O Genocídio do Ruanda
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- Genocídio no RuandaMassacre organizado pelo Estado · Povo Tutsi · Comunidade internacional indiferente · Legado colonial belga · Guerra civil em curso · Assassinato do presidente Habyarimana
- História da ÁfricaPós-independências em África · Violência política africana
- GenocidiosHolocausto pós-Segunda Guerra Mundial · Crimes contra a humanidade · Limpezas étnicas
E aí
Cá estamos com mais uma edição da nossa História, a História da África, aqui na RDP África, com a historiadora Ângela Coutinho. Vamos continuar a olhar para os pós-independências em África, Ângela. É verdade, Ana Paula. Temos estado a falar dos diversos tipos de violência política que houve em vários países africanos, após conquistarem as suas independências nacionais.
E hoje vamos falar do episódio mais doloroso, dramático, trágico, e que ocorreu justamente na sequência de um processo de acumulação, podemos dizer assim, de diversos tipos e níveis de violência e também, em certa medida, em consequência do legado colonial.
Um processo complexo e que foi, de facto, o primeiro classificado a nível internacional em África no pós-independência como um genocídio. A situação foi analisada e considerou-se que, de facto, no Ruanda, entre abril e julho do ano de 1994,
houve um massacre sistemático organizado pelo Estado contra o povo Tutsi, em particular, mas também contra outros povos e mesmo utos moderados. O Ruanda é um país como todos, não é? Em África, praticamente todos, não todos, mas a esmagadora maioria, que integra diversos povos.
que tiveram vivências coloniais um pouco diferenciadas e, na verdade, o povo etniaúto é a maioria. Em 1994, concluiu-se que foram assassinadas quase um milhão de pessoas e dois milhões de pessoas fugiram do país.
E a situação foi organizada pelo Estado ao ponto de o governo enviar listas com nomes de pessoas para serem assassinadas, de modo que as pessoas que estavam em fuga eram paradas nas estradas pelas autoridades e eram assassinadas.
Um aspecto muito importante nesta violência sistemática e brutal que ocorreu nesse ano foi o facto de se ter considerado que a comunidade internacional foi indiferente. As autoridades, as organizações internacionais foram acusadas de indiferença. As grandes potências mundiais também. Aliás, as Nações Unidas chegaram à conclusão que o pequeno contingente militar que tinham no Ruanda não atuou.
E apesar de alertas que tinha havido meses antes de que esta situação podia ocorrer no país.
Bom, e infelizmente, Ana Paula, podemos falar aqui de alguns aspectos considerados importantes, porque uma pessoa pergunta-se como é que se chega a este ponto, não é assim? Como é que se chega a este ponto, Isanto? E infelizmente sabe que agora existe uma disciplina na história, que é a história dos genocídios.
Na medida em que foi com o Holocausto, pós-Segunda Guerra Mundial, que se começou a estudar estes fenómenos, e chega-se à conclusão de que tem acontecido muito mais do que se julga na história, Estados organizarem a destruição em massa de povos. E outras situações também consideradas crimes contra a humanidade. Isto foi uma classificação das Nações Unidas, no pós-1945, como limpezas étnicas, não é assim?
existe esta disciplina. E com certeza que se conclui que acabam por ocorrer em situações de contexto de violência extrema ou total e também são o resultado de um processo relativamente longo. No caso do Ruanda havia uma guerra civil em curso. Havia uma maioria úto no poder, um presidente que lá está, tinha dado um golpe de Estado militar, falámos dos vários golpes de Estado, que ele guiou em África, no pós-independência.
E então, em 1994, o presidente Abiyarimana foi morto.
na sequência de um ataque a um avião, onde ele estava a viajar. E, portanto, no contexto dessa guerra civil, o governo acusou o partido Tutsi, que estava em guerra contra o governo, de ter feito esse ataque. Era a frente patriótica do Ruanda com Tutsis que estavam exilados.
Por seu lado, este partido acusou o governo de fazer essa acusação para ter uma desculpa e avançar com os planos de genocídio.
É preciso que os nossos ouvintes percebam que, efetivamente, já havia, desde há muitos anos, uma perseguição aos estudo de SIS no país. Sobretudo a partir da década de 80, mas desde os anos 60, inclusive, é por isso que havia exilados, havia um discurso de ódio nos meios de comunicação social.
Havia perseguições. Aliás, este presidente que foi morto era acusado de ter uma perseguição ativa contra tutsis, que era uma minoria. E isto tudo também vem do processo de colonização. O Ruanda foi inicialmente colonizado pela Alemanha. É daqueles territórios que, no fim da Primeira Guerra Mundial, quando a Alemanha perdeu a guerra e perdeu os territórios que tinha em África, foi depois ocupado pela Bélgica.
E os historiadores dizem que a Bélgica utilizou muito os tutsis como administradores coloniais, o que os impérios fizeram de uma forma geral. Sabemos que não houve muitos europeus a trabalhar em África, no aparelho administrativo, e, portanto, normalmente havia alguns grupos étnicos ou povos.
utilizados para esses trabalhos, como capatazes, poderíamos dizer assim, do colonialista. Claro, e isso motivava depois, com certeza, um ódio dos outros. Exatamente, isso gerou ressentimentos, ressentimentos, e que chegou, de facto, a um ódio e toda esta hostilização e perseguição no pós-independência.
Por conseguinte, é um marco importante na história da África do século XX, o primeiro genocídio, como eu disse, inicialmente reconhecido a nível internacional pelas Nações Unidas e que com certeza dará ainda muito o que falar, porque temos estado sempre, repito, a falar da dita história do tempo presente. Ângela, muito obrigada. Até para a semana. Até para a semana, Ana Paula.
E aí