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o que a idade ensina?

06 de maio de 20268min
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sim, sim, todo mundo sabe tudo sempre, sobretudo antes de aprender da pior maneira... mas a pergunta é: idade ensina alguma coisa?

acompanhe o podcast do roda e avisa, no ar desde 2003! www.rodaeavisa.com

video original: https://youtu.be/ltx7rJ23rT8
Participantes neste episódio1
R

René de Paula Júnior

Host
Assuntos5
  • Validade do conhecimentoConhecimento com data de validade · Mudanças constantes
  • Saude e LongevidadeAumento da expectativa de vida · Mundo em constante mudança · Perda de referências
  • Idade e juízoPercepção da passagem do tempo · Juventude e experiência
  • Humildade e AprendizadoAbertura para o novo · Experimentação · Curiosidade
  • Mercado de trabalho e senioridadeCulto da juventude eterna · Expectativas do mercado
Transcrição24 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Caríssimas, caríssimos e caríssimos, René de Paula Junior falando em mais um episódio aqui do Roda e Avisa, que esse podcast que eu criei há 23 anos, o que é uma demonstração de que idade não necessariamente traz juízo. Aliás, eu estou gravando aqui com uma câmera um pouquinho mais sensível, o que é provavelmente, vou ter um susto.

porque, curiosamente, o espelho, que tem uma resolução praticamente infinita, o espelho sempre me mostra com a mesma cara jovial, como se o tempo não tivesse passado, mas a câmera que tem alguma crueldade extraordinária, quando eu vou ver ali de perto, eu percebo que o tempo passou. Os sinais são relativamente claros.

E a questão é, isso me faz lembrar um projeto muito interessante, eu me formei na ECA, me formei, aliás, num curso que não existe mais, de rádio e televisão, e recentemente, conversando com colegas ali, falei, poxa, será que a gente tem alguma experiência, alguma coisa para compartilhar com a geração mais nova? E eu fiquei pensando, o que eu tenho para contar?

Vou contar o que eu aprendi, porque afinal eu sou um profissional sênior. Sênior é aquela coisa que você coloca no currículo para tentar dar algum tipo de aspecto um pouco mais positivo para o avanço da idade. E eu tenho uma coisa talvez para compartilhar.

Pelo menos para mim tem sido um aprendizado que a idade trouxe. A questão é que o tudo que eu... Essa é uma das grandes conclusões, que tudo aquilo que eu aprendi tem data de validade. E eu vou explicar porquê. Eu tenho uma tese muito pessoal, sem nenhum fundamento experimental ou acadêmico, de que a gente foi feito para durar uns 50 anos assim.

tipo tudo bem, você tem uma infância, depois tem uma adolescência, você começa a entender mais ou menos como as coisas estão funcionando, aí você eventualmente cria uma família, aí você vai cada vez mais consolidando a sua visão de mundo, você passa a ser uma referência, porque afinal você tem experiência, aí chega num certo momento que você vai embora. Mas graças ao progresso da ciência...

A gente está vivendo cada vez mais. Meu pai faleceu recentemente com 94, 95 anos, 20, 30 anos, não mais, 30 ou 40 anos mais velho que o pai dele morreu. A gente está durando cada vez mais. E isso para mim traz um certo problema que eu já comecei a perceber os sinais, que é o seguinte, aquele mundo onde eu construí a minha experiência, a minha bagagem,

A minha educação sentimental, inclusive, as minhas referências geográficas, as minhas referências históricas, esse mundo está indo embora antes de mim. Então, eu não sei quantos anos você tem, se você for um pouquinho...

Mas, velho, você já deve estar percebendo um certo estranhamento. Você não sabe muito bem quem é aquela cantora no rádio. Você não sabe muito bem quem é aquela pessoa no TikTok. Você não tem a menor ideia porque as pessoas estão fazendo fila para fazer selfie com alguém que você nunca viu mais gordo. Você não consegue mais acompanhar os modelos dos carros. De repente, os seus restaurantes preferidos não existem mais. Os seus ídolos morreram de overdose, no meu caso, quase tudo. Mas é...

o mundo começa a deixar a gente meio na mão, e aí o que sobra para a gente são dois caminhos. Ou você, sei lá, não sei que circunstâncias podem permitir isso, não foram as minhas, você sobe no salto alto e vai sentar no alto da sua experiência e acreditar que tudo aquilo que você aprendeu ao longo da vida ainda...

funciona, ainda é sólido, ou então, um caminho que eu conheço mais de perto, talvez por ter trabalhado o tempo todo numa montanha russa chamada internet, simplesmente admitir que, veja bem, as coisas mudam sem parar, e aquilo que eu fazia 10 anos atrás não existe mais, o curso que eu me formei não existe mais.

coisas que eu fazia não existem mais e tem coisa nova pra fazer por aí e muitas dessas coisas inclusive são desconcertantes são informações completamente novas sobre como as pessoas funcionam que na boa a gente não sabia tão bem agora a gente está começando a entender um pouco melhor

A gente está começando a perceber possibilidades que antes eram inimagináveis. Então, eu prefiro, por natureza, por temperamento, eu prefiro um pouco o caminho da humildade, não subir no salto alto dizendo que, olha, eu sei tudo, eu vou ser, contrate-me que eu sei exatamente tudo que tem que ser feito a qualquer momento, porque afinal, com base em 20 e tantos, 30 anos, você olha a experiência.

Mas eu prefiro, não é que isso está funcionando em termos de recruter, headhunter, não, mas eu prefiro falar, cara, eu sou forçado a reconhecer que estamos diante de coisas que requerem de abertura, humildade, experimentação, porque o manual lá já não funciona mais.

O Windows 3.1 aqui não dá para ficar sentado o resto da vida em cima do DOS. Cara, a gente tem que abrir os olhos e tentar experimentar e tentar perceber porque nós estamos criando o tempo todo mundos novos. O que ainda vale de tudo que eu aprendi? O que vale ainda de tudo que eu vivenciei?

Pouca coisa, mas curiosamente um dos problemas, além de você ficar mais idoso e ter que se confrontar com alguns sustos e sobressaltos quando você vê alguma foto num ângulo um pouco inusitado, é você também se defrontar com as expectativas do mercado. O mercado brasileiro é especialmente cruel.

com a questão de senioridade, é um culto da juventude eterna, mas vamos imaginar que de repente também o cara te vê com cabelo branco e imagina que você tenha todas as respostas do universo, porque afinal você ainda não morreu, isso quer dizer alguma coisa.

Isso é uma armadilha, você pode jogar esse jogo, pode subir no salto alto e falar que você é uma sumidade baseada em tudo, ou então você pode tentar convencer a pessoa interessada de que, veja, não se deixe enganar, estamos diante de possibilidades inimagináveis, estamos de contextos, nossa quanta coisa que está...

completamente diferente, a gente nunca ia prever em 1996, quando eu comecei a trabalhar com a internet. Isto posto, estamos aqui para experimentar, para aprender juntos. Não se iluda, eu não tenho um manual de instruções. O que eu tenho é uma curiosidade, uma...

disponibilidade para aprender coisas novas, um drive muito intenso no sentido de descobrir o que pode ser feito, o que pode ser.

Só que isso normalmente não é o que alguém quer ouvir. Todo mundo imagina que você é o Harry Potter, que você tem alguma varinha de condão, que você é o seu diploma, não sei aonde, na Singularity, etc. Aquilo vai ser o Viagra, que em 15 minutos vai promover o crescimento exponencial do seu negócio.

o que eu nunca vi acontecer. Mas, então, é isso. Eu não sei se você já está nessa fase. Prepare-se, porque realmente a gente está durando mais do que as nossas referências duram.

Se você quiser uma prova disso, faça como eu fiz ontem. Dê uma volta pela sua cidade, no meu caso São Paulo, que é a metamorfose ambulante, a metamorfose permanente. Vai num bairro que você nunca mais foi nos últimos anos e prepare-se para se surpreender, porque você simplesmente não consegue mais nem se orientar. Você precisa de um GPS.

e um GPS que felizmente se atualiza automaticamente. Você pode tentar se movimentar como eu me movimentava nos meus velhos tempos de direção, usando o guia do mapograf. Eu não sei aonde você vai chegar. Caríssimas, caríssimos e caríssimos, obrigado pela atenção. Um grande abraço e até o próximo episódio aqui do Roda e Avisa, que continua curioso e continua experimentando e continua com pouquíssimo juízo.

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