Episódios de Noticiários RDP África

18h00 Edição António Silva Santos

04 de maio de 202613min
0:00 / 13:07

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Participantes neste episódio9
J

Jerónimo Muniz

Host
A

António Silva Santos

ReporterJornalista
A

Arlindo Moambe

ConvidadoTransportador de passageiros
C

Carla Henriquez

Reporter
E

Elidio Vieira

ConvidadoPrimeiro-ministro do governo de transição da Guiné-Bissau
J

José Severino

ConvidadoPresidente da Associação Social do país
J

José Sofrino

ConvidadoPresidente da AIA
P

Pedrito Cambrão

ConvidadoProfessor de Sociologia
S

Stéphane Dupain

ConvidadoEmbaixador da Bélgica em Angola
Assuntos5
  • Violência em MoçambiqueCrença sobre órgãos genitais · Síndrome de Koro · Construção social da realidade · Pedrito Cambrão · Vazio de resposta institucional
  • Xenofobia na África do SulPreocupação da Guiné-Bissau · Repatriamento de nigerianos · Violência contra imigrantes · Arlindo Moambe
  • Missão empresarial belga em AngolaAgroindústria, transporte e logística · Fórum Empresarial sobre o Corredor do Lubito · Diversificação econômica de Angola · Setor não petrolífero · Diamantes de Angola
  • Novo partido em São Tomé e PríncipePartido Nossa Terra · Eleições legislativas e autárquicas · Candidatura presidencial · Fausto Tomatos
  • Previsão climática para a semanaPorto · São Tomé · Nampula
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Já são 18 horas em Portugal e em Angola. São agora 17 horas em São de Meio-Príncipe, na Guiné-Bissau, 16 em Cabo Verde. 19 horas em Moçambique. Conferimos os títulos deste jornal. 40 mortes na sequência de linchamentos em Moçambique relacionados com a crença de que os órgãos genitais desaparecem ou atrofiam quando uma pessoa é tocada no corpo por um estranho.

Os programas de desenvolvimento do Corredor do Lubita em Angola serão analisados pelo Governo amanhã em Luanda com a União Europeia. Nossa Terra é a designação do novo partido São Tomense. Amanhã a cidade do Porto em Portugal espera uma máxima de 17 graus, 30 para São Tomé, 32 para Nampula. Jornal das 18 na RTP África com António Silva Santos.

Há já 40 mortes e lixamentos em Moçambique relacionados com a carência de que os órgãos digitais desaparecem ou atrofiam quando uma pessoa é tocada no corpo por um estranho. O Diário da Zambésia adianta que um jovem foi hoje morto na localidade de Luau Luau, no distrito de Mopeia, de acordo com o jornal, quando as forças policiais interviram no lixamento.

Os populares tentaram incendiar o posto de polícia. O jovem agredido foi transportado para o posto de saúde local, mas mesmo assim a fúria popular levou dezenas de habitantes a invadirem a unidade sanitária e a tearem fogo à cama da vítima que morreu carburizada.

Perante o crescente número de mortos em pouco mais de duas semanas, em que a crença alastrou a quase todas as províncias de Moçambique, Pedrito Cambrão, professor de Sociologia na Universidade de Zambés, na cidade da Beira, no centro de Moçambique, defende que este fenómeno não pode ser olhado como simples desinformação. E explica porquê.

porque envolve dimensões psicossociais e culturais muito profundas. Embora não haja evidência científica que comprove esse tipo de acontecimento, o medo associado a essa crença é real e tem efeitos concretos no comportamento das pessoas.

Trata-se de um caso de construção social da realidade, depois passa para a representação social, é aceito como algo real, onde uma ideia, mesmo sem base factual, sem evidência, possa ser aceita como verdade dentro de um grupo, dentro de uma comunidade, dentro de uma sociedade, no caso concreto, na sociedade moçambicana. Quando esse tipo de crença se espalha...

transforma-se num fenômeno coletivo e influencia ações e decisões. É por isso que pessoas reagem com pânico, procuram proteger-se ou até acusam outros. E nesta procura de proteção e acusação assistimos à violência que resvala em danos.

é morte. Além disso, esse fenômeno está ligado ao que se conhece como síndrome de Koro, onde o indivíduo acredita que os seus órgãos de vida estão a desaparecer, estão a atrofiar-se. Fica com medo, ansiedade e pânico. Isso mostra que não se trata apenas de um boato, mas de um fenômeno com base psicocultural.

Quando esse medo deixa de ser individual, passa a ser um medo coletivo, um medo comunitário, surgem consequências sociais gravíssimas. Ou seja, o problema não está apenas na informação falsa, mas na forma como ela é interpretada e vivida socialmente. Parece que é um dogma, há crença nisso. Por exemplo, reduzir o fenômeno a um simples boato é ignorar o seu impacto real. Medo, violência, mortes, trata-se de um fenômeno social complexo.

Fenómeno que Pedrito Cambrão, sociólogo, considera que exige compreensão, informação e intervenção urgente por parte do Estado moçambicano, considera ter agido tarde demais.

O problema central, para mim, parece ser o vazio de resposta institucional. Quando o Estado não atua de forma rápida, just in time, de forma clara e visível, cria-se espaço onde o medo e os rumores passam a dominar. O Estado não deve estar inerte e impávido, distante e distinto. Não!

A ausência de esclarecimento oficial, de comunicação pública adequada e de presença no terreno, embora saibamos que a polícia depois aparece mais tarde, isso faz com que a população procure resposta por conta própria, justiça pelas próprias mãos. Muitas vezes recorrendo a essas crenças, a suspeitas e reações emocionais. Infelizmente, pessoas inocentes pagam por isso.

Do ponto de vista sociológico, essa ausência enfraquece o papel do Estado como principal regulador da ordem social, por forma a se ter a coesão social. Sem orientação institucional, o controle social deixa de ser exercido pelas autoridades e passa a ser assumido de forma informal pela comunidade e pelas pessoas.

Assim, não é apenas o fenômeno que preocupa, mas o facto de ele crescer num ambiente onde falta intervenção a tempo e horas e de forma muito eficaz, de forma eficiente. Falta aquilo que temos comentado, informação e confiança, sobretudo, nas instituições.

Intervenção estatal que Pedrito Cambrão apela que seja urgente. O professor de Sociologia da Universidade de Zambez, na cidade de Beira, no centro de Moçambique, ouvido pela jornalista Carla Henriquez, numa altura em que há já 40 vítimas mortais em lixamentos no país.

A onda de xenofobia na África do Sul continua a levantar imensas preocupações nos países vizinhos. Numa audiência ao embaixador sul-africano em Bissau, o primeiro-ministro do governo de transição da Guiné-Bissau, Elidio Vieira T., expressou hoje profunda preocupação com os atos de xenofobia na África do Sul contra imigrantes africanos. O governo nigeriano decidiu também já hoje, face à onda de violência, iniciar um repatriamento voluntário dos cidadãos do país que se encontram na África do Sul.

A situação de xenofobia na África do Sul ganha uma nova forma, diz o transportador de passageiros que faz a ligação entre Maputo, Chonesburgo e Maputo. Arlindo Moambe explica o que mudou na atuação dos grupos anti-imigrantes dentro da África do Sul.

Estes grupos, quando te encontram, simplesmente partem para o espancamento, sem nenhuma culpa. Para o meu caso, nunca ando sem os documentos. Eu passo assim, com a papelada na viatura, mas nos últimos dias, quando eles te encontram, batem-te e dano e ficam caros.

Hoje, dia 4, a violência será ainda maior e entristece muito porque o governo de Moçambique existe e não se pronuncia. Os dias que seguem são de total incerteza, diz Arlindo Moamba.

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Eu consegui sair, mas estou preocupado com as pessoas que ficaram na África do Sul, o que lhes vai acontecer. O meu desejo é que o governo moçambicano se pronuncie com urgência. Talvez haja segredos entre os dois governos que os imigrantes não tenham conhecimento. É importante que saibamos para que nos possamos posicionar. Não sei dizer quantas pessoas morreram até aqui, pois as pessoas só têm informação através das redes sociais.

Não tenho, por isso, o número de quantas mortes se registaram até aqui.

Decarações do transportador de passageiros na Rota Maputo-Schonesburgo-Maputo foram feitas a rádio RTP África, na fronteira de Receno-Garcia, na província de Maputo, sul de Moçambique, onde o movimento está bastante fraco devido aos receios de protesto e retaliação à onda de violência xenófoba na vizinha África do Sul. Mais de 20 empresas belgas estão em Angola neste momento, numa missão empresarial.

focada na agroindústria, transporte e logística, apostando na diversificação da parceria comercial entre os dois países, segundo o embaixador da Bélgica em Luanda. A missão conta com 26 diretores-gerais de empresas belgas, uma das maiores delegações que vai participar no Fórum Empresarial sobre o Corredor do Lubito, que começa amanhã em Luanda.

O embaixador da Bélgica em Angola, Stéphane Dupain, justifica a missão com a diversificação econômica em curso em Angola e com a melhoria dos indicadores macroeconómicos do país, sublinhando que o setor não petrolífero cresceu 7,3% no ano passado, acima do setor do crude. Numa primeira reação à presença da missão empresarial belga em Angola, o presidente da Associação Social do país, José Severino, destaca que as relações comerciais entre os dois países são diversificadas, mas mesmo assim há um produto em destaque.

Já sabemos qual é o papel que a Bélgica tem nos diamantes, sempre liderou, embora agora tenha concorrência do Dubai, um pouco a concorrência dos Estados Unidos na questão dos diamantes artificiais, mas a Bélgica sempre segurou essa posição muito forte de grande cliente dos diamantes de Angola, que são diamantes joia. Do resto, a Bélgica...

Tem muita tradição na exportação de produtos alimentares para Angola, máquinas e equipamentos. Daí os dito 300 milhões de dólares de exportações.

Amanhã, Luanda acolhe mais um fórum entre os países do Bloco Europeu e o Governo Angolante, tirado a avaliar o que tem sido feito em relação aos programas de desenvolvimento do Corredor do Lubito. O presidente da AIA, José Sofrino, sugere que a delegação da União Europeia que marca presença neste encontro sobre a Plataforma Logística e Ferroviária deve ser mais incisiva e prática naquilo que vai apresentar. E não tem acontecido, porque há muita burocracia, há muito do pormenor, há muito da linhave.

Se o botão devia ser castanho, querem que o botão seja pérola. Não sei se me faço entender. Apostam muito na questão da formação de longo prazo. Quando nós temos população que tem DNA agrícola, sabe fazer agricultura, mas hoje não tem machado, não tem macatane. São instrumentos que são imprescindíveis nas condições da agricultura em África.

não temos uma Paz, não temos uma charrua de atração animal. Queremos passar por uma mecanização mecânica, mas são 3 milhões e meio de famílias que precisam de usar o seu know-how, até a sua tecnologia tradicional. Nós temos projetos prontos para esta atividade e esperemos que possam investir, por exemplo, no lançamento da maior empresa que foi de África na produção de enxadas, charrua de atração animal, que é a Lupral, que até tinha capitais bélgicas.

Além da delegação empresarial belga, estão em Angola empresários de quase todos os países da União Europeia para participar amanhã no fórum com representantes do Executivo sobre o Corredor do Lubito. Foi apresentado este domingo, em São Tomé e Príncipe, um novo partido político fundado pelo atual presidente da Assembleia Nacional, Abnildo de Oliveira. O partido designa-se Nossa Terra. É a nova formação política que pretende concorrer nas próximas legislativas autárquicas e regionais do Príncipe, marcadas para o dia 27 de setembro.

Nesse momento nós não temos candidato às presidenciais, mas tudo aponta que no congresso que vamos ter em junho poderemos, juntamente com a base, eleger ou escolher um dos candidatos para as presidenciais.

Porta-voz do Partido Nossa Terra, a maior recente de formação política de São Tomense, Fausto Tomatos, disse ainda que é um partido que quer fazer reformas em São Tomé e Príncipe. Foram as notícias desta segunda-feira Jornal das 18h na RTP África com António Silva Santos. Saiba mais em africa.rtp.pt

EGTP África.