Episódios de Carol Daher | Mulher na Bolsa

Maria Fernanda Carpinter: trocou o Brasil pelo Canadá e não se arrepende

20 de julho de 202632min
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https://msha.ke/mulhernabolsaCarioca de alma, canadense por escolha.

Neste episódio do podcast, recebo a Maria Fernanda Carpinter para falar sobre um tema que atravessa a vida de muitas mulheres: construir um caminho fora do roteiro esperado.Formada em Marketing no Brasil, Maria Fernanda hoje vive no Canadá, onde segue seus estudos em Customer Service e Management Hospitality. Nesta conversa, ela compartilha como foi a decisão de morar fora, os desafios da adaptação cultural, os medos que enfrentou, a reinvenção de carreira em outro país e sua conexão com a XOXO Education.Um papo sincero sobre coragem, identidade e o que significa recomeçar longe de casa, carregando o Brasil no coração e construindo uma nova realidade lá fora.📌 Neste episódio você vai ouvir sobre:✔️ A decisão de sair do Brasil e morar no Canadá✔️ Os desafios da adaptação cultural e do idioma✔️ Carreira, reinvenção profissional e estudos no exterior✔️ A conexão com a XOXO Education✔️ Conselhos para quem sonha em estudar ou morar fora🔔 Se inscreva no canal e ative o sininho para não perder os próximos episódios sobre mulheres que constroem suas próprias histórias fora do roteiro.👉 Saiba mais sobre a XOXO Education: https://www.xoxoeducation.com/#VidaNoExterior #MorarNoCanada #MulheresInspiradoras #Podcast #CarolDaher

Participantes neste episódio2
C

Carol Daher

Host
M

Maria Fernanda Carpinter

Convidado
Assuntos6
  • Lidando com a Dor e o TraumaMorte de Mãe Bernadete · Processo de luto · Terapia e espiritualidade · Retorno de Lucas Paquetá ao Brasil
  • AutoconhecimentoMorar sozinha · Lidar com a solidão · Força emocional
  • Importância da educaçãoAprendizado de inglês · Programas Sociais · Conexões e propósito
  • Experiencia no CanadaAdaptação cultural · Desafios do idioma · Oportunidades no exterior · Intercâmbio no Canadá
  • Oportunidade de carreira internacionalMarketing no Brasil · Customer Service e Management Hospitality no Canadá · Largar tudo no Brasil
  • Mudança de perspectivaAdaptação ao frio · Mudança de personalidade · Cultura canadense vs. brasileira
Transcrição49 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
CDCarol Daher

Você daria um conselho prático assim para quem sonha em morar fora?

MFMaria Fernanda Carpinter

Eu acho que o conselho prático que eu daria é de fato movimenta, faz o movimento de ir morar fora, não pensa, só faz. Porque eu sei que quando a gente pensa muito, a gente chega ao ponto de desistir.

CDCarol Daher

Ai, que alegria, mais um episódio aqui no canal Carol Odair Podcast nessa nossa nova versão. Eu tô muito feliz de receber essa pessoa incrível aqui para contar um pouquinho das histórias, né, que ela tem. E eu amo isso, né, mulheres que saíram fora. Saíram fora, ótimo, já começa assim, saíram fora. Mulheres que saíram do roteiro. E a gente vai conversar sobre isso com a Maria Fernanda Carpenter. Vem para cá, Mafê!

MFMaria Fernanda Carpinter

Olá, seja bem-vinda! Muito obrigada, é um prazer estar aqui.

CDCarol Daher

Muito feliz, muito feliz da gente conseguido conciliar, né, as nossas agendas. E você tá aqui com a gente hoje, é muito legal. E eu tenho o privilégio, né, de ter você no meu círculo de amigos, porque a gente se conheceu através do trabalho, né, trabalhamos juntas. Mas aí a gente consegue, né, unir essas coisas. Eu acho muito gostoso quando a gente une o trabalho com a possibilidade de você fazer amizades e contar com pessoas ao seu lado, né.

É a história da rede de apoio que a gente fala, né. Mas é real. E Mafê, muito obrigada por você estar aqui. Eu, gente, assim, durante o episódio eu vou chamar ela de Má, de Mafê, né? Mas assim, para vocês, conhecendo ela agora, conhecendo a história dela, tá bom? E eu queria saber quem é Maria Fernanda.

MFMaria Fernanda Carpinter

Eu sou uma mulher muito sonhadora, determinada, E que muitas vezes, e assim, muito coração, sabe? O sentimento sempre fala mais alto que a razão. E que às vezes eu sei que isso é um problema, é uma questão, mas eu também sei que é uma qualidade olhando por um lado. Então eu acho que eu diria isso. E acho que eu diria também forte, porque acho que as coisas que eu passei até hoje me tornaram forte.

CDCarol Daher

Eu concordo. Gênero, número igual. Porque assim, eu penso o seguinte: uma mulher que tem coragem de resumir a vida dela numa mala de 23 kg e atravessar oceanos, se colocar na situação de imigrante num outro país em que a parte menos difícil e menos complicada é o idioma, né? Porque quem tá fora acha que, nossa, meu Deus, você tem que falar inglês. Cara, isso é a coisa mais tranquila, digamos assim, na vida de quem faz essa mudança de roteiro.

E eu queria saber de você, Emma, porque assim, existia— você é formada em marketing, você é carioca— existia um roteiro que você imaginava assim para sua vida, e de repente algo aconteceu que você resolveu sair desse roteiro. Conta um pouquinho aí como é que foi.

MFMaria Fernanda Carpinter

Eu hoje tô no Canadá, em Vancouver. Então eu já vim para cá 8 anos atrás, eu tenho família aqui, Eu tenho um tio e uma tia e a minha prima, eles moram aqui há 15 anos já, eles são cidadãos, a minha tia é canadense. Então eu já tinha vindo pra cá passar 6 meses há 8 anos atrás, onde eu estudei e me apaixonei por estar aqui. Acho que pelo mundo de oportunidades, pela segurança e por tudo que a gente sabe que morar fora do país tem esses privilégios, né, morar fora do Brasil.

Então eu já tinha gostado, mas eu acabei voltando pro Brasil, a minha mãe tinha descoberto um câncer, então eu fiquei no Brasil. Por muito tempo por conta disso. E aí, conforme as coisas foram acontecendo, eu queria estar perto da minha mãe, mas ao mesmo tempo eu não podia abandonar a minha vida e deixar isso de lado. E o meu pai, ele falou assim, cara, eu tenho dinheiro, eu tenho tudo, você não quer estudar, morar fora? Eu já tinha o meu tio aqui, então já era uma facilidade que eu tinha casa, eu tinha família, então veio o apoio emocional, eu ia até ali.

Ele é irmão da minha mãe, então Ninguém mais do que ele gostaria de fazer isso por mim e queria. E o meu pai falou assim, se você tiver disposta agora, eu tô disposto, vamos correr atrás e vamos fazer. E eu sei que em menos de 6 meses eu fiz todo o processo de visto, de ver onde eu ia estudar, de arrumar uma empresa para poder vir e tudo. E assim, eu larguei tudo no Brasil e vim para cá. De fato, eu tinha trabalho, eu trabalhava, eu tinha completado minha faculdade, eu trabalhava na minha área de marketing numa empresa de engenharia.

A minha mãe, que já tava numa situação, né, de lutar assim contra o câncer. Eu também tinha um relacionamento e eu terminei para poder vir, porque eu não queria abandonar o que era de fato o meu sonho e o que eu tinha vindo fazer aqui de fato, de expectativa. E eu tô aqui hoje há 2 anos e meio.

CDCarol Daher

Uau! Nossa, que história, né? E quando a gente fala disso, dá aquele sentimento assim no coração, porque em muitos momentos eu acredito que também tenha acontecido com você, a gente duvida. A gente coloca tudo, será, a história do será. Será que eu tô fazendo a coisa certa? Será que eu tô tomando a decisão certa? Será que eu não deveria esperar mais um pouco, né? Então assim, a gente fica naquele limbo e ao mesmo tempo tem uma vontade assim dentro da gente que fala, vai, só vai, não interessa o que que vai acontecer, que você vai deixar para trás. Aconteceu isso com você também?

MFMaria Fernanda Carpinter

Eu tava falando disso essa manhã inclusive com um amigo e eu tava falando exatamente isso, que eu amo o Brasil. Eu sou apaixonada pelo Brasil, sou apaixonada pelo Rio, pelo estilo de vida. Mas quando eu morava lá, eu sentia que lá não era o meu lugar. Eu não sei se aqui ainda é o lugar que eu quero passar o restante da minha vida, mas eu não sentia que lá era o meu lugar. Então hoje eu sei que aqui, no momento que eu tô, eu já investi dinheiro e tudo, então aqui é por onde eu vou ficar ainda por um período extenso de tempo.

E até porque pra tudo acontecer leva tempo, faz parte do processo. Mas eu também não sei se eu quero ficar aqui. E hoje falo com toda certeza que se eu tivesse que arrumar mais uma mala e ir pra outro lugar, não seria mais um problema. Talvez agora teriam que ser duas malas, mas tudo bem.

CDCarol Daher

É que a gente vai adicionando umas coisinhas.

MFMaria Fernanda Carpinter

É que a gente não sabe como a gente quer tomar isso. Mas assim, eu muitas vezes me coloquei na posição de achar que eu não era capaz de morar sozinha, que eu não dava conta de estar sozinha, de dar conta de trabalho, de estudar. De ter vida social e de fazer tudo, que no final das contas você vê que você tem mais, você dá conta até além, muito mais do que você imaginava que você daria.

CDCarol Daher

É, eu ia falar sobre isso, né, e saber de você assim, o que que mais te chocou no seu autoconhecimento que você falou assim, cara, nem eu sabia que eu era capaz de fazer isso, sabe? Assim, teve algum momento desafiador assim que você passou e falou assim Não, nem acredito que eu fiz isso sozinha num país diferente.

MFMaria Fernanda Carpinter

É, eu acho que eu vir para cá não foi esse choque, mas eu acho que estar aqui, e de início eu morei com meus tios e tudo, eu morei com pessoas, e aí agora hoje de fato eu moro sozinha. Então acho que o momento que mais me chocou do meu autoconhecimento foi agora. Eu acabei de mudar para minha casa nova, eu tô há 10 dias aqui. Então assim, o momento, obrigada, foi o meu momento assim, acho que de maior choque, de Olhar hoje e ver que eu consigo dar conta de tudo financeiramente, eu consigo dar conta de tudo emocionalmente e eu consigo dar conta de todas as tarefas de fato, sabe?

Eu hoje estudo, eu faço uma faculdade, eu trabalho, eu dou conta da casa, eu faço tudo. E por muito tempo eu achei que eu não ia conseguir dar conta disso tudo. Que eu não conseguia dar conta emocionalmente, eu acho mesmo. Que o emocional aqui fora eu acho que é o que mais pega, né? De talões da família, de talões de amigos. E às vezes quando as coisas apertam você Que ele é só um colo. E às vezes, claro, a gente faz amizades aqui, a gente tem pessoas que se tornam família aqui, mas não é a mesma coisa do sentimento de voltar para casa.

Então eu acho que o emocional é o mais difícil. E há pouco tempo antes de eu fazer essa mudança, eu achei que eu não dava conta e eu pensei em voltar. Eu falei, eu vou desistir de tudo e vou voltar.

CDCarol Daher

E essa era a minha próxima pergunta. Teve esse momento assim de pensar em desistir e voltar?

MFMaria Fernanda Carpinter

Já, já teve. E por incrível que pareça, não foi quando a minha mãe faleceu, não foi nesse momento que eu senti vontade, mas foi quando eu me desafiei agora a mudar e a viver de fato sozinha, a fazer as coisas caminharem. E aí, por um momento, emocionalmente, eu falei, não dá, não dou conta, eu não vou conseguir, não dá. E eu liguei para o meu pai desesperada, chorando, e falei assim, eu não quero mais, eu não consigo dar conta, eu não quero.

E aí meu pai falou para mim, ele falou assim, se você não quer, tudo bem, se você quiser voltar, eu tô aqui, mas eu acho que você consegue, eu acho que eu lutaria mais um pouco. E aí eu decidi. Eu acho que quando a gente bota a cabeça no lugar, né, o emocional volta a gente consegue. E aí eu decidi ficar e de fato tô conseguindo, e muito melhor do que eu esperava.

CDCarol Daher

Eu acho assim, eu fiquei emocionada aqui com essa fala porque assim aconteceu isso comigo também em algum momento da minha vida, e a gente não tá preparado para se despedir de pessoas. Só que essa sua fala ela mexe comigo de uma forma, porque assim, não, eu não tive vontade de desistir e voltar quando a minha mãe morreu. Eu acho que talvez Porque enfim, é uma dor muito grande, mas ao mesmo tempo, em algum momento, em alguma fase do luto, a gente aceita que essa é uma verdade inevitável na nossa vida.

A gente vai morrer e a gente vai perder pessoas ao longo do nosso caminho. Só que o que a gente faz com a nossa vida depois dessa dor, né? Eu acho que esse é o grande, o ponto de inflexão. Que quando a gente passa por esse processo, você tem que se redescobrir, né?

MFMaria Fernanda Carpinter

Não, é exatamente isso. Eu acho que assim, um ponto principal nisso tudo é que quem tá aqui é o irmão da minha mãe, e ele é o melhor amigo da minha mãe. Ele sempre foi, ele deu todo o suporte e apoio que ela precisou. E quantas vezes eu não vi a minha mãe falando, se acontecer alguma coisa comigo, tipo, cuida das minhas filhas. Então eu sabia que eu tava vindo para o lugar certo. E a minha mãe muitas vezes falou para mim Não desiste porque eu tô assim.

É sua vida, tipo, ela quando for embora ela não vai parar, ela precisa seguir. Então eu foquei muito nisso. E o meu pai é uma pessoa que ele é muito ligado à religião. E quando a minha mãe faleceu, ele falou, quando uma pessoa falece, ela tá mais viva do que nunca dentro da gente, só depende da gente. E isso é uma coisa que todas as vezes que eu me pego às vezes triste, chateada por isso, eu lembro disso e me dá força, sabe, para continuar.

CDCarol Daher

Nossa, é forte, porque assim, você além de estar morando fora sem uma total rede de apoio, você tinha, né, sua família aí, um pedaço da sua família, mas você não tinha total rede de apoio, não tinha seus amigos. É como você falou, a questão emocional pesa muito, e você estar morando fora e passando pelo processo do luto assim. Mafê, conta para mim assim, você teve que fazer terapia? Você ainda faz terapia? Teve algum acompanhamento assim médico ou psicológico que você achou que era importante naquele momento, ou você buscou outra ajuda, outro tipo de ajuda assim espiritual, enfim, de meditação, de alguma coisa assim que te ajudou nesse processo?

MFMaria Fernanda Carpinter

É assim, sendo bem sincera, logo quando a minha mãe faleceu eu não procurei nada de imediato, até por conta de estar morando fora e eu não ter ido ao Brasil quando ela faleceu. Então eu acredito que esse processo de luto eu vivi há pouco tempo agora atrás. Porque eu acho que, assim... Eu muitas vezes sinto que eu só não estou falando com a minha mãe por eu não ter voltado para o Brasil ainda, eu não ter ido. Então eu acho que eu vou talvez sentir isso um pouco mais quando eu voltar ao Brasil pra visitar.

Porque eu não tô voltando pra mesma casa, eu não vou encontrar minha mãe, eu não vou voltar pro que eu chamava de casa no Brasil. Então eu acho que esse pode ser... Não sei como vai ser, só vou saber quando acontecer. Mas eu faço terapia, sim. E uma coisa que me ajudou muito foi sim procurar o lado espiritual e de fato confiar. Porque todo mundo fala, né, que quando você confia, você precisa de fato descansar, de parar de usar suas mãos, né, a sua força pra poder fazer as coisas.

E é de fato você parar e descansar completamente. Então, o meu pai, por ser uma pessoa muito ligada, ele sempre incentivou muito esse meu lado. Meu pai é espírita, mas ele sempre fala: Vai pra onde você se sente feliz, independente se é uma igreja católica, se é uma igreja evangélica, se você vai pra um centro espírita, se você vai pra um centro budista. Procura aonde você se sente bem, mas fica próximo de Deus. Porque eu acho que quando a gente confia e traz essa força, você começa a ver que as coisas caminham sozinha.

E é muito doido ver isso, mas assim, também o lado da terapia. Eu faço terapia uma vez por semana, de uma hora. E a minha terapeuta, eu falo que ela mudou a minha vida. Eu fiz muitos processos de... Despedida da minha mãe, muitos processos pra passar de fato pelo luto. E agora que eu acho que eu consegui encerrar isso, que não é mais uma dor. Então ela me ensinou também de várias maneiras a, quando eu senti falta da minha mãe, como eu me reconectar com esse lado de querer um colo.

E eu não ter isso fisicamente, mas eu ter isso de outras maneiras. Então acho que essas coisas fizeram muita diferença no meu processo, no meu caminhar. Ano que vem eu planejo ir ao Brasil, então aí eu vou saber de fato como vai ser esse sentimento de voltar para casa. Mas eu acredito que agora vai ser mais tranquilo, porque já tem 2 anos, então já vai ter mais tempo, eu já vou estar também com essa informação digerida de uma maneira melhor.

E eu acho que muitas vezes acaba que as pessoas me relembram muito isso, porque eu sei que é uma maneira de carinho e afeto, mas muitas vezes elas tentam preencher esse vazio que eu não tenho mais. E que eu sei que é uma maneira assim que eu agradeço muito, porque eu sei que sem rede de apoio não é possível, sem pessoas não é possível. Mas que ao mesmo tempo também me relembra e às vezes me traz para esse lugar da saudade, da dor.

CDCarol Daher

É, eu acho que você vai voltar uma outra Maria Fernanda, totalmente madura, né, totalmente diferente de quando você saiu de lá, e ao mesmo tempo sabendo ressignificar a sua dor. Eu acho que essa é a parte mais difícil do processo. Eu passei pelo processo do luto do meu irmão e eu acho assim que a gente sempre compara, né? Muitas pessoas ficavam em mim empurrando, dizendo assim, já tá bom, já deu, ele já morreu já tem algum tempo, né?

Tipo, supera, né? Quando é que você vai parar com isso? E etc. Essas cobranças externas, elas só atrapalham esse processo, porque cada pessoa é única. E cada pessoa tem a sua fase de viver o luto, né? Ele tem fases. E quando a gente consegue ressignificar a dor e transformar aquilo que te machucava em algo que vai te trazer lembranças, lembranças doces, e trazer isso para sua vida de uma forma positiva, né? A importância que aquela pessoa tem e vai continuar tendo na sua vida, o que vocês viveram juntos, né, etc., os sonhos, etc., tudo que você que aquela pessoa representa na sua vida, se você consegue transformar isso e viver a sua própria vida, os seus sonhos, e honrando aquela história, eu acho que a gente consegue de fato ressignificar.

E olhando para você e sabendo de tudo que aconteceu, eu acredito que você fez isso de uma forma incrível, porque você fala muito em pessoas, em conexão, histórias, e você leva isso por onde você passa. Então, o fato de trabalharmos juntas e termos projetos juntas, que eu conhecer você como profissional, eu sei que você é totalmente uma profissional que coloca toda a sua alma, todo o seu coração naquele projeto que você vai estar fazendo.

E aí, quando você coloca na balança a sua história de vida, a história com a sua mãe, o processo da doença, o processo do luto, tudo que aconteceu, eu consigo ver assim que você conseguiu ressignificar essa dor. Porque muita gente se torna assim. Eu por muito tempo eu fiquei muito amarga, eu não conseguia mais usar nenhuma roupa colorida, sabe? Eu fiquei muito introspectiva. Eu não sei se você teve esse processo também de não conseguir nem sorrir para uma foto, algo do tipo, porque parecia que o meu mundo tava totalmente sem cor mesmo.

E é claro que isso foi um processo, foi uma fase, e depois passou, mas ressignificar a dor e conseguir transformar isso a ponto de outras pessoas virem essa luz em você, como eu vejo, né? E outras pessoas que trabalham, a Valentina, por exemplo, né, que tá na nossa equipe aqui, tá na equipe de lá, ela é apaixonada por você. Então assim, todas as pessoas que se conectam com você de alguma forma sentem isso, né? Então eu acho que isso, tudo que você viveu, aparece totalmente na sua rotina, em quem você é, se transformou na pessoa que você é hoje.

E eu acho que, cara, isso é muito maluco, né? Da dor você transforma isso em algo muito positivo, e foi o que você fez. E agora nessa nova fase, lidando com uma casa, né, vida adulta, vida adulta, bandeira de propaganda. Sozinha, né? Então assim, cara, que massa! Assim, eu fico muito feliz. E você teria algum conselho, Má, para quem tá pensando em colocar, resumir a vida numa mala de 23 kg e se mudar para fora do país, assim, do país em que a gente nasceu, né? Você daria um conselho prático assim para quem sonha em morar fora?

MFMaria Fernanda Carpinter

Eu acho que o conselho prático que eu daria é, de fato, movimenta, faz o movimento de ir morar fora, não pensa. Só faz, porque eu sei que quando a gente pensa muito, a gente chega ao ponto de desistir. Mas quando você já começa, veio a ideia e você já age para colocar essa ideia em prática, de ver o visto, ter um passaporte, colocar o visto no passaporte, comprar passagem, começar a arrumar mala, eu acho que esse é um processo de fato prático que ajuda muito de não pensar muito e eu falo para todas Todas as pessoas que eu conheço, eu falo que eu hoje, se eu tivesse oportunidade em qualquer lugar do mundo, não importa o país que fosse, eu iria.

Porque eu acho que— eu vi até essa semana numa rede social uma menina falando que toda vez que você vai numa viagem, você nunca volta a mesma pessoa. É onde você gasta um dinheiro, que é onde você mais gasta dinheiro, mas é onde você mais volta com bagagem, sabe, dali. Então, que eu acredito muito nisso. Exatamente, eu acredito muito nisso. Eu falo que o melhor investimento que uma pessoa pode fazer é ir, vai morar fora, vai passar um tempo, viajar o tempo que você puder viajar, porque você nunca volta igual.

E as experiências que você vive, as pessoas que você conhece, de conhecer outras culturas e de ver que de fato existe um mundo muito além. Eu era uma pessoa que eu acreditava que o meu mundo era o Rio de Janeiro, e hoje eu sei que o mundo vai muito além dali. É um lugar que eu amo, é meu lugar favorito, porém o mundo vai muito além dali.

CDCarol Daher

É total. E assim, a gente, a nossa cabeça, quando a gente sai do lugar onde a gente nasceu e foi criado e tá acostumada com aquela cultura, quando a gente expande, é a história do processo de ver, não tem como mais desver, né? A mesma coisa do paladar, quando você adapta o seu paladar com café gostoso e você entende daquele processo, né, do café, do aroma e etc., não tem como mais o seu paladar retroceder. Porque daí quando você vai tomar um café que não seja tão bom, aquilo vai te acusar.

Então é a mesma coisa, é como se você tivesse que sempre expandir, porque não tem como voltar mais para aquele lugar de onde você saiu. Você só vai expandindo, não é isso?

MFMaria Fernanda Carpinter

E às vezes a sua nova versão, né, essa expansão que você faz combina muito mais com você neste momento do que o que você era. Eu falo por mim mesma, eu sou uma pessoa que, por ser carioca, eu amo praia, e eu ia pra praia todos os dias e jogava futevôlei. E hoje eu moro num lugar que é frio, que existe sol 3 meses no ano, e o restante do ano inteiro, 9 meses do ano, é tempo feio, frio e chuva. E que hoje eu falo que o período do verão é o meu momento favorito do ano, Porém ele é o momento que mais me incomoda.

O calor hoje é uma coisa que me incomoda. Fazer 30 graus hoje, ele me incomoda muito, muito mesmo.

CDCarol Daher

E a gente tava acostumada com 45.

MFMaria Fernanda Carpinter

Exatamente. E foi uma coisa que eu nunca reclamei, eu nunca reclamei. E eu tô num lugar que assim, Vancouver é um lugar que existe praia, existe lago, existe cachoeira. A vida com a natureza é bem parecida com a vida no Rio. E eu falo que hoje o calor me incomoda muito. 15 graus para mim é excelente, de 10 a 15 graus é excelente, é uma temperatura confortável. 22 já é quente, quente. Eu falo para as minhas amigas que eu vou para praia com 16 graus e todo mundo tá indignado que eu vou para praia com 16 graus.

Qual o problema disso, gente? Tá tudo bem, temperatura ótima. Mas isso que você falou é muito verdade, e até culturalmente eu era, eu sempre fui uma pessoa assim, né? Nós somos brasileiros, nós somos muito calorosos, a gente tem essa energia, a gente tem isso muito próximo, e aqui as pessoas são bem frias. Para você fazer conexões e ter amigos é algo que é bem difícil. E que hoje eu já não vejo mais isso como um problema. Inclusive, eu já até comecei a me acostumar com isso.

E aí, quando chega uma pessoa que às vezes é tipo muito expansiva, tem certos momentos que me incomoda, porque ultrapassa ali um limite do que eu já tô meio que acostumada, sabe?

CDCarol Daher

Não que eu não gosto de pessoas simpáticas, A minha nova versão não é tão expansiva assim, ela é mais comedida.

MFMaria Fernanda Carpinter

Pois é, e eu falo para as minhas amigas direto que a Maria Fernanda que vocês conheceram, ela está enterrada em um caixão. Agora é uma nova versão, vocês precisam, como diz a minha psicóloga, você tem que fazer update das versões das pessoas. Então, por favor, antes de me encontrar, façam um update para a gente estar na mesma página, porque senão não vai dar.

CDCarol Daher

E aproveitando esse gancho, Má, que você falou da questão da sua vida, da sua rotina de praia e etc. no Rio de Janeiro, Como que se tornou assim para você, por exemplo, ter uma rotina? Porque é diferente, né? A gente, você praticava esporte na praia, sei lá, talvez corria, alguma coisa assim. Como que foi isso agora? Como que você mantém uma rotina de esportes ou de academia ou de manutenção mesmo do físico? Como que é isso agora?

MFMaria Fernanda Carpinter

Eu comecei treinando numa academia e eu não gosto de academia de jeito nenhum. Então eu ia com uma amiga e aí ela me incentivava muito porque era um momento fofoca. Então eu tava ali pelo treino, mas não diretamente pelo treino, tava pela fofoca. Exatamente. Então assim, eu tava, eu sempre ia. E essa minha amiga voltou para o Brasil. E aí quando ela voltou para o Brasil, eu fiquei meio que perdida, sem direção, que eu não conseguia encontrar algo, não conseguia manter a constância na academia.

Eu tentei começar a treinar em casa, mas o clima é uma coisa que é difícil você olhar todo dia para um dia nublado e conseguir levantar para treinar. É uma coisa que é difícil no frio também. E aí eu comecei no verão, todo verão eu fazia futevôlei, porque no verão tem futevôlei aqui. E aí eu comecei a fazer futevôlei todo verão. E aí acabou que esse verão o professor de futevôlei teve bebê, e aí não vai ter escolinha de futevôlei esse verão.

E aí eu falei assim, gente, eu preciso arrumar alguma coisa. E uma amiga do trabalho, ela é super fitness, ela é super ligada a esse lado de fazer exercício e tudo. E aí ela virou a minha vizinha, ela mora perto aqui de casa. Então agora todos os dias eu treino com ela, porque agora eu sei que eu marquei com ela, conspirou, ela mora agora do meu lado. Então todos os dias eu treino com ela, e aí ela me dá o incentivo quando eu não quero ir.

Eu sei que eu combinei com alguém, que ela tá ali me esperando, então eu me sinto na obrigação de ir. E aí quando eu chego lá, eu não quero pegar um peso mais pesado, ela fala assim, pega, porque eu vou pegar. Se você aumentar o seu, eu aumento o meu. Então a gente vai nessa de uma tá incentivando a outra, mas mais uma vez eu estou lá pela pelo momento da resenha, não diretamente pelo treino. Mas que agora é engraçado, eu tô começando a pegar gosto.

Então eu treino de segunda a sexta, e agora sábado e domingo eu fico às vezes, poxa, eu acho que eu podia arranjar uma coisa para fazer, tipo andar de bike um dia num parque, vou correr, vou fazer um treino em casa, não sei. Mas eu já tô começando a me movimentar para final de semana também começar já a praticar meu esporte.

CDCarol Daher

Por favor. Por favor, decida pela bike, porque assim é um caminho sem volta. Eu sou apaixonada, então sou até suspeita para falar, mas que bom que você achou essa amiga. Agora não tem como, cara, você tem um compromisso.

MFMaria Fernanda Carpinter

Amigas, não se mudem de perto de mim, senão eu paro de treinar.

CDCarol Daher

Cada um tem que encontrar sua motivação, entendeu? Maria Fernanda encontrou na fofoca a motivação que ela precisa.

MFMaria Fernanda Carpinter

Exatamente, faz parte, tá tudo bem.

CDCarol Daher

Maia, a gente se encontrou, né? Teve essa— eu tive a grata surpresa de encontrar você no projeto da Axios Education, né? E foi quando a gente começou a trabalhar juntas. E eu queria saber de você o que que esse projeto representa para você e qual foi, como que aconteceu essa conexão sua com a Axios Education. E eu vou aproveitar e colocar aqui o site, tá, gente, enquanto a Maia responde. Essa daí, pra vocês conhecerem um pouquinho mais.

MFMaria Fernanda Carpinter

A Carol, que é a CEO e fundadora da Axios, ela é minha melhor amiga de infância, a gente estudou juntas. Então assim, eu acho que além do que o projeto impacta na vida das pessoas, né, não só de quem faz parte do projeto que tá tendo as aulas de inglês, mas também o apoio social que a gente consegue fazer pras organizações que estão no nosso país, que é onde a gente chama de fato de casa. E fora também as pessoas que estão voluntárias ali e por um propósito, né, e fazendo acontecer aquilo ali, eu tenho um carinho muito especial porque ver uma amiga que é de infância construindo algo tão grandioso, de tanto valor, é de deixar o coração assim muito quente, sabe, aquecido de fato.

E é uma coisa que eu falo muito pra Carol, falo assim, olha, amiga que eu tinha na escola, ver tudo que você construiu, que eu fico muito orgulhosa de tudo isso. E foi no momento que eu tava aqui querendo ocupar a minha cabeça e ela tinha postado que tava precisando precisando de uma pessoa. E aí eu fui, mandei mensagem para ela, eu falei assim, amiga, eu quero fazer parte do projeto e tudo. E aí eu entrei para o projeto e eu entrei para o Social Connected.

Eu tô lá já há mais de um ano e assim, tô amando. E eu falo que eu, de lá, obviamente tudo que o projeto faz já é muito, de muito valor, já é de grande impacto. E assim, eu não tenho nem palavras porque o projeto faz na vida das pessoas hoje. Mas além disso, eu também Digo que me agregou muito como pessoa, porque eu tô ao lado de pessoas muito qualificadas que talvez eu não encontraria elas em nenhum outro lugar. E que ali elas me dão experiência de vida, elas me dão experiência profissional.

E aí, sempre tendo essa troca de pessoas, né, que a gente trouxe lá no início falando. Então assim, como você é uma delas, a Valentina é uma delas, a Priscila e o Thiago, que são pessoas que eu tenho me conectado ali dentro e que hoje realmente são pessoas que eu considero amigo, que eu iria visitar e que eu passaria um tempo, que eu gostaria de ter um momento com eles. E que eu acho que assim, agregou muito. E eu vejo que a cada conexão que você vai fazendo é uma relação diferente que você vai criando, mas que no final tá todo mundo ali no mesmo propósito, sabe? Todo mundo junto ali fazendo o negócio de fato acontecer.

CDCarol Daher

Nossa, amei isso! Eu amei isso porque assim, quando a gente trabalha com propósito, né? E a Axios, ela tem um propósito muito bonito. E para vocês que estão tendo contato com essa organização pela primeira vez, tá nos assistindo no YouTube ou nos ouvindo em todas as plataformas de streaming, no Spotify, no Apple Podcast, em todas, eu quero deixar aqui o convite para vocês conhecerem essa instituição, é axiosaxoeducation.com, e vocês vão poder, por exemplo, né, estudar inglês de uma forma muito acessível, né, com uma doação muito simbólica ao final do mês, um negócio ali de $15 ou R$10 se você mora no Brasil, e você vai poder contribuir com outras organizações através da Axios.

E detalhe, todos os professores são extremamente qualificados, extremamente qualificados, tem vários cursos, tem proficiência, ou são professores nativos, né, aqui dos Estados Unidos ou do Canadá, enfim. Vocês estarão tendo essa vantagem, né? Além de aprender inglês de qualidade, você ainda vai ajudar outras instituições pelo Brasil inteiro. Então, realmente, inglês com propósito e futuro com esperança. Eu sou muito apaixonada, a Má sabe disso, e a gente faz isso com muito coração, com muito amor.

Espero que vocês sintam isso também aí do outro lado. Má, Mais algum recado final antes da gente se despedir? Estamos chegando aqui nos finalmentes.

MFMaria Fernanda Carpinter

Ai, não quero ir embora, não quero ir embora, quero ficar.

CDCarol Daher

Quer falar mais?

MFMaria Fernanda Carpinter

Eu vou falar mais. Não quero ir embora.

CDCarol Daher

Ai, eu amo quando a gente conversa com alguém que a gente realmente tem uma conexão, porque as coisas fluem, né? Não existe um roteiro, não existe um negócio encaixadinho ali, não tem, não precisa nem de folhetim. Já começa saindo fora igual eu.

MFMaria Fernanda Carpinter

Eu acho que se eu tivesse que falar mais alguma coisa seria: se conectem, seja com pessoas ou com você mesmo, com seu lado espiritual. E assim, a gente precisa de pessoas, sabe? A vida é sobre pessoas que passam no seu caminho. Algumas ficam, outras não, mas a vida eu acredito que é sobre pessoas e conexões. E são elas que nos ensinam, nos moldam, nos ajudam a evoluir. Então acredito que Aí eu sei que a gente anda numa fase no mundo, né, que muitas pessoas preferem ficar sozinhas do que estar com pessoas por conta, né, de tudo que vem acontecendo na vida.

Mas eu diria, não se fecha, porque as oportunidades estão nas pessoas que você conhece e nos lugares que você frequenta. Então assim, se você tem vontade, arruma sua mala e vai.

CDCarol Daher

Uau, adorei! Adorei, que conversa gostosa, leve. Fico muito feliz. Espero que as pessoas que estejam também nos assistindo, nos ouvindo, sintam essa conexão. E se vocês quiserem depois também— mas você tem rede social aberta ou a sua é fechada?

MFMaria Fernanda Carpinter

Como é que é?

CDCarol Daher

A gente fala, tá fechado. Então não falamos sobre isso aqui. Eu achei que você tinha algum perfil profissional, mas enfim.

MFMaria Fernanda Carpinter

Eu já trabalho tanto que aí eu decidi a minha, sou fechada.

CDCarol Daher

Profissional do marketing que tem a page dela privada, é só sobre isso. Adoro! Mas pessoal, é o seguinte, se você ouviu até aqui, se fez sentido para você essa conversa, essa conexão, se tem aquela vontadezinha de colocar tudo na sua mala e partir para uma nova experiência de vida, fica aqui com a gente, manda aqui nos comentários, né? Se tiver alguma dúvida, alguma pergunta também, deixa aqui nos comentários que a Ma também vai ficar muito feliz em responder, eu sei disso, ela é muito generosa.

E encaminha para aquela sua amiga, para aquele seu amigo que você sabe que tem aquela vontadezinha de fazer a mesma loucura que a gente fez. Então vai lá, encaminha e confere se você está inscrita, está inscrito nesse canal, gente, porque a gente descobriu que mais da metade das pessoas que nos assistem aqui não estão inscritas no nosso canal. Então assim, deixa a sua inscrição, é muito legal, assina aí e deixa o seu, ativa o sininho também para você receber toda vez que a gente tiver um novo episódio.

Mas grande beijo, muito obrigada pelo seu tempo e a sua disposição de falar aqui com a gente. Espero que você volte mais vezes, viu?

MFMaria Fernanda Carpinter

Obrigada pelo convite, obrigada também pela mulher incrível e inspiração que você é. Então assim, obrigada de verdade, também espero voltar mais vezes porque eu amei.

CDCarol Daher

Ai, que bom! Beijo, até mais, tchau tchau!

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