595: FLIP 2026: um plog
Arthur Marchetto, Edmara Galvão e Igor Oliveira Neves compartilham como foi a viagem até a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) de 2026 em um novo formato de episódio, o tão famigerado plog!
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Arthur Marchetto
Edmara Galvão
Igor Oliveira Neves
- Orides Fontela na Flip 2026Números de público e parceiros · Infraestrutura de Paraty · Filas e lotação · Programação paralela · Presença infantil
- Mesas e ProgramaçãoEditora Aleph · Memorial da América Latina · Ficção científica brasileira · Colonização espacial · Anjo do ar · Pilatos · Pauline Torte · Incêndio no SAAE
- Festa Literária Internacional de Paraty· CulturaPlanejamento de hospedagem · Opções gastronômicas · Transporte · Aproveitar programação paralela · Paciência e flexibilidade
- Programação da FLIP em São PauloProgramação da FLIP em São Paulo · Lançamento de Livros e Projetos · Souza · A Estante Virtual como Recurso · Tati Leite
- Autores consagradosOrides Fontella · Livros de poesia · Processo de escrita · Memória e guerra
Está começando mais um 30 Minutos, a sua maior alucinógena de literatura. Eu sou Arthur Marqueto e estou aqui com Edmara Galvão e Igor Oliveira Neves para a gente compartilhar com vocês algumas coisas da Flip de 2026. A gente vai falar não só do que a gente viu, conheceu e aprendeu por lá, mas também algumas dicas de quem quiser aproveitar em 2027, alguns números de público, livros mais vendidos, onde assistir algumas das mesas.
Quais são as mesas que a gente gostou e que a gente recomenda que você assista também. Enfim, vamos compartilhar algumas dessas coisas neste episódio. Vocês estão empolgados para relembrar ou já estão tristes de ter acabado?
Eu imediatamente após a Flip eu voltei a trabalhar, né? Então tô naquela ressaca, né, pós-Flip. Mas empolgado para relembrar um pouco.
Eu tô de férias ainda, então eu tive muito tempo para descansar, mas já estou com saudades de gastar sem escrúpulos. Que isso?
Muito bem, a gente volta para falar um pouco mais sobre isso depois da sessão de recadinho.
Opinião, recomendações, curiosidades e muito mais. Está no ar mais um 30 Minutos, sua meia hora alucinógena de literatura.
Se você está ouvindo esse episódio no dia em que ele saiu, no dia 31, significa que amanhã às 7 horas da noite você pode nos encontrar no nosso canal do YouTube às 7 horas da noite para falar sobre Olhos e Olhaste as Trevas, de Irene Solá. É um livro muito bacana, muito interessante, curtinho, rapidinho, bastante esquisito em algumas coisas, com um pouco de coisas grotescas, escatológicas, mas um livro muito bom. Para quem não acompanhou os outros episódios ou para quem esqueceu do que livro se trata, é um livro de uma escritora que trabalha bastante com a cultura da Catalunya e que vai contar a história de uma família, de uma geração de mulheres ali de uma geração, não, de algumas gerações de mulheres de uma família que fazem um pacto fáustico e tem que sobreviver ao fato de terem quebrado esse pacto.
Eu ainda não terminei, mas o que eu li até agora eu gostei bastante. Acho que tem uma forma muito interessante de trabalhar, porque é uma linguagem que ao mesmo tempo tem uma questão poética e simbólica. Ela tem também um trabalho que diverge um pouco do que a gente tá acostumado a entender. Então vai ter ali algumas partes de mijo, vai ter algumas partes de demônio, de fedor, vai ter uma questão de quem tá narrando a história daquela família, como aparece aquela casa.
É uma história bastante única, é difícil de você encontrar esse tipo de narrativa em outros lugares. Eu brinquei aqui falando para o Igor e para Ana em outros momentos que para mim é como se fosse O Pássaro da Noite e O Cupim, que vocês já ouviram falar por aqui tivessem um filho. Mas eu tô gostando bastante, tô ansioso para ver o que vocês acharam e para ver o que que as pessoas no chat vão compartilhar também. Além disso, vocês podem apoiar o podcast de algumas formas.
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A gente já trabalhou essa temática algumas vezes. E aqui agora a gente vai falar um pouco sobre como foi a nossa experiência, o que a gente tem a falar da cidade. Acho que a gente pode começar nesse primeiro bloco falando da questão prática dessa, desse retorno dos números, dos alcances, de como foi a gente nesse evento. Para quem não foi ou para quem estava lá também compartilhar as próprias experiências no comentário. O que que vocês sentiram das filas, dos eventos, das mesas, das discussões? O que vocês podem dizer para o ouvinte?
Bom, para começar, antes de a gente falar a nossa experiência com como foi o evento, enfim, eu acho que é legal de comentar com vocês um pouco dos números oficiais que já saíram até então, terça-feira às 7:40 da noite, em números oficiais ali tanto da prefeitura quanto do evento. De acordo com a prefeitura, a Flip deste ano recebeu cerca de 40 mil pessoas, o que, de acordo com uma matéria do Publish News, indica um aumento de cerca de quase 18% de pessoas em relação aos últimos anos.
Então é a maior Flip em termos de população, né, de público ali participante. Mas não só isso, também foi a Flip com o maior número de parceiros, de casas parceiras. Ao todo, além da programação oficial, a Flip contou com 46 casas que também montaram programações paralelas ali, que faziam parte do evento. Porque estavam indicadas no mapa da Flip, indicadas cada uma certinha. Pra que você encontrasse ali onde ficavam. E cada uma delas tinha a sua própria programação durante todos os dias de evento.
Com mesas, autógrafos, debates, com lançamentos de livros, festas, enfim. Então é um evento que movimentou bastante gente e movimentou muita gente do mercado também. Paralelo a isso, foi uma coisa que a curadora da Flip deste ano, a Rita Palmeira, comentou na mesa de abertura, que é um fato conhecido já pelas pessoas que trabalham ali com a Flip, de que em ano de eleição e Copa do Mundo o investimento no evento diminui. Então eles fizeram um evento para 40 mil pessoas com orçamento 48% menor do que eles tiveram em 2025.
Isso se reflete em várias coisas, vai se refletir na estrutura que o evento pode ter ou não, nos gastos. Pensem, eles Pela primeira vez, depois de muito tempo. Eu já comentei isso em um episódio do 15 Minutos. A Philips conseguiu trazer a Zadie Smith. Que era uma escritora que eles tentavam há muito tempo trazer pro Brasil. Uma escritora britânica que... Enfim, contemporânea, super reconhecida, publicada pela Companhia das Letras.
E que foi este ano. Então vocês imaginem uma... Um número gigantesco de autores muito relevantes, importantes. E você precisa, enfim, alocar eles, custear viagens e tal. Então acho que esses dados são importantes pra gente colocar em perspectiva esses números. E a partir disso, entender um pouco algumas questões. Claro, isso é um problema que já existe há muito tempo. As pessoas falam sobre a infraestrutura de Paraty, no sentido de ser uma cidade histórica.
Portanto, tem várias questões físicas, né, propriamente da estrutura da cidade, que algumas não podem ser mudadas e outras têm problemas já que já são conhecidos das pessoas que convivem, que vivem por lá. E que nesses momentos de aumento exacerbado de pessoas, esses eventos, acho que evidenciam algumas questões. Então o Publishing News fala sobre o A falta de um sistema de esgoto encanado no centro histórico, isso é uma questão.
O sinal de internet que em alguns momentos não funciona bem. E que, claro, quando teve o apagão, não foi um apagão igual ao de uma outra edição, que teve muito mais tempo. Mas esse que a gente teve, ele acabou na quinta-feira à noite, por volta de umas 7, 8 horas da noite. Foi voltar de madrugada, às 3 horas da manhã. Então acho que Esses problemas todos, claro, você percebe isso e ao mesmo tempo você vê que as pessoas encontram um jeito de se divertirem ali, mesmo que a cidade estivesse toda apagada.
Mas ainda assim, acho que é importante de entender em que medida esses eventos gigantescos também trazem melhorias para a cidade e também para a estrutura da cidade. Enfim, só pra terminar os meus números para ti aqui, de acordo com o PublishNews, além do público de 40 mil pessoas, é uma estimativa preliminar preliminar da prefeitura, isso pode aumentar. A taxa de ocupação das pousadas, 100% no centro histórico expandido. Então não só ali as pousadas que ficam no centro histórico, mas também as que ficam próximo.
E a gente se inclui nesse caso, a gente ficou numa pousada que ficava bem, já ficava já no centro atual da cidade, mas ainda bem próximo ali do, tanto da rodoviária quanto do centro histórico. Então era muito Não dava 5 minutos caminhando nem de um ponto nem de outro. Então, muito bem localizada, mas é isso. Absolutamente todo mundo estava em Paraty nesses últimos 4 dias, né. Além disso, eles tinham, além das 46 casas parceiras, eles também tinham editoras parceiras da programação principal, eles contabilizaram 12.
No educativo, 18. E embaixadas, consulados, institutos, 16. Na Praça Aberta, era uma praça que ficava ao lado do palco da Matriz, que exibia ali as conversas que estavam acontecendo dentro do auditório. Tinham 35 editoras independentes, 202 autores independentes e 22 tendas no Coletivo Solar. E por fim, isso é uma coisa que eu queria falar, que ainda pensando numa... Na população total que estava ali, eu particularmente percebi muito a presença de crianças e bebês até de colo.
E eu acho que isso, nesse sentido, é uma coisa muito legal de destacar. Porque isso significa tanto que temos a programação voltada pra esse público. A gente tem a Flipinha, a Flipizona e a Flipeduca. Que são atividades gratuitas voltadas pras crianças, pros jovens, pras famílias que estão com essas crianças. Durante ali a Flip. E são... Eu sinto que as pessoas... Quando a gente percebe que tem uma população infantil, infantojuvenil, enfim, nesses eventos, eu acredito que também é uma coisa muito importante.
Porque a gente percebe que as mães, os pais, os familiares dessas crianças também estão conseguindo participar dos eventos, também conseguem acompanhar essa... Enfim, a troca de ideias que acontece por lá e de ter atividades voltadas pra esse público. Então, a gente tem uma amiga nossa, uma ouvinte, a Camila. Ela levou o filho dela, o nosso 30 Segundinhos. E ele aproveitou muito. A gente recebeu foto dele super curtindo ali o espaço também.
Então, acho que isso também é muito importante. Agora, falando especificamente sobre a minha experiência. A gente, enquanto grupo, nós fomos em 2019. Também, o Igor deu uma pesquisada nos números, ele trouxe aqui pra gente que teve cerca de 25 mil pessoas no ano que a gente foi, correto?
Correto, 25 mil pessoas.
Teve cerca de 25 mil pessoas, então a gente teve uma experiência diferente da primeira vez, a cidade tava um pouco mais vazia. Eu sinto que dessa vez, se na primeira vez eu tive uma experiência de participar mais de mesas, nesse ano eu tava muito mais tranquila. Então eu até tinha alguns roteiros, inteiros de coisas que eu queria ver. Mas o grande problema, todo mundo que viu posts infinitos sobre a Flip nesses últimos dias vai falar a mesma coisa, que a quantidade de filas era absurda e não comportava todas as pessoas que estavam presentes ali.
Então eu tinha planejado fazer algumas coisas na Casa Sesc na quinta-feira, na sexta, no sábado. O da Angela Davis, por exemplo, a gente nem lembrou na hora de pegar a fila lá do ingresso.com. Então, e depois eu fiquei sabendo que esgotou em 4 minutos. Então também era bastante difícil de conseguir. De qualquer forma, a gente assistiu essa, a gente teve a possibilidade, tem a possibilidade de acompanhar essa, essa mesa em específico posteriormente no YouTube, assim como outras mesas da Flip e de outras casas.
E o que eu acho importante é que mesmo que você esteja disposto a fazer uma viagem focada em aprender, você consegue. Se você estiver disposto a fazer uma viagem focada em curtir a cidade, e de vez em quando esbarrar em alguma coisinha cultural, você também consegue. Se você tiver disposto a fazer uma viagem focada em encontrar os seus autores preferidos, tirar uma foto, bater um papo, pegar um autógrafo, você também consegue.
A nossa ouvinte também, a Janete, foi muito focada em pegar autógrafo com várias pessoas. E ela teve encontros muito legais nesse sentido. Então eu acho que... A minha experiência foi uma experiência bastante gastronômica. A gente comeu muito bem todos os dias. E nesse meio tempo, a gente também teve a possibilidade de encontrar conversas muito legais no meio do caminho. Então, da minha experiência, é um pouco isso. Desculpa aí que eu falei um monte já nesse primeiro bloco. Vai com você, Igor.
Comparando com 2019, né, quando a gente foi pela primeira vez, essa segunda vez, na minha experiência, né, de 2019 com 2025, fica essa sensação de que a cidade não aguenta, não comporta mais gente. Andar pelas ruas já é difícil porque as ruas já são irregulares, né? Mas com aquele tanto de gente fica, fica realmente muito, muito complicado. Eu acho que uma coisa, os nomes mais badalados é quase impossível de você conseguir assistir alguma coisa, né?
Caso acesse, que acho que trazia os nomes, mas alguns dos nomes mais interessantes, né? Angela Davis, tinha alguns shows também, né? Que a Edmara até tentou assistir, não conseguiu porque eram filas que começava uma hora antes da programação. Então assim, você tinha que, é, 2, 3 horas. Então você tinha que deixar de aproveitar, de andar ou de ver alguma outra mesa para ficar na fila para talvez conseguir entrar na casa, né? Então eu acho que essas casas maiores, acho que a Casa Sesc foi o principal problema assim, né, de lotação, de não acomodar as pessoas.
Em 2019 eu consegui assistir todas as mesas sossegado. Não entrei assim, claro, ficava cheio, ficava em pé, mas eu conseguia em todas as mesas que eu me programei, eu consegui entrar, eu consegui pegar um monte de autógrafos, conheci vários autores. Esse ano eu já não tava com mentalidade de pegar autógrafos, então nem fui atrás, até porque as filas eram enormes ali no estande da onde ficava, né, os autores principais ali depois do telão principal, eles iam ali para para o autógrafo.
Aí você tinha que fazer a escolha, né? Ou você assistia o telão ou você ficava na fila de autógrafos, né? Então assim, então desencanei de autógrafo, nem levei livro, nem comprei muito livro lá, e fui para ver o que dava. Mas acho que tirando isso, as casas, as outras casas, elas ficavam cheias, mas não tão cheias. Né, então a Casa Aleph, que o Arthur ficou, que a gente ficou bastante no Arthur principalmente, mediu mesas. A Casa para Todos, que acomodava algumas editoras, eu não vou lembrar, mas eu sei que a Mundarel e a Noz estavam ali naquela casa.
A Casa Latina, que a gente assistiu uma mesa também. Então assim, dava para entrar, você conseguia, ficava em pé, ficava apertado, mas você conseguia assistir. Com nomes não tão badalados, né? Porque Socorro Accioli, Carla Madeira, Angela Davis, esquece. Assim, você vai ter que lutar muito para conseguir ouvir.
Mas eu acho que é importante também falar de, no caso da mesa, da mesa não, das casas Folha, a própria Casa Sesc também, que estava bastante lotada. Existe uma tentativa de comportar todas essas pessoas por meio dos telões. Então a Casa Sesc fez isso E a Angela Davis no sábado estava sendo transmitida ali, apesar de ter tido um probleminha técnico no começo. As pessoas que estavam ali esperando, acho que era o show do Chico César depois, na Casa Sesc, tinham acesso ao que tava acontecendo dentro da casa, em outras casas.
E a Folha também faz isso, eles deixam um telão. E eu acho que, de certa forma... Se as pessoas estiverem tranquilas, elas conseguem acompanhar. Eu vi muita gente fazendo isso, de acompanhar pelas janelinhas. Na própria Casa Aleph, quando lotava muito dentro, eu percebia que as pessoas ficavam na janela do lado de fora ouvindo. Então, às vezes você passava na frente de alguma casa e tinha um amontoadinho de pessoas tentando ouvir de alguma forma.
E nesse sentido, algumas casas tiveram algumas tentativas de conseguir fazer com que as mesas que estavam sendo debatidas ali dentro também pudessem ser vistas do lado de fora. Acho que a estante virtual tava com a mesa virada para a janela, então as pessoas que passavam na frente conseguiam ver o que tava rolando ali. Então algumas casas tinham uma tentativa, né, de conseguir fazer com que a conversa chegasse em mais pessoas do que só as que cabiam dentro da casa.
Isso é uma coisa que eu senti falta desse ano, é que a gente tava falando com o Arthur, que é a ausência do barco pirata, que era a Flipay, né, que era um— eu não lembro, são os autores, editoras independentes, né, que a gente vem em 2019 algumas mesas lá também, muito interessante. Era um barco que ficava, então depois das mesas, inclusive as editoras ficavam ali, você conseguia entrar no barco, comprar livros, enfim. E era uma— e aí esse espaço ficou vazio e eu achei uma falta que eu senti desse ano para o de 2019, quando eu fui a primeira vez.
Mas acho que no geral é isso assim, a cidade é gostosa, né? Então quando você vai de manhãzinha, por exemplo, que você vai andando antes de encher muito, é uma cidade gostosa de passear, né? Então você pode ir para a Philips, você falou assim, ah, vou andar por aqui, vou ver essas essas ruas bonitas e entrar em alguma casa, se deparar com alguma coisa diferente. Mas acho que no geral é isso.
Eu acrescentaria ao que vocês falaram, além de concordar com tudo que foi dito, uma iniciativa que a gente pode usar para fazer uma junção com o segundo bloco e falarmos das nossas mesas, que foi que em 2019, quando a gente foi a primeira vez, eu pelo menos fui com uma intenção mais de conhecer o evento e a cidade. Então consegui entrar em casas aleatórias, ver as mesas ali, ver o que tava rolando. E esse ano eu fui mais interessado em ver algumas programações fixas.
E eu acho que a gente podia encerrar esse primeiro bloco elogiando a produção do índice da Flip, produzido ali pela iniciativa Vale um Livro, Seiva, Estante Virtual e Flip, que é a tabela que a Tati Leite já faz há algum tempo para ela mesma e que às vezes ela divulgava. E aí agora a gente teve essa produção desse encarte bastante completo. A Índice, que é como chamou, é uma newsletter diária dedicada à literatura. E aí a gente teve essa produção desse guia, me ajudou bastante a visualizar o que tinha no dia, onde estão as mesas que acontecem, quem são as pessoas convidadas, os mediadores, quem que vai falar, qual o horário.
Então eu gostei bastante de ter esse guia para acompanhar junto com o guia oficial da Flip. Que eu acho que são coisas muito interessantes pra gente ter e que se mantenha nos próximos eventos. No mais, eu acho que não vou repetir vocês novamente porque tivemos experiências bastante parecidas.
E tem uma coisa legal de falar sobre esse índice feito a partir das informações todas da tabela da Tati Leite, é que ela, assim que ela terminou a tabela, ela falou lá no perfil dela no Instagram, que ela não tinha mapeado, ela não tinha colocado ali os autógrafos ou lançamentos de livro. Ela tinha colocado apenas mesas. E isso deu mais de 900. Então é um evento que, se você parar pra pensar, de fato, ele começa na quarta-feira à noite e acaba no domingo à tarde, domingo à noite ali.
Durante esse período, a gente teve 900 Mais de 900 mesas de conteúdos diversos, dos mais variados temas, dos mais variados gostos. Discutindo ali com autores pequenos, autores grandes. Gente que tá começando, gente experiente. Gente que nunca veio pro Brasil, gente que já tá aqui direto. Uma diversidade muito grande nesse sentido de possibilidades pra quem vai lá e tá com o coração aberto pra aproveitar tanto as coisas que vão ser mais concorridas.
E eu acho que nesse sentido é importante. De destacar que tudo depende da experiência que você quer. É importante que quem vá entenda que vai ter muita gente, claro. Eu não esperava 40 mil pessoas, mas também não dá pra esperar um público muito menor que isso. Porque é um evento que se torna aí... Muita gente fala, e eu acredito muito nisso. A Flip é o maior evento literário do país. Ela se tornou este evento dessa magnitude, deste tamanho.
Então, portanto, muita gente vai atrás, vai procurar. Vai querer participar. Todo mundo que gosta de livro quer em algum momento estar na Flip pelo menos uma vez, nem que seja para ver como é que é. Então tudo depende muito da experiência que você tá procurando. E eu acho que nesse sentido, por mais que a cidade também tivesse lotada, por mais que a gente já tenha falado desses problemas de infraestrutura em alguns pontos, a Flip consegue atender muitos públicos, consegue proporcionar possibilidades diversas para públicos diversos.
Quem quer curtir à noite, realmente consegue. Não teve um dia que eu não vi que tinha uma festa, um negócio acontecendo, um bafafá, um trequinho pras pessoas aproveitarem. Do mesmo jeito, desde o início da manhã, se você quisesse, também já tinha coisa acontecendo. Então acho que também atende muita gente nesse sentido.
Acho que a gente pode comentar agora de algumas coisas que fizemos durante a Flip. Eu até postei no primeiro dia. Que a gente produziu o plog. Forjamos aí este termo revolucionário, o primeiro plog do Brasil. A explicação aos apoiadores foi que se temos um blog para falar em texto do que aconteceu e se temos um vlog para falar em vídeo do que aconteceu, nada mais justo de que a gente mandasse plogs, que são pequenos podcasts. Do que a gente tava fazendo lá.
Então a gente compartilhou mais ou menos um áudio e pouquinho ali por dia para dizer o que a gente tava fazendo, para onde a gente ia, o que que a gente ia fazer. Tivemos a trajetória, uma longa jornada do Igor em busca do chocolate, do sorvete de chocolate ideal. Ainda não foi encontrado, mas ele segue na busca aí. Quem sabe em próximos anos, em próximos eventos, quem sabe talvez ele encontre esse sorvete numa Flipelo. Talvez numa Bienal do Livro.
O sorvete de chocolate ideal do evento literário é sempre uma possibilidade. Mas pra gente não se repetir e comentar disso que nós fizemos, acho que a gente pode compartilhar um pouco das nossas experiências. Eu vou começar falando que na verdade esse ano eu fiquei basicamente ali nas programações da Casa Aleph. A Casa Aleph que é uma editora especializada em ficção científica e agora tá começando a publicar livros de fantasia e também alguns livros infantis.
E tem o selo Goya também ali de não ficção, desenvolvimento pessoal, algumas pesquisas, né? Os livros de bruxaria são bastante famosos ali. E eu fui ali para dar uma olhada em como ia ficar. É o segundo ano da Casa Aleph, é uma das poucas casas que vai falar de literatura especulativa. A gente tinha Casa Fantástica alguns anos, que já não tem mais. A gente tinha o Flipê, que também tinha algumas parcerias com algumas editoras.
Igor já falou sobre isso. Foi na Flipê que eu comprei o meu o famoso livro Piquenique na Estrada, que eu falo algumas vezes, falei no podcast Solares, que eu já falei bastante do filme Stalker também, que é adaptação desse livro. Enfim, então acho que faltava esse espaço para mim e eu fiquei aproveitando bastante ali e às vezes orbitando algumas outras mesas que falassem desse elemento especulativo. Fui na Casa Latina também assistir Ana Rusch com o Cristiano Aguiar para falar de O Fantástico.
Na América Latina. Ali na área a gente teve uma série de outras mesas interessantes. Teve a Liz e o Thiago falando sobre essa brasilidade, teve o Felipe, o Alexei compartilhando algumas questões, até porque eles estão nessa iniciativa nova da área de ficção científica brasileira. Foi onde também medi as mesas que já divulguei bastante pelas redes sociais, 30 minutos. Mas basicamente, para quem não viu um, era justamente sobre essa ficção científica nacional brasileira desse momento em que vivemos, e a outra também discutindo colonização no espaço.
Quem é o, quem são os donos do espaço nesse futuro que a gente tá visualizando? Se a gente vai colonizar as estrelas, o que que acontece nesse meio termo? A primeira mesa foi com o Felipe Castilho e o Alexei Dodsworth, os dois são escritores da Aleph Agora, e também a Gabi Colicino, que é uma agente literária da Agência Mag. Idealizadora do projeto. E a segunda mesa foi com Alejandro Puerta, um romancista, o Pedro Aguilera, que é o criador das séries da Netflix 3% e Onisciência, escreveu também dois livros recentemente, um infantil com a Jana Tokitaka para falar dessas possibilidades de futuro, e outro romance dele com a Rô, com um romance ligeiramente fora de órbita, que é uma mistura de ficção científica e mistério, que tem uma protagonista brasileira que tem a vontade de ver ali a Terra fora do planeta, né, ver do espaço.
E a gente teve então também a presença nessa outra mesa da Diana Passi, uma scout e consultora literária que compartilhou um pouco desse repertório de pesquisa e leitura que ela tem. E foram discussões bastante interessantes assim. No mais, gostei muito de reencontrar alguns amigos, algumas pessoas que eu conhecia só de internet, algumas pessoas que eu via, que eu vejo pouco porque moram em outros estados, moram em outros lugares.
E sempre a possibilidade boa de tomar um bom Jorge Amado Bons Drinks da Bianca, nossa ouvinte que tava lá também, também fez o tour dela de viagem e descobertas de drinkuxos. E Bombons da Maga, Bombons da Maga.
É importante dizer que Lígia Colares afirma que ela sabe onde fica o melhor Jorge Amado de Paraty. Então também teve esse ranking aí.
Mas falem de vocês, vocês compartilham o quê? E as pessoas também, quando vocês compartilharem o que que vocês assistiram, se vocês tiverem ideias de onde as pessoas podem assistir, quem não foi para Flip, quem não vai para Flip, a gente já comentou desse fator econômico da Flip de ser um lugar caro tanto para ir, um lugar caro para as pessoas exporem, um lugar caro para estar porque é um lugar longe de tudo. Então quem não tem a possibilidade de assistir essas mesas, o que que vocês indicam? Onde podem estar?
Antes disso, eu acho que era importante que o Arthur falasse sobre como foi a experiência dele como mediador, porque ele só passou por cima. Sim, não, pera aí, ele só falou por cima que ele mediu, mas assim, eu só sou ouvinte de mesas, eu não sei o que que é mediar, o que O que que acontece de bastidor? Como é que é passar a Flip dessa forma?
Ai, gente, isso daí... Ai, ai. Bom, a mediação, ela é um trabalho jornalístico. Você idealmente tem que pesquisar o que que os seus convidados vão falar. Você tem que ter uma coisa muito difícil, que é uma coisa que a gente sempre vê da Flip, que é a perspectiva de entender que não é você que vai falar, você vai conduzir a conversa. Então Se você vai mediar, evite fazer a conversa girar ao seu redor, não seria de bom tom. E você idealmente prepara uma mesa com antecedência para compartilhar as suas perguntas e encaminhamentos com os seus convidados.
E você compartilha com eles, se eles não responderam o email, você tenta compartilhar isso antes do evento para que a mesa ocorra com fluidez, sem nenhuma problemática. E foi o que a gente fez. A gente conversou sobre as mesas, sobre as temáticas, sobre as possibilidades, encaminhamentos, o que que eles gostariam de abordar, o que que eles acham que seria mais interessante de abordar na mesa, onde eles teriam mais desenvolvimento para poder tornar a discussão interessante.
E também a gente fez ali na outra mesa a leitura dos livros e das obras das pessoas para poder puxar temáticas que dialogassem. Então é um trabalho de pesquisa e conversa, é quase um podcast.
E você gostou?
Achei legal, é divertido ver as pessoas conversando, mediar as perguntas, propor questionamentos, é bastante interessante. Eu sou suspeito, eu gosto de fazer esse trabalho.
Eu não vi tantas mesas esse ano quanto eu gostaria, como eu falei no primeiro bloco, teve Algumas mesas que eu tinha planejado acompanhar e não pude. Mas a parte boa é que algumas delas estão disponíveis no YouTube, em tocador de podcast, enfim. Eu, na quinta-feira, tinha me planejado pra assistir a conversa do Angu de Grilo com Muniz Sodré. Angu de Grilo, pra quem não sabe, é um podcast apresentado pelas jornalistas, pelas duas jornalistas, né, mãe e filha, Flávia Oliveira e Bela Reis.
Muito legal, muito bacana, um podcast que eu adoro, ouço toda semana. E elas estavam lá na programação do Sesc e foram entrevistar o Muniz Sodré. Que uma curiosidade, até ele foi professor das duas. Então também, eles todos já se conheciam. E aparentemente foi uma conversa muito divertida. Eu não ouvi o episódio ainda. Mas o episódio está disponível no feed do podcast delas. Além disso, eu vi também uma mesa na Casa Sete Selos muito legal.
Sobre o ofício de ser editor. Então tinha um representante da Seiva, o Daniel Lameira, e uma representante da Uhu, a Florencia Ferrari, falando sobre como é trabalhar com livro a partir desse bastidor. E o interessante é que ambos ali trabalharam em outras editoras antes de terem os próprios projetos. Então foi uma conversa muito enriquecedora nesse sentido, muito legal os insights, entender o que, o que é necessário de investimento para botar um livro no ar, para fazer um livro acontecer.
Então teve isso, tem conversas que são mais focadas para profissionais ou para pessoas que estão interessadas no que significa o ofício de trabalhar de alguma forma com livro. Assisti também as mesas do Arthur porque eu sou chat dele. Mas também foram mesas muito legais. A Dana Rocha foi muito bacana. Acompanhei pedaços de conversas no telão principal. E essas conversas todas oficiais da Flip, vocês já sabem, porque eu já indiquei no 15 Minutos.
E qualquer pessoa também tem acesso fácil a isso. Mas a Flip deixa as mesas de todos os anos no canal do YouTube deles, na íntegra. Então se você não consegue assistir uma mesa ali, você consegue acompanhar isso posteriormente.
A Angela Davis.
Eu não sei. Aí agora é um comentário meu pessoal. A Casa Sesc tinha capacidade para 60 pessoas. Eu não sei por que que no começo da programação da Casa Sesc a Ângela Davis estava incluída naquela casa em específico que cabiam 60 pessoas, porque todas as matérias que já estavam falando da programação antes de começar a Flip já falavam sobre como essa mesa inclusive já estava chamando muita atenção E roubando ali, não é roubando, mas ganhando um protagonismo relevante também no evento.
Eles mudaram a mesa para o Sesc Caburé, e durante a semana o Sesc divulgou que a retirada de ingresso ia ser feita pelo ingresso.com, o que eu achei particularmente uma boa solução, porque se não tivesse alguma forma de retirar essa senha de maneira antecipada muita gente ia ter ficado na fila esperando para entrar, ia gerar uma frustração muito grande nas pessoas. Então já tinha ali quem não conseguiu ingresso, foi procurar outra coisa para fazer ou foi assistir a mesa na frente da Casa Sesc que tinha os telões.
De qualquer forma, eu consegui assistir essa conversa posteriormente. Ouvi um pedaço lá enquanto eu tava na Philips esperando a mesa da Jady Smith, mas vi a conversa depois. Foi muito legal. A Flávia Oliveira fez uma conversa deliciosa com a Angela Davis, eu particularmente amei. Eu gosto muito da Flávia Oliveira, já como profissional. E eu achei muito legal que ela fez um diálogo da Angela Davis com vários pensadores e pensadoras negros brasileiros.
Ela citou a Beatriz Nascimento, Lilária Gonzales, Milton Santos, Nego Bispo, Conceição Evaristo, Amarely Franco, Hélio Santos, Abdias Nascimento, a Elza Soares e a Sueli Carneiro. Dentre várias outras pessoas que foram surgindo ali na conversa de última hora. Porque a Angela Davis visitou um quilombo em algum dos dias que ela estava ali antes da mesa dela. Então ela também citou um livro que tava sendo lançado ali, no mesmo momento da mesa dela, inclusive.
Então é uma conversa muito legal. Outras conversas... Eu achei também um canal chamado Amado Mundo, que tá com todas as mesas que rolaram na Caixa de Histórias. Teve muitas mesas lá que eu queria assistir, não consegui também, mas... Estão disponíveis no canal no YouTube. E a Casa Folha também. Essas são as que eu já consegui ver de agora, mas eu tenho certeza que é possível de encontrar várias outras casas no YouTube também, as mesas na íntegra.
Mas a Folha também deixou todas as mesas que rolaram na Flip lá no canal do YouTube deles. Quem quiser acompanhar também acompanha. Eu assisti hoje uma mesa muito legal que rolou, que era uma mesa que eu também queria ver e não consegui. A minha Flip E foi toda de coisas que eu queria fazer e não deram certo. E algumas outras coisas que surgiram no meio do caminho, que foram muito legais também. Essa mesa era uma mesa da Socorro Ascioli com o Walter Porto, falando sobre crônica.
Porque o livro, o último lançamento dela, é uma reunião de crônicas que ela publicou em dois jornais lá de Fortaleza, eu acho. E enfim, uma conversa muito legal. A Socorro Ascioli é muito bem-humorada, muito divertida. Enfim, essas são algumas das coisas que eu fiz na Flip, barra meio online também, que é possível de vocês fazerem também de certa forma.
Para não ficar repetindo muito, né, também acompanhei as duas mesas mediadas pelo Arthur, que eu gostei. Eu não sou um grande leitor de ficção científica, mas foram temas bem interessantes e discussões bem legais assim de acompanhar. Tava também na mesa da Anahush com o Cristiano a guiar. Também bem interessante, gostei bastante da conversa, fiquei interessado em ler os livros. Inclusive vamos ler um dos livros, né, que é o Carga Viva da Ana.
Acompanhei algumas mesas no telão principal. A primeira que eu acompanhei foi uma das mais divertidas, é que eu mais gostei de acompanhar, que foi a mesa da Pauline Torte com a Andréa del Fuego. A Andreada foi uma autora muito engraçada, então carisma muito grande. Eu já tinha curiosidade, né, de ler A Pediátrica, acho que é o livro mais famoso dela, um dos mais, e saí de lá com muita vontade assim. Ela é uma autora muito, muito interessante, desde que ela fala sobre a escrita.
As duas, né, Pauline Tórtola também, que a gente leu o, qual que é o nome? É isso. E você já tinha vontade de ler Os Imortais depois da mesa? Eu fiquei com mais vontade ainda. E foi uma discussão muito legal das duas sobre o processo de escrita, até o processo físico, né? Como é, como que é escrever um livro, né? Como que para elas essa carga física de escrever— a Adriana foi eu que falou que depois desse novo livro que ela tá escrevendo, ela ficou teve que entrar em um processo de meio que de loucura assim, ficou 40 dias escrevendo, não lavava o cabelo, não tomava banho direito assim para entrar no processo de escrita.
A Pauline Tóth falou de que ela caminhava para escrever Os Imortais, ela caminhava tipo muitos e muitos e muitos quilômetros assim até quase não aguentar mais de exaustão física para tentar entender como que era, como que pessoas, né, os neandertais andavam e caminhavam, né, e como que era esse processo de exaustão física do caminhar, que era eles. Então assim, foi uma mesa muito boa, divertida, e com, acho que, insights importantes sobre a escrita, né, com o processo de escrita mesmo, não só dentro da cabeça, mas o físico, né, como que essas autoras fazem.
Acompanhei um pouco da mesa da Zélia Smith com a mediação da Juliana Borges, que era uma mesa que eu tava muito, muito empolgado para ver. Eu nunca li a Zé Delivery, mas é uma autora que eu tenho há muito tempo muita vontade de ler. E foi uma conversa muito interessante, com problemas de tradução simultânea, que é um— tradução simultânea é uma coisa complicada, não é um trabalho fácil para quem faz. E às vezes também é difícil para quem tá lá ouvindo a autora.
Então teve alguns momentos que a gente perde um pouco da palestra pela tradução, mas a gente conseguiu, eu consegui acessar o áudio original, né? Você consegue pegar, acho que a Philips disponibiliza 4 para cada mesa, se é mesa traduzida, né? Eles disponibilizam 4 áudios: o áudio original, o áudio em português, o áudio em inglês e o áudio descrição. Então são 4 versões. Eu não sei se tem tradução para inglês de mesas em português, talvez tenha.
Então pelo menos 3 a 4 versões para cada mesa. Então realmente é muito fácil de acessar as mesas depois, tanto é que eu voltei e assisti a mesa do Zé Smith já aqui em São Paulo. Mas eu tive a oportunidade de estar pela primeira vez dentro da tenda, né, do palco principal, né, onde as mesas da programação oficial acontecem. Também tive a oportunidade de entrar na tenda principal pela primeira vez, no ar-condicionado, climatizado, tudo bonitinho, graças ao ingresso que a Camila e a Bianca tinham sobrando.
Acompanhei a mesa do Milton Ratum, que é um autor, meu autor contemporâneo favorito brasileiro. Eu li tudo, né, tudo que ele publicou, então é um autor que eu gosto bastante. E o Hisham Attar, que é um autor líbio-britânico, que conversaram sobre, conversaram sobre o processo de escrita, sobre memória, sobre guerras, né, sobre momentos de ditadura e autoritarismo. O Milton tava falando sobre a última trilogia dele, né, que envolveu, acho que é O Tempo Mais Sombrio, aquele completou ano passado.
O Richard Matar tava falando dos livros sobre— tem um livro, O Retorno, que é sobre a morte do pai, que foi sequestrado pelo regime do Gaddafi e nunca mais foi encontrado. O Milton tava falando sobre os desaparecidos da ditadura, né, sobre essa marca que fica de quem não— quando você não consegue enterrar os mortos, né, e como que você lida com isso na literatura, mas também lidar isso na memória e nos sentimentos. Foi uma conversa também muito interessante, gostei muito de ouvir o Milton.
Primeira vez que eu ouvi o Milton falar, né, primeira vez que eu cheguei perto do Milton. E também vimos, né, um parênteses aqui, vimos o Milton sendo barrado em um restaurante que a gente tava almoçando. Isso também foi uma experiência, gente.
Ele foi barrado porque o restaurante estava cheio, mas é o tipo de coisa que acontece na Flip. Você tá andando, tomando café da manhã, você esbarra com uma pessoa que você lê desde sempre. Eu não consegui, não tive coragem, mas eu estava caminhando e eu vi a Annelise Assunção sentada almoçando. Você vê esse tipo de coisa, pessoas que você admira vivendo a vida delas normalmente. Foi o caso do Milton Ratum, que o Igor ficou assim, é ele que tá ali?
A gente começou a se perguntar e no meio do caminho ele acabou sendo barrado porque o restaurante estava lotado.
Isso é, você vê tudo, né? A gente viu muito as alianças por ali. Ela passou pela gente algumas vezes. Eu, na mesa do Milton, ela tava sentada ali no caderninho dela anotando as falas. Renata Cerebelli também. Flippei isso, né, como a Edmara disse. E eu acho que foi isso que eu assisti. Acho que a gente acompanhou uma mesa sobre a Irene Solar.
A gente viu uma mesa sobre Irene Solar que a gente vai trazer algumas questões para live. É verdade, tá ouvindo hoje, amanhã a gente vai trazer algumas coisinhas.
Exato. Mas acho que minha experiência de mesa foi isso. Eu fiquei Em 2019 eu foquei mais na programação paralela. Esse ano acho que eu acompanhei mais na programação principal mesmo, mas é bom fazer um equilíbrio assim entre as duas. Mas foram experiências bem interessantes, tirando acho que o problema ali na tradução simultânea, que não tem muito o que fazer, né, porque é um trabalho muito difícil fazer tradução simultânea. No geral foram meses que eu consegui aproveitar bastante.
Antes da gente virar o bloco para dicas de onde assistir, dicas de programação e dicas, enfim, de planejamento, queria fazer um disclaimer. Se em algum momento, em alguma Flip, eu apontei para sua cara e falei o seu nome em voz alta, eu peço desculpas. Às vezes eu faço isso antes de raciocinar efetivamente o que eu tô fazendo. É muito conhecida a história da primeira Flip entre um grupo de amigos. No momento em que eu apontei a menos de 2 metros de distância para a cara do Gregório, eu falei Olha o Gregório, que era o Gregório do Vivier.
Então eu peço desculpas também porque eu fiz isso mais de uma vez em mais de uma situação. Pode virar uma blanca, fechou? Muito bem, a pessoa que tá ouvindo a gente aqui, ela quer se planejar de repente para uma próxima Flip do ano que vem. Ou ela quer, se empolgou com o que a gente falou aqui agora, quer conferir algumas mesas. O que ela pode fazer agora nesse momento? Vai terminar o Play. Quais são os próximos passos tanto para essa Flip 2026 quanto para a Flip de 2027? O que vocês recomendam?
Para quem acompanha, quem não esteve presente na Flip, mas quer acompanhar de alguma forma mesas que aconteceram por lá, o canal oficial do YouTube da Flip, como o Igor já disse, eu também falei, deixa lá todas as mesas, desde a mesa 1 até a última mesa que aconteceu no evento. Então você consegue conferir as conversas todas no canal oficial da Flip, da programação oficial. Além disso, existem algumas mesas como a Casa Folha, a Caixa de Histórias, a Casa Sesc especificamente com Angela Davis.
Eu não encontrei no canal outras mesas, mas a conversa com a Angela Davis está no canal do YouTube da Casa Sesc, pra quem quiser assistir. A Casa Folha, a Caixa de Histórias também tem todas as mesas que rolaram por lá. A gente pode pensar depois ali no... Até pros ouvintes, quem se interessar e tal, a gente pode tentar fazer um mapeamento do que tá disponível posteriormente. Eu acho que a Casa Aleph não gravou, né, Arthur? A Casa Aleph, infelizmente, só quem viveu sabe.
Mas teve histórias, conversas muito legais lá. Eu tô até agora pensando na Diana Passi falando sobre todas as pessoas que são necessárias pra colonizar o espaço e como é que seriam as dinâmicas disso. Só dali já dá pra um monte de possibilidades de histórias, enfim. Mas da programação, do que eu sei até agora, são essas.
Igor, quer acrescentar alguma mesa que as pessoas possam assistir e ver?
Não, eu acho que é isso. A programação principal tá toda lá e eu acho interessante, aí se a gente pode dar uma dica, enfim, para quem for ano que vem pensar que as mesas principais elas vão estar gravadas, elas vão estar lá para a eternidade. Se você tiver em dúvida entre uma mesa da programação principal e uma mesa da programação paralela, por exemplo, que vão ter o mesmo horário ou que você quer, vá na programação paralela, que pode ser que ela não exista o registro dela depois.
Então é sempre interessante colocar isso em, pesar isso na hora de definir a sua programação.
É uma coisa que eu acho legal de pensar também para quem deseja viver uma Flip nos anos seguintes. Eu acho que daqui nós três não tem ninguém aqui que seja exatamente a pessoa mais adequada para falar, olha, como você vai viver a Flip 2027 da melhor maneira. Meio que não existe isso. E a gente também não foi em tantas, a gente não foi tantas vezes a Flip para dizer exatamente, fazer uma Bíblia de tudo que você tem que fazer para conseguir aproveitar.
De qualquer forma, eu conheço uma amiga minha que já foi há muitos anos, a Carolzinha. Ela vive perigosamente, ela sempre faz hospedagem dela de última hora, ela fecha o ônibus dela ali quando ela já sabe mais ou menos a data que ela vai poder viajar. Sempre dá certo. Então tudo depende também da experiência que você quer ter. Acho que se uma hospedagem super completa, com muito espaço, muita coisa, se isso é muito importante para você, é importante que você procure por hospedagem assim que as datas são liberadas.
O outro ponto é que dá para você fazer uma viagem de luxar e comer em lugares muito legais lá. Isso não falta, tem muitas opções. Dos mais variados gostos, dos mais variados tipos de pratos. Consegue comer muito bem frutos do mar, consegue comer comida italiana, comida francesa, brasileira. Consegue também encontrar um restaurantezinho que vai te servir um bom PF por um valor justo. Tem pra todos os tipos também. A gente brinca muito que a gente teve uma diferença entre a nossa experiência gastronômica na Flip em 2019 e em 2026.
Esse ano, claro, nós não somos mais universitários, nós já temos os nossos empregos bonitinho. Então a gente tinha um pouco mais de dinheiro para gastar e a gente tava mais planejado. Quando a gente foi em 2019, a gente não tinha um puto no bolso assim. Então a gente pegou um Airbnb que era mais afastado do centro, mas que a gente não era mais afastado, mas a gente andava um bocado, ficava depois do Sesc do Cabaré. Quem conhece Paraty sabe que ele fica um pouquinho mais afastado do centro histórico.
Mas a gente se reunia lá, pegava umas coisas, fazia uns lanches e, sei lá, jantava. Teve um dia que a gente jantou numa pastelaria lá de esquina que vende pastel por 30 centímetros, um bom pastel. Um pastel grandão. E a gente, com pouca grana, foi lá que a gente comeu mesmo. Esse ano, a gente teve experiências mais legais de comida. E todas foram, particularmente, muito boas. Então peguem hospedagem com antecedência, se vocês acham isso muito importante.
Se planejem com transporte. Você vai ter que chegar lá de ônibus ou de carro, não tem outra possibilidade. Tem o caminho, a depender, você pode ter a possibilidade de pegar trânsito ou não, depende muito dos horários também que você escolhe viajar. A gente voltou domingo de manhã, então foi uma viagem relativamente tranquila, mas é necessário dizer que quando a gente tá indo embora e você vê que as pessoas ainda estão lá e ainda vão aproveitar um dia inteiro, dá uma dorzinha no coração e vontade de ficar mais tempo.
Eu, para o ano que vem, se tudo der certo, eu planejo chegar um pouquinho antes da Flip ou ir embora um pouquinho depois para poder aproveitar um pouquinho mais, porque é uma cidade, apesar de todas as coisas que a gente falou, é uma cidade realmente muito gostosa. Acho que de coisas que eu consigo pensar de dicas são essas. Não sei se os meninos têm outras coisas para dizer também.
Não. Não, tô pensando aqui enquanto você tava falando. Eu acho que um outro adendo que eu faria, que toda vez que eu penso, quando sai o nome da pessoa homenageada, eu fico muito preocupado em, putz, eu não conheço, ah, não sei se eu gosto dessa pessoa, ou não sei se eu gosto desse trabalho, não sei se vou aproveitar a flip. Isso é uma coisa específica, uma coisa muito particular de uma parte da programação. Então também isso não se deixa afetar muito por essa.
Isso é uma coisa legal de falar da Flip. Eu vi uma entrevista recentemente, eu acho que falei isso no 15 Minutos também, sobre como a Flip nos últimos anos tem feito um trabalho de, ao invés de como nos primeiros anos tinham os grandes nomes da nossa literatura e tinha uma proposta de apresentar esses nomes para o mundo, Atualmente, a Philips já tem o espaço dela consolidado. Atualmente, o processo é um pouco diferente. Existe essa tentativa de procurar nomes que, de certa forma, deveriam ou que podem ser mais conhecidos pelo público brasileiro.
Então, reconhecer nomes, autores, poetas, escritores, escritoras, pessoas que merecem também ainda mais mais destaque e valorização do nosso próprio povo, né, do brasileiro em si. E acho que nesse sentido, eu, por exemplo, esse ano eu tinha chegado, eu tava com muito na cabeça de que eu não ia comprar livro lá, que já tem livro, a gente já tá dormindo em cima de livro praticamente, tem, não cabe mais nada aqui dentro dessa casa.
Mas deu ali sexta ou sábado, não lembro quando foi que a gente comprou, Igor. Mas foi sábado. Mas a gente acabou comprando... Eu comprei o último livro de poesias da Eurídice, o Igor comprou o primeiro. Então há também essa possibilidade de você descobrir trabalhos. E isso não só dos homenageados. É importante, claro, o que o Arthur falou. A programação não fica focada nos homenageados. Mas existe, de certa forma, em alguns espaços, uma tentativa de trazer um pouco mais a respeito desses autores.
Mas também a possibilidade, como o Igor muito bem falou nas experiências de mesa dele, você começa a ouvir alguém que talvez você não conheça o trabalho muito bem. Ou que você esteja meio assim, pensando se você quer conhecer. E você ouve essa pessoa falar em uma mesa pequena ou grande. E de repente você se abre. Eu acho que isso é muito bom. Isso é uma coisa normal já de evento literário, de divulgação de livro. Eu sinto que sempre tem a possibilidade de você conhecer um autor novo.
E que a partir disso, há um despertar de um interesse. Então, isso eu acho que é uma das coisas mais legais, assim. Já tem os livros das pessoas que eu conheço, que eu já quero ler, que eu já tô animada pros lançamentos. E tem outros que eu nem sabia que eu poderia me interessar. E que eu acabo me interessando e que me conquista. Então acho que isso também é muito legal. De eventos literários em si. Isso não é uma exclusividade da Flip, mas de eventos literários em si.
Acho que é uma coisa interessante só para citar o trabalho que eles fizeram esse ano. As mesas da programação principal, os títulos eram trechos, né, excertos de poemas da Eurídice, que no primeiro momento é uma coisa meio, tá, o que que significa? Porque eram, enfim, trechos de poema. Então Então você saber do que a mesa se tratava era um pouco complicado, porque às vezes o título era O Boi, O Boi É, O Boi. Então assim, o que que é, sobre o que é a mesa, né?
Mas ao mesmo tempo isso introduzia a gente à poesia da Eurídice. Então sempre que começava a mesa eles recitavam o poema inteiro, e também é uma forma de você entrar em contato com a produção da autora, né? E aí eu fiquei interessado, eu gostei do que eu ouvi lá. Apesar de não serem títulos esclarecedores sobre as mesas, era uma forma interessante de você entrar em contato com o trabalho da Orydes. Mas eu acho que tirando isso eu não tinha, não tenho mais nada acrescentar, tirando o básico, tipo vá com roupas confortáveis, mas isso aí para qualquer lugar da vida, né?
Paciência é uma virtude na Flip, porque você não vai conseguir andar rápido, você não vai conseguir sentar rápido para comer, você não vai conseguir sentar muitas vezes nas casas. Então tenha isso em mente, não trate mal prestadores de serviços porque eles estão sobrecarregados. Mas acho que no geral é isso assim, mantenha a mente aberta, você vai descobrir coisa muito interessante, conhecer gente muito interessante, muito legal, e gente chata também, mas aí é parte da vida.
Acho que com essa grande frase de sabedoria a gente pode encerrar. Muito bem, se você ouviu a gente até aqui, não deixe de compartilhar esse episódio com quem você acha que pode gostar. Deixe seu comentário falando aí do que que você achou desse episódio, da sua experiência, se você vai querer ir para Flip no ano que vem, se você jamais vai para Flip, se você quer ir para Flip só um dia, se você prefere outros eventos. A gente sabe que tem outros eventos aí ficando muito famosos e muito grandes, Flip Lobo, Enal, enfim, são muitas coisas acontecendo por aí.
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É verdade, Edmara, tá no episódio. A gente não pode deixar de dizer que a Balburdia é o grupo que mais cresce no Brasil. Ai, mas se você não pode comprometer a sua renda mensalmente, você pode fazer algumas coisas. A primeira delas é, sempre que você não puder esquivar da Amazon, você pode abrir o nosso link afiliado ou ver os livros citados na nossa vitrine. E aí você já reverte uma parte dessa renda aí para manutenção do podcast.
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