Episódios de Noticiários RDP África

19h00 Edição António Silva Santos

04 de maio de 202611min
0:00 / 11:28

See omnystudio.com/listener for privacy information.

Participantes neste episódio8
J

Jerónimo Muniz

Host
A

Anne Lindstrand

ConvidadoRepresentante da OMS
A

António Silva Santos

ReporterJornalista
A

Arlindo Laureano

ConvidadoDiretor do Novo Jornal
C

Carla Henriques

ReporterJornalista
L

Lynn Strang

Convidado
M

Maria de Fátima Manso

ConvidadoSecretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Moçambicanas no exterior
P

Pedrito Cambrão

ConvidadoProfessor de Sociologia
Assuntos4
  • Violência em MoçambiqueCrença sobre desaparecimento de órgãos genitais · Violência e mortes em Luá-Luá · Intervenção policial e ataque a posto · Análise sociológica do fenômeno · Síndrome de Koro
  • Surto de antivírus em navio de cruzeiroControle da situação pela OMS · Mortes a bordo do navio Ondius · Avaliação médica de tripulantes · Risco de transmissão
  • Xenofobia na África do SulReunião entre presidentes de Moçambique e África do Sul · Situação dos imigrantes moçambicanos · Apelo à proteção de imigrantes
  • Prêmio LiberdadeNovo Jornal vencedor · Atribuição pelo Sindicato de Jornalistas e MISA Angola · Contexto político-social e económico em Angola · Controle estatal da comunicação social · Profissão de jornalista em Angola
Transcrição31 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

São 19 horas em Portugal e Angola, 18 horas na Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, 17 horas em Cabo Verde, já são 8 da noite em Moçambique.

Vamos conhecer os títulos da atualidade. O chefe de Estado moçambicano reúne amanhã em Pretória com o homólogo sul-africano para analisar a violência xenófoba. A Organização Mundial de Saúde, através do representante em Cabo Verde, assegura estar sob controle da situação no navio cruzeiro Ondius, após três mortes por antavírus. Novo jornal vence prémio de liberdade de imprensa em Angola, o Galardão, que foi atribuído pelo Sindicato de Jornalistas e pelo Instituto da Comunicação Social da África Austral, o MIS Angola.

Esta segunda-feira, temperaturas de 31 graus em Bissau, 27 graus em Luanda e 28 em São Tomé. O Jornal das 7 da tarde, na RTP África, tem edição do jornalista António Silva Santos.

Há já 40 mortos em lixamentos em Moçambique relacionados com a crença de que os órgãos genitais desaparecem ou atrofiam quando uma pessoa é tocada no corpo por um estranho. O Diário da Zambésia adianta que um jovem foi hoje morto na localidade de Luá-Luá.

No distrito de Moupeia, de acordo com o jornal, quando as forças policiais interviram no linchamento, populares tentaram incendiar o posto da polícia. O jovem agredido foi transportado para o posto de saúde local. Mesmo assim, a fúria popular levou dezenas de habitantes a invadirem a unidade sanitária e a tiarem fogo à cama da vítima que morreu carburizada.

Perante a crescente número de mortos em pouco mais de duas semanas, em que a crença alastrou a quase todas as províncias de Moçambique, Pedrito Cambrão, professor de Sociologia da Universidade de Zambeza, na cidade da Beira, defende que este é um fenómeno que não pode ser olhado como simples desinformação. E explica porquê. Porque envolve dimensões psicossociais e culturais.

muito profundas. Embora não haja evidência científica que comprove esse tipo de acontecimento, o medo associado a essa crença é real e tem efeitos concretos no comportamento das pessoas. Trata-se de um caso de construção social da realidade e depois passa para a representação social, é aceite como algo real, onde uma ideia mesmo sem base factual, sem evidência, passa a ser aceite como...

verdade dentro de um grupo, dentro de uma comunidade, dentro de uma sociedade, no caso concreto, na sociedade moçambicana. Quando esse tipo de crença se espalha, transforma-se num fenômeno coletivo, influencia ações e decisões. É por isso que pessoas reagem com pânico.

procuram proteger-se ou até acusam outros. E nesta procura de proteção e acusação, assistimos à violência que resvala em danos e mortes. Além disso, esse fenômeno está ligado ao que se conhece como síndrome de Koro, onde o indivíduo acredita que os seus órgãos de saúde estão a desaparecer, estão a atrofiar-se. Fica com medo, ansiedade e pânico.

Isso mostra que não se trata apenas de um boato, mas de um fenômeno com base psicocultural. Quando esse medo deixa de ser individual, passa a ser um medo coletivo, um medo comunitário, surgem consequências sociais gravíssimas. Ou seja, o problema não está apenas na informação falsa, mas na forma como ela é interpretada e vivida socialmente. Parece que é um dogma, há crença nisso. Por exemplo, reduzir o fenômeno a um simples boato é ignorar o seu impacto real. Medo.

violência, mortes. Trata-se de um fenômeno social complexo. Petrito Cambrão, sociólogo da Universidade de Zamberto na Beira, pede por isso a intervenção urgente do Estado moçambicano, ouvido pela jornalista Carla Henriques, numa altura em que há já 40 vítimas mortais devido a lanchamentos no país.

O presidente de Moçambique reúne amanhã em Pretória com o homólogo sul-africano para abordar a violência de este novo baná na África do Sul. A deslocação de Daniel Chapa é dada a conhecer pela secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Moçambicanas no exterior. Maria de Fátima Manso reafirma que não há cidadãos nacionais, cidadãos moçambicanos, que tenham sido afetados pela onda de violência na África do Sul.

Residem na África do Sul mais de 300 mil imigrantes moçambicanos que neste momento delicado enfrentam terror, medo e incerteza quanto ao seu futuro.

Apesar dos atos anti-imigrantes e de violência, a Embaixada de Moçambique na República da África do Sul, neste caso particular autocomissariado, por fazermos parte da Comanuel, não tem registrado óbitos, agressões físicas ou perda de bens de cidadãos moçambicanos como resultado destas manifestações.

Maria de Fátima Manso declara estarem a ser acionadas medidas para apoiar os cidadãos moçambicanos que queiram deixar o território da África do Sul e lança um apelo ao país vizinho. O governo de Moçambique está a criar condições junto à fronteira de Ressano Garcia para acolher os nossos compatriotas que, por razões de segurança, decidam regressar ao nosso país. No espírito de boa vizinhança, amizade e hermandade histórica existentes.

Entre os povos moçambicanos e sul-africanos, apelamos ao governo da África do Sul, que garanta a proteção e segurança dos concidadãos e demais imigrantes africanos residentes na África do Sul. O governo de Moçambique reitera a amizade, irmandade e fraternidade africanas devem prevalecer e sobrepor-se ao ódio e à barbárie.

A secretária de Estados Estados Estados Estrangeiros das Comunidades Moçambicanas no Exterior, Maria de Fátima Manso, em conferência de imprensa hoje em Maputo. A representante da Organização Mundial de Saúde em Cabo Verde assegura estar sob controle a situação no navio cruzeiro Ondios após três mortes por antavírus. O cruzeiro partiu da Argentina, está ao largo do arquipélago de Cabo Verde.

A Lynn Strang explica que está a ser feita uma nova avaliação médica a dois membros da tripulação com sintomas de síndrome respiratória aguda. Equipas medicals estão agora no barco para avaliar a condição dos dois doentes. Vamos ver se eles ainda estão estáveis e não precisam de uma evacuação para o hospital Agostinho Neto. Quero felicitar as autoridades.

capverdianos de saúde para uma resposta muito profissional, uma resposta muito profissional também das equipas nacional e medical do Ex-Dinioneto. A situação é sobre controle e a ameaça para esta doença na saúde pública em Cabo Verde é pequena.

Anne Lindstrand explica ainda o risco de transmissão entre humanos devido ao antivírus. O risco nacional é muito baixo, regional baixo. O risco global estamos ainda a ver, porque o barco que chegou da Argentina desembarcou também nas ilhas diferentes, no caminho para Cabo Verde.

Então, as autoridades, junto com a OMS, estão a fazer um rastreio, uma avaliação do risco destes países e como é a situação e a comunicação do risco, como podemos fazer dentro de cada país que está em contato com o barco.

Representante da Organização Mundial de Saúde em Cabo Verde, em declarações da agência Luz, há 147 pessoas de 23 nacionalidades no navio Ondios, em que três passageiros morreram por antavírus. O MS está a avaliar o risco de saúde pública em Cabo Verde. As primeiras vítimas mortais foram um casal holandês, um homem de 70 anos, cujo corpo...

Foi retirado do navio na ilha de Santa Helena e a esposa de 69 anos transportada para a África do Sul, mas morreu em Joanesburgo antes de ser evacuada para a Holanda. Um cidadão inglês foi também retirado do navio e hospitalizado também na África do Sul. O ministro africano da Saúde, Carlos Henriques, veio apelar na ilha da Ascensão que um britânico foi retirado do barco e transportado.

para os cuidados intensivos, onde permanece na África do Sul, sendo este caso positivo por antavírus. O jornal privado angolano venceu, o novo jornal aliás, venceu o Prémio de Liberdade de Imprensa 2026. O galardão foi atribuído pelo Sindicato de Jornalistas e pelo Instituto da Comunicação Social da África Austral, o MISA.

Arlindo Laureano dirige o jornal angolano, destaca que há um percurso a acontecer em termos profissionais num contexto político-social e económico difícil em Angola.

Há um caminho que está a ser feito por um país que ainda é muito difícil perceberem o papel que o jornalismo tem, o jornalismo que escrutina os poderes, escrutina o que o jornalismo faz aos poderes, e também a visão crítica. A visão crítica não só nos conteúdos que nós temos, mas também na opinião e em todo o trabalho que temos. E isto, de certa forma, mostra que estamos a fazer.

o nosso caminho, estamos a fazer um bom caminho. Eu digo sempre que é com calma e com alma, calma para olhar e alma para contar aquilo que vamos vendo os factos, acima de tudo. Atualmente, segundo o diretor do Novo Jornal, o Estado controla quase todos os órgãos de comunicação social em Angola e interfere na linha editorial desses órgãos. Armindo Laureano caracteriza de duas formas a profissão de jornalista em Angola.

Uma profissão ameaçada e ameaçadora. Ameaçada porque temos cada vez mais órgãos a fecharem todos os anos. Temos estado a assistir o Estado. Havia muita esperança, muita expectativa nesta nova governação do Presidente São Lourenço no início.

fez uma conferência de imprensa e mostrava uma abertura à comunicação social, mas o que vimos depois foi o presidente a piscar à esquerda e a virar para a direita, com o Estado a chamar assim o monopólio da comunicação social, passando a ser o Estado o dono da maior parte dos órgãos. Falo da questão do Grupo Média Nova, dono da TV Zimbo, do Jornal do País e da Rádio Magia, até da Zap, de Isabel dos Santos e outros órgãos privados que do dia para a noite passaram para...

para o público e uma excessiva e também nociva interferência dos poderes políticos na linha editorial dos órgãos públicos. Lembro que o Prémio de Liberdade de Imprensa, atribuído ao Novo Jornal, pelos sindicatos jornalistas e pelo Misa Angola, vai já na terceira edição. A primeira foi vencida pelo jornalista, ou foi ganha pelo jornalista Ijeel Campos.

Foram as notícias na RTP África com António Silva Santos. Informações em permanência em africa.rtp.pt África RTP África