DISCOTECA PERDIDA #205 – QUARTETO EM CY – QUARTETO EM CY 1964
Um álbum inusitado de um conjunto vocal inusitado para os padrões do AutoRadio Podcast.
No episódio de hoje, o Bunnyman assume o comando para apresentar uma verdadeira joia da nossa música: o álbum de estreia do Quarteto em Cy, lançado em 1964.
Muito mais do que um grupo vocal, o Bunnyman explora como as irmãs Cyva, Cybele, Cynara e Cylene se tornaram a unidade técnica perfeita da MPB, sob o apadrinhamento de ninguém menos que Vinicius de Moraes e Baden Powell.
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Gabu
- Análise do álbum To The Faithful DepartedReza · Enquanto a tristeza não vem · Berimbau · O trem · Barravento · Resolução · Aruanda · Caminho de Pedra · Nanã · Vida ruim · Mascarada
- Quarteto em Cy 1964Estreia do álbum · Irmãs Cyva, Cybele, Cynara e Cylene · Vinicius de Moraes e Baden Powell · Arranjos vocais complexos · Afro-samba · Composições de Carlos Lira e Edu Lobo
- Influência MusicalBossa Nova · Tropicalismo · Jovem Guarda · Comparação com grupos vocais da Motown · Melhor grupo vocal feminino brasileiro
Oi, eu sou o Gabu, e esse é mais um episódio do Discoteca Perdida do Alto Radio Podcast.
Amém.
O amor não é mais Bastante pra vencer Eu já sei o que vou fazer Meu Senhor, uma oração Vou cantar para ver se vai valer Ai, ela dá essa batana, ave marinha Ai, ela dá essa batana, ave marinha Ai, ela dá essa batana, ave marinha Ai, ela dá essa batana, ave marinha
Por amor andei já, tanto chão e mar, Senhor, já nem sei. Se o amor não é mais bastante pra vencer, eu já sei o que vou fazer. Meu Senhor, uma oração...
Vou cantar para ver se vai valer.
Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Levar Le
Sobe o som, amigo ouvinte, não mude o seu dial, porque você está no Auto Radio Podcast. A sua trilha sonora para o automobilismo. Eu sou Ricardo Berman e você ouviu Reza, que abre o primeiro álbum do Quarteto e Si, datado de 1964. E ao fundo temos Caminho de Pedra.
Aí você se pergunta, quarteto em si? Por que elas, né?
tão diferente aí do que o Auto Radio se propõe. Pois é, essa é mais uma das letras que o Tiago Raposo nos deixou para desenrolar no alfabético Discoteca Perdida Nacional. E esse mês, né, nós ficamos com as letras mais difíceis para variar e para finalizar essa árdua tarefa de falar de uma banda para cada letra do alfabeto. Estamos na letra Q.
E me surgiu a ideia de fugir do comum, trazendo essa banda icônica dos grandes tempos, onde o ritmo da bossa nova dominava o mundo e os rádios. O quarteto em si era formado pelas irmãs nascidas na Bahia, a Siva, Sibeli, Sinara e Silene, todos com seus nomes, começando com CY.
Daí o nome do conjunto, que foi genialmente sugerido por Vinícius de Moraes, fazendo um trocadilho sonoro com a nota musical e também um dos seus padrinhos, junto com Baden Powell. Ao chegarem da Bahia ao Rio para desenvolver a sua carreira, a sua estreia foi no Beco das Garrafas, contando com Rosinha de Valença no violão, Carlos Castilho na guitarra e contando também com o grupo Copa Trio.
Essas apresentações deram a elas a precisão técnica necessária para gravar um álbum de estreia com pouquíssimos takes. Diferente de outros grupos da época, o quarteto em si focava em arranjos vocais extremamente complexos e fechados, funcionando quase como um instrumento de sopro.
em quatro partes. Era incrível ouvi-las como se fossem vozes, uma voz reverberante. A presença de Baden Power no disco trouxe também um peso maior para o violão e aos elementos do afro-samba que estava em gestação naquela época.
O disco também traz composições de nomes como Carlos Lira e Edu Lobo, mostrando que o quarteto era a vitrine preferida para os grandes compositores da década de 60. Esse primeiro álbum foi o cartão de visitas que permitiu que o grupo fosse para os Estados Unidos, para o Japão, pouquíssimo tempo depois, onde se apresentaram em programas de TV e colaboraram com artistas internacionais.
Como dissemos anteriormente, o álbum abre com reza. As meninas já iniciam com sua espiritualidade à mostra. Como se pedisse a bênção por um trabalho nesse álbum. É um grande impacto ao ouvir essas meninas com tamanha força em suas vozes, já remetendo a uma audição de alto nível. Já mais introspectiva, enquanto a tristeza não vem, é a próxima faixa. Um lamento bonito com a frase Nasceu uma rosa na favela.
Berimbau é um dos grandes temas musicais promovidos da época. Sua introdução mostra o refino da bossa nova aliada à marcante voz do quarteto, com toda essa complexidade, referenciando em parábolas uma das grandes marcas brasileiras.
que é a capoeira. O trem é um som que realmente simula um deslocamento e abraça a gente na audição, e talvez uma das minhas preferidas, porque mostram que a estrutura musical para essa faixa é um grande trabalho, e não só técnico, mas também de muita criatividade.
A próxima é Barravento, com sua cadência boêmia, mostrando como o trombone de Edson Maciel e o trompete de Pedro Paulo fazem toda a diferença nesse momento. Em resolução, o piano sempre presente de Olmir Deodato leva a voz das meninas a um outro patamar.
Aqui ela é mais uma vez elevada por suas belas vozes em uma deliciosa audição. E se você ouviu esse disco no século passado, é hora de virar para o lado B e encontrar a Aruanda, escrita por Carlos Lira e Geraldo Vandré com sua batida contagiante.
Caminho de Pedra vem bem de mansinho, talvez a que eu menos gostei do disco. Ela é a mais longa do álbum, com 4 minutos e 20. E é interessante que as outras músicas girem em torno dos 2 minutos. Nanã vem com um samba típico da época, com aquele ar de estar na casa dos amigos, passando a capa do álbum de mão em mão para a gente verificar as faixas, o tempo e os detalhes técnicos. Só não sei quem é Nanã.
Nem tudo são flores na vida. Vida ruim é mais um triste lamento de 3 minutos e 15, que serve para mostrar uma refinada tristeza que antecede a última faixa da bolacha com mascarada, que nos dá uma última oportunidade de ouvir essas vozes que foram consideradas o melhor grupo vocal brasileiro e arrisco aqui dizer que talvez até hoje seja o maior grupo vocal feminino brasileiro.
de todos os tempos desse Brasil varonil o disco tem pouco mais de 30 minutos 31 minutos se não me engano e é um doce de leite pra você colocar aí no seu streaming e ouvir com todo
Toda calma, paciência no momento de boa, é uma delícia escutar esse álbum. Eu não tinha ouvido ele inteiro, sentado para ouvir, mas é muito bacana essa minha primeira audição completa desse álbum. Bossa Nova, Tropicalismo e Jovem Guarda disputavam seu espaço naquela época. Política à parte de um Brasil complicado daqueles anos, independente se era um som de coniventes, de radicais,
ou qualquer outro rótulo que possam dar, o quarteto em si tem o talento suficiente para rivalizar com qualquer conjunto vocal da Motown que bombava internacionalmente naquela época. Vejo agora este teu lindo olhar
Olhar que eu sonhei, que sonhei conquistar, e que um dia final conquistei, enfim, em doce o carnaval. Você sabia que pode nos acompanhar pelo Twitter e também pelo Instagram no arrobaautoradiopodcast? É verdade. Assim você pode interagir também lá no grupo do Telegram pelo link na postagem deste episódio. Fica ligado em todos os programas que lançamos semanalmente aqui no feed.
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Um beijo queijo no seu coração e som na caixa Flashbacks.
Já cansei de lutar, agora eu quero descansar. Tanto eu esperei para vencer.
É preciso não morrer, é preciso decidir Tudo implora pra existir ou viver ou morrer Há tanto para se fazer Todas as canções que eu cantei Agora tem de me valer e me fazer acreditar Que é preciso viver, não deixa, só deixa pra lá E mesmo só...
Nem sorrir sem amor para dar Não é preciso não morrer É preciso decidir Tudo embora pra existir ou viver ou morrer Há tanto para se fazer Todas as canções que eu cantei Agora tem de me valer e me fazer acreditar Que é preciso viver No resto é só deixar pra lá
E mesmo só vou seguir E nada me para mudar, nada me
O sino da estação já avisou que o trem já vem. O sino da estação já avisou que o trem já vem.
Vem o trem comendo linha Vai, vai, vai balançando Vem soltando fumacinha Vem o trem gritar o abrigo É um grito tão bonito Tanta gente avisando Gente que gente, gente que sente Gente que vem, que vai no trem Gente que gente, gente que gente, gente Que o trem vai levando, vai levando, vai levando
Gente, gente, gente que o trem vai levando Gente, gente, gente que o trem vai levando Vai o trem no céu chegar tarde
Vem o trem, o seu parque chegar. Lá vai o trem, leva a lembrança. E também deixa a saudade. Vai o trem. Lá vai o trem.
Se o povo não vai, não vem quem de dentro de si Não sai, vai morrer sem amor
E aí, seu Gramoford, gostou do episódio de hoje? Ai, realmente, é uma brasa. Bons tempos. Esse foi mais um episódio do Discoteca Perdida, do Auto Radio Podcast. Tchau!
Deezer
Wisdomtech