a verdade da fotografia: é tudo uma ilusão!
minhas fotos no flickr: http://flickr.com/photos/renedepaula
a app do radinho!!! http://radinhodepilha.com/radinho
canal do radinho no telegram: http://t.me/radinhodepilha
meu perfil no Threads: https://www.threads.net/@renedepaulajr
meu perfil no BlueSky https://bsky.app/profile/renedepaula.bsky.social
meu twitter http://twitter.com/renedepaula
aqui está o link para a caneca no Colab55: https://www.colab55.com/@rene/mugs/caneca-rarissima
para xs raríssimxs internacionais, aqui está nossa caneca no Zazzle: https://www.zazzle.com/radinhos_anniversary_mug-168129613992374138
minha lojinha no Colab55 (posters, camisetas, adesivos, sacolas): http://bit.ly/renecolab
meu livro novo na lojinha! blue notes
https://www.ko-fi.com/s/550d7d5e22
meu livro solo https://www.ko-fi.com/s/0f990d61c7
o adesivo do radinho!!! http://bit.ly/rarissimos
minha lojinha no ko-fi: https://ko-fi.com/renedepaula/shop
muito obrigado pelos cafés!!! http://ko-fi.com/renedepaula
- Ilusão da fotografia coloridaProcesso de captura de cor · Sensores de cor no olho humano · Filtros RGB
- Técnica fotográfica de LippmannReprodução de cores reais · Processo físico e químico · Holograma
- Percepção humana e ilusãoCérebro e interpretação de cores · Limitações dos sentidos · Compressão destrutiva de áudio
Obrigado.
Raríssimas, raríssimos e raríssimes. Boa tarde, René de Paula Júnior falando aqui no Radinho de Pilha. Novamente ao som magnífico dessa orquestra de passarinhos. Eu estava observando ali, a diversidade é tão grande. Tem coruja ali, acho que isso é coruja. Só pode ser esse som que aparece de vez em quando. Tomara que vocês consigam prestar atenção. Esse episódio vai ser um pouquinho mais curto.
E certamente menos acelerado que o de ontem. Desculpem, ontem eu acho que eu acelerei demais. Parece que eu estava naquele duas vezes lá do WhatsApp, é que realmente eu tinha um compromisso na sequência. Mas hoje vai ser um pouquinho mais curto e também um pouco mais concentrado. Uma boa maneira de começar é justamente a razão pela qual eu estou gravando um pouco mais tarde que o normal.
Eu estou gravando um pouco mais tarde que o normal, porque eu não conseguia parar de dar uma olhada e dar ali uma selecionada nas fotos que eu fiz de viagem. Eu estou sempre com uma câmera tiracolo, sempre, há décadas, nem sei desde quando, mais de 40 anos certamente, ou praticamente 40 anos, e eu fotografo compulsivamente. Então eu voltei da viagem com mais ou menos 1.600 fotos, por aí se eu não me engano.
E agora eu tenho que dar uma filtrada, uma peneirada, selecionar o que vale a pena publicar ou não, se tem alguma pequena correção a fazer nas fotos, até, isso é um podcast em áudio, não faz tanta diferença assim.
Mas vale a pena compartilhar com vocês que quando eu fotografo eu tenho alguns princípios. Em primeiro lugar, eu nunca fotografo pessoas que eu não conheço. Então as fotos de cidade parece que o mundo acabou, as fotos de qualquer viagem minha normalmente não tem ninguém.
Eu espero as pessoas desaparecerem, eu fico ali plantado esperando o cara sair daquela posição para eu finalmente conseguir fazer uma foto sem ninguém, porque eu não acho que eu tenho o direito de explorar a imagem alheia. Essa é a primeira questão. A segunda questão é que uma vez a foto tirada, o máximo que eu faço é eventualmente corrigir o crop, o enquadramento, eventualmente corrigir um pouco a temperatura de luz ou a luz.
e eu não apago nem acrescento nada, então inteligência artificial para mim não faz diferença nenhuma, pelo menos nesse aspecto, que aliás é um dos pontos mais importantes, eu já mencionei isso para vocês, para mim fotografar é uma coisa muito íntima, muito visceral e muito importante, acho que poucas coisas me incomodam tanto, me frustram tanto.
quanto fotos que ficaram ruins ou fotos que eu perdi. É para mim, me perdoem, engasguei aqui, é para mim muito mais angustiante se eu conseguir realmente registrar uma imagem do que se eu escrevi um bom texto ou se eu gravei um bom episódio. É curioso, porque não que eu seja um fotógrafo excepcional, não. Não que eu tenha jamais ganhado dinheiro com isso, não. Não é minha profissão, não.
mas é assim que eu funciono. Então eu passei hoje uma boa parte do meu tempo livre dando uma peneirada pelas imagens. Feliz com o resultado de algumas, acho que vai dar, assim que eu tiver o que mostrar, eu vou mostrar para vocês. Mas por coincidência, hoje eu assisti um vídeo muito interessante de um divulgador de ciências que eu admiro bastante, que é o Steve Mould, é o inglês, que faz uns experimentos sem pé nem cabeça e tal.
Dessa vez ele estava mencionando uma técnica fotográfica que não foi para lugar nenhum, basicamente. Na época, acho que o cara até ganhou um prêmio Nobel, 100 anos atrás, mais ou menos, por aí, um cara chamado Lippmann descobriu uma maneira de produzir fotos.
coloridas, fotos coloridas, uma técnica bastante complicada, bastante complexa, os resultados são bastante frágeis, mas tem uma coisa ali que é extremamente, como eu hei de dizer, não sei se é inquietante ou se é fascinante, que aquela é a única técnica que mostra as cores como elas são.
E isso é muito interessante porque eu carrego câmera desde o tempo que câmera era película, era filme, aqueles rolinhos. E eu fotografava normalmente colorido, nunca fotografei muito preto e branco.
só na faculdade. Mas tem uma questão que eu sempre me esqueço, e acho que muita gente também nem sabe, que na verdade toda foto colorida é uma ilusão. Toda foto colorida é uma mentira. Por que é uma mentira? Alguém está fazendo algum tipo de montagem, algum tipo de truque? Não, não, não. A cor que você enxerga é completamente ilusória.
Vou explicar. Que eu saiba, não existe nenhum processo fotoquímico de você registrar a imagem colorida logo de saída. Não. Toda foto colorida são três fotos em preto e branco. Toda foto colorida são três fotos em preto e branco. Vou repetir. Toda foto colorida são três fotos em preto e branco. Só que uma dessas fotos é com um filtro vermelho.
imagina, se a foto é preto e branco, que diferença faz botar um filtro vermelho? Faz diferença, tá bom? Ela vai continuar preto e branco, certo? Mas se você colocou um filtro vermelho, as coisas que são vermelhas, originalmente, na foto vão ficar mais claras. As coisas que eram verdes, o filtro vermelho vai barrar, então ela vai ficar escura. Então é um preto e branco com um pequeno viés. E também um filtro verde o item...
e um filtro azul. Então você tira três fotos, uma com filtro vermelho, uma com filtro verde, uma com filtro azul. Na verdade você não tira três fotos. O filme colorido faz esse truque, ele tem três camadas ali, mas na verdade são três fotos preto e branco, mais ou menos parecidas, mas fundamentalmente diferentes, mas continuam sendo preto e branco. Como é que daí dessas fotos em preto e branco, você transforma isso numa coisa colorida?
Pois bem, aí que está o truque. O truque é justamente você pegar a imagem que foi tirada com o filtro vermelho, a imagem que foi feita com o filtro... Mas o truque é sempre o mesmo, mesmo numa câmera digital. Numa câmera digital é a mesma história. O sensor é um sensor, em princípio, preto e branco.
O que você tem, de novo, é praticamente três filtros, é vermelho, verde e azul, RGB, quem trabalha com Photoshop, quem trabalha com imagem, RGB é isso aí, é vermelho, azul e verde, e essas três fotos em preto e branco, que são um pouco diferentes, na hora que você combina, põe os filtros corretos, bum, ela produz a ilusão de uma foto colorida.
Mas mesmo essa, por mais que você tenha uma câmera espetacular, uma Hasselblad, sei lá o que for, uma Leica, que tem o maior sensor possível, uma Sony, full frame, sei lá o que, medium format, aquelas coisas que custam uma fortuna e o Renézinho não tem acesso.
Pois bem, todas elas, em princípio, estão mentindo com relação ao que elas estão fazendo. E eu vou tentar explicar por quê. Veja bem, imagine uma banana. Uma banana é, normalmente, numa situação ideal, amarela.
Amarelo, amarelo é uma cor, amarelo é uma cor, assim como vermelho é uma cor, mas quando a gente normalmente fala cor, a gente está pensando no que o cérebro mostra para você, a cor é uma maneira como o cérebro...
mostra para você alguma coisa que tem uma certa frequência de luz. Então, veja, a luz pode variar a frequência, então se você tem a luz em uma frequência mais baixa, tipo como um som mais baixo, é vermelha. Se ela está em uma frequência mais alta,
ela vai para o azul e vai para o violeta. Então, dependendo da frequência da luz, o cérebro interpreta como uma cor diferente. Mas tudo tem a ver com frequência. Então, por exemplo, o amarelo tem uma frequência bastante específica. Se você pegar sódio, por exemplo, você excita o átomo de sódio, por isso tem aquelas lâmpadas de sódio no interior.
O sódio, quando fica excitado, ele produz uma luz amarela. Ele só produz aquela frequência amarela, não produz mais nada. Tudo fica esquisitíssimo, porque ele só está produzindo a frequência amarela. Certo, certo. Acontece que os nossos olhos, eles não... Vê se eu não vi.
Eles têm três tipos de sensor. Muitos de vocês já sabem disso, mas vale a pena a gente repassar. Teu olho tem três tipos de sensor. Na verdade, tem um sensor lá para luminosidade, mas não vem ao caso. Mas um sensor é para vermelho, basicamente, ou para coisas em torno de vermelho. Um sensor para frequências em torno do verde. E um sensor que pega em torno do azul.
Então, ele só tem três sensores, azul, verde e vermelho, ok? Agora, a banana é amarela. Teu olho tem algum sensor para amarelo? Não, teu olho não tem sensor para amarelo. Então, como é que ele enxerga o amarelo? Bom, o que ele faz é o seguinte, a hora que entra a luz amarela...
é aquele sensor ali que é o vermelho, ele na verdade não pega só o vermelho, ele pega ali um pouco da vizinhança. O sensor verde também pega um pouco da vizinhança. O amarelo fica no meio das duas frequências. Então, o teu olho percebe o seguinte, opa, entrou uma luz aqui que animou um pouquinho, excitou um pouquinho o meu vermelho e também excitou um pouquinho o meu verde. Portanto, eu acho que é amarelo.
porque ele não tem um sensor para amarelo, ele não tem um sensor para cada frequência de luz, não dá, ele só tem três, alguns animais tem um monte, tem quatro, seis, doze, infinidade, mas nós só temos três, alguns tem menos, alguns tem dois, mas nós temos três.
Então, não tem um sensor para o amarelo. O que o cérebro constrói é quando ele vê uma coisa que está no meio do amarelo e do vermelho, ele vai achar que aquilo é amarelo, mas ele não está vendo a frequência amarela. Ele tira uma conclusão a partir do verde e do vermelho. É assim que o seu olho funciona.
E aí a gente descobriu isso faz algum tempo. Então, bom, já que é assim, então na hora da gente tentar fazer uma imagem colorida, a gente não precisa fazer algum tipo de filme fotográfico que é sensível a todas as frequências do universo. Não, vamos fazer um preto branco mesmo e vamos usar filtros como os cones do olho humano. Então vai ter um filtro verde, um filtro vermelho e um filtro azul.
Porque já que o olho funciona assim e o cérebro consegue mais ou menos chutar o que está acontecendo ali, então vamos tentar registrar da mesma maneira. Então quando eu pego uma câmera, e não importa se é uma câmera de película, fotoquímica, ou se é uma câmera digital, se eu tiro uma foto de uma banana, ele na verdade não registra a luz amarela.
porque ele não consegue registrar a frequência amarela. Ele registra um pouco de vermelho e um pouco de verde. E isso, para os nossos olhos, é a mesma coisa. É por isso que você, quando era criança, você queria produzir uma cor qualquer, você misturava, sei lá, azul com amarelo e ficava verde.
se você misturou um pigmento azul, que só gera frequência azul, pegou um pigmento amarelo que só gera frequência amarela, na hora que você mistura, ele não vai magicamente mudar a frequência, ele continua sendo azul com amarelo, mas o seu cérebro, na hora que vê azul e amarelo juntos, suficientemente misturados, ele se engana, ele acha que aquilo é verde. Então, muitas cores que a gente vê por aí, roxo, cor de rosa, é, na verdade, o cérebro...
tentando entender o que está acontecendo com três tipos de sensores só, vermelho, verde e azul. Se você pegar uma lente de aumento e olhar a tela do seu celular, você vai ver que tem pontos azuis, verdes e vermelhos. Se você olhar a sua televisão, verde, é tudo o mesmo truque, mas na verdade, por melhor que seja a câmera, por melhor que seja a sua TV, pode ser OLED, Quantum Dots, ou seja o que for,
ela não mostra o amarelo amarelo, ela vai mostrar verde misturado com vermelho. E o seu olho é um tonto, o nosso olho, coitado, ele faz o que ele pode, ele vai achar que aquilo é amarelo, porque para ele é a mesma coisa, você mostrar a quantidade certa de vermelho e verde juntos e mostrar a frequência amarela pura, para ele é a mesma coisa, porque ele só tem três sensores. Isso é muito interessante.
porque esse processo, que é esse processo chamado Lippmann, que é dificílimo de fazer, não adianta nem tentar comprar, só se for numa coisa de um leilão de antiguidades. Tem gente tentando reproduzir isso, mas é trabalhoso e também não é uma coisa que dura muito. Eu não vou entrar aqui no detalhe do processo.
sobretudo do ponto de vista de física, porque é um pouco intrincado, mas é mais ou menos assim. O cara faz um gel, um gel que tem dentro desse gel uma substância à base de prata. É um gel transparente, cheio de diluído ali naquele gel.
uma substância à base de prata. E aí ele aplica esse gel em cima de um espelho. Ele aplica uma camada fininha em cima de um espelho. Então, quando a luz entra, ele faz uma câmera, certo? Aliás, uma câmera que precisa deixar exposta um tempão, porque é um processo lento.
Ele abre a câmera, a luz entra feliz e contente, todas as frequências possíveis e imagináveis, inclusive aquelas que você não enxerga, elas vão atravessar o gel, ok? Elas vão bater no espelho e vão voltar por onde elas vieram.
Então, nesse processo de ir e voltar, como tem uma certa espessura, isso provoca uma certa defasagem na fase da onda e essa defasagem vai gerar interferência construtiva e destrutiva. Eu não vou entrar nisso porque é um negócio meio complicado.
mas eu sei que nesse processo, no gel começa a se formar, a prata começa a se precipitar, onde tem a interferência construtiva, e isso acontece numa coisa tridimensional, porque tem uma certa espessura, é um processo, eu nem sei como é que o cara chegou nessa conclusão há 100 anos atrás, mas de qualquer maneira, tem como processar depois esse gel, e depois acontece um absoluto milagre.
O milagre é o seguinte, se você olhar esse gel, essa imagem gerada, de algum ângulo não muito favorável, ela parece uma imagem em branco e preto. Porque, de novo, veja, o filme película era a base de prata. Prata é mais clara ou mais escura.
foto sempre foi assim, mais clara ou mais escura, é só uma questão de luminosidade, para a gente conseguir cor, como eu falei para vocês, você faz um truque, você faz três fotos em branco e preto, mas olhando ali você olha e fala, é uma foto branco e preta mais ou menos, mas quando você olha no ângulo certo, no ângulo bastante exato, o ângulo pelo qual a luz entrou, a imagem fica coloridíssima, uma super vívida, uma imagem extraordinariamente colorida.
E, ok, isso não foi para frente, esse processo, esses truques que a gente faz hoje são muito mais práticos, funciona muito bem, a gente é fácil de enganar e tal. Mas veja, se você pegar esse processo antigo do Lippmann,
e for analisar a luz que ele está mostrando, a luz cobre todas as frequências, inclusive as frequências que a gente não enxerga. O ultravioleta vai estar registrado ali, o infravermelho vai estar registrado ali, toda a frequência está registrada ali, porque é um processo diferente, é um processo que parece quase holograma.
mil perdões, tendo que interromper novamente, mas, pois bem, então, o processo em si, do ponto de vista físico, é um pouco bizarro, mas o que é mais importante aqui é que aquela foi a única vez em que a gente conseguiu produzir uma reprodução de uma imagem que tem absolutamente todas as cores, não tem filtro nenhum, o amarelo é o amarelo mesmo, não é vermelho misturado com verde, o ultravioleta está lá,
Ou seja, se você mostrar para uma abelha que enxerga outra violeta, ela vai reconhecer a flor. Porque se você pegar a sua câmera, tirar uma foto de uma flor, botar numa tela gigante e mostrar para uma abelha, a abelha vai falar, eu não sei o que é isso.
porque a sua câmera só tem três sensores, ela não registra ultravioleta. No seu televisor só tem três pixels, ele não registra, ele não transmite ultravioleta. Então a abelha vai olhar para a foto que você tirou e fala, não sei do que se trata, não sei quem é. Agora, se for uma imagem dessas de Lippmann, as informações estão todas ali. É uma técnica muito parecida com a técnica de holograma.
Eu achei isso absolutamente extraordinário, porque eu nunca tinha parado para pensar que as fotos que eu tiro com tanto carinho, que eu estou ali tentando, sei lá, investir quando tiver mais grana, num sensor melhor, numa câmera melhor, para ter um range dinâmico, essas coisas todas e tal.
Mas, de qualquer maneira, a gente continua mentindo sem parar, porque tudo que a gente produz de imagens é só para agradar, só para iludir os nossos olhos. As fotos não vão funcionar para qualquer outra criatura que tenha sensores diferentes dos nossos. Um espelho, tudo bem. Você mostra um espelho para qualquer criatura, o espelho não está fazendo nenhuma intervenção.
a luz amarela volta como luz amarela, a luz ultravioleta volta como luz ultravioleta. Agora, se você substitui um espelho, ou esse processo do Lipman, que também, curiosamente, é baseado em espelho, por qualquer tipo de filme, ou por qualquer tipo de sensor e tela,
isso imediatamente transforma aquela riqueza original numa simplificação. Eu achei essa história simplesmente bárbara. É lógico que isso também tem, não é só nesse campo em que a gente está sendo iludido o tempo todo. O áudio que você está ouvindo aqui não é exatamente o áudio que eu estou produzindo agora com o meu corpo.
O primeiro tem inúmeras etapas envolvidas no processo, óbvio, microfone, isso vai ser de alguma maneira digitalizado, provavelmente isso vai ser comprimido. Normalmente, quando um áudio é servido como podcast, ele vai como MP3. MP3 é uma técnica descoberta por um alemão, sei lá quantos anos faz, 20, 30 anos, nem lembro mais, em que ele descobriu o seguinte, olha, o ouvido humano...
Ele é muito mais sofisticado que os olhos, ele é capaz de distinguir uma variedade de frequências muito mais alta, e é verdade. Vejam, você antes de comprar um iPod ou um iPhone e destruir os seus ouvidos, você ouve de 20 Hz a 20.000 Hz. Ou seja, a frequência mais baixa é mil vezes menor que a frequência mais alta.
Então, um ouvido saudável vai de 20 a 20 mil, mil vezes a frequência. O seu olho, espero que esteja funcionando bem, a luz visível, a frequência mais alta é mais baixa, é o dobro. É só isso. É de 400 e pouco a 700 e pouco e boa. É isso que a gente enxerga. Então, o ouvido da gente é muito mais sofisticado. Mas ele percebeu o seguinte, se eu quiser passar uma impressão muito parecida com a música original, ou da voz do René, ou seja quem for,
Eu não preciso passar todas as frequências com todos os detalhes. Eu posso fazer simplificações. Eu consigo iludir o ouvido de maneira a achar que aquele som está todo ali, mas ele não está. Ele é o que a gente chama de uma compressão destrutiva.
O resultado final parece com o original, mas muita informação foi perdida. Muita informação foi perdida e isso faz parte do mundo que a gente vive. Aliás, isso é sempre, para mim, mais uma razão para a gente...
admirar a capacidade com que o cérebro se ilude, a capacidade como a gente vive realmente numa ilusão que o cérebro constrói o tempo todo a partir de muito pouca coisa. Raríssimas, raríssimos e raríssimos, esse era basicamente o único tema do radinho de hoje.
É um radinho um pouco mais breve, um pouco mais focado. E eu vou deixar vocês com, espero que isso seja comprimido da maneira menos destrutiva possível, o som dos pássaros de uma janela voltada para os campos da perúgia. Cuidem-se, por favor. Um grande abraço e até amanhã.
E aí
Obrigado.