava ajudava na madrugada, pegar eu, pegar minha irmã, aquelas coisas assim, tá?

Então eu sei que— mas aí agora a gente tá numa geração que parece que, ah não, mas isso não é o papel do homem, a mãe tem esse instinto natural e tal, entendeu? A gente tá com retorno nesse discurso, é uma coisa bizarra, né? Porque é uma fantasia que apaga o quão violentas eram as relações né, dos pais há, sei lá, 80, 90 anos atrás.

ARAnna Raissa

Sim, é esse backlash, né, de você tem um avanço e aí você tem esse movimento que não à toa é chamado de reacionário, é uma reação a uma movimentação de progresso. Então a gente teve essa discussão, essa discussão apareceu, essa discussão está viva, mas agora a gente tá tendo esse backlash do Ah, nossa, sua filha nasceu, vamos tomar uma cerveja no exato dia, né? Ou de fazer visitas, e às vezes os casais de amigo, quem vai visitar é a mulher e o cara não se sente na obrigação.

Então a gente tem que ter muito cuidado com essa renaturalização desse discurso.

CGCecília Garcia Marcon

Exato. E tem, a gente teve que descer esse eixo mesmo assim, né? E aí acho que a gente acabou definindo, né, em contraste, o que que a gente entende como um mau pai, mas Para além da questão óbvia da violência, eu acho que eu queria acrescentar, que eu não sei o que que você acha, né, mas eu acho que uma característica do mau pai, pensa, porque assim, a gente tira do óbvio, né, o pai que espanca, o pai que bate, o pai que obviamente, né, muito óbvio que ele é terrível, mas eu acho que tem uma outra camada que é a relapsidão, a indiferença, né, essa falta de contato mesmo assim, de ter, tentar ter qualquer qualquer relação com o filho ali, assim, sabe?

Eu acho que isso vai ser bem terrível, assim, que aí vai se transformar no cara que não paga pensão, que não vem visitar, que esquece aniversário, que não sabe se o filho tem alergia a morango ou não, né? Se tem que tomar vacina ou não. Enfim, essa relapsidão eu acho que é uma característica que eu acrescentaria como algo menos óbvio, que entra naquela coisa da incompetência proposital, sabe?

ARAnna Raissa

Sim, e hoje em dia os algoritmos estão aí, né? E fez sucesso por um tempo, e aí começou a aparecer para mim por causa disso, dessa característica das redes sociais, né? Que as coisas vão aparecendo para você ali porque também quem você segue consome e tal. Perfis de advogados, né, expondo casos ali e tal. E é Impressionante a quantidade de advogado, principalmente advogada, que tem que lidar nessas sessões de pagamento de pensão com discursos do tipo: ah, mas eu não sei o nome da professora dela porque a mãe nunca me falou.

CGCecília Garcia Marcon

Que a mãe tinha dois filhos, né?

ARAnna Raissa

É, sempre some um a mais aí. Ah, o senhor sabe se seu filho tem alguma alergia? Ah, tem. Qual? Aí não sabe. Qual remédio que ele toma? Também não sabe, porque pressupõe-se que seja uma obrigação da mãe. A nossa sociedade patriarcal, ela é perversa com os homens também, porque apesar deles, claro, levarem os louros, e mesmo— e a gente já falou disso aqui, a gente já falou disso em outras discussões— mesmo os homens que não contribuem, né, para manter a roda do patriarcado girando, eles estão se beneficiando daquilo.

Então, quando se espera que eles não façam tanto pelos próprios filhos, é um benefício. Claro, ele pode ser um pai diferente, mas ele tem que estar muito atento para ele ser um pai diferente, porque o discurso que empurra a gente é esse discurso de que é obrigação da mãe, como se fosse natural a mãe já saber alimentar, já saber trocar fralda, já saber o que que o neném precisa, e não como se aquela criatura passou a existir naquele momento e tem toda uma família que aprender como lidar com aquilo.

E como se todas as fases pelas quais a gente passa enquanto a gente cresce não fossem aprendizados, inclusive para criança. Então o pai se imiscuir nesse papel era muito normal, assim, o pai não participava da criação. Lá, quando, sei lá, o menino ficava adolescente, é que o pai voltava a se se interessar. Se fosse menina, ainda levava mais um tempo, porque aí pelo menino o pai ainda tinha uma—

CGCecília Garcia Marcon

é porque aí tem que garantir ali algumas coisas, né? Então entra nesse lugar da garantia, garantir que esse menino vai ter uma determinada postura, uma determinada forma de se colocar, garantir que essa menina não engravide, garantir que essa menina case bem, garantir, né?

ARAnna Raissa

Enfim, então você tem que ver algumas coisas, né?

CGCecília Garcia Marcon

Então entra nesse lugar da garantia, garantir que esse menino vai ter uma determinada postura, uma determinada forma de se colocar, garantir que essa menina não engravide, garantir que essa menina case bem, garantir, né? Enfim, então você tem que ver das garantias, garantias impossíveis, né?

ARAnna Raissa

Eu nunca esqueci de um professor que eu tive na graduação, quando a gente tava estudando aquele livro do Rousseau, o Emílio, que é Emílio ou da Educação, que ela— e é um livro ótimo, né? E aí ela falou assim para gente: o Rousseau não criou nenhum dos seus filhos, porque o costume da época era você entregar as crianças, quem tinha condição, a família que tinha condição. Então a mãe também não criava, você entregava a criança para cuidadoras E aí, dependendo da sua condição, essas mulheres poderiam morar na sua casa ali, mas você não tinha esse cuidado com a criança.

E quando a criança tivesse mais interessante, né, já tivesse falando, já tivesse— e os pais voltavam a ter esse contato. Ou mesmo essas crianças irem morar com essas babás, com essas amas de leite e tal, e voltar. Então mudou muito esse papel. Mas por baixo, e é isso que a gente tá trazendo essa discussão mais aprofundada e não só a discussão do meu filho vai torcer para o mesmo time que eu, é esse papel mudou muito na superfície, mas no subterrâneo ali essas raízes ainda existem.

Então se espera muito disso, tem que ter esse cuidado. O pai, o bom pai, ele tem que ser um pai muito mais atento. E a boa mãe, ou a mãe também, não vamos colocar essa questão da boa mãe, mas a mãe ela tem que lutar contra o que o patriarcado espera dela, de que ela tem que estar sempre pronta para suprir o que o pai não supre. E não é verdade. Aí ele não vai dar comida direito, então deixa que eu dou. Não, ué, se você conseguiu aprender, ele tem que aprender.

CGCecília Garcia Marcon

Aí ele não vai conseguir fazer, já estou falando com as mães, é difícil, é muito difícil, porque o bicho saiu, enfim, saiu, né? Então é a tendência que não difícilíssimo.

ARAnna Raissa

Não vai fazer direito, é melhor não fazer.

CGCecília Garcia Marcon

Exato, é muito, porque aí a gente entra nesse lugar muito esquisito assim, sabe? Mas de qualquer forma, a gente trouxe essa discussão aqui não só por isso, mas porque na literatura a gente vai observando através dos tempos assim, né? Se a gente vai vendo as representações que vão aparecendo das figuras paternas, sei lá, se a gente for recortar ali da era moderna em diante, né? Para ficar aqui, né, pós Revolução Francesa, digamos assim, para a gente não precisar voltar tanto.

Mas a gente vai vendo essas representações, a gente vai vendo esses papéis, né, e como eles eram ou apontados nas obras ou criticados e expostos como algo negativo, né. Então a gente tem hoje, né, enfim, as discussões que a gente pode fazer sobre obras lá de trás, mas também tem os posicionamentos dos artistas diante né, do que eles estavam narrando ali. Então eu criava uma família, eu escrevia uma família no século 19, tudo bem, ela tinha um funcionamento específico e tudo mais, mas mesmo dentro desse cenário era possível fazer um apontamento e uma crítica, ou fazer uma exaltação, fazer um apontamento positivo, né.

Então dentro da literatura a gente consegue observar um pouco como essas relações se organizavam e se organizam, né. Com o que se esperava, o que tava abaixo da média mesmo com o sarrafo lá embaixo, ou que tava acima da média e que talvez hoje a gente ache tipo, ah, nossa, grandes merda. Mas não, a gente tá falando de um outro momento. Então esse termômetro muito interessante assim, né? Sim.

ARAnna Raissa

E aí a gente entra no que você puxou de que não necessariamente um pai ruim é um pai violento.

CGCecília Garcia Marcon

Exato, né?

ARAnna Raissa

Ele pode só ser ausente, ele pode ser só um pai muito comum para aquela época, mas ele pode ser um bom pai, né? Você falou, quando a gente tava preparando o episódio, você falou que ia puxar a questão dos pais que a Jenny Austin criou, e eu lembrei imediatamente do pai da Emma.

CGCecília Garcia Marcon

Eu acho ele um bom pai, tá?

ARAnna Raissa

Que ele é um querido.

CGCecília Garcia Marcon

Eu coloquei ele, a gente começar a citar os livros aqui. Eu acho que ele é o único, o único pai criado pela Jenny Austin que é um pai que eu acho que é um pai bom. Ele é um pai afetuoso, ele é um pai que se preocupa com as filhas, até demais. Ele é um velho dramático, ele é um pentelho chato, mas são outras características. E eu acho ele engraçadíssimo, tá bom? Então para mim é muito mais fácil. Mas eu acho que é isso, tipo, ele tem um interesse genuíno uma preocupação real com a filha.

ARAnna Raissa

E isso deve fazer respeito, né, pela posição dela ali, porque ele podia ter enfiado ela no casamento escroto só para se livrar dela.

CGCecília Garcia Marcon

E assim, tudo começa com dois viúvos na história, né, que é o senhor Weston e o senhor Woodhouse, o pai da Emma e o pai do Frank Churchill, e as posturas diferentes que eles têm diante da viuvez. Enquanto um acaba perdendo o filho, vai ser criado por uma outra mulher, que imagina, vou deixar o menino aqui com esse homem, O senhor Woodhouse bota as duas filhas debaixo da asa e fala, daqui 10 horas não vão sair daqui, elas vão ficar aqui comigo. E do jeito dele, ele consegue.

ARAnna Raissa

Sim, e elas gostam muito do pai.

CGCecília Garcia Marcon

Tem uma relação de fato, né?

ARAnna Raissa

É, existe uma relação. A irmã dela vem de Londres para passar as férias com eles e tem os netos. Então é, e é isso assim, ele é um bom pai. O fato dele ser maluco, hipocondríaco, Ficar se metendo no que o povo come. Eu não esqueço da cena no jantar. Nossa, mas a senhora vai repetir o doce? Cuide da vida do senhor. Mas só torna ele meio pitoresco assim, mas ele não é um pai ruim. Pelo contrário, ele é um bom pai. Ele é um pai, de novo, cuidadoso, afetuoso, preocupado.

CGCecília Garcia Marcon

Que conhece as filhas, né? Que quer o melhor pra elas. Ele não pressiona a Ema pra casar em nenhum momento, porque sabe que ela não precisa. Então tem uma dinâmica ali, mas eu acho que ele é o único. E aí a gente vai ter, é claro, né, em razão de sensibilidade, que a gente vai ter episódio em breve, em razão de sensibilidade a gente tem um pai que morreu, né. Então esse também não é ruim, né, porque errou nisso aí, né, morreu.

Aí a gente vai ver que de fato foi uma cagada do senhor Henry Dashwood ter morrido, foi bem chato da parte dele. Mas eu acho que é o único, né. E no bloco que a gente vai falar dos piores eu vou desenvolver um pouquinho porque que eu acho os outros ruins, incluindo o senhor Bennet. Eu acho ele um pai bem ruim. Mas você chegou já a ler O Sol é para Todos, Ana Reissa?

ARAnna Raissa

Não, ainda não.

CGCecília Garcia Marcon

O Sol é para Todos tem um pai que eu gosto muito, que é mais um viúvo. Ou seja, será que estamos concluindo que será que tem algum pai bom com mãe viva? Fiquei com um questionamento, ajudem. Brincadeiras à parte, é o Atticus Finch, que é o pai da Scout e do Jem, né, os dois protagonistas crianças ali da história. Ele é um viúvo, ele tem, né, ali uma uma empregada doméstica, né, que ajuda ele, aquele advogado tal. Mas ele vive uma situação no livro que é muito delicada, né, porque existe ali uma falsa acusação acontecendo, né, enfim, uma situação grave.

E ele decide ser o advogado do homem negro que tá sendo falsamente acusado no Alabama nos anos 60. Eita, opa, né? E aí a filha passa, os filhos passam a sofrer represálias na escola. E um dia ela chega muito brava com ele, ela pequenininha ainda, tipo 6, 7 anos, Ela chega muito brava com ele assim, tipo, por que que você tá? Porque agora ficam chamando a gente de defensor de crioulo, de preto, e né, ela sem entender. E ele pega ela no colo, ele senta e ele explica com muita delicadeza para ela assim, olha, por que que ele aceitou aquele caso, por que que ele sabe que ele vai perder aquele caso.

E aí ela fala, então, mas para quê? Ele fala assim, porque coragem de verdade é isso, filha. Coragem de verdade, a gente fazer o que a gente precisa fazer mesmo sem saber se vai dar certo. Então ele tem conversas muito legais com ela assim. De novo, tem uma preocupação, tá sempre atento, mas tem uma preocupação com a formação ética dela assim, dela entender que aquilo é importante que ele tá fazendo. Pelo lado assim, ó, eu sei que tá difícil para você, filha, só que é uma coisa que o papai precisa fazer assim.

E eu gosto muito da relação que ele tem, ele tem uma relação meio às turras com o filho que é um pouquinho mais velho, mas é, e eu acho que tem uma coisa também de ver isso acontecendo e ver como ele lida com o conflito, né? Então vários momentos ele tem cenas de carinho. Então é um livro que tem cenas de carinho, de cobrir o filho, de pôr para dormir, de mandar tomar banho, sabe? Então eu acho que é um pai que eu destacaria assim, uma figura, uma figura bacana assim, né, do livro da Harper Lee, O Sol É Para Todos.

Assim, é um personagem do qual eu gosto bastante, dentre outras razões por ter essa relação com os filhos assim. De novo, tinha irmãs dos dois lados que vinham e queriam se meter, queriam levar as crianças. Ele falou, não, as crianças ficam aqui, não vai sair, as crianças não vão, ninguém sai, vai ficar todo mundo aqui. Então ele assume essa responsabilidade, né? E gosto bastante deste pai. Tem mais algum que você queira citar, Ana Raiz, de bom pai?

ARAnna Raissa

Não, acho que estamos—

CGCecília Garcia Marcon

não há bons pais.

ARAnna Raissa

Não há bons pais, existe um único bom pai, eu acho.

CGCecília Garcia Marcon

Um único bom pai. Eu lembrei de um outro, teve um livro que a gente, um livro juvenil que a gente leu aqui para o podcast, Ana, que foi muito legal, chama Sozinha, é da Keka Reis. E aí vamos para o terceiro pai viúvo citado. Eu não tinha reparado, gente, juro por Deus, eu não tinha reparado nisso até falar aqui. Mas era, ele era um pai jovem, a mãe morre de repente, ele tá com uma filha adolescente que vai viver uma série de questões ali, né, de lidar mal com o luto.

Por exemplo, ela não consegue chorar. Então tem esse drama da protagonista ali, né, da Rosa. Só que esse pai também tá tendo que entender. Ele era um pai perdidão porque ela tinha uma esposa que dava muito conta das coisas da menina, da casa, das coisas assim. Tipo, aí ia para praia, o protetor solar, o boné, a roupa, a toalha, aquela coisa toda assim, né. Então era uma mulher que dava muito conta disso assim. Então ele também é jogado na piscina de uma vez, assim, também tem, além de ter perdido a companheira, para além de todas essas coisas, ele tem uma questão que é, cara, essa menina agora é comigo o negócio, assim, né?

E aí ele tem no livro um arco muito legal, né, que é ele terminar a história fazendo falas e tendo cuidados que a mãe tinha no começo. Então mostra esse, mostra uma coisa básica que é a curva de aprendizado, né? Foi aprendendo e falou, não, vamos lá então, né? E aí, né? Então, ó, não esquece de passar protetor e tal. Ver ele fazendo isso, ver ele se esforçando para olhar a filha, mesmo porque ele tá vivendo um luto super dolorido, eu achei que foi um acerto também, né?

Que é aquela coisa de às vezes a gente vai estar meio atropelado mesmo, a gente vai estar cansado, a gente vai estar triste, a gente vai estar com problema, sem grana, fodido e tal, mas a gente vai de alguma forma conseguir colocar essa outra figurinha em primeiro lugar. Então eu acho que a Keka conseguiu construir isso dentro da história assim, Sabe, desse pai, dessa filha construindo uma nova forma de relação agora que a mãe não tá mais, sabe.

Então chegamos à conclusão que bons pais, meu Deus do céu, se você tiver um bom pai que você queira citar da literatura e ele tem uma esposa, ou ele é separado, que seja, é, mas que ela seja mesmo, né, conte para a gente nos comentários, porque no resgate aqui da preparação da pauta Não veio nenhuma. Na raiz você só lembrou do pai de Ema. Veja bem, só veja, uma mulher que já leu nessa vida.

ARAnna Raissa

E mas eu aqui te ouvindo e pensei como isso reflete também a mudança nas relações familiares, né? Porque tem isso do, ai, perdeu a mãe, então a família, avó, as irmãs mais velhas, a tia vão lá buscar as crianças. Isso era comum, era o que se esperava. E aí você tem essas figuras dos pais que não, não precisa, eu vou cuidar. Isso muda, mostra também essa mudança nessas dinâmicas familiares de que você não precisa tirar da mão do cara automaticamente, ele tem que dizer não, poxa, eu quero cuidar.

CGCecília Garcia Marcon

E não é porque ele sabe, isso é possível se ele tem algum amor por aquele filho, é só se a ideia de ficar longe do filho é dolorosa, dolorosa. Porque se é indiferente, essa criança já vai. Ou se ele não confia, que é o caso, por exemplo, a gente citou, né, o senhor Weston, pai do Frank Churchill. Se ele não confia que ele vai conseguir, é, eu acho que eu não sei fazer isso. Mas, Ana Raíssa, agora eu vou liberar você para fazer o que você quer fazer desde que a gente propôs essa pauta, porque agora a gente vai falar dos piorais.

Os piores pais da literatura. E me parece que tem um em especial que você odeia acima de todos.

ARAnna Raissa

De todos eu odeio esse homem há anos, há anos.

CGCecília Garcia Marcon

Chegou o seu momento de brilhar. Quem você odeia? Por quê?

ARAnna Raissa

Pode entrar, senhor pai do Gregor Sansa. Senhor Sansa, o homem que foi capaz de acertar uma maçã no próprio filho transformado em inseto. E aquilo causou uma grande infecção, uma grande dor, e levou à morte do seu filho. E não só isso, e não só isso, o senhor Sansa é um folgado parasita. Parasita? Quem era? Quem era o inseto na história? Cadê a versão do Del Toro para ele falar: o inseto é você, senhor Sansa? Era o que o senhor Sansa merecia.

É uma breve sinopse deste maravilhoso livro que, né, a gente já tá aí culturalmente, todos nós sabemos. Mas Gregor Samsa acorda um dia de sonhos intranquilos virado num baratão, e literalmente virado, porque a primeira coisa que ele percebe que ele não consegue fazer é se virar na cama, que ele tá de barriga para cima. Já a discussão já começa muito terrível porque a primeira Primeira preocupação do Gregor é que ele vai perder o trem para o trabalho.

O cara acorda transformado num inseto e a primeira preocupação dele é: me fodi, vou perder o emprego. O Gregor sustentava a família, então tem toda a questão dele ter aberto, ele abriu mão dos seus, né, das suas vontades e tal para ser caixeiro viajante para sustentar a família, porque os pais tinham dívidas, o pai e a mãe. E ele tem uma irmã mais nova. Então ele já tava ali, já não tava muito feliz, mas fazia aquilo, pois também essa questão da obrigação, né?

O filho mais velho, o filho homem, então ele que tem que assumir quando o pai falha ou falta. Então ele já tinha esse peso de sustentar essa família, os pais já mais velhos. E ele acorda, sabe-se lá por graça de quem, virado no inseto. E ele não recebe uma gota de compaixão, de susto, de medo, de preocupação por parte da família. E isso mais ainda, né, a representação disso é o pai. A irmã dele ainda tem inicialmente uma preocupação com o irmão ali, ela que percebe que ele, que o quarto tá muito apertado para ele.

Então ela chama a mãe para eles tirarem, elas tirarem os móveis da saco do quarto, já que o Gregor não vai mais usá-los, para que ele tenha mais espaço. E ela que leva a comida para ele. Mas ao longo do livro, eu acho que a atitude do senhor Sansa é tão terrível que ela acaba causando essa mudança na família. A esposa em nenhum momento age diferente do marido. E a irmã, que agia diferente dos pais, começa também, chega uma hora que ela mesma fala assim: ah, chega, vamos pôr para fora esse aqui, esse bicho asqueroso.

E isso muito por influência do senhor Sansa, que é um cara horrível. Ele não teve um minuto de preocupação com o filho dele. Quando o chefe— e vejam o absurdo, porque como o Gregor se atrasou, o chefe dele vai lá na casa dele saber. Olha a prisão, né? Que porra é essa que aconteceu? Que que foi? Que que foi que não chegou?

CGCecília Garcia Marcon

Só porque você é um baratão significa que você não pode trabalhar.

ARAnna Raissa

Não quer dizer nada.

CGCecília Garcia Marcon

Vai meter atestado mesmo.

ARAnna Raissa

Atestado de quê? Nem tem esse CID. Você pode trabalhar com várias patas, é mais rápido de chegar. E o pai não fica do lado do filho, nem nessa relação do que diabos aconteceu ali, nem em relação ao gerente dele, ao chefe dele, ele meio que fica concordando. É realmente isso, né, motivo para não trabalhar. E ele acaba sendo violento, né. Tem essa hora que o Gregor sai do quarto, ele fica curioso. Acho que a irmã tá tocando piano, ele fica curioso, né, porque ele gostava muito de ouvi-la.

E quando eles percebem, eles estão, eles alugam um quarto, fazem uma pensão da casa para ajudar nas contas. E aí tem essa família que tá morando nesse quarto e a irmã tá tocando para eles, e ele sai assim para dar aquela espiadela, e ele é violentamente atacado pelo próprio pai, que começa a jogar tudo que vê à mão no Sanson. E para mim é, eu tô dando esse tom meio engraçadalho, mas não é engraçado. Esse livro é muito triste.

CGCecília Garcia Marcon

Ele vai ficando, tudo isso vai ficando cada vez mais triste porque a tensão só vai crescendo, crescendo. Você fala, gente, mas o que que vai acontecer com ele. E aí você vai entendendo o que vai acontecer e você nega, fala: não, não é possível.

ARAnna Raissa

E o Gregor, ele tá sozinho a partir do momento que ele acorda. Ele já percebeu que ali ele não tem guarida, assim, ele não tem família. A família não fica do lado dele nenhum minuto, a família não busca entender. É como se fosse culpa dele ter virado aquele inseto. Nossa, olha aí, ó que atrapalho você trouxe para família! Como se a gente não tivesse outras coisas para se preocupar. É essa postura do pai do Gregor. E é absurdo, absurdo assim, é um cara para ser odiado desde o primeiro minuto porque ele não tem assim, é isso assim, ele tinha dívidas.

CGCecília Garcia Marcon

Ele não tem com a filha também, né? Então não é como se fosse, é isso que é um detalhe, não é como se ele tivesse de repente com um preconceito, seria terrível já, né, um preconceito com esse filho nessa nova condição. Não, ele também é muito ruim com a filha, né?

ARAnna Raissa

Ele não é um pai carinhoso com ela, não é um pai, ele é péssimo, ele trata todo mundo, ele é esse pai É pela conveniência dele, sim. Tudo é um atrapalho para ele.

CGCecília Garcia Marcon

A condição dele seria um pai de Instagram, penso que sim, com certeza.

ARAnna Raissa

Ia tirar foto segurando o filho no colo e quando a câmera baixasse ele entregava de volta para mãe.

CGCecília Garcia Marcon

Certeza, certeza. Eu gostaria de destacar, para a gente se manter na raiva lançada ao vento, só para a gente não perder o costume, né, de odiar Bento Santiago, Bentinho. Porque ele vai virando uma figura tão, né, então Bentinho ali na sua recontação da história de sua vida, do grande meu Deus do céu, como minha vida é trágica. O que que aconteceu? Ele acha que levou um chifre. Meu Deus, então primeiro lugar, calma, né? Meu Deus, você escreveu 300 páginas, você acha que você foi cornear?

Véi, meu Deus do céu, assim, né? Então já começa daí. E além dele ter muitos elementos da infantilidade, enfim, uma série de questões ao longo da história, Ele tem uma relação muito esquisita com Ezequiel, com o filho, meio que naquela lógica de ter meio que ciúmes da relação do filho com a mulher, do tipo, ah, esse moleque aí grudado com ela. Encheu o caralho do saco da Capitu para ter o filho. Vamos começar daí, já é meu sonho é ser pai, né?

Tem essa entidade do meu sonho é ser pai. Fui pai, não era meu sonho mais. É meio isso assim. E aí, a partir do momento que ele passa a desconfiar que o menino não é filho dele, ele não consegue ele tem um vínculo tão fraco com qualquer coisa que não seja ele próprio que ele não consegue separar a criança de uma suposta situação de mundo do adulto, né? Porque esse é o ponto, né? Qualquer que tenha sido a situação de infidelidade e não aconteceu, se tivesse acontecido, é do mundo dos adultos, não é do mundo da criança, né?

E aí tem a cena, né, que ele envenena o café e ele pensa em tomar, e quando ele vê o filho ele chega a dar a xícara com café envenenado na mão do filho. E aí, ao final, finalzíssimo mesmo, quando o filho volta da Europa e tal para fazer uma visita, ele não tem nada a ver assim, não se interessa, finge. E ele termina o romance dizendo: ah, então, né, ah, ele morreu lá no Egito, você vê que coisa, eu pagaria o dobro para, né, da grana do enterro, né.

Eu pagaria o dobro para nunca mais ter que vê-lo. E encerra dizendo que a terra lhe seja leve para sua ex-esposa e para o seu filho. Então, uma figura absolutamente terrível para quem encheu tanto o saco, queria ter um filho, teve um filho para fazer essa palhaçada toda de cogitar matar, ficar feliz que morreu. Então, Bento Santiago, você é um lixo, tá bom? É isso.

ARAnna Raissa

O primeiro em céu, o primeiro em céu sobre todos os prisma que você olhar para Bento Santiago, há motivos para odiar este homem. É impressionante, um completo neurótico, um completo neurótico.

CGCecília Garcia Marcon

Nenhuma qualidade. Qual a qualidade dele? Nenhuma. Zero qualidades. Zero qualidades. Impressionante. O que faltou para Capitu, na verdade, foi uma boa amiga, né, para chegar falando isso. Não fez isso bem feito, que a Sancha Garfo, o melhor amigo da história ali, né, que era Escobar, que era mais, que era mediano também, né, porque foi nadar no dia da ressaca. É, não foi, mas ali a gente tá no momento padrão, mas faltou uma boa amiga para falar: capturou! Mas por quê?

ARAnna Raissa

Sai fora desse homem, doido!

CGCecília Garcia Marcon

Esse homem é doido de pedra, que isso? É, e tá fazendo você andar de vestido de manga comprida no calor do Rio de Janeiro, você entendeu?

ARAnna Raissa

Ei, é interessante, eu gostei muito de você ter trazido ele porque é uma discussão que passa meio ao largo, né, que a gente fica nessa aí do, ah, com a Capitu.

CGCecília Garcia Marcon

Porque é muito mais legal julgar o comportamento da Capitu, se ela fez, se ela não fez, e, né, muito mais bacana. E aí, e aí isso aí acaba esquecendo que ele tinha um filho na história e ele foi extremamente indiferente à existência dessa criança que ele encheu o caralho do saco para ter.

ARAnna Raissa

Ele tinha, nossa, feliz, infeliz. Ai, que homenzinho! Péssimo. Só mostra como Machado era perfeito.

CGCecília Garcia Marcon

Veja, para homenagear o Arthur. Arthur Machado era um homem à frente de seu tempo.

ARAnna Raissa

Tá vendo? Tá vendo? Não veio para gravação. É isso que é isso.

CGCecília Garcia Marcon

Hoje a gente solta essas coisas aí que você odeia.

ARAnna Raissa

Mas vamos, vamos soltar a rede para mais um, para a gente já vamos Esse é fácil, esse vai cumprir a cota do é fácil porque foi feito para ser odiado, que é o Eudine Atiki, que é o pai da família de Hibisco Roxo, da Ximamanda, que é uma figura asquerosa, asquerosa. E a gente é vingado, né, porque ele morre. Então já vou dizer aqui que ele morre, é muito bem feito.

CGCecília Garcia Marcon

Ele fica muito triste com uma notícia dessa, morreu.

ARAnna Raissa

O Eudine, ele é aquele cara que ele é filantropo, ele é muito religioso, ele tem grana, os funcionários da fábrica dele o amam, os pobres da cidade o amam, os serviços sociais da cidade o amam porque ele doa muito dinheiro, ele é muito querido na paróquia, ele é um cara muito católico, muito católico, muito católico, então ele É muito bem relacionado. E em casa ele espanca a mulher até ela perder gestações. Então ele é uma figura completamente violenta, controladora.

Ele tem dois filhos, que é a Cambili, que é por quem a gente sabe da história, que ela é a narradora, e o Jajá, que é o irmão dela. E esse pai é extremamente violento, cruel e exigente. Ele controla. E aí é uma representação disso que a gente falou, dessas figuras de terror. Ele controla cada minuto da vida da família, mesmo quando ele não está em casa. Então ele tem horários muito rígidos para a hora que os filhos vão acordar, a hora que a mulher vai acordar, quem vai vestir o quê, quem vai comer o quê, que horas que vai não sei aonde, a escola.

Então ele é essa figura essa sombra que tá em cima de todo mundo ali. E ele tem explosões de violência à menor altercação, assim. O filho não comeu a quantidade que ele achou que tinha que comer no almoço, ele é extremamente violento. E durante o livro a gente fica sabendo que a mãe perdeu duas gestações, né, por ter sido espancada por ele. Ele espanca muito o irmão mais velho, ele, todo mundo, todo mundo é vítima do Eugene. O próprio pai, ele tem um pai que ainda segue uma religião tradicional e ele não aceita porque ele é católico convertido.

Então ele proíbe a família de conviver com esse pai, que é uma coisa tristíssima. Assim, o pai mora numa aldeia e ele sente muita falta dos netos, ele sente muita falta da família, mas o Eugene é um cara muito religioso. Ele é muito bonzinho socialmente, ele é muito querido, ele é aquela figura que socialmente ele é ali a base da sua comunidade.

CGCecília Garcia Marcon

E que ninguém acreditaria, jamais, das atrocidades que ele fazia com a família. E essa parte mais cruel, né? O fato de que ele tinha toda uma capacidade de ser uma figura agradável, palatável e querida, e ele decidia deixar essa, essa faceta reservada só para imagem pública, né?

ARAnna Raissa

Só. E a família é refém dele, é completamente refém, porque não tem para onde ir, já que ninguém acredita nisso. E aí, já dando spoiler aqui, eventualmente a mãe envenena, né? A segunda xícara de veneno deste episódio foi servida neste caso, e o filho assume a culpa e ele vai preso no lugar da mãe. E isso é um fator de sofrimento muito grande. Então a mãe, ela não fica bem, muito menos pelo assassinato do que pelo fato do filho ter assumido essa culpa e ter ido preso.

E, mas assim, é o tipo de personagem que não tem outra saída. Falando de arco de personagem, não tem redenção para uma figura tão cruel como a Eudine, não tem assim. Porque essa gaiola em que ele encarcera a família socialmente assim, os filhos recebem elogios na escola em nome do pai assim, ah, porque o pai é um cara que ajuda a financiar aquela escola e é uma ótima escola de missionários católicos. Então eles não estudam, eles estudam com europeus, eles não estudam ali no numa escola qualquer naquela sociedade.

E o padre sempre antes da missa ou no final tá lá agradecendo a ele. Então assim, eles não têm saída social e eles não têm saída como personagens da convivência com esse pai. Então eu acho interessante como, por mais catártica que seja uma morte na literatura, mas como alguns autores e autoras, alguns escritores conseguem colocar isso de uma forma em que É catártico, mas não é gratuito. Você vê que é uma necessidade.

CGCecília Garcia Marcon

Existe dor também, né? Existe um desespero. É uma morte que vem de uma situação de sufocamento mesmo, assim, né? É.

ARAnna Raissa

E ele vai nessa. E é um alívio até quando a gente tá lendo, porque você tá ali com aquela família naquele sofrimento. E aí você fica preocupada se a mãe vai ser descoberta, se o filho vai conseguir segurar essa mentira de que foi ele que envenenou e tal. E é um pai que, assim, para mim foi um grande sofrimento ler esse livro, né, por tudo que conta. É um livro, ele é meio de formação assim, a gente acompanha a Cambili até os 18 anos dela, mas esse pai especificamente é um fator de tensão para o leitor, assim, de sofrimento. Ele é uma figura absurdamente cruel e terrível.

CGCecília Garcia Marcon

Depois dessa, para a gente finalizar, eu quero comentar o que eu falei que eu ia falar da Jane Austen, dos pais da Jane Austen, né? Porque a gente tá falando de livros ali do século 19. Eu vou citar, vou focar basicamente em dois: em Orgulho e Preconceito e em Persuasão. Em Persuasão é um pouco mais óbvio, né, quem é a figura horrível, que é o Sir Walter Elliot. Um homem vaidoso que não sabia organizar as próprias finanças, bota a família no monte de dívida, a ponto da família ter que alugar sua propriedade para ele viver numa cidade mais barata, né?

Se recusa a diminuir o padrão de vida. Um homem dificílimo, tratava as filhas muito mal, apenas uma delas tratava bem. Aí vem uma coisa que é meio comum nas histórias da Janelson, que é ter diferença do tratamento entre os filhos. Então isso aparece em Persuasão, isso aparece em Orgulho e Preconceito, né? Em algum grau isso aparece em Razões e Sensibilidade, aparece muito em Mansfield Park. Então a gente percebe que isso era um apontamento.

Aí eu já vejo como um apontamento do tipo, olha, não é coincidência aparecer tantas vezes pais que não conseguem tratar os seus filhos de uma maneira minimamente semelhante, né? Então ali o Sir Walter, ele é essa figura vaidosa, egocêntrica, irresponsável, distante, perdulária, né? Então um pai horrível. Mas tem uma outra figura na qual que eu quero trabalhar aqui um pouquinho também, que é o cunhado da protagonista, né? O marido da Mary, o Charles Buzzgrove, né?

Ele se safa um pouco. Então ele é— por que que eu acho que ele é um pai talvez não tão terrível quanto os que a gente mostrou, mas ele não é bom. Não chega no pior, mas assim, tá no limite. Ele se safacendo meio engraçado assim, sendo meio, ai, nossa, poxa, ou com o discurso de, ah, mas é que a criança precisa da mãe, eu não tenho o que eu possa fazer. Que, né, enfim, tem a cena, uma das cenas, ele como coadjuvante não aparece tanto, mas ele tem muitos embates com a esposa no sentido deles quererem ter uma vida social, mas não quererem ficar com as crianças, né.

E aí tem uma vez, acontece, e aí tem uma vez que eles estão saindo para o jantar, criança machuca, tá, tá, tá, e ele fala, não, então você fica aqui com ele. Ah, eu aviso que você não pode ir, tipo, fala para mãe, opa, calma um pouquinho, Charles, não é assim não. E aí a Anne acaba ficando porque ela não queria ver o Wentworth de qualquer forma, então ela usa isso de desculpa, né. Mas tem isso assim do tipo, ah, eu aviso que você não vai, tipo Como assim?

Do que que você tá falando? Como assim eu não vou? Por que que você tá dizendo que eu não vou? Que você não, né? O que que isso quer dizer? E o fato de que as crianças não respeitam limite nenhum, né? Tanto que ele não coloca, nem a Mary. Então são crianças que só respeitam a NLZ, basicamente. Então ele é um pai bem mequetrefe, ele não é um pai maldoso e tal, mas ele é um pai que se safa ali com as saídas que ele tem, né, oferecidas ali pela situação patriarcal, né?

Então são dois, na mesma obra aparecem dois pais bem esquisitos assim, sabe? E o senhor Bennett é uma figura que foi se tornando ao longo do tempo um pouco mais controversa, né? Porque embora ele tem uma relação e ele seja um ótimo pai para Elizabeth, porque ele conhece ela, que ele gosta dela, porque ele troca ideia com ela, porque ele admira ela, ele fala abertamente que as outras quatro filhas, principalmente as outras três filhas, são burras.

Não são interessantes. Falar, nossa, não, eu vou, quando eu for visitar, né, logo no começo do livro, tá, quando eu for visitar o senhor Bingley que acabou de alugar a casa aqui, eu vou fazer, né, uma palavra a favor da Elizabeth, né, porque as outras irmãs são burras, né, que eu vou falar a favor delas. Então ele trata, ele vê a Lydia, acha a Lydia muito chata, insuportável, né. Pois é, minha amiga, uma adolescentinha chata mesmo, né, biscatinha, com perna espreguete, né.

E aí acontece, gente, tava com foguinho ali, entendeu? Viu os homens lá, tava interessada. Olha, bola, entendeu? Coitado. E aí todo mundo tenta avisar, inclusive a Lizzy. E aí ele vira e fala assim, ai não, vai dar tanto trabalho, deixa ela aí passar vergonha com os vizinhos em outra cidade. Aí a menina foge com outro cara. Então ele é isso, né? Ele se exime de qualquer responsabilidade. Tudo é muito chato porque a vida deu para ele 5 garotas, e aí é tudo chatíssimo, exceto uma que saiu muito parecida com ele, com os interesses.

Então essa daí presta, as outras 4 o que tem a ver? Então muito se fala do senhor Bennet, do pai que o senhor Bennet é para Elizabeth, mas a gente não consegue falar dele sem esse contraste, né? Um pai péssimo, sabe? Pai péssimo mesmo, mesmo que ele seja bom para Elizabeth. Isso tem muito mais a ver com Elizabeth ter a cabeça no lugar do que com algum mérito dele assim. Entendeu?

ARAnna Raissa

É porque numericamente são, ele é um pai péssimo para 4 e bom para 1, né?

CGCecília Garcia Marcon

Pois é, ele é 80% terrível, já perdeu. Então, e eu acho que é uma coisa que talvez não tenha sido falada com clareza, porque acho que foi uma construção que foi vindo ao longo dos anos assim. Se pensar que aquela adaptação que trouxe Orgulho e Preconceito, bum, de volta, foi faz 21 anos. Então pensa, é muito recente o momento em que você pensa assim, mas quem que é esse pai? O jeito que ele fala, né, com sobre as filhas, com as filhas, né, dentro desse rolê assim.

Então acho que a Geraldo tinha uma característica interessante, acho que ela, como boa observadora que era, ela via essa dinâmica familiar como um problema, do tipo, esses homens são um problema aqui, o fato de que eles usam qualquer desculpa para não se responsabilizar, né, por nada, e eles nunca sofrem consequência nenhuma, que é o caso do senhor Walter Elliot, consequência nenhuma, por nada do que ele fez. Então lá, estamos falando de começo do século 19, já havia esse apontamento do tipo, ó, se existe um brolô nas famílias, esse brolô passa por essas figuras aqui não assumirem papel nenhum.

Então eu gosto bastante desse olhar assim, né? Então pais péssimos, Jane Austen descreveu pais bem assim, de novo, né, fora da lógica da violência, mas ainda assim pais que foram muito danosos aos seus filhos de várias formas. Bom, pessoal, quem que ficou faltando aqui na lista? Quem que vocês acham que também é um pai terrível? Quem que vocês acham que é um pai legal? Quem que vocês têm dúvida se é bom ou ruim? Escrevam aí para a gente nos comentários para a gente ampliar esse debate de discussão aí de como essas figuras aparecem na literatura.

Todos os recadinhos lá do início, só quero reforçar o convite para o dia 5 de setembro vocês participarem da live do clube de leitura a partir das 17 horas da tarde no nosso canal do YouTube. E lembrar que a gente tá aqui em um projeto independente que existe por causa do apoio dos padrinhos e madrinhas que apostam aqui no nosso trabalho. Se você quer dar essa força também, ouve a gente, quer dar essa força, você pode entrar lá no Elo, escolher uma faixa de apoio de R$10 a R$80.

Cada faixa tem ali algum benefíciozinho, e aí você escolhe o que cabe no seu bolso, que funciona. Lembra que você também pode ouvir pelo Elo, que só de escutar já cai um dinheirinho para gente. Ou você pode fazer um Pix de R$1 até o infinito, como diria ele, o rei do camarote. Todos os Pix enviados para pix@30min.com.br serão usados para manter esse programa funcionando. Nenhum deles servirá para comprar maçãs e dar nas mãos do senhor Sansa, que claramente usa até uma frutinha para fazer maldades.

Não faremos isso, senão Ana Raíssa pega nós, mata nós na porrada. De forma alguma faremos camisetas escritas: Senhor Sansa é um péssimo pai, pior pai da Terra. Vamos fazer isso e mandar para ele: pior pai da Terra. Então todo dinheirinho conta. Muito obrigada a quem sempre faz algumas contribuições. Sempre tem algum ouvinte que manda, sai episódio, cai uns Pix assim de valores quebradinhos. Eu acho o máximo, acho muito legal, porque acho que vocês levam a sério a coisa do R$1 até o infinito.

E é muito curioso porque todo mundo parte de R$1. Eu acho muito engraçado. Então continuem acompanhando a gente, obrigada pelo carinho. Ana, quer dar um tchau para galera?

ARAnna Raissa

Tchau, agradecemos sempre a presença e a discussão, que é muito legal, que a gente não fica aqui falando sozinhas, né? Quando termina, a gente sempre começa, a gente percebe que vocês começam a ouvir assim que o episódio sai, porque vocês já começam a comentar. Então comentem. Isso aqui é uma conversa, a gente traz essas discussões realmente para serem discussões, né? Então é muito legal ver esse retorno de vocês.

CGCecília Garcia Marcon

Muito obrigada, até semana que vem, e é nós! Tchau, tchau, tchau, tchau! Senhoras, senhores e proletariado não-binário, este podcast foi editado por a Jota Oliveira.