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a matemática do sucesso

04 de maio de 202610min
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instagram, linkedin, tiktok... quanta gente bem-sucedida, quantas vidas invejáveis! qual porta abre esse mundo encantado?

video original: youtu.be/sTcMMou_NlQ
Assuntos4
  • Preparação pessoal sobrevivencialismoCatedrais e palácios europeus · O que sobrevive e o que se perde · Redes sociais e sucesso aparente · Startups e unicórnios · Centros de inovação e empreendedorismo · A ilusão do sucesso acessível
  • Histórias de sucessoA discrepância entre valor percebido e real · A fachada de centros de inovação · A tendência a focar em histórias gloriosas · A incerteza do sucesso de Mark Zuckerberg · A importância da humildade e do pé no chão
  • O mundo da internet e digitalAura de sucesso · Naufrágios e dificuldades · Visão distorcida pelo algoritmo · O papel do algoritmo no sucesso
  • O podcast Roda e a VezRetorno após ausência prolongada · 23 anos de existência · Viagem pela história, arquitetura, cultura e arte
Transcrição27 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Caríssimas, caríssimos e caríssimes, o Roda e a Vez está de volta, depois de uma ausência prolongada que provavelmente ninguém percebeu. Esse podcast que insiste e persiste depois de 23 anos, a gente começou o Roda e a Vez aqui em 2003.

Ele está de novo no ar depois de um péreplo, de uma verdadeira odisseia, viajando pela história, pela arquitetura, pela cultura, pela arte. Foi realmente uma bela viagem, uma bela viagem em que a gente pode, de repente, ficar inspirado por um passado magnífico, glorioso, renascentista, as ideias.

por aquela beleza, por aquele mundo que aí tem essa questão que realmente acho que vale a pena a gente chamar aqui por um fenômeno cognitivo, que é um fenômeno chamado viés de sobrevivência. Viés de sobrevivência não significa mata-mata, não significa que eu vou ter que tirar o lanche de alguém, senão eu passo fome, não. Viés de sobrevivência é o seguinte.

Vamos imaginar que você passe por belíssimas cidades europeias, com catedrais, com palácios, com obras de arte, e fala que nossa, que época maravilhosa, como teria sido viver nesse tempo. Você não tem ideia. Sabe por quê? Porque você está encantado com aquilo que sobreviveu.

sobreviveu talvez porque catedrais sejam feitas de pedra, talvez porque palácios sejam feitos de mármore, talvez porque as obras de arte tenham ficado em um museu, ou talvez porque na Segunda Guerra os aliados não bombardearam. Infelizmente isso foi o fim de muitas belezas.

porque o passado de verdade não necessariamente sobreviveu, não é tão duradouro assim. Como viviam as pessoas, como você viveria, como seria a minha casa? Não seria um palácio, não seria de mármore, seria provavelmente alguma coisa que com o tempo ia...

Ser desintegrada não ia sobreviver, ia pegar fogo e ninguém ia se preocupar em preservar. Então não ia sobreviver. O que sobrevive é aquilo que a gente, ou acaso, conseguiu, decidiu preservar. Isso é uma viés de sobrevivência.

E o que isso tem a ver aqui com, sei lá, com nossa carreira, com o mercado ou com o mundo, é que o nosso universo cognitivo, quer você viaja ou não, por exemplo, você está acompanhando, sei lá, Top Voices no LinkedIn, você está acompanhando canais de sucesso no YouTube, você pode estar, de repente, encantado com algumas séries da Netflix, com algum projeto bacana em que você imagina, puxa, eu poderia ter feito isso.

Puxa, que legal, de repente pode ser um plano B, eu posso dizer, por que não eu? Por que não eu? Olha que bacana esse mundo glorioso. Ou então, pelo contrário, você pode ficar um pouco deprimido porque você parece que não foi convidado para a festa. A questão é que aqui também se aplica a questão do viés de sobrevivência.

Eu me lembro há uma década mais ou menos, quando tinha aqueles programas de startup, que eu nem sei se eles ainda têm, se elas acharem que têm, que dá vida, etc. Muitos colegas meus de carreira, de faculdade, todos eles da meia-idade para mais, de repente encantados com startups de sucesso, que viraram unicórnios, etc. vinham conversar comigo, olha, eu tive uma ideia absolutamente maravilhosa, eu acho que eu vou empreender.

E vieram falar comigo não sei porquê, porque eu não sou empreendedor. Eu sempre empurrei piano, eu sempre fui uma figura baixo clero, por assim dizer. Não é que eu sou algum... Não, não, não. Não sei, talvez porque eu tenho uma aura de ter sempre trabalhado num mundo que também parece que deu muito certo, que é o mundo da internet, o mundo digital e tal. Então, acho que eu fiquei com essa aura, não sei porquê.

Eu só sobrevivi, só não morri. Mas de qualquer maneira a pessoa vem com aquela ideia e eu não sou uma pessoa boa para você conversar a respeito porque eu já participei de vários naufrágios. Eu já vivenciei vários naufrágios da pior maneira possível. E eu sempre tive uma certa dificuldade em entender por que as pessoas estavam fantasiando um mundo que eu conhecia tipo o Jonas na barriga da baleia. Porque, cara...

Esse mundo de onde eu vim não é tão glamouroso assim. Por que as pessoas estão querendo de uma hora para outra jogar tudo para cima, uma carreira, um casamento, patrimônio, em função de uma coisa que eu sei que não é bem assim? E aí que vem essa questão desse mundo cognitivo. Por que o cara assiste na televisão?

quem venceu? Ele acompanha no LinkedIn quem venceu? Ele acompanha na Netflix projetos que deram muito certo. Ele acompanha canais no YouTube que o algoritmo mostrou para você justamente porque eles estão fazendo muito sucesso. Então a gente fica com essa visão um pouco distorcida, pelo viés de sobrevivência, de estar simplesmente achando que aquilo que a gente vê é Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle Cle

representa o resto. Então, no caso das startups, eu infelizmente tive que dar alguns banhos de água fria em alguns bons amigos. Eu falei, olha, você tem ideia de quantas startups dão errado? E eu me lembro de uma conversa com um amigo investidor que ele falou, olha, eu aposto em 20 para acertar em uma.

Falei, parabéns, eu faço parte das outras 19, a minha história é das outras 19. Você está felizão aí, está feliz e contente, está sentado em cima de algum patrimônio extraordinário, capital, investidores. Mas veja, nem sei se a estatística ainda é essa, talvez seja pior, eu não sei. De quantos creators você precisa para tirar um de sucesso? De quantos canais você precisa para que um deles vingue?

Aí você fala, não, mas eu sou diferente, eu sou, sei lá, iluminado, o mundo estava esperando pela minha existência. A questão é que a gente pode achar o que a gente quiser da gente, mas esse mundo, sobretudo esse mundo da internet, não só depende do quanto as pessoas acham que você vale, normalmente tem uma discrepância grande, no meu caso gigantesca, e também do que o algoritmo acha que você vale.

Então, veja que não necessariamente o caminho é tão promissor quanto parece. Quando você, por exemplo, como eu já durante algum tempo fiz, frequenta um desses centros de inovação, empreendedorismo, como o Cubo do Itaú e Nova Brado do Bradesco. Nossa, você vai naquele lugar, é lindo, mobília maravilhosa, tudo funcionando, exuberante, moderno, muito dinheiro, você sente o cheiro de dinheiro no ar.

Desculpa, mas não é assim. Isso é circo, isso é pantomima. Isso é realmente uma fachada que esconde histórias que, em princípio, ninguém vai conhecer e talvez ninguém esteja interessado. A gente tem essa tendência a querer... Também é um viés cognitivo nosso.

A gente prefere deixar de lado as histórias que sejam, sei lá, tem um cheiro meio esquisito e prefere focar naquelas histórias que sejam lindas, sexys, gloriosas, etc. Então, portanto, fica aqui, acho que a mensagem desse vídeo não é tanto catedrais medievais, não é tanto obras de arte do Renascimento ou as cidades europeias que parecem caixinhas de joias. A questão é...

o mundo é muito mais do que isso. A questão é que, na verdade, a gente pode estar, de alguma maneira, se embriagando com uma coisa que não corresponde. Não estou dizendo que a sua ideia seja ruim, não estou dizendo que você não possa ser um top voice, não quero dizer que você não tem algo a dizer.

mas a questão é que nem eu nem você somos referência para avaliar o que vai dar certo ou não. Eu tenho cá para mim que muitas dessas empresas de sucesso, eu penso no Facebook, eu tenho certeza que o Mark Zuckerberg não tem a menor ideia porque deu certo. Ele simplesmente jogou algumas ideias na parede e algumas grudaram, outras não.

Então tem várias questões aqui. Primeiro, a gente não se embriagar com essas fantasias, com essa Disneylândia desse mundo glamouroso de pessoas bem-sucedidas e felizes, porque muitas vezes não estão tão felizes assim. Em segundo lugar, com a ideia de que isso tudo está acessível a você.

Você está na Europa, você pode entrar num palácio de um médice, de um mérito, até para falar bonito, mas naquele tempo você ia ser barrado na porta. Você ia ser barrado na porta. Eu, então, imagina, expulso a pontapés. Então, não necessariamente esse mundo está ao teu alcance. E eu acho que, em terceiro lugar, tem essa grande humildade da gente botar um pouco o pé no chão.

e perceber exatamente o que a gente tem na mão, quais são as nossas possibilidades, qual é o nosso entorno, em que mundo que a gente vive de verdade, o que eventualmente eu posso fazer aqui para dar diferença, o que eu posso jogar na parede e ter alguma chance de dar certo, mas levando em conta...

um mundo à nossa volta, que é um mundo que todo mundo esqueceu, porque, obviamente, todos, e eu vi isso na viagem, eu vi, quando as pessoas não estão usando o celular para fotografar, fazer selfie, ou para fotografar o prato de macarrão, o que elas estão fazendo é olhando a vida dos outros. E é a vida dos outros, meus caros, a rapadura é doce, mas não é mole.

Caríssimas, caríssimos e caríssimos, espero que esse episódio tenha valido a pena. Um grande abraço. Eu estava com saudade de publicar aqui no Roda e Avisa. Sabe quando a gente vai publicar de novo? Não tenho a menor ideia. Um grande abraço e até mais.

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