Episódios de Cine Set

'O Diabo Veste Prada 2': uma sequência à altura do original | Podcast Cine Set #190

06 de maio de 20261h4min
0:00 / 1:04:07

No novo episódio do podcast do Cine Set, Pâmela Eurídice, Giovanna Rebouças e Rebeca Almeida debatem “O Diabo Veste Prada 2” e analisam os caminhos escolhidos pela continuação de um dos filmes mais icônicos dos anos 2000. A conversa passa pela comparação com o longa original, as discussões sobre jornalismo e moda no contexto atual, além dos principais acertos e problemas da sequência.

O programa também destaca as atuações do elenco, as mudanças na dinâmica entre os personagens e o impacto cultural da franquia quase duas décadas depois do primeiro filme.

Participa do episódio a jornalista, professora e pesquisadora Paula Jacob, com passagem pelas revistas Harper’s Bazaar, Casa Vogue, Glamour, Vogue Brasil e Claudia. Ela desenvolve pesquisas sobre cinema e literatura pelo viés da psicanálise e da semiótica.

Edição de João Bosco Soares.

Participantes neste episódio4
G

Giovanna Rebouças

Co-hostEstudante de jornalismo
P

Pâmela Eurídice

Co-host
R

Rebeca Almeida

Co-host
P

Paula Jacob

ConvidadoCrítica e pesquisadora
Assuntos5
  • O Diabo Veste Prada 2Expectativa do público para a sequência · Comparação com o filme original · Atuações do elenco · Dinâmica entre os personagens · Impacto cultural da franquia
  • Mudanças no jornalismoTransformação do mercado editorial · Impacto da inteligência artificial no jornalismo · Mercado de influência e redes sociais · Descentralização da informação · Jornalismo de moda vs. jornalismo sério
  • Desenvolvimento de PersonagensDesenvolvimento de Andy Sachs · Evolução de Miranda Priestly · Papel de Emily Charlton · Relações amorosas dos personagens · Nigel como guia de Andy
  • O papel da comunicação e do jornalismo na sociedadeRixa entre impresso e digital · Importância do site e redes sociais · Métricas e audiência no jornalismo
  • Paula Jacob e seu trabalhoPesquisa sobre cinema e literatura · Curso 'O Olhar Feminino no Cinema' · Conteúdo para redes sociais
Transcrição166 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Olá, seja bem-vindo a mais um podcast do Cine7. Ao meu lado, Pamela Euridzi. Vocês sabem que tenho sempre a Giovanna Rebouças e a Rebeca Almeida. Hoje nós vamos falar sobre um filme que a sua história está voltando ao cinema depois de 20 anos.

Uma de... o quê?

Nós vamos falar sobre o Diabo Vestrada 2 e para essa conversa nós convidamos a Paula Jacobi para estar conosco. Vou pedir para ela se apresentar. Paula, seja bem-vinda ao nosso podcast. A gente está muito feliz de te receber. Fala um pouco para a nossa galera, os nossos ouvintes, onde eles podem te encontrar, falar um pouquinho mais sobre você. Claro, obrigada. Eu estou super feliz de estar aqui para falar desse filme, que eu tenho um carinho imenso desde 20 anos atrás. É um dos filmes que eu mais revejo.

virou aquele sessão filme conforto, então tenho muitas coisas para a gente conversar aqui. Mas me apresentando, eu sou Paula Jacob, eu sou crítica, professora e pesquisadora de cinema. Eu trabalhei muitos anos em redações de revistas femininas, mais de 10 anos, e hoje em dia eu sou crítica freelancer e faço outros projetos, escrevo roteiro, enfim, faço curadoria cultural.

E também produzo conteúdo para as redes sociais. Vocês me encontram em qualquer rede social. YouTube, TikTok, Instagram. Com arroba PJYCOB. PJCOB, que é o meu apelido. E eu falo bastante. Pensando na minha pesquisa acadêmica. Desde a especialização. E agora no mestrado. Finalizando.

A estética dos filmes me interessa bastante. Então, figurino, maquiagem, montagem, som, trilha sonora, direção de fotografia, enfim, são a minha pira, assim, né, acadêmica. E as minhas aulas também, meus cursos são voltados para isso.

Eu, inclusive, estou com um curso que é um pedacinho do meu projeto de mestrado, virou esse curso, que a gente vai fazer uma trajetória durante dois meses para falar sobre o olhar feminino no cinema. Então, vamos ver obras dirigidas por mulheres de diferentes países, diferentes décadas, para a gente pensar também a história do cinema a partir da perspectiva feminina. Onde que a gente pode encontrar teu curso, Paula?

Tem no meu Instagram, tem um link na bio com todas as informações, mas ele começa em junho e vai até o final de julho. São oito encontros e tem todas as informações lá, mas enfim, as aulas podem ser vistas de maneira gravada, porque vai ser ao vivo via Zoom, mas elas podem ser vistas gravadas também depois, para quem não conseguir, tem gente que mora fora do país e faz os meus cursos, então consegue assistir.

a gravação depois, por conta de fuso horário. Mas a gente também consegue encontrar na plataforma do Simpla mesmo, se você pesquisar lá, chama Female Gaze, o cinema feito por mulheres. Então a gente vai aproveitar e vai deixar o link para o curso da Paula.

na descrição aqui do nosso podcast, para você conferir. E aí vocês já perceberam que a Paula tem tudo a ver com o tema do nosso podcast, para a gente falar um pouco mais sobre esse universo da runway, que nós retornamos agora para ver uma Miranda Priesley que já está no processo quase, se fosse no Brasil, ela estaria no processo de aposentadoria.

Mas nós estamos falando do mercado dos Estados Unidos. Então a Miranda continua trabalhando. Ela não é Ana Paula, Renault, mas ela está em busca da sua aposentadoria. Mas nesse meio do caminho acontece um escândalo e ela precisa contar com a volta da Andy para o ambiente da Runaway, para juntas tentarem salvar a revista. Esse é um pouco do que a sinopse conta pra gente, do que se trata o Diabo Veste Prada.

E aí eu queria perguntar de vocês, meninas. 20 anos se passaram, o público parece estar mais maduro, mas também há aqueles que nasceram nesse período de 20 anos e se apaixonaram pelo filme. Eu queria que vocês comentassem um pouco como que vocês perceberam a expectativa do público para o Diabo Veste Prada 2.

A gente pode começar pela Giovanna. Ai, gente, é o seguinte. Eu não... Eu admito que eu não tava muito ansiosa. É um filme que eu adoro. Eu sou apaixonada pelo Diabo Veste Prada. Porque ele se encaixa ali pra mim num daqueles filmes que eram filmes que eu ali na minha adolescência colocava antes de dormir, assim.

Ele é o primeiro filme que eu lembro de ter a sensação de me sentir empoderada. Porque o começo dele, assim, eu lembro, eu pequena assim, né, adolescente. E eu assistia ele e ele me gerava esse sentimento de empoderamento com aquelas mulheres andando em Nova York, se arrumando pra ir para o trabalho. Inclusive, eu culpo ele um pouco pela minha primeira graduação, que é administração.

Mas eu não estava tão ansiosa por esse segundo filme, porque eu tinha receio do que a gente ia encontrar aqui nesse filme, exatamente por ser 20 anos depois. Eu não tinha esperanças, honestamente. Eu achava bom que trouxeram o mesmo elenco, o mesmo diretor, uma roteirista. Então acho que tinham pontos positivos, mas eu não estava botando muito fé.

Eu acho que o público também demorou a confiar um pouco também nesse filme. Pelo menos foi a percepção que eu tive. Foi que realmente eu sinto que esquentou ali o público, faltando umas duas semanas. E olhe lá pra estreia, que foi quando começou-se a ter pré-estreias, a movimentar, red carpet e tudo isso. E aí eu sinto que as pessoas foram brilhando os olhos, sabe?

E eu acho que a recepção do público tá sendo bem boa. E tá me impressionando isso. Apesar de eu ter gostado do filme. Já adianta. E pra ti, Paula, como foi? Já falei que é um dos filmes que eu mais revi na vida. Eu sei todas as falas. Eu sei todas as cenas. Eu sei ele do avesso. Se eu quiser ver o filme ao contrário, eu sei como ele é.

E pra mim, eu também não tava esperando, na verdade, eu nem sentia uma necessidade de ter uma segunda, né, de ter uma sequência desse filme, acho que é um filme que ele é perfeito, redondo, ele resolve nele mesmo, a primeira parte, primeira versão. Mas, ok, né, a gente gosta da Mary Streep, da Anne Hathaway e do elenco todo.

E eu fiquei curiosa, na verdade, para ver como eles iam retratar o mercado editorial. Porque o primeiro filme, para mim, ele é muito coeso com o tightgeist ali dos anos 2000, né? Na metade dos anos 2000. Como eram as revistas de moda, como era a nossa vida pré-iPhone, como era, tipo, trabalhar nesse mercado, que era um mercado super fechado. Ninguém sabia o que acontecia, sabe? Não.

Hoje em dia, TikTok, a gente não consegue nem lembrar, nem quem não viveu essa época, desassociar um pouco e tentar entender o que é ter visto esse filme naquela época, quando as revistas eram o espaço que ditavam as regras, ditavam a moda, ditavam as tendências, traziam, de fato, a cada 15 dias, a cada um mês, aquele blocão de texto para a gente ver. Eu que assinava muita revista em casa, minha casa sempre foi uma casa que consumia muito jornalismo.

E quando eu fiquei adolescente, eu troquei capricho e recreio por Revista L. Então eu lia muito revistas de moda e consumia esse conteúdo. E pra mim era tudo um mistério, né? Como se tornar jornalista de moda, como trabalhar nesse mercado. Porque não tinha, a gente não sabia. Conhecia os jornalistas, sabia quem elas eram, né? De ler tantas as matérias e saber o rosto dessas pessoas. Mas eu não tinha acesso a esse lugar. E aí quando saiu o filme...

o primeiro filme, foi um assim, um negócio de, olha, dar uma espiadinha como é trabalhar na revista Runway, que no fim das contas é um paralelo com a revista Vogue americana que é a maior revista de moda que a gente tem até hoje. E aí, isso trouxe pra mim uma memória muito afetiva de entender, eu sempre gostei de trabalhar com...

comunicação, de entender que talvez fosse aquilo que eu quisesse fazer da minha vida, trabalhar em revista, ser jornalista. Tanto que virei jornalista. Mas... E o filme foi um dos filmes que me inspirou a seguir carreira nesse lugar. E eu acho que ele era muito bem colado com o tempo. Então, quando...

avisaram que ia ter essa sequência, eu falei nossa, será que eles vão conseguir fazer isso também, né? O que eles vão falar do momento atual? Será que eles vão romantizar a profissão do jornalista no tempo de hoje? Por mais que a gente esteja falando de uma comédia romântica e que tem espaço pra romantização e tá tudo certo, eu acho que isso me preocupava mais. E no fim das contas, foi o que mais me... foi o que eu mais gostei do filme foi justamente como eles foram muito precisos com o que tá acontecendo no mercado editorial, né?

A questão da Andy ter saído de uma revista que era o tipo de jornalismo que ela acreditava quando ela saiu da Runway lá em 2006, que é um jornalismo humanitário, que é um jornalismo que está fazendo grandes reportagens, reportagens aprofundadas, textos grandes, reportagens especiais que demandam viagem, demandam atenção, demandam tempo para ser apuradas, escritas e por aí vai. E que esse jornal fecha logo no começo do filme, não é um grande spoiler, ele fecha logo no começo do filme, todos os jornalistas são demitidos.

E aí ela faz um discurso, porque ela está ganhando um prêmio, de que o jornalismo sim importa. E aí ao longo do filme a gente vai vendo várias questões acontecendo sobre o quanto que o jornalismo está desatualizado com o mercado de inteligência artificial, a questão das influenciadoras, o mercado de influência, o quanto que as marcas... Então no primeiro filme a gente vê muito uma inversão de poder. Então no primeiro filme a Miranda e a Runway eram...

o que mandavam, entre muitas aspas, nas marcas, e as marcas precisavam muito desses veículos para aparecer, para colocar ali o estilista, a roupa, etc. E hoje em dia não, hoje em dia as próprias marcas têm perfis nas redes sociais, elas têm relação com pessoas famosas, atrizes, atores, influenciadores, e que essa comunicação ficou muito mais descentralizada. E aí o jornalismo perdeu um pouco de poder, junto com N outras questões.

E aí você tem essa descentralização da informação e as marcas souberam navegar isso muito bem. Quem não soube navegar isso muito bem foi o jornalismo, né? A empresa jornalística, enfim, os jornalistas mais velhos e tal. Então eu acho que essa questão do filme, ela tá muito bem retratada. Eu acho que a reunião que elas vão fazer na Dior, tipo, aquilo ali é o que acontece, né? Então isso eu achei muito interessante. Mas eu acho que tem algumas outras coisas que me incomodaram muito no filme que eu vou deixar pra gente...

conversando daqui a pouco. E pra ti, Rebeca, como que foi a expectativa? Como tu percebeste essa expectativa do público? Cara, eu acho interessante porque toda vez que a gente debate sobre reboot, remake, continuação de histórias que já são muito conhecidas, é sempre aquela coisa. Isso é realmente necessário? E eu falo muito isso da visão da Disney, né? Que a Disney fez o live action de várias princesas. Só que aqui, em comparação, a gente tá falando de, sei lá, histórias da Branca de Neve que são histórias que todo mundo conhece.

E eu tive um diálogo muito interessante, eu falei, cara, eu vou levar isso pro podcast. Mas semanas antes do filme estrear, alguém falou assim, perto de mim, ah, eu tô ansiosa pra ver se Diabo Vesperada 2. E outra pessoa olhou e falou, sobre o que é esse filme? E aí eu parei e falei, o quê?

Aí eu falei, mas já assistiu o primeiro. Ele falou, não, não assistiu o primeiro. Aí eu, ah, pera, mas quantos anos tu tem? Eu tenho 20 anos. Eu falei, é, quando o filme estava estreando, estava nascendo, então faz sentido. Então isso mudou o meu ponto de vista naquela hora, de pensar, cara, isso é uma forma de trazer aquela narrativa, trazer a importância que o filme abordava para outro público.

apresentar, exibir no cinema essa narrativa, esses personagens porém ao mesmo tempo o público-alvo não é essa galera mais nova o público-alvo é uma galera que já viu o primeiro filme, que já está estabelecida é uma galera um pouco mais antiga e eu acho que

esse ponto de estrear agora é o que traz essa junção, sabe? Ele vai apresentar um filme com uma nova roupagem que assim, é um grande blockbuster, então se alguém tá querendo assistir um filme, uma pessoa mais nova quer assistir o filme no final de semana vai assistir o Jabba Vesperada 2 porém ele vai trazer também todo o público antigo que já assistiu o primeiro filme então assim, eu acho que essa junção ela consegue trazer também a importância do subtexto que eles estão trazendo no filme não sei não

que tinha no primeiro filme, a questão do mercado editorial. E nesse segundo, mesmo as piadas, elas são muito direcionadas para o nosso público. Mas eu acho que elas servem de reflexão para o público mais jovem também, sobre a questão de inteligência artificial, entre outros. Então, assim, no início, eu não tinha muita expectativa. Eu até tive muita recepção de coisas que iriam acontecer no filme.

No Twitter, aconteceu um pouco daquela questão de quando um filme mostra um monte de coisa, um monte de cenas, vai vazando coisas, para que você tenha interesse. Então eu vi muitas cenas do filme que eu nem esperava, porque eu não estava procurando por ele. Então eu deixei assim, digamos que ignorado. Eu falei, não, vou bloquear aqui essas palavras, não vou assistir o trailer, para justamente pegar mais. Eu fui para o cinema muito sem essa visão do que poderia acontecer. Eu sabia que ia ter os personagens de voz e tudo mais.

E eu acho muito bacana a recepção que está tendo, porque o público, que é esse público-alvo, ele está indo para o cinema arrumado, nas sessões de cabine, e nas sessões normais mesmo. Eu vi muita gente de salto, e eu estava de chinelo na minha sessão, porque era final do dia. E a sessão que eu fui, inclusive, ela foi uma sessão um pouco tarde, para os nossos parâmetros, ela foi uma sessão de 10 e 15.

Na quarta-feira, pré-estreia, e tinha muita gente, que é a sessão que termina mais de meia-noite, no meio da semana, muita gente, público muito ativo, tirando muitas fotos e tudo mais. Mas foi muito respeitoso, o público foi muito respeitoso, e até se emocionaram durante o filme. Então, acho que ele conseguiu abordar, ele conseguiu trazer uma história bem completa.

Porém, tem uns pontos aí que dá pra gente depois ressaltar que poderiam ter sido melhor aproveitados, né? Isso que a Rebeca falou é interessante, aproveitando também o que a Paula comentou, porque na minha sessão tinha muitas mães e filhas assistindo filmes juntas e vestidas combinando de alfaiataria, que era o grande merchan da produção pra esse ano, e aí a gente percebe também um pouco dessa expectativa do público.

Mais uma vez eu tentei não viver perigosamente e comprar o meu ingresso antecipado, mas eu não comprei tão antecipado porque eu fui comprar com três semanas de antecedência e já estavam quase todos os ingressos esgotados em Manaus. Então, para a gente ver também que existia realmente um público cativo para essa produção. E aí eu queria que vocês comentassem agora.

como que a narrativa amadureceu. Vocês já começaram a comentar um pouco, tanto a Paula quanto a Rebeca. E como que ela vai se tornar esse reflexo do período que a gente vive? E aí, nisso, a gente pode pensar um pouco sobre o jornalismo. A gente tem uma primeira produção que enfatiza muito a moda, que mostra esse aspecto da...

Vou colocar um jornalismo de moda, mas tem essa ênfase de como que a moda vai ditar. As revistas vão ditar, como a Paula já comentou, como elas vão ditar, como as pessoas vão se vestir. Vai ditar muitas tendências, não só no ramo da vestimenta, mas também do estilo de vida.

Que é isso que a Miranda vende, né? No final das contas, o que a Emily quer lá no primeiro filme é o estilo de vida que a Runaway promove. E aqui a gente já não tem mais isso. E eu queria que vocês comentassem um pouco sobre esse processo de transformação, um amadurecimento, mas também de transformação que a narrativa vai ter nesse segundo filme. Rebeca, a gente pode começar contigo, já que a gente começou com a Giovanna anteriormente.

Eu acho interessante porque, se eu não me engano, nosso próprio editor, o Caio, ele falou na crítica dele que depois de 20 anos, ele pensava que o filme poderia trazer questões muito maiores e tudo mais. Eu vi um pouquinho sobre a crítica dele e fui assistir o filme, né? Eu falei, cara, eu acho que sobre essa questão do que o filme poderia trazer de novo, de falar, eu acho que ele falou até, não digo até demais, mas eu acho que foi muito bem feito.

O filme, Javeste Prada, é um grande filme feito para nós meninas jornalistas, né?

Quem nunca precisou lidar com o trabalho, passar alguns meses com algum chefe, tentando alçar uma outra carreira, uma carreira maior, enfim, mais prestigiosa, eu acho que todo mundo passa por isso em algum momento. Todo mundo tem a sua própria Miranda Priesley. Todo mundo tem a sua Miranda.

No mundo do jornalismo, a gente sabe que isso é muito comum. E eu acho muito bacana, porque é uma narrativa de Nova York, mas aqui, Manaus e Amazonas, eu confesso que já passei por isso, né? Mas, enfim, eu acho que eles conseguem trazer uma coisa muito relevante, uma narrativa muito relevante. O filme já começa com essa quebra de expectativa. A gente vê uma Andy que está fazendo o jornalismo de verdade, como ela diz, que era o jornalismo que ela esperava fazer no primeiro filme.

Então, é uma coisa muito bacana. A gente acompanhou aquela personagem, viu os dramas dela, e agora ela está com uma carreira consolidada.

Só que nem tanto assim, porque quem nunca também passou por um passaralho numa redação sabe como é esse clima. E eu acho que eles usam muito bem a questão da tecnologia para mostrar isso também. Hoje em dia, qualquer mensagem de texto pode ser uma grande notícia no mundo do jornalismo.

Então eu gosto muito dessa adaptação de narrativa Eu acho que eles trouxeram Vários fatos muito importantes Da nossa profissão Do nosso universo de comunicação no geral também E mesmo que, por mais que No avançado do filme isso vá ficando um pouco pra trás Mas esse subtexto Ele tá presente no filme todo Tem uma outra gracinha ali, como eu disse O fato da IA Ou que não vão existir mais modelos Ou designers, nada disso Sendo que a gente sabe que isso tudo é extremamente Necessário, enfim Obrigado

para que aconteça a profissão em si, eu acho que esse subtexto é muito forte, e eu acho muito novável que eles tinham trazido esse tema. Eu acho que é um filme que tem algo a dizer, eu não sei se ele consegue muito bem combinar o roteiro da comédia romântica com isso, eu acho que é muito bom ver os personagens, os personagens bem adaptados novamente, só que eu acho que algumas decisões, nas suas próprias histórias, não fazem jus à importância que eles colocam nesse tema.

Eu acho que pro final, principalmente do filme, ele se perde. Mas, enfim, sobre o tema, a temática em si do jornalismo e o que o filme tem a dizer, eu acho que ele tem bastante coisa a dizer, sim. Giovana, que é a nossa bebê do jornalismo. O que você pensa sobre isso?

Ai, é muito interessante, né? Porque eu ouço vocês falarem, eu fico assim, me dá até um nervoso, sabe? Porque eu, como estudante de jornalismo, né? Tipo assim, não quero ter a minha miranda pra isso, não. Mas eu tô vendo que não tem como fugir, né? E assim, quando essa questão narrativa, né? Eu acho que o primeiro, ele tem muito essa questão do jornalismo sério da Andy.

contra o jornalismo de moda, mas eles fazem isso muito bem, mostrando várias nuances, porque em nenhum momento o jornalismo de moda ali é colocado como um grande vilão, ele é muito valorizado, é colocado a importância que ele tem para ditar tendências e como isso afeta não só quem liga para a moda, como a própria Miranda fala no primeiro filme. Quem está embaixo, nessa pirâmide da moda, também é afetado por todas essas decisões.

E eu acho isso muito legal, porque eles mostram, olha, é uma indústria que tem sim suas falhas, seus pontos negativos, suas questões tóxicas. Mas é uma indústria muito importante. E eu gosto muito disso no primeiro filme. Eu acho que ele trabalha tudo isso muito bem. E aqui nesse segundo filme, eu gosto muito porque eu sinto que é algo que eu que estou estudando jornalismo hoje, é algo que permeia tudo que a gente estuda.

que são essas mudanças que o jornalismo está sofrendo e como nós jornalistas vamos ter que aprender a lidar com esse novo funcionar. Isso é algo muito presente. A aula de ontem, por exemplo, eu tive uma aula ontem que foi muito sobre isso. Então é muito interessante porque esse filme se preocupa com isso, de mostrar como esses problemas atuais estão afetando não só o jornalismo sério da Andy, como também o de moda da Miranda.

E como essas personagens ali, dentro disso, dentro desse cenário, vão lidar com essa atualidade para poder, enfim, se manter ali, manter suas posições, manter o seu lugar e lutar para conquistar tudo o que elas querem. Como a Pamela disse no início, a Miranda, se fosse no Brasil, talvez ela quisesse uma aposentadoria, mas talvez também não, sabe?

E é isso. E elas estão ali buscando esse espaço independente de qual tipo de jornalismo que elas estão fazendo. É muito legal nesse filme você ver elas se unindo em prol de algo e em prol de conquistar um espaço. Tem uma coisa que me incomoda muito na fala da própria Andy é ela falar de jornalismo de verdade. Como se jornalismo de moda não fosse jornalismo de verdade.

E aí eu puxo pra gente, quando as pessoas acham que jornalismo cultural, que crítica de cinema, também não é um jornalismo de verdade. Então me incomoda muito essa colocação do jornalismo de verdade. Isso me lembrou que é algo que o filme eu acho que ele tenta trazer, talvez ele não mostre tanto, e que eu acho bacana, pelo menos, porque passou uma cena bem rápida, de vários cortes. Mas ele mostra a gente tentando fazer um jornalismo significativo dentro da moda.

O que eu acho muito legal. Porque às vezes tem essa máxima. Jornalismo cultural, jornalismo de moda, não sei o que. Mas não significa que não dê pra fazer uma coisa significativa. Uma coisa densa, uma coisa muito bonita. E mostra como ela tenta aliar isso, né? Ela tenta trazer coisas mais significativas pro jornalismo que ela tá fazendo na runway. E eu achei isso muito legal. Enfim, achei que era pra mim nesse momento. Era só isso a neve, veja. E eu acho que é uma palavra melhor empregada, sabia? Você tá fazendo... E aí

um jornalismo significativo do que você tá fazendo um jornalismo de verdade. Porque isso é desvalorizar a nossa área, desvalorizar que aquilo que a gente tá produzindo na redação não é verídico. E é até muito legal quanto ao rumo que o filme toma por causa disso. Porque eu acho que ela parte desse ponto e eu acho que ela mesma, ao longo do filme, vai percebendo que não é bem assim. Tanto que, né, spoiler, porque eu acho que quem for ouvir isso aqui já vai ter falado, mas no final...

ela termina ainda dentro da runway, né? Então, algo ela aprendeu com isso, que ela pode fazer a diferença ali também. E eu acho que não é nenhuma coisa de verdade. Se a gente parar para pensar que todas as matérias dela tinha o texto tradicional lá no site e no aplicativo.

Mas você tinha o corte que ia para as redes sociais. E a maioria das pessoas só via o corte nas redes sociais, que é uma problemática que ela vai enfrentar lá no início do filme, que as pessoas dão like, mas as pessoas não vão para o site ler a matéria. E isso é uma coisa que a maioria das pessoas enfrenta mesmo no jornalismo.

Eu queria acrescentar tudo que vocês estavam falando dessa temática do jornalismo. O lugar do digital, então ali em 2006, o digital era nada. De novo, uma vida pré-iPhone. O iPhone mudou muita coisa na nossa vida, por mais que a gente não tenha a dimensão disso, mas mudou muita coisa.

E ali, eu comecei a trabalhar na redação, quando existia ainda uma rixa entre o impresso e o digital, era muito nítido como o jornalismo impresso era o filé, a parte boa do trabalho. Então, eu comecei como estagiária trabalhando no site de uma revista.

E todo mundo do site queria qualquer vaga que abria na revista, as pessoas se candidatavam para a vaga da revista. Porque o site era menor, menos importante, sabe assim? Era uma coisa vista como um adereço. Tipo, a gente precisa ter um site, né? Porque inventaram esse negócio de www aí, a gente vai precisar fazer alguma coisa. Mas que não era, tipo, claro, a gente levava muito a sério o trabalho do site, a gente já trabalhava com métricas, já entendia várias coisas, mas a própria empresa...

de jornalismo, ela não olhava o site com prioridade. Então o site tinha menos bordero, que a gente chama o orçamento da revista e do site. O site tinha menos orçamento para fazer as pautas. O site tinha menos investimento da empresa, não num sentido só de distribuir o orçamento de cada área e cada editoria, mas também a gente precisa melhorar a arquitetura do site porque a navegação está estranha.

Ah, mas quanto que vai custar? Vai custar tanto. Ah, mas daqui a pouco a gente faz isso, sabe? Tipo, não era uma urgência. Além de não ser uma urgência, tinha essa questão do próprio jornalismo, dos jornalistas, etc., de olhar o impresso com muito mais valor.

de fato tinha mais valor, né, na época. As pessoas assinavam revistas, as pessoas iam à banca comprar revistas, as revistas esgotavam hoje em dia, e esgotavam com uma tiragem muito maior, né, hoje em dia as revistas têm, sei lá, um décimo da tiragem que elas tinham 20 anos atrás, e nem assim vem de tudo, né. Então eu acho que tinha ali uma mística em torno do impresso, e que o jornalismo não soube aproveitar a ascensão do digital, e aí pra mim é onde mora o grande erro do jornalismo.

num sentido mais amplo, que é não ter sacado o que ia acontecer, sabe? De ficar ainda segurando muito a importância de tudo na revista impressa. E a gente vê isso no Diabo Estufuado 2, né? Da reunião de pauta ser uma reunião de pauta voltada para o que eles vão publicar nas redes sociais, o que elas vão fazer com tal vídeo, como que tal pauta da revista vai virar algum conteúdo para o digital, ou, na verdade, qual conteúdo do digital vai se desdobrar na revista, né? Então...

As redes sociais, o site, viraram a chave do pensamento da pauta, né? E eu achei isso muito interessante no filme. Porque eles estão falando da estrutura do jornalismo hoje, né? Eles não estão falando só de moda. Eu acho que a moda, sim, ela passa ali no filme. Mas muito... Acho que... Se a Runway, nesse filme, fosse uma revista de viagens, fosse uma revista de qualquer outra revista...

Eu acho que o filme ainda assim funcionaria. O primeiro filme não. O primeiro filme precisava ser numa revista de moda. Ele não existiria daquele jeito, daquele formato, com tudo que existe ali no filme. Ele não funcionaria se fosse numa outra revista. Eu acho que isso se perde um pouco nesse filme, porque, claro, eles estão olhando o jornalismo macro e, por acaso, a Runway é uma revista de moda. Então, eu acho que isso ficou um pouco ali num escanteio narrativo.

E tem uma outra coisa que eu acho muito legal, como o jornalismo sempre foi visto como um negócio, claro, é uma empresa dentro de uma sociedade capitalista, tem que dar lucro, tem que pensar também como um lugar de negócios, mas no caso do filme, quando existe ali uma rixa entre o Irv e o Jay, o filho dele, o Irv que é o dono da Elias Clark, que é a empresa que publica a Runway,

O filho dele não tem um interesse muito grande, né? Ele é tipo um tech bro, sabe assim? É um cara que ele tá ali, tipo, businessman total. Ele não tem nenhum envolvimento afetivo com a Runway. Era uma coisa mais do pai dele, do avô dele, que fundou a Elias Clark. E ele já é uma geração que, tipo, putz, a gente tá rasgando dinheiro fazendo isso.

Porque no fim das contas o jornalismo não é lucrativo. No presente que a gente vive. Ele já foi. Mas hoje em dia ele não é mais. E ele precisaria ser. Voltar a ser de novo. E eu acho que para ele ser. O filme também mostra isso. Precisa cortar gente. Cortar custo. Então a Miranda perde os motoristas dela. Ela precisa andar de Uber. Ela não anda mais de business class nos voos. Ela vai de econômica como uma pessoa comum. Então tem todo.

Esse glamour que existia 20 anos atrás, ele não existe hoje. O primeiro filme, ele é um filme que ele consegue também traduzir esse glamour, que é trabalhar numa revista de moda nos anos 2000, porque ele existia. É uma coisa que, de fato, acontecia. Mas que, hoje em dia, isso não é mais a realidade, né? A realidade, ela é muito mais voltada para números, tanto de audiência quanto números financeiros.

precisam ter ali um retorno, uma justificativa, tabelas, etc. E que esse segundo filme consegue, na minha visão pelo menos, eu acho que ele consegue trabalhar isso de uma forma bem digna. Paula, eu quero aproveitar uma coisa que tu falaste para já te perguntar. Se tu acreditas que o fato de falar mais sobre jornalismo e menos sobre moda, de certa forma atrapalha um pouco a narrativa, a narrativa perde com isso ou não.

Eu acho que a minha questão é que, pra mim, esse filme não precisaria existir. Eu não senti, como eu já falei, né? Eu não senti que, nossa, se existisse um filme sobre o jornalismo hoje, que não fosse o Diabo Veste Prado, que trabalhasse todas essas questões, ia ser muito legal também. Não tô desmerecendo o Diabo Veste Prado, porque eu gostei.

Mas eu acho que eu gostei mais por uma memória afetiva que eu tenho por conta do primeiro filme e que eu amo os personagens de todo esse universo, porque eu me reconheço em muitas questões. Mas eu acho que é um filme que ele poderia ser qualquer outro, como eu falei, né? Poderia ser uma redação de economia, poderia ser um veículo de, sei lá, de carro.

Enfim, eu não senti muito o trabalho do jornalismo de lifestyle e de moda, como vocês também estavam comentando, que eu acho isso muito interessante. O jornalismo de moda, lifestyle e cultura, sempre foi, mesmo na faculdade, sempre era vista como uma opção menor também, como uma opção...

Ah, você não tá fazendo jornalismo de verdade porque você tá escrevendo crítica de filme. Ah, isso nem é jornalismo que você tá fazendo. Entrevistando atores e atrizes. Porque o jornalismo de verdade seria o jornalismo investigativo, jornalismo econômico, político, humanitário, etc.

E eu acho isso um grande erro, porque no fim das contas, todo jornalismo é um jornalismo que merece respeito e reconhecimento, certo? Então a gente aí já tem uma visão, por exemplo, da Elias Clark, que é uma empresa que publica outras coisas. É que isso não é trabalhado no filme, né? Se eles têm outros veículos dentro da mesma empresa...

Esses veículos que tratariam de outros assuntos, eles teriam muito mais prestígio. Mas aí o que acontece é, com a liderança da Miranda, que emula bastante a Ana Winter, e a Ana Winter foi uma editora que transformou, de fato, a moda numa coisa que merecia e deveria ser tratada com seriedade dentro do jornalismo.

Porque ela fez a Vogue ser a Vogue. A marca Vogue só é a marca Vogue por causa do trabalho da Anna Wintour que ela vem fazendo desde os anos 80. Então, existe um demérito em relação a esse jornalismo de lifestyle, de cultura, de moda, que eu acho que o filme consegue trabalhar de um jeito interessante no primeiro. Nesse segundo, o que eu senti falta foi uma coisa mais...

Não sei explicar, acho que eles ficam focados muito no mercado, que eu acho que é o problema mesmo que a gente vive no jornalismo hoje. Então, dessa coisa de um bilionário que também faz ali um espelhamento com Jeff Bezos e tudo que está acontecendo, inclusive agora.

que eles estão patrocinando o Met Gala, que é da Vogue, o Inter é uma das sócias, não sei o quê. Tem ali, eles estavam nas semanas de moda no final do ano passado, começo desse ano, isso foi um assunto. O Mark Zuckerberg também apareceu em alguns desfiles na semana de moda de Milão no começo desse ano. Então essa coisa da inserção do mercado de tecnologia e do mercado financeiro dentro do jornalismo, das empresas de jornalismo, é um assunto muito atual.

e muito recorrente, mais do que as pessoas podem imaginar que sejam, né? Pessoas que não são do nosso meio e não tem acesso a essas questões. Então, isso eu acho que ele é muito bem feito, mas o que pega pra mim no filme, na verdade, não é nem exatamente em relação ao tema, mas como esse filme ele é 100% uma cópia narrativa do primeiro. Então, se a gente analisar num paralelo, né? Os dois filmes, eles têm a mesma estrutura.

Exatamente igual, de arcos dramáticos, pontos de virada, não sei o que, cenas, frases. E é isso, de novo, como eu sei o filme do começo ao fim, do fim ao começo, de core. Para mim, inclusive, talvez isso tenha até atrapalhado um pouco a experiência. Mas eu acho que a gente acaba...

Tendo muito easter egg à toa, sabe? Eu achei, tipo, a mesma trilha sonora, as mesmas cenas, a mesma montagem, quando elas vão pra Milão, que toca a Vogue da Madonna de novo, e elas ficam trocando de roupa, igual do primeiro filme. Só que no primeiro filme, aquela montagem era incrível. Ninguém tava esperando que aquilo fosse acontecer num filme de comédia romântica, né? É um trabalho estético muito bem feito, que foge a curva.

E que nesse filme eu só achei pedante, tipo, chato, assim. Eu tava esperando um frescor. Então, o tema é muito atual, mas a estrutura do filme me pareceu muito datada, sabe? Não sei se eu me fiz entender, mas foi o que me incomodou muito no filme. Foi esse, não sei, ele pareceu um filme de hoje tentando ser um filme do passado, sabe? E eu achei isso muito ruim.

Giovanna, você acha que, de certa forma, trabalhar mais esses aspectos de comunicação do que a moda prejudica personagens como, por exemplo, a Emily? Ai, não quero falar sobre a Emily. Eu posso falar moda aí?

Assim, eu não acho que prejudica, mas eu acho que faz falta no filme. Eu acho que, olhando assim por isso que a Paula falou, com relação ao fato de que ele se preocupa muito com a indústria, é algo...

Algumas coisas que a gente sente falta, que são problemas que a gente percebe muito na moda hoje e que o filme não chega a querer passar perto disso, por exemplo. Eu acho que essa questão da influência é algo que permeia muito essa parte da moda e a gente nem se aproxima disso, sabe?

A gente tem ali alguns rostos conhecidos aparecendo ali em vários momentos, que inclusive foi uma coisa que às vezes até me incomodava, porque eu sentia que todo filme era um momento de, meu Deus, olha, fulano tá ali, fulano tá ali, fulano tá ali. Mas, por exemplo, ao contrário da Paula, eu sinto que o fato de o filme ter a mesma estrutura do primeiro é o que eu gostei. Do fato de ele parecer, ele de fato, eu concordo com tudo que a Paula disse.

Ele, de fato, é um filme de hoje que parece querer emular coisas do primeiro, mas com ali um tema atual, atualizado e uma nova narrativa. E eu acho que nesse ponto, pra mim, ele funcionaria melhor se talvez ele se preocupasse um pouco mais com a moda e se a história que ele vai acompanhar ali do que elas estão passando fosse mais embasado por problemas relativos à moda.

Porque se não é como a Paula disse. Eu concordo 100%. Fica parecendo um filme que qualquer outro filme poderia ser. E esse era o diferencial. De O Diabo Veste Prada. Eu acho que era trazer a questão da moda. E aqui eu sinto que fica de escanteio. De fato. E foi algo que eu senti muita falta. Nesse sentido. De você ter ali aquela história principal delas. De ser algo que a moda fosse essencial.

Sabe? Que fosse algo que fosse essencialmente sobre algo da indústria da moda. Que o problema delas e que elas tivessem que resolver fosse dentro disso. E não um problema genérico que poderia ser aplicado a qualquer outra área, basicamente. Não sei se me fiz entender, mas é isso. Rebeca, fale pra nós sobre Emily. Então.

o que eu acho é que o filme deixou essa questão da moda toda pra parte visual então ele basicamente é o toque de glamour é o requinte, é a lesgag milão é o desfile de moda e assim, é legal a gente ter essa estética novamente tem looks maravilhosos tem cenas que são até fisicamente engraçadas que o look causa estranhamento e tudo mais então acho que é bacana mas eu sinto que faltou uma grande problemática

E eu acho que o filme, o roteiro ainda cria algumas partes que dão margem para isso, mas ele não aproveita. Tem alguns dois conflitos que poderiam ser conflitos envolvendo moda, enfim, envolvendo questões para além da comunicação. E o filme deixa passar, por exemplo, aquela hora que ela mancha o vestido. Tu pensa, nossa, isso aqui vai resultar em alguma coisa. Mas não, era só para ela encontrar com a Miranda e tudo mais. Outra questão para mim que fica um pouco falha é a questão do livro.

Eu não gosto muito da resolução do filme, porque eu acho que, não é nem por ser uma resolução muito fantasiosa, mas eu acho que ele poderia ter sido feito a partir do livro, a partir da própria Miranda, a partir dessa independência dela como grande boss que ela é e tudo mais, talvez com o livro sendo escrito, mostrando a importância dela, as pessoas falassem não, não pode acabar a Runaway, não pode acabar a Miranda.

fosse uma coisa assim, ou até mesmo usasse a internet, talvez alguma coisa que vazasse sobre o livro, sobre a Miranda, fosse a grande salvação, sabe? Eu esperava alguma coisa que fosse mais redondinha nesse aspecto. E não que fosse, digamos, um gancho deixado lá no início, que reaproveitaram lá para o final, só para fechar o filme e tudo mais.

Então eu senti muito falta disso. E a Emily, pra mim, foi muito prejudicada. Porque, assim, eu sinto que o filme também... Eu não me... Não me incomoda tanto o filme parecer muito com o primeiro. Apesar de que algumas cenas são saturadas, né? Por exemplo, no final, a gente entende que ela tá com o mesmo... A mesma cor que ela tava no início do primeiro filme. Legal, sabe? Essa questão visual é bacana. Mas quando entra a trilha sonora, eu falei, poxa, achei meio forçado, sabe? Eu acho que...

É como se o filme não fosse ter tanta personalidade assim e dependesse muito do primeiro. E tudo bem, eu entendo. Eu acho... Isso aí não é um grande problema pra mim. Mas pra mim é um grande problema os personagens ainda estarem muito ancorados no primeiro filme. Sabe? A Andy, ela já cresceu, amadureceu. Quero saber o que tem de novo pra ela. E pra mim, ela ganha muito mais importância, assim, muito mais carisma, quando ela tá junto com o Nigel.

Eu gosto dessa dupla entre eles dois, mas quando é só a Andy, eu fico meio assim, eu não tô comprando muito a narrativa dela, a questão do romance dela também eu acho meio qualquer coisa. E a Emily, por outro lado, eu acho que ela tinha até mais a entregar. Eu queria muito que o plot da Emily fosse algo mais denso, sabe? Eu queria que ela tivesse trazido aquela questão pra Miranda, tipo, olha, a Miranda é uma personagem que o público aprendeu a gostar, que ela cresceu muito com o público, e nesse segundo filme ela traz muito desse carisma.

dessa questão de que ela ama trabalhar e dos sacrifícios que ela fez pra estar onde ela tá. Mas eu queria que a Emily fosse aquele ponto que mostrasse olha, você, todo o tratamento que você fez com as pessoas, a forma que você tratava as pessoas, de ser uma chefe ruim, é algo que vai te impactar no futuro, sabe? É a volta do anzol. Você não vai ter tudo sempre perfeitinho porque é a chefa e ninguém nunca vai te desafiar. Vai chegar num ponto que outra pessoa vai poder sim não vai ter tudo. É verdade. É verdade.

te mostrar. E eu acho que a Emily, como a pessoa que tinha sofrido tanto no passado, era essa chave. Eu queria muito que tivesse sido uma cena que explodisse até mais. Até a presença da Andy ali, me incomoda um pouco dela estar boba ali com o que está acontecendo, sabe? Porque eu...

Eu queria que a Emily fosse até o fim nessa carga dramática. Eu queria esse enfrentamento da Miranda com a pessoa que ela é. Eu gosto muito até de como eles brincam com a nova personalidade da Miranda, dela não poder falar certas palavras. Porque isso acontece com, enfim, chefes e pessoas mais velhas também. Que às vezes a gente fala, olha, não se fala mais isso. Esse tipo de palavras a gente não cita mais. Porque o filho lá, o cara que fica sendo... O BJ Novak.

é, que ele fica guys, people guys, people, sim, guys, people sim, entendeu? Então eu acho assim eles mostram essa adaptação da personagem mas eu queria que ela confrontasse esse passado dela, sabe? Eu queria que tivesse essa grande parte, que a Emily falasse olha, você foi uma filha da mãe, você sempre foi uma filha da mãe

E é por isso que eu tô fazendo isso agora, porque eu lembro muito bem o que eu passei pra chegar até aqui. Então, são essas pequenas questões que eu não gosto. E isso resulta um pouco no final do filme. O final, eu sinto que eles estão no mesmo local. Eu queria o Nigel lá em cima, sabe? Eu queria que ele evoluísse muito mais. Eu queria que a Indy também tomasse uma decisão, não sei, mais empoderada, mais independente. Enfim, são algumas questões que eu acho que o filme acaba se perdendo um pouco.

E a moda ficou também por esse caminho, muito mais ali naquela parte luxuosa de Milão, mas...

Ficou muito restrito a isso, né? Sim. Eu sinto que a Paula quer falar sobre a Emily. Quer falar sobre a Andy, na verdade, gente. Eu amo a Andy do primeiro filme e eu não gostei dela nesse filme. Eu achei a interpretação da Anne Hathaway muito caricata. Eu acho que não condiz com uma pessoa que passou 20 anos escrevendo reportagens investigativas e trabalhando com política e direitos humanos.

Eu acho ela muito sonsa. Tipo, parece que ela não amadureceu absolutamente nada. E eu acho que o jeito que a Anne Hathaway atua no filme, pra mim, parece que ela tem 20 anos e não 40, sabe? Tipo, parece que ela não saiu ali do ambiente do primeiro filme e mudou e passou e evoluiu e tal. E aí, eu não sei por que o diretor desse filme, o criador, os roteiristas...

odeiam a vida amorosa dela. Por que ela não podia estar com um homem melhor, gente? Um homem bonito. Um homem bonito. Quem que era esse ator? Nada contra. Mas assim, da onde tiraram isso? Acabou o orçamento do filme. Gastaram todo o dinheiro do filme com o cachê dos quatro principais. E aí eles pegaram atores...

muito desconhecidos pra fazer o resto do filme. Mas eu acho que algum cancelado aceitaria. Acho que algum ato cancelado aceitaria fazer Gente, mas assim, eu achei tipo assim, faltou química, faltou tipo assim faltou muita coisa nesse relacionamento eu acho que a vida pessoal deles que era muito bem trabalhada no primeiro filme principalmente da Andy, porque ela é protagonista

E da Miranda também. A da Miranda eu gostei que ela tá com um cara, que ela conseguiu enfim, casar de novo, não sei o que. Isso eu achei muito legal. Mas a da Andy eu achei, tipo, é melhor não ter, sabe, do que fazer desse jeito. Quando apareceu aquele cara, eu falei ela não vai namorar com esse cara.

Aí ela namorou e eu falei, não, não é possível. As pessoas odeiam ela, não é possível. Elas não estão enxergando a beleza da Anne Hathaway, sabe? Gente, ela merece melhor do que esse boy também, meia boca. E que, assim, nem só porque eu não acho ele bonito, mas porque eu acho que ele não tem, tipo assim, não acrescenta ela, não sabe? Ficou uma coisa meio boba ali, um penduricalho completamente descartável, sabe? Se a gente tira toda a parte que ele aparece e tal, não muda em absolutamente nada a história.

Então eu achei muito esquisito esse núcleo. E a Emily, eu amo ela no primeiro filme. E eu achei que ela perdeu completamente o brilho dela. E essa coisa meio vilanesca que ela tinha no primeiro filme. De ter essa rixa com a Andy e tal. Que eles tentaram de alguma forma retornar. Sendo ela a piar da marca. De uma das marcas que é a maior anunciante da Runway.

Mas eu achei que ela não... Eu achei ela boba também, sabe? Achei o relacionamento dela com o bilionário de tecnologia meio esquisito. Eu não vejo ela como se ela fosse a esposa do Jeff Bezos, sabe? Eu achei ruim que eles colocaram ela nesse lugar de ser uma patricinha frívola. Porque, no fim das contas, tudo que ela faz no primeiro filme meio que é jogado fora porque ela faz a Andy prestar atenção na moda com a moda como um lugar de...

como se diz, de conteúdo, com um lugar que, tipo, que você tem mais a dizer, que a moda tem que ser levada a sério, que a arte tem que ser levada a sério, que o que os estilistas fazem também é a arte. E ela ser transformada só na namoradinha de um bilionário que virou uma mimada e ganha joias, me parece muito distante do que ela era, sabe? Como se ela tratasse tudo isso só como produto, quando na verdade não, né? Então...

Enfim, eu achei isso muito triste, porque eu gosto muito da personagem da Emily no primeiro. Mas eu tenho a sensação, antes de passar para a Giovanna, eu tenho a sensação de que a gente está preso num coming age para 40 a mais. Quando a gente assistiu The Drama, nós temos um episódio aqui sobre The Drama, vamos lá conferir.

A gente percebe que é um romance para pessoas 30 a mais. Para os 30 a mais saberem que eles podem ser amados e etc. E casarem. E aqui parece que a gente está vendo um caminhade para quem é 40 a mais. Porque eu vejo que a gente tem todos os elementos para isso. A gente tem o Nigel que continua sendo o guia da jovem Andy. E eu sinto muito porque o personagem do Staley Touch merecia muito mais.

Ele merecia, quando a gente tem aquela cena final que a Miranda consegue enxergá-lo, parece que por 20 anos ela nunca enxergou aquele cara do lado dela, que ainda tem isso. É preciso alguém direcionar o holofote dela pra ele. E aí o Nigel tem um espaço, mas é um espaço que a gente não vê e é um espaço que não se confirma. Ele acaba novamente sendo só o guia da Andy, que aí a gente vai descobrir que a Andy está lá por conta dele.

Um elemento que a gente vê nos caminhedos. Ou uma outra coisa é esse encontro com esse novo amor. Não quero falar sobre ele. Poderia ter chamado, sabe? Eu ia falar um nome, mas eu ia ser cancelada. Então, eu não vou falar isso.

Eu posso falar depois por mensagem pra vocês quem é. Esse nome que eu pensei que aceitaria fazer por uma coca e um biscoito. Eu tenho certeza que eu aceitaria. E aí a gente tem também uma Andy que tá presa. Ela tá presa porque ela é insegura. Cadê aquela mulher que passou 20 anos na estrada, como a Paula bem colocou? Ela é insegura, ela precisa de aprovação. Gata, por que você precisa da aprovação da Miranda? E age como se fosse uma adolescente perto da Miranda.

É uma coisa que me incomoda muito. E aí eu aproveito pra falar aquilo que vocês comentaram anteriormente, que a repetição de trilha pra mim, ela ficou muito um filme de lifetime. Sabe quando você assiste aqueles filmes de Natal, que o lifetime passa a maratona do Natal, e você vê sempre a repetição das mesmas histórias, mesmas narrativas.

Mesmo as músicas, sempre que tocava, a Angel aparecia e tocava aquele fundo musical, eu pensava em algum filme do Lifetime. E eu acho que falta uma coragem de arriscar. Falta uma coragem de mostrar aonde está a Miranda, o que a Miranda se tornou, o que a Miranda realmente é. E todos os outros personagens. Caramba, no início do filme, as pessoas usam máscara da Miranda na rua.

A gente vê adolescentes usando máscara da Miranda para ver o grande desfile da Runaway. E depois a gente não tem mais essa interação com o público. Nem para mostrar o público fazendo mais memes sobre a Miranda, como a gente tem lá no início. É como se toda essa narrativa tivesse sido jogada. E para além disso, tem uma coisa que me chama a atenção também.

É os companheiros. Eu pensei, eu tava olhando as minhas anotações antes da nossa gravação, e pra mim, na primeira metade do filme, a gente tem muito mais ênfase na melhor amiga negra dela. Que no outro filme, ela meio que vê ela pegando aquele cara, eu esqueci o nome do ator, eu sei que ele é o protagonista do mentalista.

E no primeiro filme tem todo um romance entre eles e essa amiga que vê esse romance e meio que fofoca pro namorado da Andy naquela época. E agora, essa amiga encontra um... Eu acreditava que ela teria um papel maior, mas na verdade ela só tá ali pra fazer a ponte com o affair da Andy. Que eu não quero falar sobre ele também. Mas por outro lado...

A Miranda, ela consegue encontrar finalmente um homem que a entenda. E é um homem que é o marido troféu. Isso aí foi muito engraçado pra mim. No quarteto foi demais. Sim! Foi tipo, a Miranda é a mulher poderosa. E ela tem o direito de ter o seu marido troféu. Então, achei isso muito interessante. Quero que vocês comentassem, Giovanna, Rebeca, sobre Andy. O que vocês acharam dessa construção de personagens?

Gente, voltando a esses personagens, eu sinto, eu tenho essa mesma sensação de vocês, que a gente tá partindo dos personagens num mesmo ponto. E da Andy, eu acho que é o que mais me incomoda de todos eles.

Porque, assim, por mais que eu não ligue. Ah, você quer fazer uma personagem mais patetinha e tudo mais. Tudo bem, é uma escolha. Mas eu sinto que é o que mais me incomoda. De todos eles. É com certeza o dela. Porque eu concordo totalmente. Foi a Rebeca que disse, né? Quando ela tá com o Nigel, funciona muito. Essa é a dinâmica deles dois. Mas quando é só ela, a gente nem tem tempo só com ela, né? Eu acho que vale dizer. Porque eles se preocupam tanto em trabalhar esse romance.

fracassado dela, que a gente poderia ter mais tempo conhecendo essa personagem. E eu acho que a gente não ia perder nada se eles cortassem esse romance e a gente pudesse passar mais tempo conhecendo a Andy. Porque eu sinto que a gente... Acontece isso com a Miranda, por exemplo. A gente vê ali momentos mais íntimos dela, dela com o marido dela.

E que eu sinto que são momentos legais e que dão uma outra perspectiva pra gente. Por mais que não acrescentem muita coisa, são momentos legais que você tem de acompanhar. Agora, os da Andy, com esse novo gato dela, são momentos totalmente descartáveis. Que eu não vejo sentido de eles existirem e que poderiam ter utilizado desse tempo pra gente tentar entender.

mais, sabe, por que que a Andy continua essa mesma pessoa, talvez. Talvez tenha uma explicação pra isso, mas eu não sei porque o filme não chega lá. O da Emily, ai, eu acho um tópico sensível esse da Emily, porque eu também fiquei muito, ai gente, eu fiquei muito triste com a personagem da Emily. Porque eu acho que quando começa ali que você vê ela como o RP ali da Dior e tudo mais, tu fica pensando poxa, ela conseguiu, sabe?

Porque a Emily, no primeiro filme, era uma funcionária extremamente capacitada, sabe? Ela tinha conhecimento sobre o mundo da moda, sobre como funcionava, ela era competente. Ela tinha ali seus distúrbios alimentares? Ela tinha. Mas, sabe, 20 anos se passaram e ver ali ela naquela situação em que ela negocia com a Miranda e que ela que tem a palavra final, é um primeiro momento muito legal. Mas tudo que se constrói pra ela depois disso...

vai diminuindo a personagem, assim, sabe? Porque eu acho que é isso. Quando colocam ela ali do lado do bilionário, do Jacinta Rue, ela passa a ser outra personagem. Eu sinto que não condiz com o que a gente esperaria ver da Emily. E eu não digo nem só com relação à Emily do primeiro, mas a própria Emily do primeiro contato que a gente tem ali com ela na Dior.

E aí eu acho triste, assim, eu acho devastador. E eu acho que se era pra colocar ela nessa posição, poderiam ter dado uma carga dramática, como a Rebeca disse, maior, entendeu? Mais vilanesca, mais vingativa, sabe? Porque...

Porque ela tinha rancor pra isso, sabe? E é muito triste. Eu acho que... Eu não sei. Eu tenho a leve impressão de que... Porque eu fui descobrir, depois de assistir esse segundo filme, que existe um segundo livro também, né? Eu não sabia que tinha um segundo livro. Apesar de que depois, pesquisando, eu já tinha até visto a capa dele de promoção lá pelas lojas americanas.

E aí eu não sei se eles quiseram fazer alguma espécie de, tipo assim, pegar coisas dessa segunda continuação. Então, por exemplo, na continuação do livro, a Emily e a Andy são amigas. Então, nesse filme, eles trazem um pouco disso, delas serem amigas.

Talvez até essa questão do livro, né? Porque o primeiro Diabo Veste Prada é essa questão de realmente ser inspirado, de ter essas inspirações muito diretas. Mas eu sei que eles se perderam, assim, nessa questão da Emily em específico, é o que mais me doeu. Porque eu acho que ela é uma personagem sensacional. Eu acho que ela é uma das minhas coisas favoritas no primeiro filme. E nesse segundo filme, você vai vendo a personagem se perder, assim, aos poucos, sabe? Morte dolorosa aqui pra Emily.

Cara, sobre os interesses românticos, eu entendi que o filme queria colocar os cônjuges, os namorados, os interesses românticos como uma espécie de consolação, como o ponto seguro sentimental. Porque o marido da Miranda é isso pra ela, né? Ele é a parte sentimental, a parte de, digamos, enfim, tá dando algum consolo pra ela para além do trabalho. Eu falei, ah, eles vão estar sendo essa parte de consolo pra elas, tudo bem. E assim, eu juro.

Eu juro que eu falei exatamente o que a Paula falou. Só que eu falei, eu não vou levar isso para o podcast, que eu não quero reduzir o ator à aparência dele. Mas, já que a gente citou, eu falei, cara, o que me chateia nesse ator é porque a gente, cara, o público é feminino, a gente quer um ator bonitão na tela, cara. A gente quer um ator bonito.

E eu falei, eu sei que não deve ter tanto orçamento pra ele, mas eu falei assim, ah, eu acho que esse A&T ser um cara mais velho, com certeza algum desses atores que estão em Hollywood, tem um que faz até Sonic agora, que já está assim mais, enfim, já não é mais tão estrela, eu falei, algum deles topava, pelo salário, eu sei que algum deles topava. Porque eu falei, tem o Hugh Jackman, por que não colocaram o Hugh Jackman? Pelo menos ele é conhecido, assim, é uma estrela. Eu realmente fiquei com muita coisa contra o ator.

Não queria trazer isso pra cá, mas, enfim Falei, tô leve E além disso, além de, enfim De ele não ser, não embelezar nossos olhos Tem essa questão que ele é absolutamente inútil Sabe? Eu sinto que era pra ele ser Esse ponto de conforto da Andy De, enfim, até porque ela chora com ele e tudo mais E eu acho que é legal ter essa relação romântica Que mostra que elas não são Só negócios e tudo mais, só que

fica muito inútil. O da Miranda não, a gente tem mais participação dele, do marido da Miranda e tudo mais, só que da Andy não vai pra frente. E eu acho que isso prejudica também a construção dela, porque ela fica entre o trabalho e um romance que não engaja muito, não tem... não um romance que a gente torce, por exemplo.

E mesmo que fosse até um romance negativo, como tem no primeiro filme, que eu acho que isso é uma coisa que marca muito as pessoas. Naquela época a gente tinha uma narrativa muito grande de que no final a protagonista se dava bem porque ela terminava um relacionamento bom para ela, um relacionamento amoroso. E o Diálogo Espírito de Cada 1 a gente não tem isso, né? A realização dela é profissional, é pessoal, para além do romance.

E eu acho que talvez isso fosse até repetido no segundo. Eu tava aberta a isso também. Mas mesmo isso eu acho que seria melhor. Do que o romance assim. Zero personalidade que ela acaba desenvolvendo nesse filme. Era isso que eu queria falar. Gente é muito engraçado. Só ainda complementando esse lance do romance. Porque a personagem da Lucy Liu. Diz que tá com um cara que é desconhecido né. E que por isso é interessante. Ela tá com um cara desconhecido. E eu juro pra vocês que eu tava esperando o Nate aparecer.

Ah, ia ser muito legal. Nossa, ia ser muito legal.

Bem, nós já estamos nos encaminhando para o final da nossa conversa sobre o Diabo Veste Prada 2. E eu queria saber com vocês se fizessem uma continuação o Diabo Veste Prada 3. Vocês embarcariam nessa história? O que ela teria que ter para nos acrescentar? Giovanna. Ai, gente, eu acho que melhor não fazer, né?

Eu acho melhor não fazer, como eu disse, eu gostei bastante desse filme. Eu sinto que muitos dos incômodos que incomodaram todas vocês não me incomodaram tanto assim, sabe? Apesar de que eu acho que esse filme tem, sim, seus defeitos ali. Eu acho que principalmente a história, como ela vai andando do meio pro final, é extremamente, enfim, sou contra.

Mas eu acho que um terceiro filme, se ele fosse ser feito, eu gostaria que tivesse aquilo que faltou nesse. Que foi a questão de abordar realmente a moda. Que fosse uma história que estivesse muito entrelaçada com a moda. Que não fosse uma história genérica pra qualquer área. Eu acho que eles tinham que fazer isso. Porque senão eu não vejo sentido também de continuar a história dessas personagens. Porque eu acho que aqui a gente já encerra num bom ponto de que...

Elas estão ali conquistando o seu lugar. Estão sobrevivendo. Mesmo em meio às mazelas do jornalismo atual. E é isso, sabe? Eu acho que elas terminam numa boa situação. De que você pode encerrar isso pra sempre. E ninguém vai questionar. Mas se fossem fazer um próximo. Eu gostaria que tivesse mais. Algo de moda. Influência. Mora colocar aí uma modelo.

conhecidinha pra fazer parte do elenco principal, até pra quebrar talvez essa estrutura de se apoiar tanto nesses quatro personagens que são os nossos, tudo bem eu amo esses personagens, mas eu acho que talvez uma nova pessoa ou uma nova equação ali seria muito vantajoso pra o Diabo Veste Prado

Beijo e Simone Ashley, que não conseguiu fazer parte dessa faculdade. Rebeca. Cara, eu não sei se um terceiro filme, eu não sei como é que eles vão explorar esse universo, mas eu acho que poderia sair alguma coisa interessante, sabe? Eu acho que tem temáticas envolvendo o mundo da moda, comunicação. Eles conseguiram trazer algo novo para esse filme, que eu acho bem louvável.

E eu acho que ainda tem assuntos que dá para eles abordarem. Talvez uma coisa assim, se fosse envolver a Miranda, uma coisa meio Evan e Hugo, e os seus ex-maridos, que tem uma história assim, de uma pessoa que foi muito importante, influente, não sei, uma entrevista, a questão do livro, ou mesmo acompanhar qual é o processo dentro da runway para se tornar estagiário, como as coisas mudaram.

Eu não sei, eu acho que talvez precisaria de uns 5 a 10 anos aí pra pensar a amadurecer bem esse projeto, colocar até mudanças que a gente vai ter daqui pra frente também na comunicação e no mundo da moda mas eu acho que, cara, eu compraria acho que seria bacana. Eu não sei se o protagonismo continuaria com a Angie eu acho que a gente já viu

suficiente sobre a personagem. Acho que ela já mostrou tudo que poderia, tanto em roteiro, quanto em atuação. Mas outros personagens, eu acho que seria bacana, assim, pra explorar o universo. E a Miranda, eu gostaria de ver novamente a Miranda. Eu acho que ainda dá rende bastante pra Mel e o Steve pra gente. E aí, Paula, você voltaria para Runway?

Eu acho que não precisava, o segundo não precisava, o terceiro menos ainda. Mas eu acho que ele só funcionaria como filme se a gente conseguisse entrar um pouco nessa... Que também é um problema que a gente vive hoje, nesse lugar do mercado não entender a diferença do influenciador e do jornalista, sabe? Então, dessa falta de prestígio que o jornalismo perdeu nos últimos anos, né? Do prestígio que o jornalismo perdeu nos últimos anos.

está atrelado também com a ascensão do mercado de influenciadores, enfim. Tem muitos influenciadores que vão entrevistar atores, atrizes, vão ser convidados para vários eventos, etc. E a imprensa, nos últimos anos, é deixada completamente de lado. E eu acho, eu sempre falei isso, eu acho que existe espaço para as duas coisas conviverem muito bem, porque são trabalhos muito diferentes.

Só que eu acho que as marcas, as empresas, enfim, dependendo da área de atuação, na moda, na cultura, na beleza, enfim, qualquer editoria que seja, eu acho que esse lugar não está sendo bem trabalhado, assim, sabe? Eu acho que virou uma coisa, quase uma rixa entre o jornalista e o influenciador, que na verdade nem deveria existir, né? E quem faz essa rixa acontecer são justamente as marcas e as empresas, né? Não...

os jornalistas versus os influenciadores, né? E que eu acho que isso seria um tema interessante, talvez, de tratar, interessante de tratar como uma revista, como a Runway, trabalha com influenciadores ou deixa de trabalhar com influenciadores, não sei, alguma coisa assim. Ou, de repente, uma agência de moda que, enfim, tem ali a questão com os influenciadores. Ou como a Emily, na Coach, né? Que ela começa na Dior e ela termina na Coach.

como ela também vai trabalhar ali dentro do PR, sabe? Isso seria interessante de mostrar, né? Um outro lado da comunicação que não foi mostrado nesse filme também. Então, o que ela faz? Qual é o real trabalho dela? Como que são as tensões do trabalho dela? Eu acho que isso seria super interessante, porque hoje em dia as pessoas... Eu dou aula para...

muitos jovens, né, e muitos jovens que estão cursando jornalismo, e eu não tenho nenhuma não tenho nenhuma romantização da nossa profissão no tempo que a gente vive ela porque eu acho que você ser PR, você trabalhar com assessoria de imprensa, enfim, são caminhos que precisam ser considerados com é...

a noção do mercado, né? Tem muito mais vaga nesses lugares do que nas revistas, nos jornais, enfim, nos veículos de imprensa tradicional, com salários muito melhores, inclusive. Então, por que não mostrar esse lado, né? Já que o jornalismo está num certo declínio, eu também esperava em algum lugar que talvez o segundo filme fosse dar muito mais ênfase, por exemplo, pra Emily, que está trabalhando

na Dior, e como funciona esse trabalho dela, e todas as questões que ela passa ali, do que o que foi ali, uma coisa meio no meio do caminho, enfim, que não fala nem de moda, nem de... A gente já elaborou bastante esse assunto. Mas eu só assistiria o terceiro filme se ele fosse uma extensão desse segundo, num sentido de trazer uma outra parte que esse filme não trouxe.

Só que para isso acontecer, ele teria que sair tipo ano que vem, sabe? Não teria que esperar mais 20 anos para ele acontecer, porque aí realmente não tem nem como. Então, mas é isso.

Bem, quero agradecer, Paula, por ter topado estar com a gente aqui. Nosso podcast sempre vai estar de portas abertas para você. Muito obrigada. Só falar um pouquinho novamente onde as pessoas podem te encontrar. Claro, as pessoas podem me encontrar em qualquer rede social com arroba PJCob, P-J-Y-C-O-B. Mas se procurar Paula Jacob, vocês encontram também, tranquilamente.

E lembrando que eu estou com o curso de O Olhar Feminino no Cinema. Quem quiser se inscrever também tem ali no meu Instagram. No link da bio tem todas as informações para quem se interessar. Eu falo bastante de moda também nos meus outros cursos. Enfim, O Diabo Veste Prado, inclusive, é um dos filmes que eu trabalho no meu outro curso que eu faço de história do cinema a partir da construção visual. Então, acho que tem bastante assunto aí que me interessa.

Bem, queridos, esse foi o nosso podcast sobre o Diabo Veste Prada 2. E nós aguardamos você no nosso próximo episódio. Até lá, um abraço.

'O Diabo Veste Prada 2': uma sequência à altura do original | Podcast Cine Set #190 | Castnews Index — Castnews Index