583: Os Pescadores, de Chigozie Obioma
Arthur Marchetto, Anna Raissa e Igor Neves discutem "Os Pescadores", de Chigozie Obioma. A conversa investiga as implicações de se falar em uma suposta "literatura africana", problematizando generalizações e discutindo a prosa do autor nigeriano.
Eles analisam as dificuldades que a linguagem poética de Obioma geraram durante a leitura, fala sobre as escolhas simbólicas da narrativa e a construção do enredo.
Por fim, o episódio anuncia a próxima leitura do clube: "Feito Bestas", de Violaine Bérot, em maio.
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Arthur Marchetto
Ana Raíssa
Igor Oliveira Neves
- Condições dos pescadoresAnálise da prosa e linguagem poética · Escolhas simbólicas e construção do enredo · Relação com 'O Mundo Se Despedaça' de Chinua Achebe · O papel do personagem 'louco profeta' · A figura da mãe e seu luto · Violência familiar e suas consequências
- Escrita e EdicaoUso excessivo de metáforas e analogias · Didatismo na explicação de conceitos e simbolismos · Repetição e enfraquecimento da narrativa · Potencial da escrita e sua saturação
- LiteraturaHomogeneização e generalização do continente africano · Marketing editorial e comparações com outros autores · Foco em autores nigerianos e lusófonos · Exotismo na recepção da literatura africana
- Fanfic e suas implicaçõesComparação com 'Temporada de Furacões' · Narrativa intercalada e coro de fadas · Enredo sobre bebê encontrado abandonado
- História da ÁfricaO papel de MKO Abiola e a ditadura · Guerra de Biafra e o livro 'Meio Sol Amarelo' · Colonização britânica e imposição do cristianismo
Tá começando mais um 30 Minutos, a sua maior alucinógena de literatura. Eu sou Arthur Marquet e estou aqui com Igor Oliveira Neves e Ana Raíssa pra gente conversar sobre Os Pescadores, o livro do Clube de Leitura de abril de 2026. Vocês estão empolgados pra falar sobre esse livro com os nossos ouvintes? Qual o adjetivo que vocês usariam? Empolgado é forte, mas... É, tamo aí, né? Contrato, né?
E você, Ana? O que as pessoas podem esperar desse episódio? Eu lendo o livro três dias desse jeito. Não esperem mais de mim. A gente volta a falar dele logo depois da sessão de recadinhos. Opinião, recomendações, curiosidades e muito mais. Está no ar mais um 30 Minutos. Sua meia hora alucinógena de literatura.
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Como este é um episódio do Clube de Leitura, fica também dado a largada para a leitura do nosso próximo livro, que é o Feito Bestas, de Violano Berro. É um livro que eu li no ano passado, achei bastante interessante. Ele é um livro que vai contar uma história de uma vila ali, nos Pirineus Franceses, dos Pirineus Franceses.
E a gente tem uma estrutura bastante parecida com temporada de furacões, pra quem leu o ano passado com a gente gostou. A gente tem um livro que ele é intercalado, são capítulos diferentes que vão falar sobre um acontecimento que acontece ali, um acontecimento que acontece é forte, né? Sobre um acontecimento ali da região, que é uma criança, um bebê que é encontrada saudável e de seguro ali, mas abandonada dentro de uma gruta, e essa gruta, ela envolve ali uma...
Uma história, uma trajetória, um conhecimento popular ali que tem nos vilarejos franceses. E cada relato, uma visão do que tem ali, é intercalado por um couro de fadas. Essas fadas, elas aparecem ali no sentido de couro grego, né? Então são pequenos versos ali que refletem sobre a situação e continuam com esses testemunhos dos habitantes. E envolve também não só o desaparecimento da criança, mas também um jovem ali que tem uma...
uma força sobre-humana, um dom especial para lidar com os animais e tal, e que parece ser uma pessoa que tem um certo estigma ali entre as pessoas da região. Eu gostei bastante do livro, para quem gostou de Temporada de Furacões vai gostar também, é uma narrativa um pouco mais leve, né, porque o Temporada de Furacões, ele tem ali bastante questões de violência gráfica, esse livro também vai falar de violência e também vai terminar com as questões nesse sentido, mas ele é graficamente mais leve.
A gente fala dele no começo de junho, no dia 6 de junho. Se o Igor gostar da experiência de gravar a live, ele volta pra ir com a gente aqui no mês que vem.
O Mad Titan já falou que esse podcast vai ser história de pescadores, sim. São quatro pescadores, esses pescadores são os filhos, que são ali, são quatro irmãos, né? São filhos de um homem que se muda pra cidade, que vai trabalhar num banco. Num dia ele fala, ó, tô saindo de casa, vou ficar aqui com a mãe de vocês, vocês são os quatro filhos mais velhos, você, inclusive, o mais velho de todos, tem que ser o exemplo.
e cuidar dos seus irmãos. Eles, como bons adolescentes, eles ouvem todas as indicações do pai, todos os desejos que o pai tem pra eles, e sumariamente resolvem ignorar, e fazer a única coisa que eles não podiam fazer, que é ir pescar num rio amaldiçoado, pra mostrar que de fato eles são adolescentes. Nesse caminho pro rio, eles encontram o louco, e o louco fala pra eles de uma profecia que vai alterar ali a perspectiva deles em como eles agem na família e no cotidiano.
esse livro foi escrito pelo Shigozie Obioma, o Shigozie é um escritor nigeriano ele nasceu em 1986 então ele tá perto dos 40 anos ou já fez 40 anos os pescadores em específico foi finalista do Booker Prize, foi traduzido pra mais de 30 idiomas ganhou alguns prêmios também, como o LA Times e alguns outros prêmios internacionais, apareceu enfim em diversos jornais estadunidenses internacionais
E foi finalista em outros prêmios, como o Joyce Carol Oates. E aqui tem uma primeira discussão que a gente queria fazer. A gente já tinha separado para fazer no momento em que a gente viu o trabalho editorial do livro e as aspas que eles resolveram destacar na capa, na contracapa e o texto da orelha.
E a gente viu que seria uma discussão importante a fazer a partir das discussões que os apoiadores fizeram no grupo também. Então, acho que a primeira coisa que podemos falar é essa construção do que é uma suposta literatura africana. Então, para contextualizar você...
que não pegou o livro, que não teve a oportunidade de ler o que a gente tá falando, na capa, quando você pega o livro ali, a gente tem uma aspas que diz é o caçador de pipas africano. A gente tem também ali na contracapa...
uma aspas que vai destacar que é a história mais humana, que é contada da África. A gente tem essas questões editoriais que vão... que trabalham com essa homogeneização do continente, que trabalha em colocar todos esses autores no mesmo balaio.
E a gente achou que seria interessante, até pelas discussões levantadas no grupo, né? Mas a literatura africana fala com essas metáforas, a literatura africana é isso, enfim. Então como a gente teve essa construção, essa questão sobre esse magético, a gente achou interessante mostrar, porque joga contra a construção da literatura e até a própria perspectiva de possibilidade de falar de um romance, quando a gente adota esse espaço, né?
a gente fica com essa construção de um imagético, de uma identidade, e aí a gente acaba, por vezes, correndo o risco de ser condescendente e ser um pouco prejudicando a recepção do romance, né? Tipo, ah, mas...
Não, esse livro eu não gostei muito, mas a gente não gostou porque lá é assim mesmo, eles escrevem esquisito, tá tudo bem. Então acho que a gente podia começar ouvindo vocês ali, pra gente destacar um pouco considerações que a gente pode fazer nessa construção de literatura do mercado, como é que o próprio Chigosier joga ou não joga com essa construção do mercado estadunidense, do que seria uma literatura africana, da onde veio, o que é esse magético, antes da gente se aprofundar no romance.
quer saber o que é a história mais humana, o que isso significa. Porque pensa, o que faz uma história ser mais humana do que a outra? O Spinochet é menos humano, a Buxa Mexeta é menos humana, as histórias dele são menos humanas, quer dizer. Então, assim, é uma aspa que me deixou abismado a primeira vez que eu peguei o livro. Eu não tinha nem lido. Eu falei, mano, o que é isso? O que é que é a história mais humana? Essa do Caçador de Pipas também.
Eu me irrito muito com essas comparações. Tem uma edição em inglês aqui de Capitães da Areia que fala assim, Capitães da Areia é o Senhor das Moscas brasileiro. Isso me irrita muito porque primeiro o Senhor das Moscas foi escrito depois de Capitães da Areia. Então assim... Um detalhe básico. Mas aí voltando para o outro assunto na questão do que a gente lê aqui, eu acho que o nosso mercado editorial para o Brasil é muito focado, quando a gente lê autores africanos, normalmente a gente está falando de autores nigerianos.
Pelo menos é o que eu tenho. O Shinio Acheba, a Buxemexeta, a Simamanda, o próprio Opioma. Tem até um livro famoso, Minha Irmã, Serial Killer, Minha Irmã, alguma coisa. Se eu não me engano, ele é em geriano também. Então, a grande maioria dos livros que a gente lê aqui são de origem, que não são publicados por editoras, por exemplo, a Capulana é uma editora que publica literatura africana.
Livros do Quênia, da Zâmbia. Mas quando a gente pensa nas grandes editoras, na CIA, na Globo, a gente está lendo, eu acho, pelo menos pelo que eu vejo, a maioria dos escritores nigerianos. Então, eu acho que a gente... Não dá para resumir o que é literatura africana baseado nesses autores. Eles fazem parte de uma tradição que veio da Nigéria. Mas não dá para...
para generalizar e achar que a literatura africana é isso que a gente lê. Ela é uma parte disso. Eu acho que a gente tem um olhar focado para essa questão. Ou quando a gente não lê autores nigeranos, a gente lê literaturas lusófonos. E aí, de Angola, Moçambique, Miyakoto, Repetela, Paulino Chaziani. Mas eu acho que a gente tem essa...
esse núcleo, assim, que fecha nossa visão do que é a literatura africana. E você, Ana, o que você percebeu nessa construção e recorte do livro para justificar essa unidade? Eu acho que foi uma escolha...
talvez do autor também, em um escolha editorial, fazer essa homogeneização, talvez para atingir um público específico, e que é um público que se contenta em falar, lia um autor africano. Mas a gente tem que pensar que falar que lê um autor africano é tão sem sentido quanto falar que lê um autor latino-americano.
A literatura argentina não é como a literatura brasileira, que não é como a uruguaia, que não é como a mexicana, que não é como a literatura latina feita nos Estados Unidos. E se a gente for refinar um pouco mais isso, acho que a gente não pode nem falar muito em literatura brasileira. Literatura brasileira de onde? Quantos autores do Norte eu leio que não seja o nosso mais novo imortal, que é o Milton Ratum?
Então é proposital e é marketing. Para mim é marketing. Eu que sou da área, a gente... O que se fala na publicidade é que não é feito para a gente, para quem faz. Então quando você vê, você já fica com a preguiça. Então, assim, aquela propaganda que você acha maravilhosa, a galera que fez tem preguiça. Porque é péssimo, porque publicitário é o pior tipo de gente que tem.
Então isso é publicidade, sabe? É isso, vamos vender, vamos vender para essa parcela específica. Eu não escolheria para ler esse livro por isso. Se eu olhasse... Sei lá, o Igor falou muitíssimo bem desse livro. Aí eu peguei e vi que a autora de Luminares falou poucos romances merecem ser chamados de mítico e os pescadores é um deles, eu já não ia ler.
Poucos Poucos é tipo quem? Homero e agora O Obioma, é isso E talvez o Guimarães Rosa ali no meio A mais humana de todas As histórias já contadas na África Na África?
O continente mais habitado, mais antigo do mundo, da história. Então, 10 mil anos, precisou um cara que nasceu em 86 chegar pra fazer a mais humana. Aí entra na dúvida do Inga também. O que é mais humana? Quando me fala assim, fulano é muito humano, eu só consigo pensar assim, então, o Hitler também. Então, já é um negócio pra tirar do vocabulário. Mas eles têm mais de 850 músculos. Verdade? Três braços, talvez. Então, assim, Tchau, tchau.
Eu não seria pega por isso, porque para mim o marketing está meio claro ali. É isso. E aí não fui... César, você sabe exatamente que eu estou certa. Você sabe que a gente não vale nada. É tudo assim.
E assim, esse seria o meu primeiro porém. E aí os outros poréns a gente vai discutindo aqui. Mas eu só tenho poréns. É verdade. Somos limpinhos. Tudo gente boa. A gente faz por quê? Porque é obrigado. Eu queria falar para o Arthur que esse livro parece ser muito um livro escrito para o clube de leitura de famosos. Ah, o clube do livro da Oprah. Da Oprah.
Eu conheci muito esse tipo de livro, assim. Pela forma como ele escreve, pela forma como ele explica. E como ele explica? E ele explica? Imagina uma pessoa nigeriana, já não lendo o livro, eu sei tudo isso, você não precisa me explicar. Um tal programa era um programa australiano que fazia sucesso. Eu sei, eu assistia aquele programa.
Eu acho que a gente pode então pegar esse gancho e exemplificar algumas questões desse uso da linguagem, dessa construção de um didatismo, para a gente construir o que não é interessante no livro e o que é interessante no livro. Acho que foi uma experiência conjunta nossa, pelo menos de nós três aqui, que compartilhamos ali algumas impressões, de...
um pouco de incômodo e de problema com o uso das metáforas do didatismo na linguagem, né? No livro, a gente tem uma voz de um narrador que ele vai construir e explicar o que ele vai fazer, então, ao longo da narrativa.
Então a gente começa com ele fazendo muitas analogias, então o fulano é uma sucuri, ciclone é um pardal, tal pessoa é uma falcoeira, enfim. E ele vai construindo essas figuras de linguagem, essas construções, sempre fazendo uma analogia. E aí uma explicação. Então quando a gente começa a ver essas analogias, a gente está entendendo mais ou menos qual que é a linha do livro, a linha de quem narra, né? A gente está acompanhando essa construção.
E aí, em algum momento, o Obioma, ele fala, bom, vou dar uma explicada pra vocês. É porque o bem... O pai dele falou que ele tinha que ser professor, mas ele queria ser veterinário. Mas fala, beleza, então acompanhei. Aí passa algumas páginas, alguns parágrafos, e aí o irmão dele fala, eu sei que você quer ser veterinário, mas não precisa falar em bichos toda hora.
Aí passa mais alguns parágrafos, mais alguns capítulos, e ele fala, bom, o meu pai falava que eu queria ser professor, mas eu queria muito ser veterinário. E aí passa mais alguns parágrafos, e o irmão dele fala de novo, então, eu sei que você gosta muito de animal, mas para de falar em tudo sobre animais, você... Então assim, ele constrói uma imagem, uma construção, e ele reforça, reforça, reforça, reforça, reforça, até ele enfraquecer aquilo que ele mesmo construiu. A gente tem ali uma figura importante na narrativa...
que é a relação da profecia que eles ouvem e que o Obiom vai fazer um paralelo com Caim e Abel, por exemplo. Então a gente tem uma história ali, uma suposta profecia de que um irmão vai matar o outro, a gente não sabe muito bem o que vai acontecer. E a gente tem algumas pistas que ele deixa ao longo da narrativa e é que essas pistas são bem legais. Então a gente tem, de repente, um corpo que aparece num poço em específico que vai ter a marca de Caim na testa.
A gente vai ter uma imagem no momento em que duas crianças correm de um lugar para o outro, que você vai ver uma sucuri morta, pedradas e pauladas. Imediatamente você fala, hum, né, Caim e Abel, é assim que ele morreu. A sucuri é fulano, então esse fulano aqui tomou a pedrada. Então a gente já consegue construir essa figura.
E aí passa um pouco mais pra frente, e aí ele começa a explicar, não, porque estas coisas que aconteceram com esses irmãos tem a ver com os pássaros, e esses pássaros empurram os irmãos do Ninho, e esses irmãos são empurrados do Ninho por conta de Caim e Abel, e aí isso daqui vai voltar mais pra frente. Então ele constrói as imagens e as figuras dele, e depois ele destrói essas imagens e essas figuras dele. Um parênteses, Ana, a sua câmera está funcionando? Agora tá.
Você não tava. Você tava... Você tinha congelado numa cara assim, ó. E eu falei, ela realmente não gostou. Mas você tá com o microfone mutado, mas tudo bem. Opa! Mas era a cara que eu fiz o tempo todo mesmo. Hahaha!
Mas não, eu acho que deu em congeladinha mesmo. Tava verossímil, mas ainda tava congelada. Tava muito estágio. Eu queria que vocês também comentassem a experiência de vocês com essas questões das figuras de linguagem e do didatismo. Aprofundar um pouco mais, comentar o momento em que vocês acham que ele acertou e o momento em que vocês acham que não deu certo. Como é que vocês visualizam essa construção? E comentar um pouquinho...
aprofundar, porque a Ana falou uma questão muito importante, me parece, para esse livro, que é uma escolha da própria escrita, né? A gente tem esse autor jogando para o didatismo, né? Não é só uma perspectiva, uma impressão, enfim. O Igor também chegou a comentar, em uma das vezes que a gente estava conversando sobre a leitura, que existe uma possibilidade também de que, de repente, a repetição em português seja...
mais marcada pra gente, né? Enfim, acho que a gente pode comentar sobre esse assunto. Eu fiquei pensando, porque assim, inglês é uma língua que pede repetição, né? Então, eu fiquei imaginando se esse incômodo na tradução pro português é uma coisa da tradução pro português ou se ela é um incômodo geral de quem vai ler em inglês, né? Porque, eu não sei, porque a gente quer achar coisa pra redimir o livro também, né? Mas foi esse um pensamento que eu tive.
Mas as metáforas, elas começam... Você fala, tá bom, vamos ver onde que isso vai dar. Eu fui chegar, sei lá, no capítulo 10, no capítulo 11, e ele me chegava com alguém era alguma coisa, eu já não aguentava mais. Você falou, tá, tá bom, vamos lá. Ah, ele era um fungo, ótimo. Ah, nós éramos galos, ótimo. E assim, chega uma hora que...
que eu acho que mata o propósito dele. Isso que eu entendo, ele quer passar um pouco do que ele ouvia ali, do que era o diálogo do dia a dia, para a escrita. Não que ele queira deixar o livro oral, uma escrita oralizada, mas acho que ele quer trazer um pouco do que era a construção ali. Por exemplo, a mãe, ele falava, a mãe falava muito, minha mãe falava muito em parábolas. Então, eu acho que ele quer trazer essa ideia da linguagem para a escrita dele.
perdão, esse comentário ele achei muito importante tem uma coisa legal também que você comentou que é a questão da fala do pai e da mãe, né, quando a gente estava conversando que eu acho que é legal destacar
uma coisa que eu fui pensar depois, porque a mãe ela fala, como a gente fala, a mãe fala muito em parábolas, né, e aí tem inclusive uma das partes que eu mais gosto do livro é quando os pais se reencontram ali e aí a mãe fala pro pai, né, olha, eu te disse, a gente é uma casa com rachaduras, lagartos entram, e você deixou os lagartos entrarem, o que eu acho muito muito forte, e ela não precisou ficar voltando sete vezes falando, olha, porque é uma rachadura, é porque você saiu de casa, é porque senão ela só não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não
joga isso na cara dele, é um desabafo, eu acho que funciona.
Assim como a parte que ele tem um trecho também que ele vai lá no final já no julgamento, né? Quando ele volta pra tomar um banho em casa, ele olha pro pai, o pai tá amuado, ele tá triste, ele sabe que ele não vai ter salvação e ele falou assim, meu pai era um falgão com os bicos cortados, com as asas amarradas, alguma coisa assim. Olha, olha que imagem bonita. Mas isso é só aterrado por tantas outras metáforas que você sai do livro sem se lembrar delas muito bem, que você não fazia um esforço, assim. E aí a posição do...
nesse ditatismo, assim, acho que era muito claro um livro escrito para pessoas fora da Nigéria, para as pessoas fora da África, então ele vai explicar tudo muito bem explicado, o que eram as coisas, o que eram as religiões, a questão política, eu acho interessante quando ele começa a explicar.
Acho que aí para a gente faz mais sentido também entender um pouco mais quem era o MKO, a relação dele, o que ele se representava no futuro, né? Porque as pessoas pensavam na Nigéria e a gente consegue, como brasileiro, a gente consegue lembrar de um outro momento em que algo parecido aconteceu. Mas eu acho que as metáforas, elas...
Não sei, elas perdem muito sentido Quando você usa tudo em excesso, elas perdem sentido, né Então, o que é interessante ali no começo No final, eu já tava me arrastando Já tava, ai, tá bom Ótimo
Aí quando eu acabei, eu falei, nunca mais vou ler uma metáfora da minha vida. Só remo aí daqui pra frente. É, eu acho que, de gancho pra Ana, algumas coisas funcionam. Eu me senti muito contemplado nas explicações políticas, principalmente do MKO, do calendário, dos conflitos mesmo, né?
Acho que a gente teve alguns relatos mais próximos, né, do que foi os conflitos e as violências ali que aconteceram. Mas essa questão mais partidária, talvez...
dos conflitos políticos e golpes e tal, acho que é difícil pra chegar até a gente, né? Pra gente acessar esse material. Então, acho que este momento de didatismo funcionou bastante pra mim.
mas acho que é onde fica o limite, e que de fato, assim, eu lia e falava, beleza, eu estou entendendo, mas talvez, quem já conheça, talvez em outra construção, né, fique uma coisa esquisita de ler, porque eu fico pensando, sei lá, em acontecimentos brasileiros, a gente vai ler um livro que fala sobre a ditadura. Se a pessoa começar a explicar o que é a ditadura pra gente...
Ele não é já um livro pra gente, né? Ele já é um livro pensado em exportação, já é um livro pensado em outros espaços, ele já é um livro que tem uma outra função além do fruimento, né? Pode ir. É, eu acho que esse momento que... Esses momentos poucos que ficam marcados, como o Igor falou, eles ficam marcados justamente porque eles não são saturados pelo autor. E aí tem duas coisas que me pegam muito, que é essa...
a repetição que o Igor vem falando, que o Arthur falou, de que, olha, ele era como um sucuri. Aí lá no meio, ele era como um sucuri, porque fulano era como um sucuri. Porque a sucuri só sucuri é aquilo, e fulano era como um sucuri. E tem coisas que uma edição, sabe, um editor resolveria? Do tipo, na mesma página, ele introduz o personagem duas vezes. Sabe, uma leitura, a primeira leitura de um editor. Só que aí eu acho que tem essa questão.
de ficarem compudores, eu não vou editar esse livro porque é exótico, é africano, é nigeriano. E isso é ruim. Isso é ruim. Quando você fala, sociologicamente falando, isso é péssimo. Você achar que não pode criticar, não pode editar, não pode revisar, a tradução tem que ser assado porque é um livro. Porque você é exotista.
Ah, então o que não é literatura escrita em...
pro meu país, ou não é a literatura ocidental, ela é exotizada. E como leitor, isso é muito ruim, assim. A primeira vez que ele fala da vizinha, que foi quem dedurou eles pra mãe, que eles estavam pescando no rio, fala assim, nós pescamos até o dia que a fulana, uma vizinha nossa que era mascate, que vendia amendoim, contou pra mãe, né, né, né. Aí lá, no meio do parágrafo, eu mandei a foto pro Arthur, falei, não aguento mais.
Dois parágrafos mais abaixo estavam na mesma parte, de assim, ah, não sei o quê, uma vizinha nossa, fulana, que vendia amendoim, sabe? Então, e eu acho que repetição pode funcionar. A gente já leu e a gente discute livros que são cíclicos, que trazem essa ciclicidade, que tem uma repetição de metáfora, que não é uma repetição, é uma rima.
Ou uma rima metafórica, ou uma rima de acontecimentos, ou uma rima nesse sentido, né? De você ir rimando, de você ser cíclico e tal. E aí tem um problema estrutural nesse livro, que é a intenção é muito boa, mas isso não faz o livro ser bom. Por quê? Porque o exotismo, a exotização desse livro, ou isso do livro ser escrito para o clube de livro...
impede que o autor trabalhe melhor, por exemplo, as metáforas que ele quer usar. Se as metáforas não fossem explicadas à exaustão, seria muito bonito. Se o próprio enredo é um enredo muito forte, sabe? É muito... Mas assim, quando os irmãos se matam, você já tá sentindo, porra, que saco esses meninos também? Cacete! Você já tá de saco cheio! Você já tá...
sabe? O Igor falou uma coisa interessante, assim, apesar dele falar muito da oralidade, ele fala sobre a oralidade, né? A mãe usava metáforas, os pais, quando queriam falar sério, eles falavam em inglês e não em Igbo, mas entre si as pessoas, ok, e na rua falavam outra língua. Isso é muito interessante e ele não desenvolve.
Seria muito interessante ele desenvolver isso. Ele começa e você pensa, porra, vai ser legal. E aí é... Ok, tá, você não vai mais falar disso? Aí você sente falta. A imagem do louco, né? De você ter um louco, um profeta louco ali naquela comunidade, se perde porque a repetição satura.
A ideia do rio amaldiçoado, você acha que ela vai ser desenvolvida, desenvolvida, e de repente ninguém mais fala do rio. Pô, caralho, ninguém mais lembra do rio. Aí você fala que ali no rio tem uma seita muito esquisita, e eles eram tão esquisitos que eles eram meio proscritos na sociedade, então o único lugar que eles acharam para fazer o seu templo, sei lá, é na beira do rio, e nunca mais se fala disso.
Tem um momento que você nem entende se eles são evangélicos ou católicos, porque a mãe leva os meninos para fazer um exorcismo lá e fala com o pastor, o pastor, o pastor, o pastor, e daqui a pouco assim, ah, não sei o quê, porque hoje tem missa. Aí também você não entende se eles são anglicanos, porque os anglicanos são uma coisa meio, né, para que é de fora, no meu caso, você não entende, às vezes você acha que está sendo católico ali, o negócio é anglicano, sei lá. Então você sabe, se perde, mas tinha potencial.
Eu queria muito... Seria muito bom ver essa história bem escrita. Porque ela tem. É uma história muito trágica. É muito... Eu acho que essa metáfora da mãe que o Igor falou, da casa que entra lagartos, ela é muito forte. Porque é muito interessante você ler isso, assim. Uma história de uma família que...
estava tudo bem, porque, pensa, apesar de virem de aldeias, eles vêm de uma aldeia, de uma situação de pobreza, não sei o quê, o pai é intelectualmente muito rigoroso e muito orgulhoso, então quando a mãe dá indícios de ser meio supersticiosa, ele fala que isso é coisa de gente inculta, então isso mostra um período ali na Nigéria em que as pessoas estavam saindo da zona rural, você tem isso em outras leituras, né, na...
próprio nas alegrias da maternidade, cidadão de segunda classe, você vê isso em outras leituras, né, que é um rechaçamento do passado rural nigeriano ali, não estou falando africano, nigeriano, nada impede que isso tenha acontecido em outros lugares, inclusive no Brasil, então assim, você tem um determinado momento da sociedade que está
Se está saindo ali do rural, então você tem um rechaço das religiões tradicionais, ou mesmo aqui no Brasil Império, você começa a ter gente importante, ateia, por exemplo.
Dom Pedro II não era ninguém, ele era ateu, porque era um rechaçamento, assim, não, eu estou olhando para a ciência, eu estou olhando para o futuro, então eu vou rechaçar a religião tradicional, no caso do cristianismo, ou as religiões tradicionais rurais ou pontuadas, assim, né?
E aí aqui trata como se existisse uma religião antiga africana. Isso não é só dos anéis, ou sabe, os deuses antigos. Não, a religião, o próprio autor fala a religião antiga africana. Vocês estão falando de quê, queridão? Isso poderia ser muito melhor trabalhado, mais bem trabalhado, se tivesse fugido das garras do exotismo.
do não vou mexer porque é exótico, porque é nigeriano, porque é africano, porque aí também fica aquela coisa das musas, né? É tão exótico que tudo que vem, vem pronto. E obra de arte não é assim, não vem pronto. E agora vamos puxar a sardinha aqui para o lado editorial, assim, não vem pronto. Você precisa de um trabalho editorial em cima disso.
Só que exotiza-se tanto que isso vira um... Ah, não, do jeito que ele fez, tá bom. E aí você perde, porque você fica com um público que fica com vontade de ver essas coisas e aí no final o autor tem que ficar dando entrevista explicando.
Olha, isso era aquilo. Aí cita o Shinoah Shebe, porque é o escritor nigeriano mais famoso, para ficar assim, ah, então, aí ele fica citando. Cita ele ou cita o livro? Cita ele ou cita o livro? Em momentos meio aleatórios, muitas coisas poderiam ter acontecido. Você vai falar que o Rio é uma coisa muito mal utilizada na obra, né? Porque assim, quando ele começa, acho que é o segundo capítulo que ele vai, enfim, quando ele vai explicar do Rio, vai falar, ah, vai vir aqui uma história, ele vai contar.
Só que ele conta tão por cima, porque chegou o cristianismo, aí esse rio virou isso e pronto. E segue, né? Eu acho que onde o livro podia se estender mais, ele não se estende. Ele corta e fala, é, isso aqui é colonização, cristianismo, chegou, pronto, acabou. O livro eu acho que perde muito nisso, assim, como você falou. Ele deixa de explorar o que realmente valia a pena para focar em outras coisas menos interessantes.
Tá focando numa escrita que afasta o leitor de vez de aproximar, né? Sei lá. A gente tem duas perguntas aqui pra responder, mas antes disso eu queria que a gente comentasse sobre uma questão do livro que ela é utilizada em algumas questões de venda e também dentro do próprio livro, que é a relação com o mundo se despedaça do Shinua Achebe.
E o Shinu Achebe escreveu O Mundo Se Despedaça pra contar a história de Oconco.
É um livro que recebeu o Man Booker Prize Internacional em 2007 e que ele se estabelece como um livro que estrutura, que, enfim, ele estabelece as bases para a literatura nigeriana atual no que diz respeito a essa produção de romance. E ali a gente tem uma espécie de diálogo, de troca, de... Esqueci a palavra específica de...
Inter... Enfim. Esqueci a palavra específica, o termo específico, mas é essa suposta troca de diálogos, relações entre os dois livros, porque um dos personagens de pescadores lê efetivamente O Mundo dos Despedaços. Eu li O Mundo dos Despedaços há muito tempo, então eu queria ouvir de vocês como que é essa...
se vocês acham que faz algum sentido, se ele entra na obra com alguma importância ou se ele surge só para estabelecer essa relação, para as pessoas identificarem o nome. E vou pedir também para o Igor comentar da entrevista que...
ele leu e que o Obioma falou nessa entrevista sobre a relação e a construção do personagem do louco profeta, para as pessoas poderem entender essa aproximação. A primeira coisa, eu convenci que o personagem se despedaça e ficando naquela pira. O que eu sinto que ele fez foi que ele queria se colocar na mesma linha que o Shinovashab.
enquanto autor. Ah, eu sou o herdeiro dessa tradição. Eu vim daqui. E o livro está ali para mostrar isso, também para ser que... Ah, o outro livro é nigeriano, o mundo se despedaça. Mas aí eu fui atrás de ver algumas coisas que o autor falava sobre isso. Eu queria saber um pouco como ele pensou o livro. Eu queria ver se ele falava alguma coisa, principalmente sobre as metáforas.
Eu não achei nada específico sobre isso. Por isso que até que me lembrei, será que é uma questão para as outras pessoas? Porque eu li uma crítica também, ninguém falava das metáforas, eu falava, ah, metáforas bonitas. E aí eu pensei, será que é uma questão do português? Enfim. E aí ele vai falar que ele vai imaginar, numa entrevista, o Apulú como uma metáfora. Para um elemento desestabilizador. Então, se a gente pensar, eu também li O Mundo Se Despedaça há uns anos.
5, 6 anos, então eu não lembro muito bem. Mas o Moisés Pedazos é uma história sobre o colonialismo britânico e sobre a imposição do cristianismo sobre as religiões africanas, principalmente na Nigéria. Então você tem o Oconco, que ele é expulso em algum momento da tribo, ele fica lá alguns anos isolado, e quando ele volta ele se depara com o cristianismo ali, e ele vai tentar lutar contra o cristianismo.
Só que ninguém luta com ele, então meio que as pessoas já estão tomadas, ou elas já se converteram, então elas não querem entrar nessa luta. E aí ele acaba se... Spoiler, tá, gente? Ele acaba tomando uma decisão muito trágica com ele. E aí o Abulu, pelas palavras do próprio Obioma, é a Inglaterra nesse sentido. Ele é um elemento que desestabiliza uma sociedade.
Porque os irmãos, nessa entrevista eu descobri, os irmãos representam as tribos da Nigéria. Então eles representam o Zigbo e o Urubá. Então os irmãos representam isso. Então o Obi-Oma é como se fossem os ingleses, chegando na Nigéria, inventando a Nigéria. Porque a Nigéria, como todos os países, são países inventados, foram inventados pelos europeus. E desestabiliza o que você tinha ali, enquanto esses diferentes grupos que viviam da sua maneira, com suas relações.
De repente estão dentro de um mesmo país, são o mesmo povo. E aí você tem uma rachadura, você tem brigas, você tem... Inclusive você tem a guerra de Piafra, que é muito famosa, que inclusive gerou o livro da Chimamanta, Meio Sol Amarelo, que é uma questão disso, que ele cita também essa guerra. Então você tem isso. E aí eu acho interessante também, porque ele vai falar que tem uma relação muito próxima entre o MKO...
e os irmãos, porque eles são... O MKO era o futuro da Nigéria, né? Pelo menos quando a gente lê o livro, a gente imagina um presidente que vai unir as pessoas, um presidente que era admirado por todo mundo, e a partir do momento em que ele é deposto, e que o calendário tirado da parede, acho que essa cena também é interessante, porque a partir do momento que o calendário tira da parede, que o MKO é preso, ou que ele não assume, né?
A família também se despedaça, assim como a Nigeria, que vai entrar numa ditadura. Os irmãos também vão... Onde realmente você tem o porte definitivo, né?
da relação ali entre o Kena e o Boja, é a partir do MKO. Então, a gente pode imaginar os irmãos como o futuro da Nigéria. Então, a partir do momento que o MKO sai, o futuro da Nigéria também está despedaçado, assim como a própria família. Tanto é que quando muda o regime, lá no final do livro, o Ben sai mais cedo e reencontra o irmão. Então, é uma forma de se reencontrar. Mas isso é tudo...
Nas palavras do autor. A gente lê no livro, a ideia é ótima, mas no livro eu não sinto que ele consegue trabalhar essas questões complexas e muito interessantes de você pensar tão bem. Nem se vocês conseguem... Eu só fui pensar nisso depois que eu li essa entrevista. Falei, ah, realmente, faz sentido. A parte lá do Abulu, que ele vai estuprar aquela mulher que está morta. É uma questão também, você imaginar um...
um poder exterior que vai violar um corpo, né? Mas isso só veio depois, que eu fui na entrevista e falei, ah, é, realmente, pode fazer sentido, mas eu acho que mal trabalhado na obra. Aí se você tem que ficar explicando que era isso que eu queria dizer, não sei se a obra funcionou tão bem.
comentaram no chat exatamente a mesma coisa, né? Seria muito legal se isso tivesse aparecido no livro e não numa entrevista. Eu vou comentar aqui a primeira pergunta do Mad Titan, que é se a gente acha que a repetição é o ponto mais negativo do livro. A gente vai falar um pouco do enredo e da construção dos personagens daqui a pouco.
Porque eu acho que esse é o ponto positivo, assim. Acho que o livro tem um engajamento no que ele se propõe a fazer. A história é interessante, o Rio é interessante, a figura do Abulu é interessante. E isso que o Igor falou é bastante curioso, porque é de fato, né? O Abulu é uma figura de violência, ele tá ali pra violar, pra agredir, ele tem história de assassinato na própria família, tem história de onde ele dorme, que também é um espaço ali de...
de fruto da violência, o próprio carro, por que ele dorme ali, de abandono, enfim, o que ele faz, a questão do corpo sobre-humano, do medo que ele causa, ele é de fato uma espécie de encarnação desse poder em que a gente não consegue se aproximar, não consegue visualizar essa intenção dentro do romance.
nesse sentido, para mim, eu não sei para vocês, eu acho que o ponto mais frágil do livro ele é esta repetição, sim, porque eu acho que essa repetição ela joga contra a construção do livro, né? Quando a gente fala de...
Para quem ouviu o Paint e fez as anotações, tem uma coisa muito importante que as pessoas que geralmente vão fazer essa estruturação de linguagem literária, né? E o que ela deveria ou não fazer para ter esse status de arte. E uma das coisas que as pessoas sempre falam é esse trabalho da metáfora, do simbolismo, de conseguir dizer uma coisa com outras palavras, de trabalhar esse simbólico e tal, e essa importância de pensar em imagens que não sejam imagens que estão em lugares comuns.
essas imagens que são variadas, imagens que tem uma espécie de enriquecimento. E nesse sentido, acho que o bioma consegue chegar em alguns lugares muito específicos, muito particulares, muito dele, e ele acaba enfraquecendo o que ele mesmo escreve.
por conta dessa repetição. Então as imagens nem necessariamente estão num espaço comum, mas por conta da repetição, o livro trata de enfraquecer a própria imagem que ele cria. Então essa ideia, por exemplo, que eu falei do...
das imagens de animais, do que ele cria, dos falcoeiros, ou o que o Igor falou, né, da imagem do pai, da imagem da mãe como falcoeira, dos irmãos como, enfim, em algum ponto. São imagens muito legais, assim, são muito bem construídas, mas conforme ele vai repetindo, ele vai minando a própria escrita, assim.
Então, pra mim, é esse ponto. Não sei pra vocês, acho que vocês podem comentar um pouco sobre isso. Aí agora a gente começa com a Ana, pra caso ela também queira comentar algo sobre esse uso do... O Mundo Se Despedaça. E aí depois a gente vai pro Igor e responde a outra pergunta.
Para mim, é exatamente o que você falou. Todos os outros aspectos poderiam ter sido muito melhor explorados, mais bem explorados, se não fosse essa repetição exaustiva que, para mim, derrubou o livro. Por todas essas questões, eu não vou me repetir, mas para mim é o ponto negativo.
E é um pontão, não é assim, nossa, é um livro muito bom, mas não. Ele deixa de ser um bom livro por isso, pra mim. Ele não é um bom livro. Ele é duas estrelas ali, todo dia de manhã, antes das sete eu estava mandando mensagem pro Arthur com aaaaaah. Então eu já acordava sofrer.
pra mim, morreu ali. E, ou seja, eu só vim concordar. Concordei com o Arthur, agora vou concordar com o Igor sobre o mundo se despedaça. Só colocou ali o quê? Markets, publicidades, dentro do livro. Porque não tem nada a ver. Eu li também, já tem tempo, acho que eu li em 2019. Então, já tem tempo. Eu não lembro das coisas, se vocês sabem que a gente vai lendo, vai sobrepondo, mas...
É um livro que deixa umas imagens muito fortes. Então, eu tenho a impressão que se realmente tivesse tanta semelhança ou uma herança tão forte, teria ficado aquela impressão de hum, eu li isso em algum lugar. Então, nossa, isso me parece o mundo que se despedaço. Ele não precisava, às vezes, nem citar. Sabe quando você lê um negócio e fica assim, nossa, parece Guimarães Rosa?
tem uma coisinha, ou então, sei lá, você lê o Guimarães Rosas e fica assim, nossa, parece o Goethe. Essas coisas, gente grande faz isso. Agora, você precisar ficar assim, olha, eu sou o herdeiro literário, intelectual do Shinoah Shebe. É porque não é.
Eu acho que ficou gratuito ali para fazer isso que o Igor falou. Estamos lá no clube de leitura da Oprah. E aí a pessoa fala, ah, eu só li esse livro. Então, ah, esse livro pode ser o próximo aqui do nosso clube. Mas que literariamente não funciona. É colocado de uma forma muito safada ali também. Fica meio gratuito. E não vai para lugar nenhum também.
Não te dá um... Eu não acho. Cada gente está conversando aqui, eu estou ouvindo vocês e esse livro começou para mim com um cheirinho de folder de marketing e está terminando mais ainda. Outra pergunta aqui da Cecília foi uma questão específica relacionada com o contrafogo do cuidado editorial.
Eu acho que não. Para quem não lembra da nossa discussão de Contrafogo, a gente estava comentando sobre a questão do repertório e o trabalho do repertório do autor em específico ao tratar das questões ambientais, da construção da trama e tal.
Eu acho que diverge desses dois trabalhos, porque... E aí retoma o que a gente estava falando no começo. Retoma a questão de que ele foi editorialmente pensado para ser desse jeito. Eu acho que a questão de ter um cuidado com o editor, que a Ana fala, não é só uma questão...
de um editor lendo e fazendo um bom trabalho, de auxiliar nesse caminho. É uma questão de um mercado editorial que aceitaria uma narrativa dessa sem desejar uma exotização desse espaço. Então, não acho que é só uma questão de trabalho editorial. É também uma questão de mercado editorial e de como ele vai receber esse livro.
Porque, de fato, existe uma recepção e um motivo pelo qual esse livro chegou onde chegou. Porque ele foi, né, ele alcançou espaços grandes de prêmios, né? Não existe um motivo pelo qual ele foi escrito desse jeito e teve este trabalho. Então, em alguma medida, o trabalho editorial, ele teve uma espécie de, abre aspas, sucesso, né? Porque ele foi vendido, ele foi traduzido, ele foi premiado, etc, etc e tal. Então, existe, talvez...
uma intenção editorial para que ele seja desse jeito. Pra mim é aí que fica a diferença.
Acho que pra gente encerrar o programa, então, a gente pode destacar algumas coisas que parecem interessantes no livro. Eu disse que a gente ia falar que a gente gosta em off aqui, mas talvez aquilo que a gente acha que pode ser interessante, porque a Ana já foi contra destacar algo que se gostou desse livro. Eu vou instigar vocês a concordar ou discordar, porque eu acho que o livro, ele tem um enredo, apesar intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern intern
dele se cansando e se prejudicando a si mesmo, o enredo eu acho interessante. A questão da maldição, da profecia, a figura de um louco profeta, uma figura que eu gosto bastante, inclusive em ficção científica. Então, acho uma imagem muito bacana. Eu gosto de narrativas em que a gente discute essa questão de violência envolvendo as crianças. Então, sei lá, desde o Senhor das Moscas, ou Capitães de Areia, né? Que é o Senhor das Moscas brasileiro, como o Igor já aqui.
não sinalizou. Eu acho que são figuras legais e acho que ele consegue estruturar essa história de uma maneira legal. Então a gente consegue ter uma construção de suspense, assim, abre aspas, né?
mais uma vez, eu falei pro Igor, eu falei, assim que eu percebi que existiria um professor em uma profissão de assassinato, eu falei, alguém matou alguém e a gente tá lendo uma confissão depois que alguém foi pego. E aí o livro acabou. Eu falei, bom, eu errei quem que matou e qual assassinato que a gente tá investigando. Mas eu já sabia muito bem o tipo, o tom do livro que a gente tava fazendo. Mas, no geral, eu acho que essa construção dos acontecimentos é isso.
É uma construção interessante, porque a gente tem essa mudança, né? De o pai sai, o que as crianças vão fazer. Elas recebem esse conhecimento, elas não sabem lidar com esse conhecimento. Aí começa a ter um conflito. O conflito entre os irmãos é um conflito muito legal entre os quatro. A linha dinâmica que vai estabelecendo entre os quatro, porque eles ficam ali...
A gente tem dois polos da briga, então a gente tem o irmão mais velho que tá ali, ele vai me matar, a gente tem o segundo irmão que vai falar, eu não vou matar você, aí vai matar sim, aí ele fica puto falando, então eu vou matar sim, que inferno, você fica falando que eu vou matar, então eu vou matar, tome. Sete, mulher, que chato, tá bom, eu mato. E aí depois a relação do outro irmão que sobra, né, ali, fala, pô, mas os dois morreram agora, então só tem uma coisa que a gente pode fazer, a gente só pode matar o louco.
que é Eliush no Ashebi, e aí é isso, a gente tem que matar esse cara, porque se a gente não levantar e for lutar, acabou a família. Não adianta nada a gente ir pro Canadá se ele continuar vivo, não adianta nada a gente ter uma vida se ele estiver vivo, e o cara não é bem assim não, a gente pode só viver, tá tudo bem. Então essa construção é legal, a figura da mãe passando pelo processo de luto, as duas crianças perdidas, o pai...
Isso aqui vocês falaram, né? O pai foi embora, ficou no banco, ainda botou a culpa na mãe. Um pai completamente violento, que batia, arrebentava todo mundo. Então assim, são personagens e é um enredo que me parece interessante de acompanhar. Se fosse escrito fora desse espaço exótico, sabe? É uma estrutura que pra mim parece que funciona. É uma estrutura que em outro contexto eu acho que seria mais interessante de...
de acompanhar. Vocês acham que faz sentido? Eu acho muito essas histórias de quando você tem uma maldição, uma profecia, e você tenta fugir disso. Claro, são histórias, né, desde que o mundo é mundo, a gente tem essas histórias, mas eu acho que elas são legais de serem lidas. Os irmãos, acho que muita gente no grupo reclamou, né, já não aguentava mais esses irmãos, mas eu me apeguei em algum momento aos irmãos. O Ikena, o Boja ali, eu conseguia...
Eu senti empatia por eles, né? Eu não me irritei tanto assim com os irmãos. Porque, enfim, eles são adolescentes, né? Eles estão passando por um momento da vida também que eles estão descobrindo as coisas que eles estão... Que eles não conseguem assassinar tudo tão friamente como os adultos, né? Então, se ele acha que ele vai morrer pelo irmão, ele vai começar a ficar doido. Porque ele acha que ele vai morrer pelo irmão. E até que o momento que ele morre pelo irmão.
Provocado por ele mesmo, mas essa história Dessa profecia que te persegue Eu acho isso muito interessante Eu acho que o livro Ele consegue te prender nesses momentos O problema é que quando você já está saturado Da escrita, essas coisas que te prendem No livro, elas já não te prendem tanto Acho que você fica afastado Porque a mãe Eu gosto muito da mãe, eu acho que a mãe é um personagem Um dos personagens mais interessantes Se não o mais interessante do livro
você vai ver como ela vai ficando adoecida, o quanto demora para ela voltar. Você vê que foi até rápido, né? Quatro semanas. Mas assim, o quanto tempo demora para ela voltar à realidade, para ela conseguir encarar as coisas, como ela tem que enterrar o outro irmão que fugiu para conseguir passar pelo luto. Eu acho muito interessante o...
papel da mãe na história. E a imagem da casa com teia de aranha pra retratar esse luto, eu acho que também é uma coisa que é legal de ver, por exemplo. É bem bonito mesmo. É um sucesso que ele tem ali. Gostei disso. Gostei dos personagens, gostei do irmão, gostei da história. Apesar de vários momentos eu falar, tá, isso aqui, crianças de 10, 12, 13 anos não fizeram isso aqui. Mas assim, no geral, os personagens e o enredo é interessante.
Tem aranha, Camila. Não é uma caranguejeira, mas tem teias de aranha pela casa. Tem. Nossa, bolsas de aranha, assim. Eu queria terminar esse episódio com uma questão que é pra gente pensar. Agora a questão mais espinhenta.
porque ouvindo agora todo esse apanhado do livro, todas essas questões que a gente falou, algumas questões que ficam sobre esse livro é o que a Cecília comentou há pouco, né? De ser, ah, mas é um livro cultural, que é uma versão internacional do romance regional no Brasil, né? Que é todo romance feito fora do São Paulo e Rio de Janeiro.
a gente tem uma questão que assim ah, mas aí o uso da metáfora ele é simbólico assim, porque é assim que eles falam lá, né? Ele é repetição, essa troca, biriri, bororô a gente tem ali uma questão, nessa observação que a gente tem que tomar um cuidado, e aí eu deixo isso aqui de reflexão pra gente pensar que é, por quê?
Porque assim, a gente pode elencar outros autores europeus, inclusive, que fazem o mesmo uso. Aí eu estava conversando disso com o Igor e ele falou, bom, então, mas aí nesse caso a gente tem até, sei lá, Walter Ugumain, que também escreve com esse tipo de linguagem, essa escrita. E a gente não está falando que é uma questão cultural, não é assim que Portugal fala. Então acho que a gente tem algumas questões para pensar também.
no desenvolvimento dessas narrativas e na nossa relação com elas, que é também o que a gente carrega de fora. A gente falou do marketing, a gente falou dessa construção, porque, invariavelmente, esses fatores metalinguísticos, esses fatores que chegam antes da leitura do livro, eles alteram e influenciam a leitura. E eu acho que é importante a gente pensar nisso também no momento de fazer essa avaliação, de fazer esse relacionamento. Não sei se vocês teriam algo a acrescentar nesse sentido.
Ou também, se vocês quiserem acrescentar mais alguma discussão e mais alguma observação do livro, de repente também no chat, se alguém tiver mais alguma dúvida ou alguma observação, a gente já vai se encaminhando pro final. Eu fiquei gatilhada que você falou do Walter Hugo Mãe aqui, porque... A Valéria também.
Eu li e achei... Gostei. Eu li e pensei, nossa, que ótimo. Aí um amigo, muito amigo, pediu... Falei, eu vi que você estava lendo, o que você achou? Falei, ah, lê, é ótimo. Aí ele leu e me falou uma coisa que mudou para sempre a minha visão sobre o Walter Hugo Mãe. Ele falou assim, amiga, eu não gosto quando o autor me trata como uma criança imbecil. E eu nunca mais consegui ler o Walter Hugo Mãe.
Embora eu goste muito dele falando, mas aí eu acho... Ah! Mas o que você falou é válido. Ninguém fala com o Walter Hugo Mané, mas é assim mesmo em português. É cultural. Ninguém fala. É cultural. Quer ver? Tem o... Eu gosto muito do On Jack. O On Jack é angolano. E ele faz... Ele tem até livros. Além de ter livros infantis, ele tem livros que são narrados. O narrador é uma criança.
E mesmo assim, não tem esse exagero de lúdico. Tudo é lúdico. É uma criança e é uma criança boba. Não tem, sabe? E fica bem bonito. Tem muito tempo, assim, eu não li as coisas recentes dele, mas na época que eu estava acompanhando, eu gostava muito. E aqui não é o caso. A gente não tem um narrador que seja uma criança, né? É um adulto já contando o que aconteceu.
Mas aí o problema não é do narrador. Todo problema que eu estou colocando na conta do autor. Não é o narrador o meu problema, é o autor. É mal feito, tem umas coisas muito boas. Essa metáfora da aranha eu gostei muito. Ai, vou te contar coisas sobre o Andiá, que depois a gente se conheceu.
um querido, ele é um querido é no caso que ah, eu vou voltar na história, desculpem estou me repetindo tal qual o autor o exotismo impediu que coisas funcionassem, a parte do luto da mãe é muito boa
Parte do luto da mãe poderia ter sido o ponto alto do livro. Aí tem uma coisa que já não sei se é um problema do autor, mas é um problema meu. Essa violência familiar não ser trabalhada me incomodou muito. Mas aí é uma questão pessoal. Eu tenho muitas questões com violência contra a criança.
Eu acho que naturalizar isso... Mas é pessoal, é pessoal, assim, né? Eu não consigo achar, sei lá, às vezes tem num livro, tem num filme, isso me pega muito. A mãe gritando com a criança no mercado me pega muito. E com o velho? Com criança e com o velho? Não gosto. Ninguém devia gostar, no caso. Então isso não ser trabalhado, por exemplo, naquela surra absurda que o pai dá nos meninos.
e que, embora eu tenha essas questões, eu achei muito bom o pai, no final, falar assim, ninguém gosta de surrar os próprios filhos, açoitar os próprios filhos, uma coisa assim, e isso fica, sabe, os meninos ficam doentes de apanhar, o irmão tem uma mudança brusca de comportamento, ninguém presta atenção nisso, ninguém presta atenção em como essa violência tratou isso, aí o narrador fala, porque aí o irmão começa a desconfiar que essa surra mudou o Ikeni.
E aí depois, ah não, tudo bem, não foi a surra, foi um doido na rua. E ninguém nunca mais falou. Então tá tudo bem. Ufa! Não vamos nunca mais falar que o pai bate na mãe, bate nos filhos. Que a mãe cuida sozinha de um milhão de crianças, porque o pai simplesmente... A única atitude decente que o pai toma é pedir demissão na hora que o filho morre. Que ele fala, ok, vocês não vão me liberar. Depois que tudo aconteceu e que nunca mais ele vai resolver mais nada. Aí realmente... Então...
É, assim, tem coisas que não redimem um livro, mas mereciam ser bem escritas ou bem trabalhadas. Então não merece 30 traduções pelo planeta, não merece tudo isso. Não merece nada, esse livro não merece nada disso que ele tem, eu estou com raiva. A gente não percebeu.
Ai, ai. Ai, muito bem. Pediram pra gente fazer uma breve consideração sobre a nota geral pra compreenderem se a gente gostou ou não do livro. Eu coloquei no Goodreads ali, que vai de 1 a 5, coloquei 3 estrelinhas. Eu acho que o enredo realmente me cativou. Mas se eu entendi, a Ana foi pro 2 ali. A Ana meteu 2.
E foi dois só porque eu terminei. Porque o meu critério pessoal é que um é só pra livros que eu sequer termino. Mas agora tem a estantezinha do não terminei, né? Então vamos ver o que eu faço. Não, mentira. Tá, pensando assim, essa parte da mãe, do luto da mãe, eu acho que merece um doisinho. Agora não mais.
Rony falou que gostou, eu reclamando. Da próxima vez eu vou encaminhar as mensagens que eu encaminho para o Arthur para você. Foram dias e dias de reclamação. Porque eu sou pessoalmente contra terminar livro ruim. Então, entendam como um ato de amor por todos nós. Eu ter terminado e estar aqui falando.
Eu falei pro Igor na hora que a gente esperava chegar, eu falei, a Ana também, ela tá mais revoltada, porque a Ana tem a política de não terminar livro ruim. Então ela já não tem essa resiliência. Então ela ter terminado já deixou ela duas vezes mais puta. Gente, vocês pensam se eu tivesse morrido, vocês iam ter que contar pras pessoas que o último livro que eu li foi esse. Eu ia fazer questão de homenagear você, sabendo que você odiou, não contar pra ninguém, falar, pessoal, esse foi o último, a gente tem que homenagear a Ana.
Ela adorava esse livro, foi o último que ela li. Quem tem amigo tem tudo mesmo, né?
Quando tem uma história de quando você morre, seu fantasma fica usando a mesma roupa que você estava usando, né? O meu medo é o fantasma continuar lendo eternamente o livro que eu não terminei. Você pensou ser esse? Nossa. Olha o que vocês fizeram. Ainda fui acusada que foi a Ana que escolheu esse? Não.
Não sei, você deve ter votado nele. A gente selecionou ele, mas foi indicação de ouvinte. A gente pegou na lista de ouvinte e a gente falou, puxa, a gente tá falhando em algumas coisas de variedade geográfica. Quem fez isso comigo está entre nós. E aí a gente pegou esse daí, pra ter mais variação geográfica. E aí pegamos o que o mercado nos deu. E você, Igor, de 0 a 5?
Silenciaram o Igor só pra ele não contar a nota dele, ó. Ah, que absurdo. Agora você voltou a falar. Você tem que falar mais pertinho. Isso. Meu Deus, toda vez que ele fala a nota, ele silencia. Não quero. É quem interessa me calar. Agora sim. Eu não estou calado pra vocês? Não, agora não. Agora voltou. Voltei. Tá, vou falar.
Eu não gosto, eu não consigo avaliar as coisas de 0 a 5 Eu tenho um problema Não acho que é uma métrica boa, não gosto Mas assim, se eu for escolher Eu vou ficar no meio dos dois e meio Dois e meio que é Nem pra um nem pro outro Mas... É um livro É um livro escrito É um dos livros escritos É um bom resumo
Se tiver que precisar o pior livro que eu li, pode ser que seja isso. Mas... É um dos livros já escritos na África. Camila já descobriu. Como descobriram que a nota do Igor era 2,5, eles já sabiam. Era o meu espírito silenciando. Eu sou contra a nota de meia, porque o Goodreads não tem nota de meia, é de 0,5. Se fosse para ter meia, era de 0,10.
É isso. Você viu, né, Cecília? A Ana, ela veio aqui fazer a sua faceta de reclamar e agradar as pessoas com as pistolagens. E agora ele veio aqui fazer a missão de me provocar. Então, você está muito bem representada. Mas eles ainda estão silenciando o vídeo. E dessa vez eu fui eu. Pode falar. Agora foi. É a entrada do áudio que dá problema. Eu acho que quando você começa a falar muito longe, ele não pega. Mas... Pode continuar. Vamos ver se agora vai.
2,75. Então vai. 2,75? Por que você está subindo essa nota, Igor? Para imediatamente. 2,25, então. 2,23. Adorei. Muito bem. Então, além de pescadores, a gente espera vocês para ler Feito Bestas.
A gente vai ter... Essa frase... Francesa, falando muito próximo do que foi a temporada de Furacões. Acho que vai ser um livro que vocês vão gostar de uma forma mais... Pensando, né, no que foi a temporada de Furacões, a recepção, o nosso episódio de discussão. Acho que a gente vai ter mais algumas coisinhas pra discutir. O Igor, então, ele já foi intimado a participar no mês que vem. Ele vai aparecer de novo logo em vivo.
o livro para ele temos sorteio, Valério, vou encerrar o episódio aqui e a gente para de gravar e vai para fazer o anúncio especial e também os sorteios do mês passado e desse que eu já fiz então se você gostou, se você ouviu até aqui fica o nosso muito obrigado
Se você estiver ouvindo esse episódio gravado, saiba que as falas que pareceriam esquisitas ou as reações que a gente tem é porque esse episódio é gravado em live. Estamos sempre no primeiro sábado de todo mês, às 7 horas da noite, no nosso canal do YouTube, para falar sobre os livros do clube. Então, a gente tem aqui uma...
canalzinho, eu vou subir também no YouTube agora os episódios eu descobri que pra aparecer no YouTube Music a gente tem que subir no YouTube, então a gente tem aqui uma... tá subindo logo vai estar lá também e as lives vão ficar salvas também pra você pra vocês poderem assistir e consultar onde vocês quiserem, então também podem seguir a gente no YouTube ou no YouTube Music, aonde você ouvir que agora está disponível lá você também pode seguir a gente no seu tocador de podcast favorito, se você não ouvir por lá Spotify e aí
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todas as semanas do ano, para quem paga, para quem não paga, para quem indica livros terríveis e para quem indica livros ótimos. É isso que parece. E fica o nosso agradecimento especial aos apoiadores Premium. Alain Henrique Abel Dias, Beatriz Cattelã, Bianca Arouro, Camila Nakamura, Karina Maturkiewicz, Cristiana Franca Loss, Diniz Brutolotto, Doutor do Gomes, Gabriel Lopes, Gabriel Valentim, Janete Campos, José Carlos Pires Juniors, Kelly Ana Cristiana Dacil, Valarona Fuc, Luana William, Patrícia Gomes, Renato Oliveira, Lomão e Ribeiro, Suzana Erbas, Tama Cabori e Valéria Olson.
Nós ficamos por aqui. Muito obrigado e até a próxima. Senhoras, senhores e proletariado não binário. Este podcast foi editado por a J. Oliveira.
Aurelo